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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

 
A evolução dos avós 

Idosos podem ter sido o segredo do sucesso da nossa espécie 

por Rachel Caspari
 
Durante o verão de 1963, quando eu tinha 6 anos, minha família viajou de nossa casa na Filadélfia para Los Angeles em visita a meus parentes maternos. Eu conhecia bem minha avo: ela ajudou minha mãe a cuidar de mim e de meus irmãos gêmeos, apenas 18 meses mais novos que eu. Quando não estava conosco, ela morava com a mãe dela, que conheci naquele verão. Venho de uma família longeva. Minha avo nasceu em 1895; a mãe dela, na década de 1860, e as duas quase chegaram aos 100 anos.

Ficamos com as duas matriarcas por varias semanas. Foi com suas historias que aprendi sobre minhas raízes e meu lugar numa rede social que abrangia quatro gerações. Pessoalmente, essas lembranças me ligaram a vida no final da guerra civil e, na era da reconstrução, aos desafios enfrentados por meus antepassados e ao modo como eles enfrentaram as dificuldades.

Minha historia não e única. Os velhos desempenham papeis essenciais nas sociedades humanas do mundo todo, transmitindo sabedoria e apoio social e econômico para as famílias de seus filhos e grupos mais amplos de parentes. Em geral, na era moderna, as pessoas vivem tempo suficiente para serem avos; mas nem sempre foi assim. Quando os avos prevaleceram e a presença deles afetou a evolução humana?

O estudo conduzido por mim e meus colegas indica que pessoas com idade de avos se tornaram comuns há pouco tempo na pré-história humana, e essa transformação coincidiu com mudanças culturais em relação a comportamentos distintos, inclusive dependência da comunicação baseada em símbolos sofisticados, como os que sustentam a arte e a linguagem. Essas descobertas sugerem que viver ate uma idade mais avançada exerce efeitos profundos no tamanho das populações, nas interações sociais e na genética dos primeiros grupos humanos modernos. Alem disso, pode explicar por que eles foram mais bem-sucedidos que os humanos arcaicos.


Viva rapidamente, morra jovem
o primeiro passo para saber quando os avos se tornaram presença constante na sociedade seria avaliar a composição etária típica de populações do passado: a porcentagem de crianças, adultos em idade fértil e os pais desses jovens. Mas a reconstrução da demografia de populações antigas e bem complicada. Por um lado, populações inteiras nunca são preservadas no registro fóssil; os paleontólogos tendem a recuperar fragmentos de indivíduos. Em contraposição, os seres humanos primitivos não necessariamente amadureceram na mesma proporção que os homens modernos. Na verdade, os índices de maturação diferem, mesmo entre as populações contemporâneas. Mas alguns sítios guardaram fosseis humanos nas mesmas camadas de sedimentos, e assim cientistas podem avaliar com confiança a idade desses restos na hora da morte. Isso e essencial para entender a composição de um grupo pré- histórico.
Um abrigo na rocha, localizado na cidade de Krapina, na Croácia, cerca de 40 km a noroeste da cidade de Zagreb, e um desses lugares. Há mais de um século, o paleontólogo croata Dragutin Gorjanović– Kramberger escavou o local e descreveu os fragmentos de, talvez, ate 70 neandertais, a maioria numa camada datada de cerca de 130 mil anos. O grande numero de fosseis encontrados próximos entre si, o acumulo aparentemente rápido dos sedimentos no sitio e o fato de alguns restos compartilharem determinadas características indicam que os ossos de Krapina abrangem os restos de uma única população de neandertais. Como costuma acontecer no registro fóssil, os remanescentes mais bem preservados em Krapina são os dentes, devido ao alto teor mineral que os protege da degradação. Eles também são um dos melhores elementos para determinar a idade da morte pela analise de desgaste de sua superfície e mudanças relacionadas a idade na estrutura interna.

