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sexta-feira, 17 de julho de 2015

Cientista que "matou" Plutão diz não se arrepender

Pallab Ghosh
Repórter de ciência da BBC News

  • SPL/BBC
    O professor Mike Brown diz não se incomodar em ser chamado de "assassino de Plutão" se isso contribui para a compreensão do Sistema Solar O professor Mike Brown diz não se incomodar em ser chamado de "assassino de Plutão" se isso contribui para a compreensão do Sistema Solar
As imagens e descobertas da sonda da Nasa New Horizons vêm reforçando os apelos para que Plutão volte a integrar o clube de planetas - do qual foi expulso sem cerimônias em 2006.

No entanto, o professor Mike Brown, da universidade Caltech (Califórnia), conhecido como "o homem que matou Plutão", disse à BBC que os que pedem que o planeta volte ao clube parem de viver no passado.

"As pessoas que a gente mais ouve pedindo a reinstalação do planeta são aquelas envolvidas na missão (New Horizons). Entendo que seja emocionalmente difícil para eles", disse.

"Eles querem que Plutão seja um planeta porque querem voar para lá. Mas seria bem melhor se aceitassem a realidade de que ele não é um planeta e ficassem empolgados com o fato de que estão indo para um novo tipo de objeto no Sistema Solar."

Golpe de misericórdia

Os pedidos para que Plutão fosse rebaixado começaram após outro objeto no Cinturão de Kuiper ter sido descoberto em 1992. Alguns argumentavam que Plutão era simplesmente o primeiro corpo celeste encontrado nesta pouco explorada área do Sistema Solar.
No entanto, o golpe de misericórdia foi dado pelo professor Brown, com sua descoberta do planeta anão Eris, em janeiro de 2005. Era como Plutão, mas como uma massa maior.

Essa foi uma das descobertas que fez com que a União Astronômica Internacional (UAI) criasse uma comissão para reavaliar a definição de planetas.

Assim, em 2006, a UAI teve que decidir se admitia Eris, e outros pequenos mundos como Ceres, ou se expulsava Plutão. Era preciso escolher um ou outro - manter o status quo não era possível.

Brown argumenta que a se a UAI tivesse decidido manter Plutão como um planeta e admitisse Eris, a organização eventualmente teria de considerar a candidatura de centenas, talvez milhares, de outros aspirantes a planetas.

"Não há outra maneira de categorizar os Sistema Solar além de descrevê-lo como tendo oito objetos dominantes, que são os planetas que conhecemos. Não há nenhuma vantagem em se manter Plutão e em classificá-lo como um dos planetas maiores, porque ele simplesmente não é."

Então como o professor Brown reagiu quando soube que Plutão havia sido rebaixado? Foi um momento de alegria ou ele foi tomado pela culpa?

Ele compara o episódio a um assassinato a sangue frio, um ato de misericórdia que era necessário para o bem da ciência.

"Para mim, estava claro já fazia alguns anos que Plutão estava classificado de maneira errada. Então, fiquei bem feliz com a ideia (da demoção de Plutão) de que agora poderíamos voltar e corrigir esses erros", disse.

Sem arrependimentos

Mas o rebaixamento de Plutão continua polêmico. Muitos cientistas afirmam que ele deve permanecer como planeta, argumentando que ele parece um planeta, se comporta como tal e vem sendo considerado um há três quartos de século.
Isso, no entanto, não muda a opinião do professor Brown.

"Não, nenhum arrependimento. Mas fico triste com os acontecimentos desta década desde a demoção de Plutão. Gostaria que as pessoas tivessem aceitado o novo status de Plutão como uma parte interessante do Cinturão de Kuiper, em vez de ficar discutindo se é um planeta ou não", disse.

Se há alguns anos Mike Brown reagia com certa ironia ao ser cumprimentado como "o homem que matou Plutão", hoje em dia ele parece gostar do apelido. Chegou até a usá-lo seu site e em seu livro "How I killed Pluto and why it had it coming" ("Como eu matei Plutão e por que ele mereceu", em tradução livre).

Ele me disse que o título era pra ser uma brincadeira inteligente, mas que ninguém entendeu na época.

"Eu pensei que achariam engraçado falar em matar Plutão, porque ele era o deus do mundo inferior (dos mortos, na mitologia grega), mas ninguém entendeu", disse Brown.

"Era algo forte, para chamar atenção. E isso é importante em termos de educação. Quero que as pessoas entendam o que o Sistema Solar é exatamente. E, se ficar me chamando de "assassino de Plutão" ajudar nisso, aceito o apelido de bom grado."

Mensagens raivosas

O professor conta que ainda recebe mensagens raivosas no Twitter sobre Plutão - na grande maioria, de pessoas que aprenderam na escola que ele era um planeta.

Para o cientista, seria mais interessante estudar um novo tipo de objeto do que um planeta excêntrico nos confins do Sistema Solar

Mas ele conta que as crianças que cresceram sabendo que Plutão não é um planeta aceitam a ideia sem problemas. Por isso, ele acredita que a polêmica vai morrer.

"Acreditava-se que o Sol e a Lua eram planetas também, mas isso foi superado há muito tempo. Acho bem mais interessante termos um novo tipo de objeto para estudar do que um planeta excêntrico no fim do Sistema Solar."

"Espero que depois da New Horizons essa discussão chegue ao fim e que a gente possa começar a falar sobre Plutão e sobre o que aprendemos sobre o restante do Cinturão de Kuiper."


