Mostrando postagens com marcador gripe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gripe. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de abril de 2016

Tudo o que você precisa saber sobre H1N1

O Influenza A voltou a atacar este ano - e mais cedo do que o esperado. Entenda como o vírus é transmitido e como se proteger.
Por: Marcus Cabral
h1n1
O vírus H1N1 está de volta - e já causou 75% dos casos de doenças respiratórias registrados no país esse ano, além de ter sido a causa da morte de mais de 70 pessoas só no Brasil. Todo ano, a epidemia de gripe retorna, geralmente no inverno. Em 2016, porém, ela chegou mais cedo, e os médicos ainda não sabem ao certo o porquê. Mas calma, não é o fim do mundo: basta aprender a se proteger, saber mais sobre as formas de transmissão e ficar atento aos sintomas para conseguir tratar a doença o mais rápido possível.

Entenda mais:

Influenza, H1N1, gripe? qual a diferença?! 
Pode parecer confuso, mas é simples: "Influenza" é como é chamado o vírus da gripe. Só que existem três tipos: A, B, e C. O Influenza C é a gripe comum, e não causa nada além daquele mal-estar chato. Já os tipos A e B são mais preocupantes, pois podem causar epidemias sazonais. A onda de H1N1 é culpa só do tipo A - e por outras pandemias, como a grupe suína e a aviária.

E por que tanta gente morre de H1N1, mas não de gripe comum?
Na verdade, dá para morrer de gripe comum, sim. Mais até do que de Influenza A. De acordo com o Ministério da Saúde, pelo menos 2 mil pessoas morrem todo ano por causa de complicações da gripe comum, como pneumonia. A diferença é que o Influenza A é um vírus relativamente novo, para o qual nosso sistema imunológico ainda não está preparado. Mas pode ficar tranquilo: a maioria dos casos de H1N1 é benigna, ou seja, as pessoas, em geral, não morrem disso. Quem tem problemas imunológicos - como portadores do HIV ou crianças muito novas - corre maior risco, e é por isso que elas fazem parte dos grupos que recebem a vacina primeiro.  


Como a doença é transmitida?
Sabe quando você esfrega os olhos para dar aquela acordada no ônibus? Pois é: não faça isso. O H1N1 é transmitido principalmente pelas mãos - quando você toca em um objeto contaminado e depois mexe na boca, no nariz ou nos olhos, por exemplo. Lembre-se: qualquer objeto pode estar contaminado, mas em espaços de grande circulação pública, as chances de contaminação são ainda maiores. Não à toa, maçanetas e seguradores de ônibus e metrô são campeões em contágio. O Influenza A também pode ser transmitido pela tosse, por espirros ou pelo contato com a saliva de alguém contaminado.

Quais os sintomas?
Uma pessoa com H1N1 tem sintomas muito parecidos com os da gripe comum: febre alta (acima de 38ºC), calafrios, tosse violenta, falta de ar, dor de garganta, dores muito fortes pelo corpo, falta de apetite, vômitos e diarreia. A única diferença em relação à gripe normal é a intensidade dos sintomas - a gripe H1N1 deixa você bem mais fraco. Por isso, a recomendação é procurar um médico assim que surgirem os primeiros sinais da doença, o que pode demorar entre 3 e 5 dias após o contágio.

Posso me vacinar no sistema público?
A campanha de vacinação contra a gripe acontece todo ano, no final de abril. Por conta da epidemia antecipada deste ano, os postos de saúde já começaram a campanha de vacinação - que vai até o dia 20 de maio. Só que nem todo mundo tem direito à vacina gratuita, apenas pessoas nos grupos de risco: crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, idosos, profissionais da saúde, povos indígenas e pacientes com doenças que comprometam a imunidade. É possível pagar pela vacina, os preços variam de 70 a 110 reais.


