quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Saiba Mais: Objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente


conservação

A Lei 6.938/1981 com alterações em sua redação pela Lei 7.804/1989 e Lei 8.028/1990, institucionalizou no Brasil a Política Nacional do Meio Ambiente, os fins e mecanismos para a sua formulação e aplicação, constituiu o Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA e os Cadastros de Defesa Ambiental. 
Fundamenta-se na Constituição Federal, artigo 23 incisos VI e VII que dispõe sobre a competência comum da União, Estados, Distrito Federal e Municípios quanto à proteção e preservação do meio ambiente e no artigo 225 que declara o meio ambiente como “bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo” como direito de todos os brasileiros.
 
A Política Nacional do Meio Ambiente estabelece princípios para preservar, melhorar e recuperar a qualidade do meio ambiente em condições propícias à vida, assegurando condições para o desenvolvimento social e econômico do país com segurança nacional e proteção da vida com estes objetivos:
I – Compatibilizar o desenvolvimento econômico e social com a preservação da qualidade do meio ambiente e o equilíbrio ecológico;
II – definir áreas prioritárias de ação governamental em relação à qualidade e equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses dos diversos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios);
III – estabelecer padrões e critérios de qualidade ambiental e normas relativas ao uso e manejo dos recursos naturais;
IV – desenvolver pesquisas e tecnologias nacionais orientadas ao uso racional dos recursos naturais;
V – difundir tecnologias de manejo do meio ambiente, divulgar dados e informações ambientais e formar conscientização pública sobre a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico;
VI – preservar e restaurar os recursos ambientais, utilizar de forma racional e com disponibilidade permanente estes recursos, mantendo o equilíbrio ecológico favorável à vida;
VII – impor aos poluidores e/ou predadores a obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos ambientais causados; aos usuários de recursos ambientais a contribuição pela utilização destes recursos com fins econômicos.
As diretrizes e políticas para a execução destes objetivos formuladas para orientar as ações governamentais são definidas pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, órgão consultivo e deliberativo que assessora, estuda e propõe a adoção de medidas, normas e padrões compatíveis para o meio ambiente saudável. Atividades empresariais ou públicas para serem realizadas precisam estar em consonância com os princípios, objetivos e diretrizes da Política Nacional do Meio Ambiente.
REFERÊNCIAS:
- Constituição Federal de 1988, artigo 23, incisos VI e VII; artigo 225.
- Lei 8.938/1981, artigos 4º e 5º.
- Lei 7.804/1989, artigo 1º.
- Lei 8.028/1990.
EcoDebate, 26/08/2013

Conheça a diferença entre os tipos de licença ambiental

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Licença ambiental
A Licença Ambiental pode ser Prévia, de Instalação, de Operação, pode ser Dispensa de Licença, Parecer Técnico, etc. O tipo de licenciamento ambiental obrigatório vai depender do estabelecimento e da fase em que se encontra o projeto ou a obra. A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) tem uma página específica que trata apenas dos licenciamentos.

Veja a diferença entre os principais tipos de licença ambiental:

Licença Ambiental: É o procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental autoriza a localização, instalação, ampliação e operação de empreendimentos e atividades que usam recursos ambientais, poluem ou podem causar poluição ou qualquer tipo de degradação ambiental. Essa obrigação é compartilhada pelos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), como partes integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA).

Licença Prévia: Antes de dar início às suas atividades, a empresa precisa requerer a Licença Prévia (LP), que atende aos requisitos básicos exigidos pelo órgão ambiental responsável. A licença é concedida na fase preliminar de planejamento, depois de cumpridos esses requisitos durante a localização, instalação e operação. As leis de uso do solo municipais, estaduais ou federais também devem ser observadas pelo empreendedor.

Licença de Instalação: É concedida após o projeto executivo ser aprovado com todos os requisitos atendidos. Por meio da Licença de Instalação (LI), a CETESB analisa a adequação ambiental do empreendimento ao local escolhido pelo empreendedor. Há também a possibilidade de emissão de Licença Prévia e de Instalação (LPI), que atualmente a CETESB emite em um único documento.

Licença de Operação: A licença de operação (LO) é necessária para a prática das atividades do empreendimento. Será concedida após as verificações do cumprimento dos requisitos condicionantes, previstos na Licença de Instalação por órgão responsável.
A lei que regulamenta a expedição dessas licenças no Estado de São Paulo é a Lei 9477/96. Ela ainda prevê que o órgão ambiental competente possa exigir a apresentação do plano de desenvolvimento das atividades, o plano de auto monitoramento das fontes e a instalação e operação de equipamentos de medição para controle e monitoramento dos poluentes, além de amostragem e análises comprovadas.  
Conforme já abordamos no artigo Empresas correm riscos ao operar sem licença ambiental, é imprescindível estar em dia com as licenças ambientais. Possuir toda a documentação em ordem é obrigatório, afinal a empresa sem ela tem sérios riscos de sofrer penalidades jurídicas, enfrentar problemas ambientais e comerciais, já que a qualificação é exigida por grande parte das empresas contratantes. Para esses e outros casos, recomendamos também que sejam feitas auditorias periódicas nas instalações dos fornecedores. Devemos nos atentar a corresponsabilidade ambiental, cenário em que todas as empresas geradoras são responsáveis pelo tratamento e disposição dos resíduos por ela produzidos até sua destinação final.

É importante também ficar atento em como obter as licenças, renová-las quando for a ocasião e, claro, atender suas exigências. Não basta tirar a licença e não cumprir o que a lei determina, já que o não atendimento às normas técnicas da licença também é passível de multa.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Distribuição geográfica de árvores da Mata Atlântica pode cair 65% até 2100

26/08/2013
Por Noêmia Lopes
Agência FAPESP – Caso se concretizem as projeções mais otimistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e a temperatura nas áreas com remanescentes de Mata Atlântica aumentar até dois graus Celsius, a distribuição geográfica das árvores desta floresta poderá ter redução de 30% em 2100. Se as estimativas mais pessimistas vingarem e o aquecimento atingir a casa dos quatro graus Celsius, tal redução poderá chegar a 65%.


Estimativa vinculada às previsões mais pessimistas do aquecimento global foi apresentada em conferência do BIOTA Educação (Wikimedia)

O alerta foi feito por Carlos Joly, coordenador do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA-FAPESP) e pesquisador do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB/Unicamp), durante o sexto encontro do Ciclo de Conferências 2013 do BIOTA Educação, realizado no dia 22 de julho na FAPESP, em São Paulo.

Os números foram obtidos a partir de um levantamento que começou em herbários. “Identificamos pelo menos 30 pontos de ocorrência exata de árvores da Mata Atlântica e, com isso, fizemos um mapa de onde elas ocorrem hoje em determinadas condições de temperatura, precipitação, tipo de solo e altitude”, explicou Joly.

Considerando os 30 pontos iniciais, o passo seguinte foi usar um algoritmo para calcular em que outros lugares haveria potencial para a ocorrência das espécies, o que deu origem a um segundo mapa. De acordo com o pesquisador, “isso nos permitiu dizer que determinada espécie é capaz de ocorrer em certa localidade, sob certas condições anuais de temperatura e precipitação”.
Em seguida, as projeções do IPCC permitiram traçar o panorama de 2100, considerando cenários mais e menos otimistas. “Estimamos que a porção nordeste dos remanescentes – onde a estimativa é que também haja redução significativa de chuvas – vá diminuir. E a distribuição geográfica das espécies ficará mais restrita a áreas como a Serra do Mar, onde a precipitação é garantida e o relevo impede que a temperatura suba demais”, afirmou Joly.