Sonda registra imagens de Plutão15 fotos

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15.jul.2015 - Primeira imagem divulgada pela Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) feita pela sonda New Horizons do ponto mais próximo de Plutão mostra montanhas de gelo. As montanhas medem até 3,5 quilômetros e apesar de terem idade calculada 100 milhões de anos, são consideradas jovens diante de um sistema solar com 4,56 bilhões de anos. "Essa é uma das superfícies mais jovens que encontramos no Sistema Solar. Essas montanhas podem estar em processo de construção ainda", disse Jeff Moore, integrante da equipe de imagens geológicas da sonda New Horizons. A maior parte da superfície de Plutão é coberta de metano e nitrogênio em formato de gelo, mas essas substâncias não são suficientes para sustentar montanhas. Cientistas da Nasa suspeitam que este material mais duro seja água congelada. "Nas temperaturas encontras em Plutão, a água se comporta mais como rocha", disse um dos líderes da equipe de imagem da sonda Bill McKinnon, da Universidade de Washington Leia mais Nasa

Sonda registra imagens de Plutão15 fotos

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15.jul.2015 - A maior lua de Plutão, Caronte, também foi registrada pela sonda New Horizons. Os cientistas da missão estão surpresos com a aparente falta de crateras no satélite. De acordo com os pesquisadores a característica indica uma superfície relativamente jovem que foi remodelada por atividade geológica Leia mais NASA

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13.mai.2015 - Pela primeira vez, a espaçonave não tripulada New Horizons da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) fotografou Kerberos e Styx, as menores e mais discretas das cinco luas conhecidas de Plutão. Após a detecção da lua gigante Caronte, em julho de 2013, e das luas menores Hydra e Nix, em julho de 2014 e janeiro de 2015, respectivamente, a New Horizons avistou todos os membros conhecidos do sistema de Plutão. Kerberos e Styx foram descobertas em 2011 e 2012, respectivamente, pelos membros da equipe New Horizons usando o Telescópio Espacial Hubble. Styx, que circula Plutão a cada 20 dias entre as órbitas de Charon e Nix, tem provavelmente entre sete e 21 km de diâmetro, e Kerberos, que orbita entre Nix e Hydra em um período de 32 dias, tem de dez a 30 km de diâmetro. Cada uma é 20 a 30 vezes mais fraca do que Nix e Hydra Leia mais Nasa
 

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3.jun.2015 - Ilustração fornecida pelo Instituto SETI, da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) representa Plutão e suas cinco luas de uma perspectiva oposta ao Sol. A imagem foi adaptada de uma ilustração para a missão Voyager I a fim de chamar atenção para as semelhanças entre os sistemas de Plutão e Júpiter Leia mais Mark Showalter/JPL/NASA, SETI Institute via AP

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6.jul.2015 - Imagem de Plutão, vista na mais alta resolução até em então, capturada pela sonda New Horizons, da Nasa (Âgência Espacial Norte-Americana) inclui quatro pequenos pontos escuros que levaram a diversas especulações sobre o que poderiam ser Leia mais Nasa
 
 
 

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7.jul.2015 - Imagens de Plutão com melhor resolução são liberadas pela Nasa (Agência Espacial Norte-Americana). A agência tinha perdido momentaneamente o contato com a sonda New Horizons, mas a conexão foi restabelecida. Na imagem, é possível ver duas facetas do planeta-anão, com pontos misteriosos no equador do corpo celestial. Cada um dos pontos tem cerca de 480 quilômetros de diâmetro Leia mais Nasa

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13.jul.2015 - Na ocasião, a sonda espacial New Horizons estava se aproximando cada vez mais de Plutão. A nave espacial não tripulada estava a um dia de passar pelo planeta anão a uma velocidade de 49,6 mil quilômetros por hora Leia mais JHUAPL/SWRI/Nasa
 
 
 

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13.jul.2015 - A sonda New Horizons registrou mais uma imagem do planeta anão Plutão, a mais detalhada até então. A espaçonave viajou mais de nove anos e mais de três bilhões de milhas e nunca esteve tão perto do planeta Leia mais Nasa
 

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Ilustração da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) simula movimentação da sonda New Horizons se aproximando do planeta anão Plutão Leia mais Nasa
 

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Ilustração da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) simula vista de Plutão em missão da sonda New Horizons, que orbita o planeta anão em busca de imagens e informações sobre sua topografia e atmosfera Leia mais Nasa
 
 

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15.jul.2015 - Primeira imagem divulgada pela Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) feita pela sonda New Horizons do ponto mais próximo de Plutão mostra montanhas de gelo. As montanhas medem até 3,5 quilômetros e apesar de terem idade calculada 100 milhões de anos, são consideradas jovens diante de um sistema solar com 4,56 bilhões de anos. "Essa é uma das superfícies mais jovens que encontramos no Sistema Solar. Essas montanhas podem estar em processo de construção ainda", disse Jeff Moore, integrante da equipe de imagens geológicas da sonda New Horizons. A maior parte da superfície de Plutão é coberta de metano e nitrogênio em formato de gelo, mas essas substâncias não são suficientes para sustentar montanhas. Cientistas da Nasa suspeitam que este material mais duro seja água congelada. "Nas temperaturas encontras em Plutão, a água se comporta mais como rocha", disse um dos líderes da equipe de imagem da sonda Bill McKinnon, da Universidade de Washington Leia mais Nasa

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15.jul.2015 - A maior lua de Plutão, Caronte, também foi registrada pela sonda New Horizons. Os cientistas da missão estão surpresos com a aparente falta de crateras no satélite. De acordo com os pesquisadores a característica indica uma superfície relativamente jovem que foi remodelada por atividade geológica Leia mais NASA
 
 
 

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