Jurássico
Jurássico na Alemanha
Europasaurus, Iguanodon, Compsognathus e Archaeopteryx
© Gerhard Boeggemann
Hoje
vou levar vocês por um breve passeio imaginário pela "Era Dourada dos
Dinossauros" ou a "Era dos Répteis", como também é conhecido o período
Jurássico, segundo período da Era Mesozóica, situado no meio desta,
começando depois do
Triássico
e dando origem, no seu término, ao Cretáceo. Pretendo definir de
maneira simples e direta as principais características do período,
incluindo fauna, flora e clima, geografia e o que mais for pertinente.
Então, o que está esperando, embarque na máquina do tempo virtual do
Ikessauro e leia o artigo completo!
Assim
como qualquer nome de dinossauro, o nome dos períodos geológicos tem
uma origem e significado, geralmente atribuído pelo primeiro cientista a
estudar tal período, suas rochas e características. Neste caso, o
sujeito que foi responsável pelo batismo do famoso período Jurássico foi
o cientistas Alexander von Humboldt, notável explorador e naturalista
alemão, que em 1795 ao perceber a composição rochosa calcária das
montanhas de Jura, na fronteira da França com a Suíça, deu o nome de "
Jura kalkstein", cuja variação "
Jurakalk" originou o nome atual para a formação geológica, baseando o nome do período das rochas no nome das Montanhas de Jura.
O nome "Jura" deriva da raiz céltica "Jor", que foi latinizado formando "Juria", significando "Floresta", portanto as montanhas seriam chamadas de "Montanha Floresta". A palavra "kalkstein" vem do alemão, significando "Calcário". Podemos dizer que o nome Jurássico, em uma tradução livre (tradução minha) significa "Floresta de Calcário" ou "Calcário da Floresta".
Não consigo pensar em adaptação melhor do nome, mas estou aberto à
sugestões, então escreva um comentário com a sua neste artigo.
Retrato de Alexander von Humboldt
© Joseph Karl Stieler

O
período Jurássico começou após o término do período Triássico, entre
213 e 199 milhões de anos atrás e como pode perceber não há maior
precisão na datação da fronteira Triássico-Jurássico devido à disposição
das rochas e até mesmo falta de mais rochas expostas na crosta, datando
desta época. Como toda datação geológica, não podemos ter uma precisão
em anos, menos ainda em dias ou meses. Há sempre uma margem de erro para
mais ou para menos em milhões de anos, variando de acordo com a fonte
consultada. Em algumas, estima-se o início do Jurássico em 213 milhões
de anos atrás, outras
fontes
indicam 205 ou mesmo 199 milhões de anos atrás. Não é questão de erro,
mas sim de imprecisão científica devido à falta de mais evidências e
técnicas de medição mais apuradas.
A maioria das estimativas está por
volta de 213 - 199 milhões de anos atrás, com o período se estendendo
por volta 50 milhões de anos, acabando há 145 milhões de anos e dando
início ao Cretáceo.
O Jurássico é o período "do meio" da Era
Mesozóica, estando entre o Triássico e o Cretáceo e marcando o pico de
evolução e da dispersão dos dinossauros pelo globo terrestre, pois foi
neste período em que os primeiros dinossauros, surgidos tímidos no
Triássico, atingiram seu ápice, evoluindo em formas abundantes e
variadas e chegando a tamanhos impressionantes, desde minúsculos
Terópodes como o Compsognathus a titãs como o
Diplodocus e
Brachiosaurus.
O Jurássico se divide em 3 partes, também conhecido como
Sistema do Jurássico, que são chamadas de
Inferior, Médio e Superior,
listados do mais antigo para o mais novo respectivamente. Observando a
tabela abaixo, você pode ver ao fundo a tabela completa da Era
Mesozóica, com o Triássico em verde, Jurássico em amarelo e Cretáceo em
laranja, com suas respectivas subdivisões em tons de cores similares. No
efeito de zoom proporcionado pela imagem na parte do Jurássico, podemos
ver o sistema, com cada subdivisão ainda menor e ao final de cada
linha uma estimativa em milhões de anos (M.a.) de quando cada parte
começou e terminou. Vale a pena conferir mais de perto, então clique na
imagem para ver em tamanho maior. A separação do Jurássico em três
partes remonta a Leopold von Buch (1774 - 1853).
