Mostrando postagens com marcador óxido nitroso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador óxido nitroso. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

NASA

O carbono atmosférico no ano passado atingiu níveis não vistos em 800.000 anos

A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera da Terra atingiu 405 partes por milhão (ppm) no ano passado, um nível não visto em 800 mil anos, de acordo com um novo relatório. Foi também o ano mais quente registrado que não apresentou o padrão climático global conhecido como El Niño, que é impulsionado por águas oceânicas mais quentes que o normal no Oceano Pacífico, conclui o Estado do Clima em 2017, a 28ª edição de uma edição anual. compilação publicada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

No geral, 2017 classificou como o segundo ou terceiro ano mais quente, dependendo de qual medida é usada, desde que os pesquisadores começaram a manter registros robustos em meados do século XIX. Mesmo que a humanidade “parasse os gases do efeito estufa em suas atuais concentrações, a atmosfera continuaria a aquecer nas próximas duas décadas a talvez um século”, disse Greg Johnson, oceanógrafo do Laboratório Ambiental Marinho do Pacífico da NOAA em Seattle, Washington, durante um press call ontem sobre o relatório.

O documento robusto inclui dados compilados por 524 cientistas que trabalham em 65 países. Alguns destaques:
  • As concentrações atmosféricas de CO2 - o principal gás do aquecimento planetário - aumentaram 2,2 ppm no ano passado em 2016. Níveis semelhantes foram alcançados pela última vez há pelo menos 800 mil anos, segundo dados obtidos de bolhas de ar presas em antigos núcleos de gelo.
  •  
  • As concentrações atmosféricas de metano e óxido nitroso - ambos potentes gases de aquecimento - foram as mais altas já registradas. Níveis de metano aumentada em 2017 por 6,9 partes por bilião (ppb), para 1849,7 ppb, em comparação com os níveis de 2016. O óxido nitroso aumentou de 0,9 ppb, a 329,8 ppb.

  • O ano passado também marcou o fim de um evento mundial de branqueamento de corais que durou três anos. O branqueamento de corais ocorre quando a água do mar se aquece, fazendo com que os corais libertem algas que vivem dentro dos seus tecidos, tornando o coral branco e por vezes resultando na morte do coral. Foi o mais longo evento de branqueamento documentado. 
     
    A precipitação global em 2017 ficou acima da média de longo prazo. A Rússia teve seu segundo ano mais chuvoso desde 1900. Partes da Venezuela, Nigéria e Índia também experimentaram chuvas e enchentes mais pesadas do que o normal.

  • Temperaturas mais altas contribuíram para surtos de incêndios em todo o mundo. Os Estados Unidos sofreram uma temporada extrema de incêndios florestais que queimaram 4 milhões de hectares e causaram mais de US $ 18 bilhões em danos. A região amazônica sofreu cerca de 272.000 incêndios florestais. No Alasca, temperaturas recordes de permafrost foram registradas em cinco dos seis observatórios do permafrost. Quando descongelado, o permafrost libera CO2 e metano na atmosfera e pode contribuir para o aquecimento global.


  • O gelo do mar Ártico foi atingido. A extensão do gelo do mar atingiu uma baixa de 38 anos, e foi 8% abaixo da extensão média relatada para 1981 a 2010. A cobertura de neve da primavera no Ártico, no entanto, foi maior que a média de 1981 a 2010, e a camada de gelo da Groenlândia recuperada de uma baixa massa recorde relatada em 2016. 2017 foi também o segundo ano mais quente já registrado no Ártico. Muitos países relataram estabelecer recordes de alta temperatura, incluindo Argentina, Uruguai, Espanha, Bulgária e México.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Menos óxido nitroso na atmosfera

Pesquisa investiga uso de substância para reduzir a emissão desse gás poluente pelo rebanho bovino no Brasil. Formado a partir da urina desses animais, o gás é um dos responsáveis pela intensificação do efeito estufa. 
 
Por: Thaís Scuissiatto Macedo
Publicado em 08/12/2014 | Atualizado em 08/12/2014
Menos óxido nitroso na atmosfera
Gado bovino em área experimental da UFPR. Em contato com o solo, a urina dos animais libera óxido nitroso, um dos gases do efeito estufa. (foto: divulgação/ UFPR.
 