E essa vacina protege contra o que, exatamente?
Existem duas vacinas: a trivalente e a tetravalente. A primeira protege contra dois tipos de Influenza A, entre eles o H1N1, e outro vírus do tipo B. Esta pode ser aplicada em bebês com mais de 6 meses de idade. Já a tetravalente protege contra tudo isso e mais um tipo de Influenza B - e pode ser usada somente depois dos 3 anos.
Se eu tomei vacina no ano passado, preciso tomar esse ano também?
Precisa, sim, porque a vacina tem validade de 1 ano. Os vírus se adaptam a cada ano, mais ou menos, e ficam resistentes à vacina antiga.

Existe contraindicação da vacina?
Existe: se você tem alergia grave a ovo ou se já teve alguma reação alérgica à própria vacina, a recomendação é não tomá-la.

E o Tamiflu?
O Tamiflu é um antiviral que age contra os vírus Influenza. Ele só é indicado nos casos em que realmente há suspeita de H1N1. Se confirmado, a pessoa precisa tomar esse remédio por uma semana, duas vezes ao dia. Ele é distribuído de graça pelo governo, mas também pode ser encontrado em farmácias.

Não quero pegar H1N1. Como é que eu faço?
De novo: evite passar as mãos na boca, olhos e nariz. Tente lavar as mãos sempre, com água e sabão ou álcool gel, principalmente quando chegar da rua. O Ministério da Saúde também recomenda que apertos de mão, abraços e muita proximidade sejam evitados nessa época de grandes chances de contágio. Manter uma alimentação saudável e ter o sono em dia também são ações que ajudam a manter a imunidade lá no alto.
O que você precisa saber sobre a INFLUENZA A/H1N1

O que é a Influenza A/H1N1?
A influenza suína (gripe suína) é uma doença respiratória dos porcos causada por um vírus de influenza do tipo A, que é motivo de surtos regulares em porcos. As pessoas, normalmente, não contraem a gripe suína, porém infecções em seres humanos podem acontecer e de fato acontecem. Estudos mostraram que os vírus da gripe suína podem se disseminar de pessoa para pessoa; porém, no passado, essa transmissão era limitada e não sustentada para além de três pessoas.
 
Existem infecções humanas pela Influenza A/H1N1 nos Estados Unidos?
No final de março e no começo de abril de 2009, foram notificados os primeiros casos de infecção humana causada pela influenza suína A (H1N1) no sul da Califórnia e próximo de San Antonio, no Texas. Outros estados americanos notificaram casos de influenza suína em seres humanos e também foram notificados casos internacionais. Uma contagem atualizada de infecções confirmadas de gripe suína está disponível no site HTTP://www.cdc.gov/swineflu/investigation/htm. O CDC e agências locais de saúde estão trabalhando em conjunto para investigar essa situação.
 
Esse vírus é contagioso?
O CDC concluiu que esse vírus da influenza suína tipo A (H1N1) é contagioso e está se disseminando de pessoa para pessoa. Neste momento, porém, não se sabe com que facilidade o vírus se transmite entre as pessoas.

Quais são os sinais e sintomas da Influenza A/H1N1 nos seres humanos?
Os sintomas da gripe suína nos seres humanos são similares aos sintomas da influenza humana comum, e incluem febre, tosse, garganta inflamada, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fadiga. Algumas pessoas relatam diarréia e vômitos associados à gripe suína. No passado, formas graves da doença (pneumonia e falência respiratória) e mortes foram relatadas com a infecção pela gripe suína em seres humanos. A exemplo da influenza sazonal, a gripe suína pode causar uma piora de doenças crônicas já existentes.

Como se transmite a Influenza A/H1N1?
Acredita-se que a transmissão do vírus da gripe suína tipo A (H1N1) aconteça da mesma maneira pela qual se transmite a influenza sazonal. Os vírus da influenza se disseminam de pessoa para pessoa especialmente através de tosse ou espirros das pessoas infectadas. Algumas vezes, as pessoas podem se infectar tocando objetos que estão contaminados com os vírus da influenza e depois tocando sua boca ou seu nariz.

