quarta-feira, 19 de maio de 2010

Achado fóssil de peixe com quatro patas na Letônia

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O fóssil foi nomeado Tiktaalik, viveu por volta de 375 milhões de anos atrás e seu fóssil foi descoberto há cinco anos por Shubin, paleontologista e professor de anatomia da Universidade de Chicago, e equipe, no Ártico Canadense.

O Tiktaalik é um dos mais espetaculares elos já descobertos da transição da vida da água para a terra. A caçada por um fóssil desse tipo foi o que motivou Shubin a vasculhar o Ártico por seis longos e penosos anos. Por que ele decidiu ir exatamente àquele lugar atrás dos fósseis? Aí está a grande contribuição da geologia para o estudo da evolução: se pedras com cerca de 360 milhões de anos já revelaram fósseis de seres claramente definíveis como répteis e anfíbios, e naquelas com cerca de 385 milhões de anos encontramos peixes, as formas de transição necessariamente devem ser encontradas (se a evolução das espécies é mesmo um fato) em camadas com idade entre 375 e 380 milhões de anos.

Camadas com tal idade e em condições propícias à exploração existem basicamente em três áreas: costa oriental da Groenlândia, leste da América do Norte e Ártico Canadense. As duas primeiras já haviam e/ou estavam sendo trabalhadas, então Shubin e companhia rumaram para o Canadá. Isso em 1999. Em 2004, encontraram o início do fóssil do que viria a se chamar Tiktaalik, removeram a pedra em volta dele e levaram para o laboratório.

Tiktaalik significa “grande peixe de água doce” na língua dos esquimós, nome por eles escolhido a pedido de Shubin, em retribuição à gentileza dos habitantes locais, que lhe deram permissão para as pesquisas na área.

Como um peixe, o Tiktaalik possuía escamas e nadadeiras. Mas, como um réptil, possuía pescoço e cabeça chata com olhos na parte superior. Habitava áreas de rios rasos ocasionalmente lamacentas. Era o reino animal preparando-se para povoar a terra, senhoras e senhores.

Mas por quê? Por que uma linha de peixes levaria ao Tiktaalik e consequentemente à vida na terra? Ocorre que nas águas daquela era ninguém era de ninguém, o ambiente estava saturado, a concorrência era muito grande. Para fugir do destino de presa, os seres tinham três “escolhas”: tornarem-se maiores, mais armados para a defesa-ataque ou… cair fora. Nossos ancestrais literalmente ralaram peito para fugir da briga.

O relato da aventura que levou à descoberta desse peixe-réptil é apenas o primeiro capítulo do fascinante livro de Neil Shubin. Como você pode ver pelo título (algo como “O peixe em você”) e pelo subtítulo (“Uma viagem pela história de 3,5 bilhões de anos do corpo humano”), é um livro que pensa o corpo humano a partir do que ainda carregamos de outras espécies. Shubin utiliza não apenas o registro fóssil, mas também o que revela o DNA (como Darwin teria vibrado com os estudos do DNA!).

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