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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Cretáceo
Postado em 16/02/2013
Cretáceo do Brasil
 Maniraptores não identificados vs. Baurusuchus
© Felipe Alves Elias
Mais uma vez a máquina do tempo do Ikessauro está à sua disposição! Desta vez vamos embarcar numa viagem rumo a um mundo incrível, cheio de animais impressionantes, de todos os tipos, tamanhos e hábitos. Estes animais eram os reis em uma época de grandes mudanças que terminou com uma enorme catástrofe. Este local, o reino mágico dos répteis extintos é o nosso próprio quintal. Mas entre 145,5 e 65,5 milhões de anos a coisa era bem diferente, pois Dinossauros, Répteis Marinhos e Pterossauros eram os "donos" da área. Este período foi o último da Era Mesozóica e o auge da evolução reptiliana. No artigo de hoje o Blog Paleontologiageral vai te contar o que foi esse período, quando aconteceu, suas características principais, inclusive a fauna em um texto gostoso de ler e repleto de imagens impressionantes produzidas por artistas dos mais variados estilos. Leia o artigo completo e saiba tudo sobre o Cretáceo!



 
Pelo que descobri nas minhas pesquisas galera, a palavra "Cretáceo" deriva do Latim, "Creta", que significa "Giz". O motivo é porque foram encontradas muitas camadas de giz (carbonato de cálcio) datando do Cretáceo. O "cara" que fez a descoberta, ou melhor, observação das rochas, e definiu o Cretáceo como um período foi o geólogo belga Jean d'Omalius d'Halloy, que há 191 anos, precisamente no ano de 1822, a partir de estratos de giz localizados na Bacia de Paris batizou o periodo de "Terrain crétacé", que quer dizer "Terreno de giz". Posteriormente o termo "Cretaceous" entrou em uso significando "Aquele que tem giz" ou "Aquele composto de giz". O giz ou carbonato de cálcio é depositado pela fragmentação das conchas ou envoltórios de invertebrados marinhos, como os protistas unicelulares Cocolitoforídeos, o que gera nanopartículas redondas chamadas cocólitos.
Jean d'Omalius d'Halloy
© Foto retirada de Wikipedia.org
As camadas de giz foram encontradas no Cretáceo Superior da Europa Ocidental. O nome da Ilha de Creta tem a mesma origem. O nome Cretáceo em alemão é "Kreide", daí a abreviação do nome do período para a letra K, usada em "Evento K-T" (Evento Cretáceo-Terciário).
Eu já devo ter dito isso muitas vezes, mas vou repetir assim mesmo. A Era Mesozóica é dividida em 3 períodos, Triássico, Jurássico e Cretáceo, do mais antigo para o mais recente respectivamente.
Com o fim do Jurássico, há 145,5 milhões de anos, iniciou-se o Cretáceo, que duraria até 65,5 milhões de anos atrás, quando um evento de extinção em massa de proporções gigantescas destruiu boa parte da biodiversidade. O Cretáceo é seguido pelo Paleogeno, marcando a fronteira entre a Era Mesozóica e a Era Cenozóica, período em que a biodiversidade começou a se recuperar e privilegiou a evolução dos mamíferos. Ao todo, o Cretáceo durou 80 milhões de anos, sendo o mais longo dos três períodos da Era Mesozóica e também de todo o Eon Fanerozóico.
Formações de giz no Kansas - Estados Unidos
©
Meredith Corporation/John Noltner
O Cretáceo é dividido em duas épocas ou séries, Inferior e Superior. Em algumas fontes mais antigas o Cretáceo é dividido em três séries: Neocomiano (Inferior), Gállico (Médio) e Senoniano (Superior). Estes três subperíodos continham as idades. O Neocomiano abrangeria desde o Berriasiano até o Barremiano. O Gállico do Aptiano até o Cenomaniano e o Senoniano desde o Turoniano até o Maastrichtiano. Uma subdivisão em doze estágios ou idades, todas originadas de estratigrafia européia, é usada mundialmente nos dias atuais. Em muitas partes do mundo, subdivisões alternativas locais ainda são usadas.
Assim como outros períodos geológicos mais antigos, as camadas de rocha do Cretáceo são bem identificadas, mas a idade do início do período é inexata em alguns milhões de anos. Não há uma extinção em massa ou explosão de diversidade dividindo o período anterior, o Jurássico, do Cretáceo.
Divisão do período Cretáceo
© Patrick Król Padilha
No entanto, no final do sistema a fronteira é bem visível e bem definifida, marcada por uma camada rica em irídio e que se extende por todo o globo e que é associada com a cratera de impacto de Chicxlub em Yucatán, no Golfo do México. Esta camada tem sido datada com certa precisão em 65,5 milhões de anos. Abaixo você confere uma foto de colinas nas Bad Lands de Montana, mostrando a fronteira K-T, representada pela mudança de cor brusca nos sedimentos.
Fronteira K-T
©
Glen Larsen
Como sempre, não posso deixar de falar sobre a paleogeografia do período, o que envolverá a configuração continental e oceânica, formações de rochas e a localização e características dos afloramentos rochosos datados daquele período. O Cretáceo foi um período com um clima relativamente quente, resultando em um nível do mar eustático (que varia de nível com frequência) e vários mares rasos e quentes acabaram se formando no interior dos continentes em decorrência dessas variações.
Cretáceo Inferior: 120 milhões de anos atrás
©
Ronald Blakey
Você caro visitante do Ikessauro, lembra dos artigos anteriores sobre Tempo Geológico? Acho que se você acompanha o blog há algum tempo deve ter visto o artigo sobre o período anterior a este, o Jurássico. E quem está comigo há mais tempo ainda provavelmente leu sobre o Triássico também! Pois se não leu, aproveite que está no blog e confira ambos os artigos, os links deixo à disposição abaixo e recomendo que estude como leitura complementar deste artigo.

