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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Gimnospermas e angiospermas: Uma história de sucesso vegetal

Marcus V. Cabral
Floresta de coníferas no norte da Califórnia. As coníferas são o grupo mais numeroso e de maior distribuição geográfica entre as gimnospermas: são cerca de 50 gêneros e 550 espécies.

  • Floresta de coníferas no norte da Califórnia. As coníferas são o grupo mais numeroso e de maior distribuição geográfica entre as gimnospermas: são cerca de 50 gêneros e 550 espécies.
Uma das maiores inovações que sugiram no decorrer da evolução das plantas vasculares foi a semente. Essa estrutura protege e alimenta o embrião dos vegetais, justamente nos estágios mais delicados da germinação. Por isso, as gimnospermas e angiospermas (também chamadas de fanerógamas), têm vantagem sobre os grupos de vegetais que se reproduzem por meio de  esporos. A prova disso é que existe um número muito superior de espécies vegetais produtoras de sementes do que de plantas fazem uso de esporos para se propagar.

As angiospermas são as plantas que apresentam o maior sucesso evolutivo nos dias atuais -- se compararmos o número de espécie de angiospermas e gimnospermas, poderemos notar que o primeiro grupo de plantas conta com cerca de 235 mil espécies viventes contra 720 espécies do segundo grupo. Isso significa que as angiospermas sofreram inúmeras mutações gênicas para poderem se adaptar aos mais variados tipos de ambiente.

Contudo, para melhor compreender esse grupo de plantas, é preciso voltar no tempo e analisar como viviam suas ancestrais. Por volta de 360 milhões de anos atrás, no final do Período Devoniano e início do Carbonífero, o movimento das placas tectônicas promoveu sérias mudanças no clima da Terra: o clima quente e úmido, tornou-se muito frio e seco. Além disso, o nível do mar sofreu redução entre 100 e 200 metros. Nesse contexto, as plantas ancestrais das gimnospermas e angiospermas, as progimnospermas iniciaram sua jornada evolutiva.

A ancestralidade das progimnospermas com as fanerógamas atuais  se comprova pela presença de uma estrutura chamada câmbio vascular bifacial – em outras palavras, um tecido que produz xilema e floema secundário. Esse é um detalhe interessante, porque o câmbio vascular bifacial só existe nas plantas produtoras de sementes, ou seja, gimnospermas e angiospermas.

Semente nua

Por meio das gimnospermas, pela primeira vez na história evolutiva das plantas, aparecem a semente e a flor. As flores desses vegetais são chamadas de estróbilos ou pinhas e são polinizadas pelo vento. Por serem mais primitivas que as angiospermas, as flores das gimnospermas não liberam a ferramenta necessária para atrair polinizadores -- o perfume.  A palavra "gimnosperma" significa "semente nua" e essa denominação se deve ao fato dos óvulos e sementes ficarem expostos sobre as superfícies dos esporófilos, ou seja, sem a proteção do fruto, como ocorre com as angiospermas.

Esse grupo de vegetais foi o primeiro a conquistar, de forma definitiva, o ambiente terrestre pois a fecundação não depende mais da água para acontecer e, ainda, o embrião fica protegido contra a desidratação em uma "capa" que também contém nutrientes para o seu desenvolvimento -- tudo isso é a semente. Por isso, as gimnospermas são consideradas os "répteis" do Reino Plantae. Muitas vezes, os nomes das estruturas das plantas assusta, num primeiro momento, mas não é complicado se os termos técnicos forem "traduzidos" para a linguagem do cotidiano: por exemplo, as gimnospermas e angiospermas são espermatófias ou seja, produtoras de sementes. Também, quando se fala sobre plantas vasculares, significa que elas possuem raiz, caule e folhas.

Grupos de Gimnospermas

As gimnospermas se dividem em quatro grupos: Cycadophyta (cicadáceas), Ginkgophyta (ginkgos), Coniferophyta (coníferas) e Gnetophyta (gnetófitas).

