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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Características e efeitos das bombas atômicas lançadas no Japão

As características e os principais efeitos das bombas detonadas em Hiroshima e Nagasaki estão listados na Tab 3.1. A população de Hiroshima e de Nagasaki, por ocasião da explosão da bomba, era de 345 mil ± 5 mil pessoas e de 260 mil ± 10 mil pessoas, respectivamente.
As principais causas das mortes imediatas ou em curto espaço de tempo após a explosão das bombas nessas duas cidades foram:
  • Ondas de calor: de 20% a 30% das mortes de seres humanos num raio de 1,2 km do hipocentro são atribuídas a queimaduras fatais.
  • Ondas de choque: as pessoas que estavam na rua ou mesmo dentro de casa foram lançadas vários metros no ar, ferindo-as terrivelmente ou mesmo as matando.
  • Radiação ionizante: raios gama e nêutrons emitidos durante a explosão, além da radiação emitida por átomos de césio-137 e de iodo-131, por exemplo, irradiaram pessoas interna e externamente. A chuva negra que começou a cair 20 minutos após a explosão da bomba em Hiroshima e que durou até 12h45 contaminou uma área ovalada de 11 km por 19 km.
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  • Tab 3.1 (Imagem retirada do livro Radiação: efeitos, riscos e benefícios/ Editora Oficina de Textos). Todos os direitos reservados
     
     

     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Fig 3.6 (Imagem retirada do livro Radiação: efeitos, riscos e benefícios/ Editora Oficina de Textos). Todos os direitos reservados
     
    A cidade de Hiroshima antes da explosão da bomba atômica Little Boy é apresentada na Fig. 3.7A, em contraste à devastação da cidade após o evento, mostrada na Fig. 3.7B. A Fig. 3.8A mostra o Hall de Exibição Comercial originalmente, cuja construção data de 1915. A Fig. 3.8B exibe um dos poucos prédios que restaram após o bombardeio em Hiroshima. Parte dele, hoje Memorial da Paz (Genbaku Dome) em Hiroshima, é mantida até hoje para que a população nunca se esqueça dessa tragédia.
     


    Passadas 16 horas, o então presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman (1884-1972) anunciou da Casa Branca, em Washington, que os americanos haviam explodido uma bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima.













    No dia 2 de setembro de 1945, foi assinada a ata de rendição do Japão em uma cerimônia oficial a bordo do encouraçado USS Missouri, na baía de Tóquio, terminando assim a Segunda Guerra Mundial.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Características e efeitos das bombas atômicas lançadas no Japão

As características e os principais efeitos das bombas detonadas em Hiroshima e Nagasaki estão listados na Tab 3.1.  

A população de Hiroshima e de Nagasaki, por ocasião da explosão da bomba, era de 345 mil ± 5 mil pessoas e de 260 mil ± 10 mil pessoas, respectivamente.

As principais causas das mortes imediatas ou em curto espaço de tempo após a explosão das bombas nessas duas cidades foram:
  • Ondas de calor: de 20% a 30% das mortes de seres humanos num raio de 1,2 km do hipocentro são atribuídas a queimaduras fatais.
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  • Ondas de choque: as pessoas que estavam na rua ou mesmo dentro de casa foram lançadas vários metros no ar, ferindo-as terrivelmente ou mesmo as matando.
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  • Radiação ionizante: raios gama e nêutrons emitidos durante a explosão, além da radiação emitida por átomos de césio-137 e de iodo-131, por exemplo, irradiaram pessoas interna e externamente. A chuva negra que começou a cair 20 minutos após a explosão da bomba em Hiroshima e que durou até 12h45 contaminou uma área ovalada de 11 km por 19 km.
Tab 3.1 (Imagem retirada do livro Radiação: efeitos, riscos e benefícios/ Editora Oficina de Textos). Todos os direitos reservados
 
A Fig. 3.5A mostra a bomba Little Boy antes de ser colocada no Enola Gay, e a Fig. 3.5B, uma réplica da bomba Fat Man. As nuvens em forma de cogumelo que se formaram logo após a explosão da bomba em Hiroshima e em Nagasaki podem ser vistas na Fig. 3.6. Essas fotos foram tiradas de um dos B-29 que escoltou os bombardeiros.

