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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Características e efeitos das bombas atômicas lançadas no Japão

As características e os principais efeitos das bombas detonadas em Hiroshima e Nagasaki estão listados na Tab 3.1. A população de Hiroshima e de Nagasaki, por ocasião da explosão da bomba, era de 345 mil ± 5 mil pessoas e de 260 mil ± 10 mil pessoas, respectivamente.
As principais causas das mortes imediatas ou em curto espaço de tempo após a explosão das bombas nessas duas cidades foram:
  • Ondas de calor: de 20% a 30% das mortes de seres humanos num raio de 1,2 km do hipocentro são atribuídas a queimaduras fatais.
  • Ondas de choque: as pessoas que estavam na rua ou mesmo dentro de casa foram lançadas vários metros no ar, ferindo-as terrivelmente ou mesmo as matando.
  • Radiação ionizante: raios gama e nêutrons emitidos durante a explosão, além da radiação emitida por átomos de césio-137 e de iodo-131, por exemplo, irradiaram pessoas interna e externamente. A chuva negra que começou a cair 20 minutos após a explosão da bomba em Hiroshima e que durou até 12h45 contaminou uma área ovalada de 11 km por 19 km.
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  • Tab 3.1 (Imagem retirada do livro Radiação: efeitos, riscos e benefícios/ Editora Oficina de Textos). Todos os direitos reservados
     
     

     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Fig 3.6 (Imagem retirada do livro Radiação: efeitos, riscos e benefícios/ Editora Oficina de Textos). Todos os direitos reservados
     
    A cidade de Hiroshima antes da explosão da bomba atômica Little Boy é apresentada na Fig. 3.7A, em contraste à devastação da cidade após o evento, mostrada na Fig. 3.7B. A Fig. 3.8A mostra o Hall de Exibição Comercial originalmente, cuja construção data de 1915. A Fig. 3.8B exibe um dos poucos prédios que restaram após o bombardeio em Hiroshima. Parte dele, hoje Memorial da Paz (Genbaku Dome) em Hiroshima, é mantida até hoje para que a população nunca se esqueça dessa tragédia.
     


    Passadas 16 horas, o então presidente dos Estados Unidos Harry S. Truman (1884-1972) anunciou da Casa Branca, em Washington, que os americanos haviam explodido uma bomba atômica sobre a cidade de Hiroshima.













    No dia 2 de setembro de 1945, foi assinada a ata de rendição do Japão em uma cerimônia oficial a bordo do encouraçado USS Missouri, na baía de Tóquio, terminando assim a Segunda Guerra Mundial.
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Lugar mais poluído mundo esconde história absurda do governo russo

 

Lugar mais poluído mundo esconde história absurda do governo russo

Por Yahoo notícias:
Apesar de belo, o Lago Karachay, na Rússia, é considerado o lugar mais poluído do planeta. Sua dose de radiação era tão alta em 1990 que apenas permanecer na beirada dele por uma hora faria com que um ser humano “consumisse” mais radiação do que o organismo suporta e, claro, isso causaria morte.
E por quê? O lago está localizado dentro da Mayak Production Association, uma das maiores instalações nucleares na Rússia.

O governo russo manteve Mayak secreta até 1990, e passou esse período de invisibilidade principalmente tendo fusões nucleares e despejando resíduos no rio. Quando a existência de Mayak foi oficialmente reconhecida, houve a divulgação de aumento de 21% na incidência de câncer, de 25% nos defeitos de nascimento, e crescimento de 41% na leucemia na região circundante de Chelyabinsk, onde o rio se localiza, a cerca de 200km da fronteira com o Casaquistão.

O rio Techa, que forneceu água para as aldeias próximas, estava tão contaminado que até 65% dos moradores ficaram doentes com radiação – que os médicos chamavam de “doença especial”, porque enquanto a instalação era secreta, eles não tinham permissão de mencionar a radiação em seus diagnósticos.

Obviamente que o complexo nuclear sombrio da Sibéria não estava muito preocupado com a segurança. Além de despejar material nuclear nos lagos e rios, Mayak também sofreu vários acidentes graves nos anos 50 e 60 – incluindo o tempo que o lago Karachay secou e poeira radioativa do leito soprava por toda parte nas aldeias vizinhas.

Mas como Mayak e a cidade que a serviu nem sequer aparecem nos mapas, ninguém ouviu falar disso, incluindo os moradores afetados. Algumas das pessoas que moravam nas proximidades foram evacuadas após esses acidentes, mas muitos foram deixados apenas para inalar poeira e beber água contaminada.
O lago Karachay é agora cheio do concreto para manter o sedimento radioativo longe da costa. A água a jusante no rio Techa não tem quase nenhum césio radioativo, embora você ainda não possa beber porque ela ainda será perigosa por centenas dos anos.
Agora, 20 anos depois de Mayak ter começado a aparecer novamente em mapas, é possível que você pudesse ficar nas margens do Lago Karachay e não morrer. Mas não nos arriscamos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Planeta azul: quando o Sol ilumina céu e mar

Basta pensar na enorme mancha azul que é o céu sobre toda a superfície terrestre e na extensão dos oceanos para termos a noção da dominância da cor azul. Entender este predomínio implica uma viagem sobre a interação da radiação solar com as matérias constituintes do planeta. 
 
Por: Miguel A. R. B. Castanho
Publicado em 16/09/2015 | Atualizado em 16/09/2015
Planeta azul: quando o Sol ilumina céu e mar
Predomínio da cor azul no planeta é resultado das interações entre radiação solar e matérias constituintes da Terra. (foto: MR/FreeImages.
 
A cor é uma sensação produzida após a entrada de luz em nossos olhos. A modificação da luz solar por interação com a matéria à nossa volta (atmosfera, solo, objetos, plantas, animais, elementos das paisagens) faz com que ela adquira características particulares que produzem em nós a sensação de cores diferentes. Em realidade, não só a cor em si, mas também o brilho, o contraste, a intensidade e outras características associadas. Porém, vamos deter-nos na cor.

A abordagem mais simples ao fenômeno da cor baseia-se apenas na frequência da radiação que lhe dá origem. Para muitas aplicações práticas, a radiação pode ser descrita como um campo magnético e um campo elétrico perpendiculares e oscilantes. É ao campo elétrico de parte dessa radiação que podemos atribuir a responsabilidade pela percepção da cor.

A radiação visível de maior frequência é percebida em nosso cérebro como azul (anil/violeta, no limite), enquanto a de menor frequência, como vermelho. Entre esses extremos, temos a mesma paleta que nos oferece o arco-íris, com verde, amarelo e laranja. Misturando radiações de frequências diferentes, percebemos a cor resultante dessa mistura e, desse modo, temos à disposição uma gama de cores incrível, para tornar as paisagens naturais um fascínio cromático.
Faixas do espectro eletromagnético
A fração visível do espectro eletromagnético é pequena se comparada com toda a gama de radiação disponível. (arte: Luiz Baltar)
É interessante notarmos que a gama de radiações conhecida excede em muito as frequências associadas às cores. Em realidade, frequências maiores do espectro eletromagnético (ultravioleta, raios X e raios gama) correspondem a energias mais altas, capazes de quebrar ligações químicas de nosso material genético (DNA) e, assim, provocar danos nas células e nos tecidos, podendo levar à formação de tumores. No entanto, não lhes fazemos corresponder quaisquer sensações.

