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quinta-feira, 12 de junho de 2014

ICMBIO APROVA PLANO DE AÇÃO PARA A CONSERVAÇÃO DO TATU-BOLA

A espécie está ameaçada de extinção. Anúncio foi feito no Dia da Biodiversidade (22)
tatubola
Lorene Lima e Nara Souto
ascomchicomendes@icmbio.gov.br

Brasília (23/05/2014) – O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) aprovou nesta quinta-feira (22), durante a cerimônia de comemoração ao Dia Internacional da Biodiversidade, em Brasília, o Plano de Ação Nacional (PAN) para preservação do tatu-bola. A oficina de trabalho para a elaboração do PAN foi realizada entre 12 e 16 de maio na Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN) Serra das Almas, em Crateús, Ceará.

Saiba mais sobre a cerimônia de comemoração
A intenção é diminuir o risco de extinção de duas espécies do gênero Tolypeutes, ordem a que pertence o tatu-bola, conhecidas como T. Tricinctus (tatu-bola-do-Nordeste) e T. Matacus (tatu-bola-do-Centro-Oeste). A meta é levar o T. Tricinctus, atualmente classificado como "Em Perigo", para a categoria "Vulnerável". Essa espécie vive exclusivamente no Brasil, na caatinga ou cerrado, e está ameaçada de extinção. Já o T. Matacus habita o Pantanal e áreas vizinhas de cerrado, porém é mais comum em outros países. Com o PAN, esta espécie será melhor estudada, uma vez que encontra-se na categoria "Dados Insuficientes" por falta de informações em solo brasileiro.
Para atingir a meta, foi criado um Grupo de Assessoramento Estratégico e estabelecidas 38 ações. "Em cinco anos, o objetivo é que a gente consiga diminuir esse grau de ameaça", afirmou a coordenadora-substituta de Planos de Ação do ICMBio (COPAN), Marília Marini.

A elaboração do PAN Tatu-bola foi coordenada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio), com o apoio da ONG Associação Caatinga e do Grupo Especialista em Tatus, Preguiças e Tamanduás. Outras 15 instituições, entre universidades, órgãos estaduais e federais do meio ambiente, também participaram da elaboração dos planos, que terão coordenação executiva da Associação Caatinga e serão acompanhados pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação do Cerrado e Caatinga (Cecat) e pela Coordenação-Geral de Espécies Ameaçadas (CGESP).

O Tatu-bola ganhou esse nome por fechar-se completamente, formando uma bola, para se defender de predadores. Essa característica fez com que a espécie fosse escolhida como mascote para a Copa do Mundo 2014, mas isso não diminui o risco de extinção. "A pressão para o tatu-bola nesses últimos anos foi muito grande. Ele perdeu 50% do seu habitat natural. Já havia a necessidade de criar um plano de ação e esse é um momento em que ele ganha visibilidade por conta do Mundial. A ideia foi aproveitar essa oportunidad", acrescentou Marília Marini.
Planos de Ação Nacional
Os PANs são instrumentos de gestão para troca de experiências entre entidades com o intuito de buscar novas ações para conservação da biodiversidade. Assim, é possível reunir e potencializar os esforços para a preservação do meio ambiente. "O Plano de Ação é uma ferramenta definida pelo governo brasileiro a partir do Programa Pró-Espécie. Ele soma a integração de esforços, identificação de lacunas e orientação para que a gente tenha um sucesso maior na conservação de espécies. É um pacto de ações entre diferentes parceiros e instituições", afirmou o Coordenador Geral de Manejo para Conservação do ICMBio (CGESP), Ugo Vercillo.

Saiba mais sobre o Pró-Espécie

As etapas para elaboração de um Plano de Ação consistem em organizar e analisar todas as informações apuradas para identificar as ameaças e os atores. Nesse processo, são apontados os objetivos, metas e ações que irão promover mudança do risco de extinção dos animais. O trabalho de elaboração, monitoria e revisão é instituído pela Instrução Normativa ICMBio nº25/2012, com base no planejamento estratégico que estabelece um método simples a ser aplicado em todos os níveis taxonômicos ou geográficos. Cabe aos Centros Nacionais de Pesquisa e Conservação do ICMBio coordenar todo o processo de elaboração e implementação dos PANS, conforme estabelecido na Portaria ICMBio n° 78/2009, sob a supervisão da Coordenação-geral de Manejo para a Conservação. O Instituto conta ainda com o apoio do Projeto PROBIO II/MMA.