Fig 3.6 (Imagem retirada do livro Radiação: efeitos, riscos e benefícios/ Editora Oficina de Textos). Todos os direitos reservados
A cidade de Hiroshima antes da explosão da bomba atômica Little Boy é apresentada na Fig. 3.7A, em contraste à devastação da cidade após o evento, mostrada na Fig. 3.7B. A Fig. 3.8A mostra o Hall de Exibição Comercial originalmente, cuja construção data de 1915. A Fig. 3.8B exibe um dos poucos prédios que restaram após o bombardeio em Hiroshima. Parte dele, hoje Memorial da Paz (Genbaku Dome) em Hiroshima, é mantida até hoje para que a população nunca se esqueça dessa tragédia.

Passadas 16 horas, o então presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman (1884-1972) anunciou da Casa Branca, em Washington, que os americanos haviam explodido uma bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima.

No dia 2 de setembro de 1945, foi assinada a ata de rendição do Japão em uma cerimônia oficial a bordo do encouraçado USS Missouri, na baía de Tóquio, terminando assim a Segunda Guerra Mundial.

Tudo a ver

 

Já está em pré-venda em nossa loja a 2ª edição do livro Radiação: Efeitos, Riscos e Benefícios, escrito pela Professora Emico Okuno.
A obra permite ao leitor compreender os conceitos básicos da Física das radiações, seus efeitos biológicos, formas de proteção e suas aplicações na indústria e na Medicina, particularmente no tratamento do câncer. 
Apresenta também a história das radiações: a descoberta da radioatividade, os primeiros tratamentos radioterápicos, o projeto Manhattan e as bombas atômicas, os reatores nucleares e os principais acidentes envolvendo radiações.


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A equação e a bomba atômica no mundo Biológico

Adilson de Oliveira relembra os tristes episódios de Hiroshima e Nagasaki, que completam 70 anos este mês, e explica por que muita gente relaciona as bombas atômicas ao trabalho de Albert Einstein. 
 
Por: Adilson de Oliveira
Publicado em 21/08/2015 | Atualizado em 21/08/2015
A equação e a bomba atômica
Réplica da bomba nuclear jogada pelo governo norte-americano sobre Hiroshima em 1945. (foto: U.S. National Archives / Domínio público).
 
Os dias 6 e 8 de agosto são datas que marcam dois dos piores eventos que aconteceram no século 20 e talvez em todos os tempos – um leitor mais antenado provavelmente já sabe do que estamos falando. Há exatos 70 anos, em 1945, a Segunda Guerra Mundial se encaminhava para o fim quando os norte-americanos detonaram sobre as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki duas bombas atômicas.

Na verdade, a Alemanha nazista havia sido derrotada e o Japão também caminhava para perder a guerra que travava no Pacífico contra os Estados Unidos e seus aliados. Porém, como em todas as guerras, aos vencedores coube contar a história. O que se relata, pois, é que havia poucas chances de os japoneses se renderem e, para vencer a disputa, milhões de soldados americanos e japoneses morreriam. A bomba, diz-se, evitaria essa batalha sangrenta. Fato é que a ação custou a vida de centenas de milhares de pessoas, não somente no momento da destruição, como também ao longo dos anos, devido aos efeitos da radiação.
Bomba sobre Nagasaki
Na manhã de 9 de agosto de 1945, explodiu sobre a cidade de Nagasaki a segunda bomba atômica. (foto: Charles Levy / Domínio público)
A humanidade, podemos dizer, guarda um trauma deste episódio. Mas a necessidade ou não de se construir armas atômicas sempre foi um tema muito polêmico. Talvez o leitor já tenha ouvido falar que Albert Einstein, um dos maiores cientistas de todos os tempos e com notada atuação pacifista, escreveu, em agosto de 1939, uma carta para o então presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, sobre a possibilidade da construção de bombas atômicas. A ‘dica’ levou à criação do projeto Manhattan, no qual foram investidos 2 bilhões de dólares e o trabalho de centenas de pesquisadores e cientistas. Alguns anos depois, Einstein lamentou: “Cometi o maior erro da minha vida quando assinei a carta ao presidente Roosevelt recomendando que fossem construídas bombas atômicas”.