Estoques de carbono

Outro tema abordado durante a conferência foi o monitoramento do carbono estocado na Floresta Atlântica paulista, em uma faixa equivalente a 14 campos de futebol entre Ubatuba e São Luiz do Paraitinga.

Desde 2005, pesquisas viabilizadas pelo BIOTA-FAPESP e pelo Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) investigam os remanescentes de Mata Atlântica na região, inclusive no que diz respeito às trocas gasosas entre as plantas e o meio ambiente.

O acompanhamento é feito por meio de cintas de aço colocadas nos troncos das árvores – a medição do diâmetro, a cada dois anos, aponta quanto carbono vem sendo fixado por elas. “Também monitoramos árvores que morrem e vão entrar em decomposição e plantas novas, que no último período verificado cresceram o bastante para entrar em nossa amostragem”, afirmou Joly. Uma torre de 60 metros de altura, equipada com um grande conjunto de sensores, também mede o fluxo de trocas gasosas, além de radiação, chuva, vento, entre outros fatores.

Os resultados obtidos até o momento apontam para a existência de grandes estoques de carbono, principalmente no solo das regiões mais altas, onde as temperaturas frias tornam o processo de decomposição mais lento e há acúmulo de serapilheira – camada fofa que se forma com folhas caídas no chão.
“Imaginamos que, em um processo de aquecimento, a serapilheira que se acumulou por milhares de anos vai se decompor mais depressa, fazendo com que a floresta libere mais gás carbônico do que pode assimilar. Ou seja, ela se tornaria uma fonte emissora e nós perderíamos o serviço ambiental de estocagem que hoje as espécies nos prestam”, explicou Joly.
Nos próximos anos, o monitoramento na Floresta Atlântica paulista será comparado a estudos na Floresta Amazônica e em florestas da Malásia, em parceria com pesquisadores britânicos. Já se sabe, por exemplo, que a Floresta Amazônica não acumula tanto carbono no solo como a Atlântica e, nas medições anuais, estabelece trocas com a atmosfera que resultam em um balanço próximo a zero.

Fauna e sensoriamento

André Victor Lucci Freitas, pesquisador do IB/Unicamp, também participou da conferência apresentando dados sobre origem, evolução e diversidade da fauna da Mata Atlântica. Ele apontou que a grande diversificação e o alto endemismo faunístico podem ser explicados por um conjunto de processos.
“A interação entre as tolerâncias ambientais dos diferentes grupos de animais, a heterogeneidade de habitats (florestas, restingas, campos) e os processos históricos (como variações climáticas no passado) explicam a grande diversidade encontrada ao longo de toda a extensão da Mata Atlântica”, disse Freitas.
O terceiro palestrante, Flávio Jorge Ponzoni, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), tratou sobre os bastidores do desenvolvimento de um atlas.

“O acompanhamento, agora anual, dos remanescentes da Mata Atlântica é feito a partir da interpretação de imagens de satélites. Fotografias aéreas resultariam em um detalhamento maior, mas essa ainda é uma técnica muito cara para a grande extensão que precisamos monitorar”, disse. Outro desafio é identificar desmatamentos menores causados pela expansão urbana.
De acordo com Ponzoni, o bioma cobre 7,9% de sua extensão original, se considerados os remanescentes acima de 100 hectares. Quando computados todos os polígonos com 100 hectares ou menos, o domínio é de 11% a 16%.

domingo, 25 de agosto de 2013

Estudo sobre Aquífero Urucuia em fase de conclusão


mapa aquifero urucuia seguirA Comissão Técnica de Acompanhamento e Fiscalização – formada por representantes dos Estados do Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, Goiás e Minas Gerais e pela Agência Nacional das Águas (ANA) – se reúne a partir dessa quinta-feira, 22, em Brasília. O objetivo é definir a versão final dos Estudos Hidrogeológicos e de Vulnerabilidade no Sistema Aquífero Urucuia. Na ocasião, será avaliado o relatório final elaborado pelo Consórcio Engecorps Walm, empresa responsável pela elaboração dos estudos.
Segundo o diretor de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos da Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semades), Aldo Araújo de Azevedo, a partir desse estudo será possível elaborar um modelo de gestão integrada e compartilhada entre os seis estados que são abastecidos pelas águas subterrâneas do aquífero. "Assim, poderemos ter uma forma de exploração unificada e comum a todos os estados, garantindo um uso mais racional do recurso, sem comprometer a disponibilidade e qualidade da água", completa.

Após a avaliação, o relatório final será devolvido à empresa para as adequações. "Tanto o estudo quanto o plano de gestão comum aos estados devem ser publicados no começo do ano que vem. Com isso, vamos elaborar um plano de gestão para garantir e ampliar a disponibilidade de água em projetos de relevância social e econômica do Tocantins", destaca Azevedo.

Além do valor ambiental, as águas do Urucuia são importantes pelas potencialidades econômicas e sociais. Atividades como agricultura, pecuária, piscicultura, saneamento básico, lazer e indústria se beneficiam das águas do aquífero e dos rios abastecidos por ele.

Aquífero Urucuia

O Aquífero Urucuia é o maior do Brasil, considerando que ele está totalmente situado em território nacional. Com extensão de aproximadamente 142 mil km2, abrange seis estados Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Goiás, Maranhão e Piauí e exerce influência na vazão das bacias dos rios São Francisco e Tocantins.
No Tocantins, o aquífero ocupa uma área subterrânea de aproximadamente 28 mil km2 com uma recarga aproximada de 217 m3 por segundo, exercendo influência em rios e nascentes de 13 municípios tocantinenses: Combinado, Aurora do Tocantins, Taguatinga, Ponte Alta do Bom Jesus, Novo Jardim, Dianópolis, Porto Alegre do Tocantins, Almas, Rio da Conceição, Mateiros, São Félix, Lizarda e Ponte Alta do Tocantins.

Editado- 21/08/2013

terça-feira, 20 de agosto de 2013

É pau, é pedra

Plantas petrificadas revelam como era há quase 300 milhões de anos a paisagem onde agora ficam Tocantins e São Paulo 

MARIA GUIMARÃES | Edição 210 - Agosto de 2013
Anatomia fóssil revelada ao microscópio
Anatomia fóssil revelada ao microscópio

