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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Cladogramas, os 5 reinos de Wittacker, os 3 domínios celulares de Woese, bactérias, cianobactérias, os protistas, os fungos e as características exclusivas dos filos vegetais e animais.

Hoje temos um resumo subdividido em 41 itens ("dicas importantes") que aborda o fundamental sobre a diversidade dos seres vivos. Nas próximas semanas desenvolvereremos reino por reino, com maior profundidade.


Merecem especial atenção e leitura complementar, pela freqüência nas provas, cladogramas, os 5 reinos de Wittacker, os 3 domínios celulares de Woese, bactérias, cianobactérias, os protistas, os fungos e as características exclusivas dos filos vegetais e animais.

Depois de respondidas todas as questões, confiram as respostas, clicando no link localizado ao final desta newsletter. Aquele que obtiver menos de 18 acertos releia ao texto e tente descrever novamente todas as imagens.

Bom trabalho.

Advertência: A compreensão da aula seguinte sempre depende das aulas anteriores, portanto a preparação adequada exige 2 a 3 horas de estudo semanais, respondendo aos testes e fazendo uma releitura do texto. Não adianta nada - faltará tempo para incorporar ao vocabulário - salvar as aulas como arquivos, para utilização no final do ano, semanas antes das provas.


A cladística

Os sistematas, especialistas em taxionomia ou classificação dos seres vivos, tentam desenvolver sistemas que reflitam as linhagens evolutivas. Tais sistemas de classificação devem refletir a própria evolução. A cladística é um método particular de formular hipóteses sobre as relações entre organismos. Atualmente, a cladística é considerada como um dos melhores métodos para análises e estudos filogenéticos, dado permitir a formulação de hipóteses explícitas e testáveis das relações entre organismos. A ideia básica da cladística é que membros de um grupo partilham uma história evolutiva comum e encontram-se muito mais relacionados entre si, do que com qualquer outro organismo. Estes grupos são reconhecidos pelo fato de partilharem caractéres únicos que não se encontram, ou encontravam, em ancestrais distantes. Estes caractéres partilhados e derivados são designados como sinapomorfias.

Portanto, o objetivo da análise cladística é hipotetizar relações genealógicas sob a forma de diagramas ramificantes (cladogramas). Os cladogramas, tal como as árvores genealógicas, fornecem informação acerca dos padrões de ancestralidade e descendência. Contudo, e ao contrário daquelas, nos cladogramas as espécies ancestrais apenas dão origem, idealmente, a duas espécies descendentes e os novos grupos taxionômicos têm sempre origem na divisão de uma espécie antiga, que irá desaparecer após o acontecimento.



Leia mais ... Cladograma


1. A história da vida começou há aproximadamente 4,5 bilhões de anos, em uma Terra coberta principalmente por água e envolta em uma atmosfera com amônia, metano, hidrogênio, e dióxido de carbono. Vulcões em atividade e tempestades constantes completavam o cenário dessa Terra primitiva. A vida, como hoje a conhecemos, teria sido impossível nessa época. Descargas elétricas e a ação dos raios ultravioleta forneceram a energia para o aparecimento de moléculas orgânicas a partir de moléculas inorgânicas, entre elas algumas proteínas e o polinucleotídeo, ácido ribonucléico (RNA). Em seguida deve ter surgido o ácido desoxirribonucléico (DNA) a partir de um molde de RNA e, assim, proteínas codificadas por informação dos ácidos podem ter aparecido. Por último, completando 1 bilhão de anos de evolução química, uma membrana lipídica deve ter envolvido essas moléculas, originando-se, assim, a primeira célula: procarionte e heterótrofa, que usava as moléculas diluídas na água para seu metabolismo. Dessa célula primitiva originaram-se todos os seres vivos. Portanto, todos descendem de um único ancestral, isto é, formam um grupo monofilético*. A universalidade do código genético para todas as células sugere esta origem comum. Uma origem polifilética implicaria na existência de vários ancestrais para os seres vivos.

