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sexta-feira, 11 de março de 2011

O que são placas tectônicas?

Por: Marcus V. Cabral

São os gigantescos blocos que compõem a camada sólida externa do nosso planeta, sustentando os continentes e os oceanos. Impulsionadas pelo movimento do magma incandescente no interior da Terra, as dez principais placas se empurram, afastam-se umas das outras e afundam alguns milímetros por ano, alterando suas dimensões e modificando o contorno do relevo terrestre. Esses gigantescos fragmentos atuam como artistas que recriam a paisagem da Terra. Aliás, a palavra tectônica vem de tektoniké, expressão grega que significa "a arte de construir". "Mas é mais correto chamar essas estruturas de placas litosféricas, já que elas se estendem por toda a camada exterior do planeta, a chamada litosfera", diz o geofísico Eder Cassola Molina, da Universidade de São Paulo (USP).
A litosfera possui cerca de 150 quilômetros de espessura, uma ninharia perto dos 6 371 quilômetros necessários para se chegar até o centro do planeta. Cada vez que as enormes placas se encontram, uma grande quantidade de energia, equivalente a milhares de bombas atômicas, fica acumulada em suas rochas. De tempos em tempos, o arsenal é liberado de forma explosiva, através de terremotos que chacoalham o globo - geralmente, nas bordas das placas. Nos limites dos blocos que sustentam oceanos, a trombada subterrânea pode dar origem a vulcões, quando montanhas de rocha derretida aproveitam as fendas para subir por entre as placas.

Quebra-cabeças planetário

Terremotos e vulcões concentram-se nas bordas das dez placas
PLACA DO PACÍFICO
A maior placa oceânica - são cerca de 70 milhões de quilômetros quadrados - está em constante renovação na região do Havaí, onde o magma sobe e cria ilhas vulcânicas. No encontro com a placa das Filipinas, a placa afunda em uma região conhecida como fossa das Marianas, onde o oceano atinge sua profundidade máxima: 11 034 metros

PLACA DE NAZCA
A cada ano, essa placa de 10 milhões de quilômetros quadrados no leste do oceano Pacífico fica 10 centímetros menor pelas trombadas com a placa sul-americana. Esta, por ser mais leve, desliza por cima da placa de Nazca, gerando vulcões e elevando mais as montanhas dos Andes

PLACA SUL-AMERICANA
Como o Brasil está bem no meio desse bloco de 32 milhões de quilômetros quadrados, sente pouco os efeitos de terremotos e vulcões. No centro do continente, a placa mede 200 quilômetros de espessura. Na borda com a placa da África, os terrenos mais jovens não passam de 15 quilômetros

PLACA DA AMÉRICA DO NORTE E DO CARIBE
Com 70 milhões de quilômetros quadrados, engloba toda a América do Norte e Central. O deslocamento horizontal em relação à placa do Pacífico cria uma fronteira turbulenta: em um dos limites, na Califórnia, está a falha de San Andreas, famosa pelos terremotos arrasadores

PLACA DA ÁFRICA
No meio do Atlântico, uma falha submersa abre caminho para o magma do manto inferior, fazendo com que esse bloco se afaste progressivamente da placa sul-americana - com quem formava um continente único há 135 milhões de anos - e cresça de tamanho. A tendência é passar os 65 milhões de quilômetros quadrados atuais

PLACA DA ANTÁRTIDA
A parte leste da placa, que há 200 milhões de anos estava junto de Austrália, África e Índia, chocou-se com pelo menos cinco placas menores que formavam o lado oeste. O resultado é um bloco que dá suporte à Antártida e a uma parte do Atlântico Sul, em um total de 25 milhões de quilômetros quadrados

PLACA INDO-AUSTRALIANA
O bloco de 45 milhões de quilômetros quadrados que sustenta a Índia, a Austrália, a Nova Zelândia e a maior parte do oceano Índico ruma velozmente para o norte. Além do subcontinente indiano se chocar com a Ásia, a borda nordeste bate na placa das Filipinas, criando novas ilhas na região turbulenta

