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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O misterioso rio de ferro líquido descoberto no centro da Terra

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  • ESA
Cientistas dizem ter descoberto um rio de ferro líquido no centro da Terra, correndo debaixo do Estado americano do Alasca e da região russa da Sibéria.

Essa massa ambulante de metal foi detectada graças aos satélites europeus Swarm --um trio que está mapeando o campo magnético da Terra para entender seu funcionamento. O campo protege toda a vida do planeta contra a radiação espacial.

Para os cientistas, a existência do rio de ferro líquido é a melhor explicação para uma concentração de forças no campo magnético terrestre que os satélites registraram no Hemisfério Norte.

"É uma corrente de ferro líquido que se move cerca de 50 km por ano", explica Chris Finlay, da Universidade Técnica da Dinamarca.

"É um líquido metálico muito denso e é preciso uma quantidade enorme de energia para movê-lo. É provavelmente o movimento mais rápido que temos no manto terrestre" disse ele à BBC.

ESA
Finlay explica que a corrente de metal líquido é como o jet stream na atmosfera da Terra --a corrente de ar em altas altitudes usada por aviões para voar mais rápido. O rio de metal porém, está a 3 mil quilômetros de profundidade.

Os cientistas acreditam que o rio tenha 420 km de largura e percorra quase metade da circunferência da Terra. O comportamento dessa massa metálica será crítico para a geração e manutenção do campo magnético terrestre.

"É possível que a corrente tenha funcionado por centenas de milhões de anos", diz Phil Livermore, da Universidade de Leeds, no Reino Unido, e um dos autores do estudo detalhando a descoberta, publicado na revista científica Nature Geoscience.

Rainer Hollerbach, outro cientistas envolvido no projeto, acredita que o líquido se move graças à força da flutuabilidade ou por conta de mudanças no campo magnético do núcleo terrestre.

Lançados em novembro de 2013 pela ESA (Agência Espacial Europeia), o satélites Swarm estão fornecendo acesso sem precedentes à estrutura e ao comportamento do campo magnético terrestre.
Com instrumentos altamente sensíveis, os satélites estão gradualmente analisando os vários componentes do campo, do sinal dominante vindo do movimento do ferro no núcleo externo à quase imperceptível contribuição feita pelas correntes oceânicas.

Os cientistas esperam que os dados do satélite ajudem a explicar a razão pela qual o campo magnético da Terra tem enfraquecido nos últimos séculos. Alguns cientistas especulam que o planeta pode estar próximo de um inversão de polaridade, em que o sul se tornará norte e o norte se tornará sul. Isso ocorre a cada centenas de milhares de anos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Sonda pousa em cometa pela primeira vez na história


O módulo Philae, da sonda Rosetta, tornou-se nesta quarta-feira (12) a primeira espaçonave a fazer um pouso suave num cometa.
O sucesso inédito reforça o poderio tecnológico europeu no desenvolvimento de veículos para missões espaciais.
Em 2005, a ESA (Agência Espacial Europeia) já havia feito história ao pousar com sucesso a sonda Huygens, que desceu em Titã, satélite de Saturno –primeira manobra do tipo em uma lua que não fosse a da Terra.
Agora, o coelho que saiu da cartola foi ainda maior, diante das complexidades adicionais que envolvem a descida num cometa –objeto ativo, que emite grandes quantidades de gás e poeira conforme interage com a luz solar.
ESA/Reuters
Imagem do cometa registrada pelo módulo de pouso Philae durante sua descida
Imagem do cometa registrada pelo módulo de pouso Philae durante sua descida   
 

DEZ ANOS E SETE HORAS
 
O pouso se deu às 13h35, sete horas depois que o veículo se desprendeu de sua nave-mãe, a Rosetta, e cerca de dez anos após a decolagem da Terra, realizada em 2004.
A confirmação do toque no solo do cometa Churyumov-Gerasimenko veio 28 minutos depois, tempo necessário para a mensagem se propagar no espaço até a Terra, para o alívio dos angustiados engenheiros e cientistas.
"É um grande passo para a civilização humana", disse Jean-Jacques Dordain, diretor-geral da ESA (Agência Espacial Europeia), enfatizando o pioneirismo da iniciativa.
Horas depois, contudo, a análise de telemetria revelou uma história mais complexa.
Até o fim do dia não havia ainda a certeza de que o Philae estava bem preso ao chão do cometa.

Editoria de arte/Folhapress
Dos três sistemas projetados para facilitar o pouso, dois falharam: um consistia num jato de gás frio que empurraria a sonda na direção do cometa. O outro era composto por dois arpões que deveriam ancorar o veículo.