Como alguém que está com a gripe pode infectar outras pessoas?
As pessoas infectadas podem infectar outras a partir do primeiro dia antes do desenvolvimento dos sintomas e até sete dias ou mais depois de adoecer. Isso quer dizer que você pode transmitir o vírus para outra pessoa antes de saber que está doente, bem como depois de adoecer.

O que eu devo fazer para evitar contrair a gripe?
Primeira medida e a mais importante: lave as mãos. Tente permanecer saudável. Durma bem, pratique atividade física, controle seu stress, beba muito líquido e prefira alimentos nutritivos. Tente não tocar superfícies que podem estar contaminadas com o vírus da gripe. Evite contato próximo com pessoas doentes.

Existem medicamentos para tratar a Influenza A/H1N1?
Sim. O CDC recomenda o uso do oseltamivir ou do zanamivir para tratamento e/ou prevenção da infecção por esses vírus da influenza suína. Medicamentos antivirais são drogas (comprimidos, líquidos ou inaláveis) que combatem a gripe evitando que os vírus se reproduzam em seu corpo. Se você adoecer, os medicamentos antivirais podem tornar sua doença mais branda e fazer com que você se recupere mais depressa. Eles também evitam complicações graves da influenza. Para o tratamento, os medicamentos antivirais funcionam melhor se forem administrados logo após a pessoa adoecer (em até dois dias depois do início dos sintomas).

Durante quanto tempo a pessoa doente pode transmitir a Influenza A/H1N1 para outras pessoas?
 As pessoas infectadas pela influenza suína podem ser consideradas potencialmente contagiantes durante todo o período em que manifestarem os sintomas e possivelmente por até 7 dias depois do início da doença. As crianças, particularmente as menores, podem ser potencialmente contagiantes por períodos mais longos.

Quais superfícies podem ser fontes mais prováveis de infecção?
Os germes podem ser transmitidos quando uma pessoa toca algum objeto contaminado e depois toca seus olhos, nariz ou boca. Gotículas de tosse ou espirro de pessoas infectadas se movem pelo ar. Os germes podem ser transmitidos quando uma pessoa toca gotículas da respiração de outras pessoas ou uma superfície, como uma mesa, e então toca seus olhos, boca ou nariz sem lavar as mãos.

Quanto tempo os vírus sobrevivem fora do corpo?
Sabemos que alguns vírus ou bactérias vivem por 2 a 8 horas em superfícies como mesas de cafeterias, maçanetas de portas e mesas de escritório. Lavar as mãos com freqüência ajuda você a reduzir as chances de se contaminar a partir dessas superfícies.

O que posso fazer para não ficar doente?
No momento, não existe vacina para proteger contra a gripe suína. Existem ações cotidianas que podem ajudar a prevenir a disseminação dos germes que causam doenças respiratórias tais como a influenza. Para proteger sua saúde você deve:
  • Cubra o nariz e a boca com um lenço de papel quando tossir ou espirrar, jogando o lenço no lixo após o uso.
  • Lave as mãos com freqüência, usando água e sabão, especialmente após tossir ou espirrar. Produtos para desinfecção das mãos à base de álcool também são eficientes.
  • Evite tocar seus olhos, nariz ou boca. Os germes se transmitem dessa maneira.
  • Tente evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Se você contrair a influenza, o CDC recomenda que fique em casa, evitando ir ao trabalho ou à escola. Evite contato com outras pessoas, para não infectá-las.

Qual é o melhor meio para evitar transmitir o vírus pela tosse ou pelo espirro?
Se você estiver doente, limite ao máximo possível o contato com outras pessoas. Não vá ao trabalho ou à escola se estiver doente. Cubra a boca e o nariz com um lenço de papel quando tossir ou espirrar. Isso pode evitar que as pessoas que estão perto de você adoeçam. Jogue seus lenços de papel usados no lixo. Se não tiver lenços de papel, cubra com a mão a boca e o nariz, ao tossir ou espirrar e, em seguida, lave as mãos. Faça isso a cada vez que tossir ou espirrar.
 
