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quarta-feira, 6 de julho de 2011

Espécies desconhecidas estão em hotspots

06/07/2011
Agência FAPESP – A maioria das espécies ainda não descobertas vive em hotspots conhecidos – regiões que foram identificadas pelos cientistas como prioritárias para conservação da biodiversidade. A conclusão é de um estudo que será publicado em breve na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.


Maioria das espécies ainda não descobertas vive em regiões consideradas prioritárias para a conservação da biodiversidade, indica pesquisa publicada na PNAS


De acordo com os autores da pesquisa, os resultados reforçam que os esforços recentes de conservação têm sido bem direcionados e deverão ajudar a diminuir as incertezas a respeito das prioridades na área. Outra conclusão do trabalho é que o risco de extinção para muitas das espécies ainda não conhecidas é maior do que se estimava até então.
“O estudo mostra que a maioria das espécies desconhecidas se esconde em algumas das paisagens mais ameaçadas no mundo. Isso aumenta significativamente o número de espécies ameaçadas ou em risco de extinção”, disse Stuart Pimm, professor da Nicholas School of the Environment na Universidade Duke e um dos autores.

Com recursos limitados e ameaças crescentes à natureza, pesquisadores que atuam no estudo da biodiversidade há tempos decidiram identificar áreas nas quais as ações de conservação pudessem salvar o maior número de espécies.
Essas áreas consideradas prioritárias são chamadas de hotspots da biodiversidade: locais com número incomum de espécies endêmicas e nos quais as taxas de perda de hábitat são extremas. O problema é que o conhecimento das espécies é seriamente incompleto, com um número muito elevado de espécies desconhecidas.
“Sabemos que temos um catálogo da vida incompleto. Se não conhecemos quantas espécies existem, ou onde elas vivem, como poderemos estabelecer locais prioritários para conservação? E se as áreas que ignoramos forem as que têm mais espécies desconhecidas”, disse outro autor do estudo, Lucas Joppa, da Microsoft Research em Cambridge, Reino Unido.

Para lidar com esse dilema, Joppa e colegas criaram um modelo computacional que integra efeitos taxonômicos durante o transcorrer do tempo de modo a estimar quantas espécies de plantas com flores – que formam a base do conceito de hotspot de biodiversidade – ainda existem para serem descobertas.
Em seguida, o conjunto de dados foi comparado com os dados existentes de regiões atualmente identificadas como prioritárias para a conservação. Os dois conjuntos de dados bateram.
O modelo estimou que seis regiões identificadas como hotspots – do México ao Panamá; Colômbia; do Equador ao Peru; do Paraguai ao sul do Chile; o sul da África; e Austrália – contêm 70% de todas as espécies desconhecidas.

“É um grande alívio saber que os locais em que mais investimos recursos são os mesmos que abrigam a maioria das espécies ainda não descobertas”, disse David Roberts, da Durrell Institute of Conservation and Ecology na Universidade de Kent, Reino Unido, outro autor da pesquisa.
“Os resultados do estudo realmente validam todo o tempo e esforço que temos colocado na luta pela preservação da biodiversidade global. Agora, podemos continuar a tentar salvar esses locais únicos e ameaçados”, disse Norman Myers, da Universidade Oxford, que lançou o conceito de hotspot em 1998.
O artigo Biodiversity hotspots house most undiscovered plant species (doi/10.1073/pnas.1109389108), de Lucas Joppa e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da PNAS em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1109389108.

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