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quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Características e efeitos das bombas atômicas lançadas no Japão

As características e os principais efeitos das bombas detonadas em Hiroshima e Nagasaki estão listados na Tab 3.1.  

A população de Hiroshima e de Nagasaki, por ocasião da explosão da bomba, era de 345 mil ± 5 mil pessoas e de 260 mil ± 10 mil pessoas, respectivamente.

As principais causas das mortes imediatas ou em curto espaço de tempo após a explosão das bombas nessas duas cidades foram:
  • Ondas de calor: de 20% a 30% das mortes de seres humanos num raio de 1,2 km do hipocentro são atribuídas a queimaduras fatais.
  •  
  • Ondas de choque: as pessoas que estavam na rua ou mesmo dentro de casa foram lançadas vários metros no ar, ferindo-as terrivelmente ou mesmo as matando.
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  • Radiação ionizante: raios gama e nêutrons emitidos durante a explosão, além da radiação emitida por átomos de césio-137 e de iodo-131, por exemplo, irradiaram pessoas interna e externamente. A chuva negra que começou a cair 20 minutos após a explosão da bomba em Hiroshima e que durou até 12h45 contaminou uma área ovalada de 11 km por 19 km.
Tab 3.1 (Imagem retirada do livro Radiação: efeitos, riscos e benefícios/ Editora Oficina de Textos). Todos os direitos reservados
 
A Fig. 3.5A mostra a bomba Little Boy antes de ser colocada no Enola Gay, e a Fig. 3.5B, uma réplica da bomba Fat Man. As nuvens em forma de cogumelo que se formaram logo após a explosão da bomba em Hiroshima e em Nagasaki podem ser vistas na Fig. 3.6. Essas fotos foram tiradas de um dos B-29 que escoltou os bombardeiros.

Fig 3.6 (Imagem retirada do livro Radiação: efeitos, riscos e benefícios/ Editora Oficina de Textos). Todos os direitos reservados
A cidade de Hiroshima antes da explosão da bomba atômica Little Boy é apresentada na Fig. 3.7A, em contraste à devastação da cidade após o evento, mostrada na Fig. 3.7B. A Fig. 3.8A mostra o Hall de Exibição Comercial originalmente, cuja construção data de 1915. A Fig. 3.8B exibe um dos poucos prédios que restaram após o bombardeio em Hiroshima. Parte dele, hoje Memorial da Paz (Genbaku Dome) em Hiroshima, é mantida até hoje para que a população nunca se esqueça dessa tragédia.

Passadas 16 horas, o então presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman (1884-1972) anunciou da Casa Branca, em Washington, que os americanos haviam explodido uma bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima.

No dia 2 de setembro de 1945, foi assinada a ata de rendição do Japão em uma cerimônia oficial a bordo do encouraçado USS Missouri, na baía de Tóquio, terminando assim a Segunda Guerra Mundial.

Tudo a ver

 

Já está em pré-venda em nossa loja a 2ª edição do livro Radiação: Efeitos, Riscos e Benefícios, escrito pela Professora Emico Okuno.
A obra permite ao leitor compreender os conceitos básicos da Física das radiações, seus efeitos biológicos, formas de proteção e suas aplicações na indústria e na Medicina, particularmente no tratamento do câncer. 
Apresenta também a história das radiações: a descoberta da radioatividade, os primeiros tratamentos radioterápicos, o projeto Manhattan e as bombas atômicas, os reatores nucleares e os principais acidentes envolvendo radiações.


terça-feira, 4 de março de 2014

BRASIL E ESTADOS UNIDOS ESTUDAM BIODIVERSIDADE DO BRASIL

Passo à frente

Parceria entre FAPESP e NSF une pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos para conhecerem melhor os processos que afetam a biodiversidade brasileira
RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição 216 - Fevereiro de 2014
© LÉO RAMOS
Árvores da Amazônia...
Árvores da Amazônia…