As coníferas são o grupo mais numeroso e de maior distribuição geográfica, dentre as gimnospermas: são cerca de 50 gêneros e 550 espécies. Nesse grupo, está a árvore mais alta do mundo, a sequóia (Sequoia sempervirens), que pode atingir mais de 117 metros de altura e seu tronco chega aos 11 metros de diâmetro
Os pinheiros são as gimnospermas mais comuns, com mais ou menos 90 espécies e, assim como as outras coníferas, suas folhas são adaptadas a ambientes áridos. Mas as peculiaridades das "arvores de natal" não para por aí: muitas espécies produzem sementes aladas, para que o vento as carregue por grandes distâncias e, algumas espécies como o Pinus contorta, desenvolveram estróbilos que só liberam as sementes quando expostos a altas temperaturas -- após um incêndio em um bosque desses pinheiros, as árvores ficam queimadas, mas seus estróbilos se abrem, liberam as sementes e a espécie se restabelece (isso em condições naturais, sem a interferência humana).

Ciclo de vida das Gimnospermas

O ciclo de vida de todos os vegetais é chamado haplodiplobionte, pois apresenta uma fase haplóide (n) e uma fase diplóide (2n). O ciclo de vida do Pinheiro do Paraná, também conhecido por araucária, é exemplo clássico do ciclo de vida das gimnospermas e, acontece da seguinte maneira: As células-mãe dos grãos de pólen (microsporócito) dividem-se por meiose e, cada estrutura dessa produz quatro micrósporos haplóides (n). Os micrósporos transformam-se em grãos de pólen que, são liberados e carregados pelo vento. Então, quando o gameta masculino atinge o óvulo, inicia-se a germinação e a formação do tubo polínico.
Mais ou menos depois de 30 dias, o megasporócito sofre mitose e nasce uma estrutura chamada megagametófito, que, por sua vez, origina os arquegônios. Após 15 meses, o tubo polínico atinge a oosfera e ocorre a fecundação -- forma-se, então, o zigoto que vai se transformar em embrião. Quando a semente está madura, o embrião já possui estruturas precursoras da raíz, caule e folhas -- então,  a semente cai no solo para germinar.
Segue abaixo um esquema simplificado desse ciclo:

Angiospermas

A maioria das plantas que conhecemos são angiospermas, que pertencem à divisão Antophyta das gimnospermas. Essas plantas correspondem a pelo menos 230 mil espécies, ou seja, são o maior grupo de seres fotossintetizantes. Do eucalipto, com mais de 100 metros, até plantinhas com 1 mm de comprimento, as angiospermas literalmente são campeãs em diversidade de vida vegetal na Terra.
As angiospermas se dividem em duas classes: monocotiledôneas (como a cana-de-açúcar) e dicotiledôneas (como o feijão). Para saber a qual desses grupos uma planta pertence, deve-se reparar nas características da folha: se ela tiver uma nervura no meio, dividindo-a em duas partes, como as folhas de uma roseira, ela será dicotiledônea e, se não apresentar essa característica, será monocotiledônea. Abaixo, o quadro ilustra as principais diferenças entre essas duas classes de angiospermas:
Apesar das angiospermas compartilharem com as gimnospermas aspectos reprodutivos básicos, elas diferem em muitas características. Por exemplo, a flor apresenta carpelos e, nas sementes, o alimento  fica armazenado em uma estrutura chamada endosperma.
As flores das angiospermas produzem néctar, substância nutritiva que atrai animais polinizadores, ou seja, que levam o pólen de uma planta para outra e, assim, ocorre a união dos gametas. Então, forma-se o embrião que fica protegido dentro de uma semente -- e ela fica envolta no fruto, característica especial desse grupo de vegetais.
Algumas angiospermas desenvolveram interdependência com determinadas espécies de animais, ou seja, apenas uma espécie de animal pode disseminar a planta. Um bom exemplo disso é a relação do lobo-guará com a lobeira: essa planta só germina se suas sementes passarem pelo trato digestório do maior canídeo sul americano.
Todos os aspectos atrativos das flores, como o aroma e as cores são artifícios criados pelas angiospermas para atrair animais polinizadores, como morcegos, abelhas, aves, etc. Essas adaptações são uma grande vantagem de sobrevivência em relação aos outros grupos vegetais. Para se ter uma idéia, só as abelhas formam um batalhão de 20 mil espécies de polinizadores.