Energia e destruição

Até hoje algumas pessoas associam a criação da bomba atômica a Einstein, principalmente por causa da sua famosa equação E=mc2, que relaciona massa e energia. Essa equação mostra que uma pequena quantidade de matéria equivale a uma enorme quantidade de energia, uma vez que a constante que relaciona massa e energia é a velocidade da luz (300.000 km/s).

Ora, nas reações nucleares, ocorre a conversão de massa em energia. Um dos processos possíveis para isso é a fissão nuclear, na qual núcleos de átomos pesados como os de urânio ou plutônio, utilizados nas bombas detonadas sobre Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, são ‘quebrados’ em elementos mais leves a partir do bombardeio de nêutrons (partículas presentes nos núcleos atômicos, mas sem carga elétrica). Os produtos finais, por exemplo, da fissão do urânio com um nêutron são os átomos de estrôncio e xenônio e mais dois nêutrons, que, por sua vez, participam de uma nova reação, levando ao surgimento de um processo em cadeia.

As bombas atômicas utilizadas na Segunda Guerra Mundial logo se tornaram obsoletas, pois novos artefatos nucleares foram produzidos.
 
Nos reatores nucleares, o processo é similar. Porém, diferentemente do que ocorre nas bombas atômicas, nos reatores a reação é controlada, de forma que a energia seja liberada de maneira moderada. Na bomba, o objetivo é precisamente liberar toda a energia de uma vez.
As bombas atômicas utilizadas na Segunda Guerra Mundial logo se tornaram obsoletas, pois novos artefatos nucleares foram produzidos, como a bomba de fusão nuclear, equivalente a milhares de bombas atômicas. O processo que ocorre nessas armas nucleares é complexo, mas, de uma maneira simplificada, podemos dizer que, em vez de se quebrar um núcleo atômico, o que ocorre é a fusão de núcleos leves em núcleos mais pesados.
Esse processo é semelhante ao que acontece no interior das estrelas. Por exemplo, quatro núcleos de hidrogênio (compostos por apenas um próton cada) reagem entre si produzindo um núcleo de hélio, que tem dois prótons e dois nêutrons. No processo, ocorre a transformação de dois prótons em nêutrons a partir da emissão de uma partícula de carga positiva e com massa igual a do elétron, chamada pósitron.
Albert Einstein
Até hoje muita gente relaciona a bomba atômica à equação mais famosa de Albert Einsten, E=mc2 – uma relação que o próprio físico lamenta. (foto: Domínio público)
Para que essas reações aconteçam são necessárias altíssimas temperaturas, como as que existem no interior das estrelas. Para detonar uma bomba de fusão nuclear, é preciso produzir essas temperaturas, a partir da detonação de um artefato de fissão nuclear. Resumindo: a bomba atômica se torna o ‘pavio’ da bomba de fusão nuclear.

Tanto nos processos de fissão quanto nos de fusão nuclear os produtos das reações têm uma massa menor que a inicial. A massa faltante se transforma em energia, como prediz a equação E=mc2 – note-se, porém que Einstein, ao deduzir esta equação, estudava a energia em um contexto diferente, que nada tinha a ver com armas de destruição em massa.

