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quinta-feira, 21 de março de 2019

A Erosão e seus agentes

Erosão é o conjunto de processos que promovem a retirada e transporte do material produzido pelo intemperismo, ocasionando o desgaste do relevo. Veja a seguir quais são os principais tipos de erosões, conforme o agente que atua

Erosão pluvial

É aquela provocada pela água das chuvas. Como foi dito, a água é um dos principais agentes erosivos. Sua ação é lenta, mas pode ser acelerada quando ela encontra o solo desprovido de vegetação, como nas áreas desmatadas.
Se o terreno tem muita vegetação, o impacto da chuva é atenuado porque a as plantas diminuem a velocidade da água que escorre pelo solo. As raízes, por sua, vez, dão mais resistência à estrutura do solo e aquelas já mortas funcionam como canais, favorecendo a infiltração da água.
Sem vegetação, o solo fica saturado em água mais rapidamente e, como consequência, ela passa a fluir pela superfície, deixando de se infiltrar. Tudo isso fica agravado se o solo for arenoso, e não argiloso.
Erosão pluvial Ravinas no vulcão Bromo, ilha de Java (Fonte: G1)

O fluxo de água pela superfície leva à formação de ravinas, como na imagem acima, e quanto mais água houver, mais acelerado será o ravinamento, de modo que ele aumenta à medida que a água avança morro abaixo.
Outro tipo de erosão pluvial é a erosão remontante, que abre, no solo, sulcos que podem atingir grandes dimensões e que crescem morro acima (daí o nome), ao contrário do ravinamento. Esses sulcos recebem o nome de boçorocas (ou voçorocas) e começam a se formar quando o ravinamento atinge o lençol freático. Daí em diante, progridem de modo muito difícil de controlar, pois não mais dependem da ocorrência de chuvas para aumentar de tamanho.

Erosão fluvial   

É aquela causada por rios, perenes ou temporários. É semelhante à erosão pluvial, mas em escala maior e em regime permanente ou pelo menos mais prolongado que a erosão pluvial
Erosão fluvial Grand Canyon, Colorado (EUA)

Erosão marinha (abrasão)

A água do mar provoca erosão através da ação das ondas, das correntes marítimas, das marés e das correntes de turbidez. Seu trabalho é reforçado pela presença de areia e silte em suspensão. A cidade de Olinda, em Pernambuco, é um local em que a erosão marinha tem agido de modo preocupante, com o mar avançando sobre a cidade.
Erosão marinha La Portada, Chile (Fonte: wikipedia commons)

As correntes marinhas transportam grandes volumes de sedimentos de uma área para a outra. A ação das correntes de turbidez não é percebida, porque elas atuam entre a plataforma continental e o talude continental.

Erosão glacial

É a erosão provocada pelas geleiras (também chamadas de glaciares). A água que se acumula nas cavidades das rochas no verão, congela quando chega o inverno, sofrendo dilatação. Isso pressiona as paredes dos poros, rompendo a rocha. A cada ano, o processo se repete, desagregando, aos poucos, a rocha.
Erosão glacial na Antártida (Fonte: Cultura mix.com)

Essas massas de gelo deslocam-se muito lentamente, mas têm uma enorme capacidade de transporte, podendo carregar blocos de rocha do tamanho de uma casa. Quando derretem, geram depósitos sedimentares muito heterogêneos, chamados de morenas ou morainas.

Erosão eólica

É aquela decorrente da ação do vento. Ocorre em regiões áridas e secas, onde existe areia solta, capaz de ser transportada pelo vento, que a joga contra as rochas, desgastando-as e dando origem, muitas vezes, a formas bizarras, como se vê na figura abaixo:
Erosão eólica no Salar de Uyuni, Bolívia. (Fonte: Wikipedia Commons)

Ao contrário do que pensam muitas pessoas, não foi a erosão eólica, e sim a chuva, que formou as estranhas feições que tanto atraem os turistas em Vila Velha, no Paraná.
Outra feição típica do ambiente desértico são os ventifactos, blocos de rocha de tamanhos variados que aparecem soltos no chão e que exibem faces planas formadas pelo impacto contínuo da areia. Eles são úteis porque a posição dessas faces indica a direção preferencial dos ventos no local.
Os grãos de areia podem ser levados a distâncias enormes por suspensão e já se constatou a presença de areias provenientes da África na Amazônia brasileira. A suspensão forma grandes depósitos arenosos, chamados de loess e é responsável também pelas tempestades de areia.

