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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Descoberto tamanho do planeta-anão Eris
Grupo de pesquisadores, incluindo brasileiros, conseguiu medir com precisão o raio do objeto localizado no extremo do Sistema Solar
 
Edição Online - 28/10/2011

Uma equipe internacional de pesquisadores – com a participação de brasileiros – e astrônomos amadores conseguiu medir o raio do planeta-anão Eris, que é 1.163 quilômetros. A margem de erro da medida é de seis quilômetros para mais ou menos. Com o dado em mãos, o grupo respondeu uma pergunta incômoda que fora formulada no início de 2005, quando Eris foi descoberto: seria esse astro bem maior que Plutão? A resposta é não, visto que o raio estimado de Plutão, que foi considerado o nono planeta do sistema solar até ser rebaixado, em 2006, ao status de planeta-anão, está entre 1.150 e 1.200 quilômetros.  O tamanho do raio de Eris, publicado na revista Nature na quarta-feira (26), só foi possível de ser obtido devido à observação de um evento de ocultação raro, no qual o planeta-anão passou na frente de uma estrela distante.
“Eris, como outros objetos localizados depois de Netuno, na região chamada Cinturão de Kuiper, tem importância grande por conter informações sobre a formação e evolução do sistema solar”, explica o coordenador do grupo brasileiro, Roberto Vieira Martins, do Observatório Nacional do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). A rara observação de Eris, difícil por ele estar 95 vezes mais distante do Sol que a Terra e por transitar no momento por um local do céu com poucas estrelas, foi feita no dia 3 de novembro de 2010. Dos 62 participantes do estudo, 14 são brasileiros e trabalham em oito instituições espalhadas pelo país.

Segundo Martins, foi necessário um vasto estudo, realizado principalmente por brasileiros, para checar quando o planeta-anão passaria em frente a uma estrela – como num eclipse. Foi levantado por onde a sombra do Eris na Terra. Quanto mais brilhante fosse a estrela, melhor. “Eris é muito pequeno, foi o mesmo que medir um círculo de 20 metros de diâmetro na Lua observando da Terra”, explica o astrônomo.
Após o cálculo, os observatórios por onde o Eris poderia ser visto da Terra apontaram para o planeta-anão. Infelizmente, no dia da observacão as nuvens fecharam o tempo em cidades brasileiras, como Ponta Grossa, Belo Horizonte, São José dos Campos e Itajubá, onde os astrônomos esperavam ver o evento. Para realizar o estudo, os pesquisadores contaram então com dados de outras localidades, como os obtidos pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), no Chile.
Eris reflete a luz solar. Aliás, reflete muita luz, por isso mesmo os astrônomos pensavam que se tratava de um objeto grande. Agora, com o raio do planeta-anão, os autores do estudo conseguem inferir com maior precisão do que é formada a sua superfície, não dependendo apenas da luz refletida. “Ela é branca, o que é estranho”, diz Martins. Como está muito longe do Sol, numa região fria, quando exposto ao clima espacial – radiações cósmicas – Eris deveria apresentar um gelo escuro, de acordo com estudos já feitos sobre radiações do espaço. Porém, o planeta-anão é um dos objetos mais brancos que existem no sistema solar.
De acordo com os pesquisadores, duas podem ser as explicações para essa cor. Ou os estudos feitos sobre radiações cósmicas não prevêem exatamente o que ocorre, ou material fresco é depositado periodicamente na superfície de Eris – ele deveria ter uma atmosfera como a de Plutão que foi congelada.  “Um mecanismo térmico sazonal expele material volátil que retorna congelado à superfície”, conta outro pesquisador brasileiro que participou do estudo, Marcelo Assafin, do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Esse depósito de gelo de nitrogênio, em cristais, de uma espessura pequena de milímetros, como um fino filme cobrindo a superfície, é eficiente na reflexão da luz. E, por baixo disso, deve haver mais gelo”, completa.
Além disso, por ser menor do que se previa Eris é um planeta-anão com densidade maior do que a pensada. “Ele deve ter uma quantidade maior de rocha”, conta Assafin. Isto é, “Eris deve ter sido formado mais perto do Sol do que se imagina”, diz Martins. De acordo com os pesquisadores, um modelo propõe que tenha sido formado na região de Júpiter e, depois, lançado para os confins do sistema solar.

Eris, que em grego significa a deusa da discórdia, foi o responsável pelo rebaixamento de Plutão ao título de planeta-anão. Essa categoria de astro foi criada em 2006 (leia a matéria Éramos nove) para designar astros que orbitam o Sol, têm forma arredondada e que compartilham sua órbita com outros corpos na região em que se encontram.  Desse modo, o sistema solar possui oito planetas somados a cinco planetas-anões (Plutão, Eris, Haumea, Makemake e Ceres) e a milhares de asteroides. O estudo conclui que Eris e Plutão devem ser considerados planetas-anões gêmeos – apresentam raios, densidade e constituição química similares –, apesar de a atmosfera de Plutão impedir que seja medido seu raio real com precisão melhor que de Eris. Se a estrela fosse mais brilhante, a margem de erro da medida do raio do planeta-anão poderia ser de 2 quilômetros.  Mesmo assim, apenas a visita de sondas permitiria medir o tamanho de Eris com maior precisão.

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