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sexta-feira, 28 de junho de 2024

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"Antes que desapareçam: salvando as populações da natureza – e a nós mesmo"

Antes que eles desapareçam
  • Antes que eles desapareçam ISBN: 9781421449692 Capa dura, novembro de 2024 Disponível para encomenda
    £25.00
    # 264776
Preço: £25,00
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Sobre este livro

Conservacionistas lendários mostram-nos que ainda temos o poder de prevenir consequências críticas da sexta extinção neste livro revolucionário.

Podemos salvar animais e ecossistemas ameaçados no meio de uma extinção em massa? A resposta é um sim retumbante! – e Before They Vanish nos mostra como. No seu novo livro ambicioso, apaixonado e sábio, os cientistas conservacionistas Paul R. Ehrlich, Gerardo Ceballos e Rodolfo Dirzo exortam-nos a mudar o nosso pensamento em vez de baixarmos a cabeça, lamentando as perdas que a humanidade enfrenta. Esta visão abrangente de um aspecto crucial, mas muitas vezes esquecido, da conservação – a extinção da população – impele-nos para um caminho novo e esperançoso.

Enquanto a extinção de espécies descreve o desaparecimento global de tipos inteiros de organismos, a extinção de populações representa a perda de elementos geográficos fundamentais das espécies. Os autores argumentam que os conservacionistas colocaram demasiada ênfase na extinção de espécies inteiras, que ocorre de forma suficientemente gradual para que apenas a detectemos nos casos mais graves, altura em que uma acção significativa pode ser impossível. Ao mudar o foco para a identificação de ameaças de extinção a um nível mais localizado da população, podemos intervir de forma mais rápida e eficaz para prevenir declínios mais amplos – e a eventual extinção de espécies inteiras. Esta mudança representa um passo crítico para salvar estas espécies em extinção; a detecção e intervenção precoces podem ser a nossa última e melhor esperança para conter a maré desta crise global.


Usando exemplos do mundo dos vertebrados, invertebrados, plantas, fungos e microorganismos, os autores explicam o conceito de extinção populacional, suas causas e consequências, e como evitar a destruição em massa das criaturas incríveis e únicas com quem compartilhamos nosso planeta. . Este apelo à ação é uma leitura obrigatória para qualquer pessoa preocupada em salvar espécies ameaçadas e em perigo, o nosso mundo natural – e a nós próprios.

Conteúdo

Prefácio / Jared Diamond
Prefácio
Capítulo 1. Das Origens à Extinção
Capítulo 2. A Sexta Extinção em Massa
Capítulo 3. Mamíferos Perdidos e Desaparecidos
Capítulo 4. Canções de pássaros que desapareceram e estão em declínio
Capítulo 5. A Crise Silenciosa: Outros Vertebrados
Capítulo 6. Vítimas Ignoradas: Invertebrados
Capítulo 7. Verde Desaparecido: Plantas – Nosso Tesouro Esmeralda
Capítulo 8. Micróbios: um mundo oculto
Capítulo 9. Defaunação
Capítulo 10. Drivers de Extinção
Capítulo 11. Declínio da Natureza: Os Custos
Capítulo 12. A cura: uma pílula agridoce

Notas
Referências
Índice de Nome Padrão e Científico
Índice de assuntos

Avaliações de Clientes

Biografia

Paul R. Ehrlich é Professor Emérito de Estudos Populacionais do Bing no Departamento de Biologia e presidente do Centro de Biologia da Conservação da Universidade de Stanford. Ele é o autor de A Bomba Populacional e Naturezas Humanas: Genes, Culturas e a Perspectiva Humana .

Gerardo Ceballos , um dos principais ecologistas do mundo, é professor do Instituto de Ecologia da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Ele estabeleceu mais de vinte áreas protegidas no México e é autor ou co-autor de mais de 55 livros. Ehrlich e Ceballos são co-autores de A Aniquilação da Natureza: Extinção Humana de Pássaros e Mamíferos .

Rodolfo Dirzo , um dos principais cientistas conservacionistas do mundo, é Professor Bing de Ciências Ambientais nos Departamentos de Biologia e Ciência de Sistemas Terrestres da Universidade de Stanford e membro sênior do Woods Institute for the Environment.

