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sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Número de animais ameaçados de extinção aumenta 75%

Cláudio Dias Timm/Wikimedia Commons
O pássaro maçarico-rasteirinho, uma das novas espécies ameaçadas e que tem um grande declínio populacional
O pássaro maçarico-rasteirinho, uma das novas espécies ameaçadas e que tem um grande declínio populacional

Brasília - O número de animais ameaçados de extinção no Brasil aumentou 75% entre 2003 e 2014, segundo a nova lista nacional de espécies ameaçadas, divulgada hoje pelo Ministério do Meio Ambiente. Entraram na lista 395 espécies, a maior parte de invertebrados terrestres, e 88 animais não fazem mais parte do grupo dos ameaçados de extinção, que reúne 698 espécies.

A ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, atribui o aumento ao maior número de espécies analisadas. O estudo foi realizado entre 2010 e 2014 por mais de 1,3 mil especialistas, e considerou 12.256 espécies - número 800% maior que o relatório anterior, segundo o MMA.

“Nós fizemos o maior inventário de fauna do mundo e, em algumas classes de animais, avaliamos 100% de espécies conhecidas no Brasil, o que não aconteceu antes. Quando você conhece mais, tem uma amostra maior, o número de ameaçados também sobe”, disse a ministra.

O grupo de espécies de animais que mais entram na lista foi o dos invertebrados terrestres (148), seguido pelas aves (100), répteis (62), mamíferos (55) e anfíbios (30).
Com a atualização, as aves são os animais mais ameaçados, com 234 espécies na lista. O pássaro maçarico-rasteirinho é uma das novas espécies ameaçadas e que tem um grande declínio populacional, segundo o MMA.

Outra espécie ameaçada é o macaco-prego-galego, da Mata Atlântica nordestina, que sofreu grande redução nas últimas décadas.

O ministério diz que a expansão agrícola e urbana, os grandes empreendimentos e assentamentos, a poluição, as queimadas, o desmatamento, e as espécies invasoras são fatores importantes para o aumento no risco de extinção de espécies da fauna. A lista divide os animais ameaçados em três categorias, que servem para orientar as ações nacionais de proteção: criticamente em perigo, que tem risco extremamente alto de extinção na natureza; em perigo, com risco muito alto; e vulnerável, com risco alto.

“As espécies que entraram na lista terão seus planos de conservação, todas serão hierarquizadas e todas farão parte do plano nacional de recuperação de espécie. Nossa intenção é retirá-los dessa lista. É um trabalho que casa ciência, com conservação de políticas públicas e a toma da decisão de novas políticas”, informou Isabela Teixeira.

Entre os animais que saíram da lista estão a baleia jubarte, a arara-azul-grande e o uacari, que estão, segundo o ministério, em recuperação da população. A ampliação do conhecimento sobre as espécies e o aumento populacional são fatores considerados pelos pesquisadores como determinantes para a saída de alguns grupo de animais da lista.

O Ministério do Meio Ambiente também divulgou dados relativos às espécies de plantas e peixes ameaçadas. Foram consideradas com risco de sumirem do meio ambiente 2.113 espécies de plantas - 4,8% da flora do Brasil. Dessas, 286 tem algum valor socioeconômico, como plantas medicinais e espécies madeireiras.

Oitenta e duas espécies de peixes ou invertebrados aquáticos saíram da lista dos ameaçados de extinção, e outras 325 entram na classificação, aumentando de 232 para 475 o número de espécies ameaçadas de desaparecer da natureza. O ministério diz que o principal motivo para a ameaça às espécies de peixes continentais é a perda de habitat, enquanto o fator responsável para o aumento do risco às espécies marinhas é a sobrepesca.

As listas completas podem ser acessadas no site do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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