Erosão antrópica

É a erosão causada pela ação do ser humano. Em geral não tem grande influência, por que sua ação é de duração muito curta, Mas, nossa capacidade de remover grandes massas de terra ou de rocha é cada vez maior e a erosão antrópica tende a ser cada vez mais significativa.
O plantio sem levar em conta o regime de escoamento das águas naturais, pode provocar ravinamento e formação de boçorocas. A ocupação de áreas impróprias para a construção de moradias, como morros de alta declividade, gera escorregamentos de solo, com danos materiais e mortes. A impermeabilização de superfícies, como a pavimentação de ruas, impede que a água da chuva se infiltre e favorece as inundações em áreas urbanas.
Ventifacto de granito medindo 37x46x71cm, Sweetwater County, Wyoming, EUA (Foto: USGS, em Dicionário Livre de Geociências)

Deve-se ter em mente também que a ação humana, embora de pequena expressão, pode ser o início de um grande processo erosivo. Assim, o desmatamento na Amazônia pode facilmente levar a área desmatada a uma desertificação, porque o solo daquela região é muito arenoso e pouco espesso. A vegetação só é exuberante porque se desenvolve sobre restos orgânicos da própria mata, e eles desaparecem rapidamente quando há o desmatamento.

Tudo Ver

 
O Serviço Geológico do Brasil, mais conhecido como CPRM disponibiliza em seu Portal uma proposta inovadora e importante para o acesso ao conhecimento científico chamado Canal Escola. Este canal tem como objetivo principal incentivar e fomentar o conhecimento sobre Ciências da Terra e contribuir como fonte didática de recursos para pesquisas de profissionais, professores e estudantes.
Deste rico material oferecido pela instituição, reproduzimos um dos artigos escrito pelo Geólogo Pércio de Moraes Branco, também autor do livro Dicionário de Mineralogia e Gemologia, e acrescentamos algumas imagens relevantes para ilustrar o assunto e dividir com os nossos leitores este importante passo da CPRM em direção a uma melhor divulgação do conhecimento científico brasileiro.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

A progressiva destruição das praias brasileiras

Perda ou acúmulo de areia e lama desfigura 60% do litoral brasileiro
O mar derruba casas e árvores de Ilha Comprida, um dos lugares de intensa erosão no litoral paulista
Luiz Carlos Murauskas/Folhapress
O mar corroeu a encosta que sustenta o farol da Ponta do Seixas, o ponto mais oriental do Brasil, em João Pessoa, na Paraíba. Em 2014, um trecho da estrada que conduzia ao farol desmoronou. Dois anos depois, a estrada fechada inicialmente apenas para carros foi interditada também para pedestres e ciclistas. Quem chega à Ponta do Seixas, agora por uma estrada mais longa, pode ver, à frente, uma bela vista do Atlântico e, à esquerda, a antiga estrada caída e uma placa alertando sobre o risco de desmoronamento. As obras de restauração não haviam começado até outubro de 2018.

Além de tragar vias costeiras, os efeitos da erosão no litoral brasileiro se manifestam de múltiplas formas. Barrancos e crateras cortam a praia; rochas, antes cobertas pelo mar, vêm à tona. Casas desmoronam ou expõem alicerces. Palmeiras tombam e revelam suas raízes em razão da perda de sustentação. Publicada em novembro pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a segunda versão de um levantamento do Programa de Geologia e Geofísica Marinha, uma rede de instituições científicas brasileiras, indicou que a erosão e o acúmulo de sedimentos, a chamada progradação, atingem cerca de 60% dos 7,5 mil quilômetros (km) do litoral brasileiro. Como a primeira versão do levantamento, de 2003, indicava uma erosão costeira da ordem de 40% do litoral, algo como 3 mil km, a erosão aumentou  50%, agora chegando a 4.500 km.