A Flor

As flores, de maneira geral, são formadas pelas seguintes estruturas:
Pêndulo: Eixo de sustentação;
Receptáculo: Dilatação do pêndulo;
Cálice: Conjunto de sépalas com a função de proteger o botão floral;
Corola: Conjunto de pétalas;
Androceu: estames, que formam o sistema reprodutor masculino;
Ginenceu: Sistema reprodutor feminino (pistilo)
Filete: estrutura que sustenta a antera.
Antera: abriga os sacos polínicos (onde se formam os micrósporos). Após sofrer mitose, cada micrósporo se transforma em um grão de pólen.
Abaixo, você pode conferir o desenho esquemático de uma flor:
Os esporófilos femininos de uma angiosperma são os carpelos e, cada um é formado pelo estigma, estilete e ovário. A reprodução desse grupo de vegetais apresenta três etapas básicas: polinização, germinação do grão de pólen, e fertilização. Depois que ela acontece, o óvulo se transforma na semente e o ovário no fruto.
O esquema abaixo, ilustra o ciclo reprodutivo de uma angiosperma:
O quadro abaixo resume as principais diferenças entre as Gimnospermas e Angiospermas:

sexta-feira, 9 de março de 2012

Pesquisa abre caminho para estudos genéticos da cana-de-açúcar

09/03/2012
Por Karina Toledo 

Agência FAPESP – Um novo método de análise estatística e um software desenvolvidos na Universidade de São Paulo (USP) deverão facilitar o estudo do genoma da cana-de-açúcar e abrir caminho para pesquisas que auxiliem o melhoramento genético da planta. Os resultados da pesquisa foram publicados em artigo na revista PLoS One.



Novo método de análise estatística e software desenvolvidos na Esalq/USP facilitam entendimento do complexo genoma da planta (FAPESP)

Embora o Brasil seja líder mundial na produção de cana-de-açúcar e de bioetanol, ainda há muito que avançar. Hoje, são produzidas em média 84 toneladas de cana por hectare de terra plantada no país. Cientistas estimam que com o melhoramento genético seja possível chegar a 380 toneladas.
Mas o desafio não é pequeno, como explica Antonio Augusto Franco Garcia, pesquisador do Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e um dos autores do estudo que integra o Projeto Temático "Genomic-assisted breeding of sugarcane", realizado no âmbito do Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN) e coordenado por Anete Pereira de Souza, professora do Departamento de Biologia Vegetal da Universidade Estadual de Campinas.
“É muito difícil desenvolver estudos sobre a genética da cana-de-açúcar, dada a complexidade de seu genoma”, disse Garcia.
Enquanto os seres humanos e quase a totalidade dos animais são diploides, ou seja, possuem apenas duas cópias de cada cromossomo, a cana-de-açúcar pode ter até 20. Isso significa que cada indivíduo na espécie humana pode possuir até duas formas variantes de cada gene, um herdado do pai e outro da mãe. Já na cana essa complexidade é bem maior, uma vez que um dado gene pode teoricamente possuir muitas formas variantes no mesmo indivíduo.

“Dentro do genoma da cana-de-açúcar, há regiões que possuem seis conjuntos cromossômicos e outras com 8, 10, ou até mesmo 20 conjuntos. Por isso, o conhecimento genético sobre a espécie não está tão avançado”, explicou Garcia.

