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domingo, 4 de setembro de 2022

 

Camadas da atmosfera terrestre

A atmosfera da Terra é a camada de gases (comumente chamada de ar) que envolve a Terra e cria um ambiente habitável, mantém a temperatura, causa clima e protege seus habitantes da radiação solar.

Quantas camadas tem a atmosfera da Terra e como elas são chamadas

Camadas da Atmosfera

Os cientistas dividem a atmosfera em 5 camadas diferentes com base em fatores como pressão e densidade do ar. Os nomes dessas camadas, em ordem do menor para o maior, são:

  1. Troposfera
  2. Estratosfera
  3. Mesosfera
  4. Termosfera
  5. Exosfera  

1. Troposfera

Temperatura: 62°F (17°C) em torno do ponto mais baixo a -60°F (-51°C) perto do topo

A troposfera é a camada mais baixa da atmosfera e é onde vivemos. Estende-se até 5 a 10 milhas (8 a 15 km) acima da superfície. É a camada mais densa, contendo mais da metade do volume total de ar. A maior parte do vapor de água atmosférico e poeira são encontrados aqui. Isso significa que todo o clima que experimentamos ocorre nesse nível, pois as nuvens são formadas aqui. Na troposfera, a temperatura cai à medida que subimos, e é a mais baixa na tropopausa que atua como limite entre esta camada e a próxima. é aqui que a corrente de jato da Terra (uma corrente de ar estreita, rápida e sinuosa) também é encontrada.

2. Estratosfera

Temperatura: -60°F (-51°C) perto da tropopausa a 5°F (-15°C) perto da próxima camada

Fica logo acima da troposfera, estendendo-se até 31 milhas (50 km) de altura. É a parte da atmosfera que contém a camada de ozônio , essencial para nossa sobrevivência, pois impede que os raios UV nocivos do Sol cheguem até nós. Ao contrário da troposfera, nesta camada, a temperatura aumenta à medida que subimos. Além disso, aviões a jato e balões meteorológicos voam nesta camada, pois há menos turbulência. A estratopausa atua como o limite entre a estratosfera e a mesosfera.

3. Mesosfera

Temperatura: Varia de 32°F (0°C) a -130°F (-90°C), a temperatura mais baixa encontrada na Terra

A mesosfera se estende desde logo acima da estratosfera até 53 milhas (85 km) de altura. É a camada mais fria da atmosfera, com a temperatura caindo ao seu nível mais baixo no limite entre a mesosfera e a termosfera, chamada de mesopausa. Não se sabe muito sobre essa camada, exceto que os meteoróides queimam aqui, o que os impede de atingir a superfície da Terra.

4. Termosfera

Temperatura: 932°F (500°C) a 3.632°F (2.000°C) - depende de quão quente o sol está

A termosfera se estende desde a mesopausa até cerca de 600 km de altura. É a camada mais quente da atmosfera, mas a densidade do ar é tão baixa que a alta temperatura não pode ser sentida. A maior parte da termosfera é realmente considerada parte do espaço sideral devido a essa baixa densidade do ar. É aqui que ocorrem a Aurora Boreal e a Aurora Austral. Eles são causados ​​por colisões entre partículas carregadas do espaço e as moléculas de ar na termosfera e podem ser vistas como espetaculares exibições de luz no céu perto dos pólos norte e sul, respectivamente.

5. Exosfera

Temperatura: Até 2.700°F (1.500°C)

A exosfera se estende desde a termosfera até cerca de 10.000 km e é o limite superior da atmosfera. Seu limite inferior é chamado de exobase ou exopausa, e esta é a altitude acima da qual a temperatura atmosférica permanece quase constante. A exosfera é a camada menos densa da atmosfera, composta principalmente de hélio e hidrogênio.

Perguntas frequentes

Q1. Em que camada da atmosfera os satélites orbitam a Terra?

Resp. A termosfera é onde satélites e estações espaciais, como a Estação Espacial Internacional, orbitam a Terra.

Q2. Os aviões voam em que camada da atmosfera?

Resp. Aviões e outras aeronaves comerciais voam na troposfera.

Q3. A que altura começa o espaço sideral?

Resp. A linha Kármán, a 62 milhas (100 km) acima da superfície, é frequentemente considerada o ponto em que o espaço sideral começa.

Q4. O que é a ionosfera e onde ela se encontra na atmosfera?

