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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Impactos sobre as Bacias Hidrográficas de Água Doce

O aumento populacional e à distribuição irregular entre habitação humana e recursos hídricos cria pressões cada vez maiores para o armazenamento de água em muitas partes do planeta. A crise da água em São Paulo é um exemplo atual deste desequilíbrio.
 Neste contexto, o gerenciamento dos reservatórios artificiais, da qualidade de sua água e das bacias hidrográficas na qual se inserem essas represas é de fundamental importância para o desenvolvimento sustentado a longo prazo.

Conhecer e entender quais são as principais atividades humanas de maior impacto sobre as bacias hidrográficas de água doce é de fundamental importância para a conservação da qualidade e quantidade da água de represas além de ajudar nas discussões sociais sobre o futuro de nossas bacias. Entre os principais impactos estão:

Desflorestamento: a remoção das florestas ao longo dos cursos dos rios acarreta diversas alterações indesejáveis nos processo ecológicos, tais como a redução de materiais alóctonos disponíveis para os rios e a perda de sua capacidade de atuar como um “sistema filtrante” de nutrientes e materiais em suspensão.
desfloestamento
O desaparecimento das florestas naturais depriva a curso de água de animais selvagens, alimentos e abrigo. Assim sendo, perde-se sua função de zona de transição (e absorção) entre o sistema terrestre e o aquático. O aumento do material particulado nas águas é outra consequência negativa.

Mineração: a mineração de ouro pela filtragem dos sedimentos do fundo dos rios causa um grande impacto negativo. Devido ao fato de o ouro ser amalgamado com mercúrio, nas proximidades do rio, ocorre a contaminação dos organismos componentes da cadeia alimentar presente no rio.
mineração
A mineração de areia e de bauxita são outras atividades que interrompem processos ecológicos. A do carvão e do ferro também causam efeitos diretos e indiretos sobre os ecossistemas de águas doce.

Construção de ferrovias e estradas de rodagem: estas obras causam grandes alterações em várzeas, baixadas e pequenos cursos de água. Os impactos imediatos ocorrem durante e logo após a construção.
O incremento da erosão acarreta uma maior eutrofização devido às maiores taxas de nutrientes somadas à menor disponibilidade de luz para algas e para plantas maiores durante os períodos de maior turbidez
.
Introdução de espécies exóticas: a introdução de espécies, tanto aquáticas como terrestres, causam alterações na cadeia alimentar. Por exemplo, a introdução intencional ou acidental de peixes predatórios freqüentemente levam à perda de espécies locais valiosas. No nordeste do Brasil, a introdução do Eucalyptus acarretou alterações na composição química dos lagos.

Irrigação: é a principal causa de salinização extensiva, principalmente nas regiões semi- áridas.
Projetos com irrigação excessiva normalmente resultam em grandes desastres, tais como o projeto soviético para algodão, que transformou o mar de Aral em uma sujeira, com barcos de pesca enferrujados abandonados em uma areia salgada. São enormes os problemas locais de saúde.
irrigação
Construção de canais e retificação de rios: as interferências tecnológicas de grande porte comumente correlatas à construção dessas obras têm conseqüências negativas sobre a hidrologia regional, sobre a disponibilidade dos recursos hídricos e sobre sua distribuição biológica.
A perspectiva de que se pode obter proteção contra cheias pela construção de barragens cada vez mais altas, ironicamente, conduz a maiores danos por inundações. As águas, em vez de serem armazenadas dentro do território pelas várzeas, meandros e florestas, fluem livremente para a parte baixa dos rios.
esgoto 
Esgoto e outros dejetos: dejetos não tratados oriundos de fontes pontuais ou difusas causam diversas alterações na cadeia alimentar dos rios, baixios e várzeas. Descargas de esgoto urbano, sem tratamento ou somente com tratamento primário ou secundário (sem remoção de nutrientes), causam sérios problemas de eutrofização.

Descargas de dejetos agroindustriais, fruto de seu processamento, fertilizantes, herbicidas, pesticidas e resíduos de agricultura, deterioram a qualidade da água; Transferências ou retiradas de água, induzindo a uma menor recarga das águas subterrâneas: a retirada excessiva de água leva ao esvaziamento dos reservatórios, fato que se relaciona com a piora da qualidade da água.
Transferências hídricas, especialmente para longas distâncias, podem ser perigosas devido a consequências inesperadas para a área e para a fauna aquática. A redução na recarga das águas subterrâneas faz com que sequem poços e vegetação e ocorram perdas agrícolas.

Desenvolvimento urbano: os esgotos das cidades causam uma poluição “per capita” maior do que aquela produzida em áreas rurais providas de latrinas ou tanques sépticos. O mesmo se aplica aos detritos sólidos.
vitrine impacto bacia hidrografica
Agricultura e agroindústria: uma estocagem imprópria de fertilizantes, produtos agroquímicos ou esterco são a principal causa da poluição difusa. Fertilizantes aplicados de maneira excessiva não são incorporados pelas plantas, sendo lavados pelas chuvas.

A erosão aumenta por práticas agrícolas inadequadas e acarreta grande assoreamento nos reservatórios. A perda de capacidade de retenção hídrica do solo também é importante. Também pode ocorrer uma salinização de terras irrigadas.

Tudo a ver
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Para saber mais sobre soluções integradas para o gerenciamento de reservatórios construídos, da qualidade da água e das bacias hidrográficas nas quais se inserem as represas adquira o livro Gerenciamento da qualidade da água de represas de José Galizia Tundisi e Milan Straskraba.

O livro mostra como a pesquisa subsidia as tomadas de decisão para encontrar alternativas e soluções otimizadas, além de detalhar os principais mecanismos de funcionamento desses ecossistemas.

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