Em 1979, antes de começar a minha pesquisa sobre a evolução dos avos, Milford H. Wolpoff, da University of Michigan, em Ann Arbor, publicou um artigo baseado em restos dentários, avaliando a idade dos neandertais de Krapina ao morrer. Os dentes molares irrompem em sequencia. Usando como guia um dos esquemas de erupção mais rápida observada no homem moderno, Wolpoff estimou que o primeiro, segundo e terceiro molares do homem de Neandertal surgiram em idades que se aproximavam dos 6, 12 e 15 anos, respectivamente. O desgaste pela mastigação se acumula em ritmo constante ao longo da vida e por isso, quando surge o segundo molar, o primeiro já tem 6 anos de desgaste e, ao nascer o terceiro, o segundo tem três anos de desgaste.

Fazendo o caminho inverso, pode-se inferir que um primeiro molar, com 15 anos de desgaste, pertencia a um neandertal de 21 anos, um segundo molar com 15 anos de desgaste, a um individuo de 27 anos, e um terceiro molar com 15 anos de desgaste, a alguém com 30 anos. (Essas estimativas tem margem de erro de mais ou menos um ano.) Esse método de seriação baseado no desgaste para determinar a idade da morte, adaptado de uma técnica desenvolvida pelo pesquisador A. E. W. Miles, em 1963, funciona melhor em amostras com grande numero de jovens, que Krapina tem em abundancia. O método perde exatidão quando aplicado a dentes de idosos, cujas coroas dentarias também podem estar desgastadas em excesso para a avaliação confiável e, em alguns casos, estar totalmente corroídas.

O trabalho de Wolpoff indicou que os neandertais de Krapina morreram jovens. Em 2005, poucos anos apos eu ter começado a pesquisar a evolução da longevidade, decidi dar outra olhada nessa amostra usando uma nova abordagem. Queria ter certeza de que não estávamos perdendo indivíduos mais velhos, devido as limitações inerentes de seriação baseada em desgaste. Trabalhando com Jakov Radovčić do Museu de Historia Natural da Croácia, em Zagreb, Steven A. Goldstein, Jeffrey A. Meganck e Dana L. Begun, todos de Michigan e estudantes de graduação da Central Michigan University, desenvolvi um novo método não destrutivo, usando tomografia tridimensional microcomputadorizada de alta resolução (μCT) para reavaliar a idade dos indivíduos de Krapina, ao morrer. Analisamos o grau de desenvolvimento de um tipo de tecido do interior do dente, a dentina secundaria. O volume de dentina secundaria aumenta com a idade e fornece uma pista para avaliar a idade de um individuo a morte, quando a coroa do dente esta desgastada demais para ser um bom indicador.


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Nossas descobertas iniciais, complementadas por imagens fornecidas pelo Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionaria, em Leipzig, corroboram os resultados de Wolpoff e validam o método de seriação baseado em desgaste: os neandertais de Krapina tinham taxas de mortalidade extremamente elevadas; ninguém ultrapassou os 30 anos. Mas isso não significa que os neandertais não ultrapassassem essa idade.

Pelos padrões atuais, a media de longevidade de Krapina e inimaginável. Afinal, para a maioria, 30 anos e o auge da vida, e os caçadores-coletores ultrapassaram os 30 anos em passado recente. Os neandertais de Krapina, no entanto, não são os únicos entre os seres humanos primitivos. Outras poucas localidades com fosseis humanos com grande numero de individuos preservados, como o sitio Sima de los Huesos, em Atapuerca, na Espanha, com cerca de 600 mil anos de idade, mostram padrões semelhantes. O povo de Sima de los Huesos tinha altos níveis de mortalidade infanto-juvenil, ninguém ultrapassava os 35 anos, e pouquíssimos chegavam a essa idade. E possível que, de alguma forma, catástrofes ou condições especiais em que os restos se fossilizaram tenham selecionado a não preservação de indivíduos mais velhos nesses sítios. Mas as extensas pesquisas no registro fóssil humano que realizamos, inclusive do material desses sítios extremamente ricos, alem de outros que continham menos indivíduos, indicam que morrer jovem era a regra, não a exceção. Parafraseando as palavras atribuídas ao filosofo britânico Thomas Hobbes, a vida pré-histórica realmente era desagradável, brutal e curta.