Resp. A ionosfera é uma camada de partículas carregadas (íons) que se estende de 48 km acima da superfície até cerca de 965 km. Estende-se sobre a mesosfera, a maior parte da termosfera e algumas partes da estratosfera. É importante para as comunicações de rádio e é responsável pelas auroras. Seu tamanho varia com o dia e a noite.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

 1.2 A ATMOSFERA

        A atmosfera é uma camada relativamente fina de gases e material particulado (aerossóis) que envolve a Terra. De fato, 99% da massa da atmosfera está contida numa camada de ~0,25% do diâmetro da Terra (~32 km). Esta camada é essencial para a vida e o funcionamento ordenado dos processos físicos e biológicos sobre a Terra. A atmosfera protege os organismos da exposição a níveis arriscados de radiação ultravioleta, contém os gases necessários para os processos vitais de respiração celular e fotossíntese e fornece a água necessária para a vida.

Fig. 1.1 Composição do ar seco

        a) Composição da Atmosfera

        A composição do ar não é constante nem no tempo, nem no espaço. Contudo se removêssemos as partículas suspensas, vapor d'água e certos gases variáveis, presentes em pequenas quantidades, encontraríamos uma composição muito estável sobre a Terra, até uma altitude de ~ 80 km (Fig. 1.1 e Tab. 1.1).
 

 Gás
Porcentagem 
Partes por Milhão
Nitrogênio
78,08
780.000,0
Oxigênio
20,95
209.460,0
Argônio
0,93
9.340,0
Dióxido de carbono
0,035
350,0
Neônio
0,0018
18,0
Hélio
0,00052
5,2
Metano
0,00014
1,4
Kriptônio
0,00010
1,0
Óxido nitroso
0,00005
0,5
Hidrogênio
0,00005
0,5
Ozônio
0,000007
0,07
Xenônio
0,000009
0,09

Tabela 1.1 Principais gases do ar seco

        O nitrogênio e o oxigênio ocupam até 99% do volume do ar seco e limpo. A maior parte do restante 1% é ocupado pelo gás inerte argônio. Embora estes elementos sejam abundantes eles tem pouca influência sobre os fenômenos do tempo. A importância de um gás ou aerossol atmosférico não está relacionado a sua abundância relativa. Por exemplo, o dióxido de carbono, o vapor d'água, o ozônio e os aerossóis ocorrem em pequenas concentrações mas são importantes para os fenômenos meteorológicos ou para a vida.

        Embora constitua apenas 0,03% da atmosfera, o dióxido de carbono é essencial para a fotossíntese:

        Por ser um eficiente absorvedor de energia radiante (de onda longa) emitida pela Terra, ele influencia o fluxo de energia através da atmosfera, fazendo com que a baixa atmosfera retenha o calor, tornando a Terra própria à vida. O percentual de dióxido de carbono vem crescendo devido à queima de combustíveis fósseis tais como o carvão, petróleo e gás natural. Muito do dióxido de carbono adicional é absorvido pelas águas dos oceanos ou usado pelas plantas mas em torno de 50% permanece no ar. Projeções indicam que na 2ª metade do próximo século os níveis de  serão o dobro do que eram no início do século 20. Embora o impacto deste crescimento seja difícil de prever, acredita-se que ele trará um aquecimento na baixa troposfera e portanto produzirá mudanças climáticas globais.

        O vapor d'água é um dos mais variáveis gases na atmosfera e também tem pequena participação relativa. Nos trópicos úmidos e quentes constitui não mais que 4% do volume da baixa atmosfera, enquanto sobre os desertos e regiões polares pode constituir uma pequena fração de 1%. Contudo, sem vapor d'água não há nuvens, chuva ou neve. Além disso, o vapor d'água também tem grande capacidade de absorção, tanto da energia radiante emitida pela Terra (em ondas longas), como também de alguma energia solar. Portanto, junto com o , o vapor d'água atua como uma manta para reter calor na baixa atmosfera. Como a água é a única substância que pode existir nos 3 estados (sólido, líquido e gasoso) nas temperaturas e pressões existentes normalmente sobre a Terra, suas mudanças de estado absorvem ou liberam calor latente. Desta maneira, calor absorvido em uma região é transportado por ventos para outros locais e liberado. O calor latente liberado, por sua vez, fornece a energia que alimenta tempestades ou modificações na circulação atmosférica.

