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quinta-feira, 10 de março de 2016



“IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E POTENCIAL DIDÁTICO DA ORIGEM DAS ESPÉCIES”

Marcus Vinicius Cabral

 

Resumo – A teoria da evolução foi a principal revolução científica na história da biologia e os seus impactos ainda produzem consequências. A ideia de evolução estava no ar quando Charles Darwin publicou seu livro “A origem das espécies” em 1859: um ano antes ele recebeu um artigo escrito por Alfred Russell Wallace com ideias similares. Durante os anos que se seguiram à publicação de “A origem das espécies” a maioria dos biólogos do mundo se convenceu da veracidade da evolução das espécies. Isto mostra a competência de Darwin como escritor e como cientista. A estrutura, a argumentação e o principal objetivo do autor neste livro foram convencer o leitor sobre a realidade da evolução dos seres vivos, apresentando evidências e fatos que comprovassem a teoria.Neste artigo, é discutida a importância de “A origem das espécies” na história da ciência. São também analisadas as possibilidades de uso deste livro como uma ferramenta educacional para uma melhor aprendizagem da ciência.

Abstract – The theory of evolution was the main scientific revolution in the history of biology and its impacts still produces consequences. The idea of evolution was in the air when Charles Darwin published his book “On the origin of species” in 1859: one year earlier he received a paper written by Alfred Russell Wallace with similar ideas. During the years following the publication of “On the origin of species”, most biologists of the world become converted to the evolution of species. This shows the competence of Darwin as a writer and as a scientist. The structure, the argumentation and the main objective of the author in this book were to convince the reader about the reality of the evolution of living beings, showing evidences and facts that could support the theory. In this paper the importance of “On the origin of species” in the history of science will be discussed. It is also analyzed the possibilities of using this book as an educational tool to a better learning of science.


1.            INTRODUÇÃO

O livro “A origem das espécies” foi originalmente publicado no ano de 1859 na Inglaterra por Charles Darwin (1809-1882). O autor escreveu este livro já na sua fase intelectual madura muito tempo após – mais de duas décadas – ter viajado por 5 anos (1831-1836) no navio de pesquisa Beagle pelo mundo todo, inclusive pelo Brasil. Este perfil de Darwin como um cientista “viajante” seguramente inspirou muitos jovens cientistas ao longo da história e serviu de exemplo para muitos que queriam ao mesmo tempo aprender uma nova disciplina e conhecer lugares, povos e culturas diferentes.

                Darwin nasceu de uma família pertencente à elite social e intelectual de sua época. Seu pai, Robert Darwin (1766-1848), era médico, mas a maior influência familiar que teve foi de seu avô, Erasmus Darwin (1731-1802), que além de também ser médico, foi um inventor, um poeta e um investigador de espírito livre que por meio de seu livro “Zoonomia” antecipou muitas das ideias evolucionárias. A leitura deste livro deve ter provocado um grande impacto no jovem Darwin e suas ideias devem ter adquirido guarida na mente de Darwin de forma a amadurecerem e  florescerem anos mais tarde. Darwin, influenciado pelo seu pai, estudou na universidade inicialmente medicina e posteriormente teologia, mas sua paixão pela história natural haveria de se manifestar durante a célebre viagem no HMS Beagle. Mesmo tendo tido esta experiência eclesiástica quando jovem, a morte de sua filha mais velha, Annie – quando ela era criança – contribuiu para que Darwin se tornasse cada vez mais convictamente agnóstico.

                As primeiras formulações estruturadas da sua teria da evolução pela seleção natural ocorreram a Darwin em 1838. A contundência de suas conclusões se manifesta em seus célebres Cadernos de notas iniciados um ano antes; os dois exemplos a seguir demonstram bem isto: “A origem do homem foi demonstrada. A metafísica deve progredir. Aquele que compreender o babuíno contribuirá mais à Metafísica que  Locke” e “O diabo, sob a forma de um babuíno é nosso ancestral”.

                “A origem das espécies” é um livro que após cerca de um século e meio de seu lançamento continua sendo um divisor de águas na história da ciência e seu impacto na sociedade pode ser comparado com o trabalho realizado por Copérnico e por Galileu que lograram retirar a Terra do centro do universo. Darwin completou de certa forma o trabalho de ambos, retirando o homem do centro da história da vida na Terra! Se o antropocentrismo, na sua versão astronômica, foi derrubado por Copérnico e Galileu, na sua versão biológica foi derrubado por Darwin. Ou seja, de acordo com a evolução, a espécie humana é apenas mais uma dentre milhões de outras espécies, com uma adaptação bastante interessante (o cérebro bem desenvolvido), mas que, por exemplo, em certo sentido não pode ser considerada melhor adaptada à Terra do que as bactérias. Darwin de certa forma evidencia a nossa animalidade quando esclarece a nossa ancestralidade comum com os outros animais; ele procurou estudar e observar a natureza naquilo que poderia unificar toda a diversidade biológica existente sobre a Terra: desta forma (Mayr, 1998), ele seguiu a tradição de filósofos gregos como Tales, Anaximandro, Anaxímenes e Demócrito.

