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quinta-feira, 12 de junho de 2014

ICMBIO APROVA PLANO DE AÇÃO PARA A CONSERVAÇÃO DO TATU-BOLA

A espécie está ameaçada de extinção. Anúncio foi feito no Dia da Biodiversidade (22)
tatubola
Lorene Lima e Nara Souto
ascomchicomendes@icmbio.gov.br

Brasília (23/05/2014) – O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) aprovou nesta quinta-feira (22), durante a cerimônia de comemoração ao Dia Internacional da Biodiversidade, em Brasília, o Plano de Ação Nacional (PAN) para preservação do tatu-bola. A oficina de trabalho para a elaboração do PAN foi realizada entre 12 e 16 de maio na Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Serra das Almas, em Crateús, Ceará.

Saiba mais sobre a cerimônia de comemoração
A intenção é diminuir o risco de extinção de duas espécies do gênero Tolypeutes, ordem a que pertence o tatu-bola, conhecidas como T. Tricinctus (tatu-bola-do-Nordeste) e T. Matacus (tatu-bola-do-Centro-Oeste). A meta é levar o T. Tricinctus, atualmente classificado como "Em Perigo", para a categoria "Vulnerável". Essa espécie vive exclusivamente no Brasil, na caatinga ou cerrado, e está ameaçada de extinção. Já o T. Matacus habita o Pantanal e áreas vizinhas de cerrado, porém é mais comum em outros países. Com o PAN, esta espécie será melhor estudada, uma vez que encontra-se na categoria "Dados Insuficientes" por falta de informações em solo brasileiro.
Para atingir a meta, foi criado um Grupo de Assessoramento Estratégico e estabelecidas 38 ações. "Em cinco anos, o objetivo é que a gente consiga diminuir esse grau de ameaça", afirmou a coordenadora-substituta de Planos de Ação do ICMBio (COPAN), Marília Marini.

A elaboração do PAN Tatu-bola foi coordenada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio), com o apoio da ONG Associação Caatinga e do Grupo Especialista em Tatus, Preguiças e Tamanduás. Outras 15 instituições, entre universidades, órgãos estaduais e federais do meio ambiente, também participaram da elaboração dos planos, que terão coordenação executiva da Associação Caatinga e serão acompanhados pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação do Cerrado e Caatinga (Cecat) e pela Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas (CGESP).

O Tatu-bola ganhou esse nome por fechar-se completamente, formando uma bola, para se defender de predadores. Essa característica fez com que a espécie fosse escolhida como mascote para a Copa do Mundo 2014, mas isso não diminui o risco de extinção. "A pressão para o tatu-bola nesses últimos anos foi muito grande. Ele perdeu 50% do seu habitat natural. Já havia a necessidade de criar um plano de ação e esse é um momento em que ele ganha visibilidade por conta do Mundial. A ideia foi aproveitar essa oportunidad", acrescentou Marília Marini.
Planos de Ação Nacional
Os PANs são instrumentos de gestão para troca de experiências entre entidades com o intuito de buscar novas ações para conservação da biodiversidade. Assim, é possível reunir e potencializar os esforços para a preservação do meio ambiente. "O Plano de Ação é uma ferramenta definida pelo governo brasileiro a partir do Programa Pró-Espécie. Ele soma a integração de esforços, identificação de lacunas e orientação para que a gente tenha um sucesso maior na conservação de espécies. É um pacto de ações entre diferentes parceiros e instituições", afirmou o Coordenador Geral de Manejo para Conservação do ICMBio (CGESP), Ugo Vercillo.

Saiba mais sobre o Pró-Espécie

As etapas para elaboração de um Plano de Ação consistem em organizar e analisar todas as informações apuradas para identificar as ameaças e os atores. Nesse processo, são apontados os objetivos, metas e ações que irão promover mudança do risco de extinção dos animais. O trabalho de elaboração, monitoria e revisão é instituído pela Instrução Normativa ICMBio nº25/2012, com base no planejamento estratégico que estabelece um método simples a ser aplicado em todos os níveis taxonômicos ou geográficos. Cabe aos Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação do ICMBio coordenar todo o processo de elaboração e implementação dos PANS, conforme estabelecido na Portaria ICMBio n° 78/2009, sob a supervisão da Coordenação-geral de Manejo para a Conservação. O Instituto conta ainda com o apoio do Projeto PROBIO II/MMA.