Samambaiaçus de 15 metros de altura ao longo dos rios e coníferas nas áreas mais secas. Em menor quantidade, plantas aparentadas às atuais cavalinhas (que se parecem com canudos verticais não mais longos do que 1,5 metro) nos dois ambientes. Era essa a vegetação de uma área próxima ao município de Filadélfia, no Tocantins, no início do Permiano, há quase 300 milhões de anos. Nesse período, os blocos que formam a América do Sul eram agrupados de modo bem diferente e estavam mais ao sul no planeta – a região onde está São Paulo, por exemplo, era coberta por geleiras. À medida que esses blocos migraram para regiões mais quentes da Terra, a flora pôde migrar. Mais próximo ao fim do Permiano, cerca de 270 milhões de anos atrás, já havia vegetação onde agora é o interior paulista.
“Eu apostava que encontraria mais semelhanças entre os fósseis desse período encontrados na bacia do Parnaíba, no Nordeste, e os achados na bacia do Paraná, no Sudeste”, diz a paleobotânica Rosemarie Rohn Davies, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Rio Claro. “Mas só as samambaias são parecidas.” Esse retrato de um passado distante é resultado do testemunho de troncos e folhas petrificadas, estudados pela equipe de Rosemarie e por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com financiamento da FAPESP, e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
A análise dos caules dessas samambaias gigantes, que ainda jazem quase inteiros no Monumento Natural das Árvores Petrificadas do Tocantins, e também de folhas que parecem rendas de pedra, foi tema do doutorado concluído em 2011 pela bióloga Tatiane Marinho Vieira Tavares, agora professora temporária na Universidade Federal do Tocantins, em Araguaína. Ela descreveu a anatomia e a morfologia desse material, que pertencia aos gêneros Psaronius e Tietea – este último também encontrado na bacia do Paraná, tema do mestrado da pesquisadora. Aparentemente, as samambaias conseguiram avançar do norte para o sul ao longo dos milhões de anos, à medida que o Gondwana, o supercontinente que abrigava boa parte dos continentes hoje no hemisfério Sul, se deslocava para o norte e se tornava mais quente.

As folhas foram descritas como pertencentes a uma nova espécie por serem diferentes do que já se tinha visto, mas é impossível determinar com qual dos caules elas formavam uma planta viva. É que o conceito paleontológico de espécie é bem distinto daquele empregado na biologia, um foco de discussões infinitas entre especialistas. Como os paleontólogos em geral não têm como reunir as diferentes partes dos fósseis vegetais – raiz, caule, folhas etc. – no quebra-cabeça de uma mesma planta, é aceito que cada parte seja descrita como uma espécie diferente. No caso das samambaias fósseis do Tocantins, as folhas eram muito mais espessas do que as das atuais, conforme mostra artigo em fase de publicação na Review of Palaeobotany and Palynology. “Essa característica tem tudo a ver com as condições ambientais”, explica a bióloga, que foi orientada por Rosemarie. “A lâmina foliar espessa protege as estruturas reprodutivas e evita a perda excessiva de água num ambiente árido ou semiárido.” É surpreendente porque samambaias dependem de água pelo menos em algumas fases reprodutivas, e por isso são normalmente associadas a ambientes úmidos, mas o que permitia a subsistência dessas grandes árvores eram os cursos de água à margem dos quais elas cresciam.

Em meio às samambaias, mas não só, cresciam esfenófitas, hoje representadas apenas pelas cavalinhas e estudadas pelo ecólogo Rodrigo Neregato, que recentemente concluiu o doutorado com Rosemarie. Ele descreveu cinco espécies novas de Arthropitys e encontrou dois tipos distintos: um com uma medula bem grande, que sugere um hábitat próximo à água, e outro com um caule mais suculento, que devia conferir às plantas uma estrutura mecânica adequada para a vida em solo firme, um pouco mais afastado dos rios.
Caule petrificado de conífera...
Caule petrificado de conífera…

Novidade antiga

As análises revelaram plantas bastante diferentes do que dizem os livros, a começar pela capacidade inesperada de viver em solo seco. Elas também parecem maiores do que se acredita. “Temos exemplares de 3 metros que não compreendem a planta completa”, explica Neregato. Mas o que ele antecipa causar mais surpresa são as raízes verticais, em vez do rizoma horizontal postulado para esse grupo de plantas. “Temos um exemplar com raiz conectada ao tronco, o único até agora conhecido”, comemora. Ele acredita que o padrão vale para as outras esfenófitas da época, melhorando a absorção de água e a fixação no solo instável. “Era um peso bastante grande, uma estrutura em T invertido não seria capaz de sustentá-lo.”
Longe dos rios a paisagem era dominada por gimnospermas, semelhantes aos pinheiros atuais. Por causa dessa especialização ecológica, os fósseis petrificados dessas plantas são bem menos abundantes do que os de samambaias. A sílica dissolvida na água é a responsável por preservar as estruturas anatômicas em três dimensões. Quando a planta caída começa a se decompor, seus tecidos liberam gás carbônico que acidifica a água alcalina, precipitando a sílica que penetrou nas células vegetais. Mais longe dos rios, as coníferas tendiam a se decompor mais rapidamente e os fósseis são mais raros. Era por isso um grupo menos estudado, até que Rosemarie sugeriu à bióloga Francine Kurzawe, à época doutoranda no grupo de Roberto Iannuzzi na UFRGS, investigá-lo. “Na maior parte das vezes temos acesso apenas a fragmentos pequenos já muito rolados, com as camadas mais externas desgastadas”, conta Francine, atualmente pós-doutoranda na Universidade de Londres.
... e de samambaia: estrutura tridimensional é preciosa para paleobotânicos
… e de samambaia: estrutura tridimensional é preciosa para paleobotânicos

Em dois artigos publicados este mês na Review of Palaeobotany and Palynology, ela descreve uma série de novas espécies de coníferas, além de estruturas inusitadas. “A medula das gimnospermas fossilizadas tem canais que representam adaptação a um clima seco”, conta, corroborando as condições climáticas denunciadas pelas folhas das samambaias. Segundo ela, hoje esses canais só existem nas plantas jovens, que perdem a medula à medida que crescem. Os pinheiros adultos, com o tronco oco onde já houve medula, não têm esses canais especializados no armazenamento de água.
A flora estudada por Francine indica semelhanças entre a de Gondwana e a da Euramérica, atualmente a parte norte do planeta. “A região onde hoje fica o Tocantins estava no limite entre as duas regiões”, explica a bióloga. As gimnospermas dali parecem ter permanecido em latitudes caracterizadas por temperaturas mais amenas, sem migrarem ao sul. É o que indicam os fósseis, todos diferentes daqueles do Tocantins, encontrados em sete municípios no interior paulista e estudados pelo paleobotânico Rafael Faria durante o doutorado na Unicamp, orientado por Fresia Ricardi-Branco.
Faria, agora professor na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, estudou madeira petrificada – ou permineralizada, como preferem os especialistas – de plantas que viveram há cerca de 270 milhões de anos tanto ao microscópio tradicional como ao microscópio eletrônico de varredura, que lhe permitiu enxergar melhor as estruturas celulares. Ele defendeu o doutorado em abril, e a parte que descreve os fósseis mais bem preservados está em processo de publicação na Review of Palaeobotany and Palynology.
Uma surpresa foi identificar hifas de fungos em amostras que à primeira vista pareciam sujas. “É o primeiro registro de fungo fossilizado em madeira dessa época no Gondwana”, conta o pesquisador, que interpreta o achado como um indício de colapso do ecossistema. “É como se houvesse muita matéria orgânica para ser degradada, propiciando a proliferação dos fungos.”