A FAPESP e a National Science Foundation (NSF) deram um passo a mais para fortalecer a parceria estabelecida em 2011 voltada ao estudo da biodiversidade no Brasil. Em dezembro passado foi lançada a terceira chamada de propostas de cooperação científica vinculadas às principais linhas de financiamento de estudos sobre a diversidade biológica das duas agências, os programas Biota-FAPESP e Dimensions of Biodiversity. O objetivo é estimular a colaboração em pesquisa entre cientistas por meio de projetos que contribuam para o avanço dos estudos em biodiversidade no Brasil e Estados Unidos. Os projetos aprovados receberão até US$ 2 milhões de cada fundação.

A ideia é que as propostas integrem as três dimensões da biodiversidade — genética, taxonômica e funcional —, com o propósito de tentar compreender como elas contribuem para a saúde, o funcionamento dos ecossistemas e a adaptação biológica em resposta às mudanças ambientais. “O caráter interdisciplinar que os projetos submetidos precisam atender é um dos principais diferenciais dessa parceria”, diz Regina Costa de Oliveira, diretora da área de biologia, agronomia e veterinária da Diretoria Científica da FAPESP e coordenadora da chamada de propostas. Segundo ela, a FAPESP preza as parcerias com grandes instituições, como a NSF, porque envolvem muitos pesquisadores e intensa produção científica.

A seleção de propostas integra uma chamada mais ampla, publicada todos os anos pelo Dimensions of Biodiversity, voltada à participação de pesquisadores de instituições americanas em projetos financiados pela NSF ou lançados em parceria com outras fundações. De 2003 a 2007 houve intensa troca de experiências entre a coordenação do programa Biota e a administração da NSF. Esses contatos contribuíram para que, em 2010, a NSF iniciasse um projeto de 10 anos de investimentos em pesquisa, infraestrutura de tecnologia, força de trabalho, coleta e síntese de dados, numa campanha de estudos integrados com o objetivo de caracterizar a dimensão da diversidade biológica da Terra. Na mesma época, a FAPESP renovou por mais 10 anos a continuidade do Biota-FAPESP. Dentre os objetivos da segunda fase estão as parcerias internacionais, a expansão da abrangência geográfica para além do estado de São Paulo, a ampliação de pesquisas sobre a biodiversidade costeira e marinha e a prioridade à vertente educacional, o que vem sendo feito.

© EDUARDO CESAR
...  e da mata atlântica: projetos pretendem entender melhor a origem e evolução da biodiversidade vegetal
… e da mata atlântica: projetos pretendem entender melhor a origem e evolução da biodiversidade vegetal

Em 2013, o programa organizou, em parceria com Pesquisa FAPESP, uma série de palestras para discutir os desafios ligados à conservação dos principais ecossistemas brasileiros, como contribuição para a melhoria da qualidade da educação científica e ambiental no país. Com 13 anos de história em caracterização, conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade, o Biota-FAPESP já financiou mais de 120 projetos de pesquisa, cujos resultados têm contribuído para que tomadores de decisão possam identificar e caracterizar melhor as áreas prioritárias para conservação e restauração no estado de São Paulo.
“As relações entre pesquisadores brasileiros e americanos têm promovido avanços importantes quanto a nossa compreensão dos processos que regulam a diversificação, manutenção e perda de biodiversidade no Brasil”, diz Simon Malcomber, coordenador do Dimensions of Biodiversity. A expectativa, segundo ele, é que essas atividades colaborativas promovam o desenvolvimento científico e econômico dos dois países, gerando uma força de trabalho amplamente treinada e internacionalmente engajada na pesquisa ambiental.