*Grupo monofilético. Em um sentido amplo, grupo monofilético refere-se a um conjunto de espécies que compartilham um ancestral comum. Também é usado para denominar um grupo que contém todos os descendentes de um ancestral comum.

Considerações iniciais: novas descobertas, de seres vivos, alteram a maneira de ver a origem da vida.
Os mais antigos seres fossilizados conhecidos eram os estromatólitos - estruturas calcárias resultantes da atividade de cianobactérias - com 3,46 bilhões de anos. Esses procariontes - organismos unicelulares simples, células sem carioteca - vão, ao longo da maior parte da história da Terra, ser os seus únicos habitantes, dos quais são conhecidas diferentes espécies. Aliás, ainda hoje, são os mais abundantes habitantes do planeta. Análises genéticas têm demostrado, entretanto, que o grupo das "arqueobactérias" (domínio Archaea) surgiu em primeiro lugar, surgindo algum tempo antes das "cianobactérias".

Estromatólito é uma palavra grega composta por "stromatos" (capa) e "lythos" (pedra). Como seu próprio nome indica são rochas laminadas (A), com origem microbiana. Os microorganismos segregam uma mucilagem (uma gelatina pegajosa) composta principalmente por carboidratos (B) que aglomera as células formando tapetes microbianos (C). Os microorganismos são geralmente procariontes (eubactérias ou arqueobactérias) filamentosos e fotoautótrofos.


2. Em 1969, R. H. Whittaker (1924-1980) propôs uma nova classificação dos seres vivos em 5 Reinos (New Concepts of Kingdoms of Organisms). Esta proposta, com modificações, foi a mais aceita até 1995.
Monera: inclui os organismos procariontes, bactérias e cianofíceas (cianobactérias).
Protista ou Protoctista: os protozoários (seres eucariontes, unicelulares e heterótrofos), as algas (eucariontes, uni ou pluricelulares e autótrofos fotossintetizantes com pouca diferenciação das células) e os fungos mucilaginosos.
Fungi: os demais fungos, heterótrofos e que não possuem tecido organizado.
Plantae (Metaphyta): os vegetais, seres eucariontes, multicelulares, que possuem clorofila e tecidos organizados (algas, briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas)
Animallia (ou Metazoa): todos os animais, seres eucariontes, multicelulares, e heterótrofos.


Leia mais ... R. H. Whittaker (1969): A classificação dos Seres Vivos em 5 reinos.


Há vinte e sete anos, Woese e Fox (1977) revolucionaram o pensamento científico quando, baseados na análise de seqüências de RNAr, propuseram uma bipartição dos procariontes em Eubacteria e Archaeabacteria, posteriormente renomeados Archaea e Bacteria (Woese et al., 1990).

Com esta proposta o mundo vivo passou a ser classificado em três grandes domínios: Bacteria, Archaea e Eukarya. Os membros de dois destes domínios, Archaea e Bacteria, são considerados procariontes porque não apresentam uma carioteca compartimentalizando o cromossomo e nem as organelas típicas de eucariontes; na classificação de Whittaker (5 reinos) pertencem ao reino Monera. Em geral o seu genoma está organizado num grande cromossomo circular, ocasionalmente acompanhado de um ou mais plasmídios. Não esquecer que, Archaea e Bacteria, são considerados procariontes porque não apresentam uma carioteca compartimentalizando o cromossomo e nem as organelas típicas de eucariontes. Estes dois domínios diferem na composição do RNA ribossômico, na estrutura da parede celular e no metabolismo. As arqueobactérias vivem em ambientes extremos, onde não há possibilidade de vida para outros seres. Há arqueobactérias em fontes termais a quase 100ºC (Thermus aquaticus), no Mar Morto, com salinidade altíssima, em ambientes próximos a vulcões, em fontes de enxofre, etc. O surgimento da carioteca identifica os Eukarya que incluem, além de animais e vegetais, os fungos e os protistas.
Numa classificação que considere os domínios e sua evolução, Archaea e Bacteria são subdivididos em outros reinos ou são considerados reinos que serão subdivididos em divisões; qualquer das posições atuais aumenta o número de reinos para, no mínimo 6: Archaea, Bacteria, Protoctista, Fungi, Metazoa (:Animal) e Metaphyta (:Vegetal).