O impacto é maior nas regiões Norte e Nordeste, com 60% a 65% do litoral atingido pela erosão, segundo o relatório Panorama da erosão costeira no Brasil. O Pará se destaca no levantamento, com a erosão remoldando 60% e a progradação 30% de seus 562 km de litoral. Na ilha de Marajó, enquanto a linha de costa – o limite até onde o mar chega, cujo deslocamento indica o estado de preservação ou alteração das praias – de algumas praias avançou até 100 metros (m), por causa do acúmulo de sedimentos, a de outras, pela razão contrária, recuou até 80 m. Na Bahia, 20% de seus 932 km de litoral são atingidos pela erosão. Em Sergipe, a perda de sedimentos modificou 38% dos 163 km de praias.
Na ilha de Marajó, praias como esta perdem areia e árvores com o avanço do marWikimedia Common.

No Espírito Santo, o problema é a progradação, verificada em 35% de seu litoral. No delta do rio Parnaíba, entre o Maranhão e o Piauí, a erosão desenterrou manguezais antes cobertos pela areia. No Rio Grande do Norte, 60% dos 399 km da costa já foram também atingidos pela erosão. O Ceará, com 572 km de litoral, registrou 30% de erosão e 10% de progradação.

Nas regiões Sudeste e Sul o impacto da erosão e da progradação é da ordem de 15%, mas a situação não é tranquilizadora, ressalta o geógrafo Dieter Muehe, pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e coordenador dos dois levantamentos. As análises de campo e as imagens de satélite indicaram que 38% do litoral do Rio de Janeiro, o equivalente a 242 km, e 12% do de São Paulo, ou 75 km, apresentam tendência erosiva, mas sem recuo da linha de costa. “A largura da praia continua a mesma, mas a erosão está interferindo nas dunas, falésias e casas próximas em algumas regiões”, diz ele. “São áreas muito vulneráveis, e talvez esse fenômeno fique mais aparente nos próximos anos.”

Problema natural
 
Fenômeno originalmente natural, a erosão é um problema mundial. A região mais atingida é a costa do mar Cáspio, com uma média de 600 m de perda de praia em alguns pontos e de 700 m de ganho em outros. O litoral de países da Ásia, América do Sul, leste da África e oeste da Austrália apresentou uma média de erosão acima de 50 m, de acordo com um estudo publicado em agosto de 2008 na Scientific Reports. Como em outros países, a variação do volume de sedimentos no Brasil se mostrou mais intensa em áreas mais urbanizadas, com portos, tubulações de esgotos avançando para o mar ou com casas e hotéis construídos na beira da praia. “As obras interrompem o fluxo de sedimentos e fazem as praias engordar de um lado, enquanto as do outro lado perdem areia”, diz Muehe.
A encosta que sustenta o farol da Ponta do Seixas, em João Pessoa, sofre erosão contínuaCarlos Fioravanti

No capítulo sobre o Ceará, o geólogo Jader Onofre de Morais, professor da Universidade Estadual do Ceará (UFC), com sua equipe, relatou que o litoral desse estado abrigava 100 obras de proteção costeira até janeiro de 2016, a maioria (75%) na Região Metropolitana de Fortaleza. Muros de arrimo e corredores de pedras, porém, não foram suficientes para reter os sedimentos. Nos municípios de Cascavel e Fortim, a linha de costa recuou, em relação à terra, respectivamente, 150 e 300 m, em razão do avanço do mar, que destruiu casas, avenidas, estradas e atracadouros de jangadas. No Recife, a praia de Boa Viagem sofre uma forte erosão decorrente, em boa parte, do quebra-mar, construído para as ondas fortes não chegarem às praias.

As regiões Norte e Nordeste são as mais atingidas do litoral brasileiro também por causa da baixa declividade das praias, que facilita o avanço do mar, e das marés mais intensas, entre outros fatores. No Nordeste, houve um agravante: a seca prolongada no sertão nos últimos anos. Com menos água, os rios levaram menos areia para o litoral, enquanto o mar continuou arrastando o sedimento já depositado nas praias.