Projetos aprovados

O resultado da primeira chamada foi anunciado em setembro de 2012. Um projeto ambicioso, coordenado pela bióloga Lúcia Lohmann, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), pretende entender o que levou a floresta amazônica a abrigar a maior variedade de plantas e animais do mundo (ver Pesquisa FAPESP nº 200). Para isso, uma equipe multidisciplinar de 30 pesquisadores brasileiros e americanos trabalha para tentar reconstruir o parentesco, história evolutiva e distribuição espacial de grupos animais e vegetais, como as Bignoniáceas, família de plantas que inclui os ipês e os jacarandás, e as Lecythidaceae, grupo no qual está a castanheira-do-brasil.
© LÉO RAMOS
Flor da Amazônia...
Flor da Amazônia…

Se o projeto avançar, os pesquisadores esperam poder identificar os principais momentos de diversificação das espécies desses grupos e reconstruir suas histórias biogeográficas. Com isso, pretendem entender melhor a origem e evolução da biodiversidade da região. “Queremos reconstruir a história da Amazônia nos últimos 20 milhões de anos”, conta Lúcia. “Mas antes precisamos entender melhor a história da biodiversidade da região, bem como as transformações que ocorreram no ecossistema. Só assim conseguiremos entender a influência de eventos geológicos específicos, como o surgimento dos Andes, na diversificação de espécies na Amazônia.” A pesquisadora também planeja investigar se esses eventos de diversificação estão associados a fenômenos climáticos e ciclos biogeoquímicos, entre outros aspectos ambientais do passado.

Análises integradas
Os trabalhos estão bastante avançados e já resultaram em quatro artigos publicados até agora, além de outros cinco que estão no prelo. No ano passado, o projeto foi citado pela revista Science, que enfatizou seu potencial na produção de insights ligados à biodiversidade amazônica. Os grupos ainda trabalham de forma isolada, mas Lúcia pretende reuni-los entre os dias 16 e 21 de fevereiro, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, para discutir os avanços deste primeiro ano de pesquisas e estabelecer novas metas e protocolos de trabalho para 2014.
© EDUARDO CESAR
... e cogumelo da mata atlântica: objetivo é identificar os principais picos de diversificação de espécies
… e cogumelo da mata atlântica: objetivo é
identificar os principais picos de diversificação de espécies

Lúcia está paralelamente envolvida em outro projeto, este de caracterização da distribuição e diversidade de espécies animais e vegetais na mata atlântica. O projeto foi aprovado em 2013, na segunda chamada de propostas FAPESP-NSF. Sob coordenação da bióloga Cristina Miyaki, do Instituto de Biociências da USP, pesquisadores de diversas áreas estão trabalhando para entender melhor a história do ecossistema, um dos mais degradados do país. Em fevereiro, eles se reunirão em um workshop na sede da FAPESP em São Paulo. “O objetivo é juntar os pesquisadores para delinear o que cada um está fazendo, de modo a começarmos a pensar como os avanços de cada grupo podem ajudar a melhorar a documentação dos padrões da biodiversidade na mata atlântica”, explica Cristina, que também é uma das organizadoras do evento. Essa será a primeira vez que as equipes estarão frente a frente, conta Regina Costa de Oliveira. “Queremos promover esses encontros anualmente”, diz.

“Estamos animados com o potencial desse e de outros projetos conjuntos de expandir nosso conhecimento sobre os processos que influenciam a biodiversidade desses dois ecossistemas brasileiros”, comenta Malcomber, do Dimensions of Biodiversity. Apesar de terem apenas dois anos, ele diz estar satisfeito com a natureza colaborativa dos trabalhos. “As equipes de pesquisadores têm feito progressos significativos”, diz. “Esperamos que continuem a empurrar as fronteiras da ciência da biodiversidade.” Para Regina Costa de Oliveira, parcerias como essa aumentam a massa crítica pensante sobre os diversos temas relacionados à biodiversidade. “Estamos usando a biodiversidade brasileira como ponto de partida para uma análise envolvendo uma grande mistura de especialidades, cujas pesquisas reverberarão por vários outros países”, afirma.