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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Declínio de dinossauros começou 50 milhões de anos antes da extinção

Segundo estudo britânico, quando meteoro acabou com os grandes répteis, espécies mais antigas eram extintas em taxa acelerada

Quando o impacto de um meteoro acabou com os dinossauros, há 66 milhões de anos, eles já estavam em declínio evolutivo, rumo à extinção. A conclusão é de um novo estudo publicado nesta segunda-feira, 18, na revista científica PNAS.

A partir do fim do período Triássico, há cerca de 220 milhões de anos, os dinossauros tiveram uma enorme ascensão na evolução, com novas espécies surgindo em taxa acelerada, enquanto as espécies mais antigas eram extintas em uma taxa mais lenta.
 
Mas, segundo a nova pesquisa, realizada por cientistas das universidades de Reading e Bristol (ambas do Reino Unido), a sorte dos dinossauros começou a mudar há 115 milhões de anos - cerca de 50 milhões de anos antes de serem completamente extintos por um evento catastrófico.
Foto: Tuomas Kuoiruvinne
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Em reconstrução artística, dois daspletossauros lutam entre si, há 75 milhões de anos; segundo novo estudo, 50 milhões de anos antes da extinção dos dinossauros - há 66 milhões de anos, os grandes répteis já estavam em declínio
Os pesquisadores utilizaram análises estatísticas associadas a estudos de fósseis para descbrir que a taxa de extinção das espécies de dinossauros já era acelerada muito antes da extinção.
De acordo com os autores do estudo, a descoberta foi inesperada. Até agora, os paleontólogos acreditavam que os grandes répteis estavam em pleno florescimento quando foram exterminados pela queda de um meteoro com quase 10 quilômetros de extensão, que produziu uma cretera de 180 quilômetros de diâmetro na região onde atualmente fica o Golfo do México.
 
"Não estávamos esperando esse resultado. O impacto do asteroide ainda é o primeiro candidato a causa do desaparecimento final dos dinossauros, mas ficou claro que eles já haviam passado de seu apogeu, no sentido evolutivo", disse o coordenador do estudo, Manabu Sakamoto, da Universidade de Reading.
Segundo Sakamoto, o estu
do revoluciona a compreensão sobre a evolução dos dinossauros. "Nosso trabalho é de alto impacto porque irá mudar nossa compreensão sobre o destino dessas poderosas criaturas. Embora um apocalipse repentino possa ter sido o último prego no caixão, algum outro fator já estava impedindo a evolução dos dinossauros em novas espécies, à medida que as mais antigas desapareciam", explicou Sakamoto.
De acordo com outro autor do estudo, Mike Benton, da Universidade de Bristol, todas as evidências indicam que os dinossauros, que já dominavam os ecossistemas terrestres por 150 milhões de anos, perderam de alguma forma sua capacidade de produzir novas espécies com a rapidez necessária para evitar a extinção. 
"Isso provavelmente contribuiu para reduzir a capacidade deles para se recuperar da crise ambiental causada pelo impacto do meteoro", disse Benton.

Desastre ecológico. A teoria mais aceita atualmente para a extinção dos dinossauros foi o impacto do asteroide que, há 66 milhões de anos, lançou milhões de toneladas de poeira na atmosfera, obscurecendo o Sol, causando um resfriamento global de curto prazo e provocando uma ampla perda de vegetação. 
Com tamanho desastre ecológico, acabou a abundância de plantas que alimentavam os grandes animais  herbívoros, reduzindo também o estoque de alimentação de seus predadores.
O novo estudo sugere que outros fatores, como a fragmentação de grandes massas de terras continentais, ou uma atividade vulcânica continuada , podem ter influenciado também o declínio gradual dos dinossauros.
 
Chris Venditti, da Universidade de Reading, outro dos autores do estudo, explica que o declínio dos dinossauros observado no estudo teve implicações também para outros grupos de animais. 
"O declínio dos dinossauros deve ter deixado muito espaço para os mamíferos, que floresceram antes do impacto do meteoro, possibilitando que eles substituíssem os dinossauros como animais dominantes na Terra", afirmou Venditti.

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