Leia mais ... Domínio Archaea e sua diversidade.


3. Reino Monera. Presente na classificação de Wittaker (5 reinos) e subdividido em Archaea e Bacteria na classificação cladística que se baseia nos domínios celulares. Todos os organismos pertencentes a este reino são seres procariontes, organismos cujo DNA não está confinado no interior de um núcleo, mas livre no citoplasma que, por viverem em praticamente qualquer ambiente, são os seres mais abundantes do planeta. Apresentam membrana plasmática recoberta e protegida pela parede celular, de consistência gelatinosa. Os procariontes (Do gr. pró, anterior; karyon, núcleo; onthos, ser) não têm núcleo organizado, ou seja, não se observa carioteca (membrana nuclear) nem nucléolo. Também não possuem organóides com membranas; na verdade, apresentam apenas ribossomos como organóides. Assim, não possuem organelas membranosas, como cloroplastos e mitocôndrias.

O material genético constitui-se de uma longa molécula de DNA, dobrada em forma de anel, sendo chamado de nucleóide (Do lat. nucleu, caroço, amêndoa; + suf. gr. eidos, semelhante). Observa-se uma dobra do plasmalema na região mediana da célula bacteriana, que forma uma estrutura relacionada com a respiração celular (possui enzimas respiratórias), o mesossomo (Do gr. mesos, meio, intermediário; soma, corpo). O citoplasma bacteriano é um colóide formado por água, proteínas, íons e outras moléculas, em cujo interior há ribossomos responsáveis pela síntese protéica e o material nuclear em anel denominado nucleóide. Algumas bactérias podem ainda apresentar moléculas de material genético independentes do nucleóide, denominados de plasmídeos. Os representantes típicos desse Reino são as rickéttsias, os micoplasmas, as bactérias e as cianobactérias (“antigamente” chamadas cianofíceas ou algas azuis).

4. Agora "leia" a imagem abaixo. Todos os seres vivos apresentam o mesmo código genético (1). A presença de peptidoglicanas na parede celular (2) identifica Eubacteria, hoje Bacteria. A ausência identifica Archaeobacteria. O surgimento do envelope nuclear, a a carioteca, provavelmente ocorreu só uma vez na história dos seres vivos e, desse modo, todos os eucariontes, ou seja, os organismos que possuem envelope nuclear, compartilhariam um ancestral comum. Esse grupo é conhecido como Eucarya (3) e é o mais diversificado quando se examinam padrões morfológicos.
Uma relação endossimbiôntica teria se estabelecido ainda cedo na evolução desse grupo, entre um eucarionte e um organismo procarionte aeróbico —uma espécie de eubactéria - engolfada pelo primeiro. Dessa relação teria surgido a mitocôndria, presente na maioria dos eucariontes atuais (4). Um grande número de espécies unicelulares e multicelulares surgiu desse estoque básico de eucariontes com mitocôndria, entre eles os três grupos mais conhecidos: Metazoa —animais—, Fungi —fungos— e Plantae —plantas terrestres. O Reino Protoctista representa um táxon parafilético incluindo grupos que apresentam ou não mitocôndrias, ou seja, inclui todos os eucariontes com exceção dos reinos Fungi, Plantae e Metazoa.
Esses grupos se diferenciam e caracterizam, principalmente por um aspecto de seu desenvolvimento embrionário. Os animais (Metazoa) desenvolvem-se a partir de uma blástula (5), os fungos (Fungi) desenvolvem-se a partir de esporos (6), e as plantas Plantae) a partir de um embrião (7).


