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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Ácido úrico (hiperuricemia)

Pé de homem com destaque vermelho em calcanhar indicando dor.

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Ácido úrico em excesso pode desencadear a formação de pequenos cristais de urato de sódio, que se depositam em vários locais do corpo, especialmente nas articulações.

O ácido úrico está entre as substâncias naturalmente produzidas pelo organismo. Ele surge como resultado da quebra das moléculas de purina – proteína contida em muitos alimentos – por ação de uma enzima chamada xantina oxidase

Depois de utilizadas, as purinas são degradadas e transformadas em ácido úrico. Parte dele permanece no sangue e o restante é eliminado pelos rins.

Os níveis de ácido úrico no sangue podem subir porque sua produção aumentou muito, porque a pessoa está eliminando pouco pela urina ou por interferência do uso de certos medicamentos.

Como consequência dessa taxa de ácido úrico elevada (hiperuricemia), formam-se pequenos cristais de urato de sódio semelhantes a agulhinhas, que se depositam em vários locais do corpo, de preferência nas articulações, mas também nos rins, sob a pele ou em qualquer outra região do corpo.
Estudos recentes realizados no Instituto do Coração de São Paulo mostram que níveis elevados de ácido úrico no sangue aumentam o risco de desenvolver acidentes cardiovasculares.
  
Sintomas
O depósito dos cristais de urato nas articulações, em geral, provoca surtos dolorosos de artrite aguda secundária, especialmente nos membros inferiores (joelhos, tornozelos, calcanhares, dedos do pé), mas pode comprometer qualquer articulação. Nem todas as pessoas com esse excesso desenvolverão gota, um tipo de artrite secundária, de caráter genético e hereditário, que acomete mais os homens adultos.
Nos rins, a hiperuricemia é responsável pela formação de cálculos renais (litíase renal) e insuficiência renal aguda ou crônica (nefropatia úrica).

Diagnóstico

O diagnóstico de certeza é dado por um exame que mede a concentração dessa susbstância no sangue e exige oito horas de jejum para ser realizado.

Tratamento e prevenção

Portadores desse distúrbio metabólico devem evitar o estresse físico, o uso de diuréticos e de anti-inflamatórios, assim como devem evitar a ingestão excessiva de alimentos e bebidas ricos em purina (carne vermelha, frutos do mar, peixes, como sardinha e salmão, e miúdos).

Como leite e derivados parecem melhorar a eliminação do ácido úrico, devem ser incluídos na dieta que, acima de tudo, precisa ser saudável e favorecer o controle da obesidade e da hipertensão.

Além da alimentação pouco calórica, quando necessário, podem ser indicados medicamentos para inibir a produção de ácido úrico (alopurinol) ou para aumentar sua excreção (probenecide e sulfinpirazona). Algumas pessoas precisam dos dois tipos porque têm excesso de produção e dificuldade de excreção dessa substância.

Recomendações

 Beba bastante água para ajudar o organismo a eliminar o ácido úrico;
  • Prefira os alimentos não industrializados; adote uma dieta saudável, rica em frutas, verduras, leite e derivados;
  • Evite o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente de cerveja que é rica em purina;
  • Não se automedique. Consulte um médico para orientar o tratamento e peça ajuda ao nutricionista para eleger uma dieta que ajude a controlar a taxa de ácido úrico e a manter o peso em níveis adequados.

Purinas

Purinas

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Presentes em alimentos como carne vermelha e feijão, as purinas são componentes fundamentais do DNA e do RNA.

Purinas (adenina (A) e guanina (G)) são  constituídas por carbono, hidrogênio, nitrogênio e, por vezes, oxigênio. 

Juntamente  com as pirimidinas (citosina (C) e timina (T)) formam as “bases nitrogenadas”, componentes fundamentais do DNA e do RNA. Estão presentes em certos alimentos como carne vermelha, frutos do mar, peixes, certos grãos como ervilha, lentilha e feijão, em bebidas alcoólicas, principalmente cerveja, e também em nosso organismo.


Além de constituírem o material genético, as purinas são responsáveis pela coloração da urina, pela vasodilatação no controle cardíaco e são componentes de várias moléculas importantes para o metabolismo do organismo, como a de ATP (molécula que fornece energia para as reações celulares).