Ascensão dos avós
esta nova abordagem com a μct tem o potencial de fornecer uma imagem de alta resolução das idades dos indivíduos mais velhos em outros fosseis de populações humanas. Mas, alguns anos atrás, antes de chegarmos a essa técnica, Sang-Hee Lee, da University of California em Riverside, e eu estávamos prontas para comecar a busca por evidencias de mudanças na longevidade ao longo da evolução humana. Lançamos mão da melhor abordagem disponível naquele momento: a seriação baseada em esgaste. Mas enfrentamos um grande desafio. A maioria dos fosseis humanos nao e originaria de sítios como o Krapina, que preservam tantos indivíduos que os restos podem ser considerados reflexo de populações maiores. E quanto menor o numero de indivíduos contemporâneos encontrados em um sitio, mais difícil estimar com segurança a idade dos membros ao morrer, devido as incertezas estatísticas associadas a amostras pequenas.

Mas percebemos que poderíamos abordar de outra maneira a questão de quando os avos começaram a se tornar mais comuns. Em vez de perguntar quanto tempo os indivíduos viveram, questionamos quantos deles chegaram a velhice. Ou seja, em vez de nos concentrar em idades absolutas, calculamos idades relativas e perguntamos qual proporção de adultos sobreviveu ate a idade em que poderia se tornar um avo. Nosso objetivo foi avaliar as mudanças ao longo do tempo evolutivo na proporção de adultos mais maduros e adultos jovens. Entre os primatas e ate bem pouco tempo entre os humanos, o terceiro molar irrompe aproximadamente na mesma época em que um individuo se torna adulto e atinge a idade reprodutiva. Baseadas em informações sobre os neandertais e as populações contemporâneas de caçadores-coletores, inferimos que os fosseis de seres humanos tinham os terceiros molares e o primeiro filho por volta dos 15 anos. Consideramos o dobro dessa idade para marcar o inicio da idade de serem avos – assim como algumas mulheres hoje podem dar a luz aos 15 anos e se tornarem avos quando seus próprios filhos atingirem os 15 anos e se reproduzirem.
Para nosso objetivo, qualquer individuo arcaico com 30 anos ou mais era qualificado como adulto mais maduro – com idade para ser avo. Mas a beleza da abordagem sobre essa proporção e que, independentemente de a maturidade ocorrer aos 10, 15 ou 20 anos, a proporção de indivíduos mais maduros e mais jovens numa amostragem não seria afetada, pois o inicio da idade adulta mais madura mudaria na mesma escala. Como estávamos tentando classificar os fosseis nessas duas categorias extensas, poderíamos incluir varias amostras pequenas deles em nossa analise sem nos preocupar com as incertezas de idades absolutas.

Calculamos as proporções entre adultos maduros e jovens em quatro grandes agrupamentos de amostras de fosseis, totalizando 768 indivíduos que abrangiam um período de 3 milhões de anos. Um agrupamento compreendeu os australopitecineos mais recentes – parentes primitivos de “Lucy”, que viveu na África Oriental e África do Sul entre 3 milhões e 1,5 milhão de anos atrás. Outro agrupamento consistia nos primeiros membros do gênero Homo, do mundo todo, que viveram entre 2 milhões e 500 mil anos atrás. O terceiro grupo era do neandertal europeu de 130 e 30 mil anos atrás. E o ultimo abrangia os europeus modernos do período Paleolítico Superior inicial, que viveram entre cerca de 30 mil e 20 mil anos atrás e deixaram vestígios culturais sofisticados.