O primeiro passo para resolver o quebra-cabeça é fazer a genotipagem da espécie. “Diferentemente do sequenciamento, que analisa o genoma inteiro de um único ou de poucos indivíduos da espécie, a genotipagem faz a leitura de partes específicas do genoma em vários indivíduos de uma dada população”, disse.
Isso permite, por exemplo, montar o mapa genético e localizar em que região dos cromossomos estão os genes que regulam a produção de açúcar, a resistência a doenças e outras características de interesse.
“Só depois disso será possível pensar em usar marcadores genéticos para fazer seleção assistida, algo que já é feito no melhoramento de bovinos, por exemplo”, disse Garcia. “Os resultados obtidos com cana-de-açúcar poderão ser de grande auxílio para estudos semelhantes em outros poliploides, que também se beneficiarão dessas novas tecnologias.”

Esse é um dos objetivos do Temático. Com os recursos do projeto, foram comprados equipamentos sofisticados para fazer a genotipagem, e vários alunos estão sendo formados. “Colocamos o material genético na máquina e ela mede a intensidade dos alelos, fornecendo os resultados como medidas quantitativas. Isso é usado de forma rotineira em espécies diploides, mas não tínhamos como classificar os dados no caso da cana-de-açúcar ou de outras poliploides. Os princípios genéticos e modelos de análise são diferentes”, contou Garcia.
Para resolver o problema, o grupo desenvolveu um método de análise com enfoque bayesiano que foi implementado num software denominado SuperMASSA. “Esse modelo permite incluir várias informações disponíveis, como o genótipo dos genitores e as segregações esperadas para o tipo de população estudada”, explicou.
Também participaram do trabalho Oliver Serang, da Universidade Harvard, e Marcelo Mollinari, orientando de doutorado de Garcia e bolsista da FAPESP. A genotipagem foi realizada por Thiago Marconi (Unicamp), sob supervisão de Anete Souza, e contou também com a participação de vários colaboradores do Brasil e do exterior.

O software SuperMASSA está disponível para uso no endereço http://statgen.esalq.usp.br/SuperMASSA. As ferramentas desenvolvidas podem ser usadas para estudar não apenas a genética da cana-de-açúcar, mas de qualquer espécie poliploide.

“A partir de agora, podemos pensar em desenvolver mapas genéticos, fazer mapeamento associativo e seleção genômica. Nosso grupo já está trabalhando nisso e pretendemos publicar uma série de artigos nos próximos meses”, contou Garcia.
Segundo o pesquisador, grupos de outros países já fazem a genotipagem de poliploides, mas usam nas análises estatísticas adaptações de métodos desenvolvidos para diploides.

“São metodologias ineficientes e com resultados menos precisos. Agora podemos fazer genotipagem de poliploides de verdade. Se o Brasil não tivesse investido nisso, estaríamos defasados nos estudos de uma planta tão importante como a cana-de-açúcar”, disse.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Morfologia do fruto