        O ozônio, a forma triatômica do oxigênio (), é diferente do oxigênio que respiramos, que é diatômico (). Ele tem presença relativamente pequena e distribuição não uniforme, concentrando-se entre 10 e 50 km (e em quantidades bem menores, no ar poluído de cidades), com um pico em torno de 25 km. Sua distribuição varia também com a latitude, estação do ano, horário e padrões de tempo, podendo estar ligada a erupções vulcânicas e atividade solar. A formação do ozônio na camada entre 10-50 km é resultado de uma série de processos que envolvem a absorção de radiação solar. Moléculas de oxigênio () são dissociadas em átomos de oxigênio após absorverem radiação solar de ondas curtas (ultravioleta). O ozônio é formado quando um átomo de oxigênio colide com uma molécula de oxigênio em presença de uma 3ª molécula que permite a reação mas não é consumida no processo . A concentração do ozônio nesta camada deve-se provavelmente a dois fatores:

(1) a disponibilidade de energia ultravioleta e

(2) a densidade da atmosfera é suficiente para permitir as colisões necessárias entre oxigênio molecular e oxigênio atômico.

        A presença do ozônio é vital devido a sua capacidade de absorver a radiação ultravioleta do sol na reação de fotodissociação . O átomo livre recombina-se novamente para formar outra molécula de ozônio, liberando calor. Na ausência da camada de ozônio a radiação ultravioleta seria letal para a vida. Desde os anos 70 tem havido contínua preocupação de que uma redução na camada de ozônio na atmosfera possa estar ocorrendo por interferência humana. Acredita-se que o maior impacto é causado por um grupo de produtos químicos conhecido por clorofluorcarbonos (CFCs). CFCs são usados como propelentes em 'sprays' aerossol, na produção de certos plásticos e em equipamentos de refrigeração e condicionamento de ar. Como os CFCs são praticamente inertes (não quimicamente ativos) na baixa atmosfera, uma parte deles eventualmente atinge a camada de ozônio, onde a radiação solar os separa em seus átomos constituintes. Os átomos de cloro assim liberados, através de uma série de reações acabam convertendo parte do ozônio em oxigênio. A redução do ozônio aumentaria o número de casos de certos tipos de câncer de pele e afetaria negativamente colheitas e ecossistemas.

        Além de gases, a atmosfera terrestre contém pequenas partículas, líquidas e sólidas, chamadas aerossóis. Alguns aerossóis - gotículas de água e cristais de gelo - são visíveis em forma de nuvens. A maior concentração é encontrada na baixa atmosfera, próximo a sua fonte principal, a superfície da Terra. Eles podem originar-se de incêndios florestais, erosão do solo pelo vento, cristais de sal marinho dispersos pelas ondas que se quebram, emissões vulcânicas e de atividades agrícolas e industriais. Alguns aerossóis podem originar-se na parte superior da atmosfera, como a poeira dos meteoros que se desintegram. Embora a concentração dos aerossóis seja relativamente pequena, eles participam de processos meteorológicos importantes. Em 1° lugar, alguns aerossóis agem como núcleos de condensação para o vapor d'água e são importantes para a formação de nevoeiros, nuvens e precipitação. Em 2° lugar, alguns podem absorver ou refletir a radiação solar incidente, influenciando a temperatura. Assim, quando ocorrem erupções vulcânicas com expressiva liberação de poeira, a radiação solar que atinge a superfície da Terra pode ser sensivelmente alterada. Em 3° lugar, a poeira no ar contribui para um fenômeno ótico conhecido: as várias tonalidades de vermelho e laranja no nascer e pôr-do-sol.

        b) Estrutura Vertical da Atmosfera

        b.1) Perfis Verticais de Pressão e Densidade

Fig. 1.2 Perfil vertical médio da pressão do ar

        Sabemos que o ar é compressível, isto é, seu volume e sua densidade são variáveis. A força da gravidade comprime a atmosfera de modo que a máxima densidade do ar (massa por unidade de volume) ocorre na superfície da Terra. O decréscimo da densidade do ar com a altura é bastante rápido (decréscimo exponencial) de modo que na altitude de ~5,6 km a densidade já é a metade da densidade ao nível do mar e em ~16 km já é de apenas 10% deste valor e em ~32 km apenas 1%.

        O rápido decréscimo da densidade do ar significa também um rápido declínio da pressão do ar com a altitude. A pressão da atmosfera numa determinada altitude é simplesmente o peso da coluna de ar com área de seção reta unitária, situada acima daquela altitude. No nível do mar a pressão média é de ou , que corresponde a um peso de 1kg de ar em cada . O perfil vertical médio da pressão do ar é mostrado na Fig. 1.2. O decréscimo da densidade do ar segue uma curva semelhante. Não é possível determinar onde termina a atmosfera, pois os gases se difundem gradualmente no vazio do espaço.