Veja a localização do Jurássico na linha do tempo
© Patrick Król Padilha
Como
eu mencionei no artigo sobre o período Triássico, que você pode ler
aqui no Blog do Ikessauro, foram encontradas na África rochas que marcam
o final do período e o início do Jurássico, assim demonstrando que uma
extinção em massa deu início ao segundo período, considerando que a
África ainda fazia parte da Pangéia na época. Obviamente a extinção não
foi tão grande quanto outras. Causada por variações climáticas, possível
queda de meteorito, vulcanismo entre outros fatores, a extinção
devastou metade dos seres vivos, principalmente animais e seres
marinhos, por isso a maioria dos dinossauros sobreviveu e deu
continuidade à linhagem no período seguinte. As plantas foram pouco
afetadas, tendo sido os répteis marinhos e outros animais oceânicos os
mais atingidos. Vale a pena ler sobre o período anterior, para ter uma
visão melhor do que foi o início da Era Mesozóica.
Quanto
ao final do Jurássico, não foi marcado por uma extinção em massa, mas
sim por uma mudança nas espécies e variedades de fauna e flora, mudança
gradual, que só se completou no Cretáceo, mas que se tornou evidênte
quando se observa a história como um todo.

Durante o período Triássico os continentes terrestres estavam todos unidos em um super continente chamado pelos cientistas de
Pangéia (significando "
Toda a Terra").
Algumas pequenas ilhas circundavam o super continente, mas muito
pequenas para serem consideradas continentes individuais. O oceano que
recobria todo o resto do globo era chamado
Panthalassa (significando "
Todo a Mar").
O clima era seco na maior parte do continente pois só as bordas do
litoral é que mantinham contato com água durante todo o ano, assim
permitindo um clima mais ameno nas áreas costeiras, enquanto que no meio
do continente o clima era quente, árido e seco, com poucos períodos
chuvosos.
Você pode e deve estar se
perguntando: Se este artigo trata do Jurássico, que importância o
Ikessauro pensa que há em sabermos como era o Triássico?
Bem,
meu caro paleoaficcionado, tem muita importância e vou lhe dizer
porque! A forma do continente interfere nas correntes oceânicas e as
correntes consequentemente tem impacto no clima, que afeta por sua vez a
vegetação, que definirá como será a vida animal vegetariana, esta que
servirá de comida aos seres carnívoros. Enfim, tudo está interligado num
grande sistema complexo, onde a mudança de um único elemento sempre tem
impacto nos outros e assim sucessivamente, afetando o sistema como um
todo.
Sabendo como era o clima do Triássico, podemos ver que no
Jurássico Médio e Superior, o continente Pangéia começou a se modificar,
dando origem a dois continentes separados, um ao norte e outro mais ao
sul. O continente mais ao norte é conhecido cientificamente pelo termo
Laurásia, foi originado pela junção de dois outros termos,
Laurência + Eurásia.
O primeiro termo se refere ao Cratão Norte Americano e o segundo se
refere ao continente grande formado por Europa e Ásia no hemisfério
norte. Essa nomenclatura foi escolhida porque os continentes situados
hoje no hemisfério norte se originaram na maioria a partir do super
continente Laurásia, depois da separação no Jurássico. Só para
esclarecer, Cratão se refere a um pedaço ou porção de rochas das placas
tectônicas que mesmo com o decorrer de milhões de anos de atrito, união e
separação de continentes, permanecem pouco alteradas.
Jurássico Médio: observe o começo da separação
© Dr. Ron Blakey
O continente formado no hemisfério sul recebeu o nome de
Gondwana, cujo nome deriva do Sânscrito, significando "
Floresta dos Gondis".
Os Gondis são povos da Índia, onde há uma região chamada Gondwana, ao
norte do país, sendo que foi nessa área que o pesquisador Austríaco
Eduard Suess estudou as rochas que permitiram entender melhor a
separação dos continentes. Por isso o nome foi escolhido em homenagem ao
local que proporcionou a pesquisa. O Gondwana deu origem aos
continentes do hemisfério sul, incluindo a América do Sul, a África, a
Antártida, a Austrália, além das hoje inúmeras ilhas menores situadas
neste hemisfério. A Índia também originou-se a partir de Gondwana, mas
com o passar do tempo separou-se e migrou para o norte, chocando-se
contra a Laurásia, criando a Cordilheira do Himalaia, onde se fixou e
permanece atualmente.
