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quinta-feira, 17 de outubro de 2019
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sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Metilação do DNA
Introdução: A
metilação consiste na adição de grupamentos metila a base citosina (C) DNA, dependendo de suas posições na molécula,
tanto o DNA procariótico quanto o
eucariótico podem ser metilados; a metilação é catalizada por enzimas,
sendo fundamental na regulação do “silenciar
dos genes”, regulação das funções das
proteínas, metabolismos de RNA
além de estar presente no metabolismo da bactéria.
A modificação
química dos nucleotídeos é importante para a regulação de genes em eucariontes principalmente em mamíferos. Uma
determinada quantidade dos pares de
bases G-C são modificados pela adição de um grupo metila a citosina.
A metilação da
citosina sempre ocorre em duplas de pareamento de bases como segue abaixo:
5' mC p G3'
3'G p Cm 5'
mC representa a metilcitosina e
p indica a ligação fosfodiéster entre as bases de um
filamento de DNA.
Essa estrutura
pode ser abreviada simplesmente dando a composição de um filamento mCpG
Os dinucleotídeos
CpG juntamente com as enzimas de restrição que são sensíveis a modificação química em seus sítios de
reconhecimento digerem o DNA; as enzimas de
restrição são divididas em várias classes, dependendo da estrutura, da
atividade e dos sítios de reconhecimento
e clivagem.
A enzima Hpall
reconhece e cliva (corta) a sequência CCGG, porém quando a segunda citosina nesta sequência é metilada, Hpall
não pode mais clivar a sequência.
Os dinucleotídeos
CpG contém junto de si vários elementos curtos de DNA tendo uma
densidade muito mais alta de C e G que qualquer outra região do genoma,
estes segmentos são chamados de ilhas de
CpG.
Metilação no genoma humano:
No genoma Humano,
existem cerca de 45.000 destas ilhas, a maioria próximas ao sítio de início da transcrição, porque as citosinas
que estão próximas a essas ilhas nunca são
metiladas e este estado não metilado conduz a transcrição.
Onde o DNA
metilado é encontrado a transcrição é restrita, como exemplo o cromossomo X inativo de algumas fêmeas de
mamíferos que é extensamente metilado. Os mecanismos que fazem com que o DNA
metilado seja transcricionalmente silencioso
não são bem compreendidos.
Pórem sabe-se que
duas proteínas que reprimem a transcrição se ligam ao DNA metilado,
uma delas se chama MeCP2 e causa
mudança na cromatina , entretanto é
possível que os dinucleotídeos metilados CpG liguem mais
proteínas específicas desconhecidas e
que essas proteínas formem um complexo
que evita a transcrição de genes
vizinhos.
Exemplo de metilação em DNA dos mamíferos:
Quando ocorrem
casos em que um gene é controlado por sua origem parental, por exemplo um gene conhecido como H19 é expresso
quando é herdado da mãe, mas não é
expresso quando é herdado do pai, ou seja a expressão do gene esta
condicionada a origem parental, os
geneticistas dizem que esse gene foi imprintado, quer dizer que o gene foi marcado de algum modo, para que
“lembre” de qual genitor veio.
A marca que
condiciona a expressão de um gene é a metilação de um ou mais dinucléotideos CpG na vizinhança do gene,
esses dinucleotídeos metilados são
inicialmente formados na linhagem germinativa parental.
Exemplo de metilação em
bactérias:
Na metilação de
bactérias o grupo metil (CH3) são adicionados a determinados locais do DNA para impedir que ele seja destruído por
enzimas de restrição. A metilação do DNA acontece, quando as bactérias são
invadidas por vírus bacteriófago, elas
se defendem do vírus através do seu sistema imunológico cortando o DNA do
vírus em pedacinhos; para realizar esse
procedimento as bactérias desenvolveram uma série de enzimas de restrição (restringem o ataque
do vírus a bactéria) que reconhecem
seqüências especificas de DNA do vírus, e cortam o DNA no meio dessas
sequências.