O único que funcionou foi o conjunto de parafusos nos pés do trem de pouso, destinados a fixar a sonda no chão. Mas foram suficientes?

Flutuações nas comunicações sugerem que talvez o Philae tenha tocado o chão, voltado a flutuar e descido novamente, duas horas depois.

"Talvez hoje não tenhamos apenas pousado uma vez, mas duas vezes", brincou Stephan Ulamec, gerente do projeto na DLR (agência espacial alemã).

Na semana passada, a ESA destacava que as chances de pouso bem-sucedido eram de 50%. Alguns dos envolvidos eram ainda menos otimistas.
"Eu e meus colegas achamos que 50% era muito. O número real devia ser bem mais baixo", disse à Folha o engenheiro Lucas de Mendonça Fonseca, brasileiro que trabalhou por três anos na DLR no desenvolvimento dos sistemas de pouso do Philae.

Para ele, o módulo de pouso sempre foi uma espécie de cereja no bolo da missão, que sempre teve como grande destaque os resultados obtidos com sonda orbitadora Rosetta, que viajava pelo espaço desde 2004. O custo total do projeto foi de € 1,2 bilhão (cerca de R$ 3,8 bilhões).

Até por isso, o pesquisador ficou encantado com o sucesso. "Você vê um trabalho de três anos resumido em sete horas. Vem forte a sensação de que participei de algo grande."
Ainda que o Philae não realize tudo que propunha, os resultados até aqui já justificam o entusiasmo. Nesses anos, muitos dados úteis, ainda por ser analisados, foram colhidos. Por ora, a missão está concentrada em tentar colocar o módulo em condições de realizar seu trabalho.

Rosetta supera ficção ao pousar robô em cometa na busca pela origem da vida

Do UOL, em São Paulo
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  • ESA/Rosetta/Philae/ROLIS/DLR
    Imagem enviada pelo robô Philae mostra aproximação do cometa 67P, antes do pouso: missão histórica Imagem enviada pelo robô Philae mostra aproximação do cometa 67P, antes do pouso: missão histórica
Um sinal emitido a mais de 500 milhões de quilômetros da Terra mudou a história da exploração espacial nesta quarta-feira (12), ao anunciar que o robô Philae havia pousado com sucesso sobre o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Dotado de um laboratório miniaturizado, o robô integra a missão Rosetta, que busca mais respostas sobre a origem da vida na Terra.

O projeto da Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês), que custou o equivalente a R$ 4 bilhões, entra para a história por fazer aquilo que até então só existia na ficção-científica. Um feito de engenharia, ciência e matemática combinados permitiu que um robô de tamanho semelhante ao de uma máquina de lavar viajasse 6 bilhões de quilômetros atracado à sonda Rosetta para alcançar o cometa 67P e, após alinhamento, iniciasse uma descida de sete horas para pousar pela primeira vez em um cometa.
O robô Philae, aliás, pode ter pousado não apenas uma vez, mas duas vezes, segundo indicou  Stephan Ulamec, gerente de pouso da missão Rosetta. Informações iniciais apontam que o robô teria "quicado" sobre a superfície, antes da aterrissagem final. "Hoje não pousamos apenas uma vez, mas duas vezes no cometa", afirmou Ulamec, sob aplausos dos cientistas e jornalistas reunidos no centro de Darmstadt, na Alemanha.

A preocupação é que o robô não está fixado como deveria à superfície do cometa. Durante a operação, os arpões que deveriam ter sido disparados pelos pés do robô não funcionaram. Os cientistas terão de decidir se tentarão acionar os arpões novamente para garantir a atracagem.
A posição na qual se encontra a sonda Rosetta, abaixo da linha do horizonte do cometa, fez com que o centro de controle perdesse o link antes do horário programado. A comunicação deve ser restabelecida nas primeiras horas desta quinta-feira (13), quando os cientistas saberão qual é a posição correta do robô Philae.
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Sonda Rosetta chega a cometa em busca de pistas sobre "origem da vida"29 fotos

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12.nov.2014 - Ilustração divulgada pela ESA (agência espacial europeia) mostra o pouso do robô Philae, da missão Rosetta, no cometa 67P. O robô vai coletar amostras, fazer análises e tirar fotos do cometa que serão enviadas para a central da ESA, na Alemanha. Os cientistas esperam coletar informações sobre a formação da vida Leia mais ESA/ATG medialab

Primeiras imagens

As primeiras imagens enviadas pelo robô Philae mostram a aproximação do cometa 67P. Os cientistas esperam que nesta quinta-feira seja possível receber imagens já do robô na superfície.
"Foi um grande passo para a civilização humana", afirmou Jean-Jacques Dordain, diretor da Agência Espacial Europeia.