Jurássico Superior
© Dr. Ron Blakey 
Foi
nessa época que surgiu o Golfo do México, entre a América do Norte e a
Península de Yucatán no México. O Oceano Atlântico Norte apareceu nesta
época, com a divisão da Laurásia em partes menores, originando a América
do Norte e Eurásia, estando o oceano recém formado entre estes dois
continentes citados por último. O Atlântico Sul não existia, pois
América do Sul e África ainda estavam ligadas, sendo que só no Cretáceo
se dividiriam para originar este oceano. O Mar de Tethys, que antes
ocupava o golfo da Pangéia, sumiu e originou a bacia do Neotethys.Nessa
época, a Europa Ocidental atual não passava de um bando de ilhas
isoladas no meio do Atlântico, tendo originado posteriormente bons
depósitos sedimentares marinhos com fósseis indicando a existência de um
mar raso na região. Alguns locais com sítios fossilíferos conhecidos
são o Jurassic Coast Heritage Site e o renomado sítio fossilífero alemão
Lagerstätten of Holzmaden e Solnhofen, datado do Jurássico Superior,
este último tendo originado inclusive o fóssil famoso do Archaeopteryx
de Berlim.
Jurassic Coast Heritage Site: Inglaterra
© Blackbeck / iStockphoto
Por
outro lado na América do Norte o registro marinho do Jurássico é fraco,
porém outros estratos ainda assim fazem a região ser mais rica em
depósitos do Jurássico que as Américas Central e do Sul. No norte
podemos encontrar alguns depósitos originados de ambientes marinhos, mas
a maioria provém de sedimentações aluviais, ou seja, leitos de rios que
atraiam animais e permitiam a vida mais próspera ao seu redor e cuja
lama e sedimentos trazidos pela água deram origem a formações rochosas
hoje visíveis na superfície, como a Formação Morrison nos Estados
Unidos.
Formação Morrison
© Michael Overton
O
Jurássico foi marcado por mares repletos de calcita com baixos níveis
de magnésio, o material sedimentar inorgânico mais comum nos mares, que
originaram depois de alguns milhões de anos depósitos de rocha de
Carbonato de Cálcio que é o principal componente do calcário.
Simplificando, são rochas formadas pela petrificação do fundo do oceano,
que mostra uma rica fauna com esqueleto externo principalmente
composto de calcita.
Analisando as rochas do Jurássico pode-se
perceber vários batólitos de grande porte, que são rochas formadas pelo
vazamento do magma entre camadas de sedimento. As camadas se sobrepõem
em ordem homogênea, mas quando o magma vaza por entre camadas acaba
infiltrando um tipo de material diferente que origina posteriormente
rochas diferentes. Um exemplo desse fenômeno é a cadeia de montanhas de
Nevada.
Segundo um artigo do blog "
Geografia Física Online" sobre plutonismo, do qual retiro a citação seguinte, os Batólitos:
"ocorrem
principalmente em regiões tectonicamente calmas, são grandes massas
contínuas formadas por rochas magmáticas que cortam de forma
discordante as rochas mais antigas."
Já de acordo com o Geoglossário do site do Cairo American College, um Batólito é:
"an
irregular mass of coarse-grained, intrusive igneous rock that
has an exposed surface of more than a hundred square
kilometres. Batholiths form deep within the Earth's crust, many
kilometres beneath the surface. With time, the overlying rocks
erode, exposing the rock of the batholith."
Tradução:
"uma massa irregular de rocha ignea intrusiva de textura granulada que
tem um superfície exposta de mais de mil quilômetros quadrados.
Batólitos se formam no fundo da crosta terrestre, muitos quilômetros
abaixo da superfície. Com o tempo, as rochas que o cobrem sofrem erosão,
expondo a rocha do batólito.
De forma simplificada, podemos
visualizar a formação de um batólito da seguinte maneira. Há uma
formação rochosa com várias camadas de rocha sedimentar. Cada camada de
uma idade e constituição diferente. Abaixo destas camadas há fluxo de
magma do núcleo da Terra. Este fluxo consegue penetrar nas camadas de
baixo para cima, e no meio delas cria uma bolha de magma, que resfria e
vira rocha. Com o passar de alguns milhões de anos, as camadas
sedimentares que cobrem essa bolha de magma endurecido acabam sofrendo
erosão pela chuva, vento e outros processos naturais, expondo a bolha,
total ou parcialmente. Estas bolhas ou batólitos muias vezes são grandes
ao ponto de formarem verdadeiras montanhas.