Leu né? Pronto pra continuar? Enfim, perguntei porque o Cretáceo nada mais é que um trecho da história geológica e para entender sua configuração e as mudanças por completo é necessário conhecer toda a história. É como ler um livro ou ver um filme, de nada adianta você abrir nas últimas páginas ou minutos e ver um trecho em que fulano morre, beltrano vai preso e um casal X tem um bebê. O ideal é ver desde o começo para entender como cada elemento do enredo se relaciona com o resto e então entender as causas e consequências que levam até o evento final. O registro geológico e fóssil é fragmentário, por isso precisamos aprender o máximo que pudermos do que ainda existe. Por isso num futuro breve pretendo escrever sobre todos os outros períodos conhecidos.
Cretáceo Inferior: 105 milhões de anos atrás
© Ronald Blakey
De volta ao Cretáceo! No fim do Jurássico os continentes estavam chegando ao fim da sua fragmentação para uma configuração próxima à atual, o que terminou no início do Cretáceo, com o globo apresentando uma configuração bem parecida com a atual, embora ainda com diferenças significativas. Lembrando que quando digo "terminou" me refiro ao fato da aparência continental ter atingido o design atual, pois de fato a movimentação e fragmentação nunca acaba, no momento em que está lendo isso as placas tectônicas estão se movendo, muitíssimo devagar em mudanças imperceptíveis. Portanto, garanto que daqui a muitos milhões de anos nossos atuais continentes deixarão de ter a configuração atual, talvez se unam ou se fragmentem mais, mas com certeza não permanecerão iguais.
O Oceano Atlântico surgiu depois que a América do Sul e África se separaram entre 120 e 105 milhões de anos atrás e se alargou mais ainda com o passar do tempo. Placas tectônicas se chocaram originando a Cordilheira Norte Americana. Foi durante o Cretáceo que o Gondwana se separou em América do Sul, Antártica e África, para depois fragmentar-se ainda mais originando a Austrália, Índia e Madagascar. Os dois últimos estavam unidos ainda e assim permaneceram por um tempo até que a Índia se separou e já depois do Cretáceo, finalmente migrou em direção ao norte, unindo-se à Eurásia e formando a Cordilheira do Himalaia.
Cretáceo Inferior: 120 milhões de anos atrás
© Ronald Blakey
Devido a essa separação os Oceanos Atlântico Sul e Pacífico foram formados e se alargaram muito, além de a atividade tectônica ter criado cadeias de montanhas submersas ao longo das bordas das placas, assim aumentando mais o nível do mar por todo o globo.
Ao norte da África o Mar de Tethys ainda existia, bem estreito. Mares rasos avançaram dentro da América do Norte e ficaram conhecidos como Mar Interior do Oeste. Na Europa o mar cobria boa parte do continente, que só mostrava picos que se tornaram ilhas no meio de toda aquela água. No final do período esses mares recuaram deixando depósitos marinhos ricos em material orgânico que depois originou milhares de fósseis espremidos na rocha entre duas camadas de carvão que cercam os depósitos marinhos. Ao todo, um terço de toda a área terrestre estava coberta de água no auge do nível do mar durante o Cretáceo.
O período, como já mencionei, é nomeado a partir das extensas camadas de giz ou carbonato de cálcio originário do revestimento dos cocolitoforídeos, que ao morrerem liberam o carbonato no sedimento. Muitas camadas desse giz são encontradas na Europa, porém não apenas giz se formou no Cretáceo. Há rochas de calcário marinho em grande quantidade, rocha que é formada em mares rasos e quentes. Os mares rasos e largos permitiram grande acomodação de sedimento, resultando em camadas de rocha grossas e repletas de fósseis. A idade relativamente recente contribui para a descoberta de fósseis, pois as camadas estão expostas em jazidas por todo o globo. O giz também é encontrado em camadas de outros períodos, não sendo exclusivo do Cretáceo. No norte da Europa temos o Grupo do Giz, que como o nome já diz é formado deste tipo de rocha, datando do Cretáceo Superior, sendo os penhascos brancos de Dover um exemplo bom, situados ao sul da Inglaterra. Na costa Franco Normanda também há depósitos similares aos de Dover.
Penhascos brancos de Dover
© Fanny
O Grupo do giz já foi observado na Inglaterra, norte da França, Países Baixos, no Norte da Alemanha e na Dinamarca e no solo marinho do sul do Mar do Norte. Este grupo do giz é composto de afloramentos isolados em vários locais.
Outras rochas encontradas são arenitos, xistos e calcáreos. Fósseis como Ouriços do Mar, Belemnites, Amonites e répteis marinhos como os Mosassauros são comuns em estratos marinhos. No sul da Europa os estratos cretácicos são compostos de calcário competente (mais resistente à erosão e deformação) e giz incompetente (mais sujeito a erosão e deformação). Devido à cadeia de montanhas dos Alpes ainda não existirem no Cretáceo, esses depósitos se formaram na borda sul da plataforma continental européia, na margem do então Oceano de Tethys.
Fóssil de Pterossauro em Arenito Vermelho do Cretáceo
© Imagem retirada de UEPG Notícias
As correntes marinhas em meados do período Cretáceo diminuiram de ritmo e a estagnação em partes profundas do mar causou condições anóxicas (condições com falta de oxigênio) na água. Nestes locais formaram-se depósitos de xisto escuro, que hoje são importantes fontes de produção de petróleo ou gás, como observado na crosta submersa no Mar do Norte.
Tanto se fala do giz no Cretáceo pela sua quantidade, pois apesar de outros períodos terem produzido depósitos de giz, nenhum outro superou o Cretáceo em quantidade, dentre todos os períodos do Fanerozóico. Esses carbonatos abundantes e outros depósitos sedimentares fizeram das rochas do Cretáceo um registro muito bom. Formações famosas da América do Norte incluem os ricos depósitos marinhos do Membro Smoky Hill Chalk no Kansas e os da fauna terrestre do Cretáceo Superior da Formação Hell Creek.
Formações rochosas de
Smoke Hill Chalk - Kansas
© Jayne Humphrey Pearch
Outros afloramentos importantes, tanto de giz quanto de outras rochas, ocorrem na Europa e China, como os ricos depósitos do Cretáceo Inferior da Inglaterra e os renomados "Flaming Cliffs" da Mongólia, datando do Cretáceo Superior.
Formações de arenito de Flaming Cliffs - Mongólia
© Foto retirada de Wikipedia.org
Onde hoje é a Índia, jazidas de lava petrificada massivas são chamadas de Armadilhas de Deccan, porque camadas ricas em fósseis ficaram presas entre as camadas de lava, datando do fim do Cretáceo e início do Paleoceno. Na América do Sul há abundância de registros do Cretáceo, principalmente na Argentina, com idades do Cretáceo Inferior e Médio e no Brasil há extensos afloramentos do Cretáceo Inferior e Superior no nordeste e centro-oeste do país, com destaque de fósseis preservados em grandes detalhes em calcário de cerca de 110 milhões de anos, incluindo tecidos moles de Peixes, Répteis, Dinossauros e principalmente Pterossauros, um grupo muito diverso no local durante o Cretáceo. Temos outros afloramentos, uns mais, outros menos expressivos, mas todos interessantíssimos, como os da Austrália e Antártica e em muitos outros locais pelo globo, como Madagáscar e África.

Agora trataremos de um tema bem importante, o clima daquele tempo, pois como eu já disse no artigo do Jurássico, o clima interfere em toda a estrutura da vida no planeta. Durante o período derradeiro da Era Mesozóica o clima mudou bastante, apresentando os primeiros sinais de resfriamento desde o Triássico, com temperaturas baixas nos locais com alta latitude. Você sabia que há indícios de neve naquele tempo? Evidências apontam que houve queda de neve nas regiões mais próximas aos polos, embora a glaciação com geleiras permanentes só tenha acontecido nas grandes montanhas. Talvez, mais raramente, neve sazonal caísse em regiões mais ao sul, porém nada muito significativo. Durante o Cretáceo muitas rochas eram carregadas pelo gelo para ambientes marinhos, mas a evidência de deposição direta de geleiras está limitada à Bacia Eromanga, do Cretáceo Inferior do sul da Austrália. Nos trópicos a umidade aumentou bastante. Confira a imagem de como seria a nossa região nordeste na excelente ilustração de Richard Bizley. Aliás, caso queira contatá-lo para saber mais sobre a arte dele pode acessar o site dele em www.bizleyart.com ou pelo e-meil dele: richard@bizleyart.com

