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sábado, 6 de junho de 2015

Análise em crânio revela assassinato brutal há 430 mil anos

  • Javier Trueba/Madrid Scientific Films/Reuters
    Detalhes da fratura mostram que elas foram feitas pelo mesmo objeto em um conflito com vários ataques Detalhes da fratura mostram que elas foram feitas pelo mesmo objeto em um conflito com vários ataques
Uma caverna no norte da Espanha, que há anos vem sendo estudada por arqueólogos, pode ter sido uma cena de um crime. Mais precisamente, de um assassinato acontecido há 430 mil anos.
Um grupo de pesquisadores espanhóis, americanos e chineses estudou dois ferimentos no crânio de um ancestral encontrado na Sima de los Huesos (na Serra de Atapuerca) e concluiu que ele foi assassinado por outro hominídeo.

Segundo a pesquisa, o tipo, a posição das fraturas e o fato de serem quase idênticas sugerem que elas "foram produzidas pelo mesmo objeto em um conflito interpessoal com vários ataques".
Como ambas as fraturas eram potencialmente fatais, os pesquisadores concluíram que a presença delas indica que havia a intenção de matar e que essa descoberta mostra que a violência letal interpessoal é um comportamento humano ancestral.

Os cientistas afirmam que o estudo traz evidências assustadoras de que a violência era parte intrínseca da cultura humana nos seus primórdios.
Eles afirmam ainda que a violência interpessoal (letal ou não letal) na pré-história é como uma janela das relações humanas no passado e que a disputa pode ter ocorrido por fatores como competição por recursos escassos ou defesa de território.

Publicada na revista científica "PLOS One", o estudo "Lethal Interpersonal Violence in the Middle Pleistocene" (Violência interpessoal legal no Pleistoceno Médio) traz as tomografias do crânio que foram usadas pelos pesquisadores.

"Não há sinais de que as fraturas se cicatrizaram e o ângulo dos ferimentos indicam que eles foram feitos quando o osso ainda estava fresco (ou seja, de um humano vivo), o que nos leva a acreditar em assassinato", afirmou Rolf Quam, da universidade americana de Binghamton, em entrevista à rádio NPR.

Hábitos funerários

A pesquisa também joga luz sobre como os hominídeos da época (período Pleistoceno, entre 2.588 milhões e 11,5 mil anos atrás) enterravam seus mortos.
Os pesquisadores afirmam que parte da caverna poderia ter sido usado como depósito para cadáveres, no que pode ser considerado um dos primeiros indícios já registrados sobre o comportamento funerário dos nossos primeiros ancestrais.

A antropóloga Debra Martin, da Universidade de Nevada, é especialista em culturas pré-históricas, incluindo violência.
"Os resultados são muito convincentes. Eu acredito que quanto mais a gente pesquisa e obtém evidências forenses como essas, mais vamos comprovar que a violência é algo que está entre nós desde que a cultura em si tem estado entre nós."

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