“Basta diminuir a vazão de um rio para a erosão aumentar”, diz o geólogo José Maria Landim Dominguez, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que coordenou dois capítulos do livro, um sobre a Paraíba e outro sobre Alagoas, Sergipe e Bahia. A retirada de areia das margens dos rios para uso na construção civil e na pavimentação e a existência de barragens acentuam a redução do volume de sedimentos que seria depositado nas praias. Em 1998, a erosão destruiu o povoado de Cabeço, na foz do rio São Francisco, na divisa entre Alagoas e Sergipe.
Em 1921, a praia de Copacabana era estreita e o mar invadia a avenidaWikimedia Commons
A movimentação de sedimentos pode se agravar com a elevação do nível do mar prevista para as próximas décadas e o aumento da frequência e da intensidade de chuvas e ciclones, como resultado das mudanças climáticas, alertam os especialistas que participaram desse levantamento. “Uma parte significativa dos problemas de erosão no litoral em São Paulo está associada à ocupação inadequada da linha de costa, mas é muito mais fácil culpar o aquecimento global do que empresas e prefeituras”, diz o geólogo Michel Mahiques, professor do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) e coordenador do capítulo sobre o estado de São Paulo. “A responsabilidade e os custos de mitigação devem ser divididos entre os causadores desse problema.”

Medidas e Métodos
 
Há muitas incertezas que dificultam o planejamento e o combate à destruição das praias. Cada grupo de pesquisa adota metodologias diferentes, com maior ou menor precisão, para medir a variação da linha de costa, essencial para calcular as eventuais perdas ou ganhos de sedimentos no litoral. Para contornar esse problema, o oceanógrafo Régis Pinto de Lima, coordenador-geral de gerenciamento costeiro do MMA, pretende reunir especialistas e definir com precisão o limite entre a praia e a terra. Esse parâmetro do litoral brasileiro foi estabelecido em 1831 e precisa ser atualizado, segundo Lima.
Sua equipe deve lançar ainda este mês um manual, dirigido principalmente a representantes de órgãos públicos, para nortear a construção de edificações ao longo do litoral e reduzir a movimentação de sedimentos. Para Mahiques, “é necessário envolver as prefeituras, inclusive por meio da contratação de oceanógrafos, geógrafos, geólogos e outros profissionais capacitados e dedicados à análise desses problemas”. Dominguez, da UFBA, acrescenta: “Os órgãos públicos deveriam ter regras mais rígidas para impedir a ocupação das áreas muito vulneráveis, como a desembocadura dos rios”. Hoje não se pode construir em uma faixa do litoral situada a menos de 50 metros da linha da costa.
A ampliação da praia, com areia de áreas próximas, resolveu o problema.Wikimedia Common.

O que existe, por enquanto, são obras isoladas de redução de danos. Em abril, a prefeitura de Santos concluiu as obras para deter a erosão na Ponta da Praia, com a instalação de 49 sacos de areia que formaram uma barreira submersa com 500 m de extensão para deter a erosão; a praia perdeu quase 80 mil metros cúbicos de areia de 2013 a 2016. 

Em maio, o jornal A Gazeta, de Vitória, no Espírito Santo, relatou a retirada de 10 caminhões em média por dia de areia da praia de Camburi para repor a que se perdia em Curva da Jurema, outra praia da capital capixaba. Em 2017 e 2018, o Ministério da Integração Nacional aprovou 11 pedidos de financiamento para obras de emergência contra erosão costeira, solicitados por órgãos estaduais ou municipais da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Pará e Santa Catarina, somando cerca de R$ 500 milhões. Para a restauração da praia de Ponta Negra, em Natal, no Rio Grande do Norte, foram destinados R$ 17,6 milhões.

O MMA propõe também a valorização das chamadas obras leves, de recomposição de praias com areia, em vez das obras rígidas, que retêm sedimentos e não impedem a erosão. Um exemplo bem-sucedido nesse sentido é a praia de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, ampliada com areia trazida de áreas vizinhas na década de 1970. Quando a praia e a avenida eram estreitas, o mar batia às portas do hotel Copacabana Palace; hoje está a cerca de 10 m da calçada.