Ecologia fóssil

O pesquisador de Campinas também descreveu um pouco da ecologia dessas plantas, a partir do estudo dos anéis de crescimento. Nas regiões temperadas as coníferas em geral produzem madeira com propriedades distintas conforme a estação: na primavera e no verão propicia o transporte de água para a copa (e portanto o crescimento), e no outono é mais centrada em sustentação. Ao comparar os anéis de crescimento dos fósseis aos das espécies atuais, é possível inferir se as coníferas do Permiano perdiam ou não as folhas no inverno. As análises indicaram uma comunidade com predomínio de árvores perenes, que não se desfolhavam, sobretudo na Formação Teresina, cujos fósseis afloram em Angatuba, Conchas e Laras. A outra formação estudada por ele, Irati (em Piracicaba, Saltinho, Rio Claro e Santa Rosa de Viterbo), está em camadas um pouco mais profundas – mais antigas –  e abrigava uma proporção maior de árvores decíduas, que perdiam as folhas no inverno. Para ele, essas observações corroboram dados anteriores indicando que, no Permiano, essa região do Brasil estava mais ao sul do que hoje.
Fileiras paralelas de fragmentos de caules fossilizados, no Tocantins, indicam o traçado dos rios do Permiano
Fileiras paralelas de fragmentos de caules fossilizados, no Tocantins, indicam o traçado dos rios do Permiano
A ecologia permiana no atual Tocantins foi o tema de doutorado de Robson Capretz sob orientação de Rosemarie em Rio Claro. Ecólogo, ele estudou os fósseis e sua disposição em uma área da bacia do Parnaíba e buscou reconstituir como seria a floresta por ali. “Me concentrei na ecologia dos fósseis, e não na anatomia”, especificou, distinguindo sua pesquisa daquela conduzida por seus colegas. As principais conclusões, segundo ele, indicam que a região era muito plana e tinha um regime de chuvas semelhante ao das monções da Índia, com temporais muito fortes que periodicamente interrompiam períodos de seca e cobriam a região com uma lâmina de água razoavelmente espessa. A enxurrada derrubava os caules, que eram transportados por curtas distâncias e terminavam alinhados na mesma direção e soterrados na areia, como mostram resultados publicados este mês na revista Journal of South American Earth Sciences. “Não sabemos qual era a frequência dessas chuvas”, conta Capretz, “no resto do tempo era quase desértico”.
A disposição dos fósseis vegetais permite reconstruir as características dos rios – se eram caudalosos ou lentos, estreitos ou largos, retos ou sinuosos. A descrição resultante contraria um quadro traçado por estudos geológicos, de que a região seria caracterizada por dunas semelhantes às que hoje se espraiam nos Lençóis Maranhenses. “Mas não há samambaias nos Lençóis Maranhenses”, lembra Capretz, que adota a máxima de que o presente é a chave do passado. Assim, seus resultados ajudaram Tatiane a interpretar o que viu em suas folhas fossilizadas.
Essa dinâmica das águas também é responsável pela deposição de sílica nos troncos, petrificando as samambaias. “Se não fossem submersas e soterradas rapidamente por areia, elas se decomporiam”, explica o ecólogo. Essas condições especiais tornam Tocantins muito importante para estudos paleontológicos. “Não existem muitas áreas com vegetais petrificados no país, por isso há poucos estudos desse tipo”, conta Capretz.
Passado no presente
Rosemarie confirma que o clima é essencial para a boa preservação dos fósseis: quando a alternância de estações é muito marcada, aumenta a chance de ocorrer o tipo de fossilização encontrado no Tocantins, onde os troncos e folhas foram preservados em suas três dimensões. “Na bacia do Paraná os fósseis são bidimensionais”, lamenta, e isso dificulta a comparação entre as duas regiões.
Mas quem caminha com frequência e atenção pela terra seca do Monumento Natural das Árvores Petrificadas tem grandes chances de encontrar fósseis. Essa riqueza muitas vezes faz a alegria de quem vende fósseis, atividade proibida no Brasil. Por esse motivo, muito do trabalho sobre a flora fóssil brasileira foi feito na Alemanha, onde pesquisadores adquiriram material petrificado sem saber que a coleta havia sido irregular. Ao menos esse material hoje está disponível aos brasileiros por meio da colaboração de Francine e do grupo de Rosemarie com Robert Noll e Ronny Rößler, este último diretor do Museu de Chemnitz, onde estão fósseis que evidenciam a semelhança da flora permiana do Tocantins e da Alemanha.
Os pesquisadores envolvidos no estudo das florestas petrificadas alertam que não só os comerciantes de fósseis são uma ameaça à preservação dessa história. A proteção excessiva, que impede acesso até mesmo aos especialistas, é sentida por eles como um entrave ao avanço do conhecimento. “Para estudar as gimnospermas é preciso coletar material e preparar lâminas para exame ao microscópio”, exemplifica Rosemarie, “é impossível identificar qualquer coisa a olho nu”. Rafael Faria, cuja área de estudo está fora de áreas de preservação, aposta na divulgação de seu trabalho para obter mais material. Já lhe aconteceu de receber ligações de fazendeiros do interior paulista oferecendo fragmentos de “pau-pedra” encontrados no chão.

Artigos científicos

CAPRETZ, R. L. & ROHN, R. Lower Permian stems as fluvial paleocurrent indicators of the Parnaíba Basin, northern Brazil. Journal of South American Earth Sciences. v. 45, p. 69-82. ago. 2013.

KURZAWE, F. et al. New gymnospermous woods from the Permian of the Parnaíba Basin, Northeastern Brazil, Part I: Ductoabietoxylon, Scleroabietoxylon and Parnaiboxylon. Review of Palaeobotany and Palynology. v. 195, n. 1, p. 37-49. 16 ago. 2013.

KURZAWE, F. et al. New gymnospermous woods from the Permian of the Parnaíba Basin, Northeastern Brazil, Part II: Damudoxylon, Kaokoxylon and Taeniopitys. Review of Palaeobotany and Palynology. v. 195, n. 1, p. 50-64. 16 ago. 2013.

Voo direto: Parentesco entre aves revela conexão entre floresta amazônica e mata atlântica em dois momentos do passado 


FRANCISCO BICUDO e MARIA GUIMARÃES | Edição 210 - Agosto de 2013
Nos dois biomas: machos de cabeça-encarnada atraem fêmeas com danças coordenadas
Nos dois biomas: machos de cabeça-encarnada atraem fêmeas com danças coordenadas

A análise do parentesco entre dezenas de espécies de aves da mata atlântica e da floresta amazônica levou o biólogo Henrique Batalha-Filho a identificar dois períodos do passado distante em que esses dois ecossistemas, hoje separados por distâncias de até 1.500 quilômetros, estiveram conectados. As duas florestas brasileiras abrigam pequenas aves – pretas com cabeça escarlate, castanhas pintalgadas de branco e cinzentas, entre outras – com graus de parentesco variados, indicando que houve algum tipo de ligação física entre esses dois ambientes em períodos distintos. O encontro remoto já tinha sido revelado por estudos anteriores com plantas e com mamíferos.

Mas, até agora, não se sabia quando nem em quais trechos as florestas estiveram em contato.

Essas informações começaram a se tornar mais claras a partir de estudos que o biólogo desenvolveu com pássaros do grupo dos suboscíneos do Novo Mundo, cujos representantes mais ilustres nas cidades brasileiras são o bem-te-vi e o joão-de-barro. Batalha não trabalhou com essas duas espécies, mas com aves do mesmo grupo especialistas em florestas, como o tapaculo-pintado (Psilorhamphus guttatus), que vive na mata atlântica, o corneteiro-da-mata (Liosceles thoracicus), da floresta amazônica, e o cricrió (Lipaugus vociferans), encontrado nas duas. De acordo com os resultados de Batalha, publicados em janeiro deste ano na edição impressa do Journal of Ornithology, os tataravós dos tataravós dos tataravós dos pássaros que hoje assobiam lá e cá se conheceram e deixaram descendentes graças a acontecimentos geológicos e ecológicos em dois momentos muito distintos.

