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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Qualidade de água de um dos principais mananciais de São Paulo tem rápida deterioração

06/07/2012
Por Elton Alisson
Agência FAPESP – O reservatório Itupararanga, localizado na bacia hidrográfica do rio Sorocaba, nas proximidades dos municípios de Votorantim e Ibiúna, desempenha um papel estratégico no abastecimento de água e geração de energia para cidades do interior paulista como Sorocaba, Votorantim e São Roque e na gestão dos recursos hídricos do Estado de São Paulo.


Estudo feito por pesquisadores da USP indica que poluição de rios do reservatório Itupararanga promove graves alterações na represa da região de Sorocaba (divulgação)

Um Projeto Temático de pesquisa, realizado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da FAPESP, constatou que a qualidade da água do manancial tem sofrido alterações significativas, causadas pelo avançado estado de degradação de alguns de seus afluentes. Isso, de acordo com os pesquisadores, pode interferir no abastecimento de água dos municípios da região.

“Observamos que a qualidade da água do manancial vem se deteriorando rapidamente, o que é um problema grave uma vez que se trata de um reservatório estratégico para o abastecimento dos municípios da região de Sorocaba”, disse Maria do Carmo Calijuri, professora da EESC e coordenadora do projeto à Agência FAPESP.

Na pesquisa, o grupo compartimentalizou o reservatório, construído pela empresa de geração e transmissão de energia Light em 1911, e realizou coletas de amostras de água para identificar quais os organismos e compostos estão presentes no manancial.
As análises das amostras revelaram a existência de comunidades de macrófitas – plantas aquáticas indicadoras de poluição – principalmente nos braços alimentados pelos córregos do Paruru, Ressaca e Campo Verde, situados próximos aos municípios de Ibiúna e Piedade.
Segundo os pesquisadores, esses braços (desembocaduras) do reservatório recebem grande quantidade de esgoto doméstico. Dessa forma, tornam-se os maiores contribuidores para a deterioração da qualidade da água da represa, juntamente com os rios Sorocamirim e Sorocabuçu, que são os principais formadores do reservatório e também causam impactos negativos no manancial.
“A água desses braços, que é misturada e entra aos poucos no reservatório, está apresentando uma carga muito grande de poluentes. A mistura da água no corpo central e os processos naturais de depuração contribuem para a melhoria da qualidade da água da represa, como um todo. Mas alguns braços estão muito comprometidos”, disse Calijuri.

A constatação de pesquisa de que os braços do reservatório são atualmente os maiores contribuintes do estado de poluição da represa contraria a falsa percepção que havia até então de que as áreas no entorno da represa seriam as grandes responsáveis pela poluição do manancial.
Uma das margens do reservatório ainda está preservada com mata nativa. A outra margem foi ocupada por propriedades rurais, onde se cultivam verduras, milho, morango, cebola, batata e tomate, além de haver algumas áreas de pastagem.

Entretanto, segundo a pesquisa, a maior parte da carga de poluentes que entra no reservatório vem dos afluentes da represa, onde se concentram indústrias de diversos setores, além de condomínios residenciais, chácaras e casas de veraneio, que despejam esgoto in natura diretamente nos rios e córregos, sem tratamento adequado.
“A carga pesada de poluentes que entra no reservatório vem dos rios tributários da represa. Não que a carga difusa de poluentes gerados pela atividade agrícola que entra na represa não contribua para sua deterioração, mas a carga pontual de poluentes dos afluentes é que modifica muito rapidamente a qualidade da água do reservatório”, afirmou Calijuri.

Gestão integrada dos recursos hídricos

Os resultados do estudo até o momento revelam que o reservatório apresenta um estado mesotrófico – com cargas de fósforo e nitrogênio que terão implicações na qualidade da água, aumento da produtividade primária e ocorrência de florações de fitoplâncton (algas) potencialmente tóxicas, inviabilizando os múltiplos usos do reservatório.
De acordo com Calijuri, os resultados parciais do estudo, que indicam a deterioração da qualidade da água do reservatório Itupararanga, podem contribuir para a gestão integrada dos recursos hídricos da bacia hidrográfica do rio Sorocaba.
“O manejo adequado das microbacias existentes contribuirá para melhorar a qualidade da água do reservatório”, disse Calijuri.
O reservatório é utilizado para abastecimento de água dos municípios de Votorantim e Sorocaba, e sua área de drenagem abrange as cidades de Alumínio, Cotia, Ibiúna, Mairinque, Piedade, São Roque, Vargem Grande Paulista e Votorantim.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Água: questão socioambiental

Em evento paralelo à Rio+20, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro discutiram desafios e soluções para um dos problemas mais sérios do estado: as inundações anuais na Baixada Fluminense. 
 