Cretáceo Inferior do Brasil - Santanaraptor e Lacusovagus
© Richard Bizley
Isso tudo aconteceu durante o Berriasiano, a primeira idade do Cretáceo, porém quando o Berriasiano acabou, a temperatura começou a subir novamente e se mantiveram altas até o final do período. Essa tendência de temperaturas altas se deveu à intensa atividade vulcânica que produziu grandes quantias de dióxido de carbono. A produção de grande quantia de magma elevou os níveis do mar, fazendo que grandes áreas de crosta continental fossem inundadas formando os mares rasos sobre os quais contei a você na parte da paleogeografia. O Mar de Tethys conectava os oceanos tropicais do Oeste com o Leste o que colaborou para o aquecimento global. Plantas de clima quente foram encontradas fossilizadas até no Alaska ou Groenlândia, enquantro que fósseis de dinossauros tem sido encontrados no que era o Pólo Sul do Cretáceo, o que mostra que áreas hoje cobertas por geleiras extensas eram na verdade bem quentes naquele tempo.
Uma temperatura branda e gradiente, que vai diminuindo muito gradualmente à medida que distancia-se do equador em direção aos pólos significava ventos globais mais fracos, contribuindo para menos elevação nos níveis das águas profundas, mantendo assim um oceano mais calmo que o atual. Essas características são comprovadas através de deposição de xisto negro e eventos anóxicos (com falta de oxigênio).
O núcleo dos sedimentos mostram que temperaturas de superfície marítima tropical podem ter atingido valores tão quentes quanto 42ºC, pelo menos 17ºC mais quente que a temperatura atual, tendo uma média de cerca de 37ºC. Já no fundo dos oceanos as temperaturas devem ter chegado a 15º - 20ºC a mais do que a atual.

Você deve estar lembrado de como era o Jurássico certo? Era muito quente, úmido, o que favoreceu o crescimento de inúmeras plantas, em sua maioria samambaias e cicadáceas, certo? Pois no final do período Jurássico o clima começou a esfriar e assim prosseguiu no começo do Cretáceo, como já expliquei na parte do clima.

Paisagem do Cretáceo: observe as plantas variadas
©
John Sibbick
Logo que o clima esquentou novamente as plantas como samambais, benetitales e coníferas, assim como as cicadáceas, tomaram conta da paisagem e firmaram raizes por todo o globo, assim como vinham fazendo já desde o começo da Era Mesozóica. Não devemos deixar de observar que estas eram todas plantas gimnospermas, ou seja, plantas que se reproduzem diretamente por semente, não havia flores ainda. A Williamsonia, já presente no Jurássico continuou existindo até o fim do Cretáceo.
Williamsonia sewardiana
© Nobu Tamura

Mas aí é que vem a reviravolta na história, pois com algumas mudanças na fauna e no clima, plantas diferentes evoluíram, desenvolvendo novas estruturas reprodutivas mais eficientes, as flores! Ao mesmo tempo surgiram muitos insetos novos, pela primeira vez espécies polinizadoras de flores viviam no planeta. Entre estes insetos, estavam as primeiras abelhas e besouros, mas também haviam formigas e vespas, até mariposas.

Estas plantas que tem flores são chamadas de angiospermas. Entraram na jogada por volta de 110 a 135 milhões de anos atrás e foram aos poucos se diversificando, porém só conseguiram tomar o lugar das gimnospermas como plantas dominantes no final do período, por volta do Campaniano. Não se pode afirmar com certeza que antes disso não haviam flores, pois o que sabemos é que o fóssil mais antigo de angiosperma encontrado até agora vem da China e tem cerca de 125 milhões de anos, mas não podemos descartar a hipótese de que antes disso haviam flores ainda não descobertas.
Sapindopsis anhouryi: uma angiosperma
 © The Virtual Fossil Museum
Pesquisas de DNA no entanto indicam uma origem durante o Permiano, consequentemente um surgimento muito mais antigo. Aparentemente essas angiospermas, se existiram em tempos tão remotos, eram muito modestas, pois não há fósseis no registro geológico datando do Triássico ou Jurássico. Pode-se comparar até com a existência dos mamíferos durante a Era Mesozóica, ou seja, viviam em números reduzidos, não alcançando tamanho ou distribuição expressiva, basicamente vivendo "na sombra" dos dinossauros.
Não se sabe exatamente porque as angiospermas demoraram tanto para surgir e como conseguiram se diversificar tão rapidamente durante um período de tempo relativamente curto no tempo geológico. Uma das hipóteses levantadas é de que os insetos foram os responsáveis por ajudar na rápida dispersão das plantas através da polinização. Os pesquisadores até consideram as angiospermas e insetos como exemplo de co-evolução, que é o caso em que uma espécie evoluiu junto com outra de forma que se tornam adaptados umas às outras, assim uma contribui à sobrevivência da outra.
Até outros animais podem ter contribuido para a dispersão das plantas florescentes. No entanto, dizem alguns pesquisadores que já haviam outros grupos de plantas na época que também eram polinizadas por insetos ou dispersas por animais, apesar de não possuírem flores. Um segunda explicação seria a taxa de crescimento rápido das angiospermas, que era bem maior do que a das coníferas e cicadáceas e outras gimnospermas, o que deve ter contribuido para o sucesso desse grupo de flora. A imagem a seguir demonstra a presença das flores na época, apesar de um tanto exagerada em quantia.
Tiranossauro e Dromaeosaurus em um campo de flores
© Blair Sampson
Antes do Cretáceo não haviam muitas árvores folhosas, apenas espécies com folhas modificadas, como coníferas, que tem folhas em formas de espinhos. No Cretáceo muitas espécies de folhosas surgiram, assim como as primeiras gramíneas, mas ainda não conseguiam prosperar tanto e eram bem restritas, enquanto que árvores como a Araucária ainda eram abundantes e predominavam a maioria dos ambientes.
Araucárias modernas: muito similares às do Cretáceo
© Garth Lenz
Dentre as primeiras folhosas estavam as figueiras, plátanos e magnólias. Ainda haviam samambaias como a Gleicheniales, que era bem distribuída durante o período. Por outro lado as Benetitáceas se extinguiram antes do fim do Cretáceo. Nas regiões temperadas do globo as magnólias, sequóias, sassafrás e salgueiros eram comuns e bem adaptados.
As angiospermas foram evidentemente mais bem sucedidas que as gimnospermas. A causa é provavelmente o modo de propagação mais eficiente, mas também em parte pela diferença na estrutura dos tecidos. Um tipo de "acordo" foi feito com os insetos (e até mamíferos e aves) para a reprodução: as plantas forneciam comida, os animais ajudavam a dispersar o material genético da planta para fertilização. Como consequência disso é que surgiram flores coloridas, que chamam a atenção dos insetos. Esse caso é o de co-evolução, que já mencionei anterioremente.
Apesar de tudo isso, os fósseis de angiospermas são bem raros. As folhas de árvores e arbustos, que são razoavelmente resistentes raramente se preservam, herbáceas então, muito mais raramente e flores praticamente nunca. Por isso ainda não sabemos com certeza todos os detalhes de seu surgimento. Das plantas angiospermas do Cretáceo, as magnólias que ainda tem parentes vivos hoje, são tidas como plantas ancestrais por apresentarem estruturas primitivas. Mas como não há concenso sobre isso, pesquisas com base em DNA podem trazer mais luz ao caso. Outras angiospermas antigas são as Nogueiras, Loureiros e o Nenúfar.
Nenúfar Rosa moderno: os do Cretáceo eram bem parecidos
© Creative Commons
As plantas florescentes passaram relativamente bem pela extinção do Cretáceo, embora tenham diminuído em número por um período de cerca de 100 mil anos, intervalo em que o planeta foi dominado por samambaias, voltaram a prosperar e tornaram-se predominantes daí em diante.
Algumas angiospermas antigas e outras plantas foram coletadas em uma montanha de travertino próximo à Sézanne na França. Travertino é um composto mineral formado geralmente em fontes termais de água mineral, quando carbonato de cálcio é dissolvido na água, que ao vazar nas encostas das montanhas ou colinas cobrem todo o solo e material orgânico presente ali, como plantas e possíveis restos de animais pequenos. Em alguns casos esse travertino endurece e petrifica, originando fósseis. Os fósseis de Sézanne são de aproximadamente 60 milhões de anos e na maioria consistem de pequenas folhas, cuja forma é bem parecida, mas de difícil identificação. O mesmo local é famoso na França por ser o sítio onde a mais antiga folha de vinha foi encontrada, o que atraiu atenção devido à tradição francesa de gosto por vinhos.
As árvores Ginkgoáceas, às quais pertencem os Ginkgos, ainda existiam, mas com menor importância. Ciprestes-calvos e Bétulas estavam prosperando enquanto que os Fetos, como o Onychiopsis, acabaram restritos às áreas mais úmidas do globo, embora ainda abundassem nestas regiões. As Betulites são fósseis de folhas da família das Bétulas, geralmente preservadas sem os galhos. Os Carvalhos surgiram também por volta dessa época.
Betulite em nódulo ferruginoso
© Bernard Faye/MNHN
Todos os continentes estavam cobertos por plantas, inclusive as regiões mais frias como Austrália e Antártica. Abaixo você confere uma reconstrução paleoambiental mostrando Angiospermas, Gimnospermas, Nothofagus, Araucárias, Podocarpos, Cicadáceas, Proteáceas e Stenocarpus.
Austrália no Cretáceo
© Karen Carr
Então pessoal, vamos à parte que a maioria estava esperando, finalmente falaremos dos animais que habitaram a Terra no período Cretáceo. No fim do Jurássico não houve extinção em massa, então os animais em geral puderam prosseguir evoluindo e se diversificando ainda mais. Grupos bem conhecidos de dinossauros continuaram existindo.
Os Saurópodes, grandalhões que no Jurássico eram mais representados por Diplodocídeos e Braquiossaurídeos passaram a se mostrar em formas diferentes no Cretáceo, como os Titanossaurídeos. Alguns eram modestos em tamanho, enquanto que outros chegaram a medidas genuinamente titânicas. Entre os titanossaurídeos houve o Saltasaurus, o próprio Titanosaurus, o Rapetosaurus e o gigantesco Argentinossauro. Embora não houvessem muitos, os Diplodocóides ainda existiram durante o Cretáceo Inferior, um bom exemplo é nosso brasileiríssimo Amazonsaurus. Uma outra família que prosperou foi a Rebbachisauridae, com integrantes como Rebbachisaurus, Nigersaurus e Demandasaurus vivendo nessa época. A outra família de saurópodes que habitou a Terra nesse príodo foi a dos Dicraeosauridae, incluindo Amargasaurus, Dicraeosaurus e Brachytrachelopan. Apesar de tudo ainda havia Braquiossaurídeos, como o Abydosaurus, Angloposeidon, Cedarosaurus, Dinodocus, Pelorosaurus, Sonorasaurus só para citar alguns. Pode ser que outros grupos tenham sobrevivido nesse período, mas em menor quantia e significância que os demais citados.
Rapetosaurus sendo atacados por Majungasuchus
©
Mark Hallett/Mark Hallett Paleoart
2000
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Outros grupos surgiram também, há cerca de 120 milhões de anos, incluindo os Ceratopsianos, herbívoros com chifres e adornos ósseos no crânio, os Paquicefalossauros, herbívoros menores também com adornos na cabeça, dois grupos que juntos constituem o clado Marginocephalia. Alguns exemplares famosos de Marginocéfalos são o Triceratops, Torossauro, Paquicefalossauro, Stegoceras e Paquirrinossauro.
Torossauros sob ataque de um T.rex
© Luis V. Rey
Pachycephalosaurus: um marginocéfalo
© Vlad Konstantinov
Arte feita par De Agostini Japan