        Quando estudarmos a pressão atmosférica, discutiremos uma interpretação física da Fig. 1.2.

        b.2) Perfil Vertical de Temperatura

Fig. 1.3 - Perfil vertical médio de temperatura na atmosfera

        Por conveniência de estudo a atmosfera é usualmente subdividida em camadas concêntricas, de acordo com o perfil vertical médio de temperatura (Fig. 1.3).

        A camada inferior, onde a temperatura decresce com a altitude, é a troposfera, que se estende a uma altitude média de 12 km (~ 20 km no equador e ~ 8 km nos polos). Nesta camada a taxa de variação vertical da temperatura tem valor médio de 6,5°C/km. Esta taxa na realidade, é bastante variável. De fato, algumas vezes a temperatura cresce em finas camadas, caracterizando uma inversão de temperatura. A troposfera é o principal domínio de estudo dos meteorologistas, pois é nesta camada que ocorrem essencialmente todos os fenômenos que em conjunto caracterizam o tempo. Na troposfera as propriedades atmosféricas são facilmente transferidas por turbulência de grande escala e mistura. O seu limite superior é conhecido como tropopausa.

        A camada seguinte, a estratosfera ,se estende até ~50 km. Inicialmente, por uns 20 km, a temperatura permanece quase constante e depois cresce até o topo da estratosfera, a estratopausa. Temperaturas mais altas ocorrem na estratosfera porque é nesta camada que o ozônio está concentrado. Conforme mencionamos, o ozônio absorve radiação ultravioleta do sol. Consequentemente, a estratosfera é aquecida.

        Na mesosfera a temperatura novamente decresce com a altura, até a mesopausa, que está em torno de 80 km, onde atinge ~ -90°C. Acima da mesopausa, e sem limite superior definido, está a termosfera, onde a temperatura é inicialmente isotérmica e depois cresce rapidamente com a altitude, como resultado da absorção de ondas muito curtas da radiação solar por átomos de oxigênio e nitrogênio. Embora as temperaturas atinjam valores muito altos, estas temperaturas não são exatamente comparáveis àquelas experimentadas próximo a superfície da Terra. Temperaturas são definidas em termos da velocidade média das moléculas. Como as moléculas dos gases da termosfera se movem com velocidades muito altas, a temperatura é obviamente alta. Contudo, a densidade é tão pequena que muito poucas destas moléculas velozes colidiriam com um corpo estranho; portanto, só uma quantidade insignificante de energia seria transferida. Portanto, a temperatura de um satélite em órbita seria determinada principalmente pela quantidade de radiação solar que ele absorve e não pela temperatura do ar circundante.

        Os perfis verticais de pressão e temperatura do ar (Figs. 1.2 e 1.3) aqui apresentados são baseados na atmosfera padrão, um modelo da atmosfera real. Representa o estado da atmosfera numa média para todas as latitudes e estações. Ela apresenta valores fixos da temperatura e pressão do ar ao nível do mar (15°C e 1013,25mb) e perfis verticais fixos de temperatura e pressão.

        c) A Ionosfera

        Entre as altitudes de 80 a 900 km (na termosfera) há uma camada com concentração relativamente alta de íons, a ionosfera. Nesta camada a radiação solar de alta energia de ondas curtas (raios X e radiação ultravioleta) tira elétrons de moléculas e átomos de nitrogênio e oxigênio, deixando elétrons livres e íons positivos. A maior densidade de íons ocorre próximo a 300 km. A concentração de íons é pequena abaixo de 80 km porque nestas regiões muito da radiação de ondas curtas necessária para ionização já foi esgotada. Acima de ~400 km a concentração é pequena por causa da extremamente pequena densidade do ar, possibilitando a produção de poucos íons.

        A estrutura da ionosfera consiste de 3 camadas de densidade variável de íons: as camadas D, E e F, com altitude e densidade de íons crescente. Como a produção de íons requer a radiação solar direta, a concentração de íons diminui do dia para a noite, particularmente nas camadas D e E, onde os elétrons se recombinam com íons positivos durante a noite. A taxa de recombinação depende da densidade do ar, isto é, quanto mais denso o ar maior a probabilidade de colisão e recombinação das partículas. Assim, a camada D desaparece à noite, a camada E se enfraquece consideravelmente, mas a camada F continua presente à noite, embora enfraquecida, pois a densidade nesta camada é muito pequena.