Leia mais (saiba mais que o concorrente) .. Antes Monera, agora Archaea e Bacteria.


5. O reino Protista foi proposto pela primeira vez pelo biólogo alemão Ernst Heinrich Haeckel, devido a dificuldade de separar os organismos unicelulares entre animais e vegetais. Os protistas constituem um grupo com uma enorme diversidade de organismos: desde os unicelulares às algas pardas que chegam a atingir dezenas de metros de altura. O Reino Protoctista (do grego protos, primeiro; ktistos, estabelecer) foi proposto em substituição ao Reino Protista, que originalmente continha apenas organismos exclusivamente eucariontes e unicelulares, como uma alternativa didática para receber uma grande quantidade de táxons eucariontes unicelulares e multicelulares que não se encaixavam na definição de animais, plantas ou fungos. É, portanto, um Reino artificial, isto é merofilético, ou seja seus integrantes não possuem um só ancestral comum; os protoctistas apenas representam os grupos de eucariontes que restam após a retirada dos fungos, plantas e animais. O que sabemos é que o reino Protista ou Protoctista, compreende cerca de 200.000 espécies, extintas e recentes, de organismos eucariontes, predominantemente microscópicos, com organização unicelular, sincicial, pluricelular e sem tecidos. Inclui, portanto, protozoários (com cerca de 65.000 espécies descritas, das quais a metade é fóssil e 8.000 são parasitas), algas e fungos inferiores (fungos mucilaginosos, Myxomicota).
Podemos considerar três grupos principais de protistas:
a. os protistas semelhantes a plantas ou algas.
b. os protistas semelhantes a animais ou protozoários.
c. os fungos (mofos) mucilaginosos.

5.1. Os protistas semelhantes a plantas. Os semelhantes a plantas incluem as diatomáceas (divisão Chrysophyta), os dinoflagelados (divisão Pyrrophyta), os euglenófitos (divisão Euglenophyta), as algas verdes (divisão Chlorophyta), as algas vermelhas (Rhodophyta) e as algas pardas (divisão Phaeophyta). As Euglenófitas são protistas com dois tipos de nutrição. Há uma série de semelhanças entre os euglenófilos e os flagelados, como a película envolvente, sem celulose, e que permite alterações de forma e movimentos amebóides, a presença de flagelos e de um vacúolo contrátil, além do tipo de divisão binária longitudinal.

5.2. Protistas semelhantes a animais. São chamados protozoários, que incluem a flagelados (filo Zoomastigina), como o Trypanosoma, agente etioógico da doença de Chagas, amebóides (filo Sarcodina), como a Amoeba, ciliados e suctórios (filo Ciliophora), como o Paramaecium, e os parasitas sem forma própria de locomoção mas capazes de reproduzirem-se por divisões múltiplas, esquizogonia e esporogonia (filo Sporozoa), como é o caso do Plasmodium, agente etiológico da malária, transmitido com a saliva das fêmeas de mosquitos Anopheles.

5.3. Protistas que são similares aos fungos. Os mofos mucilaginosos (Divisão Myxomicota) são organismos formados pela agregação de células amebóides, sem parede celular, capazes de movimentos ("de lesma"), com aspecto de mucilagem ou aspecto quase gelatinoso, heterotróficos, que se nutrem fagocitando matéria orgânica e microorganismos, reproduzindo-se mediante a formação de esporos. Esta divisão inclui seres unicelulares, coloniais e multicelulares, dependendo da etapa do seu ciclo de vida que se estude, dos quais existem cerca de 500 espécies.


Leia mais ...Do Reino Protista ao Reino Protoctista.


6. Os fungos são constituídos por filamentos aclorofilados denominados hifas que constituem um conjunto denominado micélio. São responsáveis por iniciarem a decomposição, transformando matéria rígida (insolúvel) em matéria mole (solúvel) que será então atacada pelas bactérias, por fermentações como a do pão, do vinho e da cerveja e os Basidiomycetes (cogumelos) são aproveitados na alimentação humana.

