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segunda-feira, 27 de agosto de 2018


Minerais

O termo mineralogia deriva da palavra latina MINERA, de provável origem céltica, (mina, jazida de minério, filão), que forma o adjetivo do latim mineralis, “relativo às minas” e o substantivo do latim minerale (produto das minas), que deu origem ao adjetivo e substantivo português mineral, acrescido do sufixo grego logía (ciência, tratado, estudo). Portanto:

“Mineralogia é o estudo dos minerais em todos os seus aspectos (químicos, físicos, de formação/origem, ocorrência e seus usos/aplicações). ”

A definição de mineral possui algumas controvérsias:
  1. para alguns é toda substância homogênea, sólida ou líquida, de origem inorgânica e que surge, naturalmente, na crosta terrestre, normalmente com composição química definida e, que se formada em condições favoráveis, terá estrutura atômica ordenada condicionando sua forma cristalina e suas propriedades físicas;
  2. para outros, trata-se de substância com estrutura interna ordenada (cristais), de composição química definida, origem inorgânica e que ocorre naturalmente na crosta terrestre ou em outros corpos celestes.
Logo, mineral é considerado:

i) um sólido homogêneo (quanto as suas propriedades físicas e químicas) ou que exibe variações sistemáticas restritas

Segundo o primeiro item, os minerais, na grande maioria são substâncias sólidas; portanto são excluídos desta definição os gases e líquidos, com exceção do mercúrio nativo (Hg). De acordo com alguns autores, a água no estado líquido e/ou vapor não é considerada um mineral, entretanto a água no estado sólido, o gelo, formado em altitudes elevadas e/ou em geleiras constitui um mineral.

ii) de composição química definida (composições variáveis dentro de certos limites);

Em relação ao segundo item, os minerais de mesma espécie sempre têm a mesma composição, podendo ser constituídos por um elemento ou um composto químico. São representados por seus símbolos químicos, como por exemplo, o carbono – C, o ouro nativo – Au, etc., ou por sua fórmula química, como por exemplo, a galena – PbS, o quartzo – SiO2, etc. A composição de muitos minerais varia dentro de certos limites e/ou intervalos, isto é, não possuem composição fixa a exemplo da olivina, a qual apresenta variações desde um silicato puro de Mg2SiO4 (forsterita) até silicato puro de Fe2SiO4 (faialita).

iii) com estrutura cristalina (estrutura reticular = ordem atômica tridimensional dos seus átomos, denominado de estrutura do cristal);

De acordo com o terceiro item, os minerais têm suas moléculas e átomos dispostos sistematicamente e organizados tridimensionalmente em agrupamentos geométricos, que às vezes, sob condições favoráveis, se manifestam exteriormente constituindo sólidos geométricos, ou seja, formam cristais – este é o critério do estado cristalino.

iv) de origem inorgânica;

Segundo o quarto item são excluídos da definição de mineral todas as substâncias de ocorrência natural e que são produzidas por plantas e animais. Conforme este critério, o carbonato de cálcio, resultante da precipitação química, depositado no fundo dos oceanos, é considerado um mineral (especificamente o mineral calcita – CaCO3), mas o carbonato de cálcio presente nas conchas calcárias de moluscos (calcita biogênica) não é considerado um mineral. De acordo com essa definição, o carvão, o petróleo, o âmbar, a pérola produzida por um animal, “pedras” formadas nos rins e vesículas dos animais, embora sejam de origem natural, também não podem ser considerados um mineral. Entretanto para alguns mineralogistas, a procedência orgânica não é um obstáculo à atribuição de mineral para o âmbar (resina fóssil – 78% C, 10% H e 11% O) e a melita (sal de ácido orgânico – Al2[C6(COO)6].16H2O), mas é exigido que os caracteres externos tenham desaparecido, como a estrutura e forma orgânica, reveladores de origem de tal natureza. Apoiados nisto, não são admitidos como minerais: as petrificações fósseis, apesar de sua matéria ser de natureza mineral; e os combustíveis fósseis (hulha, petróleo) – são misturas pertencentes ao grupo das rochas sedimentares.

v) de ocorrência natural na crosta terrestre.

Conforme o quinto item, os minerais devem ser resultado de processos formativos naturais, excluindose todas as substâncias fabricadas pelo homem. Como exemplos podemos citar o cimento, vidro, minerais sintéticos e/ou cristais (ex: rubi sintético – Al2O3, esmeralda sintética – Be3(Cr,Al)2(Si2O18), etc., que, embora apresentem composição química igual a substâncias e/ou compostos encontrados na natureza, não são considerados minerais.