        A ionosfera tem pequeno impacto sobre o tempo, mas tem grande influência sobre a transmissão de ondas de rádio na banda AM. Durante o dia as ondas de rádio tendem a ser absorvidas nas dois camadas mais baixas, especialmente na camada D. A camada F reflete as ondas de rádio durante o dia e a noite. Contudo , mesmo que as ondas consigam atravessar as camadas D e E e ser refletidas na camada F, elas serão absorvidas no seu caminho de volta para a Terra. À noite, contudo, a camada absorvedora D desaparece e as ondas podem atingir a camada F mais facilmente e ser refletidas para a superfície da Terra. Isto explica porque à noite os sinais de rádio atingem grandes distâncias sobre a Terra (Fig. 1.4).

Fig. 1.4 - Influência da Ionosfera sobre a transmissão de ondas de rádio.

        Na ionosfera ocorre também o fenômeno da aurora boreal (no Hemisfério Norte) ou austral (no Hemisfério Sul). As auroras estão relacionadas com o vento solar , um fluxo de partículas carregadas, prótons e elétrons, emanadas do sol com alta energia. quando estas partículas se aproximam da Terra, elas são capturadas pelo campo magnético da Terra. Sob a ação da força exercida pelo campo magnético sobre cargas em movimento (), elas descrevem trajetórias espiraladas ao longo das linhas de indução  do campo magnético terrestre, movendo-se para frente e para trás entre os pólos magnéticos sul e norte, onde são "refletidas" devido ao aumento do campo magnético. Estes elétrons e prótons aprisionados constituem os chamados "cinturões radioativos de Van Allen". Algumas partículas acompanham o campo magnético da Terra em direção aos pólos geomagnéticos, penetrando na ionosfera, onde colidem com átomos e moléculas de oxigênio e nitrogênio, que são temporariamente energizados. Quando estes átomos e moléculas retornam do seu estado energético excitado, eles emitem energia na forma de luz, o que constitui as auroras. As zonas de maior ocorrência das auroras situam-se em torno de 20-30° ao redor dos pólos geomagnéticos (76°N, 102°W; 68°S, 145°E). A atividade auroral varia com a atividade do sol. Quando o sol está calmo, a zona auroral diminui; quando o sol está ativo (com explosões solares), intensificando o vento solar, a zona auroral se expande em direção ao equador.

        No próximo capítulo o maior objetivo é examinar a força motora do tempo. Para isto, é necessária a compreensão do fornecimento de energia pelo Sol e das conversões de energia na atmosfera.
 
 

Para saber mais sobre auroras e campo magnético terrestre:

BRIEN, J. O., 1963: Radiation belts, Scientific American, 208, 5, 84-96.

AKASOFU,S.I., 1989: The dynamic aurora, Scientific American, 260, 5, 54-63.

terça-feira, 14 de julho de 2020

Exploring the Earth's Four Spheres

Illustration depicting the 4 spheres of earth. Scene shows two people by a waterfall.
Hugo Lin / ThoughtCo
A área próxima à superfície da Terra pode ser dividida em quatro esferas interconectadas: litosfera, hidrosfera, biosfera e atmosfera. Pense nelas como quatro partes interconectadas que compõem um sistema completo; neste caso, da vida na terra. Os cientistas ambientais usam esse sistema para classificar e estudar os materiais orgânicos e inorgânicos encontrados no planeta.

A Litosfera

A litosfera, às vezes chamada de geosfera, refere-se a todas as rochas da terra. Inclui o manto e a crosta do planeta, as duas camadas mais externas. As rochas do Monte Everest, as areias de Miami Beach e a lava que sai do Monte Kilauea, no Havaí, são todos componentes da litosfera.

A espessura real da litosfera varia consideravelmente e pode variar de aproximadamente 40 km a 280 km.1 A litosfera termina no ponto em que os minerais na crosta terrestre começam a demonstrar comportamentos viscosos e fluidos. A profundidade exata em que isso acontece depende da composição química da terra, bem como do calor e pressão que atuam sobre o material.

A litosfera é dividida em cerca de 12 placas tectônicas principais e várias placas menores que se encaixam como um quebra-cabeça. As placas principais incluem as placas euro-asiática, indo-australiana, filipina, antártica, pacífica, cocos, Juan de Fuca, norte-americana, caribenha, sul-americana, escócia e africana.2

Essas placas não são fixas; eles estão se movendo lentamente. O atrito criado quando as placas tectônicas se pressionam causa terremotos, vulcões e a formação de montanhas e trincheiras oceânicas.

A Hidrosfera

A hidrosfera é composta por toda a água na superfície ou perto da superfície do planeta. Isso inclui oceanos, rios e lagos, além de aquíferos subterrâneos e a umidade da atmosfera. Os cientistas estimam a quantidade total em cerca de 1,3 bilhões de quilômetros cúbicos.