Qual é a melhor técnica para lavar as mãos e evitar contrair a gripe?
Lavar as mãos com freqüência ajuda você a se proteger dos germes. Lave com água e sabão, ou limpe com soluções contendo álcool. Recomendamos que, ao lavar as mãos – com sabão e água quente – lave durante 15 a 20 segundos. Quando não houver água e sabão disponíveis, use lenços descartáveis contendo álcool ou sanitizantes em gel. Você os encontra em supermercados ou farmácias. Quando estiver usando o gel, esfregue as mãos até que o produto seque. O gel não precisa de água para sua ação desinfetante, uma vez que o álcool que ele contém mata os germes das suas mãos.
 
O que devo fazer se eu adoecer?
Se você reside em áreas nas quais foram identificados casos de influenza suína e adoecer com sintomas similares aos da influenza, incluindo febre, dores no corpo, coriza, garganta inflamada, náuseas ou vômitos ou diarréia, você deve entrar em contato com seu médico, particularmente se estiver preocupado com tais sintomas. Seu médico vai determinar se são necessários testes ou tratamentos para influenza.
Se você estiver doente, deve ficar em casa e evitar ao máximo possível o contato com outras pessoas, para evitar transmitir sua doença para os outros.
Se você adoecer e tiver qualquer um dos seguintes sinais de alerta, procure serviços médicos de emergência.
Em crianças, os sinais de alerta que necessitam de urgente atenção médica são os seguintes:
  • Respiração acelerada ou difícil
  • Coloração azulada da pele
  • Não ingerir líquidos em quantidade suficiente
  • Não acordar ou não interagir
  • Estar tão irritada que não quer ser carregada ao colo
  • Sintomas similares aos da influenza melhoram, porém retornam com febre e piora da tosse
  • Febre com manchas vermelhas
Em adultos, os sinais de alerta que exigem urgente atenção médica são os seguintes:
  • Dificuldade em respirar ou falta de ar
  • Dor ou pressão no peito ou no abdômen
  • Tontura repentina
  • Confusão mental
  • Vômitos intensos ou persistentes.
 
A Influenza A/H1N1 é grave?
Como a influenza sazonal, a gripe suína nos seres humanos pode variar em intensidade de branda a grave. De 2005 até janeiro de 2009, 12 casos humanos da gripe suína foram detectados nos Estados Unidos, sem registro de ocorrência de óbitos. A infecção pela gripe suína, porém, pode ser grave. Em setembro de 1988, em Wisconsin, uma grávida de 32 anos, que até então estava saudável, foi internada por causa de pneumonia, depois de ter contraído a gripe suína, e morreu oito dias depois. Em um surto de gripe suína ocorrido em Fort Dix , Nova Jersey, em 1976, houve mais de 200 casos, com a forma grave da doença sendo registrada em muitas pessoas e causando uma morte.
 
Eu posso pegar a gripe ingerindo ou preparando carne de porco?
Não. Os vírus da influenza suína não se transmitem pela comida. Você não vai contrair a gripe ingerindo carne de porco ou seus derivados. É seguro consumir carne de porco e seus derivados, desde que adequadamente manuseados e cozidos.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Transformação viral

9/8/2010
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Logo após o aparecimento dos primeiros casos da gripe suína, no México, em abril de 2009, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, divulgou que a doença poderia se transformar em uma pandemia – o que de fato ocorreu. Um ano e meio depois, os cientistas do CDC continuam tentando entender a patologia do vírus da influenza A H1N1, causador da gripe.
De acordo com Sherif Zaki, chefe do Departamento de Patologia e Doenças Infecciosas do CDC, o H1N1 pode estar se transformando e adquirindo uma patologia semelhante à do vírus da influenza sazonal, que causa a gripe comum.
Zaki explica que o H1N1 continua circulando e os surtos podem voltar a ocorrer. Mas com o avanço do conhecimento sobre as possíveis mudanças em suas características, com desenvolvimento de novas vacinas e com a continuidade das campanhas de educação e prevenção, os riscos serão baixos.
Transformação viral
Vírus H1N1 pode estar se transformando e adquirindo patologia semelhante à do vírus da influenza sazonal, responsável pela gripe comum, diz Sherif Zaki, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, que afirma não haver razão para pânico em caso de um novo surto (foto: CDC)

Por outro lado, as pesquisas têm mostrado que, nos casos fatais de influenza, a incidência de coinfecções com bactérias é maior do que se imaginava.
Zaki participou, na semana passada, do 3º Encontro de Patologia Investigativa e da 13ª Jornada Internacional de Patologia, realizados pelo Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. Leia a seguir a entrevista concedida pelo cientista norte-americano à Agência FAPESP.