Até hoje o darwinismo continua provocando interpretações ideológicas equivocadas – haja visto o nazismo, o hiper-capitalismo selvagem e toda a sorte de tentativas de determinismos biológicos – e reações de incompreensão religiosas – como parece demonstrado pelo incômodo que provoca em algumas denominações religiosas. Thomas Kuhn (1975) em seu “A estrutura das revoluções científicas” já salientara a importância das quebras de paradigmas e das descontinuidades na história da ciência; seguramente o trabalho de Darwin pode ser encarado como a grande mudança de paradigma que ocorreu na história da biologia e ele mesmo tinha noção do caráter revolucionário de suas ideias: “quando as opiniões que expus nesta obra (...) forem geralmente aceitas pelos naturalistas, podemos prever que se produzirá na história natural uma importante revolução”. Muitos consideram a evolução a ideia científica mais importante de todo a história da ciência. Alguns livros de divulgação científica têm salientado a sua importância na história da ciência. Charles Wynn e Arthur Wiggins (2002) classificam a teoria da evolução como uma das cinco maiores ideias da ciência em todos os tempos. Na mesma linha, David Brody e Arnold Brody (1999) incluem a evolução como uma das sete maiores descobertas científicas da história.

                Particularmente, o último capítulo “Recapitulações e Conclusões” de “A origem das espécies” é bastante elucidativo do estilo e dos objetivos de Darwin (2003) e desta forma focaremos este capítulo com mais intensidade neste trabalho, sobretudo porque em um trabalho pedagógico com estudantes é bastante razoável utilizar este último capítulo como leitura por meio da qual os alunos poderão reconstruir a teoria da evolução a partir das palavras escritas pelo próprio Darwin. Todos os trechos de “A origem das espécies” citados neste trabalho foram retirados do último capítulo deste livro.
“A origem das espécies” é um documento ao mesmo tempo científico e de divulgação científica, ou seja, tem como objetivo explicar, convencer e disseminar as ideias evolucionárias de Darwin. Seu nome original foi “A origem das espécies por meio da seleção natural, ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida”, posteriormente reduzido à parte inicial deste título - em inglês “On the origin of species”. Neste presente trabalho trabalharemos com a edição realizada pela Editora Hemus, com tradução de Eduardo Fonseca.
                A Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos definiu a noção de alfabetização científica da seguinte forma: “Alfabetização científica é o conhecimento e a compreensão dos conceitos e processos científicos requeridos para a tomada de decisões pessoal, para a participação em assuntos cívicos e culturais e para a produtividade econômica”. Paralelamente, nos últimos anos no mundo todo vem crescendo a importância dada à história da ciência no que diz respeito à estruturação de uma educação científica efetiva e significativa nas escolas de educação básica em geral (Solomon, 1992; Matthews, 1994). Particularmente, no que diz respeito às possibilidades de mudanças conceituais em estudantes, a História da Ciência se mostra como um terreno bastante fértil como é salientado por Jensen e Finley (1995). Assim sendo, pode-se afirmar que a história da ciência constitui-se em uma verdadeira “pedagogia da ciência” que permite tentar compreender como outras gerações construíram o conhecimento científico acumulado até hoje. Usar a história da ciência para iluminar o ensino de disciplinas científicas (Bizzo, 1991) é uma estratégia de ensino que vem se ampliado no mundo todo e, no Brasil, os Parâmetros Curriculares Nacionais enfatizam explicitamente a importância da História da Ciência na educação básica dos jovens.
                Ítalo Calvino em seu livro “Por que ler os clássicos” afirma: “Os clássicos são livros que exercem uma influência particular quando se impõem como inesquecíveis e também quando se ocultam nas dobras da memória, mimetizando-se como inconsciente coletivo ou individual”. Calvino está se referindo aqui aos clássicos da literatura universal. Entretanto, o seu raciocínio vale também para alguma obras científicas clássicas como “A origem das espécies” que provocam “incessantemente uma nuvem de discursos críticos sobre si, mas continuamente as repele para longe” (Calvino, 1993). Assim sendo, é importante na formação científica dos cidadãos também ler um pouco dos clássicos da ciência.