As enzimas de restrição
distinguem entre o DNA bacteriano e o DNA do vírus através do metil que esta ligado a certas seqüências do
DNA da bactéria, não cortando portanto o
DNA bacteriano.
Porém o vírus não
tem essa enzima de restrição e quando ele injeta o seu DNA na bactéria, esse não contém nehuma proteção ou
seja nenhum metil para impedir que a
enzima de restrição o corte em pedacinhos.
Eco R1 em E.coli e
BamH1: nome de duas enzimas de restrição somente de bactérias.
Metilases: Enzimas
que realizam a metilação do DNA .
Alguns exemplos de metilação nos seres
Vivos:
Bactérias: O DNA
bacteriano possui certas sequências metiladas que se distingue do DNA
exógeno do vírus não-metilado que é introduzido, as bactérias usam
proteínas chamadas de enzima de
restrição para cortar qualquer DNA viral não metilado.
Eucarióticos: No
DNA eucariótico, as bases citosina são metiladas para formar o 5-metilcitosina, os organismos eucarióticos
se diferem muito em seu grau de metilação:
Células animais:
5% citosinas metiladas.
Plantas: mais de
50% citosinas metiladas.
Células de
leveduras: nenhuma metilação de citosina detectada.
Ainda não está
claro por que os organismos eucarióticos se diferem tanto em seu grau de
metilação.
Consequências da metilação:
A metilação afeta
a estrutura da molécula de DNA, e consequentemente o desenvolvimento da célula. As sequências que
são metiladas não são transcritas,
enquanto as sequências sem metilação estão sendo transcritas ativamente.
Leia mais:
https://geneticavirtual.webnode.com.br/genetica-virtual-home/prefacio/estrutura%20e%20replica%C3%A7%C3%A3o%20do%20dna/metila%C3%A7%C3%A3o%20do%20dna/
domingo, 23 de janeiro de 2011
Equações da vida
A mesma estrutura de códigos une sequências de DNA e comunicação digital
Marcos de Oliveira
Edição Impressa 178 - Dezembro 2010| “A teoria da informação é uma ferramenta adequada para o intercâmbio com a biologia molecular, diz Gérard Battail“ |
Os pesquisadores não desenvolveram um código novo para explicar a sequência do DNA. Eles verificaram que existe uma relação entre certas sequências de DNA com o código corretor de erros (ECC, sigla de error-correcting code), que são equações matemáticas utilizadas em todo processo digital, usado em sistemas de comunicação e de telecomunicações, em memórias de computador e memórias flash de pen-drives para corrigir ruídos ou defeitos que surjam nas transmissões. O código também é conhecido pelas letras BCH, que são as iniciais de seus descobridores – os indianos Raj Chandra Bose e Dwijendra Kumar Ray-Chaudhuri e o francês Alexis Hocquenghem –, e não apenas identifica o erro mas também faz a correção. A atribuição da associação de códigos de correção de erros com sequências de DNA não é nova.
É objeto de pesquisa desde a década de 1980 e um dos principais estudiosos é o professor Hubert Yockey, que trabalhou na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e publicou dois livros: Information theory and molecular biology, em 1992, e Information theory, evolution, and the origin of life, em 2005, ambos editados pela Cambrigde University Press. Outro pesquisador da área é Gérard Battail, professor aposentado da Escola Nacional Superior de Telecomunicações, da França, que tem escrito artigos propondo a relação entre código corretor de erros e o genoma. Eles têm demonstrado o processo e levantado hipóteses, mas não apresentaram as relações matemáticas com o DNA. Os brasileiros conseguiram estabelecer essa relação nas sequências do ácido ribonucleico mensageiro (RNAm) que geram as proteínas.
“Ao conhecermos a estrutura matemática da proteína é possível alterar a ordem das bases e também corrigir as mutações ou erros que possam acontecer para voltar à condição normal de uma proteína”, diz o professor.