Mais de 97% da água da terra é encontrada nos oceanos.3 O restante é de água doce, dois terços dos quais são congelados nas regiões polares da terra e nas montanhas de neve. É interessante notar que, embora a água cubra a maior parte da superfície do planeta, a água representa apenas 0,023% da massa total da Terra.4

A água do planeta não existe em um ambiente estático, muda de forma à medida que se move pelo ciclo hidrológico. Ela cai na terra na forma de chuva, penetra nos aquíferos subterrâneos, sobe à superfície a partir de fontes ou de rochas porosas e flui de pequenos riachos para rios maiores que desaguam em lagos, mares e oceanos, onde alguns deles evapora na atmosfera para começar o ciclo novamente.

A Biosfera

A biosfera é composta por todos os organismos vivos: plantas, animais e organismos unicelulares. A maior parte da vida terrestre do planeta é encontrada em uma zona que se estende de 3 metros abaixo do solo a 30 metros acima dele. Nos oceanos e mares, a maior parte da vida aquática habita uma zona que se estende desde a superfície até cerca de 200 metros abaixo.

Mas algumas criaturas podem viver muito além desses limites: sabe-se que alguns pássaros voam até 7.000 metros acima da terra, sob certas circunstâncias.6 No outro lado do espectro, o caracol de Mariana foi encontrado vivendo em profundidade abaixo de 6.000 metros na Fossa das Marianas.7 Sabe-se que os microrganismos sobrevivem muito além dessas faixas.

A biosfera é composta de biomas, áreas em que plantas e animais de natureza semelhante podem ser encontrados juntos. Um deserto, com seus cactos, areia e lagartos, é um exemplo de bioma. Um recife de coral é outro.

A Atmosfera

A atmosfera é o corpo de gases que rodeia o nosso planeta, mantido no lugar pela gravidade da Terra. A maior parte da nossa atmosfera está localizada perto da superfície da Terra, onde é mais densa. O ar do nosso planeta tem 79% de nitrogênio e pouco menos de 21% de oxigênio; a pequena quantidade restante é composta de argônio, dióxido de carbono e outros gases vestigiais.8

A atmosfera em si sobe para cerca de 10.000 quilômetros de altura e é dividida em quatro zonas. A troposfera, onde cerca de três quartos de toda a massa atmosférica pode ser encontrada, se estende de 8 a 14,5 quilômetros acima da superfície da Terra. Além disso, está a estratosfera, que se eleva a 50 quilômetros acima do planeta. Em seguida, vem a mesosfera, que se estende a cerca de 85 quilômetros acima da superfície da Terra. A termosfera se eleva a cerca de 600 quilômetros acima da terra e, finalmente, a exosfera, a camada mais externa. Além da exosfera, encontra-se o espaço sideral.

Conclusion

Todas as quatro esferas podem estar e frequentemente estão presentes em um único local. Por exemplo, um pedaço de solo conterá minerais da litosfera. 

Além disso, haverá elementos da hidrosfera presentes como umidade no solo, a biosfera como insetos e plantas e até a atmosfera como bolsões de ar entre as partes do solo. 

O sistema completo é o que compõe a vida como a conhecemos na Terra.


Fonte: https://www.thoughtco.com/the-four-spheres-of-the-earth-1435323?utm_campaign=wilat&utm_medium=email&utm_source=cn_nl&utm_content=20364453&utm_term=

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

O dióxido de carbono está aquecendo o planeta (veja como)

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Uma imagem do satélite NOAA / NASA, GOES-16, mostra uma imagem visível colorida do disco completo da Terra em 15 de janeiro de 2017. (Imagem: © NOAA / NASA)
 
O chefe da Agência de Proteção Ambiental (EPA) disse que não acredita que o dióxido de carbono seja o principal motor das mudanças climáticas.
 
"Penso que medir com precisão a atividade humana no clima é algo muito desafiador, e há uma tremenda discordância sobre o grau de impacto. Portanto, não concordo que seja o principal contribuinte para o aquecimento global que vemos". O chefe da EPA, Scott Pruitt, disse ao programa de notícias da manhã da CNBC "Squawk Box" ontem (9 de março).
 
Os comentários de Pruitt são contrários à pesquisa científica sobre mudança climática. Mas quando mesmo o chefe da EPA duvida do consenso, pode ser difícil cortar o barulho para entender o que os cientistas estão realmente usando quando expressam preocupação com as mudanças climáticas. [ A realidade da mudança climática: 10 mitos presos ]
 
"Acho que muitas pessoas têm preocupações muito sérias em sua vida e simplesmente não têm tempo para fazer todo o dever de casa e os antecedentes para descobrir isso", disse Katherine Moore Powell, ecologista climática do Field Museum em Chicago.
 
