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segunda-feira, 21 de março de 2016

Diversidade de dinossauros do Cretáceo brasileiro

Nosso país apresenta uma notável escassez de sedimentos provenientes do período Triássico e também a quase inexistência de fósseis de dinossauros do Jurássico. Porém, um dos maiores tesouros paleontológicos relacionados à dinossauros do Brasil está presente no Cretáceo das Bacias Bauru, São Luís-Grajaú e do Araripe
Iremos conhecer algumas das últimas e principais espécies de dinossauros que aqui, em nossa terra, caminharam.

A Bacia Bauru, o espetáculo dos saurópodes

Os Estados Unidos se destacam por terem possuído uma grande quantidade e diversidade de dinossauros herbívoros ornitísquios, já o Brasil chama a atenção por sua destacada diversidades de dinossauros saurópodes. Durante o final do Cretáceo, grande parte destes gigantes - da família dos titanosauros -, vagavam pelos atuais estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul (atual área coberta pelas rochas da Bacia Bauru).

Os saurópodes titanossaurídeos provavelmente tiveram origem no continente indiano ou africano e acabaram migrando para a América do Sul, aonde encontraram um ambiente propício e evoluíram para diversas novas espécies e gêneros. Acredita-se que grande maioria dos saurópodes que viviam aqui no Brasil eram propensos ao nanismo, ou seja, possuíam um tamanho reduzido em comparação com outras espécies de titanossauros conhecidas, como as da Argentina, por exemplo. O Trigonosaurus pricei, o Aeolosaurus e o Baurutitan britoi são as menores espécies de saurópodess encontradas no Brasil, com um comprimento variando entre 9 à 14 metros. Alguns pesquisadores acreditam que o tamanho reduzido fora decorrente da limitada existência de comida e fontes naturais para a subsistência destes animais.

Reconstrução do esqueleto de um Uberabatitan ribeiroi. Tal espécie
vivera onde atualmente se situa-se a Bacia Bauru, no Brasil.
Porém a Bacia Bauru não abrigou apenas saurópodes, mas também terópodes! Apesar de até o momento haver poucas espécies descritas e nomeadas. 
Como em qualquer ecossistema, se há herbívoros, com certeza haverá carnívoros. O que abrigava a Bacia Bauru era o avantajado abelissaurídeo Pycnonemosaurus nevesi, um terópode de 7 m de comprimento, que provavelmente caçava pequenos saurópodes ou animais de médio e pequeno porte.
Há também a existência de um provável maniraptora na Bacia Bauru, com o registro de uma garra isolada, alguns ossos desarticulados e diversos dentes; além de uma vértebra associada a um tipo de megaraptorídeo. Nesses dois casos a pouca quantidade de material impossibilita a descrição desses terópodes em si.

A Bacia Bauru em seu estado "natural". Na imagem o temível Pcynonemosaurus e o saurópode Maxakalisaurus.
Paleoarte por Maurílio Oliveira.

Já pensou futuramente anunciarem nos jornais que o resto do esqueleto deste maniraptor ou desse megaraptora foram encontrados?!
Espécies da Bacia Bauru conhecidas atualmente:
Saurópodes: Gondwanatitan faustoi, Antarctosaurus brasiliensis, Aeolosaurus maximus, Baurutitan britoi, Trigonosaurus pricei, Maxakalisaurus topai, Adamantisaurus mezzalirai, Uberabatitan ribeiroi e Brasilotitan nemophagus.
Terópodes: Pycnonemosaurus nevesi, pelo menos um tipo de terópode maniraptor, um possível carcharodontosaurídeo e um terópode megaraptorídeo.
A Bacia do Araripe, o espetáculo dos carnívoros