Problema molecular – A capacidade de corrigir uma mutação ou um erro celular poderia, por exemplo, no futuro utilizar uma solução matemática para atuar sobre a falta de produção de insulina pelas células do pâncreas, corrigindo erros em um gene específico. “Seria possível identificar a estrutura matemática das mutações e onde elas ocorreram e talvez corrigir esse problema molecular para o organismo voltar a produzir insulina, revertendo as estruturas anteriores. Outra possibilidade seria fabricar proteínas a partir do código matemático ou ainda encontrar proteínas não conhecidas existentes nas células”, diz o professor Reginaldo Palazzo Júnior, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec) da Unicamp, outro coordenador do grupo. “A correção ou a forma de reverter o erro nas células acontece da mesma forma que num disco rígido (HD), que tem um setor danificado e o ECC reconstitui as informações.”
Com tantas possibilidades de uso na indústria, além do significado científico importante da descoberta, os pesquisadores resolveram, antes de publicar a novidade em periódicos científicos, depositar uma patente internacional pelo Tratado de Cooperação em Patentes (PCT, na sigla em inglês), em vários países, e outra nos Estados Unidos, com financiamento da FAPESP e gerenciamento da Agência de Inovação da Unicamp e da Agência USP de Inovação. Laboratórios do mundo poderão usar, se licenciarem a patente, as estruturas matemáticas descobertas pelo grupo, possivelmente na forma de um software, para testar proteínas em um amplo leque de produtos. “Essas informações são importantes para desenvolver vacinas, medicamentos ou proteínas para elaboração de queijos e amaciantes de roupa, por exemplo”, diz o professor Silva Filho. Hoje se faz uma alteração na sequência de DNA que codifica uma proteína e depois são feitos os testes em laboratório para verificar a eficácia da reação num experimento de tentativa e erro.
Com as equações matemáticas será possível testar a afinidade e a estabilidade da proteína em um trabalho preliminar de forma a verificar mutações e, posteriormente, testá-las a partir de experimentos de laboratório para confirmar se a mutação na sequência de DNA deu o resultado esperado. “Se a estrutura matemática não se mantiver, a alteração não vai ser efetivada e não produzirá os resultados esperados.”
A descoberta da existência de um código matemático que transcreve a sequência de DNA aconteceu quase por acaso e começou com o professor Palazzo, que lançou um desafiante objetivo a duas alunas de doutorado, Luzinete Cristina Bonani Faria e Andrea Santos Leite da Rocha, orientadas por ele na Feec e oriundas da graduação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puccamp), com mestrado na Unicamp. Elas deveriam procurar as informações que transitam dentro de uma célula. “Dentro da mitocôndria, um órgão responsável pela respiração celular, existem moléculas de DNA para sintetizar certas substâncias, mas ela não tem todas as proteínas e precisa solicitar proteínas extras produzidas por genes localizados no núcleo de modo a realizar as funções na organela. Nesse caso, para os matemáticos, a proteína é informação e existe um código padrão para transmiti-la”, explica o professor Palazzo. O modelo apresentado pelos pesquisadores brasileiros se ajusta a qualquer sequência de DNA produtora de proteínas dentro da célula.
Palazzo é um especialista na chamada teoria matemática da comunicação, área de estudo que pesquisa a transmissão de todo tipo de informação e seus códigos. Também chamada de teoria dos códigos, ela analisa as formas de transmissão independentemente do significado. Assim não importa a palavra que está sendo transmitida, mas como ela é enviada de um emissor A para um receptor B, dentro de um contexto matemático.“Essa teoria foi apresentada por Claude Shannon [matemático e engenheiro eletrônico norte-americano] em 1948”, lembra Palazzo.