Então, aqui está uma cartilha explicando exatamente por que os cientistas sabem que o clima está mudando e que as atividades humanas estão causando isso.

Terra está esquentando


(Crédito da imagem: Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (5º Relatório de Síntese))
Nesse ponto, mesmo os negadores mais severos do clima seriam pressionados a argumentar que o clima não está esquentando. Simplificando, está ficando mais quente por aí. Combinando medições de terra e oceano de 1850 a 2012, os pesquisadores descobriram que a temperatura média da superfície do ar aumentou globalmente em 0,8 graus Celsius desde o início da era industrial. Isso está de acordo com o quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), lançado em 2014. O gráfico superior na figura do resumo do relatório do IPCC para os formuladores de políticas mostra a anomalia de temperatura em Celsius.
 
O próximo gráfico nesta sequência mostra o aumento do nível do mar, que subiu globalmente em média 7,4 polegadas (0,19 metros) desde 1901. De acordo com o IPCC, a taxa de aumento do nível do mar desde meados do século XIX foi superior à taxa dos dois milênios anteriores. Os cientistas usam medidores de marés e medições de satélite para rastrear mudanças no nível do mar, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). Geólogos e outros cientistas da Terra podem estudar rochas, fósseis e núcleos de sedimentos para obter uma visão de longo prazo das mudanças no nível do mar, de acordo com a NASA .
 
Os dois gráficos inferiores mostram concentrações crescentes de gases de efeito estufa e emissões estimadas de dióxido de carbono por seres humanos desde 1850. A tendência crescente é evidente em cada figura. Os cientistas monitoram o dióxido de carbono na atmosfera bombeando ar para dentro de uma câmara artificial e lançando uma luz infravermelha através da amostra. O dióxido de carbono absorve a luz infravermelha com muita eficiência - mais isso em um minuto -, portanto, a quantidade de infravermelho absorvido pode ser usada para calcular a quantidade de CO2 na amostra. [ 10 principais maneiras de destruir a Terra ]
 
O principal (e mais antigo) local para essas medições é o Observatório Mauna Loa, no Havaí, que informou recentemente que a concentração de dióxido de carbono na atmosfera do planeta ultrapassou 400 partes por milhão . Em 1958, quando as observações em Mauna Loa começaram, a concentração anual de dióxido de carbono na atmosfera era de 315 partes por milhão.

A física dos gases de efeito estufa

O dióxido de carbono não é um candidato azarão para o aquecimento da atmosfera. Em 1896, o cientista sueco Svante Arrhenius (que mais tarde ganhou o primeiro Prêmio Nobel de Química) publicou um artigo na Philosophical Magazine e no Journal of Science que expunha o básico do que é agora conhecido como "efeito estufa".
 
O efeito é o resultado de como a energia interage com a atmosfera. A luz do sol entra na atmosfera como luz ultravioleta e visível; parte dessa energia solar é então irradiada de volta ao espaço como energia infravermelha ou calor. A atmosfera é de 78% de nitrogênio e 21% de oxigênio , que são gases constituídos por moléculas contendo dois átomos. Esses pares firmemente ligados não absorvem muito calor.
 
Mas os gases de efeito estufa, incluindo dióxido de carbono, vapor de água e metano, cada um tem pelo menos três átomos em suas moléculas. Essas estruturas frouxamente unidas são absorvedores eficientes da radiação de ondas longas (também conhecida como calor), que retornam da superfície do planeta. Quando as moléculas do dióxido de carbono e outros gases de efeito estufa reemitem essa radiação de ondas longas de volta à superfície da Terra, o resultado é o aquecimento.

É realmente dióxido de carbono?

Assim, as temperaturas estão subindo, assim como os níveis de dióxido de carbono atmosférico. Mas os dois estão conectados?
Sim. A evidência é forte. Em 2006, os cientistas apresentaram um cartaz na 18ª Conferência sobre Variabilidade e Mudança Climática, que até mediu o efeito diretamente . Usando espectrômetros (ferramentas que medem espectros para identificar comprimentos de onda específicos), os pesquisadores analisaram os comprimentos de onda da radiação infravermelha que chega ao solo. Com base nos comprimentos de onda variados, os cientistas determinaram que mais radiação estava ocorrendo devido à contribuição de gases de efeito estufa específicos.
No geral, eles descobriram que a radiação de gases de efeito estufa aumentou 3,5 watts por metro quadrado em comparação com os tempos pré-industriais, um aumento de pouco mais de 2%. Outros pesquisadores observaram "falta" de comprimentos de onda infravermelhos na radiação para o espaço, um fenômeno que ocorre porque esses comprimentos de onda perdidos ficam presos na atmosfera.
 