O robô é capaz de coletar e analisar amostras do solo, além de captar imagens que chegam ao centro de controle com uma atraso de meia hora. Como a distância entre o cometa e a Terra é considerável, os cientistas decidiram que não seria possível trazer as amostras -- por isso optaram por enviar um laboratório ao cometa.

O que faz do pouso do robô Philae um feito histórico repousa fundamentalmente no propósito da missão Rosetta. Os cientistas esperam descobrir mais pistas para determinar se a origem da vida no planeta Terra poderia estar associado ao bombardeio de cometas em eras passadas. "Cometas são a fonte original da água na Terra. Aquele robozinho está agora posicionado e pronto para reescrever o que sabemos sobre nós mesmos", escreveu o astronauta canadense Chris Hadfield, que foi comandante da Estação Espacial Internacional.

Os cometas são feitos de material que data da origem dos planetas e do nascimento do sistema solar. Os cientistas esperam aprender mais sobre essa formação e como os cometas carregaram água e materiais orgânicos complexos para os planetas.
Não é a primeira vez que uma agência espacial envia uma sonda a um cometa. Em 1986, a Nasa (agência espacial norte-americana) enviou uma sonda que voou pela cauda do cometa Halley. Em 2005, a aeronave Impacto Profundo chegou a disparar um bloco de cobre no tempo Temple 1. Mas somente a missão Rosetta pode dizer que pousou um robô na superfície de um cometa.
 

terça-feira, 20 de maio de 2014

Ossos da Terra

Satélite delimita as regiões de maior densidade da superfície do planeta
CARLOS FIORAVANTI | Edição 219 - Maio de 2014
© EDUARDO CESAR
Os Andes, uma das regiões de difícil acesso investigadas pelo Goce...
Os Andes, uma das regiões de difícil acesso investigadas pelo Goce…

Até cair no mar, em novembro do ano passado, encerrando sua missão de quatro anos na órbita do planeta, o satélite Goce (sigla em inglês para missão de estudo da gravidade e da circulação oceânica em regime estável) registrou com precisão o campo gravitacional da Terra, determinado pela variação de densidade. Quanto maior a massa no interior da Terra, maior o campo gravitacional e a aceleração da gravidade. Agora as informações estão ajudando a desvendar as grandes estruturas da Terra, principalmente de regiões de difícil acesso como a Amazônia, os Andes e a Sibéria, onde os dados terrestres são escassos. Projetado, lançado e administrado pela Agência Espacial Europeia (ESA), o Goce tem ajudado a reconstruir a história da Terra.

Usando as informações do Goce, Carla Braitenberg, da Universidade de Trieste, na Itália, determinou as regiões de maior densidade ou de maior campo gravitacional, destacando as áreas mais densas, como se estivesse observando os ossos da Terra, inacessíveis a observações geológicas diretas. Ela identificou as estruturas rochosas mais antigas, chamadas de crátons, da África e da América do Sul e detectou a continuidade das estruturas de maior ou de menor densidade dos dois continentes, como a Província da Borborema, no nordeste brasileiro, que se conectava geologicamente com o oeste da África Central. A conclusão é que esses blocos de rochas deviam ser contínuos antes de os continentes se separarem, afastando o que agora reaparece unido.

Usando o Goce, o físico Everton Bomfim, em seu doutorado no Instituto de Astronomia, Geociências e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), detectou falhas nas medições da variação de gravidade, por terra, em áreas limitadas na Amazônia na década de 1970. Em seguida, ele verificou que o cráton da Amazônia, antes visto como único, pode ser na verdade dois – um ao norte, o Escudo das Guianas, e outro ao sul do rio Amazonas, o Escudo Brasileiro –, ainda que tenham idades geológicas próximas entre si, de até 3,2 bilhões de anos.

Essa possibilidade “poderia mudar um pouco a história geológica da região”, disse Bomfim, com a ressalva: “Não é possível tirar uma conclusão final a partir apenas de medidas gravitacionais. Precisamos também de outras fontes de dados como o paleomagnetismo”. O paleomagnetismo é uma técnica de análise das variações do polo magnético da Terra e de determinação dos polos magnéticos das rochas há milhares ou milhões de anos (ver Pesquisa FAPESP nº 85). Estudos paleomagnéticos recentes nas regiões sul e norte do cráton amazônico, coordenados por Manoel D’Agrella-Filho e Franklin Bispo-Santos, também do IAG-USP, detectaram uma possível diferença na direção entre as duas partes do cráton, indicando que elas poderiam ter origens distintas e que, em algum momento, já estiveram separadas. “Apenas sugerimos essa indicação, que contraria conclusões amplamente aceitas sobre a formação da bacia sedimentar amazônica”, observou Bomfim. Já é o bastante, porém, para aventar outras possíveis ocorrências de jazidas minerais e de petróleo ainda não identificadas na região.
© ESA
... cujas imagens de variações do campo gravitacional lembram uma Terra amassada
… cujas imagens de variações do campo gravitacional lembram uma Terra amassada