Para o estudo de Andrea e Luzinete, Palazzo sugeriu que elas procurassem os professores da Unicamp, da área da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), inicialmente, para encontrar componentes biológicos e se aprofundar no tema. Depois de muita procura, elas ouviram a sugestão do professor Anibal Vercesi, da FCM, para procurarem o professor Márcio de Castro Silva Filho na Esalq. “Fomos conversar com ele e estabelecemos um casamento de interesses”, diz Palazzo. “Começamos um diálogo tendo de um lado matemáticos e um engenheiro elétrico e eu, um geneticista especializado em transporte de proteínas”, lembra Silva Filho. A primeira amostra de DNA investigada pelas pesquisadoras da Unicamp foi da Arabidopsis thaliana, planta da família da mostarda, que serve de modelo para estudos genômicos. A partir daí, elas ficaram trabalhando durante seis meses. “Começaram a testar vários elementos matemáticos para tentar achar alguma sistematização em relação ao genoma”, explica Palazzo, que contou também com a colaboração no estudo do engenheiro da computação João Henrique Kleinschmidt, ex-aluno de doutorado e atual professor da Universidade Federal do ABC, em Santo André, na Região Metropolitana de São Paulo. “Um dia elas me chamaram na Unicamp e me mostraram os resultados. Quando percebi o que era fiquei sem fala. Pensei que fosse uma coincidência e passamos a repetir o trabalho usando outros genomas, do homem, de bactérias, fungos e plantas. Descobrimos que é um processo universal”, conta Silva Filho.
Entender a linguagem – No final de 2009, eles submeteram um artigo às revistas Nature e Science, mas as duas recusaram dizendo que era algo muito específico. “Acredito que eles não entenderam a linguagem matemática do paper”, diz Silva Filho. “Isso faz parte da dificuldade da conversa entre biólogos, engenheiros, médicos etc.”, diz Palazzo. Aí eles resolveram enviar para a revista Electronics Letters, que em três semanas aceitou o trabalho e o elegeu o melhor artigo de fevereiro deste ano, colocando-o na capa do mesmo mês. Eles começaram a mostrar o estudo em congressos internacionais de teoria da informação e devem apresentar novos resultados com informações mais detalhadas e com outras ferramentas matemáticas. No artigo da Electronics Letters, “DNA sequences generated by BCH codes over GF(4)”, ou “Sequências de DNA geradas pelo código BCH sobre GF(4)”, eles apresentaram uma parte do trabalho utilizando a estrutura matemática chamada de corpo algébrico de Galois, enquanto novos resultados usam a estrutura de anel de Galois. Em uma simplificação, poderíamos dizer que em relação ao corpo o produto de dois números diferentes de zero resulta em um número diferente de zero, enquanto na estrutura de anel o produto pode ser zero. Para os matemáticos isso faz muita diferença na apresentação dos resultados. Até agora eles apresentaram apenas os resultados em corpo.
O feito dos pesquisadores brasileiros apresenta uma solução importante e uma novidade para a biologia. Ela inicia uma nova fase em que os fenômenos que estuda passam a ser analisados por métodos quantitativos. “Em 1999, a Academia Real da Suécia indicou que um dos avanços da ciência no novo século seria a incorporação de mais matemática aos estudos da biologia”, lembra Silva Filho. Mas para isso tanto os pesquisadores brasileiros como Battail e Yockey concordam que é preciso um maior diálogo entre biólogos, matemáticos e engenheiros eletrônicos. “Como engenheiro, eu estou convencido de que a teoria da informação é uma ferramenta adequada para intercâmbio com a biologia molecular”, escreveu Battail em uma apresentação do livro de Yockey em 2006. “Ainda estamos distantes de uma interdisciplinaridade que permita a conversa entre áreas para projetos desse tipo. Mas nós já demos um bom passo”, diz o professor Palazzo.
> Artigo científico
Faria, L.C.B.; Rocha, A.S.L.; Kleinschmidt, J.H. ; Palazzo Jr., R.; Silva Filho, M.C. DNA sequences generated by BCH codesover GF(4). Electronics Letters. v. 46, n. 3, p. 202-03. fev. 2010.
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