Em certas reações metabólicas, a purina é degradada para fornecer nitrogênio na forma de ácido úrico, que pode ser excretado na urina. Em altas concentrações, o ácido úrico pode causar problemas como formação de cristais que se depositam em articulações. Por esse motivo, recomenda-se uma dieta com concentrações moderadas de purina.

Xantina oxidase


A xantina oxidase catalisa reações de proteínas, convertendo-as, ao final do processo, em ácido úrico.


Enzima que catalisa reações de proteínas do tipo purina (como adenina, guanina e hipoxantina), convertendo-as em xantina e, posteriormente, em ácido úrico.

Como o excesso de ácido úrico no sangue (hiperuricemia) pode causar problemas nas articulações e, em estados mais graves, atingir rins e fígado, muitos medicamentos visam inibir a ação dessa enzima.


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Nova pesquisa explicita os passos químicos simples que podem ter lançado o mundo de RNA.
Mark Garlick/Science Source

Químicos encontram uma receita que pode ter iniciado a vida na Terra

ATLANTA—Na dança molecular que deu origem à vida na Terra, o RNA parece ser um ator central. Mas as origens da molécula, que pode armazenar informações genéticas como o DNA e acelerar reações químicas como as proteínas, permanecem um mistério. Agora, uma equipe de pesquisadores mostrou pela primeira vez que um conjunto de materiais iniciais simples, que provavelmente estavam presentes na Terra primitiva, pode produzir todos os quatro blocos químicos de RNA.

Those building blocks—cytosine, uracil, adenine, and guanine—have previously been re-created in the lab from other starting materials. In 2009, chemists led by John Sutherland at the University of Cambridge in the United Kingdom devised a set of five compounds likely present on early Earth that could give rise to cytosine and uracil, collectively known as pyrimidines. Then, 2 years ago, researchers led by Thomas Carell, a chemist at Ludwig Maximilian University in Munich, Germany, reported that his team had an equally easy way to form adenine and guanine, the building blocks known as purines. But the two sets of chemical reactions were different. No one knew how the conditions for making both pairs of building blocks could have occurred in the same place at the same time.

Now, Carell says he may have the answer. On Tuesday, at the Origins of Life Workshop here, he reported that he and his colleagues have come up with a simple set of reactions that could have given rise to all four RNA bases.

Carell’s story starts with only six molecular building blocks—oxygen, nitrogen, methane, ammonia, water, and hydrogen cyanide, all of which would have been present on early Earth. Other research groups had shown that these molecules could react to form somewhat more complex compounds than the ones Carell used.
To make the pyrimidines, Carell started with compounds called cyanoacetylene and hydroxylamine, which react to form compounds called amino-isoxazoles. These, in turn, react with another simple molecule, urea, to form compounds that then react with a sugar called ribose to make one last set of intermediate compounds.

Finalmente, na presença de compostos contendo enxofre chamados tióis e vestígios de sais de ferro ou níquel, esses intermediários se transformam nas pirimidinas citosina e uracila. Como um bônus, esta última reação é desencadeada quando os metais nos sais abrigam cargas positivas extras, que é precisamente o que ocorre na etapa final em uma cascata molecular semelhante que produz as purinas, adenina e guanina. Melhor ainda, o passo que leva a todos os quatro nucleotídeos funciona em um único pote, diz Carell, oferecendo pela primeira vez uma explicação plausível de como todos os blocos de construção do RNA poderiam ter surgido lado a lado.

“It looks pretty good to me,” says Steven Benner, a chemist with the Foundation for Applied Molecular Evolution in Alachua, Florida. The process provides a simple way to produce all four bases under conditions consistent with those believed present on early Earth, he says.

O processo não resolve todos os mistérios do RNA. Por exemplo, outro passo químico ainda precisa “ativar” cada um dos quatro blocos de construção do RNA para ligá-los às longas cadeias que formam material genético e realizar reações químicas. Mas fazer o RNA sob condições como as presentes na Terra primitiva agora parece acessível.

Posted in:
doi:10.1126/science.aav7778