A versão integral em inglês do livro “A origem das espécies” encontra-se a disposição de quem desejar consultá-la na internet no sítio http://pages.britishlibrary.net/charles.darwin/texts/origin1859/origin06.html. Isto demonstra que o acesso aos documentos originais está tornando-se cada vez mais fácil. Obviamente, aqui no Brasil há a dificuldade da língua, mas isto também ocorre para os livros – em papel – em geral: com o tempo, o acesso às traduções para o português dos textos originais com certeza será ampliado em nosso país.

Muitos autores têm sistematicamente salientado a importância do trabalho pedagógico com textos originais – ou seja, que foram escritos pelos próprios cientistas que estabeleceram novos paradigmas na ciência – em contraposição ao uso exclusivo dos manuais científicos e dos livros didáticos. Estes últimos, muitas vezes, de forma a simplificar um determinado conteúdo, acabam sacrificando a compreensão do contexto histórico no qual uma determinada idéia surgiu e a compreensão do processo real de construção de novas teorias por parte dos cientistas ao longo da história, processo este que quase sempre está longe da linearidade ingênua dos manuais. Nas palavras de Thomas Kuhn: “As coleções de ‘textos originais’ têm um papel limitado na educação científica. Igualmente, o estudante de ciência não é encorajado a ler os clássicos de história do seu campo - obras onde poderia encontrar outras maneiras de olhar as questões discutidas nos textos, mas onde também poderia encontrar problemas, conceitos e soluções padronizadas que a sua futura profissão há muito pôs de lado e substituiu”. (Kuhn, 1974). Compreender o contexto no qual uma idéia científica desenvolveu-se é uma necessidade se o objetivo for o de uma alfabetização científica efetiva: para isto, o contato direto com as fontes primárias – textos originais – é fundamental.

As obras de Darwin devido ao seu estilo claro de escrever são bastante acessíveis ao leitor mediano e podem desta forma ser indicadas como uma excelente introdução às suas ideias; particularmente salientamos aqui outros quatro livros de Darwin traduzidos para o português: “Viagem de um naturalista ao redor do mundo”, “A expressão das emoções no homem e nos animais”, “A origem do homem e a seleção sexual” e “Auto-biografia, 1809-1882”.

Darwin concebeu a sua teoria da evolução pela seleção e adaptação cerca de 20 anos antes da publicação de “A origem das espécies”, mas manteve-a “engavetada” temendo as reações da sociedade em geral às suas ideias –  tinha como referência o impacto que as idéias heliocêntricas de Galileu Galilei e Giordano Bruno tinham causado mais de dois séculos antes – e também receando, segundo muitos historiadores, pela reação de sua própria esposa que era muito religiosa. Somente resolveu publicar seu trabalho quando recebeu em 1958 um artigo escrito por Alfred Russel Wallace (1823-1913) e que tinha ideias muito próximas às suas – se não publicasse sua teoria, isto poderia comprometer uma futura alegação de primazia sobre a teoria da evolução, pois na ciência a publicação de um trabalho, tornando públicas as suas ideias, costuma ser o critério decisivo de consagração científica. Com certeza Darwin conhecia a polêmica sobre a invenção ou descoberta do cálculo diferencial e integral envolvendo Leibniz e Newton: este último, assim como Darwin, não publicou imediatamente suas ideias sobre o cálculo e teve que lidar posteriormente com uma contenda aguda com Leibniz sobre quem dentre os dois teria criado a primeira versão do cálculo (Hellman, 1999).

                A evolução é o eixo unificador de toda a biologia moderna, ou, como já foi mais de uma vez dito, a evolução é que transformou a biologia de uma “coleção de selos” em ciência no sentido estrito, articulando e contextualizando toda a imensa diversidade biológica existente na Terra.

                Darwin teve dois predecessores importantes: Jean-Baptiste Lamarck (1744-1829) e Charles Lyell (1797-1875). À idéia de Lamarck de progressão como aperfeiçoamento – a partir da transmissão dos caracteres adquiridos) – Darwin propôs a idéia de descendência com modificação; entretanto esta constatação não pode de maneira alguma desmerecer o papel justo de Lamarck de vanguardista das idéias sobre a evolução biológica. Adicionalmente, é importante salientar que outras formas de evolução, como a evolução cultural das sociedades em geral, são na sua essência lamarckianas como argumenta Stephen Jay Gould (2001): “Contudo, a mudança cultural, de maneira oposta e radical, é potencialmente lamarckiana em seu mecanismo básico. Qualquer conhecimento cultural adquirido em uma geração pode passar diretamente para a seguinte pelo que chamamos, uma palavra muito nobre, educação”. Mesmo Darwin não pode rejeitar por completo as ideias de Lamarck, pois não conhecia ainda a genética, ciência que explica a hereditariedade e a herança das características dos seres vivos e que só se estabeleceria após a divulgação dos trabalhos de Gregor Mendel (1822-1884). Darwin foi muito influenciado também pela proposta de Lyell (1997) de que a superfície terrestre está se modificando vagarosamente devido a forças que exerceram e ainda exercem uma ação constante e gradual ao longo do tempo. Ele leu a principal obra de Lyell, Princípios de Geologia, durante a viagem no HMS Beagle. A própria constatação de Darwin de que no alto da cordilheira dos Andes existiam fósseis marinhos, levou-o a refletir que se a superfície terrestre está em lenta transformação, o mesmo poderia acontecer com as formas de vida na Terra. Em seu diário da viagem no HMS Beagle – “Viagem de um naturalista ao redor do mundo” – Darwin afirma com convicção e ao mesmo tempo surpresa: “notei que em Valparaíso encontram-se conchas semelhantes numa altitude de 3900 metros: quase não é possível duvidar-se de que essa grande elevação se tivesse processado no decurso de pequenos soerguimentos sucessivos, como o que se seguiu ou causou o terremoto deste ano, ao mesmo tempo que se operara pela elevação lenta imperceptível que deve certamente estar-se processando em algumas partes desta costa [do Chile]”.