A imagem do Pachycephalosaurus acima foi feita por Vlad Konstantinov, que também participou da produção de "Dinosaur Revolution". Esta imagem foi produzida para De Agostini Japan, e como requisitado pelo autor, como agradecimento pela autorização do uso da arte, deixo aqui o contato dele: swordlord@rambler.ru
Os Iguanodontídeos, ornitópodes mais antigos que dominaram o início do Cretáceo, deram origem mais ao fim do período, aos Hadrossauros, dinossauros comedores de plantas com bico e cristas exuberantes dos mais diferentes formatos e tamanhos. Estes grandes herbívoros costumavam viver em grandes bandos e frequentemente viravam presa de tiranossaurídeos. Desenvolveram um método de mastigação, algo raro entre dinossauros, no qual empregavam baterias com milhares de dentes para triturar a vegetação. Ainda haviam ornitópodes pequenos, como o Hypsilophodon. Eu costumo ver esses Ornitópodes como os Gnus e Bisões do Cretáceo, ocupando um papel semelhante no nicho ecológico em que viviam.
Iguanodon
©
Todd Marshall
Hadrossauros: Parassaurolofo e Lambeosaurus
© John Sibbick

Hypsilophodon
©
Nick Norby
Enquanto que no Jurássico os dinos couraçados de mais destaque foram os Estegossauros, no Cretáceo o palco favoreceu os Anquilossauros, sendo que os "estegos" entraram em declínio, embora houvessem ainda estegossaurídeos no Cretáceo Inferior, porém em menor número e diversidade. Dentre os estegossauros do período posso citar o Wuerhosaurus, enquanto que do grupo dos anquilossauros os mais populares são Ankylosaurus, Euoplocephalus, Edmontonia, Saichania, Polacanthus entre vários outros. Estegossauros e Anquilossauros juntos formam o grupo Thyreophora.
Ankylosaurus 
© Discovery Channel
Wuerhosaurus: o estegossauro do Cretáceo
©
Pavel Riha

Não posso deixar de comentar sobre os predadores do período, certo? Pois bem, assim como nos dois períodos anteriores da era em questão, havia diversos tipos de dinossauros predadores. No Jurássico os principais grupos foram os Ceratossaurídeos, Megalossaurídeos, Allossaurídeos e Coelurossaurídeos. No período seguinte os quatro grupos continuaram existindo, mas nem todos chegaram ao final da era, pois os Megalossaurídeos sumiram no meio do Cretáceo. E já que estes terópodes megalossaurídeos, que pertencem à superfamília Megalosauroidea, foram os primeiros a sumirem, vou dar uma breve revisão sobre eles primeiro.