Já as frequências menores, quando próximas da frequência do vermelho, levam à sensação de calor, mas também não lhes associamos cores.

A radiação visível de maior frequência é percebida em nosso cérebro como azul, enquanto a de menor frequência, como vermelho
 
A radiação de que os nossos olhos tiram partido – que suscita o sentido da visão e, por isso, chamamos visível – é simplesmente aquela que mais abunda na superfície terrestre, conseguindo penetrar na água, vinda da maior fonte de radiação a que a Terra se expõe: o Sol. Afinal, evoluímos para usar a radiação mais abundante à nossa volta. De fato, a fração visível do espectro eletromagnético é pequena se comparada com toda a gama de radiação disponível para uso prático. A especialização dos olhos em uma fração tão estreita do espectro eletromagnético parece, à primeira vista, um desperdício sem sentido. Mas não é bem assim: os olhos evoluíram naturalmente, segundo os princípios darwinistas habituais de adaptação aos recursos disponíveis.

Prismas, diamantes e céu

Como dito antes, a percepção da cor é dada como resultado da combinação da radiação que chega a nossos olhos. Quando se trata de luz vinda de uma fonte luminosa direta, a situação é simples. No entanto, a radiação pode sofrer transformações quando incide sobre a matéria que compõe nosso ambiente. Ela pode ser absorvida por determinados materiais, refletida ou ‘desviada’ (refratada). Talvez um dos exemplos de refração mais conhecidos seja o da luz solar passando através de um prisma de vidro e sendo ‘decomposta’ por este. No caso, as cores separam-se de forma clara, pelo fato de a radiação ter, no novo meio (vidro), um desvio que depende de sua frequência, o que faz com que diferentes cores emanem do prisma com ângulos diferentes.

Um fenômeno igualmente fascinante, mas que envolve tanto reflexão quanto refração, é a passagem da luz por um diamante com a lapidação na forma de brilhante. Se a pedra for de boa qualidade, nenhuma radiação visível é absorvida – isto é, o diamante é de uma transparência pura –, e as medidas e os ângulos dos cortes são tais que a luz que entra nele é desviada e refletida para ser devolvida pelo topo, causando a sensação de brilho e luminosidade.
Interação entre radiação solar e elementos da Terra
Ao penetrar a atmosfera, os raios solares são espalhados, desviados de sua trajetória original, como resultado das colisões com as moléculas de ar. (arte: Luiz Baltar)
Estruturas cristalinas como as safiras têm compostos de íons metálicos em seu interior, ausentes nos diamantes, estes contendo apenas carbono. Esses compostos absorvem as radiações com frequências específicas. Assim, ‘sobram’, para a reflexão e refração, as restantes frequências, que emanam da pedra e chegam a nossos olhos. Como resultado, as safiras podem ser de um verde ou azul deslumbrantes.
O azul do céu – também ele esplendoroso – pode ser explicado de forma semelhante. Ao penetrar a atmosfera, os raios solares são espalhados, desviados de sua trajetória original, como resultado das colisões com as moléculas de ar. O espalhamento da radiação azul – por conta de sua frequência mais alta – é mais pronunciado do que o do restante da radiação, fazendo dessa cor a dominante no meio. É isso que nos faz perceber o céu diurno como azul.


Miguel A. R. B. Castanho
Instituto de Medicina Molecular,
Faculdade de Medicina,
Universidade de Lisboa (Portugal), e
Instituto de Bioquímica Médica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Esse lago russo é tão mortal que é capaz de matar uma pessoa em 1 hora

Esse lago russo é tão mortal que é capaz de matar uma pessoa em 1 hora

As aparências enganam. Esse lago, que eu não hesitaria em chamar de um dos mais belos do mundo, não é convidativo a ninguém que queira experimentar uma morte dolorosa em cerca de 1 hora. 
Trata-se do lago Karachay, localizado no sul dos Montes Urais, na Rússia e, apesar de sua beleza, é considerado o lago mais poluído do mundo após ter sido usado anos como local de despejo de resíduos radiativos. Na época, o lago foi submetido a mais de 200.000 vezes a quantidade normal de radiação por causa do mal despejo de resíduos de instalações da União Soviética.

O assassino silencioso tem emitido uma dose letal de radiação a quem entra ou até mesmo se aproxima de suas águas nos últimos 60 anos. Na década de 40, a URSS construiu uma cidade secreta na região apelidada de Chelyabinsk-40. Seu objetivo era a produção de armas nucleares a partir do urânio-238, que era extraído das montanhas ao redor. O primeiro reator foi colocado em operação no ano de 1948, e convertia a todo vapor urânio em plutônio.

Mas as coisas foram mal planejadas. Ao construir as instalações, os soviéticos voltaram todo o planejamento e recursos para converter o urânio, e se esqueceram de se livrar seguramente dos resíduos. Como solução, eles começaram a despejá-los no rio mais próximo, o Techa, que fornecia água potável para 39 cidades e aldeias. E a dor de cabeça começou.

Depois de envenenar silenciosamente sua população durante 3 anos, a URSS enviou pesquisadores para averiguar se os resíduos estavam fora do normal. Eles ficaram chocados ao descobrir que outras áreas não emitiam mais do que 0,21 Röntgens (uma medida para a radiação) a cada ano, enquanto o rio Techa emitia 5 Röntgens a cada hora.
Como medida de emergência, as autoridades mandaram imediatamente represar o rio, erguendo barragens e evacuando toda a população das proximidades, mas isso não foi suficiente. Enquanto isso, a União Soviética encontrou outro lugar para despejar seus resíduos nucleares, o lago Karachay. Entre 3 e 4 décadas depois (a URSS foi extinta, e só depois que a Rússia reconheceu a existência em 1990), o lago Karachay era o principal reservatório de resíduos da usina de Chelyabinsk. As autoridades argumentaram que o lago não alimentava nenhum rio (e, de fato, não alimentava), de modo que teoricamente não havia modo de resíduos radioativos escaparem.

Leve engano. Anos depois, pesquisadores descobriram que as águas contaminadas do lago “vazavam” pelo subsolo do pântano Asanov.
Como se não bastasse, o calor durante uma seca em 1967 fez boa parte da água do lago evaporar, expondo os resíduos. Com o vento, uma poeira tóxica se formou e englobou 2,3 mil quilômetros quadrados, contaminado cerca de 500 mil pessoas. Foi relatado um aumento nos casos de leucemia em mais de 40% em alguns anos.

Hoje, o Lago Karachay emite 600 Röntgens por hora, radiação suficiente para matar uma pessoa em cerca de 1 hora. E a situação ainda pode piorar: a área é muito instável, de modo que se a única barragem do rio Techa quebrar, toda a radiação irá vazar para o pântano, percorrer o rio Ob e cair no Mar Ártico, onde as correntes a espalharia pelo Oceano Atlântico. [KnowledgeNuts]

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Radiação e morte: 28 anos depois

Em sua coluna de julho, Jean Remy Guimarães relembra acidente radiológico ocorrido em Goiânia (GO). 
 
Por: Jean Remy Davée Guimarães
Publicado em 17/07/2015 | Atualizado em 17/07/2015
Vinte e oito anos depois
Interessados em reaproveitar o aço e o chumbo contidos num aparelho de radioterapia, catadores de lixo abriram a peça no quintal de casa, liberando césio radioativo no ambiente. (foto: Adelano Lázaro / Wikimedia Commons.
 
Em 13 de setembro de 1987, catadores de lixo, papel e sucata encontraram, nas ruínas de uma clínica radiológica em Goiânia, Goiás, a cabeça de um aparelho de radioterapia contendo uma fonte de césio radioativo (137Cs). A peça tinha valor comercial pela quantidade de aço e, sobretudo, de chumbo, utilizado para blindar a fonte, absorvendo os raios gama do césio.

Com um carrinho de mão e muito esforço, levaram a pesada peça até o quintal de um deles e procederam ao desmonte com ferramentas rudimentares. No centro do artefato havia uma pequena caixa metálica, selada. Sacudida, produzia um som que sugeria conteúdo granuloso. Perfurada, deixou escapar grãos de tamanho variado, como o sal de um saleiro esquecido num canto de armário.
A fonte radioativa era constituída de cloreto de césio, de aspecto semelhante ao do sal de cozinha (cloreto de sódio) e tão solúvel quanto este último. O césio é quimicamente análogo ao potássio e, portanto, tem alta mobilidade e biodisponibilidade. Naquele momento, iniciava-se a dispersão ambiental do 137Cs – até o momento da abertura da fonte, só havia ocorrido irradiação; a partir da abertura, começa a contaminação de ambientes, pessoas, roupas e utensílios.
Cloreto de césio
De aparência semelhante ao sal de cozinha, o cloreto de césio foi a substância radioativa responsável pelo acidente que aconteceu em Goiânia em 1987. (foto: Wikimedia Commons)
Mas uma característica importante do acidente foi o fascínio provocado pelo halo azul que as pedrinhas de 137Cs emanavam, perceptível mesmo à luz do dia. O efeito era devido à forte ionização do ar provocada pela radiação beta e gama do césio. Pensando tratar-se talvez de material precioso, os catadores levaram uma das maiores pedrinhas a um ourives, que, após rápido exame, descartou a hipótese e devolveu a pedra.
A partir daí as pedrinhas de purpurina, como passaram a ser chamadas, foram objeto de curiosidade e brincadeiras, sendo oferecidas a parentes e amigos, adultos e crianças. As primeiras vítimas fatais foram a esposa e a filha de um dos catadores, que, além de forte irradiação externa, sofreram também contaminação interna por ingestão e absorção cutânea.

Reconhecimento tardio

O acidente só foi reconhecido como tal em 29 de setembro, 16 dias após seu início de fato. Foi o tempo necessário para a manifestação dos sintomas mais graves da chamada Síndrome de Irradiação Aguda, embora os serviços médicos tenham falhado em diagnosticá-la.
A resposta inicial ao acidente foi totalmente caótica. O governo estadual relutava em assumi-lo, pois estava em curso na cidade uma prova do circuito internacional de motovelocidade. Algumas quadras do Setor Aeroporto, onde se concentravam os focos de contaminação, foram evacuadas; as casas mais contaminadas foram destruídas, mas dizia-se que era devido a um vazamento de gás. Já os policias militares encarregados da interdição e evacuação, sem acompanhamento ou proteção radiológica, só sabiam que o motivo dessas ações era uma tal bomba de césio. No imaginário popular, bombas explodem. No linguajar médico, bombas bombeiam – uma imagem para se referir ao fluxo invisível de fótons gama que uma fonte de césio irradia.
Cerca de 130 pessoas apresentaram contaminação interna e/ou externa expressiva, sendo algumas dezenas internadas. O acidente causou um total de sete mortes
 
Assumido o caráter radiológico do acidente, a Comissão Nacional de Energia Nuclear montou uma estrutura emergencial no Estádio Olímpico Pedro Ludovico para monitoração pessoal e longas filas se formaram. Cerca de 130 pessoas apresentaram contaminação interna e/ou externa expressiva, sendo algumas dezenas internadas, cerca de 20 submetidas a tratamento intensivo. O acidente causou um total de sete mortes.
Após trabalho intensivo de algumas centenas de técnicos de instituições diferentes, os locais contaminados foram devolvidos em dezembro de 1987 com níveis naturais de radioatividade, sem traços de 137Cs. Foi criada a Fundação Leide das Neves, assim nomeada em homenagem à mais jovem das vitimas fatais, e encarregada do acompanhamento médico e social das pessoas mais afetadas pelo acidente.

Desdobramentos

Um dos aspectos notáveis do episódio foi o longo embate entre o governo do estado de Goiás e o governo federal quanto ao local e forma de destino final dos rejeitos radioativos gerados nas atividades de descontaminação. Depois de alguns anos de negociação, os rejeitos foram acondicionados de forma segura num depósito definitivo construído em área rural do município vizinho de Abadia de Goiás.
Outro detalhe marcante foi a evidente dificuldade dos encarregados pela resposta ao acidente em se comunicarem com o público, o que, se pensarmos bem, não era nada surpreendente para autoridades que tinham, há décadas, uma política de relações públicas muito clara: não se relacionar com o público e ponto.
Durante longos meses, os goianos discriminaram os moradores do bairro afetado.
 
Diretores e técnicos se esgoelaram em reuniões com uns e outros para explicar a diferença entre irradiação e contaminação, tentando deixar claro que contaminação irradia, mas irradiação não contamina e, portanto, devemos temer os contaminados, mas não os irradiados. Tudo em vão. Na prática, se uma pessoa tinha qualquer tipo de envolvimento no acidente, estava “radiada”, o que significava que estava riscada da lista, excluída do convívio social. Durante longos meses, os goianos discriminaram os moradores do bairro afetado, foram discriminados pelo resto do estado, e o estado discriminado pelo resto do país.
Algumas mortes, verbas e décadas depois, cabe perguntar: pode acontecer tudo de novo? No front internacional, o acidente motivou norma da Agência Internacional de Energia Atômica proibindo a fabricação de fontes de radiação que não sejam compactas e, portanto, de difícil fragmentação. No front nacional... Bem, o Brasil continua sendo um país continental, a pobreza ainda é uma mazela, a normatização e fiscalização de atividades nucleares continua sendo monopólio de uma instituição federal sediada no Rio de Janeiro e as secretarias de saúde, como as demais, continuam aparelhadas ao sabor dos caprichos dos feudos políticos de cada estado. Isto conspira contra a memória técnica, a continuidade administrativa e o mínimo de eficiência exigido de órgãos que honrem seu suposto mandato. Honra, mandato? Que terreno pantanoso...

Jean Remy Davée Guimarães
Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Como é formada a energia nuclear

Por: Marcus V. Cabral


A energia produzida pela fissão do Urânio é gigantesca.
A energia produzida pela fissão do Urânio é gigantesca.
Energia nuclear é a energia liberada quando ocorre a fissão (quebra do núcleo do átomo). As usinas nucleares são capazes de gerar muita energia a partir de uma pequena quantidade de matéria, pois, além de cada reação unitária ter enorme potencial energético, servem para iniciar várias outras, já que ocorrem em cadeia.

Em um reator nuclear, ocorre uma sequência multiplicadora, conhecida como "reação em cadeia". Quando um núcleo sofre fissão, ele se divide em dois fragmentos e vários nêutrons. Se cada um desses nêutrons for capturado por outro núcleo físsil, o processo continua, e o resultado é a reação em cadeia.

Essa radiação atômica só ocorre porque os átomos “querem” se estabilizar; porém, núcleos estáveis também podem tornar-se radioativos, são os chamados radioativos induzidos. Esses núcleos tendem a emitir partículas que mudaram ou a relação nêutron/próton ou reduzirão o número total de núcleos, de maneira que fiquem mais próximos da estabilidade.

A energia liberada quando um núcleo é formado denomina-se Energia de Ligação Nuclear. Essa energia é equivalente ao decréscimo de massa durante o processo, ambas sendo relacionadas pela conhecida equação de Einstein, E = mc², onde a ideia é que massa e energia são interconvertíveis.

A energia produzida pela fissão do Urânio é gigantesca. Ela é milhões de vezes maior que a energia desprendida em qualquer reação química exotérmica, esse calor é transformado em energia. Ao contrário do que muita gente pensa, a energia nuclear não é uma energia suja; seus impactos ambientais causados pela deposição do resíduo radioativo não são muito maiores que os impactos do lago de uma hidrelétrica. O grande e efetivo problema é o lixo radioativo; sabendo que este demora anos para ser decomposto e é extremamente perigoso.

A única saída atual é colocar o lixo em buracos de concretos e revestido de Chumbo, aterros geológicos, porém esta não é uma boa ideia, considerando que deveriam ser secos, podendo sofrer infiltrações e alterações geológicas; assim, todo planeta permanece em risco.

Introdução à radioatividade

Por: Marcus V. Cabral


Os elementos radioativos são sempre radioativos.
Os elementos radioativos são sempre radioativos.
 
Radioatividade é a desintegração espontânea ou provocada na matéria com emissões de radiações como consequência de uma instabilidade nuclear, isto é, quando um núcleo tem grande número de prótons e de nêutrons, onde os núcleos instáveis emitem partículas de energia, transformando-os em núcleos de outros elementos mais estáveis. A esse fenômeno, dá-se o nome de decaimento, transmutação ou desintegração.

Seguem os principais tipos de emissões:

Raios alfa (α)

São as radiações que sofrem pequenos desvios para o lado negativo de um campo elétrico, é essencialmente um núcleo de Hélio, a carga da partícula alfa é 2+, sua massa é 4, tem alto poder de ionização e baixo poder de penetração. Quando ela é emitida, o número de massa decresce de 4 unidades, e o número atômico diminui 2 unidades, essa é a 1ª Lei da Radioatividade.


Raios betas (β)

São as radiações que sofreram grandes desvios para o lado positivo do campo elétrico, por serem negativas, ou seja, é um elétron de alta energia que, quando ela é emitida, o número atômico (Z) sofre desintegração: aumenta de 1, enquanto o número de massa (A) não se altera. Essa é a 2ª Lei da Radioatividade. Essa radiação tem baixo poder de penetração, sua massa é desprezível sendo 1/1836.

Na realidade, o elétron não existe no núcleo do átomo, ele se forma a partir da reação de decaimento de um nêutron. Por esta emissão não alterar as massas atômicas, originam-se átomos isóbaros.

*nêutron = próton + elétron +neutrino

Importante citar que o próton permanece no núcleo devido à sua grande massa.


Raios gama (γ)

São radiações que não sofreram desvio, isto é, são radiações eletromagnéticas de alta energia, cuja emissão não é acompanhada de qualquer variação de Z ou A, do núcleo que se desintegra, tem alto poder de penetração, enquanto seu poder de ionização é nulo. Poder de ionização é a capacidade de arrancar elétrons das moléculas, transformando-as em íons.

Os nuclídeos radioativos usados no tratamento de câncer, hoje evitados por causa do alto custo do elemento Cobalto 60, este é emissor de partículas beta e gama, esta radiação é dirigida para o tecido maligno para destruí-lo. Em casos de câncer de tireoide, o Iodo radioativo pode ser ingerido, considerando que este se concentra na glândula e a destrói, sem efeito no resto do organismo.

A transformação de um átomo em outro é denominada transmutação. É uma reação nuclear, pois ocorre alteração no núcleo do átomo. A reação química afeta a eletrosfera, os isótopos do mesmo elemento apresentam propriedades químicas iguais. A reatividade química depende do tipo de composto do elemento (ex.: o H na água apresenta propriedades diferentes do H no Hidróxido de Sódio, NaOH), e as energias envolvidas nessas reações são desprezíveis se comparado com processos nucleares, embora fique claro que existam.

Já na reação nuclear, os elementos são transformados em outros, os isótopos radioativos têm propriedades diferentes, como a estabilidade; os elementos radioativos são sempre radioativos, independente do composto em que está inserido; quanto à energia, suas reações liberam enormes quantidades, a esse fato atribui seus usos na fabricação de bombas e na Energia Nuclear.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Um perigo a mais do Sol

A luz visível, além da radiação ultravioleta, também pode causar câncer de pele
GILBERTO STAM | ED. 227 | JANEIRO 2015

Esta é uma má notícia para quem gosta de tomar sol, mesmo que besuntado com protetor solar. Os filtros disponíveis no mercado protegem contra os efeitos da radiação ultravioleta, invisível ao olho humano, mas não evitam os danos causados pela luz visível. E esses danos podem ser intensos. Um estudo realizado por pesquisadores de São Paulo e do Paraná acaba de demonstrar que a luz visível também pode causar câncer de pele, o mais frequente no Brasil, que corresponde a 25% dos casos de tumores malignos, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer.

Maurício Baptista, bioquímico da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do estudo, não chega a se surpreen-der com esse resultado, publicado em novembro de 2014 na revista PLoS ONE. É que, do ponto de vista físico, a luz que o olho humano enxerga e os raios ultravioleta (UV) têm a mesma natureza. Ambos são a mesma forma de energia, a radiação eletromagnética, que de acordo com a intensidade recebe diferentes nomes – raios gama, raios X, luz visível, radiação infravermelha. “Para a pele, a divisão entre luz visível e invisível é arbitrária”, afirma Baptista, que é professor do Instituto de Química da USP e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Processos Redox em Biomedicina (INCT-Redoxoma).

Ele e sua equipe demonstraram que a luz visível pode causar danos no material genético (DNA) das células de modo indireto ao interagir com a melanina. Esse pigmento escuro, responsável pela coloração da pele, absorve parte da energia da luz visível e a transfere para moléculas de oxigênio, gerando formas altamente reativas – o chamado oxigênio singlete. Essa molécula de oxigênio excitado, por sua vez, reage com moléculas orgânicas, como o DNA, e as deteriora. Quando esse tipo de dano afeta um gene regulador da proliferação celular, a célula pode começar a se multiplicar descontroladamente, originando um câncer.
Esse resultado pode ajudar a entender melhor a origem de algumas formas de câncer de pele. “A contribuição do grupo, bastante rigorosa em termos científicos, ajuda a compreender os perfis de mutações que encontramos em melanomas humanos, nos quais frequentemente se observam evidências de eventos de oxidação do DNA”, diz Roger Chammas, professor da Faculdade de Medicina da USP e pesquisador do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. “Antes esses eventos eram atribuídos à radiação UVA, mas, agora, como se mostrou, também podem ser efeito da luz visível.”

O mecanismo produtor dessas moléculas mais reativas registrado pelo grupo de Baptista confirma o papel duplo desempenhado pela melanina: esse pigmento protege a pele dos danos causados por certos tipos de luz, mas facilita os provocados por outros. Assim como o experimento atual, trabalhos anteriores já haviam revelado que a exposição aos raios ultravioleta tipo B (UVB) fazia os melanócitos, células produtoras de melanina, aumentarem a síntese do pigmento. Também haviam mostrado que uma proporção maior dessas células sobrevivia a essa forma de radiação. A taxa de mortalidade, porém, era muito mais elevada quando células mais pigmentadas eram submetidas à radiação ultravioleta tipo A (UVA), algo semelhante ao que aconteceu agora sob a luz visível.
A proteção que a melanina oferece contra os raios UVB, porém, não é suficiente para evitar o câncer de pele. Essa forma de radiação, associada à queimadura de sol, resposta inflamatória aguda à exposição excessiva à luz solar, foi a primeira que se demonstrou poder causar câncer. Ela penetra pouco na pele, mas o que não é absorvido pela melanina atinge diretamente o DNA – em especial dos melanócitos –, podendo danificá-lo e causar uma forma rara e muito agressiva de câncer: o melanoma, que é mais comum em adultos com tez clara e representa 4% dos tumores de pele malignos no Brasil.

Já a radiação UVA, que assim como a luz visível causa lesões no DNA por meio da produção de formas excitadas e mais reativas de oxigênio, penetra mais profundamente. Na década de 1980 se descobriu que os raios UVA provocavam outra forma de câncer – chamado de não melanoma, mais comum a partir dos 40 anos –, com origem nas chamadas células basais ou escamosas. Tempos depois da comprovação dos efeitos danosos dos raios UVA e UVB a indústria farmacêutica desenvolveu compostos que bloqueiam essas duas faixas de radiação com eficiência. Mas agora começa a se constatar que isso pode não ser suficiente. “Os filtros protegem apenas contra os raios ultravioleta, por isso a informação de que protegem a pele está incompleta”, explica Baptista. “Um aspecto importante é a regulamentação das embalagens e da propaganda, para não passar informação enganosa.” Essa, aliás, é uma questão relevante que costuma demorar a ser resolvida. Baptista lembra o caso da radiação UVA. Embora seu efeito danoso tenha sido comprovado há cerca de 30 anos, só em 2013 os fabricantes foram obrigados a especificar nas embalagens se o produto protegia contra um ou os dois tipos de radiação UV.

Baptista obteve os primeiros indícios de que a luz visível também podia ser prejudicial em 2011, em testes mostrando que, ao interagir com a melanina pura ou a melanina dos fios de cabelo, surgia o oxigênio singlete. “A descoberta da ação nociva do UVA algumas décadas atrás quebrou o dogma de que o UVB era a única faixa do espectro solar que causava danos na pele”, conta Baptista. “Agora é necessário quebrar o dogma de que esse efeito nocivo acontece apenas por causa dos raios UV.”

Para demonstrar de forma completa o efeito carcinogênico da luz visível, entretanto, ainda falta ao menos mais uma etapa. É preciso comprovar que a lesão no DNA provocada pela luz visível leva a alterações profundas (mutações) nos genes. “Será necessário fazer testes em animais e depois em seres humanos, mas, se confirmada, essa é uma descoberta importante”, diz João Duprat Neto, cirurgião oncológico e diretor do Núcleo de Câncer de Pele do A. C. Camargo Cancer Center. “É possível que esses dados estimulem o desenvolvimento de protetores de pele mais eficientes.”

Enquanto não surgem protetores que também filtrem a luz visível, a melhor forma de se proteger do câncer de pele é evitar a exposição excessiva ao sol. Mas, só a excessiva, porque há outro fator a ser considerado: a luz solar é fundamental para a pele sintetizar a vitamina D, importante contra a osteoporose e outras doenças dos ossos. Segundo o dermatologista Marco Antônio Oliveira, também do Núcleo de Câncer de Pele do A. C. Camargo, quem tem risco maior de desenvolver câncer de pele deve substituir a exposição ao sol pelo consumo de suplementos de vitamina D, cuja produção cai após os 40 anos com o envelhecimento da pele. “É importante lembrar que o uso de filtros solares é fundamental”, diz Oliveira. “Nas novas gerações, mais bem informadas sobre os efeitos do sol e que usam mais os protetores, a incidência de câncer caiu sensivelmente.”

Projetos

1. Fotossensibilização nas ciências da vida (nº 12/50680-5); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Maurício da Silva Baptista (Instituto de Química/USP); Investimento: R$ 3.067.571,88 (FAPESP).

2. Redoxoma (nº 13/07937-8); Modalidade Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid); Pesquisador responsável Ohara Augusto (Instituto de Química/USP); Investimento R$ 20.674.781,25 (para todo o projeto) (FAPESP).

Artigo científico

CHIARELLI NETO, O. et al. Melanin photosensitization and the effect of visible light on epithelial cells. PLoS ONE. 18 nov. 2014.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Danos da radioatividade

Tecidos animais de antigos experimentos podem ajudar a compreender níveis de radiação prejudiciais

Alison Abbott
 
©Iaroslav Neliubov/ Shutterstock

A cidade de Ozersk, nos Urais do Sul, na Rússia, esconde relíquias de um massivo experimento secreto. Do início dos anos 50 até o fim da Guerra Fria, cerca de 250 mil animais foram sistematicamente irradiados. Algumas doses eram altas o bastante para matar instantaneamente; outras eram tão baixas que pareciam inofensivas. Depois que animais  como camundongos, ratos, cães, porcos e macacos morriam, os cientistas dissecavam os tecidos para observar os danos que a radioatividade havia provocado. Temendo um ataque nuclear por parte dos Estados Unidos, a União Soviética queria entender como a radiação danifica tecidos e produz doenças como o câncer. Preocupações com acidentes locais como o desastre de 1957 na usina nuclear Mayak, perto de Ozersk, eram outra motivação. Amostras semelhantes de tecidos irradiados foram feitas nos Estados Unidos, Europa e no Japão, onde quase meio bilhão de animais foi sacrificado com esse fim. Com o fim da Guerra Fria essas coleções foram abandonadas.

Agora essas amostras se tornaram importantes para uma nova geração de radiobiólogos, que querem explorar os efeitos de doses extremamente baixas de radiação – abaixo de 100 milisieverts (mSv – unidade de medida que avalia os efeitos da radiação absorvida pelo organismo) –, normalmente utilizadas em procedimentos médicos como diagnósticos por tomografia computadorizada. Outro interesse dos pesquisadores é analisar os riscos aos quais as pessoas que vivem perto dos reatores nucleares danificados de Fukushima, no Japão, estão expostas.

As velhas coleções fornecem um recurso que não poderia ser recriado hoje. A maioria dos experimentos foi feita sob condições precisas, com várias de doses de radiação e geralmente por toda a vida dos animais. “Nós nunca conseguiremos repetir a escala desses experimentos, por razões éticas e de financiamento”, observa Gayle Woloschak, radiobiólogo da Northwestern University, em Illinois. “Mas talvez possamos reutilizar os tecidos restantes”, completa.

Nos últimos anos, pesquisadores do mundo todo organizaram um movimento para identificar e resgatar tecidos dos maiores experimentos de irradiação animal e receberam suporte de diversos tipos de agências de financiamento, incluindo a Comissão Européia, o Instituto Nacional do Câncer e o Departamento de Energia dos Estados Unidos.

Ainda assim, os desafios são grandes. Os pesquisadores devem mostrar que a idade das amostras e as técnicas de preservação usadas não afetaram o DNA, o RNA e as proteínas. Além disso, eles têm que juntar esses dados moleculares para revelar se os circuitos celulares são destruídos em baixas doses de radiação. Testes iniciais indicam que algumas das amostras serão utilizáveis.
Reservatórios de radiação

Quando os sobreviventes das bombas nucleares de Hiroshima e Nagasaki e os trabalhadores contaminados de Mayak começaram a desenvolver doenças cardiovasculares a taxas acima do normal, ficou claro que a radiação faz mais do que “apenas” provocar câncer. O que não se sabe é se – e como – doses muito baixas de radiação podem aumentar riscos à saúde. Os biólogos geralmente supõem que o dano será proporcional à dose, mas estudos in vitro mostraram que as células conseguem restaurar danos modestos no DNA prouzidas por radiação – e que baixas doses de radiação podem até mesmo proteger o organismo contra exposições futuras.

“Talvez haja um limiar abaixo do que a radiação não seja nociva”, observa Wolfgang Weiss, diretor de proteção e saúde radioativa no Escritório Federal para Proteção contra Radiação da Alemanha, em Munique. Estudos epidemiológicos em pessoas expostas à radiação não trouxeram maiores explicações sobre o assunto. Algumas das pesquisas tinham um número muito baixo de pessoas estudadas para detectar o que poderia ser um pequeno aumento na incidência da doença; em outras não ficou claro qual a dose recebida. Assim, ainda que agências de proteção radioativa normalmente limitem a exposição ocupacional (na indústria nuclear, por exemplo) a uma média de 20 mSv por ano, os cientistas não têm dados adequados para afirmarem qual nível de radiação, se é que existe algum, é realmente seguro.

Em fevereiro de 2007, a busca para encontrar esses tecidos levou Soile Tapio a um dos antigos centros de pesquisa nuclear da Alemanha, o Helmholtz Centre Munich. Soile estava participando do programa “Promoção dos Arquivos Europeus de Radiobiologia” (ERA-PRO, em inglês), parte de um esforço desde 1996 para digitalizar os dados dos experimentos com radiação feitos na Europa. Em 2006, o diretor do programa de irradiação animal do Instituto Biofísico dos Urais do Sul (Subi), em Ozersk, alertou Soile sobre os diversos foco dos estudos que ocorriam ali. Ela não sabia exatamente o que esperar quando se pôs a caminho com sua pequena delegação da ERA-PRO.
Proibido

Alguns meses foram necessários para receber a aprovação da Rússia para visitar a cidade fechada de Ozersk. Depois de um longo voo, uma viagem de carro de três horas e uma demorada autorização de segurança, um pequeno grupo de cientistas idosos levou a equipe até uma casa abandonada com furos no teto e janelas quebradas. Lâminas de vidro e cadernos de laboratório jaziam espalhados pelo chão de algumas salas. Mas outras, aquecidas, continham caixas de madeira com lâminas e blocos de cera em sacos plásticos. Em seus tempos de glória o programa tinha mais de 100 funcionários. Quando foi abruptamente fechado durante a Guerra Fria, apenas quatro ou cinco pessoas foram incumbidas de cuidar do material produzido. Os visitantes ficaram impressionados ao descobrir que esses cientistas podiam ligar todas as amostras, de 23 mil animais, a protocolos detalhados de experimentos individuais. “Os cientistas ficaram muito felizes com o fato de alguém finalmente reparar nas coleções”, descreve Soile. “Eles me disseram várias vezes que queriam deixá-las em ordem antes de morrer”.

Enquanto isso, outra operação de resgate de tecidos estava sendo feita nos Estados Unidos. Na metade da década de 90, Gayle trabalhou nas amostras de 7 mil cães (beagles) e 50 mil ratos que haviam sido irradiados em experimentos no Laboratório de Pesquisa Argonne, em Illinois, entre 1969 e 1992. Depois de se mudar para a Northwestern, ela descobriu que as amostras estavam sendo jogadas fora e conseguiu permissão do Departamento de Energia para armazená-las.

A Northwestern University atualmente é o lar de materiais provenientes de todos os estudos sobre irradiação animal dos Estados Unidos e Gayle estima que já recebeu 20 mil amostras. Ela descobriu também que muitos  tecidos já foram destruídos, incluindo os de estudos feitos com ratos, no Laboratório Nacional Oak Ridge, no Tennessee, e os realizados com cães, na University of California. Coleções também foram destruídas em outros locais, incluindo os feitos pela Universidade de Hiroshima, no Japão, pela Agência Nacional de Novas Tecnologias, Energia e Desenvolvimento Econômico Sustentável em Casaccia, na Itália, e no complexo do Conselho de Pesquisas Médicas do Reino Unido.

Os cientistas sabem que colocar as mãos nos antigos tecidos será apenas o primeiro desafio: depois disso eles precisam descobrir se as biomoléculas dos materiais ainda podem ser detectadas e medidas. Eles querem identificar e analisar as rotas moleculares atingidas por pequenas doses de radiação para ver como as células de diferentes tecidos se adaptam – ou não – ao estresse, e como isso pode colocá-las no caminho das doenças. Eles também querem descobrir os padrões de moléculas podem ajudar a determinar quanta radiação uma pessoa recebeu ou por que ela é particularmente suscetível a doenças induzidas por radiação.

O trabalho de Gayle, feito em 1990 no velho laboratório Argonne, traz alguma esperança. Ela descobriu, por exemplo, que ao usar a técnica de reação em cadeia de polimerase ela poderia detectar mutações ou reorganizações em genes específicos. Soile, enquanto isso, adaptou técnicas proteômicas padrão de modo que pudessem ser aplicadas a alguns dos tecidos mais velhos. Além disso, vários grupos estão estudando se micro-RNAs – que ajudam a controlar a expressão de genes e são relativamente estáveis – estão presentes nas amostras.

Os cientistas agora estão prontos para aplicar esse trabalho sistematicamente aos tecidos restantes: Soile está prestes a começar a trabalhar com tecidos cardíacos aplicados em parafina dos antigos estudos russos e americanos. Ela quer identificar quaisquer sinais de danos que possam explicar a elevada incidência de doenças cardiovasculares em sobreviventes de bombas nucleares. “Os cientistas que fizeram essas pesquisas procuravam câncer, mas podemos buscar outras doenças que sabemos ser relevantes”, ressalta ela.

Os estudos podem, no entanto, identificar outras respostas moleculares. “A resposta das células ao estresse causado por qualquer dose de radiação é uma rede complexa de atividades que provavelmente afeta muitas rotas moleculares”, explica Soile. Os radiobiólogos esperam que o limiar da dose “segura” varie entre tecidos e espécimes diferentes.

De qualquer forma, os tecidos em Ozersk foram colocados em ordem, como esperavam seus antigos guardiões. Eles logo se mudarão para um prédio de armazenamento de última geração que está sendo construído no campus Subi, junto com tecidos humanos dos trabalhadores de Mayak expostos a radiação. Os tecidos animais, esperam os pesquisadores, passarão por uma nova fase – dessa vez em palco internacional.

domingo, 9 de outubro de 2011

Preservação da Camada de Ozônio

Hoje é considerado o dia internacional desta camada que protege o planeta da radiação ultravioleta nociva

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Há exatos 24 anos, num dia 16 de setembro, 46 países assinaram um documento chamado Protocolo de Montreal, no qual se comprometiam a parar de fabricar o gás clorofluorcarbono (CFC), então apontado como o maior responsável pela destruição da camada de ozônio na estratosfera. Por conta disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou a data como Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio.

De 1987 para cá, estabeleceu-se também regras para a eliminação gradual de quase 100 substâncias que destroem a camada de ozônio. Tanto que em 2007 foram adotados os últimos ajustes para isso, de forma a acelerar a eliminação de hidroclorofluorcarbonetos ou os chamados HCFCs.

Mas infelizmente, mesmo com a queda do consumo de CFC em 76% no mundo todo, índice observado entre os anos de 1988 e 1995, o gás ainda continua a ser comercializado no mercado negro, movimentando entre 20 e 30 mil toneladas/ ano. Amplamente utilizado na indústria, esse gás é encontrado, principalmente, nos aparelhos de ar-condicionado, chips de computadores, embalagens plásticas, espumas plásticas, inseticidas, geladeiras e líquidos em forma de sprays. Em resumo: é sempre tempo de eliminá-lo.
Na página do Centro de Informação das Nações Unidas (UNIC), no Rio de Janeiro, uma mensagem do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reforça que a eliminação dos HCFCs é uma oportunidade única que se apresenta ao planeta. “Os HCFCs são substâncias destruidoras do ozônio e poderosos gases de efeito estufa: o HCFC mais usado é quase duas mil vezes mais potente que o dióxido de carbono na contribuição para o aquecimento global”, disse. “Ao concordar em acelerar a eliminação dos HCFCs, as Partes do Protocolo de Montreal aumentaram suas já substanciais contribuições para proteger o sistema climático global”.
Em sua mensagem, Ban Ki-moon diz que a eliminação dos HCFCs “oferece aos países e indústrias uma oportunidade única para adquirir tecnologias de ponta que não apenas eliminam compostos de destruição do ozônio, mas o fazem de um modo que diminuem os custos energéticos e maximizam os benefícios do clima. Para facilitar esta transição nos países em desenvolvimento, o Mecanismo Financeiro do Protocolo de Montreal está oferecendo um fundo cada vez maior”.
Só para entender

O ozônio, um gás azul pálido (altamente oxidante e reativo), é formado por três átomos de oxigênio concentrado: o O3. Sua característica principal é a de se quebrar facilmente, transformando-se em O2. Ou seja, torna-se oxigênio comum e perde a propriedade de deter a radiação solar nociva ao homem. Um dos responsáveis por essa "quebra", é o clorofluorcarbono (CFC).
Esse gás é também leve e se formou na estratosfera (a 20 e 35 quilômetros de altitude) há cerca de 400 milhões de anos. Sua camada não é só ameaçada pelo uso do CFC. O brometo de metila, por exemplo, é outro componente perigoso. Usado como inseticida nas plantações de morango e tomate, também age na camada, provocando o "efeito estufa". 
A expressão "efeito estufa" vem sendo usada erroneamente ao falar apenas da destruição da camada de ozônio que envolve o planeta. Na verdade, a camada de ozônio já é o efeito estufa, só que no sentido positivo, de manter a terra numa temperatura fresca, agradável. O problema é que certas atividades humanas produzem alguns "gases de efeito estufa" negativos: o dióxido de carbono, por exemplo, que sai dos canos de descarga dos carros. 

Faça a sua parte 
Para ajudar a proteger a Terra e evitar que a camada de ozônio se dissipe da estratosfera, algumas medidas podem ser tomadas pelos seres humanos, a saber:
- Quando possível, trocar os eletrodomésticos antigos por modernos, que já possuem meios de economizar energia, emitindo menos gases para a estratosfera.
- Preferir os produtos brasileiros em que se lê a palavra “clean” gravada, o que indica que não contêm clorofluorcarbono (CFC).
- Caminhar, andar de bicicleta, utilizar transporte de massa, reutilizar, reciclar, plantar árvores para ter mais sombra, pintar as casas de cores claras nos países quentes e de cores escuras nos países frios, atitudes que, em larga escala, economizam energia e, conseqüentemente, evitam as emissões de todos os tipos de gases na atmosfera.

 Leia mais: "Degelo no Ártico"

terça-feira, 5 de abril de 2011

Iodo radioativo no mar de Fukushima supera 5 milhões de vezes o limite

Níveis de radiação acima do permitido são encontrados em peixes a 80 km da usina nuclear

05 de abril de 2011 | 9h 22
TÓQUIO - A empresa Tepco informou nesta terça-feira que na água do mar nas proximidades da usina nuclear de Fukushima foi detectado nível de iodo radioativo cinco milhões de vezes superior ao limite legal, enquanto o césio-137 apresenta índice 1,1 milhão de vezes maior.
Uma amostra recolhida no início de segunda-feira em uma área marinha próxima ao reator 2 de Fukushima revelou uma concentração de iodo-131 de 200 mil becquerels por centímetro cúbico.
As análises também mostraram que a presença de césio-137 superava o limite legal em 1,1 milhão de vezes, segundo fontes da Tepco citadas pela emissora pública de televisão "NHK".
Enquanto o iodo-131 tem vida média relativamente breve, de oito dias, o período de semidesintegração do césio-137 é de 30 anos.
No sábado, a concentração de iodo-131 era ainda maior, de 300 mil becquerels por centímetro cúbico, equivalente a 7,5 milhões de vezes o limite legal, segundo a Tepco.
Os técnicos que trabalham em Fukushima tentam determinar as vias pelas quais chega ao mar a água radioativa, que se acredita que pode provir do núcleo do reator 2.
Várias áreas das unidades 1, 2 e 3 de Fukushima estão inundadas com água muito contaminada, o que dificulta seriamente os esforços dos operários para tentar resfriar os reatores atômicos, danificados pelo terremoto e o devastador tsunami de 11 de março.
Nesta segunda-feira, a Tepco deu início a uma operação para verter ao mar 11.500 toneladas de água com uma radioatividade relativamente baixa (100 vezes superior ao limite) proveniente de depósitos e dos porões das unidades 5 e 6.
O objetivo é deixar espaço nesses locais para armazenar parte da água muito mais radioativa (até 100 mil vezes o limite legal) que alaga parte das unidades 1, 2 e 3.
Calcula-se que cerca de 60 mil toneladas de água inundam diferentes zonas da central, segundo indicou nesta terça-feira o ministro de Indústria japonês, Banri Kaieda, que insistiu que o vazamento controlado de água ligeiramente contaminada ao mar não representa um risco para a saúde.
Uma vez drenada, a água altamente radioativa será armazenada em tanques e depósitos para lixo nuclear na própria usina, além de em navios dos Estados Unidos e em uma plataforma flutuante que será levada a Fukushima no final deste mês, segundo a agência local "Kyodo".
Peixes contaminados
Autoridades japonesas informaram nesta  que terça encontraram níveis altos de materiais radioativos em peixes a 80 quilômetros da usina nuclear Daiichi, em Fukushima. A radiação elevada já havia sido encontrada em alguns produtos como leite e vegetais no Japão.
Segundo a Prefeitura de Ibaraki, duas amostras de pequenos peixes chamados konagos, pescados em áreas diferentes perto da costa do Oceano Pacífico, em Ibaraki, norte do país, continham níveis de material radioativo acima do permitido.

A descoberta anunciada hoje é a primeira indicação clara de contaminação dos peixes e levanta temores de que a água radioativa da usina ameace a vida marinha, que é uma importante fonte de alimentação para o país.

Em uma amostra coletada em 1º de abril, uma cooperativa de pesca local detectou 4.080 becquerels (unidade de medida de radioatividade) por quilo de iodo radioativo. Hoje, o governo japonês estabeleceu um limite de 2 mil becquerels por quilo para os peixes, o mesmo nível permitido em vegetais.
Em outra amostra coletada ontem, foram detectados 526 becquerels de césio por quilo de peixe. O valor ultrapassa o limite de 500 becquerels por quilo desse componente.
O ministro de Agricultura e Pesca japonês, Michihiko Kano, assegurou hoje que se estreitarão os controles sobre os produtos marítimos da região de Fukushima e das províncias contíguas pelo contínuo vazamento de água radioativa ao mar.
As inspeções serão reforçadas na região de Ibaraki e também no litoral próximo à cidade de Choshi, na província de Chiba, disse o ministro, citado pela "Kyodo".



terça-feira, 15 de março de 2011

Saiba que elementos radioativos podem causar riscos de contaminação no Japão

 

OSLO - Os riscos à saúde provenientes da contaminação pelos reatores nucleares atingidos pelo terremoto no Japão até agora são baixos, segundo a Organização Mundial de Saúde. Até agora Tóquio luta para evitar um colapso de três reatores atingidos na usina de Fukushima, no pior acidente nuclear desde o desastre de Chernobyl de 1986, desencadeado pelo tsunami da última sexta-feira. Como precaução cerca de 140 mil pessoas foram evacuadas da área.

- Não é um problema grave de saúde pública no momento, não será como Chernobyl. Naquela ocasião, o reator estava operando na potência máxima quando explodiu e não houve contenção - disse o secretário do Comitê Científico de Efeitos de Radiação Atômica da ONU, Malcolm Crick.

Houve, no entanto, vazamento de material radioativo na atmosfera em forma de vapor: partículas radioativas mortais em grandes quantidades, conhecidas como radioisótopos - versões de um elemento com uma configuração no seu núcleo que o torna instável e, por isso, frequentemente se deteriora e libera radiação.
Entre os elementos mais comuns no vazamento de vapor de água do reator japonês estão o iodine-131, o césio-137 (o mesmo do acidente radioativo em Goiânia na década de 80, que deixou centenas de vítimas), o xenon-133, o xenon-135 e o krypton-85.

Desses, o mais problemático é o iodine-131, que pode ser absorvido pela tireóide quando inalado, causando câncer e leucemia. Gases como krypton-85 e xenon-133 não interagem com ossos ou tecidos mas são altamente instáveis e podem causar outros danos ao organismo.

Enquanto a radiação medida estava mil vezes acima dos níveis normais em uma sala de controle do reator, os oficiais japoneses insistem em que os níveis de exposição fora do estabelecimento não são muito perigosos. Mesmo assim, os moradores foram orientados a beber água engarrafada, permanecer em ambientes fechados e a proteger seus narizes e bocas. Como precaução ao iodine-131, serão distribuídas pílulas de iodeto de potássio, que satura a tiróide com uma forma estável de iodo antes de o mais perigoso isótopo ser absorvido.

 

Entenda o vocabulário atômico

 Veja abaixo uma lista de palavras e expressões usadas no vocabulário atômico.

FUSÃO DO NÚCLEO: É uma avaria grave do núcleo do reator devido a um superaquecimento. A fusão do núcleo ocorre quando uma falha grave no sistema da central impede a refrigeração adequada. Sem esse resfriamento, os suportes que contêm o combustível nuclear se aquecem até chegar a um derretimento. Essa situação gera um perigo enorme, pois acarreta o risco de que o material radioativo (o combustível nuclear) seja expelido para a atmosfera. Além disso, a fusão deixa o reator instável.

REATOR NUCLEAR: Instalação em que se inicia, se mantém e se controla uma reação nuclear em cadeia. Existem dois tipos: o reator (nuclear) de água a pressão, que é um reator refrigerado com água natural a uma pressão superior à da saturação, para impedir a ebulição; e o reator de água em ebulição, resfriado com água natural que é levada a ferver no núcleo, em grande quantidade.

CONTENÇÃO: É a estrutura que envolve o núcleo, construído com paredes de concreto armado e aço.

VASO DE PRESSÃO: Recipiente que contém o núcleo de um reator nuclear, com cápsulas de combustível, refletor (que reduz o escapamento de nêutrons, aumentando a eficiência do reator), água radioativa e parte do refrigerador, entre outros.

VARETA DE COMBUSTÍVEL: Invólucro que contém as barras de combustível. É um recipiente hermético que abriga o combustível nuclear. Impede a saída dos produtos da fissão e garante a resistência mecânica que assegura a integridade do combustível. É localizada no interior do vaso de pressão.
BARRAS DE COMBUSTÍVEL: É o combustível nuclear disposto em forma de barra, formado por pastilhas; situada no interior da vareta.

FUSÃO NUCLEAR: Reação entre núcleos de átomos leves que resulta em formação de outro núcleo, mais pesado. O processo é acompanhado da emissão de partículas elementares e energia.

FISSÃO NUCLEAR: Reação nuclear na qual ocorre a ruptura de um núcleo pesado, geralmente originando dois fragmentos cujos tamanhos são da mesma ordem de magnitude. Nesse processo, executado rotineiramente em usinas nucleares, são emitidos nêutrons e é liberada grande quantidade de energia.

CIRCUITO DE REFRIGERAÇÃO EXTERNO: Circuito de água que se extrai de uma fonte natural, usado para condensar o vapor de água uma vez que esse movimentou a turbina (de forma semelhante à de qualquer outra central térmica de carvão, óleo combustível ou gás). A água, que nunca entra em contato com o combustível nuclear, é devolvida ao rio, à barragem ou ao mar, a uma temperatura superior à que foi extraída.
Veja como funciona o reator nuclear - Editoria de Arte
Fonte: http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/03/14/entenda-vocabulario-atomico-924005491.asp