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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O que você não sabe sobre Darwin

Charles Darwin revolucionou a ciência ao apresentar sua teoria evolutiva pela seleção natural. O que muitos desconhecem é que o naturalista tinha um grande fascínio pelas rochas e pelas modificações na superfície do planeta.
Durante a expedição a bordo do navio H.M.S. Beagle, Charles Darwin realizou uma série de observações científicas. Ele coletava amostras de rochas, fósseis, animais e plantas. Após o seu regresso ele organizou suas anotações e produziu diversos livros, sendo "A origem das espécies" o mais conhecido.
Em seus primeiros livros, como em "Viagem de um naturalista ao redor do mundo" e "Observações geológicas em ilhas vulcânicas", o então jovem naturalista focava bastante seus estudos nas rochas e nos fósseis. Esse foco não foi em vão, pois ele passou a compreender e aceitar que o planeta possuía uma idade muito maior do que a defendida pela igreja na época.

 Da geologia para a teoria da seleção natural

 Em seus estudos sobre as ilhas vulcânicas Darwin interpretou os processos geológicos que atuaram na formação do relevo. Com isso ele passou a perceber que a superfície do planeta estava em constante modificação. Não bastasse isso, ele ainda propôs uma teoria sobre a formação dos recifes de corais e atóis, bem como os mecanismos de soerguimento das ilhas através de injeções de magma.

"Eu encontrei na Geologia um interesse que nunca acaba. Ela cria grandes ideias em relação a este mundo, da mesma forma como a Astronomia faz pelo Universo" 
Essas teorias  foram cruciais para ele compreender que as ilhas vulcânicas foram formadas isoladamente dos continentes, e que os seres vivos que nela habitam teriam que migrar por longas distâncias. A falta de acessos terrestres, inclusive no passado geológico, foi apontado por ele como uma das responsáveis pela ausência de classes inteiras de animais. A grande maioria dessas ilhas vulcânicas não possuía mamíferos terrestres e batráquios (rã, sapos e salamandras). A razão é que estes seres não sobrevivem à migração marítima, embora as ilhas sejam ambientes propícios a tais animais, contrariando portanto a teoria de criação independente.
E Darwin foi além... ele percebeu relações entre as modificações na superfície terrestre e a distribuição dos seres vivos e dos registros fósseis.

O reconhecimento na geologia


Durante a viagem, Darwin remetia as amostras de rochas e fósseis para a Inglaterra, especialmente aos cuidados do professor Henslow. E antes mesmo do seu regresso ele já era conhecido no meio geológico. Em sua autobiografia ele conta em detalhes a sensação que teve ao receber uma carta desse professor:
“Minha coleção de ossos fossilizados, enviadas a Henslow, despertou considerável atenção dos paleontólogos.
Depois de ler essa carta, enfrentei a dura subida das montanhas de Ascensão com passadas saltitantes e fiz as rochas vulcânicas ressoarem sob meu martelo geológico!”
Algo desconhecido pela maioria das pessoas é que foi pelo interesse nas rochas da Ilha de Santiago (Cabo Verde), que Darwin cogitou pela primeira vez escrever um livro. É interessante pensar que o autor do livro acadêmico mais influente do mundo tenha sua origem na geologia.
Ao regressar para a Inglaterra, o jovem naturalista foi indicado por Charles Lyell para ocupar o cargo de secretário na Geological Society of London. Um cargo muito importante que permitiu a ele se inteirar sobre as novidades do campo da geologia.

Em 1859, ano em que publicou a "Origem das espécies", Charles Darwin foi laureado com a medalha Wollaston, o prêmio de maior prestígio concedido pela Sociedade Geológica de Londres - que é a sociedade geológica mais antiga do mundo.

Darwin no Brasil


No Brasil Darwin visitou os arquipélagos de Fernando de Noronha e São Pedro e São Paulo (antigamente chamado St´s Paul Rock), a cidade de Salvador e o estado do Rio de Janeiro.
Darwin residiu no Rio de Janeiro, no bairro do Botafogo, enquanto a equipe do Beagle retornou à Bahia para refazer algumas medições topográficas.

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