Após o diagnóstico das ameaças, são definidos quais instrumentos de gestão deverão ser aplicados ou otimizados. As ações abrangem objetivamente a interferência em políticas públicas, desenvolvimento de conhecimentos específicos, sensibilização de comunidades e controle da ação humana para combater as ameaças. São medidas adotadas nos PAN: a criação e implementação de unidades de conservação, regularização fundiária, licenciamento e compensação ambiental, pesquisa aplicada, conservação ex-situ - fora do lugar de origem - educação ambiental, fiscalização, recuperação de áreas degradadas e projetos de usos sustentáveis dos recursos naturais.
Confira a Portaria 56, de 22 de maio de 2014.
Confira a lista de 77 espécies que saíram da lista de ameaçadas de extinção, clicando aqui

sábado, 22 de março de 2014

Estruturas promissoras

Base de dados de compostos químicos da biodiversidade brasileira ganha reconhecimento
FABRÍCIO MARQUES | Edição 217 - Março de 2014
© LUANA GEIGER
A primeira base de dados sobre compostos químicos naturais extraídos da biodiversidade brasileira começa a despertar a atenção de pesquisadores de várias partes do mundo. Batizada de NuBBE Database, ela oferece informações sobre 640 substâncias, desde as principais propriedades  físico-químicas e biológicas até a estrutura tridimensional dos compostos, informações essenciais para pesquisadores e empresas que atuam em química medicinal. O acervo, disponível na internet, reúne o conhecimento gerado em 15 anos de pesquisas do Núcleo de Bioensaios, Biossíntese e Ecofisiologia de Produtos Naturais (NuBBE) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara. “O nível de detalhes das informações diferencia a nossa base de produtos naturais de outras existentes no mundo”, diz Vanderlan Bolzani, professora do Instituto de Química (IQ) da Unesp em Araraquara e coordenadora do núcleo, referindo-se a grandes bases como a Napralert, que tem mais de 200 mil compostos, ou a NPact, com cerca de 1.500 compostos naturais com alguma atividade anticâncer.
 
“As bases de produtos naturais trazem informações sobre ocorrência de espécies, hábitat, algumas propriedades físico-químicas e estrutura dos compostos, mas nem sempre disponibilizam outros descritores moleculares que correlacionam a estrutura molecular à atividade biológica e que são essenciais para a pesquisa em química medicinal. A nossa acrescenta, além das propriedades físico-químicas usuais sobre cada molécula, dados importantes como solubilidade, ligações de hidrogênio, volume molecular, cálculo teórico de coeficiente de partição, violação da regra de Lipinski, entre outras, fundamentais para que que uma substância natural alcance o estágio de protótipo”, diz. Esse conjunto de propriedades ajuda a definir o uso do composto em etapas mais avançadas do planejamento de novos fármacos. São informadas, ainda, a espécie a partir da qual a substância foi isolada e o local onde ela ocorre. “Os dados são importantes também para a pesquisa acadêmica em biodiversidade. Se eu consigo correlacionar uma distribuição fitogeográfica em alguma região de mata atlântica ou do cerrado com as classes de substâncias que um conjunto de espécies produzem, temos um dado muito valioso para o avanço do conhecimento, por exemplo, de quimiotaxonomia, ecofisiologia, ecologia química ou de políticas públicas, como a preservação de espécies ricas em constituintes químicos de valor agregado”, afirma Vanderlan.
A base de dados do NuBBE é integrada por 80% de compostos isolados de plantas, 6% de fungos ou microrganismos, 7% de compostos sintéticos inspirados em produtos naturais, 5% de compostos semissintéticos e 2% de produtos de biotransformação (modificados por enzimas).

O lançamento da base foi divulgado em 2013 no Journal of Natural Products, um dos mais importantes da área, ligado à American Chemical Society. O artigo foi mencionado na webpage dos National Institutes of Health dos Estados Unidos como uma das publicações mais relevantes sobre produtos naturais de 2013. Em novembro, a base foi apresentada com destaque num artigo sobre bases de dados de produtos químicos na revista Drug Discovery Today, periódico consagrado na área de descoberta de fármacos. A base Zinc, a maior do mundo em química medicinal, com mais de 35 milhões de compostos, sediada no Departamento de Química Farmacêutica da Universidade da Califórnia em São Francisco, agora tem um cruzamento (cross link) com a base do NuBBE, em outro sinal de reconhecimento. “Recentemente, fomos contatados pela Royal Society of Chemistry, do Reino Unido, que sedia  a Chem-Spider, base de dados químicos mundialmente conhecida, com 30 milhões de estruturas de centenas de fontes diferentes”, diz Vanderlan. “A RSC tem interesse em produtos naturais das regiões tropicais e equatoriais e quer inserir nosso acervo na plataforma da Chem-Spider.”