A Megalosauroidea é uma superfamília que abriga vários grupos de dinossauros uns mais outros menos conhecidos, entre estes está a família Piatnitzkysauridae, que é composta de alguns terópodes menos conhecidos como o Piatnitzkysaurus. Já as famílias Spinosauridae e Megalosauridae são bem mais conhecidas e apresentam espécies mais populares. Destas famílias, algumas espécies sobreviveram ao Jurássico e deram origem a outras durante o Cretáceo, mas nenhuma chegou ao final do período. A família mais conhecida de megalossaurídeos do Cretáceo foi a dos espinossaurídeos, grupo particularmente bem sucedido no começo do período, embora com as mudanças de clima e dos níveis do mar o grupo tenha se extinguido. A maioria dos Espinossauros viveu no hemisfério sul, embora o Barionix tenha sido um exemplar da metade norte do planeta. Entre alguns terópodes deste grupo posso citar o Espinossauro, o Irritator, o Angaturama, o Barionix e o Oxalaia, sendo que todos estes eram predadores de médio a grande porte, provavelmente os maiores de seus respectivos nichos.
Irritator: um espinossaurídeo
©
Patrick Król Padilha
Como podem ver, os hábitos dos megalossauros eram variados, alguns predavam animais de terra, outros preferiam pescar, alguns eram pequenos e ágeis, outros grandes e robustos, provavelmente bem mais lentos.
Por falar em espécies grandes vou continuar abordando os predadores maiores antes de focar nos pequenos, portanto acredito que devo mencionar outro grupo importante, o dos Ceratossaurídeos.

Os Ceratossaurídeos foram dinossauros de tamanhos variados, de porte pequeno a grande, com características variadas. De maneira geral pode-se definir um terópode como sendo deste grupo se este tiver mais parentesco com o gênero Ceratosaurus do que com as aves. Entre as espécies que viveram no Cretáceo vou citar o Deltadromeus e o Genyodectes. Além do grupo dos Abelisauróides (Abelisauroidea). Dentro deste grupo temos as famílias Abelisauridae e Noasauridae. Como exemplos de Noassaurídeos lhes apresento o Laevisuchus, o Masiakasaurus, o Noasaurus e o Velocisaurus, todos do Cretáceo.
Masiakasaurus
©
Rodolfo Nogueira
Durante o Jurássico novos tipos de predadores evoluíram como os primeiros Abelissaurídeos, para depois no período Cretáceo dominar boa parte do o globo. Algum tempo atrás publiquei aqui no Ikessauro sobre a descoberta do Eoabelissauro, um abelissaurídeo do período Jurássico.
Até então imaginava-se que este grupo de terópodes só existira no Cretáceo, porém com este achado entendemos que sua linhagem começou a evoluir bem antes. Estes abelissaurídeos também fazem parte da infraordem Ceratosauria. Alguns exemplos dos Abelissaurídeos são o Abelisaurus, Pycnonemosaurus, Majungasaurus, Kriptops, Carnotaurus, Aucasaurus. Eram predadores bem velozes se comparados aos Tiranossaurídeos, mas uma coisa possuíam em comum, braços ridiculamente pequenos. Menores ainda que os dos "répteis tiranos", alguns não tendo nem sequer como movimentar o braço pra frente, como o Carnotauro que nem garras na mão possuía. Sua característica marcante era o crânio curto e alto, alguns apresentando cristas, calombos ou chifres. Tinham pernas longas e devem ter sido predadores bem ativos, assim como os ceratossaurídeos do período anterior.
Carnotaurus: um abelissaurídeo
©
Melissa Frankford
Abelisaurus: um abelissaurídeo
©
Rodolfo Nogueira

Durante o início do Cretáceo os Alossaurídeos, e quando digo isso me refiro a todos da superfamília Allosauroidea, se diversificaram a partir das inúmeras espécies do Jurássico. Embora no Jurássico espécies como o Alossauro e Saurophaganax tenham sido grandes predadores, seu grupo decaiu e deu espaço para outros predadores de topo ocuparem, e em muitas regiões essa brecha levou à origem de uma família nova e bem sucedida, a Carcharodontosauridae, à qual pertenciam espécies de dinos gigantescos, predadores como o Carcharodontosaurus, o Giganotosaurus, o Acrocanthosaurus, o Concavenator, o Tyranotitan, o Mapusaurus além de outros. Confira a bela ilustração do Concavenator, entre os mais novos dinossauros descobertos, feita por Felipe Alves Elias, um grande paleoartista, entre os melhores do país. Não deixe de conferir outras ilustrações no portfólio dele, basta acessar clicando aqui!
Concavenator
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Felipe Alves Elias
Os Metriacantossaurídeos, outro grupo de Alossauros, não chegaram a viver até o Cretáceo, mas em compensação os Neovenatores (pertencentes à Neovenatoridae) conseguiram desenvolver-se bem, com espécies de médio a grande porte como Neovenator, Chilantaisaurus, o recém descrito Australovenator, o Fukuiraptor, Aerosteon, Megaraptor entre outros.
A maior parte destes predadores deve ter sido veloz e ativa, caçando presas variadas. Uma característica comum destes dinos é a mão com três dedos e crânios grandes com formato bem característico, mais "quadrado" e fino que os demais terópodes, com dentes típicos para corte de carte, estreitos e serrilhados.

Acho que agora você já deve ter uma ideia de quais são os terópodes deste grupo, certo? Por eliminatória da pra imaginar que muitos dos terópodes pequenos, os mais emplumados e até alguns grandes como o T.rex fazem parte deste conjunto. É sem dúvida o mais numeroso e diverso conjunto dos quatro que abordamos aqui.
Uma definição básica para animais do grupo Coelurosauria determina que são os dinossauros terópodes com mais parentesco com Aves do que com Carnossauros. Portanto existem diversos tipos de terópodes neste "pacote", um grupo bem misto, contando com predadores de topo como os Tiranossaurídeos, a pequenos carnívoros oportunistas e insetívoros como os Alvarezsaurídeos, indo também dos dinos velozes onívoros como os Ornitomimídeos aos grandes e desajeitados Terizinossaurídeos, que estranhamente eram herbívoros. Tinhamos os velozes Maniraptores e os bizarros Oviraptorídeos, com bicos afiados e cristas estranhas.
O paleontólogo Philip J. Currie até chegou a afirmar que, na opinião dele, todos os terópodes Celurossauros eram emplumados, uma vez que a maior parte das evidências de dinossauros com tal característica pertença a este grupo.
Enfim, posso citar várias espécies de Celurossauros que habitaram nosso planeta durante o "período do giz", e o farei de acordo com os principais grupos. Vamos aos mais famosos já de cara, os Tiranossaurídeos. Dentro da superfamília Tyrannosauroidea a maioria viveu no Cretáceo, sendo os mais famosos o Tyrannosaurus rex, Albertosaurus, Alioramus, Daspletosaurus, Alectrosaurus, Gorgosaurus, Tarbosaurus além de mais um punhado desses grandalhões dentuços. Os animais deste grupo habitaram o hemisfério norte do planeta Terra, dominando seus nichos como predadores de topo, alguns como o T.rex tornando-se extremos da evolução, com corpo robusto e várias armas adaptadas à caça e captura de presas grandes.
Gorgosaurus: um tiranossarídeo
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Nick Norby

Outra família de Celurossauros é bem o oposto desta citada anteriormente, pois compõem-se de animais de pequeno porte, sendo que a maioria nem viveu no Cretáceo, embora alguns poucos tenham se desenvolvido neste tempo. A família em questão é Coeluridae, cujos exemplares cretácicos foram Sinosauropteryx da China e o brasileiro Mirischia.
Mirischia: um celurossaurídeo compsognatídeo
© Felipe Alves Elias
O Mirischia e o Sinosauropteryx também são considerados Compsognatídeos, e isso me leva a citar mais alguns dinos da família Compsognathidae que também são do Cretáceo, entre eles Aristosuchus, Huaxiagnathus, o dino italiano excepcionalmente bem preservado Scipionyx, Sinocalliopteryx, todos de pequeno porte, com hábitos provavemente insetívoros.
Fóssil do celurossaurídeo italiano Scipionyx
© Giovanni Dall'Orto

Falando em dinos de pequeno porte, é interessante lembrar que os famosos raptores, predadores como Dromaeosaurus, Deinonychus e Velociraptor, também são Celurossauros. Muitos deles viveram no Cretáceo e foi a época em que mais prosperaram, embora ainda possamos vê-los por aí hoje em dia. Isso mesmo, um grupo desses dinos deu origem às aves atuais que são classificadas como Maniraptores e por isso são verdadeiros dinossauros!