7. Os vegetais reproduzem-se por metagênese e apresentam uma fase sexuada, sempre haplóide, o gametófito, e uma fase assexuada, sempre diplóide, o esporófito. Nos vegetais sem vasos de condução, as Briófitas, predominará o gametófito enquanto que nos vasculares, Pteridófitas e Fanerógamas, predominará o esporófito. Uma boa regra nos diz que quanto mais evoluído for o vegetal mais desenvolvido será o esporófito, diplóide, e mais reduzida será a fase gametofítica, haplóide; nas plantas com flores um bom exemplo de gametófito é o tubo polínico.


8. As Briófitas, os musgos, os antóceros e as hepáticas, apresentam um gametófito duradouro formado por rizóides, um caulóide e filóides clorofilados sobre o qual desenvolver-se-á um esporófito reduzido, filamentar e aclorofilado, que viverá como um parasita as custas do esporófito. São vegetais, na maioria terrestres, apresentando características que as separam das algas e das plantas vasculares. Seus gametófitos são pluricelulares, com uma camada estéril (epiderme) que protege as células sexuais da dessecação, sendo esta uma adaptação à vida no ambiente terrestre.

Com a briófitas(Bryophyta) vemos a importante passagem evolutiva das plantas, da água para o ambiente terrestre. Nessa passagem surgiu a solução para uma variedade de problemas – o mais crucial dos quais foi como evitar a dessecação. Os gametas das briófitas são encerrados em estruturas protetoras multicelulares – um anterídio envolve os anterozóides(gametas masculinos) e um arquegônio envolve a oosfera (gameta feminino).
*Muito cuidado: nas classificações mais modernas, não tradicionais, as algas pluricelulares estão incluídas no reino Protoctista.


9. As Pteridófitas, como as samambaias e o xaxim, são conhecidas pelo esporófito visível que utilizamos em decoração ou para fazermos vasos para o plantio de outros vegetais, constituído por raízes, caule e folhas com vasos de condução (as primeiras traqueófitas na evolução vegetal) que lhes permitiu crescer em altura; o gametófito, o protalo, tem menos de 1 milímetro e não é conhecido pela população em geral.


10. As Fanerógamas incluem as plantas que possuem flores e são capazes de produzirem sementes; herdaram a vascularização das pteridófitas e seus esporófitos são conhecidos como ervas, arbustos e árvores. As Gimnospermas, como o pinheiro, a araucária, cycas e ginkgo, apresentam sementes nuas das quais o pinhão é um ótimo exemplo ; não formam frutos. As plantas com frutos, as mais numerosas do planeta nas condições atuais, são incluídas nas Angiospermas que são divididas em Monocotiledôneas e Dicotiledôneas.


11. As Monocotiledôneas são geralmente ervas, a exceção das palmeiras, únicas árvores, porque o caule não apresenta câmbio e não cresce em diâmetro, raízes são fasciculadas, suas flores são trímeras, as folhas são paralelinérveas e não apresentam pecíolo e as sementes apresentam uma única folha modificada que armazena reservas denominada cotilédone.

12. As Dicotiledôneas possuem raízes axiais, caule com câmbio que produzirá a partir do início do segundo ano de vida anéis de xilema e de floema que irão aumentar seu diâmetro, flores dímeras, tetrâmeras ou pentâmeras, folhas retinérveas ou peninérveas com pecíolo mas bainha ausente ou reduzida e sementes com 2 cotilédones facilmente identificáveis quando retiramos a casca de uma semente de feijão, amendoim ou ervilha.

13. Nos animais o primeiro critério de classificação é a presença ou a ausência de tecidos verdadeiros formando órgãos. Os animais sem órgãos, aparelhos e sistemas são denominados parazoários e isto descreve aos pertencentes ao filo Poriphera. Os demais animais possuem tecidos formando órgãos, aparelhos e sistemas e são denominados eumetazoários.