Rota sul

O mais antigo desses momentos, o pesquisador estima, aconteceu no Mioceno, entre 23 milhões e 5 milhões de anos atrás, quando a placa tectônica do Pacífico chocou-se com a Sul-americana e fez surgir a cordilheira dos Andes, a cadeia de montanhas com mais de 7 mil quilômetros de extensão e altitude média de 3.500 metros que corta sete países (Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Argentina e Venezuela). As montanhas que se ergueram e formaram um paredão isolando a Amazônia do oceano Pacífico também originaram canais elevados onde cresciam savanas inundadas, que podem ter atuado como pontes entre a porção sudoeste da Amazônia, onde agora é o estado de Rondônia, e a mata atlântica no que hoje são as regiões Sul e Sudeste do país. Essa ponte temporária, que deve ter sido semelhante ao chaco típico do Paraguai e da Bolívia, permitiu a circulação das aves a despeito do ambiente mais árido que hoje isola as duas florestas.

As testemunhas dessa conexão mais antiga são o tapaculo-pintado, comum nos bambuzais da mata atlântica, com 13 centímetros de comprimento e pintas espalhadas pelo corpo, e o corneteiro-da-mata, conhecido pelos sons estridentes que emite e encontrado nas matas de várzea da Amazônia. Batalha explica que a existência de espécies muito aparentadas – espécies irmãs, no jargão dos biólogos – exclusivas de cada um dos biomas é evidência de uma conexão mais antiga, depois da qual houve tempo suficiente para que as aves se diferenciassem. Um exemplo ainda mais eloquente dessa divergência, ressalta o pesquisador, são os gêneros irmãos Mackenziaena e Frederickena. O gênero Mackenziaena é representado pelas borralharas e as borralharas-assobiadoras, pássaros de 22 centímetros de comprimento e íris vermelhas. A borralhara-do-norte e a borralhara-ondulada, do gênero Frederickena, por sua vez, são típicas da Amazônia. A existência de gêneros exclusivos de cada uma das florestas supostamente indica que, quando a rota sul se desfez, aves com um ancestral em comum permaneceram isoladas a leste e oeste e ao longo do tempo seus descendentes acumularam diferenças o bastante para merecerem essa distinção taxonômica.

Rota norte

A segunda ligação deu-se mais recentemente, no Plioceno e no Pleistoceno, entre 5,5 milhões e 11.500 anos atrás, unindo a mata atlântica do litoral do Nordeste com a vegetação amazônica das Guianas e do estado do Pará, perto da ilha de Marajó, além das regiões dos rios Xingu e Tocantins-Araguaia. De acordo com Batalha, nessa região o principal fator que influenciou a diferenciação das espécies foram as glaciações. Para justificar a análise, ele recorre à Teoria dos Refúgios, formulada nos anos 1960 pelo biogeógrafo alemão Jurgen Haffer e aplicada à evolução da Amazônia no início dos anos 1970 pelo zoólogo brasileiro Paulo Vanzolini (ver Pesquisa FAPESP 208).
Borralhara: macho fotografado em Piraju, no interior paulista
Borralhara: macho fotografado em Piraju, no interior paulista

De acordo com esse modelo, nos períodos de clima mais frio e seco em boa parte do continente americano, sobreviveram fragmentos de florestas, onde aves buscaram abrigo e se encontraram. “Nas glaciações, as regiões áridas tendem a se expandir e as matas encolhem”, explica Batalha. “Mas a precipitação aumentou durante o Pleistoceno em alguns trechos da caatinga, segundo indica a maior deposição de cálcio em estalactites e estalagmites de cavernas.” O resultado desse aumento nas chuvas foi o surgimento de uma área onde as aves conseguiam sobreviver – uma floresta intermediária entre as matas úmidas e a caatinga que hoje ocupa o sertão nordestino.
Um indício forte dessa ligação mais recente é a existência de espécies que vivem tanto na Amazônia como na mata atlântica, mas não na faixa árida que separa as duas florestas. É o caso do pardo ou cizento cricrió, que tem 25 centímetros e funciona como um sentinela da mata, e do cabeça-encarnada (Pipra rubrocapilla), cujos machos se exibem em danças coordenadas para atrair as fêmeas no período de acasalamento.

“Tanto no Mioceno quanto no Pleistoceno sabemos que esses contatos aconteceram mais de uma vez, embora não seja possível estimar por quanto tempo as aves estiveram próximas”, reconhece Batalha. Ele agora se dedica a entender o sentido em que ocorreram essas migrações. Os dados, ainda preliminares, apontam que, na rota sul, o movimento parece ter sido bidirecional, pois são encontradas espécies mais antigas tanto na Amazônia quanto na mata atlântica. Na trajetória norte, as aves provavelmente voaram mais intensamente do oeste para o leste, já que as populações mais antigas estão majoritariamente na Amazônia. “O importante é que conseguimos elaborar um primeiro modelo que considera tempo e espaço para mostrar, a partir das espécies avaliadas, que os dois biomas estiveram conectados no passado, sugerindo ainda os impulsos que receberam para se separar.”

Batalha explica que os suboscíneos do Novo Mundo são preciosos para esse tipo de estudo porque acompanharam toda a história geológica da América do Sul. Antepassados desse grupo já existiam quando o continente se separou da África, há cerca de 100 milhões de anos, e aqui eles se diversificaram e se diferenciaram dos parentes do Velho Mundo. “Além de representativo dos dois biomas, esse grupo de aves é também bastante estudado, facilitando o aprofundamento das análises”, completa o pesquisador, que recorreu a informações genéticas armazenadas num banco de dados público, o GenBank.
Para desenvolver o estudo do Journal of Ornithology, parte de seu doutorado, ele passou três meses no Museu de História Natural da Dinamarca, em Copenhague. Lá trabalhou com Jon Fjeldså, curador da coleção de aves e especialista em espécies dos Andes. “Foi ele quem concebeu a ideia de relacionar dados filogenéticos com geográficos, o que foi determinante para que pudéssemos observar as rotas de conexão entre a mata atlântica e a floresta amazônica”, reconhece o brasileiro.
Ao comparar determinados trechos do DNA das espécies estudadas, ele avaliou a semelhança genética entre elas e as relações de hierarquia (quais eram mais antigas e quais eram mais recentes). “Partindo das semelhanças atuais e conhecendo o percentual de mutações que acontecem a cada período determinado de tempo para cada família, conseguimos, retrospectivamente, alcançar o ancestral comum”, explica. “Foi assim que confirmamos que esses pássaros estiveram juntos no passado”, completa.
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Evidenciadas as conexões, era preciso compreender ainda quando essas aves se encontraram – e por que acabaram se separando. As respostas vieram da literatura disponível sobre outras transformações vividas pelo continente. “São bem conhecidos, por exemplo, artigos que resgatam as relações geológicas entre a mata atlântica e a Amazônia a partir da análise do pólen antigo e de estalactites de cavernas”, lembra Cristina Miyaki, orientadora do estudo. “O principal avanço oferecido pelo trabalho foi desenvolver uma meta-análise em ampla escala em que olhamos vários fatores. Conseguimos associar dados filogenéticos, geológicos, climáticos e de distribuição geográfica, permitindo narrar com mais detalhes o que aconteceu ao longo do tempo”, completa Cristina.
Essas contribuições se somam ao cenário traçado por estudos anteriores. Batalha se inspirou em parte no trabalho da bióloga Leonora Costa, da Universidade Federal do Espírito Santo, publicado em 2003 no Journal of Biogeography. Durante o doutorado na Universidade da Califórnia em Berkeley, ela traçou ambiciosos transectos que atravessavam o Brasil da mata atlântica à Amazônia. Ao longo de centenas de quilômetros ela capturou pequenos mamíferos, principalmente roedores e marsupiais, e analisou o DNA deles para investigar as relações evolutivas entre as espécies. Surpresa por encontrar muitos casos em que espécies da mata atlântica tinham parentes mais próximos na Amazônia do que na própria mata atlântica, ela imaginou ligações entre as duas florestas, hoje representadas por matas de galeria ao longo dos rios no cerrado e enclaves úmidos, os chamados “brejos”, na caatinga. “Interpretei os bichos que ‘sobraram’ nesses locais como pistas de ligações passadas que hoje não existem mais”, explica Leonora.
O quadro mais elaborado esboçado por Batalha pode ajudar a impulsionar novos estudos que desvendem cada vez mais a dinâmica da formação da fauna e da flora das florestas brasileiras ao longo dos tempos.

