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terça-feira, 28 de julho de 2015

MONTAGEM DO ESPINOSSAURO


Cientistas descobriram que um animal curioso, que lembra o cruzamento entre um pato e um crocodilo, é o primeiro dinossauro semiaquático conhecido. O Spinosaurus aegyptiacus viveu há cerca de 95 milhões de anos, pesava cerca de 20 toneladas e tinha até 15 metros de comprimento - superando em mais de 3 metros o Tyrannosaurus rex, que viveu na América do Norte milhões de anos mais tarde. Isso o torna o maior predador carnívoro já descoberto: com vinte dentes afiados em uma boca longa e estreita, o Spinosaurus devorava peixes.

CONHEÇA A PESQUISA
  Título original: Semiaquatic adaptations in a giant predatory dinosaur
Onde foi divulgada: revista Science
Quem fez: Nizar Ibrahim, Paul C. Sereno, Cristiano Dal Sasso, Simone Maganuco, Matteo Fabbri, David M. Martill, Samir Zouhri, Nathan Myhrvold, Dawid A. Iurino
Instituição: Universidade de Chicago, EUA; Museu de História Natural de Milão, Itália; Universidade Hassan II, Marrocos e outras.

Resultado: Os pesquisadores descreveram adaptações para a vida semiaquática do Spinosaurus aegyptiacus, com base em novos fósseis
A revelação, publicada na última quinta-feira na revista Science por uma equipe internacional de pesquisadores, veio da análise do fóssil do mais completo esqueleto do dinossauro, encontrado no Saara marroquino, na África. Ossos de partes do crânio, da coluna vertebral, da pélvis e das extremidades foram reunidos ao longo dos anos pelo pesquisador Nizar Ibrahim, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.
"Trabalhar com esse animal foi como estudar um 'alien' de outro espaço: ele é completamente diferente de qualquer outro dinossauro que eu tinha visto", disse Ibrahim.
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"Aquadino" - Os pesquisadores perceberam que adaptações ósseas e anatômicas possibilitavam que o Spinosaurus vivesse parte do tempo sobre a terra e parte sob a água. Ele possuía narinas no alto da cabeça, para conseguir respirar ao manter parte da cabeça submersa, e tinha as patas dianteiras longas e grandes, com membranas que permitiam as braçadas e também a caminhada por solos pantanosos. Ele também tinha uma enorme crista nas costas, semelhante à vela de um barco, que podia chegar a 2 metros de altura, e um pescoço e troncos longos, que deslocavam seu centro de gravidade para a frente, tornando difícil a caminhada em terra sobre as patas traseiras, mas facilitando os movimentos sob a água.
Além disso, o bicho possuía grande densidade óssea nas extremidades, que permitia sua submersão, em vez de apenas flutuar na água. Essa característica é semelhante a das primeiras baleias ou a dos hipopótamos modernos.

Fósseis reunidos - Os primeiros ossos do Spinosaurus foram achados em 1912, no Egito. Três anos depois, foram descritos pelo paleontólogo alemão Ernst Stromer von Reichenbach, que não decifrou suas capacidades de adaptação à água.
Esses ossos, que se encontravam em Munique, na Alemanha, foram destruídos pelos bombardeios na Segunda Guerra Mundial, em abril de 1944. Tudo o que restou foram algumas notas e desenhos do animal, feitos por Stromer, e guardados em uma casa de sua família na Baviera.

Por volta de 1975, foi descoberto um novo fóssil, no Marrocos, que se acreditava ser de um crocodilo. Há uma década, os pesquisadores perceberam que se tratava de um fóssil de Spinosaurus. Em 2008, Ibrahim, então um estudante de graduação, recebeu de um nômade no Marrocos, uma caixa cheia de fósseis que ele percebeu que se pareciam muito com o fóssil do Spinosaurus. Com a ajuda do nômade, o pesquisador encontrou mais fragmentos, que faziam parte do mesmo animal. Usando os novos ossos e fósseis, as anotações de Stromer, modelos digitais e uma réplica em 3D do animal, os cientistas puderam analisar com precisão o Spinosaurus, descobrir suas características e decifrar suas capacidades aquáticas.
Os modelos digitais usados na pesquisa, bem como a réplica do esqueleto poderão ser vistos em uma exposição sobre o Spinosaurus no Museu National Geographic, em Washington, EUA, e em um especial na televisão americana. O estudo, que recebeu recursos da National Geographic Society, será tema da edição de outubro da revista, que trará fotos sobre a descoberta.
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