Dromaeosaurus
© Pietro Antognioni
Preciso começar por algum ponto, então vamos pegar uma parte dos Maniraptores que se destaca do resto, os Oviraptorídeos. Eram terópodes de pequeno a médio porte, com alguns do tamanho de um Peru até outros com com 8 metros de comprimento a maioria tinha cristas na cabeça, embora não fosse regra, com uma mandíbula modificada em forma de bico similar ao de um papagaio. Muitos dizem que servia para comer ovos, embora se saiba que poderiam comer um pouco de tudo, de insetos a crustáceos. Viveram na sua maioria na Ásia, mas há indícios de espécies da América do Norte. Em questão de classificação são agrupados em Oviraptorosauria, que abriga a superfamília e famílias Caenagnathoidea, Oviraptoridea e Ingeniidae respectivamente. Deixa-me vez alguns gêneros para exemplificar essa turminha aí: bem, tem o famoso Oviraptor, o Gigantoraptor, Citipati, Avimimus, Incisivosaurus, Caudipteryx, Chirostenotes, Ingenia e Khan, e esses não são todos que fique claro.
Oviraptor
© Melissa Frankford
Pensando em dinos bizarros acabei lembrando dos ágeis Ornitomimossauros, ou "Dinos Avestruz". Pertenceram ao clado Ornithomimosauria, sendo onívoros e tendo vivido no Cretáceo por toda América do Norte, Europa e Ásia, com espécies inclusive encontradas na África. Ficaram populares por sua semelhança com avestruzes atuais, porém recebem menor interesse se comparados aos terópodes mais assustadores. Os Ornitomimossauros tinham um corpo esguio, pescoço longo e fino e pernas poderosas, a mandíbula era um bico desdentado e devem ter sido emplumados. Algumas espécies se tornaram clássicas, como o Gallimimus que apareceu em Jurassic Park. Outras que igualmente são conhecidas são o Struthiomimus, Garudimimus, Ornithomimus, Harpymimus, Pelecanimimus, todos com nomes indicando "Imitação de ..." geralmente referindo-se à uma ave moderna.
Pelecanimimus: um ornitomimossaurídeo
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Nick Norby
Uma coisa é certa e preciso dizer. Qualquer pessoa que procure encontrar um dinossauro realmente fora do comum basta olhar no clado Therizinosauria, pois vai encontrar vários. Costumo dizer que os Terizinossauros eram os "Ornitorrincos da Era Mesozóica", tamanha sua estranheza tanto em aparência quanto em hábitos. Esse grupo de dinossauros definitivamente faz parte dos terópodes, uma categoria dominada por carnívoros. Mas eles comiam plantas! É exatamente o que você pensou, seria quase como ver um Tigre ou Tubarão comendo só capim ou algas! Esses herbívoros diferentes tinham pescoço longo e mais fino e cauda curta, andam em duas patas, pois as mãos possuíam garras de 1 metro de comprimento nas maiores espécies! É estranho não é? Nem tanto. Se pensarmos um pouco até parecem com a Preguiça atual, que tem garras enormes para agarrar em galhos, embora só coma plantas.
Até agora, todas as espécies descritam pertencem ao Cretáceo, embora haja indícios de possíveis espécimes jurássicos. Mas o que nos interessa são os mais recentes e aqui estão alguns gêneros conhecidos: Therizinosaurus, Falcarius, Nothronychus, Beipiaosaurus e Alxasaurus, embora haja vários outros além destes.
Therizinosaurus
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Luis V. Rey

Outra das subcategorias de Maniraptores é Alvarezsauroidea, que abriga Alvarezsauridae e Parvisursoridae. Esta coleção classifica pequenos terópodes muitas vezes tidos como parentes próximos dos Ornitomimossauros, pois tinham pernas longas e devem ter sido bons corredores, além de todo um design corporal semelhante. Porém, estes pequenos dinos que não chegavam a 1 metro de comprimento na maioria, embora haja indicações de que alguns gêneros chegavam aos 2 a 2,5 metros. Tinham dentes e perderam seus longos braços, desenvolvendo apenas um dedo com uma forte garra, que se supõe eram usados para cavam cupinzeiros, cascas de árvores entre outras coisas em busca de insetos. Imagina-se que eram emplumados também. Exemplos são Patagonykus, Linhenykus, Albertonykus, Parvicursor, Shuvuuia, Alvarezsaurus, todos do Cretáceo.
Shuvuuia: um alvarezsaurídeo
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Luis V. Rey
E por último vou tratar do clado mais diverso e polêmico, o Paraves. Este clado contém todos os dinos terópodes mais aparentados às aves que aos Oviraptorídeos. Se divide em Deinonychosauria e Avialae.
Primeiro vejamos os portadores das "garras terríveis". Já comentei um pouco sobre eles, mas assim mesmo vou dar mais uns exemplos, afinal, são muito legais, não são? Uma das famílias de Deinonicossauros foi Troodontidae, que é composta por pequenos predadores emplumados do Cretáceo como o Troodon, Saurornithoides, Sinornithoides, Sinovenator, Mei, entre outros. Tidos como muito inteligentes para os padrões reptilianos, estes dinos são frequentemente mostrados em livros e documentários.
Mei: um troodontídeo
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José Vitor Silva
A família Dromaeosauridae é a mais reconhecida, abrigando os Unenlagiinae, como Buitreraptor, Autroraptor, Neuquenraptor, Rahonais só para dar alguns exemplos. Ainda dentro de Dromaeosauridae temos Microraptoria, que pelo nome da para imaginar, trata dos pequeninos raptores, cujos maiores representantes não chegavam a 2 metros. Alguns deles são Microraptor, Tianyuraptor, Hesperonychus, Sinornithosaurus e Graciliraptor, todos cretáceos. Muitos deles foram encontrados com evidências de plumagem preservada, tornando-os famosíssimos na comunidade científica.
O ultimo clado de Dromaeosauridae é o que você provavelmente estava esperando mais pra ver, denominado Eodromaeosauria, ou "Verdadeiros Dromaeossauros". Este clado abriga os famosos raptores vistos na mídia e Deinonychus, Velociraptor, Utahraptor, Dromaeosaurus, Tsaagan, Bambiraptor e Saurornitholestes são apenas alguns dos mais afamados.
Velociraptor: talvez o mais reconhecido dos dromaeossauros
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Melissa Frankford
Agora pare um pouco e respire com calma, pois faremos um retorno lá em Paraves, onde começamos a ver os Dromeossauros. Se de um lado tinhamos os Deinonicossauros, de outros temos Avialae, o clado das aves ainda existentes e dos seus parentes extintos mais próximos. Muitas espécies viveram no Jurássico e não nos convém estudá-las aqui neste artigo, portando vou exemplificar diretamente quais são do Cretáceo. Uma delas foi a ave Jeholornis, da Ásia, assim como o pássaro primitivo Zhongornis. Os pássaros Confuciusornis e Sapeornis também entram nessa categoria. Além destes há muitos outros grupos e subgrupos de Avialae, com tantos gêneros diferentes que se eu fosse citar teria que praticamente escrever um livro. Um exemplo é Enantiornithes, o grupo de aves mais diverso do Cretáceo. No mínimo uns 20 gêneros diferentes, sobre os quais tratarei em outras postagens quando a oportunidade se apresentar. Para não deixar você sem um exemplo, um dos Enantiornitídeos foi o Iberomesornis. Temos ainda Euornithes com ancestrais das aves mais próximos dos pássaros modernos do que Sinornis. As aves modernas se encaixam por último na subclasse Neornithes.
Já que estamos falando em dinossauros terópodes incluindo as aves quero aproveitar para ressaltar que ao contrário do que muita gente pensa, a era dos dinossauros não teve seus céus totalmente e unicamente dominados por aves, que eram minoria, mas sim por Pterossauros, os famosos répteis alados.