Por: Henrique Kugler
Publicado em 19/06/2012 | Atualizado em 19/06/2012
Água: questão socioambiental
A recuperação ambiental das bacias hidrográficas da Baixada Fluminense é uma medida importante para o controle das inundações anuais na região. (foto: Divulgação Coppe/ UFRJ) 
 
Os números são provocadores. A cada ano, morrem mais de três milhões de pessoas por causas relacionadas à má qualidade da água; outras 844 milhões simplesmente carecem de acesso ao elemento fundamental à vida.

Se, por um lado, a falta de água é um dos maiores dramas socioambientais de nosso tempo, por outro, o excesso dela também pode ser o infortúnio de muitas vidas. “E a população da Baixada Fluminense sabe muito bem disso”, ressaltou o engenheiro Paulo Canedo de Magalhães, do Laboratório de Hidrologia do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O tema, que, em geral, só é lembrado em situações de calamidade ou emergência, foi assunto de destaque na última quinta-feira (14/6) durante evento acadêmico paralelo à Rio+20.
“Por conta do regime das águas, os moradores da região sofrem com um ciclo perverso de empobrecimento crônico”, disse Magalhães. Segundo ele, toda a renda que as famílias somam ao longo do ano é gasta com prejuízos decorrentes das chuvas. “E elas sabem que o ano seguinte será sempre pior do que o que se passou.” Nas palavras do engenheiro da UFRJ, “a vida sem perspectiva é como se fosse uma morte”.

Parte da solução

Pesquisadores da Coppe trabalham na continuidade de uma ideia que vem se mostrando eficaz para a amenização dos problemas de inundação que a Baixada Fluminense enfrenta. É o Projeto Iguaçu, idealizado para ser um mecanismo de controle de inundações e recuperação ambiental das bacias hidrográficas dos rios Iguaçu/Botas e Sarapuí.

As frequentes inundações são agora amenizadas por um conjunto de iniciativas de gestão e engenharia
A área abrange 726 quilômetros quadrados, onde vivem 2,5 milhões de pessoas espalhadas por seis municípios (Nova Iguaçu, Mesquita, Belford Roxo, Nilópolis, São João de Meriti e Duque de Caxias).
As frequentes inundações, que geralmente chegam com as chuvas de verão, são agora amenizadas por um conjunto de iniciativas de gestão e engenharia. Drenagem, barragem, reflorestamento de encostas, recuperação de nascentes são algumas das obras que estão fazendo a diferença por lá.
Margens de rios passaram a contar com urbanização mais inteligente: em vez de casas suscetíveis aos períodos de cheia, agora os locais são ocupados com parques inundáveis, avenidas-canal e áreas de mata ciliar. Nos períodos chuvosos, esses novos espaços permanecem inalterados; em tempo bom, tornam-se áreas de lazer para a população local.
Baixada Fluminense
Com a implantação do Projeto Iguaçu, da Coppe/ UFRJ, as margens dos rios Iguaçu/Botas e Sarapuí estão sendo ocupadas com parques inundáveis, avenidas-canal e áreas de mata ciliar. (foto: Divulgação Coppe/ UFRJ)
“Ainda que não seja a solução completa para o problema das enchentes na região, esse alívio parcial já é, para nós, muito gratificante”, comentou Magalhães.
Observando o êxito do projeto, o governo do Espírito Santo já sinalizou interesse em adotar os mesmos procedimentos. Negociações estão a caminho e em breve os capixabas também deverão ser beneficiados pela estratégia desenvolvida na Coppe.

Regras de ocupação do solo

Os projetos de engenharia na região são apenas parte de uma resposta para os problemas socioambientais decorrentes das chuvas. “A outra parcela do desafio é repensar as políticas públicas de uso e ocupação do solo”, salientou a química Márcia Dezotti, do Laboratório de Controle de Poluição das Águas, da Coppe.
Dezotti: “A outra parcela do desafio é repensar as políticas públicas de uso e ocupação do solo”
Magalhães concordou, mas lembrou de episódios que o deixaram menos otimista em relação ao assunto. “Nossa equipe já sugeriu regras de uso e ocupação para o local. Mas é complicado: regras são algo que os municípios não costumam seguir.” Segundo o engenheiro, as cidades nem sempre têm aptidão técnica, financeira ou operacional para lidar com a questão.