PLACA EUROASIÁTICA OCIDENTAL
Sustenta a Europa, parte da Ásia, do Atlântico Norte e do mar Mediterrâneo. Na trombada com a placa indo-australiana, nasceu o conjunto de montanhas do Himalaia, no sul da Ásia, onde há mais de 100 montanhas com altitudes superiores a 7 mil metros. Sua área total é de 60 milhões de quilômetros quadrados

PLACA EUROASIÁTICA ORIENTAL
Em seu movimento para o leste, esse bloco de 40 milhões de quilômetros quadrados choca-se contra a placa das Filipinas e com a do Pacífico, na região onde fica o Japão. O encontro triplo é tumultuado e dá origem a uma das áreas do globo com maior índice de terremotos e vulcões

PLACA DAS FILIPINAS
Essa pequena placa de apenas 7 milhões de quilômetros quadrados concentra em seus limites quase a metade dos vulcões ativos do planeta. Colisões com a placa euroasiática oriental causam terremotos e erupções destruidoras, como a do monte Pinatubo, em 1991, considerada uma das mais violentas dos últimos 50 anos

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Como são gerados terremotos e vulcanismo



Choque de placas que formam a crosta da Terra provoca fenômenos que têm como usina de força o núcleo do planeta

por Ulisses Capozzoli



O motor de tantos sismos como vulcanismo é uma descoberta recente na história da ciência. Foi em 1912 que o astrônomo e metereologista alemão Alfred Lothar Wegener (1880-1930) expôs os esboços do que ficou conhecido como tectonia de placas. A versão finalizada destas idéias é de 1915 e, por surpreendente que possa parecer, até meados do século passado havia certa resistência em relação a elas.

A idéia básica de Wegener, reformulada em detalhes, foi comprovada nos anos 60, beneficiada pelo refinamento e especialmente processamento de dados com a disponibilidade crescente de computadores. As novas gerações, para quem os computadores integram a banalidade dos eletrodomésticos, podem surpreender-se com essa realidade. Mas era assim, na infância de seus pais.

As placas tectônicas podem ser pensadas como enormes balsas rochosas flutuando sobre uma camada pastosa e mais densa, o manto, que se estende por mais de 5 mil km e envolve um núcleo líquido no interior do que está o caroço sólido da Terra. O manto não é uma porção uniforme e está dividido entre uma parte superior, mais densa, separadas por uma região de transição.

Com alguma frequência se compara a crosta, superfície fraturada da Terra, com a casa quebrada de um ovo cozido. Cada porção inteira, na casca fraturada do ovo, seria uma placa. Mas essa analogia, como qualquer outra, tem limitações. As placas tectônicas, comparativamente, quase sempre são blocos maiores que as menores e mais numerosas porções da casca partida de um ovo cozido. Outra analogia que ajuda a compreender a estrutura da Terra é considerar a crosta, superfície sobre a qual vivemos, como a casca de uma maçã em relação à polpa, neste caso, as camadas inferiores.

As placas incluem tanto regiões emersas – como a América do Sul, situada sobre a placa Sul-Americana – como áreas oceânicas. Sondagens com a ajuda de ondas de choques de sismos, entre outras técnicas, demosntraram que as placas oceânicas são mais finas que as massas continentais. Nos oceanos elas teriam espessura infeiror a 10 km contra até 90km sob os grandes maciços montanhosos.

As placas são postas em movimentos pelo calor do centro da Terra. A usina de força dessa energia interior inclui o calor remanescente da formação do planeta, há 4,6 bilhões de anos, a radioatividade produzida por núcleos pesados e instáveis como o urânio e mesmo a pressão gravitacional.