Como você já deve saber, os Pterossaros, um grupo de répteis alados, surgiu no Triássico e perdurou até o fim da Era Mesozóica. Estes foram os primeiros vertebrados a voar ativamente, com bater de asas e foram extremamente bem sucedidos. Os primeiros eram pequenos e dentuços, com longas caudas, mas com o decorrer do tempo evoluíram para espécies maiores, desdentadas e sem cauda. Estas eram a maioria no Cretáceo, muitos apresentando cristas incríveis, de formas e possivelmente cores bem berrantes. Claro que ainda existiam algumas espécies com dentes, como os indivíduos do grupo Anhangueridae ou Ornithocheiridae, como Ornithocheirus, Anhanguera, Brasileodactylus, Ludodactylus, Caloborhynchus só para citar alguns.
Anhanguera: um Ornithocheirídeo
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Maurilio Oliveira
Outros grandes grupos de Pterossauros do Cretáceo são Pteranodontidae, Istiodactylidae, Nyctosauridae, Dsungaripteoidea, Ctenochasmatoidea, Boreopteridae e Azhdarchoidea. Dentro de Azhdarchoidea temos outros subgrupos bem conhecidos, como Tapejaridae, Thalassodromidae, Azhdarchidae, Chaoyangopteridae. A maiorida destes pterossauros era de médio a grande porte, sendo que os Pteranodontídeos como Pteranodon e os Azharchídeos como o Quetzalcoatlus estavam entre os maiores.
Geosternbergia: um pteranodontídeo
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John Sibbick
Quetzalcoatlus
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Mark Witton
Por outro lado outros menores chamam a atenção pelas cristas exuberantes, como o Tupuxuara, Nyctosaurus e Tapejara.
Tupuxuara
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Felipe Alves Elias

No Cretáceo os mamíferos ainda eram tímidos comparados a outros grupos de animais, porém estavam lá. Os mamíferos marsupiais e monotremados mais antigos conhecidos são desse tempo, assim como os mamíferos placentários, que surgiram provavelmente no meio do Cretáceo. Além disso, um grupo de mamíferos similares a roedores chamados Multituberculados, já existentes desde o Jurássico, se tornaram comuns na Ásia e América do Norte, embora tenham sido extintos posteriormente.
Eomaia: mamífero do Cretáceo
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Nobu Tamura
Apesar de haver muitos tipos de mamíferos, eles compunham uma pequena e modesta parcela da fauna, o que só mudou no Paleoceno. Além dos mamíferos répteis menores viviam na sombra dos dinossauros, como pequenas cobras, lagartos e esfenodontídeos. Nos mares grandes Tartarugas marinhas prosperavam como o enorme Archelon.
Archelon
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Dimitry Bogdanov

Crocodilos e seus outros parentes do grupo Crurotarsi se diversificaram em formas variadas. Gigantes como o Deinosuchus e Sarchosuchus se destacam, mas haviam espécies de répteis menores como os estranhos crocodilomorfos brasileiros Uberabasuchus, Mariliasuchus e Montealtosuchus, além de vários outros.
Sarcosuchus: um crocodilo do Cretáceo
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José Vitor Silva
Mariliasuchus: um crocodilomorfo do Cretáceo
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Felipe Alves Elias

Durante o Cretáceo, insetos começaram a se diversificar e as formigas mais antigas, cupins e alguns lepidópteros parentes de borboletas e mariposas, apareceram. Afídeos, gafanhotos e vespas surgiram.
Durante o Cretáceo os Anfíbios já tinham evoluído bastante, mas ainda existiam formas primitivas. Muitos atingiram tamanhos extremos, como o sapo gigante Beelzebufo, descoberto em Madagáscar, cujo tamanho indica que fosse capaz de comer até pequenos dinossauros. Anfíbios Temnospôndilos ainda prosperavam em menor quantidade, como por exemplo o australiano Koolasuchus.
Beelzebufo
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Todd Marshall
Koolasuchus
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BBC
 
Muitos grupos de organismos marinhos do Jurássico continuaram a existir no Cretáceo. Tubarões de todos os tipos abundavam, assim como muitas espécies de peixes ósseos. Os Mosassauros, um novo tipo de réptil marinho, surgiram e se tornaram predominantes em todo o globo durante o final do Cretáceo, com espécies chegando a medir 14 metros de comprimento. Igualmente perigosos e tão grande quanto foram os Plesiossauros e Crocodilos, mas que existiam em menor quantia no Cretáceo. Ictiossauros, que dominaram o Triássico e Jurássico, começaram a desaparecer no começo do Cretáceo.
Para citar alguns exemplares de répteis marinhos do período, começo com os Ictiossauros, dentre os quais temos o Acamptonectes e o Platypterygius.
Platypterygius: um Ictiossauro
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Andrey Atuchin
Dentre os Plesiossauros os mais conhecidos são os de pescoço longo, como Elasmosaurus, Nichollssaura e Mauisaurus, porém existiram outras subdivisões dentre os plesiossauros, como os Pliossauros, dos quais posso citar o Brachauchenius, e os Polycotylidae, exemplificado aqui pelo Dolichorhynchops, que eram plesiossauróides de corpo pequeno, pescoço curto e crânio grande.
Elasmosaurus: um plesiossauro
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Andrey Atuchin
Brachauchenius caçando um Hesperornitiforme
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Dimitry Bogdanov
Dolichorhynchops: um Policotilídeo
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Rafael Albo
Na imagem acima o Brachauchenius caça um animal. Ele é um Hesperornitiforme, ave marinha mergulhadora incapaz de voar que nadava de maneira similar ao mergulhão. Os Mosassauros certamente eram diversos, porém bem parecidos entre si, variando pouco entre um gênero e outro. Os mais populares são o próprio Mosasaurus, Clidastes, Tylosaurus e Prognathodon.
Clidastes: um mosassauro
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Andrey Atuchin
Mosasaurus hoffmanni
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Sergey Krazovskiy

