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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Análise genética ajuda a mapear populações de grandes carnívoros

04 de fevereiro de 2015

Por Karina Toledo
Agência FAPESP – Métodos não invasivos de análise de DNA estão auxiliando pesquisadores vinculados ao Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota) a monitorar populações de grandes carnívoros existentes na Mata Atlântica, no Cerrado e nas áreas de transição entre esses dois biomas no Estado de São Paulo e adjacências.

 
 

 O objetivo é usar os dados coletados para aperfeiçoar modelos de viabilidade populacional e contribuir para o desenvolvimento de planos de conservação, explicou Pedro Manoel Galetti Junior, professor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador da Rede Sisbiota – Predadores de Topo de Cadeia, apoiada pela FAPESP.

“Esses animais, particularmente os predadores de topo de cadeia, possuem hábitos muito elusivos. Dificilmente são vistos no campo e, por isso, têm sido estudados pelos ecólogos por meio de vestígios como pelos, pegadas e fezes. A genética vem como uma nova e poderosa ferramenta nesse esforço de identificação”, afirmou Galetti.

A análise do DNA mitocondrial de uma amostra de fezes, exemplificou o pesquisador, permite descobrir a espécie depositora, ajudando a calcular o tamanho de uma população e da área que ela ocupa.
“Por meio de um método parecido com os de testes de paternidade, que usa marcadores moleculares neutros como os do tipo microssatélites, é possível individualizar cada amostra”, disse Galetti.
“Como temos o dado geográfico, conseguimos determinar com auxílio de um GPS onde estava aquele indivíduo no momento em que defecou. Se uma nova amostra do mesmo indivíduo for coletada posteriormente em outro local, consigo ter noção de seu deslocamento”, explicou.

O método padronizado pelo grupo do Sisbiota permite ainda calcular a proporção entre machos e fêmeas de uma determinada população, estudar sua variabilidade genética e o fluxo de genes entre os diferentes fragmentos de mata nativa.

Entre os felinos, até o momento as análises têm se concentrado em populações de onça-parda (Puma concolor), jaguatirica ( Leopardus pardalis), gato-maracajá (Leopardus wiedii), jaguarundi (Puma yagouaroundi) e gato-do-mato (Leopardus tigrinus).
No grupo dos canídeos os destaques são o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) e o cachorro-vinagre (Speothos venaticus).

Onça-pintada na Serra do Mar

Embora o foco principal seja o Estado de São Paulo, os pesquisadores têm estudado todo o contínuo de Mata Atlântica que se estende até o norte de Minas Gerais, bem como as regiões de Cerrado até o sul de Goiás.

“Em primeiro lugar, queremos descobrir quantos desses animais ainda existem nos fragmentos. Essa é uma informação que, por mais simples que pareça, é desconhecida em razão da dificuldade de se fazer esse tipo de análise”, disse Galetti.

As estimativas populacionais ainda estão sendo concluídas. Segundo Galetti, o processo é demorado, pois os testes precisam ser repetidos de duas a cinco vezes para que se possa ter certeza dos resultados.
Dados preliminares, porém, já revelaram a presença da onça-pintada (Panthera onca) em algumas áreas do Estado nas quais se acreditava que a espécie estava extinta, como no Núcleo Santa Virgínia do Parque Estadual da Serra do Mar.

“Queremos ampliar os estudos para que seja possível rodar modelos de viabilidade populacional. Esses modelos consideram várias características de qualidade do habitat para calcular a probabilidade de persistência de uma determinada espécie em um determinado ambiente pelos próximos 100 anos. As análises se tornarão mais confiáveis quando conseguirmos introduzir nos modelos os dados genéticos”, avaliou Galetti.
 

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