Mundialmente conhecida como um dos sítios fossilíferos mais importantes do mundo, a Bacia do Araripe, localizada na Chapada do Araripe, possui um importante e imenso registro fóssil para a comunidade brasileira. E não é para menos: grandes espécies de dinossauros carnívoros habitaram a região da chapada (onde se situam-se os estados de Pernambuco, Piauí e Ceará) há 110 milhões de anos.
A chapada do Araripe, durante o início do Cretáceo, era uma depressão com um contato restrito com o mar, formando uma imensa laguna na qual se depositavam sedimentos. Atualmente a Chapada do Araripe possuí importantes fósseis que estão presentes em uma camada geológica chamada Grupo Santana (ou Fm. Santana, dependendo da proposta estratigráfica), que abriga uma infinidade de espécies fósseis de plantas, crocodilos, répteis, peixes, pterossauros e é claro... dinossauros!
Em relação à dinossauros, a bacia possui uma importante variedade de carnívoros, como dito anteriormente; principalmente os da família dos SPINOSAURIDAE! Sim, aqueles dinossauros carnívoros com um crânio semelhante ao de um crocodilos, cujo dorso de alguns apresentava uma incrível vela dorsal parecida como um leque.
Para você comparar, das quatro espécies de dinossauros conhecidas da Bacia do Araripe, duas são espinossaurídeos: o famoso Angaturama limai e o Irritator challengeri. Esses animais provavelmente viviam próximo à laguna 'pescando' peixes ou até mesmo capturando indefesos pterossauros que se alimentavam as proximidades desta.

Irritator challengeri, o famoso espinossaurídeo brasileiro.
Paleoarte por Maurílio Oliveira.
Além dos espinossaurídeos, a região do Araripe abrigava  também dois terópodes distintos. Um deles era pequeno, semelhante ao famoso Compsognathus da Alemanha: o Mirischia asymmetrica, um compsognatídeo de até 2 m de comprimento, que se abrigava nos arredores da laguna alimentando-se provavelmente de insetos e pequenos répteis.

Vista da Chapada do Araripe no sertão brasileiro. Autor desconhecido.
Por fim temos o mais famoso dinossauro da bacia, o Santanaraptor placidus, um terópode de pequeno porte pertencente a família Tyrannosauroidea.
O Santanaraptor foi uma descoberta extraordinária, até porque seus únicos restos isolados foram encontrados com tecidos moles - uma rara e incrível preservação de cartilagens que ocorrem apenas quando existem preservações excepcionais. Tal descoberta possibilita que os paleontólogos não parem de estudar a bacia, à procura de novas descobertas... 


A Bacia São Luís-Grajaú, o "mundo perdido", por assim dizer


Quem diria que o estado do Maranhão possuiria um dos mais importantes sítios fossilíferos do Brasil, onde a cada metro quadrado você pode acabar encontrando um fóssil? Pois é! As rochas cretácicas dessa bacia de São Luís-Grajaú  datam dentre 113 e 97 milhões de anos (meio do Cretáceo), e sua origem está atrelada a  fragmentação do antigo continente Gondwana, quando houve a separação da América do Sul e da África.

A bacia em si, abrigava um ecossistema completo, com répteis, vegetais, pterossauros, peixes, anfíbios e é claro dinossauros! Até o momento, para as duas unidades cretácicas da bacia são conhecidas pelo menos duas espécies de dinossauros saurópodes, o Amazonsaurus maranhensis e Rayosaurus;duas espécies de grandes dinossauros terópodes, um da família do Carcharodontosaurus, identificado por meio de dentes, e o famoso espinossaurídeo gigante, Oxalaia quilombensis, além de uma atribuição de um dente isolado ao terópode do gênero Masiakasaurus, um animal de aspecto bizarro encontrado também na África.
Espero que tenham gostado de viajar no tempo para conhecer o Brasil da era dos dinossauros!

REFERÊNCIAS

Anelli, Luiz E.
O guia completo dos dinossauros do Brasil / Luiz E. Anelli; ilustrações de Felipe Elias. -- São Paulo: Peirópolis, 2010.

First Brazilian carcharodontosaurid and other new theropod dinosaur fossils from the Campanian–Maastrichtian Presidente Prudente Formation, São Paulo State, southeastern Brazil:
Rodrigo P. Fernandes de Azevedo  Felipe Medeiros Simbras  Miguel Rodrigues Furtado  Carlos Roberto A. Candeiro  Lílian Paglarelli Bergqvist

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