Prognathodon e Elasmosaurus
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Alain Bénéteau
Répteis não eram os únicos gigantes marinhos do pedaço. De aparência estranha, moluscos gigantes rudistas chegavam a medir 1 metro de comprimento e formavam recifes extensos em oceanos tropicais raros. Moluscos inoceramídeos de 3 metros existiam em mares quentes e rasos, incluindo ambientes desprovidos de oxigênio. Cefalópodes do grupo dos Amonites continuaram a diversificar-se em tamanhos incríveis e formas variadas, com algumas das espécies de concha espiralada chegando a medir 2 metros de diâmetro, enquanto outras que tinham concha em forma de gancho passavam de 2 metros de comprimento. Peixes enormes também estavam em seu auge, incluindo tubarões como Cretoxyrhina e peixes ósseos como Xiphactinus.
O tubarão Cretoxyrhina
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National Geographic
O peixe Xiphactinus
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Dimitry Bogdanov
Bonnerichthys: um peixe gigantesco
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Dimitry Bogdanov

O Cretáceo também foi um ponto alto na evolução do plâncton. Muitos outros tipos de plâncton calcáreo alcançaram seu auge nesse tempo. Estes organismos dominaram o plâncton na maioria dos oceanos até a Era Cenozóica, quando os mares resfriaram-se e a circulação das correntes mudou muito.
As Baculites, um gênero de amonite de concha reta e cônica, floresceu nos mares junto com moluscos rudistas formadores de recifes.  Os Foraminíferos Globotruncanídeos e Equinodermos como Ouriços do Mar e Estrelas do Mar prosperaram.
Baculite
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Eric Thorsen
A primeira erradiação de algas unicelulares nos oceanos aconteceu no Cretáceo, enquanto que as algas do mesmo tipo, mas de água doce só surgiram no Mioceno. O Cretáceo também foi um importante intervalo durante a evolução da bioerosão, a produção de perfurações e desgastes nas rochas, no solo marítimo petrificado e em conchas.

Você já deve ter percebido que  o  Cretáceo foi um período muito fértil em fauna e flora, os seres vivos prosperavam, muitos em seu auge evolutivo, outros começando a sobressair-se para originar novas espécies e posteriormente grupos extremamente bem adaptados à vida em diversos nichos. Foi um período decisivo para nossa própria evolução como mamíferos, afinal, será que estaríamos aqui caso os dinossauros não fossem extintos?


O impacto de um meteorito ou cometa é hoje amplamente aceito como a principal razão para o evento de extinção Cretáceo-Terciário. Houve um declínio progressivo na biodiversidade durante o estágio Maastrichtiano antes mesmo da crise ecológica atribuída aos eventos da fronteira K-T. Além do mais, a biodiversidade necessitava de uma quantia substancial de tempo para se recuperar do evento K-T, apesar da provável abundante existência de nichos ecológicos vagos.
Existem várias hipóteses diferentes para explicar a extinção no fim do Cretáceo, mas não vou entrar em detalhes sobre isso aqui. Opto por usar a teoria mais aceita, mas caso queira conferir algumas hipóteses diferentes ou até as hipóteses mais absurdas acesse estes dois artigos, específicos sobre  as teorias da extinção:
Apesar da severidade desse vento de fronteira, houve uma variabilidade significante na taxa de extinção entre e dentre diferentes clados. Espécies que dependiam de fotossíntese declinaram ou se extinguiram devido à redução da energia solar que chegava à crosta terrestre, encoberta por partículas atmosféricas que bloqueavam a luz solar. Como acontece hoje, organismos fotossintetizantes, como fitoplâncton e plantas terrestres, formavam a base da cadeia alimentar do Cretáceo Superior. Evidências sugerem que animais herbívoros, que dependiam das plantas e plâncton como fonte de comida, morreram à medida que suas fontes de comida se tornavam escassas, consequentemente, predadores de topo como os Tiranossauros, Carcharodontossauros, Espinossauros e Abelissauros também pereceram, junto com os maiores Répteis Marinhos e Pterossauros.
Cocolitóforos e moluscos, incluindo Amonites, Rudistas, Lesmas de água doce e Mexilhões se tornaram extintos ou sofreram perdas graves. Por exemplo, imagina-se que Amonites eram a principal fonte de comida dos Mosassauros, assim com seu desaparecimento tais répteis foram prejudicados.
Animais onívoros, insetívoros e carniceiros sobreviveram ao evento de extinção, talvez por cusa da disponibilidade de comida que aumentou com a morte dos outros animais. No fim do Cretáceo parece que não haviam mamíferos puramente herbívoros ou carnívoros. Os mamíferos e aves que sobreviveram à extinção alimentaram-se de insetos, larvas, vermes e lesmas, que por sua vez comiam plantas e animais mortos, matéria em decomposição. Os cientistas teorizam que estes organismos sobreviveram ao colapso de cadeias alimentares baseadas em plantas porque se alimentavam basicamente de detritos.
Nas comunidades de riachos com correnteza, menos grupos de animais se exintinguiram, pois tais animais dependem menos de plantas vivas para comer, alimentando-se principalmente de detritos trazidos pela água a partir das margens. Estes nichos ecológicos em particular protegeram esta fauna da extinção. Padrões similares, mas muito mais complexos, foram encontrados nos oceanos.
A extinção foi mais severa entre animais que viviam na coluna d'água do que em relação aos animais que vivem sobre ou dentro do solo oceânico. Os animais da coluna de água são quase totalmente dependentes da produção de fitoplâncton vivo, enquando os animais de fundo comem detritos ou podem usá-los para substituir uma fonte viva de alimento. Agiam como os lixeiros do oceano, capturando restos de animais mortos e plantas em decomposição para sobreviver.
Os maiores sobreviventes terrestres do evento, crocodilianos e champsossauros, eram semi-aquáticos e tinham acesso aos detritos. Crocodilos modernos podem viver como carniceiros e sobreviver por meses sem comida e até entrar em hibernação ou um estado similar quando as condições são desfavoráveis, além de que seus filhotes são pequenos, crescem lentamente e comem basicamente invertebrados ou organismos mortos nos primeiros anos de vida. Estas características tem sido relacionadas à sobrevivência dos crocodilianos no fim do Cretáceo.
Provavelmente alguns pequenos dinossauros predadores, como os Dromaeossaurídeos, devem ter sobrevivido em pequenos números, dando origem às linhagens de aves atuais. Um exemplo disso foi mostrado no programa de TV "Dinosaur Revolution" ou "Reino dos Dinossauros" como foi chamado no Brasil. Após a extinção um pequeno grupo de Troodons consegue permanecer vivo, comendo restos de animais e se abrigando em buracos, onde os perigos do exterior não lhes afetam tanto.
Um novo dia após a extinção
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Alain Bénéteau
No final das contas 16% de todas as famílias, 47% dos gêneros, e cerca de 71-81% de todas as espécies foram extintas com este evento devastador. Foi realmente um período negro na história da biodiversidade da Terra, só perdendo em proporção para a extinção do fim do Permiano.


ILUSTRAÇÕESLink
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