O ovário de uma flor que contém sementes. O pistilo dos carpelos componentes do mesmo costuma desaparecer durante o amadurecimento, após a polinização. A casca dos frutos é constituída pela parede dos carpelos. Frutos existem somente nas angiospermas e não nas gimnospermas. Muitos frutos abrem-se depois de certo tempo, largando as sementes através de aberturas especialmente produzidas para tal fim: são os frutos deiscentes. Outros não liberam as sementes, a não ser por apodrecimento do ovário, são os frutos indeiscentes.
Tanto os frutos deiscentes como os indeiscentes são classificados pela consistência da casca e o número de carpelos componentes. Os frutos com casca carnosa, coriácea ou fibrosa chamam-se frutos carnosos. Frutos com casca lenhosa, paleácea chamam-se frutos secos. A deiscência, a consistência da casca e o número de carpelos componentes são os característicos nos quais se baseia a descrição e classificação dos frutos. A forma externa, isto é, seus contornos, somente poucas vezes entra em consideração neste assunto.
Os principais tipos de frutos secos são:
  • Aquênio – fruto indeiscente formado por um único carpelo com uma só semente. A casca é geralmente dura, lisa e dotada, às vezes, de excrescências em formas de espinho, etc.
  • Bolota – aquênio dotado duma cúpula, pode ser originado do cálice ou do eixo floral.
  • Cariopse – Aquênio especial, em que a casca da semente se encontra concrescida com a casca do fruto, formando uma unidade que não se separa.
  • Folículo – fruto seco deiscente, oriundo de um gineceu apocarpo. Cada carpelo forma um fruto isolado que se abre por uma fenda ventral e contém uma ou várias sementes.
  • Cápsula – fruto seco deiscente, formado por vários carpelos sincarpados. Abre-se por fendas externas ou por fendas entre os septos separadores ou por ruptura dos septos. Há também as que se abrem por um poro em cada carpelo. A cada pode ser unilocular ou plurilocular.
  • Legume ou Vagem – fruto seco deiscente. Consta de um único carpelo com uma ou várias sementes. Abre-se por duas fendas que seguem as suturas dorsal e ventral. A casca do fruto dividi-se em duas valvas.
  • Síliqua – Difere da vagem por ser formada por dois carpelos, separados por um septo, no qual estão as sementes.
  • Pixídio – Cápsula de tipo especial, cujos carpelos se abrem por uma tampa comum.
  • Sâmara – Fruto seco deiscente ou indeiscente, munido de uma ou várias asas membranáceas. Pode ser derivado duma cápsula ou duma vagem.
  • Lomento – Vagens e síliquas articuladas que se destacam em pedaços monospérmicos em vez de se abrirem de maneira normal. Também se denominam vagens lomentáceas ou síliquas lomentáceas respectivamente.
Os frutos carnosos podem ser:
  • Bagas – formadas por um ou vários carpelos sincarpados com vários caroços que contém uma semente. Deiscentes ou indeiscentes.
  • Drupas – Formadas por um ou mais carpelos sincarpados que contém uma única semente dentro de seu único caroço duro. Geralmente a casca apresenta três camadas: Epicárpio, mesocárpo e endocárpio.
E existem também os pseudofrutos que têm uma origem diferente, não se desenvolvem do ovário. Os pseudofrutos podem ser:
  • Simples – Provenientes do desenvolvimento do pedúnculo ou do receptáculo de uma flor só.
  • Compostos – Provenientes do desenvolvimento do receptáculo de uma única flor, com muitos ovários. Como o morango.
  • Múltiplos ou infrutescências – Provenientes do desenvolvimento de inflorescência. Como a amora, o abacaxi e o figo.
OS SERES VIVOSREINO DAS PLANTASAngiospermasO fruto e a semente
Vamos aprender direito o que é fruto?
             Você está acostumado a chamar de frutas a laranja, o mamão, a manga, o cajá, entre muitos outros exemplos. Você também chama de legumes a abóbora, o chuchu, o quiabo, a berinjela, entre outros exemplos. E o carrapicho, o melão-de-são-caetano e a mamona são frutos?
              Você já sabe que o ovário da flor, desenvolvido depois da fecundação, dá origem ao fruto. Então, se a laranja, o mamão, a manga, o cajá, a abóbora, o chuchu, o quiabo, a berinjela, o carrapicho, o melão-de-são-caetano e a mamona são originados do ovário fecundado de uma flor, todos eles são frutos.
              Você ainda tem dúvidas? O que acontece é que as pessoas usam o termo fruta para designar os órgãos vegetais comestíveis e adocicados, de sabor agradável. Mas o termo fruto aplica-se a todos os órgãos vegetais que se originam do desenvolvimento do ovário. Assim, a goiaba, o mamão e a laranja são frutas e também frutos. A berinjela e o carrapicho não são frutas, mas são frutos.

De que é formado o fruto?
              O fruto geralmente é formado de pericarpo e semente. O pericarpo origina-se do ovário da flor, que se desenvolve depois da fecundação, e apresenta três partes: epicarpo, mesocarpo e endocarpo.
              O epicarpo é a porção externa, a casca. O mesocarpo é a parte muitas vezes carnosa e comestível. O endocarpo é a camada interna que envolve a semente. Às vezes, o endocarpo é bem duro, e forma um caroço, como o da manga, do pêssego e da azeitona.