“As obras de alimentação de uma praia são mais parecidas com o que o ambiente foi no passado, por recolocar a areia perdida”, comenta o oceanógrafo Antonio Henrique Klein, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Os gestores aprovam a obra, mas às vezes esquecem que, de tempos em tempos, ela precisa de manutenção”, ele observa. “É preciso colocar mais sedimentos para repor o que foi perdido e evitar a repetição dos problemas, pois um local em processo de erosão natural vai continuar com erosão.”

Livro
 
MUEHE, D. (org.) Panorama da erosão costeira no Brasil. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente, 2018.

Artigo científico
 
MENTASCHI, L. et al. Global long-term observations of coastal erosion and accretion. Scientific Reports. v. 8, 12876, p. 1-11. 27 ago. 2018.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

A Erosão e seus agentes

Erosão é o conjunto de processos que promovem a retirada e transporte do material produzido pelo intemperismo, ocasionando o desgaste do relevo. Seus principais agentes são a água, o vento e o gelo.
O material transportado recebe o nome de sedimento e vai dar origem aos depósitos sedimentares que, através da diagênese, transformam-se em rochas sedimentares. Chama-se de diagênese um conjunto de transformações que, em resumo, consistem em compactação e cimentação dos sedimentos, dando-lhes a consistência de uma rocha.

A erosão é importante por ser responsável pela perda anual de milhões de toneladas de solo fértil, devida principalmente a práticas equivocadas de ocupação e manejo do solo. Essa perda é praticamente irrecuperável, pois exige muito tempo para ser realizada.

A erosão pode ser de vários tipos, conforme o agente que atua:

Erosão pluvial
É aquela provocada pela água das chuvas. Como foi dito, a água é um dos principais agentes erosivos. Sua ação é lenta, mas pode ser acelerada quando ela encontra o solo desprovido de vegetação, como nas áreas desmatadas.
Se o terreno tem muita vegetação, o impacto da chuva é atenuado porque a as plantas diminuem a velocidade da água que escorre pelo solo. As raízes, por sua, vez, dão mais resistência à estrutura do solo e aquelas já mortas funcionam como canais, favorecendo a infiltração da água.
Sem vegetação, o solo fica saturado em água mais rapidamente e, como consequência, ela passa a fluir pela superfície, deixando de se infiltrar. Tudo isso fica agravado se o solo for arenoso, e não argiloso.
A primeira ação da água é através do salpicamento, que é a desagregação dos torrões e agregados do solo pelo impacto dos pingos de chuva. Esse impacto provoca também a selagem, uma obstrução dos poros do solo pelo material mais fino, o que resulta numa redução da infiltração e consequente aumento do fluxo de água superficial.
Erosão pluvial Ravinas no vulcão Bromo, ilha de Java Fonte: G1

 O fluxo de água pela superfície leva à formação de ravinas, como na imagem acima, e quanto mais água houver, mais acelerado será o ravinamento, de modo que ele aumenta à medida que a água avança morro abaixo.

Outro tipo de erosão pluvial é a erosão remontante, que abre, no solo, sulcos que podem atingir grandes dimensões e que crescem morro acima (daí o nome), ao contrário do ravinamento. Esses sulcos recebem o nome de boçorocas (ou voçorocas) e começam a se formar quando o ravinamento atinge o lençol freático. Daí em diante, progridem de modo muito difícil de controlar, pois não mais dependem da ocorrência de chuvas para aumentar de tamanho.

Erosão fluvial   
É aquela causada por rios, perenes ou temporários. É semelhante à erosão pluvial, mas em escala maior e em regime permanente ou pelo menos mais prolongado que a erosão pluvial
Erosão fluvial Grand Canyon, Colorado (EUA).

