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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Clique Ciência: de onde vieram as cobras?

07 de agosto de 2015. -  Marcus Cabral


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Pensar em viver sem braços e pernas é desesperador para qualquer ser humano. E, pela nossa lógica, centrada nos nossos próprios parâmetros, ter membros cada vez mais sofisticados é um sinal de evolução. Mas, na natureza, nem tudo é assim. As cobras, por exemplo, já tiveram patas. "Os ancestrais das serpentes eram lagartos", conta o pesquisador Sávio Stefanini Sant`Anna, do Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan, em São Paulo Arte UOL
Pensar em viver sem braços e pernas é desesperador para qualquer ser humano. E, pela nossa lógica, centrada nos nossos próprios parâmetros, ter membros cada vez mais sofisticados é um sinal de evolução. Mas, na natureza, nem tudo é assim. As cobras, por exemplo, já tiveram patas.
"Os ancestrais das serpentes eram lagartos. Não se sabe exatamente qual grupo de lagarto, mas se acredita que faça parte dos Iguania ou dos Anguimorphas", conta o pesquisador Sávio Stefanini Sant`Anna, do Instituto Butantan, em São Paulo.
Embora existam teorias afirmando que esses ancestrais fossem animais aquáticos, atualmente a hipótese mais aceita no meio científico é que as primeiras serpentes teriam tido sua origem no meio terrestre, segundo o especialista.
Em 2006, foi publicada na revista "Nature" a descoberta de uma serpente terrestre que possuía patas posteriores, batizada de Najash rionegrina. O texto teve coautoria, inclusive, de outro pesquisador brasileiro: Hussam Zaher, do Museu de Zoologia da USP (Universidade de São Paulo).
Outro estudo, publicado no mês passado no periódico "BMC Evolutionary Biology", também revela que os ancestrais das serpentes eram predadores noturnos com minúsculos membros posteriores que continham tornozelos e dedos nos pés. A pesquisa, realizada na Universidade de Yale (EUA) foi feita com análise de fósseis, genes e anatomia de 73 espécies diferentes de serpentes e lagartos. E, também de acordo com o principal autor, Allison Hsiang, as cobras evoluíram da terra, e não do mar.
As primeiras cobras, segundo Hsiang, teriam surgido nas florestas do antigo supercontinente conhecido como Laurásia (que envolvia a América do Norte, a Europa e a norte da Ásia), há cerca de 128 milhões de anos, no Cretáceo Inferior.
Os resultados do estudo sugerem que o fato de as cobras terem se espalhado pelo mundo, ocupando uma enorme gama de habitats diferentes, pode ter a ver - acredite - com o fato de que a ausência das pernas lhes conferiu agilidade. O autor diz que as cobras são capazes de viajar por até 110 mil quilômetros quadrados, área quatro vezes maior que a percorrida pelos lagartos. E, muitas vezes, ao longo de sua história evolutiva, esses bichos ainda foram capazes de se adaptar a meios aquáticos.

De dez centímetros a dez metros

Pesquisadores estimam que hoje existam cerca de 3.500 espécies de serpentes no mundo. Só no Brasil, conta o pesquisador do Butantan, existem 381.
"A maior espécie de serpente do mundo é o píton reticulado (Phyton reticulatus), que pode alcançar até dez metros de comprimento. No Brasil, a maior é a sucuri (Eunectes murinus)", continua Sant`Anna. Já a menor serpente é uma cobra-cega de dez centímetros (Leptotyphlops carlae), que vive na Ilha de Barbados, no Caribe.
O pesquisador explica que todas as serpentes são carnívoras, mas as dietas diferem bastante entre as espécies. Enquanto algumas comem um único tipo de alimento, outras são menos "frescas" e, por isso, são chamadas de generalistas.
"Algumas espécies de jararacas, quando jovens, se alimentam basicamente de anfíbios e, quando adultas, comem roedores", comenta Sant`Anna.
Estrategistas
Para subjugar e matar suas presas, as serpentes contam com sofisticados aparatos sensoriais e táticas bem elaboradas, conforme ressalta o pesquisador. Além da visão, que nem sempre é muito boa, existe uma estrutura chamada órgão de Jacobson, que identifica partículas químicas que a língua capta do ar. É por isso que elas estão sempre colocando a língua para dentro e para fora da boca.
As serpentes podem matar suas presas por constrição ou envenenamento. "A jiboia e a sucuri são exemplos de serpentes constritoras: elas se enrolam nas suas presas e apertam até que a mesma morra por parada cardíaca ou respiratória", descreve o especialista.
Já a cascavel e a jararaca contam com um aparato eficiente para injetar o veneno nas vítimas. A serpente parelheira e a falsa-coral também fazem isso, mas, felizmente, o sistema de injeção não é eficiente para matar humanos. Não que isso deixe muita gente animada para brincar com essas cobras. 
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