 

Críticas da mídia

"Ao ler este excelente livro, apreciaremos a maneira como dezenas de milhões de espécies evoluíram juntas ao longo de 4,5 bilhões de anos em nosso planeta, levando à grande extinção de hoje. Altamente recomendado!"
– Peter H. Raven, Universidade de Washington em St.

"Este trabalho magnífico e meticuloso é uma ode à vida. Escrito pelos maiores especialistas da atualidade em perda de biodiversidade, este é um texto científico na sua forma mais verdadeira."
– Sir Partha Dasgupta, Universidade de Cambridge

"Este livro lindamente escrito e ilustrado mostra como todos nós fazemos parte da natureza e tudo o que temos a perder com o declínio no número até mesmo de organismos comuns. Os autores traçam um caminho esperançoso para harmonizar as pessoas e a natureza - e um papel para todos."
– Gretchen C. Daily, Universidade de Stanford

"Este livro nos conecta profundamente com a incrível diversidade de formas de vida com as quais compartilhamos este planeta. Enfrentar a perda de populações de espécies requer uma mudança urgente em direção ao envolvimento de formas significativas, atenciosas e recíprocas com populações de espécies comuns e raras. Este livro representa um convite convincente para fazê-lo."
– Patricia Balvanera, Universidade Nacional Autônoma do México


" Before They Vanish é mais do que apenas um livro; é um apelo às armas. Exorta-nos a confrontar a nossa própria cumplicidade na destruição da biodiversidade e a tomar medidas significativas para salvaguardar as maravilhas do nosso planeta para as gerações vindouras. Com o seu prosa eloquente e otimismo inabalável, este livro é um testemunho do poder do conhecimento, da compaixão e da ação coletiva diante da adversidade."
– Cristina Mittermeier, fotógrafa/conservacionista/cofundadora da SeaLegacy

 

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

India keeps a close eye on its tigers

The good news that India’s wild tiger numbers have been increasing by 6% annually since 2006 is offset by reported declines in their habitat (see go.nature.com/2tig959). Habitat loss is a particular concern for the genetically unique populations in the northeast of the country. Conservation efforts must now focus on protecting those areas and improving the connectivity of the habitat corridors that are crucial for the animals’ dispersal.

Tiger surveys, produced in conjunction with the Wildlife Institute of India, are run every four years by the Indian government. The 2018 survey was unprecedented in intensity and scale, with 77,000 tiger photographs taken from motion-triggered camera pairs placed in 27,000 locations. Together with some 35 million photos, it identified more than 80% of the country’s 3,000 tigers.
Surveys on this scale entail sifting through tens of millions of wildlife photos, of which only a tiny fraction are of tigers. Research teams in India and elsewhere are developing artificial-intelligence tools to automate the process. This will improve conservation efforts worldwide by teaching us more about the effects of human pressures on the abundance and distribution of wildlife.

TRADUÇÃO

As boas notícias de que o número de tigres selvagens da Índia vem aumentando 6% ao ano desde 2006 são compensadas por declínios informados em seu habitat (consulte go.nature.com/2tig959). A perda de habitat é uma preocupação particular para as populações geneticamente únicas no nordeste do país. Os esforços de conservação devem agora se concentrar na proteção dessas áreas e no aprimoramento da conectividade dos corredores do habitat, cruciais para a dispersão dos animais.

Pesquisas com tigres, produzidas em conjunto com o Wildlife Institute da Índia, são realizadas a cada quatro anos pelo governo indiano. A pesquisa de 2018 foi sem precedentes em intensidade e escala, com 77.000 fotografias de tigres tiradas de pares de câmeras acionadas por movimento, colocadas em 27.000 locais. Juntamente com cerca de 35 milhões de fotos, identificou mais de 80% dos 3.000 tigres do país.

Pesquisas nessa escala envolvem peneirar dezenas de milhões de fotos de animais selvagens, das quais apenas uma pequena fração é de tigres. As equipes de pesquisa na Índia e em outros lugares estão desenvolvendo ferramentas de inteligência artificial para automatizar o processo. Isso melhorará os esforços de conservação em todo o mundo, ensinando-nos mais sobre os efeitos das pressões humanas na abundância e distribuição da vida selvagem.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Atlas de répteis destaca Cerrado e Caatinga como regiões importantes para conservação

05 de dezembro de 2017


Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Um grupo internacional de pesquisadores mapeou mais de 10 mil espécies de répteis terrestres, preenchendo uma lacuna no Atlas da Vida, a primeira síntese global da distribuição de vertebrados terrestres. Como os répteis representam um terço da diversidade de vertebrados terrestres, a confecção do mapa da distribuição de répteis tem impacto importante em iniciativas de conservação.