14. O segundo critério, utilizado para subdividir os eumetazoários, é a simetria que corresponde a possibilidade de dividi-los, imaginariamente, em partes uma a imagem da outra. Um bom exemplo de simetria são as mãos. Os animais mais primitivos possuem simetria radial pois podemos dividi-los, por vários planos, sempre em metades uma a imagem da outra como resultado de sua forma que lembra um cilindro. Eumetazoários com simetria radial a vida inteira descreve os animais do Coelenterata ou Cnidaria, como a Hydra, os corais e as Obélias que constituem um magnífico exemplo de reprodução por metagênese (alternância de formas de reprodução ou de gerações). Sua classe mais importante é Anthozoa (animais, zoa, que lembram flores, anthos).


15. Eumetazoários com simetria bilateral ao menos numa fase da vida inclui todos os animais menos os Poriphera e os Coelenterata. A maioria dos animais somente pode ter o seu corpo dividido por um plano em “dois lados” um a imagem do outro.

16. Para subdividirmos os animais de simetria bilateral, todos triploblásticos, utilizamos o tipo de cavidade embrionária. Os acelomados não apresentam nenhuma cavidade entre a ectoderma,mesoderme e endoderme e isto identifica animais do filo Platyhelminthes. Os pseudocelomados possuem uma cavidade embrionária entre a mesoderme e a endoderme e isto descreve aos animais do filo Aschelminthes cujo principal exemplo são os nematódeos, como a lombriga. Os celomados possuem uma cavidade embrionária completamente revestida por mesoderme e é fácil lembrá-los pela frase “ama e cor”, anelídeos, moluscos, artrópodos, equinodermas e cordados.


17. Subdividimos os celomados utilizando como critério a origem da boca. Anelídeos, moluscos e artrópodos são protostômios pois a boca origina-se do blastóporo, abertura superior da gástrula e, portanto, já estava diferenciada no início do desenvolvimento embrionário. Equinodermas e cordados são deuterostômios pois neles a boca não provém do blastóporo.


18. Os anelídeos, minhocas, poliquetas e sanguessugas, possuem como característica exclusiva a segmentação ou metamerização homônoma; a mesma unidade repete-se em todo o corpo.

19. Os moluscos são os únicos animais revestidos por um manto, tecido de revestimento capaz de produzir uma concha. Incluem os gastrópodos, como lesmas e caracóis, os bivalvos ou Pelecípodos, como ostras e mexilhões, e os cefalópodos como polvos, lulas e o Nautilus. A exceção dos bivalvos apresentam milhares de dentículos na faringe formando uma estrutura de trituração denominada rádula.

20. Os Artrópodos constituem o maior filo do reino Animal e são os únicos com um exoesqueleto quitinoso que deve ser trocado periodicamente num fenômeno denominado de ecdise (:muda). Por isto seu crescimento é dito descontínuo, cresce, pára, troca o exoequeleto e torna a crescer. Os exoesqueletos antigos, abandonados pela excessiva rigidez que impedia o crescimento, são denominados exúvias.

21. A principal subdivisão dos artrópodos é a Classe Insecta cujos integrantes tem o corpo dividido em cabeça, tórax e abdome; na cabeça temos um par de antenas, o tórax , com 3 segmentos apresenta 3 pares de patas e o abdome caracteriza-se pela presença dos órgãos de reprodução. Respiram por traquéias que conduzem o ar diretamente a cada célula e excretam pelos tubos de Malpighi que lançarão no intestino ácido úrico, cristalino e sólido, para ser eliminado junto com as fezes, sem a utilização de água.

22. Os artrópodos da classe Arachnida são áceros, sem antenas, e possuem 4 pares de patas enquanto os Crustacea são tetráceros, dois pares de antenas, e possuem geralmente 5 pares de patas toráxicas para locomoção e apêndices birremes abdominais denominados pleópodes para a natação.