Conheça alguns minerais na galeria de fotos ou visite nosso banco de dados.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Mineralogia Descritiva

Classificações dos Minerais
           
1- Classificação Sistemática em Categorias:
           
Com base na composição química, estrutura cristalina e em alguns aspectos físicos, os minerais podem ser classificados sistematicamente nas seguintes categorias: Espécie, Variedade, Classe, Grupo, Família, Série e Termo.

            Espécie é a categoria principal, que designa uma determinada composição química e uma estrutura cristalina específica.
            Exemplos:
Espécie
Composição química
Sistema Cristalino
Diamante
C
Isométrico
Coríndon
Al2O3
Hexagonal

Variedade é uma categoria subordinada à espécie e se refere a uma determinada característica ou aspecto apresentado pela espécie tais como cor, inclusões e/ou efeito ótico especial.
Exemplos:
Espécie
Característica
Denominação

Quartzo
Incolor
Hialino ou Cristal de rocha
Violeta
Ametista
Amarelo
Citrino
Berilo
Verde
Esmeralda
Azul
Água marinha

Classe é a categoria na qual os minerais são agrupados com base na composição química, ou seja, com base no ânion ou grupo aniônico principal que está combinado com um ou mais metais na fórmula mínima do mineral. Os minerais constituídos por apenas um elemento químico formam uma classe.
Exemplos de Classes Minerais:
Elementos Nativos, Sulfetos, Óxidos, Halóides, Silicatos, Carbonatos e Sulfatos.

Grupo é uma categoria que inclui duas ou mais espécies que tem fórmulas químicas diferentes e estruturas cristalinas assemelhadas.
Exemplo:

Grupo das Granadas
Espécie
Composição química
Piropo
Mg3OAl2O3.3SiO2
Almandina
Fe3OAl2O3.3SiO2
Grossulária
Ca3OAl2O3.3SiO2

Família é uma categoria que inclui duas ou mais espécies que tem estruturas cristalinas diferentes e composições químicas semelhantes.
Exemplos:

Família
Espécie
Sistema Cristalino
Da Sílica (SiO2)
Quartzo
Hexagonal

Tridimita
Ortorrômbico

Cristobalita
Isométrico
Do Carbono ( C )
Diamante
Isométrico

Grafita
Hexagonal

Série é uma categoria que representa uma quantidade variável, às vezes muito grande, de possibilidades de substituição de um ou mais átomos na composição química de um mineral, por outro ou outros átomos, de modo mais ou menos contínuo.
Exemplos:

Série
Átomos que se substituem
Dos Plagioclásios
Ca e Na
Da Columbita-tantalita
Nb e Ta


Termo é a categoria usada para designar qualquer um dos minerais de uma série.

Exemplos:

Termo
O que representa
Albita
Mineral da Série dos Plagioclásios mais rico em Na
Anortita
Mineral da Série dos Plagioclásios mais rico em Ca
                       
Além da Classificação sistemática em categorias, os minerais também podem ser classificados de acordo com a Origem, a Abundância nas Rochas e a Aplicação.


2- Classificação quanto a Origem:

Primários - formados durante os processos de formação das rochas.
            Ex.: quartzo, ortoclásio, biotita, calcita, diamante, etc.

Secundários - formados durante os processos de alteração das rochas.
            Ex.: argilo-minerais (caolinita, smectita, etc.), oxi-hidróxidos de Ferro (goethita,
            Limonita, etc.).



3- Classificação quanto a Abundância nas Rochas:

Essenciais - são os principais minerais formadores de rochas, que ocorrem nas rochas em concentrações superiores a 5%.
Ex.: feldspato, quartzo e mica em granitos, plagioclásios e piroxênios em gabros, calcita em calcários e mármores, quartzo em arenitos e quartzitos, etc.

Acessórios - são aqueles que ocorrem freqüentemente nas rochas, mas que raramente ultrapassam os 5%.
Ex.: zircão, apatita, ilmenita, titanita, etc.

4- Classificação quanto a Aplicação:

Minerais-minérios - utilizados para a produção de metais.
Ex.: hematita (Fe), Galena (Pb), Calcopirita (Cu), Pirolusita (Mn), etc.
 
Minerais Industriais - utilizados para diversas aplicações industriais, exceto para produção de metais, como gemas ou para ornamentação.
Ex.: serpentina, quartzo, caolinita, apatita, grafita, halita, etc.
 
Minerais Gemológicos - utilizados como gemas.
Ex.: quartzo, berilo, diamante, coríndon, turmalina, topázio, etc.
 
Minerais Ornamentais - utilizados para ornamentação.
Ex.: cristal de rocha e ametista (drusas e geodos), ágata, calcedônia, malaquita, etc.
 
Minerais Energéticos - utilizados para produção de energia.
Ex.: uraninita e torianita.