Projeto

Reconstrução da história evolutiva e estudos filogeográficos da avifauna neotropical utilizando marcadores moleculares II (nº 2009/12989-1); Modalidade Linha Regular de Auxílio a Projeto de Pesquisa; Coord. Cristina Yumi Miyaki /IB-USP; Investimento R$ 230.021,25 (FAPESP).
Artigo científico

BATALHA-FILHO, H. et al. Connections between the Atlantic and the Amazonian forest avifaunas represent distinct historical events. Journal of Ornithology. v. 154, n. 1, p. 41-50. jan. 2013.

Brasil faz o maior achado da ornitologia em 140 anos | 05.08.2013

Desde 1871, não se apresenta, de uma só vez, numa única obra, um grupo tão numeroso de novas aves brasileiras 





 

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A apresentação de 15 novas espécies de aves da Amazônia brasileira é maior descoberta, em termos quantitativos, da ornitologia nacional desde o século XIX. De 1871 para cá não se apresenta ao mundo, de uma só vez, numa única obra, um conjunto tão numeroso de novos pássaros brasileiros. 

Os animais foram formalmente descritos pela primeira vez numa série de artigos científicos publicados em julho num volume especial do Handbook of the birds of the world, da espanhola Lynx Edicions.

O primeiro passo foi levantar quais as áreas da floresta seriam as mais promissoras em abrigar novas espécies. “Desde 1999, eu tenho trabalhado na região entre os rios Madeira e Tapajós, porque essa parte da Amazônia Central, por mais difícil que possa se imaginar, é uma área muito pouco conhecida”, comenta o ornitólogo Bret Whitney, pesquisador do Museu de Ciência Natural da Universidade Estadual da Louisiana e principal coordenador da empreitada.

Para a identificação de novos animais, de acordo com os pesquisadores, o trabalho de observação em campo é essencial porque ele abre caminho para outras análises. “Temos incluído em nossas análises as comparações vocais. A gente sabe que as aves se comunicam através dos cantos, então diferenças também sugerem que são espécies distintas”, explica Luís Fábio Silveira, curador do setor de ornitologia do Museu de Zoologia da USP, um dos coordenadores da iniciativa.

Saiba mais sobre o tema lendo a reportagem Novas aves da Amazônia, publicada na edição de maio da revista Pesquisa FAPESP.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Animais mais perigosos do mundo

Por: Marcus Vinicius Cabral - 19/08/2013

O número de animais que rodeiam o planeta Terra é realmente muito alto, algo em torno de 87 milhões de espécies, de acordo com o site Hype Science. Durante o ciclo natural da evolução, alguns desses animais foram foram selecionados para se defenderem com características que em seu habitat, na natureza, são de grande utilidade, mas para os seres humanos podem ser consideradas letais. Aqui está uma lista com cinco animais considerados mortais.

Atrax robustus (Foto: Divulgação)
Aranha teia-de-funil australiana (Atrax robustus)
Onde vive? Encontrada em uma área de 100 km de raio da região de Sydney, Austrália.
Essa aranha apresenta um tamanho que varia de 1 cm a 5 cm. Sua cor também pode variar (azul-negro, preto, marrom ou ameixa), mas todas apresentam tonalidade bem escura e tem um brilho bem característico.
Sua picada em seres humanos pode ser fatal. O envenenamento começa com uma dor no local da picada e geralmente não apresenta avanços sistêmicos severos. Para os casos mais graves, os sintomas aparecem rapidamente, algo em torno de 28 minutos, e a vítima pode apresentar náuseas e vômitos, assim como sudorese, salivação, lacrimejamento e alteração nas pupilas. Edemas de pulmão também são possíveis, acompanhados por insuficiência respiratória. Coma ou perda de consciência ocorre em 10% dos pacientes.
Os machos apresentam um comportamento sazonal por conta de sua busca de fêmeas. Sendo assim, este gênero têm mais probabilidade de encontrar com humanos e como resultado são eles os responsáveis pela maior parte das picadas, além de apresentarem um veneno mais potente que o das fêmeas.
Após a picada, o mais indicado é o encaminhamento do paciente para o hospital e o recebimento do soro antiveneno. Curiosamente sua picada parece não ter efeito em cachorros.



Dendroaspis polylepis (Foto: Getty Images)
Mamba-Negra (Dendroaspis polylepis)
Onde vive? Encontrada nas savanas e colinas rochosas no sudeste da África.
Tem esse nome por conta da cor escurecida do interior de sua boca que é bem visível quando é ameaçada. Pode chegar a 4,5 metros de comprimento, sendo considerada a mais longa cobra venenosa do continente. A média de comprimento gira em torno de 2,5 metros e seu peso mais ou menos 1,6 kg. É uma das mais velozes do mundo, podendo atingir uma velocidade média de 20 km/h.
Quase sempre escapa quando confrontada, mas quando é acuada fica em uma posição característica com a cabeça levantada, a boca aperta mostrando o interior negro e um silvo. Se o acuamento a ela persistir, ela irá atacar seu inimigo várias vezes, injetando uma potente neuro-cardiotoxina que leva a vítima a morte em 20 minutos.
O antídoto para as suas toxinas ainda não são amplamente disponíveis em zonas rurais, por isso, mortes relacionadas com a mamba permanecem frequentes.



Solífugo (Foto: Divulgação)
Solífugo (uma das ordens da classe dos Aracnídeos)
Onde vive? Encontrado em regiões tropicais e semi-tropicais, geralmente em ambientes áridos (desertos, savanas, estepes e pampas).
Seu nome significa "fuga do sol", pois é um animal noturno ou crepuscular, e tende a se esconder debaixo de pedras ou em fendas durante o dia. Alguns constroem tocas, são corredores muito rápidos e altamente agressivos, sendo conhecidos como "o grande tubarão branco dos aracnídeos".
Como acontece com uma série de outros animais da classe, os machos apresentam um corpo menor do que as fêmeas e as pernas mais longas. Não apresentam veneno, mas são muito agressivos.