Voltando a falar do
registro geológico do período aqui tratado, podemos lembrar que alguns
outros países ou mesmo continentes apresentam estratos jurássicos, mas
em menor quantidade e abrangência que os citados anteriormente. Entre
estes incluem-se Rússia, América do Sul, Índia, Japão, Australásia e
Reino Unido. Na África, estratos do Jurássico Inferior estão
distribuídos de modo similar aos estratos do Triássico Superior, com
mais afloramentos no sul e menos ao norte do continente.
Os estratos
do Jurássico Médio da África são escassos e mal estudados, assim como
do Jurássico Superior, que apresenta uma exceção, a Formação de
Tendaguru - Tanzânia, que se assemelha em quesito fauna à Formação
Morrison na América do Norte. Recentemente uma notícia no Brasil
anunciava a descoberta de um sítio fossilifero datado do Jurássico, no
nordeste do país, mas ainda não soube mais detalhes sobre tal fato.

O
clima era quente, sem evidência de glaciação. Assim como no Triássico,
não havia nenhuma massa de terra próxima dos polos e não havia cobertura
de gelo. Com a mudança da forma dos continentes, mais porções de terra
receberam umidade proveniente das novas regiões costeiras formadas e
assim o clima quente e seco do período anterior tornou-se quente e
úmido, um verdadeiro clima tropical, dando origem a enormes florestas,
graças ao aumento de crescimento das plantas a partir da nova condição
climática. O clima tropical abrangia o mundo todo devido à elevação do
nível do mar criada por vulcanismo submerso, que depositava mais
material rochoso no fundo dos mares, elevando o nível da água. Muitas
regiões atuais como a Europa Ocidental eram ilhas tropicais em mares
rasos. Havia vulcanismo, provavelmente gerado a partir da separação
continental que deve ter ocorrido a partir de intensa atividade
geológica das placas tectônicas.

Devido
ao clima mais úmido proporcionado pela quebra continental, muitas
plantas prosperaram e boa parte dos continentes durante o Jurássico era
coberta por extensas florestas tropicais, repletas de árvores de porte
variado e plantas rasteiras. Depósitos de carvão natural datados do
Jurássico mostram o quão extensas eram as florestas do período. As
gramíneas ainda não haviam surgido, mas em seu lugar, os fetos,
cavalinhas e samambaias ocuparam o posto de cobertura vegetal rasteira.
Os Licopódios do Triássico sobreviveram e prosperaram também, embora não
tanto quanto as demais plantas.
Floresta Jurássica: observe os fetos e samambaias rasteiras
© John Sibbick

Como
plantas médias haviam as cicadáceas, cuja linhagem ainda vive hoje e as
cicas, árvores de médio porte muito similares às cicadáceas, mas que
não eram cicadáceas verdadeiras. As cicas foram totalmente exintas, mas
acredita-se que podem ser sido as primeiras plantas a desenvolver
flores, embora não foram as ancestrais das plantas com flores de hoje,
porque o grupo destas cicas, que também é conhecido como Cicadeóides ou
Benetitáceas, foi extinto completamente.
Benetitácea
© Foto do site Han's Paleobotany Pages
Benetitáceas
© Foto do site Han's Paleobotany Pages
Fóssil de Benetitácea
© Wikimedia Commons
Algumas
plantas do grupo das cicadáceas eram venenosas e ao contrário do que
ocorre hoje, cresciam em todo o mundo pois todos os continentes tinham
clima tropical e/ou sub tropical. Um exemplo de benetitácea é a
Williamsonia, que tinha um tronco escamoso e produzia folhas parecidas
com a das cicadáceas e estruturas parecidas com flores, embora não
fossem de fato flores. Dentre estas plantas podemos citar também fetos
arborescentes, sendo que haviam várias espécies e tipos, similares a
atual Dicksonia.
Atual Dicksonia antarctica: plantas semelhantes eram comuns no Jurássico
© Foto retirada de gardensandplants.com
Dicksonia antarctica: espécie atual
© Wikimedia Commons
As
cicadáceas verdadeiras também eram abundantes no Jurássico, crescendo
em formas e tamanhos variados, com exemplares rasteiros e outros
arborescentes. Para comparar podemos ver uma espécie atual, a africana
Encephalartos transvenosus, que cresce em florestas na África, até dando
um aspecto pré-histórico à paisagem.