Agência FAPESP – Há um ano e meio surgiu o surto de gripe A, que matou mais de 100 pessoas no México e marcou o início de uma pandemia. Hoje, o CDC continua estudando o H1N1. O que há de especial na patologia desse vírus?
Sherif Zaki – Há muitas diferenças entre os vírus da influenza sazonal, que causam a gripe comum, e o H1N1. Eles atacam diferentes partes do pulmão. O vírus da influenza sazonal envolve mais as vias superiores, traqueia e brônquios. É uma doença das vias respiratórias superiores. O H1N1 ataca mais a parte periférica, ou inferior, dos pulmões, causando mais pneumonia. Essas diferenças têm a ver com as partes dos pulmões a que estão ligados os receptores desses vírus. As doenças que eles causam, portanto, são um tanto diferentes.
Agência FAPESP – Essas diferenças também se refletem na gravidade da doença?
Zaki – A questão é que os pacientes que têm certas condições subjacentes – como obesidade extrema, diabetes, câncer ou algum tipo de imunossupressão – são mais suscetíveis a forma severa da doença. E os mais jovens são mais suscetíveis à influenza do H1N1 do que à sazonal. Essa última normalmente atinge com maior incidência gente acima de 60 anos. A gripe do H1N1 envolve mais a faixa dos 20 aos 55 anos por uma questão relacionada à imunidade. As pessoas nessa faixa não foram expostas a vírus similares, enquanto as mais velhas já foram e, por conta disso, desenvolveram algum tipo de imunidade a eles.
Agência FAPESP – Há ainda desafios científicos envolvidos com a patologia desses vírus?
Zaki – Sim, ainda há muitas coisas que não entendemos. Acho que o próximo desafio será prever o que acontecerá em relação à influenza no próximo outono no hemisfério Norte. Não sabemos com que intensidade ela voltará, quantas pessoas serão afetadas, qual a disponibilidade de vacina ou como as novas vacinas serão incluídas nos programas regulares de vacinação. No caso da H1N1, essas perguntas são muito importantes porque não sabemos se esse vírus está aqui para ficar. Não sabemos se ele se tornará uma outra influenza sazonal, ou se é algo que passará. Há algumas evidências de que o vírus pode estar se modificando com o tempo, aproximando-se da patologia da influenza sazonal. Há muitas perguntas a fazer e temos que continuar pesquisando.
Agência FAPESP – Depois de abril de 2009 o surto do vírus H1N1 gerou muitas manchetes nos jornais. Mas, agora, parece que o assunto arrefeceu. A pandemia foi superada? Qual o desafio daqui em diante em termos de epidemiologia?
Zaki – Essa é uma questão muito boa e que nos intriga. O vírus ainda está aí, gerando novos casos da doença. Mas, como ocorre com a gripe sazonal, dependendo da localização de cada país – no hemisfério Norte ou Sul –, há diferenças na estação em que ocorrem os surtos de gripe. O fato é que o vírus não desapareceu, ele ainda está circulando. A pergunta agora é: a cepa que causou o último surto foi ou não substituída por uma nova cepa? É típico do vírus da influenza ter uma cepa circulando quando, subitamente, ela é substituída por uma nova.
Agência FAPESP – É possível prever qual será a próxima cepa a circular?
Zaki – Sempre temos várias linhagens em ação – a questão é saber qual delas vai predominar. É por isso que a vacina muda a cada ano. Temos que tentar prever qual será a principal cepa no próximo ano. Precisamos de vários meses para preparar as vacinas e as decisões devem ser feitas cinco ou seis meses antes. Especialistas de todo o mundo se encontram, discutem sobre as linhagens, trocam informações e fazem recomendações para a OMS sobre quais as novas linhagens que devem ser incluídas na vacina do ano seguinte.