Alcance inesperado

Em 1905, Einstein publicou o seu célebre artigo “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento”, no qual apresentava uma proposta que tornava as equações do eletromagnetismo de James Clerck Maxwell compatíveis com a mecânica newtoniana. Para isso, Einstein mudou os conceitos de espaço e tempo, tornando-os relativos, e postulou que a velocidade da luz no vácuo é a mesma para qualquer referencial.
O famoso físico logo percebeu que, como a velocidade da luz é o limite do universo – pois as equações da relatividade mostravam que nessa velocidade os objetos colapsariam e o tempo pararia (veja a coluna “Sonhos de um jovem visionário”) –, para valer o conceito da conservação da energia, um corpo, ao se aproximar dessa velocidade, deveria ter a sua massa aumentada, ou seja, parte da energia se converteria em massa. Dessa hipótese surge a equação E=mc2, como ele apresenta no artigo “A inércia de um corpo depende do seu conteúdo energético?”, também publicado em 1905.

Hoje sabemos que a mais famosa equação da história da física pode nos ajudar a compreender coisas impressionantes, da detonação de armas nucleares aos processos estelares. No entanto, o próprio Einstein duvidava de todo o alcance de seu trabalho. Em carta ao seu amigo Conrad Habicht, chegou a escrever: ”O argumento é divertido e sedutor, mas, por tudo que conheço, o Senhor pode estar rindo de tudo isso e pregando uma peça em mim”.

Adilson de Oliveira

Departamento de Física
Universidade Federal de São Carlos

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

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Alberto Veloso

Gerações futuras deverão continuar relembrando o 6 de agosto de 1945, data indelével na história da humanidade. Naquela  manhã explodiu sobre Hiroshima a primeira bomba atômica  e, três dias depois, outra em Nagasaki, praticamente dando fim à guerra que se desenrolava no Pacífico. Cerca de 200 mil pessoas morreram em consequência daquelas ações.
Uma arma tão poderosa nas mãos dos Estados Unidos, logo despertou o interesse de outras nações. Passados quatro anos (29/08/1949), a antiga União Soviética conseguiu a sua e, seguidamente, a Grã Bretanha (1952), a França (1960) e a China (1964). Como resultado, essas nações formaram um “restrito clube atômico” onde novos sócios não são bem vindos. Índia e Paquistão (1998) e Coreia do Norte (2006) também obtiveram suas bombas, mas não o status político dos cinco primeiros, que são os únicos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, com poder de veto sobre qualquer resolução que venha a ser proposta pelo conselho, que também possui membros não permanentes, escolhidos na forma de rodízio.
Construir bombas mais poderosas e sofisticadas exigia testes e os primeiros eram feitos na atmosfera, explodindo artefatos acima de torres, em balões, ou desde aviões. O número de explosões cresceu de forma alarmante. Acidentes e a elevada contaminação atmosférica levaram os dois principais protagonistas da corrida nuclear, (Estados Unidos e União Soviética), a assinarem, em 1962, um tratado banindo qualquer tipo de explosão na atmosfera e nos oceanos. Como a corrida não iria parar, a solução foi realizar testes subterrâneos.
Naquele momento a sismologia ganhou espaço na era nuclear, pois se mostrou uma das melhores técnicas para avaliar a potência de uma explosão e de saber onde ela ocorreu. Monitorar o próprio teste era importante e, mais ainda, o do inimigo e, muitas vezes, também, o do aliado. Isso fez crescer o número de estações sismográficas de qualidade. Um programa dessa época bem sucedido foi o norte-americano denominado WWSSN (Worldwide Standard Seismic Network), um conjunto de aproximadamente 120 estações sismográficas padronizadas espalhadas por vários países, fora da influência soviética. Sob o aspecto científico ele foi notável, pois melhorou a capacidade de detecção global dos terremotos. Basta lembrar que o simples aperfeiçoamento na determinação epicentral e focal dos sismos mundiais ajudou a firmar a teoria da tectônica de placas. Nessa época, também surgiram os arranjos sismográficos que, diferente do sistema tradicional de uma única estação sismográfica, distribuía certo número de sismômetros em uma grande área do terreno. Apoiado em processamento computacional, o arranjo funcionava à semelhança de uma antena de radar, aprimorando não apenas a detecção dos sinais, como também calculando a direção de onde eles vinham e com que velocidades as ondas cruzavam os sensores, instalados no chão.
O Brasil abrigou duas estações da rede WWSSN. A primeira em Natal, em  1965, cuja operação inicial à cargo da Marinha, passou posteriormente às mãos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Em Brasília, a estação WWSSN, número 61, começou a operar em 1973 . Antes, porém, patrocinado pelo governo Britânico e com apoio do CNPq e da UnB, foi instalado na área do Parque Nacional de Brasília um arranjo sismográfico de alta sensibilidade, constituído originalmente por 18 elementos. Tanto a estação de Natal, com a de Brasília foram as sementes das quais nasceram os centros sismológicos locais. Brasília voltou a receber um outro sistema moderno em 1993, cujo objetivo primário também era registrar explosões nucleares.
Hoje existe uma organização ligada à ONU, denominada CTBTO  (Comprehensive Nuclear-Test-Ban Treaty Organization) com o objetivo de fazer cumprir um tratado internacional que bane por completo qualquer tipo de explosão nuclear. Para verificar o cumprimento do tratado foi montada uma rede mundial com mais de 300 estações, usando quatro tecnologias diferentes para vigiar os continentes (sísmica), os oceanos (hidroacústica) e a atmosfera (infrassom e radionuclídeos). Signatário do tratado, o Brasil abriga cinco daquelas estações, sendo 3 delas sísmicas, o que une, de certa maneira, a sismologia ao tema nuclear.