Encerrando o encontro, Dezotti teceu considerações sobre as políticas de habitação – ou a falta delas – que se consolidaram no país. A pesquisadora censurou o fato de o poder público não gerenciar a ocupação de áreas críticas de forma adequada.

“Conhecendo a dinâmica hidrológica da Baixada Fluminense, por exemplo, os pesquisadores entendem que é um lugar bastante sensível, dado o regime de chuvas e a topografia local”, acrescentou. Em seguida, lançou a pergunta: “Afinal, será que a Baixada Fluminense é realmente um lugar que deve ser habitado?”.

Henrique Kugler
Ciência Hoje On-line

domingo, 21 de agosto de 2011

Recursos Hídricos

Os recursos hídricos são as águas superficiais ou subterrâneas disponíveis para qualquer tipo de uso de região ou bacia.
A gestão dos recursos hídricos é um procedimento que visa adotar as melhores soluções no uso da água nas diferentes necessidades e na conversação do meio ambiente. Essa gestão deve se basear num planejamento pró-ativo que deve ter como principal objetivo a sustentabilidade e a otimização dos recursos financeiros.
Tipologias:
Açude - conjunto constituido por barragem ou barramento de um curso d’água efêmero (escoamento superficial que tem lugar após as chuvas e que cessa após algum tempo). A foto ao lado é do Açude Camorim, que fica na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Aqüífero é uma formação geológica que contém água e permite que quantidades significativas dessa água se movimentem no seu interior, em condições naturais. Ao lado, o Aqüífero Guarani que fica no subsolo de oito estados brasileiros e se estende até a Argentina, Uruguai e Paraguai. Uma das maiores preocupações éo quanto fertilizantes químicos e pesticidas utilizados na agricultura dessa região podem contaminar os lençóis freáticos. Só para recordar: lençol freático é a parte superior de um depósito subterrâneo de água.
Lago é uma depressão natural na superfície da Terra que contém permanentemente uma quantidade variável de água. Essa água pode ser proveniente da chuva, duma nascente local, ou de curso de água, como rios e glaciares geleiras que desaguem nessa depressão. Normalmente, a água dos lagos é água doce, mas existem no mundo alguns importantes lagos salgados, como o Grande Lago Salgado da América do Norte (Foto1) ou o Mar Morto no Oriente Médio (Foto2).
Lista de Lagos do Wikipédia.
O Lago Baikal é o maior lago de água doce da Ásia, o maior em volume de água do mundo (23.600 km³), o mais antigo (25 milhões de anos) e o mais profundo da Terra (1.637 m). O lago é tão grande que se todos os rios na Terra depositassem as suas águas no seu interior, levaria pelo menos um ano para encher. É responsável por 20% da água doce líquida do planeta.
O maior lago de água doce por área é o Lago Superior com 82.000 km². O Lago Superior localiza-se entre o Canadá e os Estados Unidos.
O Mar Cáspio é o maior lago água salgada da Terra em área e volume. Tem 371 mil km2 e volume de 78.200 km³. Situa-se entre o extremo leste da Europa e o extremo oeste da Ásia. A poluição resultante de quase metade da população russa e de um terço da produção industrial e agrícola de áreas do rio Volga explica os elevados níveis de poluição em quase toda a bacia hidrográfica. A falta de preocupação ambiental no período soviético foi um dos fatores para a degradação do mar Cáspio.
O Lago de Sobradinho é a maior reservatório artificial do mundo e também abriga uma das maiores hidrelétricas do Brasil.
Lagoa é uma porção de água cercada por terra. Segundo outras definições, lagoa é um “lago pouco extenso”, no entanto há várias “lagoas” maiores do que muitos chamados “lagos”. Ao lado, a Lagoa Rodrigo de Freitas no Rio de Janeiro. Atualmente sofre problemas de poluição por despejo de esgoto e substâncias químicas das atividades do entorno.




Laguna é uma depressão formada por água salobra ou salgada, localizada na borda litorânea, comunicando-se com o mar através de canal, constituindo assim uma espécie de “quase-lago”. Ao lado, a Lagoa dos Patos que na verdade é uma Laguna.
rio amazonas Rio - Um rio é uma corrente natural de água que flui com continuidade. Possui um caudal considerável e desemboca no mar, num lago ou noutro rio. Ao lado, o Rio Amazonas, o mais extenso do mundo e o maior em volume d´água.