Agência FAPESP – As vacinas são eficientes?
Zaki – Elas são eficientes em 60% a 70% dos casos. São altamente recomendadas para os muito jovens ou muito velhos, além de pessoas com doenças como diabetes, câncer ou asma. Grupos suscetíveis a essas e outras doenças devem tomar a vacina. Mas há um aspecto muito importante: não se trata só da vacina da influenza. Um dos problemas da influenza é que muitas vezes há coinfecções bacterianas. E estamos constatando que o vírus H1N1 tem uma incidência maior de coinfecções com bactérias do que pensávamos antes.
Agência FAPESP – O vírus abre as portas do organismo para as bactérias?
Zaki – Sim, basicamente ele abre as portas danificando as defesas do corpo. É importante saber quais são as bactérias com maior incidência nesses casos, pois temos vacinas também para algumas delas. Esse é um componente muito importante para a prevenção, não só para a influenza, mas também para outras bactérias associadas – em especial a infecção por estreptococos, que sabemos ser comum entre pacientes de gripe. E essas infecções afetam especialmente pessoas com aquelas condições que mencionamos, como crianças e diabéticos.
Agência FAPESP – A doença causada pelo vírus H1N1 é realmente muito mais grave do que a gripe comum?
Zaki – Essa é uma questão difícil de ser respondida. Ela é mais severa em alguns casos, porque não temos imunidade nessa grande faixa etária dos 20 a 55 anos e 90% dos pacientes podem ter alguma condição subjacente. Mas nem todos têm a gripe em sua manifestação severa. Em geral, a gripe suína não parece causar mais mortalidade do que a gripe sazonal comum.
Agência FAPESP – Podemos dizer que é importante destacar as diferenças entre os dois tipos de gripe, mas que não há razão para pânico em caso de um novo surto do vírus H1N1?
Zaki – Exato. Não há razão alguma para pânico. Precisamos conhecer o inimigo, vacinar, prevenir e continuar a campanha educativa, que inclui lavar as mãos, seguir regras de higiene, etc. Esse é o ponto. Mas não é preciso se preocupar com essa gripe mais do que fazemos com a gripe sazonal. Trata-se apenas de mais uma forma de gripe sobre a qual precisamos saber mais. Não é mais mortal, nem mais perigosa. É apenas diferente. E precisamos nos preparar para essas diferenças.
Agência FAPESP – Em relação ao vírus H1N1 e à influenza de modo geral, qual é o foco da pesquisa, atualmente, no seu grupo do CDC?
Zaki – Estamos observando as transformações do H1N1. Cada vez mais estamos vendo casos envolvendo as vias superiores. Então, nossa principal questão é saber se o vírus permanecerá o mesmo, ou se vai se adaptar e ficar mais parecido com a variedade sazonal em relação à patologia.
Agência FAPESP – Os esforços, então, estão voltados para compreender o próprio vírus?
Zaki – Sim, mas não estamos tão ocupados como há cinco meses. Agora, podemos fazer estudos de rotina e levar adiante trabalhos de epidemiologia. Fazemos estudos a partir de cerca 800 casos fatais que recebemos, sendo que em metade deles foi confirmado que a morte foi causada por influenza. Daqui em diante, o importante é também aprimorar os diagnósticos clínicos. Em muitos casos achamos que o paciente morreu de gripe, mas que ele tinha várias doenças ao mesmo tempo. É preciso aprender sobre essas doenças também. Infelizmente, quando se tem uma pandemia, todo mundo pensa só na influenza e tende a atribuir tudo ao vírus. É preciso definir melhor os diagnósticos e educar a população em relação a quais são as características de influenza, distinguindo-as melhor de outros casos.