Registro histórico

Nunca houve confirmação oficial, mas tudo indica que em décadas passadas o Brasil procurou construir armas nucleares e, aparentemente, foi longe nesse intento - projeto dessa natureza inclui programas de testes. Em agosto de 1986, a mídia divulgou que na área da base aérea de Cachimbo, Pará, existiriam instalações subterrâneas especiais, como um poço revestido de concreto, com cerca de 300m de profundidade e um metro e meio de diâmetro. Em 18 de setembro de 1990, o então presidente Fernando Collor, foi ao local e fechou, simbolicamente, a perfuração, jogando uma pá de cal em seu interior, fato transmitido à noite pelas televisões brasileiras. Ao ver a cena, atravessei a madrugada rascunhando um projeto, que imediatamente tomou forma e chegou ao Palácio do Planalto: nele eu pedia o poço para instalar parte de uma estação sismográfica moderna e de alta sensibilidade, que transmitiria dados diretamente à UnB. Apesar do mérito do projeto, fui informado de que a perfuração não poderia continuar existindo, pois pesaria sobre  o nosso País a desconfiança de que aquela facilidade poderia, a qualquer momento, ser utilizado para fins militares. Assim, a pá de cal lançada no “buraco do cachimbo”, também sepultou um possível grande projeto sismológico brasileiro.
veloso bomba atomica 1
Réplica da bomba (plutônio) lançada sobre Nagasaki em 9/8/1945. Foi apelidada de Fat Man, porque era mais volumosa e mais potente que a de Hiroshima (urânio), chamada de Little Boy. Museu Atômico de Albuquerque (New Mexico, US).
veloso bomba atomica 2
Domo da Bomba-A. Ruínas do antigo prédio da prefeitura de Hiroshima danificado pela explosão ocorrida a 570m de altura, às 8:15min, de 6 de agosto de 1945.
veloso bomba atomica 3
Um dos  centros de controle no antigo campo de provas soviético de explosões atmosféricas,  Semipalatinsk, Kazakstan ( 2000).
veloso bomba atomica 4
Registro de explosão nuclear francesa ocorrida em 1/10/1995, às 20h 42min 37s (Hora de Brasília), detectada pela UnB, cerca de 9.500km distante. Notar que a onda P domina o sismograma, uma característica das explosões nucleares, embora nem sempre seja um critério decisivo para discrimina-las dos terremotos.

O autor é geólogo e foi responsável pela sismologia da UnB por duas décadas e dirigiu a seção de infrasom do CTBTO, em Viena, por sete anos.

Geofísica Brasil