2. ANÁLISE DO CAPÍTULO “CONCLUSÕES E RECAPITULAÇÕES” DE “A ORIGEM DAS ESPÉCIES”

                O principal objetivo de Darwin nas conclusões de “A origem das espécies” é ressaltar os argumentos favoráveis e destruir aqueles desfavoráveis às suas teses. Didaticamente, ele faz o papel de promotor contra as suas próprias idéias, para poder contra-argumentar livremente: “Em primeiro lugar, nada me parece mais difícil do que acreditar no aperfeiçoamento dos órgãos e dos mais complicados instintos, não por artifícios superiores, embora semelhantes à razão humana, mas por acumulação de inúmeras e pequenas variações, todas vantajosas ao seu possuidor humano.” Mas é ao leitor comum, com os conceitos e preconceitos da época, que Darwin deve convencer e ele o faz de forma bem articulada. Para isso ele se posiciona no papel do leitor e do seu “bom senso”. A propósito, Einstein posteriormente disse de forma irônica: “bom senso é o conjunto de todos os preconceitos que adquirimos durante nossos primeiros dezoito anos de vida”; na ciência, o senso comum é algo que deve ser visto com cuidado. Mas se Darwin evidencia os argumentos contrários, é para neutralizá-los na resposta à indagação anterior: “esta dificuldade, ainda que parecendo insuportável à nossa imaginação, não poderia ser considerada válida se se admitirem as seguintes proposições: todas as partes do organismo e todos os instintos oferecem pelo menos diferenças individuais; a luta constante pela sobrevivência determina a conservação dos desvios de estrutura ou de instinto que podem ser vantajosos; e, finalmente, gradações no estado de perfeição de cada órgão, todas boas por si mesmas, podem ter existido. Não creio que se possa fazer objeção à verdade destas proposições”. Percebe-se que todo o raciocínio lógico é utilizado de forma a servir à argumentação principal do autor e sustentar da melhor forma a sua hipótese de trabalho. As tentativas de atacar a si mesmo que permeiam todo o texto, demonstram que seus interlocutores preferenciais são aqueles que ou ainda não estavam convencidos ou que não conheciam a teoria da evolução; quando Darwin afirma que “há, deve reconhecer-se, casos particulares difíceis que parecem contrários à teoria da seleção natural” ele está tentando estabelecer um diálogo com este tipo de interlocutor, ou seja, a empatia proposta é para com aqueles que ainda não estão convencidos a respeito da evolução.
Darwin evidencia a questão da cronologia das eras terrestres como fundamental para a hipótese da evolução em contraposição à visão estática das sagradas escrituras: “A crença na imutabilidade das espécies era quase inevitável, tanto que se não atribuía à história da Terra senão uma duração muito curta e agora que adquirimos algumas noções do intervalo decorrido, admitimos prontamente e sem provas, que os documentos geológicos são bastante eficientes para nos fornecer a demonstração evidente da mutação das espécies, se essa mutação realmente se realizou”. Aproximando-se de seu leitor, Darwin expõe, em seguida, a grandiosidade da quantia de um milhão de anos, incomensurável ainda hoje para muitas pessoas: “O espírito não pode conceber toda a significação deste termo: um milhão de anos, nem saberia, com efeito, adicionar nem perceber os efeitos completos de muitas variações pequenas, acumuladas durante um número quase infinito de gerações”.
Um obstáculo à teoria de Darwin (Hellman, 1999) era a previsão feita em 1846 pelo físico William Thompson – que mais tarde foi elevado à nobreza com o título de Lorde Kelvin – de que a idade da Terra, a partir de cálculos termodinâmicos sobre o seu resfriamento ao longo dos tempos, seria de cerca de 100 milhões de anos, um tempo muito exíguo para a ação da evolução. Darwin corretamente aposta na precariedade científica desta previsão: “Quanto à objeção levantada por sir William Thompson, uma das mais sérias de todas (...) muitos cientistas estão dispostos a admitir que não temos conhecimento suficiente da constituição do universo e do interior da Terra para raciocinar com precisão sobre sua idade”. Foi somente a descoberta da radioatividade no final do século XIX que permitiu corrigir o erro de Thompson e estimar a idade da Terra como sendo de cerca de 4,6 bilhões de anos.
Darwin aposta corretamente no desenvolvimento da paleontologia e da astronomia, que se realizou com grande intensidade no século XX. Ele prevê também o desenvolvimento da genética - “Um vasto campo de estudos e apenas trilhado será aberto sobre as causas e as leis da variabilidade” – e da geologia - “no decurso imenso de épocas remotas houve grandes emigrações nas diversas partes da Terra, devidas a numerosas alterações climatéricas e geológicas”. Mesmo sem conhecer os mecanismos genéticos pelos quais a hereditariedade atua, Darwin esperava que o tempo desse conta disto e chegou a argumentar, por analogia, que o próprio Newton – que postulara a Lei da Gravitação Universal – não podia mostrar realmente o que era a gravidade.