Qual a diferença entre um Lago e uma Lagoa?
“A primeira diferença está no tamanho. Ambos são definidos como uma extensão de água cercada por terra mas os lagos são maiores. O problema é que não existem dimensões mínimas ou máximas para cada um deles, o que pode gerar confusões. Existe outra diferença relacionada à origem de sua formação. “Os lagos geralmente são resultados de transformações em larga escala do relevo terrestre”, afirma o geógrafo Mário de Biasi, da Universidade de São Paulo (USP). A maioria dos lagos atuais nasceu durante as glaciações do período Pleistoceno (entre 1,6 milhão e 10 mil anos atrás), quando boa parte da Terra ficava coberta de gelo. O lento deslocamento das geleiras abria grandes depressões no solo, onde a água se acumulava. Isso explica a alta concentração de lagos no hemisfério norte (zona bastante afetada pela glaciação), como os Grandes Lagos, na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá.
Outra possibilidade é a elevação de montanhas, como a cordilheira dos Andes, que deu origem ao lago Titicaca, na fronteira entre Peru e Bolívia. Já as lagoas costumam ser resultado de fenômenos localizados. “Um desmoronamento ou mesmo um único castor podem formar uma lagoa”, diz Mário. Como não existem limites precisos para diferenciar um do outro, os termos geram confusão e, no final, a escolha do nome depende mais do uso popular. Um bom exemplo é a lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul – apesar de ser a maior do Brasil, ela não é chamada de lago” (Para os geólogos ela é vista como  Laguna). Fonte: Mundo Estranho
Bacia Hidrográfica
Oceanos
Tipos de Água
Água bruta – “Água de uma fonte de abastecimento, antes de receber qualquer tratamento.”
Água doce – é a água dos rios lagos e das fontes.
Água dura – é a água com elevado teor de cálcio e magnésio, estes geralmente com binados a carbonatos e/ou bicarbonatos. Uma água mole tem 0-75 mg de carbonato de cálcio, sendo que a água dura tem 150-300 mg de carbonato de cálcio.
Água de fonte ou água mineral – contém substâncias minerais e gasosas, dissolvidas. Conforme o principal mineral dissolvido, a água de fonte podeser alcalina, sulfurosa, etc; decorrendo daí suas propriedades medicinais. Existem diversos tipos de águas minerais. As principais são:
Salobra – é levemente salgada, mas com salinidade inferior a água do mar, e não forma espuma com o sabão.
Acídula – contém gás carbônico. É chamada também água gasosa. Tem um sabor ácido e é usada para facilitar a digestão.
Magnesiana - predominam os sais de magnésio. É usada para ajudar o funcionamento do estômago e do intestino.
Alcalina – tem bicarbonato de sódio e combate a acidez do estômago.
Sulfurosa – contém substâncias à base de enxofre e é usada no tratamento da pele e das vias
respiratórias.
Ferruginosa – possui ferro e ajuda no combate à anemia.
Termal ou água termomineral – água mineral que apresenta temperatura superior à temperatura
do ambiente. Possui ação medicinal devido às substancias minerais e gasosas nela dissolvidas.
Esse tipo de água é usado para curar certas doenças da pele.
Água gaseificada – recebe artificialmente o acréscimo de dióxido de carbono, podendo ser ou não enriquecida de sais minerais. Existem fontes naturais de águas gaseificada, mas parte do gás se perde no processo de engarrafamento. A única forma de beber água naturalmente gaseificada é direto da fonte.
Água poluída – é a água suja ou contaminada, isto é, contém impurezas, microrganismos, etc.
Água potável – água para consumo humano cujos parâmetros microbiológicos, físicos, químicos e radioativos atendam ao padrão de potabilidade e que não ofereça riscos à saúde.
Água pura - se for considerada como pura a água composta, exclusivamente, por hidrogênio e oxigênio, conclui-se que não existe água pura na natureza, pois por onde a água passa ela vai dissolvendo e incorporando substâncias as quais irão alterar suas características originais.
Águas residuárias – “Resíduos líquidos ou de natureza sólida conduzidos pela água, gerados pelas atividades comerciais, domésticas (operações de lavagem, excretas humanas, etc.) ou industriais.”
Água salgada – é a água que contém muitos sais dissolvidos, como a água do mar.
Água salobra - água com teor de sais que, dependendo da concentração, impede seu consumo pelo homem e animais.
Água servida – é aquela que foi utilizada pelo homem, tendo suas características naturais alteradas.
Água subterrânea – “Suprimento de água doce abaixo da superfície da terra, em um aqüífero ou no solo, que forma um reservatório natural para o uso do homem.”
Água superficial – é toda a água doce encontrada, num dado momento, na superfície da terra, tais como
em rios, lagos, reservatórios etc.
Água tratada – “Água a qual tenha sido submetida a um processo de tratamento, com o objetivo de torná-la adequada a um determinado uso.”