23. Os Equinodermas, todos marinhos, como estrelas-do-mar, ouriços do mar e pepinos do mar, são os únicos animais a apresentarem uma variação de simetria em períodos diferentes da vida, bilateral nas larvas e radial nos adultos, e também os únicos a apresentarem um sistema vascular aqüífero ou sistema ambulacral, um conjunto de canais percorridos por água que intervém em várias funções, como a circulação, a respiração, a excreção, a locomoção e a proteção interna.

24. Equinodermas e Cordados são os únicos filos animais celomados, deuterostômios e dotados de um endoesqueleto.

25. Os Cordados possuem com exclusividade uma neurocorda dorsal de origem ectodérmica, fendas branquiais pares na faringe do embrião (no homem originarão as cordas vocais), uma notocorda com função de sustentação embrionária e um coração ventral.

26. Cordados e Vertebrados não são sinônimos. Os Vertebrados constituem uma subdivisão (subfilo) dos Cordados incluindo aqueles animais onde notocorda regride e é substituída primeiro pela coluna e depois pelo restante do esqueleto.

27. Outros subfilos dos Cordados são Cephalocordata que inclui o Anfioxo onde a notocorda persistirá a vida inteira da cabeça a cauda e o subfilo dos Urochordata, que inclui as ascídias e demais tunicados, que apresentam notocorda somente na cauda das larvas.

28. Uma maneira correta de subdividir os Vertebrados é dizer que eles apresentam 7 classes atuais: Os Agnatha, as lampréias, que não apresentam mandíbulas e sim uma grande ventosa oral; os Chondrichthyes ou peixes cartilaginosos cujos principais representantes são os tubarões e as raias; os Ostheichthyes ou peixes ósseos com um opérculo móvel revestindo as fendas branquiais; os Amphibia com uma pele lisa, nua e permeável que permite uma respiração cutânea; os Reptilia, onde surge a queratina revestindo a epiderme e a impermeabilização parcial do ovo amniota com casca calcárea e um âmnios (bolsa d’água) que protege o embrião da desidratação e de choques traumáticos; as Aves com seus ossos pneumáticos, penas e sacos aéreos ligados aos pulmões que não só refrigeram os organismos como os ajustam ao vôo e os Mamíferos com seus pêlos e glândulas mamárias.

29. Os Chondrichthyes ou peixes cartilaginosos possuem 5 a 7 pares de fendas branquiais externas, minúsculas escamas placóides, uma boca ventral apropriada ao predatismo e uma nadadeira caudal heterocerca, com um raio bem mais desenvolvido que o outro, e uma válvula em espiral no intestino para ampliar sua capacidade de digestão e absorção.

30. Nos Ostheichthyes que incluem a maioria dos peixes atuais não vemos as fendas branquiais porque são revestidas por uma placa óssea móvel denominada opérculo que se move de acordo com o teor de gás carbônico na circulação. Apresentam escamas visíveis ciclóides ou ctenóides, uma boca frontal e uma nadadeira caudal homocerca com dois raios praticamente do mesmo tamanho.

31. Os Amphibia, justificando o nome “dupla vida” apresentam uma fase larval aquática, os girinos, que respiram por brânquias externas e possuem uma longa cauda e uma fase adulta com respiração cutânea e pulmões ineficazes, pela ausência de costelas. A cauda sofre uma autofagia nos Anuros(rãs e sapos) e mantém-se nos Urodelos (as salamandras).

32. Os Répteis representam os Vertebrados que efetivamente conquistaram os continentes pois herdaram características que evitavam a desidratação e exigiam pouca quantidade de água para sua manutenção e sobrevivência no processo de seleção natural: pele revestida por queratina continuamente secretada pelo golgi das células da epiderme e o acúmulo da mesma para formar escamas ou placas ósseas, combinada a outros elementos químicos, presença de pulmões funcionais pela presença de costelas que permitem dilatar o tórax, diminuir a pressão interna e inspirar e expirar com eficiência, o ovo amniota protegendo a embriões e fetos e uma excreção de resíduos nitrogenados sob forma de ácido úrico, cristalino e sólido. Os maiores representantes foram os dinossauros.