Embora esperássemos encontrar aumentos na longevidade no decorrer do tempo, não estávamos preparados para os resultados surpreendentes. Observamos uma pequena tendência de aumento da longevidade ao longo do tempo em todas as amostras, mas a diferença entre os seres humanos primitivos e os homens modernos do Paleolítico Superior foi um aumento substancial de cinco vezes na proporção de adultos maduros e jovens. Assim, para cada dez neandertais adultos jovens que morreram entre 15-30 anos, havia apenas quatro adultos mais maduros que ultrapassaram os 30 anos; em contraste, para cada dez adultos jovens na distribuição de mortos do Paleolítico Superior europeu, havia 20 potenciais avos. Questionamos se o maior numero de corpos sepultados em locais do Paleolítico Superior poderia explicar o elevado numero de adultos maduros naquela amostra, e novamente analisamos nossa amostra do Paleolítico Superior, usando apenas os restos que não haviam sido enterrados. Mas obtivemos resultados semelhantes. A conclusão foi inevitável: a sobrevivência de adultos aumentou muito tarde na evolução humana.

Biologia ou Cultura?
Agora que sang e eu estabelecemos que o numero de avos em potencial aumentou em algum momento na evolução dos seres humanos anatomicamente modernos, tínhamos outra questão: o que provocou essa mudança? Havia duas possibilidades. Ou a longevidade foi um agrupamento de características geneticamente controladas que distinguia biologicamente os homens anatomicamente modernos de seus antecessores, ou não veio com a aparição da anatomia moderna e foi resultado de uma mudança posterior, de comportamento.

Os homens anatomicamente modernos não explodiram no cenário evolutivo fazendo a arte e os armamentos avançados que definem a cultura do Paleolítico Superior. Eles surgiram muito antes desses europeus do Paleolítico Superior, há mais de 100 mil anos, e na maior parte desse tempo eles e seus contemporâneos anatomicamente arcaicos, os neandertais, usaram a mesma tecnologia mais simples do Paleolítico Médio. (Membros dos dois grupos parecem ter se interessado em fazer arte e armas sofisticadas antes do Paleolítico Superior, mas essas tradições foram efêmeras comparadas as onipresentes e duradouras que caracterizam esse período posterior.) Apesar de nosso estudo indicar que um grande aumento de avos era singular nos homens anatomicamente modernos, isso, por si, não faz a distinção entre a explicação biológica e a cultural, pois o homem moderno para quem olhávamos era moderno em termos anatômicos e comportamentais. Poderíamos buscar a longevidade nos homens modernos anatomicamente primitivos e que ainda não eram modernos em termos de comportamento?
Para resolver esta questão, Sang e eu analisamos seres humanos do Paleolítico Médio de sítios na Ásia ocidental, datados entre cerca de 110 mil e 40 mil anos atrás. Nossa amostra incluía tanto o neandertal quanto o homem moderno, todos associados aos mesmos artefatos relativamente simples. Essa abordagem nos permitiu comparar as proporções de adultos maduros e jovens de dois grupos biologicamente distintos (que muitos estudiosos consideram como espécies distintas) que viviam na mesma região e exibiam a mesma complexidade cultural. Descobrimos que o neandertal e o homem moderno da Ásia ocidental mostravam proporções de adultos maduros e jovens estatisticamente idênticas, descartando a possibilidade de uma mudança biológica ter sido responsável pelo aumento de sobrevivência de adultos observado nos europeus do Paleolítico Superior. Os dois grupos da Ásia ocidental basicamente tinham proporções semelhantes de adultos maduros e jovens, e os índices ficaram entre as do neandertal e a do homem moderno primitivo da Europa.

Comparados aos neandertais europeus uma proporção muito maior de neandertais da Ásia ocidental (e de homens modernos) viveu ate se tornar avo/avo. Isso não e surpresa: o ambiente mais temperado da Ásia ocidental teria sido muito mais propicio a sobrevivência que as condições ecológicas adversas da Era do Gelo europeu. Mas, se o ambiente mais temperado da Ásia ocidental for responsável pela sobrevivência elevada de adultos observada nas populações do Paleolítico Médio de lá, a longevidade dos europeus do Paleolítico Superior e ainda mais impressionante. Apesar de viver em condições muito mais difíceis, o europeu do Paleolítico Superior mostrou uma proporção duas vezes maior de adultos maduros e jovens que os homens modernos do Paleolítico Médio.