© LUANA GEIGER
A criação da base de dados foi um dos objetivos do projeto de doutorado da bolsista da FAPESP Marilia Valli, sob orientação de Vanderlan, no âmbito do programa Biota-FAPESP (ver Pesquisa FAPESP nº 200). Em 2013 incorporou-se ao Centro de Pesquisa e Inovação em Biodiversidade e Fármacos (CIBFar), um dos 17 Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP, que tem como pesquisador responsável Glaucius Oliva, professor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da Universidade de São Paulo e presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e Vanderlan Bolzani como vice-diretora e um dos pesquisadores principais.

O CIBFar é o sucessor de um Cepid coordenado por Oliva que funcionou entre 2000 e 2011, o Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural, voltado para estudos da estrutura e da função de moléculas de interesse biotecnológico.
O novo Cepid busca aproveitar a experiência do anterior e associá-la ao conhecimento acumulado pelo Nubbe a fim de desenvolver fármacos com base em compostos encontrados na biodiversidade brasileira e também de substâncias sintéticas. “Há estruturas muito interessantes para desenvolver como candidatos a fármacos. A questão agora é associar a informação da base de dados de pesquisa CIBFar com outros projetos afins do programa”, diz Adriano D. Andricopulo, professor do IFSC da USP, coordenador de transferência de tecnologia e um dos pesquisadores principais do CIBFar. “Já realizamos diversos ensaios biológicos contra parasitas e células de câncer, e recentemente com substâncias pesquisadas pelo NuBBE. Buscamos agora caracterizar moléculas de origem natural para servir como modelos alternativos e, depois disso, dar continuidade à pesquisa por meio de colaborações internacionais e no Brasil. Temos essa perspectiva, pois o programa Cepid nos garante investimento de longa duração para fazer pesquisa bem estruturada e de alta qualidade”, diz Andricopulo. A parceria está ajudando a aperfeiçoar as informações da base de dados. “Algumas das propriedades dos compostos são identificadas por meio de cálculos matemáticos.

Com o Cepid, compramos a licença de um software para automatizar esse processo e minimizar erros. Já fizemos várias correções dos dados que foram inseridos”, afirma Vanderlan Bolzani.
Os compostos descritos na base de dados foram identificados ao longo do tempo e publicados em mais de 170 artigos científicos. “A base organizou toda essa informação de certa forma dispersa”, diz Vanderlan. A intenção agora é incorporar novas substâncias identificadas por outros grupos de pesquisadores do país e criar uma base com maior número de substâncias isoladas da biodiversidade brasileira. “Já iniciamos o levantamento de  substâncias de plantas pesquisadas e publicadas por outros grupos do país, com duas bolsistas financiadas pelo CNPq e projeto de pesquisa do Edital Universal aprovado recentemente. Assim, pretendemos ampliar o número de substâncias e de informações para que possamos no futuro ter uma base de dados de produtos naturais do Brasil robusta, com informação organizada útil para todos os interessados nesta área fascinante de pesquisa”, diz a pesquisadora.
© LUANA GEIGER
Segundo Adriano Andricopulo, a expansão da base, com a inclusão de mais compostos da biodiversidade brasileira, é importante para ampliar as possibilidades de pesquisa. “A base de dados tem um caráter inovador de reunir informações e abrir a possibilidade de produzir novos conhecimentos. Se conseguirmos expandi-la, o país terá um papel proeminente nesse tipo de pesquisa”, afirma. “Há vários grupos dos Estados Unidos, da Europa e daqui do Brasil que já usam as informações da base de dados do Nubbe para fazer triagens virtuais de substâncias, usando programas computacionais, um tipo de tecnologia avançada de planejamento de novos fármacos. Creio que dentro de mais algum tempo começaremos a conhecer resultados dessas triagens”, afirma. Bruno Villoutreix, professor da Universidade Paris Diderot e autor principal do artigo na Drug Discovery Today que mencionou o NuBBE, ressalta que bases de dados de compostos químicos com informações fidedignas e precisas são fundamentais para gerar novos conhecimentos e desenhar novas moléculas com finalidades terapêuticas. “É sabido que muitos medicamentos disponíveis no mercado, cerca de 60% deles, são derivados de produtos naturais ou inspiraram-se em produtos naturais”, disse a Pesquisa FAPESP o professor, que há 10 anos acompanha a evolução de bases de dados desse tipo. “A coleção do NuBBE contém uma numerosa quantidade de informações valiosas que frequentemente não estão disponíveis em outras coleções. Disponibiliza moléculas novas e originais e é construída como um banco de dados no qual se pode buscar vários tipos de informação, enquanto em outras bases apenas um arquivo eletrônico é fornecido. Além disso, reflete a biodiversidade rica e única de espécies botânicas encontradas no Brasil e deve com certeza contribuir para a concepção de novos compostos terapêuticos para os próximos anos.” Ele observa que várias iniciativas parecidas estão sendo desenvolvidas em outras partes do mundo, compilando produtos naturais de plantas medicinais africanas, plantas usadas na medicina chinesa e também da Ayurveda, o conhecimento médico desenvolvido na Índia nos últimos 7 mil anos. “Esses projetos devem ser estimulados. É preciso garantir suporte financeiro para eles, pois vão ajudar os cientistas a projetar novos compostos terapêuticos, a adquirir novos conhecimentos e contribuir para muitas outras áreas”, afirma Villoutreix.