Erosão marinha (abrasão)
A água do mar provoca erosão através da ação das ondas, das correntes marítimas, das marés e das correntes de turbidez. Seu trabalho é reforçado pela presença de areia e silte em suspensão. A cidade de Olinda, em Pernambuco, é um local em que a erosão marinha tem agido de modo preocupante, com o mar avançando sobre a cidade.
Erosão marinha La Portada, Chile Fonte: wikipedia commons.

As correntes marinhas transportam grandes volumes de sedimentos de uma área para a outra. A ação das correntes de turbidez não é percebida, porque elas atuam entre a plataforma continental e o talude continental.

Erosão glacial
É a erosão provocada pelas geleiras (também chamadas de glaciares). A água que se acumula nas cavidades das rochas no verão, congela quando chega o inverno, sofrendo dilatação. Isso pressiona as paredes dos poros, rompendo a rocha. A cada ano, o processo se repete, desagregando, aos poucos, a rocha.
Essas massas de gelo deslocam-se muito lentamente, mas têm uma enorme capacidade de transporte, podendo carregar blocos de rocha do tamanho de uma casa. Quando derretem, geram depósitos sedimentares muito heterogêneos, chamados de morenas ou morainas.

Erosão eólica
É aquela decorrente da ação do vento. Ocorre em regiões áridas e secas, onde existe areia solta, capaz de ser transportada pelo vento, que a joga contra as rochas, desgastando-as e dando origem, muitas vezes, a formas bizarras, como se vê na figura abaixo:
Erosão eólica no Salar de Uyuni (Bolívia) Fonte: Wikipedia Commons.

Ao contrário do que pensam muitas pessoas, não foi a erosão eólica, e sim a chuva, que formou as estranhas feições que tanto atraem os turistas em Vila Velha, no Paraná.

Outra feição típica do ambiente desértico são os ventifactos, blocos de rocha de tamanhos variados que aparecem soltos no chão e que exibem faces planas formadas pelo impacto contínuo da areia. Eles são úteis porque a posição dessas faces indica a direção preferencial dos ventos no local.
Os grãos de areia podem ser levados a distâncias enormes por suspensão e já se constatou a presença de areias provenientes da África na Amazônia brasileira. A suspensão forma grandes depósitos arenosos, chamados de loess e é responsável também pelas tempestades de areia.

Erosão antrópica
É a erosão causada pela ação do ser humano. Em geral não tem grande influência, por que sua ação é de duração muito curta, Mas, nossa capacidade de remover grandes massas de terra ou de rocha é cada vez maior e a erosão antrópica tende a ser cada vez mais significativa.

O plantio sem levar em conta o regime de escoamento das águas naturais, pode provocar ravinamento e formação de boçorocas. A ocupação de áreas impróprias para a construção de moradias, como morros de alta declividade, gera escorregamentos de solo, com danos materiais e mortes. A impermeabilização de superfícies, como a pavimentação de ruas, impede que a água da chuva se infiltre e favorece as inundações em áreas urbanas.

Deve-se ter em mente também que a ação humana, embora de pequena expressão, pode ser o início de um grande processo erosivo. Assim, o desmatamento na Amazônia pode facilmente levar a área desmatada a uma desertificação, porque o solo daquela região é muito arenoso e pouco espesso. A vegetação só é exuberante porque se desenvolve sobre restos orgânicos da própria mata, e eles desaparecem rapidamente quando há o desmatamento.

Tudo Ver


O Serviço Geológico do Brasil, mais conhecido como CPRM disponibiliza em seu Portal uma proposta inovadora e importante para o acesso ao conhecimento científico chamado Canal Escola. Este canal tem como objetivo principal incentivar e fomentar o conhecimento sobre Ciências da Terra e contribuir como fonte didática de recursos para pesquisas de profissionais, professores e estudantes.

Deste rico material oferecido pela instituição, reproduzimos um dos artigos escrito pelo Geólogo Pércio de Moraes Branco, também autor do livro Dicionário de Mineralogia e Gemologia, e acrescentamos algumas imagens relevantes para ilustrar o assunto e dividir com os nossos leitores este importante passo da CPRM em direção a uma melhor divulgação do conhecimento científico brasileiro. Para saber mais sobre o Canal Escola acesse o site www.cprm.gov.br