Cyanea capillata (Foto: Divulgação)
Água-viva juba-de-leão (Cyanea capillata)
Onde vive? Encontrado em águas boreais do Ártico, norte do Atlântico e do Pacífico e raramente vistos mais ao sul de 42° de latitude.

Ela pode chegar a 2 metros de altura e os tentáculos podem alcançar até 30 metros de comprimento e são eles que liberam uma toxina capaz de paralisar sua vítima.

A toxina liberada pode produzir bolhas, cãibra muscular e pode chegar a interferir na função respiratória e cardíaca. Os fragmentos dos tentáculos mantêm o poder de ardor.

Dependendo da região do corpo da vítima, pode chegar a uma parada respiratória em 3 minutos, fazendo-se necessária o uso da respiração boca a boca e de compressão torácica. Ela é responsável, na Austrália, pela maior parte das mortes de tubarões, crocodilos e cobras.
Curiosamente, a aplicação de vinagre na região lesada parece retardar o efeito das toxinas e diminui a dor.



Synanceia verrucosa (Foto: Divulgação)

Peixe-Pedra (Synanceia verrucosa)

Onde vive? Está amplamente distribuído pelas águas do Oceano Indo-Pacífico e aparece em grandes quantidades na costa oriental da Austrália.

Esse peixe consegue se camuflar bem, parecendo rocha ou pedaço de coral. Alguns podem apresentar manchas laranjas, amarelas ou marrons.

Seu corpo, na região dorsal mais especificamente, apresenta espinhos que liberam toxinas que, se inoculadas em uma pessoa, causa intensa dor e dependendo da profundidade pode causar choque, paralisia e morte dos tecidos. Se não for tratado nas primeiras horas, pode matar. O tratamento com o antídoto depende da quantidade de espinhos que perfuraram a vítima.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Descoberto novo mamífero da família dos guaxinins na América do Sul

Bicho parece 'cruzamento de gato com urso de pelúcia', diz instituição.
Há 35 anos, animal carnívoro não era descoberto no Hemisfério Ocidental.


Olinguito é nova espécie de mamífero encontrada na América do Sul (Foto: Mark Gurney/Divulgação) 
Olinguito é nova espécie de mamífero encontrada na América do Sul (Foto: Mark Gurney/Divulgação)
 
Artigo publicado no jornal científico “Zookeys” nesta quinta-feira (15) aponta a descoberta de uma nova espécie animal, o olinguito. Cientistas do Instituto Smithsonian, de Washington, afirmam que este é o primeiro mamífero da ordem Carnivora descoberto no Hemisfério Ocidental em 35 anos. Em nota, a instituição afirma que o bicho parece um cruzamento de "gato doméstico com urso de pelúcia".

O olinguito (Bassaricyon neblina) pertence à mesma família dos guaxinins, olingos e quatis, e pode ser encontrado na Colômbia e no Peru. O mamífero tem pelo marrom alaranjado, hábitos noturnos e gestação de um filhote por vez. Ele pertence à ordem Carnivora, mas sua principal fonte de alimen tação são as frutas.
“A descoberta do olinguito mostra que o mundo ainda não está completamente explorado e seus segredos ainda não foram revelados”, diz Kristofer Helgen, líder da pesquisa que durou aproximadamente dez anos.

Os cientistas também comentam que a descoberta não era o objetivo original do trabalho, que pretendia enumerar todas as espécies de olingo existentes no mundo. Pesquisas em catálogos de museus e testes de DNA mostraram que o olinguito tem crânio e dentes menores que os olingos, além de habitar uma área diferente.
A constatação foi seguida de uma expedição de três semanas à América do Sul para descobrir se o novo mamífero ainda existe na natureza. Os olinguitos foram encontrados nas chamadas florestas nubladas, próximas aos Andes, e os pesquisadores preocuparam-se em prestar atenção a todos os detalhes do comportamento e do habitat do animal em busca de informações sobre a espécie.
Espécie da família dos guaxinins tem hábitos noturnos (Foto: Poglayen-Neuwall/Divulgação) 
Espécie da família dos guaxinins tem hábitos noturnos (Foto: Poglayen-Neuwall/Divulgação)

A idade dos cães...mitos e verdades!!!

Quem nunca ouviu alguém dizer que para saber a idade humana de um cão basta multiplicar sua idade canina por sete? Porém este cálculo não é muito correto. Cada cão tem o seu próprio tempo de envelhecimento.

Tendo isso em mente, a BBC criou uma calculadora que vai ajudar os donos de cães a descobrirem uma idade mais aproximada do seu animal de estimação.

E para desvendar alguns mitos acerca da idade canina e dos hábitos de cada fase, conversei com a consultora comportamental e adestradora do Cão Cidadão, Malu Araújo:

- Cada ano canino deve ser multiplicado por 7 para termos sua idade humana.