O efeito estufa é um fenômeno natural de grande importância, pois garante a vida na Terra ao mantê-la aquecida. Mas o aumento da emissão dos gases responsáveis por sua ocorrência (vapor de água, dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, entre outros) causou um desequilíbrio energético na superfície do planeta, dando origem ao que se conhece como aquecimento global.

Embora o efeito estufa tenha se tornado bastante conhecido nos últimos tempos, pouca gente sabe que, além da queima de combustíveis fósseis, a criação de gado é um dos principais responsáveis pelo fenômeno.
Já se sabe que a flatulência, principalmente arrotos, de bois e ovelhas, eleva as emissões de gás metano (CH4) na atmosfera. Na Nova Zelândia, cientistas calculam que ela seja responsável por 90% das emissões de CH4 no país e mais da metade dos gases de efeito estufa.
Com um rebanho bovino estimado em mais de 200 milhões de cabeças, o Brasil é o principal emissor de óxido nitroso na América Latina e no Caribe.
 
Já a urina bovina gera óxido nitroso (N2O), outro gás-estufa de grande poder poluidor. Por essa razão, buscam-se formas de minimizar seus danos ao meio ambiente. Com resultados promissores, uma delas está em curso no Programa de Pós-graduação em Ciência do Solo da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A urina bovina é rica em ureia e, em contato com o solo, promove reações químicas que levam à liberação de N2O. Ao ganhar a atmosfera, esse gás bloqueia a saída de raios solares do ambiente terrestre, acentuando o efeito estufa.

Com um rebanho bovino estimado em mais de 200 milhões de cabeças, o Brasil é o principal emissor de óxido nitroso na América Latina e no Caribe, sendo responsável por cerca de 40% das emissões na região.
Para tentar reduzir esse percentual, os pesquisadores da UFPR vêm testando o emprego de uma substância que impede a formação de N2O. A dicianodiamida, mais conhecida como DCD, bloqueia as reações que levam à formação do gás poluente ao inibir o processo de nitrificação que age sobre o amônio liberado no solo via urina.
Teste com dicianodiamida
O estudo realizado na UFPR avalia o desempenho da dicianodiamida na redução de óxido nitroso na região subtropical do Brasil. (foto: divulgação/ UFPR)
No estudo, que ainda está em fase experimental, os pesquisadores aplicam urina de vaca em porções do solo e em seguida as pulverizam com DCD. Medições feitas diariamente apontam a quantidade de N2O liberado no ambiente nessas condições. “O uso do inibidor diminui a emissão de óxido nitroso em até 20%”, conta a engenheira agrônoma Priscila Simon, responsável pelo projeto.

Uso na prática

O DCD já é utilizado para reduzir a emissão de óxido nitroso em outros países, mas sua eficiência no Brasil é questionada, devido principalmente às condições climáticas, que interferem no tempo de ação do produto no solo.

“Em regiões de clima temperado, a substância chega a reduzir as emissões em até 60%, como é o caso da Nova Zelândia”, explica Simon. Para melhor controle dos resultados no clima tropical e subtropical do Brasil, é preciso avaliar os fluxos de emissão durante as quatro estações do ano.
Além de minimizar a formação do gás, o inibidor ainda apresenta outra vantagem: impede a formação de nitrato no solo, composto responsável por poluir mananciais.
 
Para uso em larga escala nas fazendas, o DCD poderia ser pulverizado sobre os pastos. Além de minimizar a formação do gás, o inibidor ainda apresenta outra vantagem: impede a formação de nitrato no solo. Esse composto é responsável por poluir mananciais por causa de sua elevada capacidade de lixiviação no perfil do solo.

A pesquisadora lembra que ainda é preciso conhecer melhor a viabilidade econômica do uso comercial da substância. Se o percentual de redução da emissão do gás, que agora é de 20%, aumentar, talvez o uso comercial seja viável.

“Mas o estudo de viabilidade econômica não é o objetivo da pesquisa”, afirma Simon. “O trabalho realizado por nossa equipe concentra-se em avaliar a redução da emissão de óxido nitroso na área subtropical brasileira.”

O estudo coordenado pela equipe de Simon foi premiado em outubro último, durante a 1ª Conferência sobre Gases de Efeito Estufa em Sistemas Agropecuários da América Latina, que reuniu 80 participantes de 15 países em Osorno, no Chile.

Thaís Scuissiatto Macedo
Especial para a CH On-line/ PR