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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Os novos elementos da tabela periódica
Leia texto de professor do Instituto de Química da Unesp em Araraquara
[05/01/2016]
Todas salas de aula do Instituto de Química da Unesp em Araraquara têm pendurada na parede a Tabela Periódica. Como uma espécie de brincadeira, sugerimos aos estudantes reverenciar aquela figura, sempre que entrarem na sala para uma aula. A brincadeira obviamente se refere ao ato de reverência. Mas talvez não fosse uma má ideia reverenciá-la. Afinal de contas, é a maior “obra de arte” construída pelos seres humanos. Por centenas deles, trabalhando durante centenas de anos!

Lá estão todos elementos químicos do universo. Organizados em períodos (linhas horizontais) e grupos (linhas verticais). A aventura, ou história, da Tabela Periódica é fascinante e merece ser lida (veja, por exemplo: Alguns aspectos históricos da classificação periódica dos elementos químicos, Mario Tolentino e Romeu C. Rocha-Filho, Química Nova 20(1), 103-117, 1997).

Seu formato foi evoluindo ao longo dos anos e seu formato atual apresenta os elementos químicos em ordem crescente de número atômico. Este formato é particularmente interessante porque, além de possibilitar classificar os elementos em termos de propriedades físicas e químicas (o que faz dela uma ferramenta muito útil), permite prever a existência ou síntese de novos elementos.

É aí que entram os fatos noticiados no último dia 30 de dezembro pela IUPAC (União Internacional de Química Pura e Aplicada). Foram descobertos os elementos que faltavam para completar o período de número 7 (com números atômicos 113, 115, 117 e 118). Grupos de pesquisa no Japão, Rússia e Estados Unidos, trabalhando em laboratórios de aceleradores de partículas e fusão nuclear, conseguiram comprovar a síntese.

Uma vez sintetizados, este elementos pesados têm existência efêmera de milésimos de segundo. Aplicação prática imediata? Nenhuma. De fato, elementos sintéticos podem ter aplicações importantes. O Tecnécio, por exemplo (número atômico 43), tem aplicações importantes em medicina nuclear.

Mas não é o caso dos quatro novos elementos. Eles servem para completarmos nossas Tabelas e diminuir os espaços vazios. Este tipo de pesquisa vislumbra a síntese um dia, de um elemento mais pesado (período 8, 9, etc.) que possa ser estável e apresentar propriedades que permitam novas aplicações.

Os nomes dos quatro novos elementos ainda são provisórios. A IUPAC vai tratar de “batizá-los” formalmente no futuro.
Sidney José Lima Ribeiro é professor do Instituto de Química da Unesp de Araraquara

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