MITO:
Como a diversidade de raças e tamanhos dos cachorros é grande, esse cálculo varia de acordo com o porte do animal. Inclusive outra informação que deve ser levada em consideração é que os cães envelhecem mais nos dois primeiros anos de vida, então para a maioria das raças um cachorro de 1 ano de vida, na idade humana terá mais ou menos 15 anos, aos 2 anos terá em torno de 23, 24 anos, a partir dos 3 anos é que esse cálculo muda, e ai cada um envelhece de acordo com o seu porte e tamanho.
- Quanto maior o porte do cão, mais rápido ele envelhece.
VERDADE: Para chegarmos a um cálculo mais preciso, a média (a partir dos 3 anos caninos) é: para cães de pequeno porte devemos multiplicar sua idade por 5, cães de porte médio por 6 e cães grandes em torno de 7 a 8 vezes.
- Não há diferenças na composição da ração. O que muda apenas é o tamanho dos grãos (menores para filhotes e maiores para adultos).
MITO: É muito importante que o filhote se alimente com ração específica, pois ela contém ingredientes para o desenvolvimento saudável do cãozinho. Ao atingir um ano a ração deve ser de adulto e a troca de uma pela outra deve ser feita gradualmente. Finalmente, na fase que o cão está mais velho, deve-se usar uma ração senior, pois eles podem ter mais dificuldade em morder grãos grandes ou mais duros. Em cada fase da vida, o cão têm necessidades especiais que devem ser supridas para garantir que ele continuará saudável.
- Cães adultos e idosos devem fazer atividades físicas.
VERDADE: Todos os cães devem fazer atividade física, independente do porte ou idade eles precisam se exercitar. Os filhotes tem mais disposição e aguentam atividades mais intensas, um cão adulto deve-se levar em consideração a rotina diária de exercicios e não é recomendado apenas um dia de exercicio intenso enquanto nos outros dias da semana o cachorro tem uma vida sedentária. Já os idosos também podem praticar exercicios, caminhar e brincar, mas de uma maneira adequada a sua idade, pois eles podem começar a apresentar dores nas articulações e músculos. Por isso é sempre importante conversar com o veterinário. Independente da idade fazer uma massagem no cão é indicado pois assim você aprenderá a conhecê-lo melhor e sentirá alguma alteração.
- Filhotes devem beber leite
MITO: Somente o leite da mãe, o leite de vaca tem muita lactose - substância que pode causar diarréia.
- Filhotes em desmame ou cães idosos devem ter suas rações amolecidas.
MITO: A ração é o alimento completo e balanceado para os cães, inclusive o atrito dos grãos nos dentes é necessário para auxiliar na limpeza. Filhotes na fase de desmame tem a necessidade de comer um alimento mais pastoso mas não é a ração amolecida, é um alimento específico para a fase. Os cães idosos podem apresentar um pouco de problema dentário que dificulta o triturar do grão, por isso a ração deve acompanhar a idade; rações senior costumam ser mais macias e com grãos menores, para facilitar a mastigação. Logo, não devemos molhar a ração, muito menos com leite.
- Cães idosos não devem brincar para não se esforçarem muito.
MITO: O que você deve levar em consideração é como anda a saúde do seu cão. Se ele apresentar alguma alteração como displasia, não o faça correr atrás de uma bolinha (principalmente em um piso liso) pois, pode prejudicar esta condição ainda mais. No entanto, se ele está acostumado a uma rotina de passeio diário e não apresenta nenhuma alteração no retorno para casa, você pode sim continuar com os passeios e brincadeiras.
- Cães possuem comportamentos diferentes dependendo da sua faixa etária.
VERDADE: Filhotes de uma forma geral são mais ansiosos e por isso tem a tendência a fazer mais bagunça, destruir móveis e objetos; muitos também ainda não aprenderam o local correto de fazer as necessidades. Quanto aos adultos, as reclamações mais comuns são: cães que puxam para passear e cães reativos com pessoas ou outros animais. Já os idosos, estes podem apresentar algumas mudanças comportamentais.
- Não se pode ensinar truques a um cão adulto ou idoso.
MITO: Os cães aprendem em qualquer fase da vida. Filhotes aprendem com um pouco mais de facilidade, por isso ensinando o que se espera desde pequeno, evitamos que comportamentos errados apareçam. Ressalto que para entendê-los e fazer com que eles nos entendam, sempre vale a pena procurar um profissional especialista em comportamento para auxiliar a lidar com determinadas situações.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Massive Marsupials Once Swung from Treetops Down Under


Reconstruction of Nimbadon lavarackorum mother and juvenile
Credit: Peter Schouten, PLoS ONE doi:10.1371/journal.pone.0048213.g002
























 
Some 15 million years ago, mobs of 150-pound (70-kilogram) marsupials roamed the treetops of Australia's rain forests, researchers say.
Nimbadon lavarackorum belonged to a family of large-bodied marsupials known as the diprotodontids that went extinct about 11,000 years ago. During the diprotodontids' reign in Australia, they ranged from sheep-size wombatlike creatures to the mega-herbivore Diprotodon, which stood at 13 feet (4 meters) tall and weighed up to 6,100 pounds (2,800 kg).

Nimbadons were on the small-end of this spectrum, and they lived during the Middle Miocene (about 16 million to 11.6 million years ago). These ancient marsupials are best known from 26 different specimens found at the bottom of a vertical cave in northwestern Queensland, where a group of them apparently plunged to their deaths. In a new study, researchers examined Nimbadon bones and compared them with other species to get a clearer picture of how these ancient animals might have lived.

The researchers said they found striking similarities between Nimbadon skeletons and those of current koalas, including strong forelimbs, large claws and highly mobile shoulder and elbow joints. These features, combined with the Nimbadon's short hind limbs, suggest that the animals had excellent climbing and grasping skills and also could have used their long, flexible arms to suspend themselves from branches and reach for food and supports.
Composite Nimbadon lavarackorum skeleton from AL90, Riversleigh.
Credit: PLoS ONE, doi:10.1371/journal.pone.0048213.g001
Even though the diprotodontids were thought to have lived on the ground, all these characteristics point to a life in the trees, which would make Nimbadons the largest herbivorous mammals to have ever lived in the forest canopies of Australia — an ecological niche that is now empty, the researchers say.
"The findings presented here indicate that we are only beginning to understand the range of morphological and niche diversity displayed by this ecologically important and widespread group of Australasian marsupials — the diprotodontids," the researchers concluded.
The study, led by a team from the University of New South Wales in Sydney, was published online Nov. 21 the journal PLoS ONE.
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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

IMPRESSIONANTE...DUELO FOSSILIZADO!!!



Scientists cry foul as fossils of dueling dinosaurs head to multimillion-dollar auction

DUELING DINOS render
One of the most exciting dinosaur discoveries in recent years may not make it to a museum. The find of two dinosaur fossils "locked in mortal combat" will instead hit the auction block in New York, and the set is expected to bring in a $7 to $9 million haul — which would make it one of the most expensive dinosaur fossils ever.

Dubbed the "Montana Dueling Dinosaurs," the fossils were found in 2006 by commercial prospectors on private land. According to The New York Times, dinosaur fossils discovered on private property in the US belong to the landowner and aren't controlled as they are in many other countries. That's disappointing many scientists who hope to get their hands on the find, which is notable not only because it appears that the two dinosaurs were attacking each other when they died, but also because the fossils may reveal two new kinds of dinosaur.

"This lines their pockets but hurts science."


According to a report from the Black Hills Institute's Peter Larson, who was involved with the find, the two dinosaurs are a Nanotyrannus lancensis — which looks like a small Tyrannosaurus rex — and a Triceratops-like Chasmosaurine ceratopsian. The first fossil may help clear up a controversy over whether the Nanotyrannus lancensis was a separate genus or merely a juvenile Tyrannosaurus rex, as the skeleton is complete and it's only the third specimen found to-date. Larson's analysis suggests that the fossil demonstrates that the dinosaur was not merely a small T. rex. The herbivore Ceratopsian found at the site is also the most complete skeleton available and it may also be part of a new genus and species. The fossils have been so well preserved over the millions of years, according to Larson's report, that skin fragments — and possibly proteins — remain intact.
Larson's analysis of the find also suggests that the two dinosaurs may have killed each other in battle and died together. Two Nanotyrannus teeth were found in the body of the Ceratopsian at the site, suggesting it may have attacked the herbivore. It appears that the herbivore may have retaliated and kicked in the Nanotyrannus' chest and broken its skull, possibly revealing new details in dinosaur behavior.
Final, conclusive analysis could remain elusive if the fossils never make it to a museum, however. "This lines their pockets but hurts science," Dinosaur Discovery Museum senior scientific adviser Thomas Carr told The New York Times, when speaking about the sellers. The paper reports that the sellers did offer the fossils to The Smithsonian for roughly $15 million, and both the American Museum of Natural History and the Field Museum of Chicago received offers, all of which were rejected. The Museum of Natural History's paleontology division chairman explained to The New York Times that it typically only displays fossils it finds on its own, though he admitted that "It is the kind of thing that makes curators like myself salivate."
It's still possible that a museum could buy the fossils, or a philanthropist could donate them to such an institution. A private buyer could also give scientists access to the fossils before putting them on display. Unfortunately, the fate of the fossils will all come down to the auction.
A website set up for the "Montana Dueling Dinosaurs" features many pictures of the discovery site and the fossils. Image above depicts a 3D model of the find.