Darwin é um otimista diante do desenvolvimento científico: “Entrevejo, num futuro remoto, caminhos abertos a pesquisas muito mais importantes ainda”. Percebe-se entretanto que, na tentativa de convencer o leitor, a visão apresentada acerca da seleção natural adquire um ar “finalista”: “Como a seleção natural atua apenas para o bem de cada indivíduo, todas as qualidades corporais e intelectuais devem tender a progredir para a perfeição”. A retórica e a oratória do autor – com o objetivo de convencer o leitor – imprimem ao seu texto a tão polêmica idéia de progresso que estaria subjacente à noção de evolução de acordo com um raciocínio teleológico bastante atraente: “acreditar que existe um propósito em toda a atividade evolutiva, como se toda a criação estivesse lutando para atingir uma perfeição” (Fortey, 2000). Deve se ter um grande cuidado com este tipo de pensamento comum sobre a evolução, pois ela “não tem finalidade, não é progressiva e é materialista” (Gould, 1992).
                Percebendo bem os pontos de sua teoria que seriam postos a prova pelos críticos, Darwin resolve refutá-los em sua linha de argumentação salientando a sutileza de suas idéias e ao mesmo tempo a exigüidade das evidências experimentais na época. O estilo de argumentação ao longo de todo o texto é guiado pelo princípio da refutabilidade defendido por Karl Popper, segundo o qual qualquer hipótese que tenha a pretensão de ser científica tem que ser potencialmente refutável em termos experimentais. Este é o caso da polêmica questão das “gradações” existentes entre as diferentes espécies. Darwin apresenta o problema e contra-argumenta, apresentando casos específicos que têm uma explicação mais complexa: “porém, notamos na natureza gradações tão esquisitas, que devemos ser muito compreensivos antes de afirmar que um órgão, ou um instinto, ou mesmo toda a conformação não atingiria o seu estado atual percorrendo um grande número de fases intermediárias. Há, deve reconhecer-se, casos particulares difíceis que parecem contrários à teoria da seleção natural; um dos mais curiosos é, sem dúvida, a existência, no mesmo formigueiro, de duas ou três castas definidas de obreiras ou fêmeas estéreis. Tentei fazer compreender como se chega a explicar este gênero de dificuldades”. Em um outro trecho ele retoma a questão: “Por que é que as nossas coleções de fósseis nos não fornecem a prova evidente da gradação e das mutações das formas viventes?” Darwin responde com as limitações científicas de então: “não se explorou geologicamente mais que uma minúscula parte da Terra” e “não temos conhecimento suficiente da constituição do universo e do interior da Terra para raciocinar com precisão sobre a sua idade.” Sobre as possíveis evidências experimentais da evolução, Darwin aposta no futuro, acertadamente, como viria a ser confirmado no último século e meio de pesquisas: “Só responderei a estas questões e contornarei estas dificuldades, supondo que os arquivos geológicos sejam bem mais incompletos do que geralmente o admitem os geólogos”.
Até mesmo os títulos de alguns capítulos de “A origem das espécies” evidenciam a importância de refutar os argumentos e as possíveis evidências contrárias à evolução: “Insuficiências dos documentos geológicos”, “Dificuldades surgidas contra a hipótese de descendência com modificações” e “Contestações diversas feitas à teoria da seleção natural”.
Um outro critério que define a argumentação de Darwin é o da simplicidade das explicações, também conhecido como “navalha de Occam” (Hyman, 1973), devido ao monge franciscano William de Ockham (1285-1349), segundo o qual a pluralidade de explicações ou de causas não deve ser colocada sem necessidade ("Pluralitas non est ponenda sine neccesitate"). Darwin usando desta navalha argumenta: “Muitos cientistas afirmaram que é tão fácil acreditar na criação de centenas de milhões de seres como na criação de um só; porém em virtude do axioma filosófico de a menor ação, por Malpertuis, o espírito é levado mais voluntariamente a aceitar o menor número, e não podemos certamente crer que uma quantidade inúmera de formas da mesma classe tenha sido criada com os sinais evidentes, mas ilusórios, da sua descendência de um mesmo antepassado”. Ou seja, Deus não poderia ser um grande “enganador”.
As ideias de Thomas Malthus e de Adam Smith e o linguajar tipicamente econômico aparecem claramente em muitas partes do texto: “a luta pela sobrevivência é uma consequência inevitável da multiplicação geométrica de todos os seres organizados”; “de modo a poderem apoderar-se do maior número de lugares diferentes na economia da natureza”; “como a seleção natural atua em meio à concorrência”; “[as espécies] sejam vencidas e substituídas por produtos vindos de outras regiões.” O contexto em que Darwin viveu, com a Inglaterra – e sua visão hegemônica de mundo – em grande expansão, seguramente está fortemente relacionado à linha de argumentação adotada em suas exposições.
O diálogo que Darwin trava em seu livro se dá muitas vezes também com os velhos naturalistas de sua época, mas a esperança está sempre dirigida à nova geração de pesquisadores: “Alguns naturalistas dotados de inteligência aberta e disposta a pôr em dúvida a imutabilidade das espécies podem ser influenciados pelo conteúdo deste volume, porém tenho mais confiança no futuro dos novos naturalistas, que poderão estudar imparcialmente as duas facetas da questão”. Ele parece assim seguir a risca o dito popular de que uma idéia só morre quando morre a geração de homens que a defendia. Darwin utiliza-se das evidências experimentais colecionadas ao longo da sua vida, mas sempre cuidadosamente, pois nas suas palavras “a analogia pode ser um guia enganador”. Os exemplos dados são sempre instigantes, convincentes e plenos de detalhes: “A disposição semelhante nos ossos na mão humana, na asa do morcego, na barbatana do golfinho e na perna do cavalo; o mesmo número de vértebras no pescoço da girafa e no do elefante; todos estes fatos e um sem-número de outros semelhantes explicam-se facilmente pela teoria da descendência com modificações contínuas, lentas e ligeiras”.