Há 600 milhões de anos um único um imenso supercontinente, a Pangéia, envolto também por um único oceano, o Panthalassa, começou a fracionar-se. A Pangéia voltaria a se recompor, formando a Pamgéia II. Mas nessa divisão formou o Gonduana, que incluiu terras que hoje formam a América do Sul, a África e a Antártida e a Laurásia, reunindo a atual América do Norte, Europa e Ásia.

Quando expôs sua teoria Wegener foi chamado de “aventureiro” e “charlatão” por ousar propor que o rígido e imóvel aparente sob os nossos pés na verdade é plástico e está em movimento. Ele explicou sismos e vulcanismo pela ação das placas, por atrito ou estiramento. Nas regiões de contato, como acontece entre a Placa Sul-Americana e a Placa de Nazca, no Pacífico, o atrito faz com que Nazca, menos densa, mergulhe sob a balsa Sul-Americana. Esse mergulho levanta a borda oeste da Placa Sul-Americana e está na origem da enorme cadeia Andina que ainda cresce alguns centímetros por ano. O estiramento cria estruturas como a Dorsal Atlântica, que percorre o Atlântico no sentido norte-sul.

O atrito acumula um enorme esforço na borda das placas e quando a estrutura rochosa dessas áreas cede sob essas forças, libera energia sob forma de sismos. É como se um martelo gigante golpeasse essas regiões. A destruição nas bordas das placas faz com que material das profundezas atinja a superfície sob a forma de vulcanismo. Mas tanto sismo como vulcanismo podem ocorrer no interior de placas por outros processos envolvendo torções da placa. Sismos podem ainda ser produzidos pela formação de enormes reservatórios de hidrelétricas ou por acomodações de falhas geológicas.

O trabalho de Wegener, que morreu fazendo pesquisas na Groenlândia, é fundamental para a montagem do enorme e complexo quebra-cabeças envolvendo tanto a previsão de sismos com a atividade vulcânica. Evitar prejuízos materiais e especialmente perdas humanas depende fundamentalmente dessas previsões. Por enquanto, boa parte desse desafio ainda pertence ao futuro.

De certa forma, é surpreendente que o encaixe, como peças de um quebra-cabeças, envolvendo a costa ocidental da África e a costa do Brasil não tenha sugerido mais cedo a idéia de que um dia eles tenham sido únicas. Há uma versão de que o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626) considerou esta hipótese, por volta de 1620. Depois disso houve quem relacionasse a partilha de uma terra única com o dilúvio bíblico. No século 19 o astrônomo inglês George Howard Darwin (1845-1912), segundo filho do naturalista Charles Darwin, propôs que o leito do oceano Pacífico teria se formado pela separação da massa que originou a Lua.

A separação das terras que hoje formam a África e América do Sul está na origem do Atlântico Sul, oceano que continua crescendo a velocidades em torno de 2 cm ao ano devido ao afastamento das placas.

A vigilância das placas mesmo para a detecção dos sismos silenciosos com o uso de satélites do sistema GPS pareceria pura ficção científica à época de Wegener. Os satélites GPS (da sigla em inglês para Global Positionning System) em órbita da Terra utilizam quasares como referência a seus próprios posicionamentos, compensando, por exemplo, ligeiras perturbações na rotação da Terra por fenômenos como o El Niño.

Os quasares, astros mais luminosos do Universo, são estruturas ainda enigmáticas, tidas como núcleos de galáxias em formação. Os quasares só são observados a enormes distâncias, o que significa que estão muito afastados de nós também no tempo. De qualquer maneira, distantes bilhões de anos no espaço-tempo, permitem avaliar deslocamentos de poucos milímetros na superfície da Terra. Mesmo levando-se em conta muitos outros movimentos como a distensão do espaço atribuída ao Big Bang, o vôo do Sol acompanhado dos planetas em direção à constelação de Hércules (ápex solar) e mesmo o giro da Terra em torno do Sol. Na realidade, ainda hoje, tudo parece apenas ser ficção.

Fonte: www.sciam.com

edição 92 - Janeiro 2010