Floresta de Cicadáceas na África
© Foto do site wild-about-you.com
As
árvores de grande porte dominantes eram as gimnospermas, coníferas na
maioria, como Araucárias entre outros tipos de pinheiros. Grupos que
ainda vivem nos dias atuais como Araucariaceae, Cephalotaxaceae,
Pinaceae, Podocarpaceae, Taxaceae e Taxodiaceae se originaram no
Jurássico. No Jurássico as Araucárias estavam espalhadas por quase todo o
globo, enquanto que hoje só são encontradas em poucos locais no
hemisfério sul. Abaixo você confere alguns exemplares de araucárias
atuais.
Araucárias atuais na América do Sul: similares às do Jurássico
© Manuel Capdevila
Pinha de Araucária fóssil da Argentina
© Mila Zinkova
Espécies
de Ginkgos eram abundantes também, tendo sua linhagem ainda viva hoje
com um único gênero, muito usado como árvore para paisagismo em jardins e
calçadas. As samambaias já existiam naquele tempo, assim como árvores
coníferas como alguns parentes das Sequóias e Ciprestes atuais.
Os Shunosaurus sob um exemplar de Ginkgo yimaensis
© Brian Engh
Ginkgos
eram mais comuns ao norte em altas latitudes, enquanto que no sul
podocarpos eram mais bem sucedidos. As algas vermelhas modernas que
vemos hoje apareceram pela primeira vez nesse período. Abaixo você
confere mais imagens de
paleorecontrução ambiental, com várias espécies de plantas, coníferas, fetos entre outras citadas anteriormente.
Coníferas do Jurássico
© Foto do site Han's Paleobotany Pages
Paisagem Jurássica
© Imagem retirada de Review of the Universe.ca
Coníferas semelhantes às atuais Sequóias eram abundantes no Jurássico
© Imagem retirada de Review of the Universe.ca
À
medida que o Jurássico prosseguia, mudanças ambientais proporcionaram a
evolução dos dinossauros. Pequenos predadores que no Triássico não eram
muito maiores que um cachorro agora tinham descendentes que chegavam a
10 metros de comprimento. Os herbívoros como os Prossaurópodes que
apesar de grandes não eram tão impressionantes deram lugar aos seus
parentes
Saurópodes, que alcançaram tamanhos descomunais. Outros herbívoros menores surgiram, incluindo
Ornitópodes e os
Estegossauros,
dinos couraçados de médio porte, cuja principal característica é um
corpo robusto coberto por placas ósseas verticais ou espigões desde o
pescoço até a cauda, apresentando cabeça pequena e pescoço curto.
Pequenos ornitópodes como
Driossauro viviam na sombra dos grandalhões, perseguidos por predadores de médio porte como o Ceratossauro entre outros.
Ceratosaurus caçando Dryosaurus
© Maurilio Oliveira

No
mundo todo os dinossauros prosperavam em formas diferentes, alguns
pequenos celurossaurídeos já davam sinais de evolução de que um dia
dariam origem às aves. O Archaeopteryx, dinossauro pequeno que por
muitos anos foi tido como a primeira ave é um exemplo dessa transição.
Hoje o mesmo animal está classificado como dinossauro terópode, mas não
deixa de ser um dos melhores exemplos de evolução encontrados no
registro fóssil.
A fauna era similar em todo o planeta, devido à
recente separação dos continentes. Podemos perceber claramente tal fato
observando, por exemplo, a fauna da Formação Morrison (Estados Unidos) e
da Formação Tendaguru (Tanzânia). Na primeira temos fósseis de
Brachiosaurus,
Stegosaurus,
Allosaurus, Ceratosaurus entre outros. Na formação africana temos Giraffatitan,
Kentrosaurus e restos de terópodes do grupo do
Allosaurus e Ceratosaurídeos, embora no caso destes predadores os fósseis precários não permitam definição mais precisa.
Podemos citar, dentre os dinos mais conhecidos do Jurássico os clássicos saurópodes
Apatosaurus, Brachiosaurus, Giraffatitan, Diplodocus, Barosaurus, também os predadores Dilophosaurus, Allosaurus, Ceratosaurus, Afrovenator, Torvosaurus, Ornitholestes, Anchisaurus, Cetiosaurus, Coelurus, Dinheirosaurus entre outros.