Frutos carnosos e frutos secos
              Os frutos que apresentam o pericarpo relativamente macio e suculento são chamados frutos carnosos. Os frutos que têm pericarpo seco são chamados frutos secos.

Frutos carnosos
           Geralmente comestíveis, os frutos carnosos são ricos em substâncias nutritivas e classificam-se em bagas e drupas. 

Bagas – São frutos que têm uma ou várias sementes soltas, como é o caso do mamão, do tomate, da laranja, da melancia e da goiaba, entre outros. 

Drupas – Têm um endocarpo duro, dentro do qual há uma semente. É o caso da manga, do pêssego, do abacate e da azeitona.

Frutos secos
           Os frutos secos podem ser deiscentes ou indeiscentes.

Frutos deiscentes - São aqueles que, quando maduros, se abrem liberando as sementes. As vagens das leguminosas (flamboyant, feijão, soja, ervilha, etc.) são um bom exemplo.

Frutos indeiscentes - São aqueles que não se abrem quando maduros. Os grãos de milho, arroz e trigo, a avelã e a noz são exemplos de frutos indeiscentes.

Frutos falsos
            Toda vez que a parte carnosa do fruto, geralmente comestível, for originada de outra parte da flor que não seja o ovário, o fruto não é verdadeiro. É por isso que eles são chamados falsos frutos.
            A maçã e o morango, por exemplo, são falsos frutos, porque a sua porção carnosa se origina do receptáculo da flor. Na maçã, o verdadeiro fruto é a parte interna, uma espécie de “bolsa” que envolve as sementes. No morango, os verdadeiros frutos são vistos como pequenos pontos escuros espalhados por toda a parte vermelha. O caju também é um falso fruto, pois a parte carnosa resulta do desenvolvimento do pedúnculo floral. Nele, o verdadeiro fruto, que representa ovário desenvolvido, é a castanha.

A semente
          A semente é o óvulo da flor desenvolvido após a fecundação. É a semente que abriga o embrião, a futura planta. O processo pelo qual o embrião da semente se desenvolve originando uma nova planta denomina-se germinação.

O que é preciso para que uma semente germine?
           Para uma semente poder germinar é necessário a contribuição de fatores internos (condições da própria semente) e externos (condições do meio ambiente).
           Condições da própria semente:
·        Estar madura;
·        Estar inteira;
·        Não ser muita velha;
·        Possuir reservas de substâncias nutritivas.
Condições do meio ambiente:
·        Oxigênio (o solo deve estar fofo para permitir a penetração do ar à semente);
·        Temperatura adequada;
·        Umidade (presença de água no solo).

A semente e a dormência
            Muitas sementes não germinam, mesmo que as condições ambientais citadas sejam adequadas. Neste caso, diz-se que elas se encontram em estado de dormência. Para germinar, precisam de outras condições, que podem variar de uma espécie para outra. Sementes de certas variedades de alface, por exemplo, só germinam em presença de luz. Já as sementes de certas variedades de melancia só germinam no escuro. Para quebrar a dormência das sementes da leucena (uma leguminosa), elas devem ser colocadas em água quente durante alguns minutos.