Projetos

1. CIBFar – Centro de Inovação em Biodiversidade e Fármacos (nº 2013/07600-3); Modalidade Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid); Pesquisador responsável Glaucius Oliva; Investimento R$ 18.219.303,58 para todo o Cepid (FAPESP).

2. Produtos Naturais do NuBBE, fonte de diversidade micromolecular para o planejamento racional de novos agentes antitumorais (nº 2010/17329-7); Modalidade Bolsa de Doutorado; Pesquisadora responsável Vanderlan da Silva Bolzani; Bolsista Marilia Valli; Investimento R$ 65.003,67 (FAPESP).

terça-feira, 4 de março de 2014

BRASIL E ESTADOS UNIDOS ESTUDAM BIODIVERSIDADE DO BRASIL

Passo à frente

Parceria entre FAPESP e NSF une pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos para conhecerem melhor os processos que afetam a biodiversidade brasileira
RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição 216 - Fevereiro de 2014
© LÉO RAMOS
Árvores da Amazônia...
Árvores da Amazônia…

A FAPESP e a National Science Foundation (NSF) deram um passo a mais para fortalecer a parceria estabelecida em 2011 voltada ao estudo da biodiversidade no Brasil. Em dezembro passado foi lançada a terceira chamada de propostas de cooperação científica vinculadas às principais linhas de financiamento de estudos sobre a diversidade biológica das duas agências, os programas Biota-FAPESP e Dimensions of Biodiversity. O objetivo é estimular a colaboração em pesquisa entre cientistas por meio de projetos que contribuam para o avanço dos estudos em biodiversidade no Brasil e Estados Unidos. Os projetos aprovados receberão até US$ 2 milhões de cada fundação.

A ideia é que as propostas integrem as três dimensões da biodiversidade — genética, taxonômica e funcional —, com o propósito de tentar compreender como elas contribuem para a saúde, o funcionamento dos ecossistemas e a adaptação biológica em resposta às mudanças ambientais. “O caráter interdisciplinar que os projetos submetidos precisam atender é um dos principais diferenciais dessa parceria”, diz Regina Costa de Oliveira, diretora da área de biologia, agronomia e veterinária da Diretoria Científica da FAPESP e coordenadora da chamada de propostas. Segundo ela, a FAPESP preza as parcerias com grandes instituições, como a NSF, porque envolvem muitos pesquisadores e intensa produção científica.

A seleção de propostas integra uma chamada mais ampla, publicada todos os anos pelo Dimensions of Biodiversity, voltada à participação de pesquisadores de instituições americanas em projetos financiados pela NSF ou lançados em parceria com outras fundações. De 2003 a 2007 houve intensa troca de experiências entre a coordenação do programa Biota e a administração da NSF. Esses contatos contribuíram para que, em 2010, a NSF iniciasse um projeto de 10 anos de investimentos em pesquisa, infraestrutura de tecnologia, força de trabalho, coleta e síntese de dados, numa campanha de estudos integrados com o objetivo de caracterizar a dimensão da diversidade biológica da Terra. Na mesma época, a FAPESP renovou por mais 10 anos a continuidade do Biota-FAPESP. Dentre os objetivos da segunda fase estão as parcerias internacionais, a expansão da abrangência geográfica para além do estado de São Paulo, a ampliação de pesquisas sobre a biodiversidade costeira e marinha e a prioridade à vertente educacional, o que vem sendo feito.