“O Goce não via detalhes, mas a Terra inteira”, sintetizou Eder Molina, professor do IAG-USP especializado em medições das variações do campo de gravidade, que foi o orientador de mestrado e doutorado de Bomfim. “Ou seja: via melhor coisas grandes, que os outros modelos gravimétricos não veem bem.” Por essa razão, disse ele, mesmo com uma resolução de 80 quilômetros, inferior a de outros satélites, os dados do Goce têm ajudado a complementar ou corrigir as medições terrestres, não tão abrangentes, e era o único a medir a variação dos componentes da gravidade em relação aos três eixos espaciais, chamados de x, y e z – até agora se media apenas a variação vertical, no eixo z, da aceleração da gravidade, determinada pela força da gravidade. O Goce via as variações do campo de gravidade de nove modos (para cima, para baixo, para frente, para trás e para os lados), indicando a influência de montanhas ou rochas mais densas da proximidade do ponto analisado, cujo formato, a partir daí, poderia ser delineado com mais precisão.

Em 2011, com informações de satélites gravitacionais mais simples que o Goce, Molina, com sua equipe, elaborou um mapa da variação do nível do mar, registrando uma diferença de 70 metros entre a altura da linha-d’água na África do Sul e em Belém, no Pará, em consequência da variação do campo gravitacional da Terra (ver Pesquisa FAPESP 181).

África e Andes

Sua obra seguinte, ainda não publicada, retratou o possível encaixe gravimétrico entre a América do Sul e a costa oeste da África antes da separação dos continentes. O mapa, ele notou, é muito semelhante ao publicado em fevereiro deste ano por Carla Braitenberg, de Trieste. Ela própria afirma, no artigo, que seu mapa representa outra forma de ver os continentes unificados em um único bloco e certamente será analisado com rigor por geólogos que examinavam apenas regiões específicas eventualmente comuns nos dois continentes.

“Alguns resultados questionam a validade de conceitos estabelecidos”, comentou Orlando Álvarez, pesquisador da Universidade de San Juan, Argentina, que trabalhou em Trieste com Carla Braitenberg durante um mês em 2010.  De volta à Argentina, usando o Goce e outros modelos gravimétricos, ele mapeou as zonas de fraturas dos Andes, o limite geográfico dos crátons da Argentina e o avanço horizontal ou inclinado da placa de Nazca sobre o continente sul-americano. “As áreas de ruptura causadas por terremotos intensos, como o de Valdivia em 1960, coincidiram com nossos resultados”, disse ele. “Podemos agora mapear as regiões mais frágeis e as possíveis zonas de ruptura antes dos tremores, embora não seja possível prever onde e quando um tremor possa ocorrer.”

Talvez às vezes seja possível. No dia 27 de março, o chileno Hans Agurto Detzel, em uma apresentação no IAG-USP, onde é pesquisador, disse que tinha observado uma sequência de terremotos pequenos na costa norte do Chile, com base em uma rede de sismógrafos, um dos aparelhos mais comuns para estudos em geofísica. Ele indicou uma região ainda vazia – uma lacuna sísmica – e a possibilidade iminente de um terremoto de magnitude oito a nove naquela área; o último dessa intensidade tinha ocorrido em 1877. No dia 1º de abril chegou o terremoto de magnitude 8,2 na região que ele havia assinalado, rompendo somente 200 dos 500 quilômetros da lacuna sísmica.

Nos dias seguintes, acompanhando os tremores no norte do Chile, ele notou que os tremores começavam a migrar para o sul da lacuna sísmica. Exatamente ao sul, entre Iquique e a península de Mejillones, parecia haver muita energia acumulada, “o suficiente para gerar outro sismo de magnitude similar ou maior”, segundo ele. Uma página do IAG na internet contém informações atualizadas sobre tremores no Brasil e nos países vizinhos.

Artigos científicos

BOMFIM, E. P. et al. Mutual evaluation of global gravity models (EGM2008 and Goce) and terrestrial data in Amazon Basin, Brazil. Geophysical Journal International, v. 2, p. 870-82. 2013.

BRAITENBERG, C. Exploration of tectonic structures with Goce in Africa and across-continents. International Journal of Applied Earth Observation and Geoinformation. 2014 (no prelo).