De que compõe a semente?
            A semente é composta de tegumento e amêndoa. O tegumento é a camada externa da semente - a casca, que cobre a amêndoa, parte principal da semente. A amêndoa apresenta duas partes:
  • Embrião - Forma a nova planta quando a semente germina.
  • Albúmen - Contém as substâncias nutritivas que vão alimentar a plantinha nas primeiras fases de desenvolvimento.
             No embrião existe um órgão muito importante chamado cotilédone. É ele que absorve as substâncias nutritivas do albúmen para alimentar a nova planta, enquanto ela não tiver raízes nem folhas.  Você verificou que os grupos de angiospermas se dividem em monocotiledôneas e dicotiledôneas. O que significa isso? Algumas plantas, como o milho, o arroz e outras tantas enumeradas, têm apenas um cotilédone; por isso denominam-se monocotiledôneas. Outras, como o feijão, o amendoim e a ervilha, apresentam dois cotilédones; são as dicotiledôneas.
              Nas monocotiledôneas, o albúmen é muito desenvolvido. Nas dicotiledôneas, ele geralmente é pouco desenvolvido. Neste caso, as substâncias nutritivas ficam armazenadas nos próprios cotilédones.  

FONTES: Base de dados do Portal Brasil® e "Os seres vivos".
Botânica



FRUTO
O fruto é o resultado do amadurecimento do ovário, garantindo a proteção e auxiliando a dispersão das sementes surgidas após a fecundação. Ocorre exclusivamente nas Angiospermas.
No sentido morfológico, não apenas aquelas estruturas conhecidas como "frutas" (maçã, laranja, etc.), mas também as conhecidas como "legumes"(feijão, ervilha, etc.) e "cereais"(arroz, milho, etc.) são frutos. Os frutos são importantes na classificação botânica por possuírem uma estrutura muito constante. 

Formação: A partir da fecundação, inicia-se o desenvolvimento da semente, através de uma série de transformações no saco embrionário e outros tecidos do óvulo. A parede do ovário desenvolve-se em PERICARPO, o qual é formado por 3 camadas : exocarpo (epicarpo), mesocarpo e endocarpo. Alguns frutos, como a banana (Musa) e o abacaxi (Ananas comosus) podem formar-se sem fecundação prévia e portanto, nesse caso, não possuem sementes. 
São chamados frutos PARTENOCÁRPICOS. 

Classificação:
FRUTOS SIMPLES: derivados de um único ovário de uma flor. Podem ser secos ou carnosos, uni a multicarpelares, deiscentes ou indeiscentes.

a.1- Frutos simples carnosos: possuem pericarpo suculento. 


Existem dois tipos: 

Baga: 1 ou mais carpelos; 1 ou mais sementes livres. Exs.: tomate, uva, laranja, abóbora. 

Drupa: geralmente um só carpelo; 1 só semente, concrescida com o endocarpo. Exs.: ameixa, azeitona, pêssego.

a.2- Frutos simples secos: possuem pericarpo seco. Estão divididos em: 

I- Deiscentes: abrem na maturidade

a. Folículo: derivado de ovário 1-carpelar, abre através de uma fenda longitudinal (esporinha; chichá). 
b. Legume: derivado de ovário 1-carpelar, abre através de 2 fendas longitudinais (leguminosas, como o feijão e a vagem). 
c. Síliqua: derivado de ovário 2-carpelar. Na abertura persiste um septo mediano (deiscência septífraga :couve, mostarda). 
d. Esquizocarpo: derivado de gineceu sincárpico multicarpelar, cujos carpelos separam-se inteiramente na maturidade em mericarpos (frutículos) geralmente deiscentes, livres. Ex.: mamona (Ricinus), cenoura (Daucus). 
e. Lomento: derivado de ovário unicarpelar, fragmenta-se transversalmente em segmentos unisseminados. Ex.: carrapicho (Desmodium). 
f. Craspédio: derivado de ovário 1-carpelar, fragmenta-se transversalmente em segmentos, mas após a queda desses, uma armação formada pela nervura e sutura do carpelo permanece presa ao receptáculo. Ex.: sensitiva (Mimosa). 
g. Cápsula: derivado de ovário 2 a multicarpelar, possui diferentes modos de deiscência:

TIPOS DE CÁPSULA:

- septicida: abre pela linha de união dos carpelos (azaléa);


- loculicida: abre pelo meio de cada carpelo (algodão);


- pixidiária: abre por uma linha transversal (castanha-do-Pará; sapucaia);


- poricida: abre através de poros (papoula, quaresmeira).

II- Indeiscentes: Não abrem na maturidade

a. Aquênio: possui 1 semente, ligada à parede do fruto num único ponto. Ex.: girassol (Helianthus annus); não apresenta cálice modificado em papus; 
b. Cipsela: idem ao aquênio, mas apresentando cálice modificado em papus; Cariopse: possui 1 semente, ligada à parede do fruto em toda sua extensão (gramíneas - trigo, milho, arroz); 
c. Sâmara: possui, em geral, 1 semente; a parede do ovário apresenta expansões aliformes (várias leguminosas, Sapindáceas, Malpiguiáceas);
d. Noz: geralmente 1 carpelo, 1 só semente livre do endocarpo (noz-moscada).

PSEUDOFRUTOS

FRUTOS AGREGADOS: Derivados de muitos ovários de uma única flor (gineceu apocárpico multicarpelar), mais ou menos concrescidos. Exs.: morango, fruta-do-conde, framboesa.
FRUTOS MÚLTIPLOS: Formados por muitos ovários amadurecidos, pertencentes à uma inflorescência, que crescem juntos, formando uma infrutescência. Exs.: amora, abacaxi, figo. 
Obs.: frutos agregados e frutos mútiplos são um conjunto de frutos simples, que podem ser identificados individualmente, de acordo com suas características. 
Os frutos que não se originam do crescimento do ovário, mas derivam do desenvolvimento de estruturas como o hipanto (maçã), bem como o conjunto de frutos que forma os frutos múltiplos e os agregados, costumam ser chamados de pseudofrutos.

SEMENTE

A semente é o óvulo maduro fecundado e consta de 3 partes: o embrião, o  endosperma (às vezes ausente) e a casca (testa + tegmen) .
Obs.: não ocorrendo dupla fecundação nas Gimnnospermas, não há endosperma, persistindo o macrogametófito como tecido de nutrição.

Funções
a. proteção ao embrião (contra insetos, microorganismos, dissecação, etc.) 
b. dispersão. Suas características morfológicas, biológicas e bioquímicas desempenham importante papel no sucesso da plântula. Podem apresentar grande diversidade estrutural; as orquídeas apresentam sementes de 2 x 10-6g, enquanto Mora oleífera (Moraceae) possui sementes de até 1 Kg! ·
O endosperma geralmente passa, em sua formação, da fase nuclear para a celular, mas pode permanecer nuclear (coco). O endosperma é absorvido durante o desenvolvimento. 
As sementes podem ser ALBUMINOSAS (endospermadas), quando o endosperma persiste durante todo o desenvolvimento do embrião (Ricinus) ou EXALBUMINOSAS (exospermadas), quando o endosperma né consumido no início do desenvolvimento do embrião; nesse caso, as reservas vão para os cotilédones. As reservas podem ser amido (feijão), óleo (amendoim), proteína (soja), etc. Carúncula: estrutura carnosa existente em sementes de muitas Euphorbiaceae - atua na dispersão (por ser adocicada, atrai formigas) e atua na germinação, por ser higoscópica. 

Arilo: Surge do funículo (pedúnculo do óvulo) e envolve o óvulo parcial ou totalmente, após a fecundação. Na semente madura, atrai dispersores. 

Sarcotesta: quando a testa da semente se torna pulposa e comestível (mamão, ingá). 

Hilo: cicatriz deixada pelo funículo 

Rafe: parte do hilo que permanece unida ao tegumento, em óvulos anátropos (que se curvam). 

Cicatriz da micrópila: visível ou não; deixada pela micrópila do óvulo. 

Germinação: A embebição é o primeiro passo para a germinação, com conseqüente aumento de volume interno e rompimento do tegumento, permitindo o crescimento do embrião para o meio exterior. 
A raiz primária penetra na terra, por geotropismo positivo enquanto, no outro extremo, outro eixo se desenvolve, geralmente por geotropismo negativo originando o caule e as folhas.