Os cientistas também sabem que o carbono extra na atmosfera é o mesmo carbono proveniente da queima de combustíveis fósseis. Ao analisar variações moleculares chamadas isótopos, os pesquisadores podem rastrear a origem do carbono atmosférico, disse Moore Powell.
"Sabemos como é a queima de combustíveis fósseis, no sentido científico", disse ela.
Isso não quer dizer que o clima seja tão simples quanto uma estufa real. Muitos fatores influenciam a temperatura global, incluindo erupções vulcânicas e variações no ciclo solar e na órbita da Terra que alteram a quantidade de luz solar que atinge o planeta.
 
Mas os cientistas sabem que os vulcões e o sol não são os culpados pelas recentes mudanças climáticas. De acordo com o IPCC , as emissões vulcânicas de dióxido de carbono são, no máximo, um centésimo das emissões humanas de CO2 desde 1750. Além disso, as erupções vulcânicas causam mudanças em prazos curtos de cerca de dois anos, não as mudanças de longo prazo que estão sendo observadas atualmente.
O sol é mais complexo, mas os pesquisadores descobriram que o mínimo recente do ciclo solar (entre 1986 e 2008) era realmente menor do que os dois mínimos anteriores do ciclo solar ( o sol se move entre mínimos silenciosos e máximos ativos cerca de uma vez a cada cinco anos) . De qualquer forma, concluiu o IPPC, a atividade solar recente deveria ter resultado no resfriamento, não no aquecimento. Da mesma forma, um estudo de 2012 descobriu que, entre 2005 e 2010, um período em que a atividade solar era baixa, a Terra ainda absorveu 0,58 watts de excesso de energia por metro quadrado , continuando a aquecer, apesar do menor nível de energia solar que entra no sistema.

Onde está a verdadeira incerteza?

Dado o peso das evidências, os cientistas chegaram a um consenso de que as mudanças climáticas estão acontecendo e que as emissões humanas de gases de efeito estufa são a causa principal.
Então, onde estão os verdadeiros debates científicos?
Ainda há muitas perguntas sobre a rapidez com que as mudanças climáticas acontecerão e quais serão os efeitos precisos.
 
"O que eu diria que é mais incerto é simplesmente a rapidez com que as coisas estão mudando", disse Moore Powell. "Estou muito interessado no ritmo".
Uma das principais incógnitas é a influência suprema das nuvens no clima : as nuvens são brancas, refletindo a luz do sol de volta ao espaço, o que poderia ter um efeito de resfriamento. Mas as nuvens também são vapor de água, que retém o calor. E diferentes tipos de nuvens podem ter efeitos de aquecimento ou resfriamento, de modo que o papel preciso das nuvens no ciclo de retroalimentação do aquecimento global permanece difícil de desvendar , disseram os cientistas.
 
Outra questão importante é quão alto e com que rapidez o nível do mar aumentará à medida que o aquecimento das águas do mar se expandir e o gelo da Antártica e do Ártico derreter. O IPCC previa um aumento de 52 a 98 cm (20 a 38 polegadas), assumindo que não sejam feitos esforços para conter as emissões de gases de efeito estufa.
 
Essa faixa é ampla, em grande parte porque a dinâmica das camadas de gelo da Antártica não é completamente compreendida. Se as geleiras terrestres da Antártica se deslocarem rapidamente para o mar com um pouco de aquecimento, isso será uma má notícia para as comunidades costeiras, disseram pesquisadores. É por isso que os cientistas estão observando atentamente agora, enquanto uma fenda está dividindo a plataforma de gelo Larsen C no mar de Weddell. Se o gigantesco evento de descida de iceberg desestabilizar a plataforma de gelo, poderá resultar no rápido fluxo das geleiras terrestres atrás dela para o oceano. Esse tipo de fluxo glacial rápido já ocorreu nas proximidades, quando a plataforma de gelo Larsen B desmoronou em 2002.
 
Para um ecologista como Moore Powell, também existem inúmeras perguntas para responder sobre como os ecossistemas reagirão a uma mudança climática. Se o ritmo for lento o suficiente, plantas e animais poderão se adaptar. Mas em muitos lugares, a mudança está acontecendo muito rapidamente, disse Moore Powell.
 
"Não há tempo suficiente neste ritmo para a adaptação natural assumir", disse ela.
Artigo original sobre Live Science .