Os
dinos ornitísquios (com quadril de ave) eram mais raros que saurísquios
(com quadril de réptil), entrentanto alguns, como os Estegossauros e
pequenos ornitópodes, desempenharam um papel importante como herbívoros
de médio a grande porte.
Ceratosaurus atacando Camarasaurus
© Desconhecido: informe nos comentários se você sabe quem é o autor
Afrovenator e Ornithocheirus
© Maurilio Oliveira
Além
de dinossauros, na terra firme os crocodilos ainda tinham papel, embora
menor que no período anterior e mamíferos pequenos parecidos com gambás
viviam nas florestas e alguns até levando vida semi aquática. Duas
espécies mais conhecidas são Megazostrodon e Morganucodon.
Megazostrodon
© Wikimedia Commons
Nos
céus a falta dos pássaros não deixou um vazio, pelo contrário, deu a
chance de outro grupo de animais prosperarem. Neste caso estou falando
dos
Pterossauros,
os primeiros vertebrados a conquistar o vôo e que no Jurássico
desenvolveram ainda mais, expandindo em variedade de tamanho e formatos.
Espécies bem conhecidas como
Pterodactylus, Dorignathus, Germanodactylys, Rhamphorhynchus, Bathrachoganthus e Anurognathus
são bem representadas no registro fóssil, embora nenhuma chegasse a
tamanhos extremos como aconteceu com pterossauros do Cretáceo.
Não
podemos nos esquecer que além de pterossauros, o dino-ave
Archaeopteryx, já apresentava sinais de vôo, pelo menos planado, assim
sendo talvez um competidor por alimento no nicho em que vivia. O artista
Gary Bloomfield fez uma pintura que mostra essa situação, um
Archaeopteryx defendendo sua presa (um peixe) de vários pterossauros.
© Gary Bloomfield
Nos
mares animais dos mais variados tipos viviam disputando comida e
domínio por territórios, alguns preferindo uma vida mais estável no
fundo dos mares rasos, atuando como "lixeiros" dos ecossistema, se
alimentando de restos de animais ou predando por emboscadas. Entre estes
animais rastejantes estavam os Caranguejos, como o Eryon arctiformis, e
outros artrópodes, como camarões, lagostas e afins.
Caranguejo Eryon arctiformis
© Didier Descouens
Outros
animais de fundo eram os ofiúros, animais do grupo dos equinodermos,
parecidos com estrelas do mar. Espécies representantes desse grupo
foram encontradas no registro fóssil, sendo que posso citar a espécie
Geocoma elegans como uma delas. Outros equinodermos do jurássico incluem
os ouriços do mar, como o Cidaris coronata.
Geocoma elegans
© HSU NHM 1998
Cidaris coronata
© HSU NHM 1998 
No entanto os mares do Jurássico tinham muito mais do que só animais de fundo, pois
Peixes
variados, incluindo peixes ósseos e tubarões, populavam os mares do
mundo todo. Alguns gêneros conhecidos incluem Leptolepis, Leedsichthys,
Lepidotes, Coelacanthus, Hybodus entre outros.
Leptolepis
© Wikimedia Commons
Leedsichthys
© BBC
Lepidotes
© Wikimedia Commons
Os
moluscos como as ostras Gryphaea arcuata e Inoceramus mucronata já
surgiam e outros moluscos chamados Amêijoas também prosperavam, como a
Buchia acutistriata.
Gryphaea arcuata
© Wikimedia Commons
Os
Cefalópodes eram abundantes, representados principalmente pelas
Amonites, incluindo os gêneros Dactylioceras, Praeparkinsonia, e
Acanthopleuroceras, além de moluscos do grupo dos Belemnites, como o
Pachyteuthis. Os Brachiópodes ainda existiam, mas com menor expressão.
Um exemplo de Brachiópode é a Rhynchonella.
Dactylioceras
© Nobu Tamura
Além
de toda essa galera estranha os mares jurássicos eram habitados por
animais que a maioria dos amantes da pré-história mais inexperientes
confunde com dinos. Eles eram répteis marinhos, incluindo
Crocodilos,
Ictiossauros e
Plesiossauros. Entre os crocodilomorfos, alguns dos quais eram bem primitivos, posso citar os gêneros,
Machimosaurus, Protosuchus, Metriorhynchus, Teleosaurus, Geosaurus só para exemplificar alguns gêneros.