33. A partir dos répteis o processo de evolução faz surgir as Aves e os Mamíferos que por terem um ancestral em comum herdam uma série de características comuns: a pele revestida por queratina que se diferencia em penas ou pêlos, o ovo amniota (entre os mamíferos no Ornitorrinco e no Equidna), o coração com 4 cavidades (2 aurículas e dois ventrículos), uma circulação dupla e completa e uma homeotermia que permite manter a temperatura independentemente das variações do meio externo.

34. As Aves são animais tetrápodos com o primeiro par modificado em asas ou excepcionalmente ausente (kiwi), pele revestida por queratina e penas, coração com 4 cavidades, homeotermos, com ossos pneumáticos ligados a sacos aéreos e com a capacidade de voar aquelas que possuem o esterno em quilha (carinatas). As aves canoras possuem um "órgão do canto" chamado siringe, que se situa no final da traquéia antes da ramificação em brônquios.

35. Os Mammalia apresentam o corpo revestido por pêlos e queratina, são homeotermos, com o coração dividido em 4 cavidades, um diafragma completamente muscular separando o tórax do abdome e auxiliando na eficiência da respiração e glândulas mamárias bem desenvolvidas nas fêmeas.

36. Os mamíferos mais primitivos, endêmicos da região australiana, são os monotremados ou prototérios, dos quais sobrevivem hoje somente 2 espécies, o ornitorrinco e o equidna; são ovíparos, possuem uma cloaca, um bico córneo que os assemelha às aves e uma homeotermia imperfeita que os assemelha a certos répteis primitivos.

37. Os mamíferos marsupiais ou metatérios, como o canguru, o koala, diabo da Tasmânia (Taz), o gambá e o opossum desenvolvem uma placenta rudimentar e apresentam como conseqüência uma gestação em 2 etapas que se inicia no útero e completa-se numa dobra da epiderme do abdome da mãe, o marsúpio (bolsa).

38. A maioria dos mamíferos, entre eles o homem, pertencem a subclasse dos placentários ou eutérios, animais onde a gestação ocorrerá totalmente no útero materno e, ao nascerem, somente diferem do adulto em volume corporal e maturidade sexual.

39. Os mamíferos da ordem dos Primatas são os placentários mais avançados. Cérebro grande, são os mais inteligentes, cuja cabeça forma um ângulo reto com o pescoço; ossos das pernas separados, livremente articulados, mãos e pés freqüentemente grandes, cada um com cinco dedos bem distintos, com o dedo polegar da mão em forma de alavanca, olhos dirigidos para a frente. Os primatas surgiram há cerca de setenta milhões de anos, no fim do cretáceo. Os cientistas dividem-nos em duas subordens: a dos prossímios e a dos antropoídeos, em que se incluem a família dos hominídeos e a dos pongídeos.

40. O homem pertence a família dos Hominídeos enquanto chimpanzé e gorila pertencem à família dos Pongídeos. As principais características anatômicas dos hominídeos são: postura ereta, locomoção bípede no solo, em substituição à braquiação (deslocamento com os braços, de galho em galho), capacidade craniana superior à de outras famílias aparentadas e dentes pequenos, com caninos não especializados. No processo de hominização surgiram também comportamentos distintivos, como a confecção de instrumentos e a linguagem verbal.

41. Os vírus são "organismos" que não estão inseridos em nenhum dos grandes reinos dos seres vivos, daí a necessidade de serem estudados à parte. Suas principais características são: - não possuem estruturas celulares (membrana plasmática, citoplasma, etc.); - são formados basicamente por uma cápsula protéica denominada capsômero ou capsídio que contém em seu interior um só tipo de ácido nucléico: DNA ou RNA, nunca ambos; - só apresentam propriedades de vida quando estão no interior de células vivas e por isso são considerados parasitas celulares obrigatórios

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