© EDUARDO CESAR
...  e da mata atlântica: projetos pretendem entender melhor a origem e evolução da biodiversidade vegetal
… e da mata atlântica: projetos pretendem entender melhor a origem e evolução da biodiversidade vegetal

Em 2013, o programa organizou, em parceria com Pesquisa FAPESP, uma série de palestras para discutir os desafios ligados à conservação dos principais ecossistemas brasileiros, como contribuição para a melhoria da qualidade da educação científica e ambiental no país. Com 13 anos de história em caracterização, conservação, restauração e uso sustentável da biodiversidade, o Biota-FAPESP já financiou mais de 120 projetos de pesquisa, cujos resultados têm contribuído para que tomadores de decisão possam identificar e caracterizar melhor as áreas prioritárias para conservação e restauração no estado de São Paulo.
“As relações entre pesquisadores brasileiros e americanos têm promovido avanços importantes quanto a nossa compreensão dos processos que regulam a diversificação, manutenção e perda de biodiversidade no Brasil”, diz Simon Malcomber, coordenador do Dimensions of Biodiversity. A expectativa, segundo ele, é que essas atividades colaborativas promovam o desenvolvimento científico e econômico dos dois países, gerando uma força de trabalho amplamente treinada e internacionalmente engajada na pesquisa ambiental.

Projetos aprovados

O resultado da primeira chamada foi anunciado em setembro de 2012. Um projeto ambicioso, coordenado pela bióloga Lúcia Lohmann, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), pretende entender o que levou a floresta amazônica a abrigar a maior variedade de plantas e animais do mundo (ver Pesquisa FAPESP nº 200). Para isso, uma equipe multidisciplinar de 30 pesquisadores brasileiros e americanos trabalha para tentar reconstruir o parentesco, história evolutiva e distribuição espacial de grupos animais e vegetais, como as Bignoniáceas, família de plantas que inclui os ipês e os jacarandás, e as Lecythidaceae, grupo no qual está a castanheira-do-brasil.
© LÉO RAMOS
Flor da Amazônia...
Flor da Amazônia…

Se o projeto avançar, os pesquisadores esperam poder identificar os principais momentos de diversificação das espécies desses grupos e reconstruir suas histórias biogeográficas. Com isso, pretendem entender melhor a origem e evolução da biodiversidade da região. “Queremos reconstruir a história da Amazônia nos últimos 20 milhões de anos”, conta Lúcia. “Mas antes precisamos entender melhor a história da biodiversidade da região, bem como as transformações que ocorreram no ecossistema. Só assim conseguiremos entender a influência de eventos geológicos específicos, como o surgimento dos Andes, na diversificação de espécies na Amazônia.” A pesquisadora também planeja investigar se esses eventos de diversificação estão associados a fenômenos climáticos e ciclos biogeoquímicos, entre outros aspectos ambientais do passado.

Análises integradas
Os trabalhos estão bastante avançados e já resultaram em quatro artigos publicados até agora, além de outros cinco que estão no prelo. No ano passado, o projeto foi citado pela revista Science, que enfatizou seu potencial na produção de insights ligados à biodiversidade amazônica. Os grupos ainda trabalham de forma isolada, mas Lúcia pretende reuni-los entre os dias 16 e 21 de fevereiro, no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em Manaus, para discutir os avanços deste primeiro ano de pesquisas e estabelecer novas metas e protocolos de trabalho para 2014.
© EDUARDO CESAR
... e cogumelo da mata atlântica: objetivo é identificar os principais picos de diversificação de espécies
… e cogumelo da mata atlântica: objetivo é
identificar os principais picos de diversificação de espécies

Lúcia está paralelamente envolvida em outro projeto, este de caracterização da distribuição e diversidade de espécies animais e vegetais na mata atlântica. O projeto foi aprovado em 2013, na segunda chamada de propostas FAPESP-NSF. Sob coordenação da bióloga Cristina Miyaki, do Instituto de Biociências da USP, pesquisadores de diversas áreas estão trabalhando para entender melhor a história do ecossistema, um dos mais degradados do país. Em fevereiro, eles se reunirão em um workshop na sede da FAPESP em São Paulo. “O objetivo é juntar os pesquisadores para delinear o que cada um está fazendo, de modo a começarmos a pensar como os avanços de cada grupo podem ajudar a melhorar a documentação dos padrões da biodiversidade na mata atlântica”, explica Cristina, que também é uma das organizadoras do evento. Essa será a primeira vez que as equipes estarão frente a frente, conta Regina Costa de Oliveira. “Queremos promover esses encontros anualmente”, diz.