Metriorhynchus
© Gabriel Lio
Do grupo dos Ictiossauros, posso citar alguns gêneros que são conhecidos no registro fóssil, como
Ophthalmosaurus, o próprio
Ichthyosaurus, Temnodontosaurus, Brachypterygius, Stenopterygius que são os mais famosos.
Ophthalmosaurus
© Gabriel Lio
Ichthyosaurus
© Raúl Martín
Stenopterygius
© Dinoraul
Além
dos Ictiossauros os mares do Jurássico estavam povoados pelos
Plesiossauros, répteis marinhos diferentes dos já mencionados, com um
corpo bem mais largo que o dos Ictiossauros e pescoços longos, por vezes
descritos como uma cobra com corpo de tartaruga. Um subgrupo dos
Plesiosaurus eram os Pliosaurus, que tinham pescoços grossos e
musculares, cabeças enormes e dentes numerosos e fortes. Alguns gêneros
conhecidos de Plesiossauros e Pliossauros são
Cryptoclidus, Muraenosaurus, Rhomaleosaurus, Plesiosaurus, Pliosaurus, Liopleurodon, Attenborosaurus entre outros.
Liopleurodon, um Pliossaurídeo
© Felipe A. Elias
Cryptoclidus, um Plesiossaurídeo
© Luis Rey
Animais como o
Notobatrachus, Eocaecilia e o
Karaurus continuavam
a linhagem dos anfíbios, começada antes mesmo dos dinossauros. Nesta
época é que os sapos surgiram além de outros anfíbios avançados.
Enfim,
como você pôde perceber, o Jurássico foi um período muito importante e
cheio de vida na Terra, um tempo de gigantes, em que a evolução mostou
alguns dos mais impressionantes seres vivos que já pisaram no planeta.
Só podemos estudar seus restos e imaginar como todos estes seres vivos,
além de outros que provavelmente habitavam o mundo, como bactérias,
vírus, fungos, parasitas variados, insetos de diversos tipos e outros
bichos interagiam entre si formando um ecossistema completo e funcional.
Posso dizer que é muito interessante parar e refletir por alguns
minutos, imaginar e tentar ilustrar mentalmente como uma paisagem da
época se pareceria.

Como
já disse, o final do Jurássico não teve uma extinção em massa tão
grande quanto no fim do Permiano ou do Cretáceo, pois muitas das
espécies ou grupos de animais sobreviveram e passaram a viver e evoluir
no Cretáceo. O paleontólogo Thomas Holtz afirma que Bakker falou sobre a
extinção do Jurássico e que poucas espécies de dinossauros foram
afetadas. O que acontece é que a maioria das extinções que marcam as
divisões de períodos afetou em maior grau seres marinhos, sendo que no
fim do Jurássico poucos animais terrestres foram realmente extintos,
algumas espécies sim, mas não grupos inteiros. Por isso vemos no
Cretáceo dinossauros semelhantes aos do Jurássico e outros animais como
répteis marinhos, pterossauros além de uma infinidade de outros grupos.
O
período Jurássico de fato seja talvez o mais conhecido dentre todos os
da história geológica da terra, em parte pela publicidade do filme "
Jurassic Park",
baseado no livro homônimo de Michael Crichton. Apesar de que no livro,
filme e respectivas sequências os animais mostrados sejam também de
outros períodos, o nome "Jurassic" foi escolhido por Crichton por ser
mais fácil de falar, lembrar e soar melhor. Também o mito de que
dinossauros eram todos enormes e o fato de alguns dos maiores terem
vivido no Jurássico, o período ficou popular como a era dos gigantescos
saurópodes. Indepentente da popularidade o período é digno de admiração,
pois deve ter sido belíssimo, riquíssimo em vida, como podemos perceber
pelo pouco preservado em registro fóssil.
Espero que eu tenha sido
claro o suficiente ao contar a você "paleo-leitor" sobre esse trecho da
história do nosso planeta e que este texto tenha sido bem educativo e
gostoso de ler. Se houver algo interessante que eu esqueci de escrever
ou alguma correção a fazer, comenta abaixo dando sua contribuição,
sempre com argumentação coerente, linguagem escrita formal e de
preferência citando suas fontes. Lembre-se, o melhor pagamento ao
blogueiro é a participação e reconhecimento dos leitores e se você tem
um blog, sinta-se a vontade em divulgar a postagem através de links, mas
por favor, respeite meu trabalho e não copie tudo, pois isso além de
ser atestado de incompetência é crime. Valeu galera, até a próxima!
Fontes: