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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Posted: 25 Aug 2011 09:46 PM PDT
Juramaia em vida
© Mark A. Klingler
Um fóssil descoberto no nordeste da China indica que a evolução dos mamíferos em animais com placenta ocorreu 35 milhões de anos antes do que se imaginava. Um grupo de cientistas liderado pelo paleontólogo do Museu Carnegie de História Natural, Zhe-Xi Luo descreve na revista Nature o mamífero Juramaia sinensis, um pequeno animal semelhante a um musaranho, datado de 160 milhões de anos, ou seja, que viveu no período Jurássico. O Juramaia é o mais antigo exemplar do grupo de mamíferos chamados Eutherianos, o grupo que evoluiu em formas que apresentam a placenta, modo interno para manter e desenvolver os fetos. Saiba mais sobre essa importante descoberta lendo o resto deste texto.



Como o fóssil mais antigo de mamífero placentário, Juramaia fornece evidência fóssil da data em que mamíferos eutherianos divergiram de outros mamíferos, os Metatherianos, que dariam origem aos marsupiais como o Canguru. Também divergiram do grupo dos Monotremados, que inclui o moderno Ornitorrinco. O paleontólogo Luo explica que "o Juramaia, de 160 milhões de anos, é uma tia bisavó ou "bisavó" de todos os mamíferos placentários que são tão bem sucedidos hoje.
O fóssil original, também espécime Tipo, está preservado em uma placa de xisto da Formação Tiaojishan e pertence ao Museu de História Natural de Beijing (BMNH PM1143) e está sendo estudado em conjunto por cientistas chineses e estadunidenses. O nome quer dizer "Mãe Jurássica da China", sendo que o termo "Jura" representa o período e "Maia" quer dizer mãe. Por sua vez "Sinensis" quer dizer "da China".
© Zhe-Xi Luo

O fóssil da Juramaia foi descoberto na Província de Liaoning, nordeste da China e examinado por Luo e os colaboradores Chong-Xi Yuan e Qiang Ji, da Academia Chinesa de Ciências Geológicas, e Qing-Jin Meng do Museu de História Natural de Beijing, onde o fóssil está armazenado. O fóssil apresenta crânio incompleto, parte do esqueleto e impressões de tecidos moles residuais como pelos. Mas o mais importante é que a dentição e ossos da pata dianteira estão preservados e permitiram que os paleontólogos classificassem o animal como parente próximo dos mamíferos placentários, mais ainda que dos marsupiais. O Juramaia tinha um crânio pequeno, de 2,2 centímetros e pesava cerca de 15 gramas. Alimentou-se provavelmente de insetos e vermes, e tinha uma grande habilidade para escalar.
Esqueleto do Juramaia
©
Mark A. Klingler

Segundo Luo, "Entender o ponto inicial dos placentários é uma questão crucial no estudo da evolução dos mamíferos como um todo". Essa data da separação entre espécies ancestrais em duas linhagens descendentes diferentes é uma das informações mais importantes que os cientistas podem ter. Estudos moleculares modernos, como métodos baseados em DNA, podem calcular o tempo da evolução por meio de um "relógio molecular". Mas o relógio precisa ser submetido a uma checagem cruzada com o registro fóssil, que deve suportar as teorias do relógio. Antes da descoberta do Juramaia acreditava-se que o ponto de divergência era uma dúvida para os historiadores da evolução: a evidência de DNA sugeria que eutherianos deveriam ter aparecido antes no registro fóssil, há cerca de 160 milhões de anos. O mais antigo eutheriano conhecido era o Eomaia, de 125 milhões de anos, o que não batia com as pesquisas de DNA. A descoberta do Juramaia por sua vez mostra um espécime mais antigo de eutheriano e bate com os dados encontrados através das moléculas de DNA, preenchendo uma lacuna importante no registro fóssil da evolução dos mamíferos, o que é um marco no estudo da evolução.
O pequeno mamífero Chinês mostra características que podem ter ajudado os novos eutherianos a sobreviver no ambiente jurássico, como pernas dianteiras adaptadas para escalar, o que era muito bom, pois até o que se sabia os mamíferos principalmente viviam em solo e poder se refugiar em árvores e explorar este nicho era uma vantagem em tanto.
Novamente, Luo apóia essa perspectiva "A divergência de mamíferos eutherianos dos marsupiais acabou em reprodução e desenvolvimento da placenta, o que foi crucial para a evolução dos placentários. Mas foi sua capacidade de explorar as árvores que permitiu alcançarem tanto sucesso."

Fonte  : www.ikessauro.com

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