“Estamos animados com o potencial desse e de outros projetos conjuntos de expandir nosso conhecimento sobre os processos que influenciam a biodiversidade desses dois ecossistemas brasileiros”, comenta Malcomber, do Dimensions of Biodiversity. Apesar de terem apenas dois anos, ele diz estar satisfeito com a natureza colaborativa dos trabalhos. “As equipes de pesquisadores têm feito progressos significativos”, diz. “Esperamos que continuem a empurrar as fronteiras da ciência da biodiversidade.” Para Regina Costa de Oliveira, parcerias como essa aumentam a massa crítica pensante sobre os diversos temas relacionados à biodiversidade. “Estamos usando a biodiversidade brasileira como ponto de partida para uma análise envolvendo uma grande mistura de especialidades, cujas pesquisas reverberarão por vários outros países”, afirma.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Modelo pode ajudar a prever como espécies da Mata Atlântica responderão às mudanças climáticas

11/02/2014
Por Karina Toledo
Agência FAPESP – Compreender os processos evolutivos, geológicos, climáticos e genéticos por trás da enorme biodiversidade e do padrão de distribuição de espécies da Mata Atlântica e, com base nesse conhecimento, criar modelos que permitam prever, por exemplo, como essas espécies vão reagir às mudanças no clima e no uso do solo.

Esse é o objetivo central de um projeto que reúne pesquisadores do Brasil e dos Estados Unidos no âmbito de um acordo de cooperação científica entre o Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Recuperação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo (BIOTA-FAPESP) e o programa Dimensions of Biodiversity, da agência federal norte-americana de fomento à pesquisa National Science Foundation (NSF).

“Além de ajudar a prever o que poderá ocorrer no futuro com as espécies, os modelos ajudam a entender como está hoje distribuída a biodiversidade em áreas onde os cientistas não têm acesso. Como fazemos coletas por amostragem, seria impossível mapear todos os microambientes. Os modelos permitem extrapolar essas informações para áreas não amostradas e podem ser aplicados em qualquer tempo”, explicou Ana Carolina Carnaval, professora da The City University of New York, nos Estados Unidos, e coordenadora do projeto de pesquisa ao lado de Cristina Miyaki, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).
A proposta, segundo Carnaval, é promover a integração de pesquisadores de diversas áreas – como ecologia, geologia, biogeografia, genética, fisiologia, climatologia, taxonomia, paleologia, geomorfologia – e unir ciência básica e aplicada em benefício da conservação da Mata Atlântica.
O bioma é considerado um dos 34 hotspots mundiais, ou seja, uma das áreas prioritárias para a conservação por causa de sua enorme biodiversidade, do alto grau de endemismo de suas espécies (ocorrência apenas naquele local) e da grande ameaça de extinção resultante da intensa atividade antrópica na região.

A empreitada coordenada por Carnaval e por Miyaki teve início no segundo semestre de 2013. A rede de pesquisadores esteve reunida pela primeira vez para apresentar suas linhas de pesquisa e seus resultados preliminares na segunda-feira (10/02), durante o “Workshop Dimensions US-BIOTA São Paulo - A multidisciplinary framework for biodiversity prediction in the Brazilian Atlantic forest hotspot”.

“Convidamos alguns colaboradores além de pesquisadores envolvidos no projeto, pois queremos críticas e sugestões que permitam aperfeiçoar os trabalhos”, contou Miyaki. “Essa reunião é um marco para conseguirmos efetivar a integração entre as diversas áreas do projeto e criarmos uma linguagem única focada em compreender a Mata Atlântica e os processos que fazem esse bioma ser tão especial”, acrescentou.
Entre os mistérios que os cientistas tentarão desvendar estão a origem da incrível diversidade existente na Mata Atlântica, possivelmente fruto de conexões existentes há milhões de anos com outros biomas, entre eles a Floresta Amazônica. Outra questão fundamental é entender a importância do sistema de transporte de umidade na região hoje e no passado e como ele permite que a Mata Atlântica se comunique com outros sistemas florestais. Também está entre as metas do grupo investigar como a atividade tectônica influenciou o curso de rios e afetou o padrão de distribuição das espécies aquáticas.
Desafios do BIOTA
Durante a abertura do workshop, o presidente da FAPESP, Celso Lafer, realçou a importância de abordagens inovadoras e multidisciplinares voltadas para a proteção da biodiversidade da Mata Atlântica. Ressaltou ainda que a iniciativa está em consonância com os esforços de internacionalização realizados pela FAPESP nos últimos anos.
“Uma das grandes preocupações da FAPESP tem sido o processo de internacionalização, que basicamente está relacionado ao esforço de juntar pesquisadores de diversas áreas para avançar no conhecimento. Este programa de hoje está relacionado a aspirações dessa natureza e tenho certeza de que os resultados serão altamente relevantes”, afirmou Lafer.

Também durante a mesa de abertura, o diretor do IB-USP, Carlos Eduardo Falavigna da Rocha, afirmou que o programa BIOTA-FAPESP tem sido um exemplo para outros estados e outras fundações de apoio à pesquisa em âmbito federal e estadual.
Carlos Alfredo Joly, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador do BIOTA-FAPESP, apresentou um histórico das atividades realizadas pelo programa desde 1999, entre elas a elaboração de um mapa de áreas prioritárias para conservação que serviu de base para mais de 20 documentos legais estaduais – entre leis, decretos e resoluções.
Joly também falou sobre os desafios a serem vencidos até 2020, como empreender esforços de restauração e de reintrodução de espécies, ampliar o entendimento sobre ecossistemas terrestres e sobre os mecanismos que mantêm a biodiversidade no Estado e intensificar as atividades voltadas à educação ambiental.

Para 2014, Joly ressaltou dois desafios na área de conservação. “Estamos iniciando uma campanha para o tombamento da Serra da Mantiqueira. Já fizemos alguns artigos de jornais, estamos lançando um website específico e vamos trabalhar para conseguir tombar regiões acima de 800 metros, áreas apontadas como de extrema prioridade para conservação no atlas do BIOTA”, disse.
Outra meta para 2014, segundo Joly, é trabalhar para que o Brasil ratifique o protocolo de Nagoya – tratado internacional que dispõe sobre a repartição de benefícios do uso da biodiversidade – até outubro, quando ocorrerá a 12ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica.
“É fundamental que um país megadiverso, que tem todo o interesse de ter sua biodiversidade protegida por esse protocolo internacional, se torne signatário do protocolo antes dessa reunião”, afirmou Joly.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Biota: biodiversidade em áreas alteradas pelo homem | 10.12.2013

Áreas destinadas à agropecuária podem esconder uma alta variedade de animais silvestres
O nono e último encontro do Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação, realizado em São Paulo no dia 21 de novembro, tratou dos ambientes alterados pela ação humana, como cidades e áreas agrícolas, que embora bastante degradados ainda abrigam uma grande diversidade de espécies de plantas e animais. No campus da USP da Cidade Universitária, por exemplo, vivem dezenas de espécies de aves, a apenas oito quilômetros do centro de São Paulo. Entre elas está o jacuaçu (Penelope obscura), uma ave característica da mata atlântica que emite sons semelhantes ao cacarejo das galinhas.
 Assista aqui:

https://www.youtube.com/watch?v=mMp7gwQVxRU



Hoje, no entanto, um dos grandes problemas para a sobrevivência desses animais em ambientes urbanos é que as áreas arborizadas estão cada vez menores, devido, entre outras razões, ao crescimento desordenado das cidades. No Brasil, 85% da população vive atualmente em áreas urbanas.


Já as áreas destinadas à agropecuária também podem esconder uma alta variedade de animais silvestres – mamíferos, peixes, anfíbios e aves –, geralmente não valorizados, como os da cidade. Algumas aves já estão adaptadas às matas próximas às plantações, como o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), a curicaca (Theristicus caudatus) e a maria-faceira (Syrigma sibilatrix). Estima-se que até 60% das espécies de aves originais desses ambientes vivam em paisagens agrícolas alteradas.
Para saber mais sobre esse universo biológico escondido entre prédios e plantações e os desafios relacionados a sua conservação, assista ao resumo das palestras do último encontro do Ciclo de Conferências, que contou com a participação das bióloga Elizabeth Höfling, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), e Roseli Buzanelli Torres, do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e o agrônomo Luciano Martins Verdade, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Mostra sobre biodiversidade brasileira abre em Eichstätt, na Alemanha

06/12/2012
Por Samuel Antenor, de Eichstätt
Agência FAPESP – A mostra Brazilian Nature – Mystery and Destiny, uma parceria entre a FAPESP e o Museu Botânico de Berlim, foi aberta ao público alemão no dia 4 de dezembro na Biblioteca da Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt, em Eichstätt, no estado da Baviera.
Durante a abertura, o professor Richard Schenk, presidente da universidade, explicitou o fato de a exposição representar uma oportunidade para o público alemão – particularmente o público universitário – conhecer, além de dados históricos sobre a fauna e a flora brasileiras, um pouco do que se pesquisa atualmente sobre biodiversidade no Brasil.