Após o diagnóstico das ameaças, são definidos quais instrumentos de gestão deverão ser aplicados ou otimizados. As ações abrangem objetivamente a interferência em políticas públicas, desenvolvimento de conhecimentos específicos, sensibilização de comunidades e controle da ação humana para combater as ameaças. São medidas adotadas nos PAN: a criação e implementação de unidades de conservação, regularização fundiária, licenciamento e compensação ambiental, pesquisa aplicada, conservação ex-situ - fora do lugar de origem - educação ambiental, fiscalização, recuperação de áreas degradadas e projetos de usos sustentáveis dos recursos naturais.
Confira a Portaria 56, de 22 de maio de 2014.
Confira a lista de 77 espécies que saíram da lista de ameaçadas de extinção, clicando aqui

Campeões da conservação

Publicado em 12/06/2014
Pesquisadores propõem que, para cada gol marcado na Copa do Mundo do Brasil, sejam preservados mil hectares de caatinga, hábitat da mascote da competição.
Campeões da conservação
Durante a Copa do Mundo de 2014, Fuleco ficará internacionalmente conhecido. Cientistas esperam que tamanha exposição ajude a preservar seu hábitat, a caatinga, bioma exclusivamente brasileiro. (foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil – CC BY-SA 3.0) 
 
Você já deve ter ouvido falar do Fuleco. É a mascote da Copa do Mundo de 2014, que está prestes a começar. Ele é um simpático tatu-bola – e seu nome vem da mistura entre as palavras ‘futebol’ e ‘ecologia’.
O personagem foi inspirado em um curioso representante de nossa fauna: o tatu-bola-da-caatinga (Tolypeutes tricinctus). Trata-se de uma espécie endêmica brasileira que está ameaçada de extinção. E seu ambiente natural, a caatinga, também passa por uma situação que, definitivamente, não é das melhores. Esse bioma, segundo a comunidade científica, está em péssimo estado de conservação.
“Escolheram um animal que está ameaçado para ser símbolo da Copa. Mas por que não usar essa divulgação toda para promover ações de conservação dessa espécie?”, provoca o biólogo Enrico Bernard, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Até agora, o retorno que o tatu-bola-da-caatinga recebeu foi praticamente zero.”
Tatu-bola-da-caatinga
O tatu-bola-da-caatinga (‘Tolypeutes tricinctus’) é uma espécie ameaçada de extinção. (imagem: Wikimedia Commons/ ChrisStubbs – CC BY-SA 3.0)
O pesquisador, em parceria com colegas das universidades federais do Vale do São Francisco (Univasf) e da Paraíba (UFPB), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Universidade Autônoma do México, publicou um recente artigo criticando a falta de ações concretas de conservação da mascote da Copa.
“É uma provocação à Federação Internacional de Futebol (Fifa) e ao governo brasileiro”, diz Bernard. A equipe sugere que a Fifa e o Ministério do Meio Ambiente aproveitem melhor a alta exposição do bicho para ajudar em sua conservação.

Além da crítica

No artigo, os pesquisadores propõem algumas ideias bem práticas. A primeira delas é expandir o sistema de parques e reservas na caatinga. Eles também esperam que o governo acelere a publicação de um plano de conservação para o tatu-bola.
No dia 22 de maio, foi aprovado o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola, que prevê a criação de dois parques para proteção da espécie
Outra sugestão, que, segundo os cientistas, não está sendo levada muito a sério, é que fossem honrados os investimentos prometidos para os chamados Parques da Copa. Eram projetos que pretendiam criar unidades de conservação voltadas a atividades turísticas. Seriam parques e reservas naturais – onde se poderiam promover ações turísticas de visitação de modo a atrair tanto brasileiros quanto estrangeiros para conhecer as belezas naturais da caatinga. E não só durante o período da Copa. Futuramente, o turismo nacional poderia se beneficiar dessas novas áreas.

Mas, de fato, a mais audaciosa das propostas dos pesquisadores é a seguinte: para cada gol marcado nos jogos da Copa, seriam protegidos mil hectares de áreas naturais de caatinga. Ou seja: gols resultariam diretamente em novos territórios a auxiliar na proteção do tatu-bola e seu hábitat.

As ideias têm sido amplamente divulgadas e foram enviadas ao Ministério do Meio Ambiente e à Fifa. No dia 22 de maio, como parte de um pacote de ações pelo Dia Mundial da Biodiversidade, foi aprovado o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola, que, entre outras medidas, prevê a criação de dois parques para proteção da espécie. “Agora é aguardar para ver se vão honrar mais esse compromisso”, finaliza Bernard.

Gabriel Toscano
Ciência Hoje On-line