                Darwin mesmo se pergunta simulando indignação: “Até onde, poderão perguntar-me, levais vós a vossa doutrina da modificação das espécies?” Após vários argumentos, ele chega à conclusão contrária obviamente a “velha crença na criação das espécies através do barro”: “devemos admitir também que todos os seres organizados que vivem ou que viveram na Terra podem originar-se de uma só forma original”. Todos nós, seres vivos terrestres, descendemos de uma forma original só: eis aqui uma das mais fortes conclusões do darwinismo e de sua concepção de mundo! E também a fonte da reação às suas ideias por parte de muitos grupos religiosos. Como evidências experimentais desta ancestralidade única, Darwin argumenta que “todas as formas de vida apresentam muitos caracteres comuns: a composição química, a estrutura celular, as leis do crescimento e a faculdade que têm de ser prejudicadas por determinadas influências nocivas”. Em seu outro livro, “A expressão das emoções no homem e nos animais” Darwin argumenta no mesmo sentido de uma ancestralidade única, mas desta vez referindo-se explicitamente ao ser humano: “Vimos que o estudo da teoria das expressões confirma até certo ponto a conclusão de que o homem descende de alguma forma animal inferior, e reforça a crença na unidade específica ou subespecífica das inúmeras raças”.
                Newton é o modelo de cientista com o qual Darwin se identifica na luta contra a Igreja: “a maior descoberta que o homem efetuou, a lei da atração universal, foi também atacada por Leibniz como subversiva da religião natural, e nestas condições da religião revelada”. Inclusive nos desafios postos pelo senso comum e pelos objeções de todo tipo, Darwin cita Newton para se defender: “Ninguém hoje, contudo, se recusa a admitir todas as conseqüências que ressaltam de um elemento desconhecido, a atração, embora Leibniz tivesse outrora censurado Newton de ter introduzido na ciência ‘propriedades ocultas e milagres’”. Mas a mensagem é também de conciliação religiosa: “Não vejo razão nenhuma para que as opiniões expostas neste volume firam o sentimento religioso de quem quer que seja (...) Um famoso eclesiástico escrevia-me um dia, que acabara por compreender que acreditar na criação de algumas formas capazes de se desenvolver por si mesmas em outras formas necessárias, é ter uma concepção bem mais elevada de Deus, do que acreditar que houvesse necessidade de novos atos de criação para preencher as lacunas causadas pela ação das leis estatuídas”. O final de seu livro, a este respeito, também é diplomático: “Não há uma verdadeira grandeza nesta forma de considerar a vida, com os seus poderes diversos atribuídos primitivamente pelo Criador a um pequeno número de formas, ou mesmo a uma só? Ora, enquanto o nosso planeta, obedecendo à lei fixa da gravitação, continua a girar na sua órbita, uma quantidade infinita de belas e admiráveis formas, originadas de um começo tão simples, não cessou de se desenvolver e desenvolve-se ainda!”
A cautela de Darwin em publicar “A origem das espécies” se deve ao impacto de suas conclusões evolucionárias sobre o edifício explicativo da natureza construído ao longo dos séculos pela Igreja. Por outro lado estas mesmas conclusões evolucionárias também foram (e ainda o são) interpretadas por muitos de forma a servir de legitimação para o sistema econômico capitalista ou mesmo para ideologias de extrema-direita. Existiram também tentativas de interpretação política das idéias darwinistas sob o ponto de vista de outras tendências políticas; Engels, por exemplo, na tentativa de legitimar cientificamente o marxismo, argumentou por analogia que assim como Darwin havia descoberto a lei do desenvolvimento da natureza orgânica, Marx descobrira a lei do desenvolvimento da história humana: a história humana, assim como a história natural, teria uma explicação científica! É conhecido, a propósito, o fato de que Marx desejou dedicar “O Capital” a Darwin. Bernard Cohen (1985) também relaciona o trabalho de Darwin ao de Marx: “We shall see that Karl Marx even foresaw an evolutionary history of technology or invention, in which Darwinian concepts introduced for animal organs would be used in analyzing the development of human tools”.
                Darwin não foi o primeiro a ter ideias evolutivas sobre a vida na Terra, como argumenta Stephen Jay Gould (1989): “Sabemos que a singularidade de Darwin não reside no seu apoio à ideia de evolução - inúmeros cientistas o precederam nesse aspecto”. O impacto de “A Origem das espécies” se deve em primeiro lugar ao detalhamento experimental dos dados científicos expostos por Darwin para fundamentar as suas teses – com o recebimento em 1864 da medalha Copley, a mais alta comenda científica da época, seguiu-se o reconhecimento quase unânime do mundo científico. A aceitação científica rápida de sua teoria esteve obviamente relacionada ao clima fértil social, política e economicamente para que tais ideias vicejassem, tanto na sociedade em geral, quanto conseqüentemente na mente das pessoas.