Exposição destaca o trabalho de documentação feito por Carl von Martius e reunido na Flora brasiliensis, mais completo levantamento da flora brasileira (foto:S.Antenor)


Para Schenk, trata-se de uma referência, pois a exposição dá uma medida do que o Brasil pode mostrar de seu ponto de vista sobre a biodiversidade do planeta.
“A exposição enfatiza a necessidade de haver equilíbrio na convivência entre os seres humanos e a natureza, incluindo todas as outras espécies animais. Fazemos parte dessa complexidade, mas precisamos saber aplicar nosso conhecimento a respeito para manter esse equilíbrio, que é muito tênue”, disse.

A exposição foi exibida pela primeira vez na Alemanha em 2008 e mostrou o trabalho de documentação feito por Carl Friedrich Philipp von Martius (1794-1868) reunido na obra Flora brasiliensis e que deu origem ao projeto “Flora Brasiliensis On-line e Revisitada”. Esse projeto inclui a atualização da nomenclatura utilizada no trabalho original de Martius e a inclusão de espécies descritas depois de sua publicação, com novas informações e ilustrações recentes.
A mostra conta com o apoio do Instituto de Estudos Latino-Americanos da Universidade Católica de Eichstätt-Ingolstadt. Thomas Fisher, responsável pelo instituto, reforça a importância da exposição Brazilian Nature para a universidade, em razão dos vínculos já estabelecidos com instituições brasileiras.
Para Fisher, o interesse pelo Brasil é crescente nos meios acadêmicos, mas também em outros setores na Alemanha, pois o Brasil está em uma nova fase de influência no mundo.

“No caso de nosso centro de estudos, o Brasil representa praticamente a metade de nossas ações na América Latina, e essa troca nos ajuda a construir espaços transnacionais, a exemplo do que fez Martius para os grandes projetos de pesquisa na biodiversidade. Particularmente, a exposição deve ajudar a aproximar a Bavária de São Paulo”, disse, em alusão à obra Hortus Eystettensis, de Bisilius Besler.
Publicada em Eichstätt em 1613, Hortus Eystettensis retrata o jardim botânico criado por encomenda do príncipe-bispo Johann Conrad Von Gemmingen, com a descrição de 1.084 espécies vegetais e 367 gravuras.
A obra de Besler é considerada uma das influências de Martius para a realização de seu trabalho. O catálogo de 400 anos está atualmente no Museu Willibaldsburg, em Eichstätt.

Três em um

São três as partes que compõem a exposição. Na primeira, está refletido o projeto “Flora Brasiliensis On-line e Revisitada”, considerada uma continuidade da Flora Brasiliensis de Martius, que teve seu primeiro volume publicado em 1841 e o último apenas em 1906, depois da morte do autor.
Um século após sua publicação, as obras, digitalizadas, passaram a ser acessíveis também na internet, com detalhes em alta resolução. No endereço http://florabrasiliensis.cria.org.br consta a versão integral da obra, com 10.207 páginas e descrições das quase 23 mil espécies e quase 4 mil ilustrações.
O “Flora Brasiliensis On-line e Revisitada” inclui a atualização da nomenclatura utilizada no trabalho original e a inclusão de espécies descritas depois de sua publicação, com novas informações e ilustrações recentes.
A segunda parte da exposição remete ao projeto “Flora Fanerogâmica do Estado de São Paulo”, iniciado em 1993 e que listou cerca de 80% da flora paulista, com 8 mil espécies de plantas com flores.
O projeto reuniu mais de 200 pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), dos institutos Botânico, Florestal e Agronômico e do Departamento de Parques e Áreas Verdes da cidade de São Paulo. Também contribuíram pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de outros estados brasileiros e de outros países.

O programa BIOTA-FAPESP compõe a terceira parte da exposição e aborda a biodiversidade de forma geral. Os dados do programa incluem a identificação e descrição de 500 novas espécies de plantas e animais e o registro de informações sobre mais de 12 mil espécies e bancos de dados com o conteúdo de 35 coleções biológicas, que têm sido aplicados como instrumento de preservação ambiental no Estado de São Paulo.

Durante a abertura da exposição, o professor Luciano Verdade, um dos membros da coordenação do BIOTA-FAPESP, apresentou ao público alguns dos principais resultados do programa.
Composta por 37 painéis, com reproduções de imagens e ilustrações e textos explicativos, a exposição já foi vista na Alemanha em Berlim, Bremen, Leipizig e Heidelberg e ficará em exibição em Eichstätt, até 9 de fevereiro de 2013. Na América do Norte, a exposição já circulou por Toronto (Canadá), Washington, Cambridge e Morgantown (Estados Unidos) e está programada para ser exibida também na Espanha, nas cidades de Salamanca e Madri.

Os painéis digitalizados podem ser vistos com legendas em português, inglês e alemão no endereço: www.fapesp.br/publicacoes/braziliannature.