Momentos de maturidade
não sabemos exatamente o que esses europeus do Paleolítico Superior fizeram culturalmente que permitiu que tantos vivessem muito mais. Mas não há duvida de que esse aumento de sobrevivência de adultos em si exerceu efeitos de longo alcance. Como Kristen Hawkes, da University of Utah, Hillard Kaplan, da University of New Mexico, e outros mostraram em seus estudos sobre diversos grupos modernos de caçadores-coletores, os avos geralmente contribuem com recursos econômicos e sociais com os parentes, aumentando tanto o numero de descendentes que seus filhos podem ter quanto a sobrevivência de seus netos. Os avos também reforçam conexões sociais complexas – como a minha avo fez, ao contar historias dos antepassados que me ligaram a outros parentes da minha geração. Essas informações são o alicerce sobre o qual se constrói a organização social humana.
Os mais velhos também transmitem outros tipos de conhecimento cultural, desde o ambiental (por exemplo: que tipos de plantas são venenosas, ou onde encontrar água durante as secas), ao tecnológico (como tecer um cesto ou talvez fazer uma faca de pedra). Estudos liderados por Pontus Strimling, da Universidade de Estocolmo, mostraram que a repetição e um fator critico na transmissão de normas e tradições da cultura. As famílias com varias gerações tem mais membros para martelar essas lições relevantes. Assim, presume-se que a longevidade promoveu o acumulo e a transferência de informações entre as gerações que incentivaram a formação de sistemas de parentesco intrincados e outras redes sociais e que nos permitem ajudar e sermos ajudados quando as coisas se complicam.

O aumento na longevidade também se traduziu em aumento da população, adicionando um grupo de idade ausente no passado e que ainda era fértil. E as grandes populações são os principais engenhos de novos comportamentos. Em 2009, Adam Powell, da University College London, e seus colegas publicaram um artigo na Science mostrando que a densidade populacional e importante na manutenção da complexidade cultural. Eles e vários outros cientistas argumentam que as populações maiores promoveram o desenvolvimento de extensas redes de comercio, sistemas complexos de cooperação e expressões materiais de identidade individual e grupal (jóias, pintura corporal, etc.). Visto sob essa luz, as características marcantes do Paleolítico Superior: o aumento explosivo do uso de símbolos, por exemplo, ou a incorporação de materiais exóticos na fabricação de ferramentas – parecem muito bem ter resultado do tamanho crescente da população.

Essa dimensão populacional crescente também teria afetado nossos ancestrais de outra forma: acelerando o ritmo da evolução. Como John Hawks, da University of Wisconsin-Madison, enfatizou, mais pessoas significam mais mutações e oportunidades de mutações vantajosas se disseminarem pelas populações conforme os seus membros se reproduzem. Esta tendência pode ter tido um efeito ainda mais marcante em seres humanos mais recentes que os do Paleolítico Superior, compondo o crescimento enorme da população que acompanhou a domesticação de plantas ha 10 mil anos. No livro de 2009, The 10,000 year explosion, Gregory Cochran e Henry Harpending, ambos da University of Utah, descrevem variantes de gene múltiplo, desde os que influenciam a cor da pele aos que determinam a tolerância ao leite de vaca – que surgiram e se propagaram rapidamente nos últimos 10 mil anos, graças ao numero cada vez maior de criadores.

A relação entre a sobrevivência de adultos e o aparecimento de tradições culturais novas e sofisticadas, começando com as do Paleolítico Superior, era quase certamente um processo de feedback positivo. A longevidade, inicialmente um subproduto de algum tipo de mudança cultural, tornou-se um pré-requisito para comportamentos singulares e complexos que sinalizam a modernidade. Alem disso, essas inovações promoveram a importância e a sobrevivência de adultos mais velhos, levando as expansões populacionais que exerceram efeitos culturais e genéticos profundos sobre os nossos antecessores. Realmente, quanto mais velho, mais sábio.


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  Rachel Caspari é professora de antropologia da Central Michigan University. Sua pesquisa concentra-se nos neandertais, na origem dos homens modernos e na evolução da longevidade.





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