3.            CONCLUSÕES


                A extensão da obra, a variedade de exemplos, o estilo da escrita e o vigor dos argumentos nos mostram que “A origem das espécies” fui cuidadosamente elaborada por Darwin que sabia bem o impacto social das hipóteses subjacentes. Michael Rose (2000) ressalta o estilo didático de Darwin: “A Origem tornou-se um marco histórico: um livro que revolucionou um grande campo científico, mas que os leigos inteligentes podem ler com proveito. A Origem é notável porque expõe diretamente a estrutura de suas teses, e também pelo fato de que os pretensos adversários destas são despachados com refutações substantivas”.
A dificuldade em aceitar a evolução por parte de muitos seguramente não se deve à sua complexidade já que a base da evolução por meio da seleção natural é lógica e simples, baseando-se em duas premissas e uma conclusão (Gould, 1992): 1a premissa – os organismos variam e estas variações são herdadas pelos seus descendentes; 2a premissa – os organismos produzem uma quantidade de descendentes maior do que a quantidade de organismos que realmente pode sobreviver; conclusão – na média, os descendentes que herdaram variações que favorecem sua sobrevivência no meio ambiente em questão, sobreviverão por um maior tempo e se propagarão com maior intensidade. Em resumo: a seleção natural é o mecanismo básico que permite que a evolução de fato ocorra. Desta forma a teoria da evolução não é simplesmente uma teria do “acaso”, um mito acalentado sobretudo pelos seus críticos (Dawkins, 2001).
Aproximadamente 12 anos após o lançamento de “A origem das espécies”, Darwin publica em 1871 o seu livro “A origem do homem e a seleção sexual” abordando o “espinhoso” tema da aplicação da teoria da evolução para a nossa própria espécie humana e antecipando fatos sobre nossos ancestrais pré-humanos que só seriam comprovados no século XX. No final deste livro, mais particularmente no seu antepenúltimo parágrafo, Darwin cita seu primo Galton para sustentar ideias bastante próximas das propostas eugênicas (BIZZO, 1987): “Deveria abster-se de casar todo aquele que não tiver como sustentar os filhos, deixando-lhes um legado de abjeta pobreza (...) se o prudente evita casar-se, enquanto que o imprudente se casa, os elementos inferiores da sociedade tenderão a suplantar seus melhores representantes (...) A competição entre os homens deve ser aberta, não se justificando impedir os mais capazes, por meio de leis ou de costumes, de serem mais bem sucedidos em deixar um maior número de descendentes” (DARWIN, 2004). Ideias como estas, ao serem radicalizadas, serviram de legitimação ideológica pelas classes dominantes na sua época e posteriormente: a ideologia de que a seleção natural seria um modelo para a organização social – o darwinismo social e o hipercapitalismo – se disseminaria, infelizmente, ao longo do século XX pelo mundo afora. O nazismo bebeu também nesta fonte: basta lembrar que ao chegar ao poder, uma das primeiras decisões dos nazistas foi a de proibir casamento entre judeus e não-judeus. A propósito, o capítulo quatro de “A origem das espécies” denominado por Darwin “A seleção natural ou a perseverança do mais capaz” contém a afirmação básica – um “mantra” tantas vezes repetido – que potencializou interpretações reducionistas quando foi aplicado às sociedades humanas.
                “A origem das espécies” e todas as suas interpretações posteriores – equivocadas ou não – provocaram uma explosão de discussões e debates sobre a evolução demonstrando a característica revolucionária da hipótese darwinista de evolução pelo mecanismo da seleção natural. O fato de que até hoje estas discussões se mantém nos mostra a vitalidade e a força das idéias contidas neste livro. Bernard Cohen (1985) em seu livro “Revolution in science” afirma: “The darwinian revolution was probably the most significant revolution that ever occurred in the sciences, because its effects and influences were significant in many different areas of thought and belief”. Uma piada famosa evidencia bem o impacto da teoria da evolução no pensamento de muitas pessoas. Consta que, uma senhora inglesa do século XIX, ao dar-se conta das conseqüências da teoria da evolução teria afirmado ao seu marido: “Querido, vamos torcer para que as coisas que o senhor Darwin diz não sejam verdadeiras. Mas, se forem, vamos esperar que não caiam na boca do povo” (Zimmer, 2004). Não é sem espanto que o ensino da teoria da evolução foi, no passado, criminalizado em alguns estados dos EUA, coincidentemente nos estados de perfil mais religioso. Até hoje as críticas à evolução são provenientes especialmente de grupos fundamentalistas da maioria das religiões (Foley, 2003). Ensiná-la, como previu a senhora da piada, tornou-se de certa forma, um ato de subversão, neste contexto.

                A teoria de Darwin é a sua maneira uma perigosa ideia como sustenta Daniel Dennett (1999): “Quase ninguém é indiferente a Darwin, e nem deveria ser. A teoria darwiniana é uma teoria científica, e excelente, mas não é só isso. Os criacionistas que se opõe a ela tão acirradamente estão certos em um ponto: a perigosa ideia de Darwin vai muito mais fundo na estrutura de nossas crenças fundamentais do que muitos dos seus sofisticados apologistas já admitiram, mesmo para si próprios”. Assim sendo, Darwin até hoje causa em seus leitores as mais variadas reações e interpretações. Suas idéias evolucionárias enfrentam e enfrentaram ao mesmo tempo concepções espontâneas – como as lamarckistas –, contraposições religiosas – como as criacionistas – e distorções políticas – como as doutrinas fascistas. Para melhor fundamentar este embate, é necessário, desde cedo na educação básica das crianças e dos jovens, trabalhar o conceito de evolução como uma das ideias forças da ciência moderna de modo a formar cidadãos realmente alfabetizados cientificamente. Em termos didáticos, seus livros, e particularmente “A origem das espécies”, se configuram como excelente ferramenta pedagógica para o ensino da teoria da evolução, visto que podem esclarecer as ideias básicas desta teoria e ao mesmo tempo atingir e discutir algumas concepções equivocadas acerca do tema.


BIBLIOGRAFIA

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- BIZZO, Nélio. Ensino de evolução e história do darwinismo. São Paulo: Tese de Doutoramento - Faculdade de Educação da USP, 1991.
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- DARWIN, Charles. A origem das espécies. São Paulo: Editora Hemus, 2003.
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- WYNN, Charles M. E WIGGINS, Arthur W.. As cinco maiores idéias da ciência. São Paulo: Ediouro, 2002.
- ZIMMER, Carl. O livro de ouro da evolução – O triunfo de uma idéia. Rio de Janeiro: Ediouro, 2004.

Theodore Dobzhansky (geneticista): “Nada na biologia faz sentido a não ser sob a  luz da evolução”

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