Atlas de répteis destaca Cerrado e Caatinga como regiões importantes para conservação Primeiro mapeamento global de répteis é incluído no Atlas da Vida de vertebrados. Iniciativa propõe novas estratégias para a conservação da biodiversidade (foto: Márcio Martins)


O mapeamento da distribuição de aves, mamíferos e anfíbios já havia sido concluído em 2008, mas os répteis não foram incluídos porque as prioridades da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que centralizava esses esforços juntamente com ONGs de conservação, foram dirigidas para outros grupos de organismos.

Desde então, o conhecimento sobre répteis aumentou muito, o que permitiu o mapeamento de 6.110 espécies de lagartos, 3.414 de serpentes e 322 de quelônios. Os dados completam o mapa global das mais de 31 mil espécies dos vertebrados tetrápodes (grupo que exclui os peixes), com cerca de 5 mil mamíferos, 11 mil aves e 6 mil anfíbios.

O mapeamento dos répteis foi descrito em Nature Ecology & Evolution, em um trabalho liderado por pesquisadores das universidades Oxford e de Tel Aviv, que contou com a colaboração de outras 30 instituições de 13 países. Quatro cientistas brasileiros, sendo dois da Universidade de São Paulo, um da Universidade de Brasília e um do Museu Paraense Emílio Goeldi, participaram do estudo e coordenaram parte do mapeamento na América do Sul, junto com pesquisadores do Equador e da Colômbia.
O mapeamento revelou padrões inesperados e regiões de alta biodiversidade em zonas não consideradas prioritárias para conservação. Entre elas estão a Caatinga e o Cerrado brasileiros e a região sul dos Andes no Chile. Outras regiões que mostraram ser pontos de alta biodiversidade são o deserto central da Austrália, o sul da África, as Estepes Euroasiáticas e a Península Arábica.
“Ao inserir répteis no Atlas da Vida – que têm padrões de distribuição diferentes de mamíferos, aves e anfíbios – surgem algumas áreas inesperadas. Isso ocorre porque a fisiologia dos répteis permite que eles se adaptem bem melhor em áreas abertas, não florestais, em geral negligenciadas quanto à diversidade biológica”, disse Cristiano Nogueira, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.

“No Brasil, sabemos que boa parte dos lagartos tem a distribuição centrada em áreas abertas ou semiáridas, como o Cerrado e a Caatinga, e existem várias espécies endêmicas nessas regiões. Em geral, áreas que concentram muitas espécies endêmicas são insubstituíveis, e sempre surgem como prioridades, ainda mais quando negligenciadas em estratégias anteriores”, disse Nogueira, cujo estudo tem apoio da FAPESP por meio do programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.

Importância local

Embora a diversidade de lagartos seja muito maior que a de serpentes, localmente é comum haver maior diversidade dessas últimas. “Podemos encontrar, em áreas extensas, uma mesma espécie de serpente, pois elas em geral apresentam distribuições mais amplas; já as espécies de lagartos variam muito de uma área para outra”, disse Nogueira.
Segundo ele, essa questão ressalta a importância do estudo de répteis, principalmente de lagartos, para a conservação. “Com um mapeamento detalhado, percebemos cada vez mais que uma grande unidade de paisagem, como a Amazônia, não é algo único. O Escudo das Guianas, por exemplo, tem uma diversidade de fauna completamente diferente da encontrada ao sul do rio Amazonas. Por isso, sem conhecer em detalhe a distribuição e diversidade dos organismos, é muito difícil elaborar boas estratégias de conservação”, disse.
O mesmo ocorre com o Cerrado, a Mata Atlântica e outras regiões naturais do continente. No Cerrado, com os dados detalhados pelo mapeamento de répteis, estudos anteriores puderam delimitar, pelo menos, 13 grandes subunidades biogeográficas.

Nogueira explica que a parte Sul do Cerrado– que abrange São Paulo, Minas Gerais e parte do Mato Grosso do Sul – é a mais ameaçada e abriga uma fauna de répteis diferente do Cerrado Central – Brasília, Chapada dos Veadeiros –, que, por sua vez, também difere do Cerrado do Oeste da Bahia.
“Com o mapeamento da distribuição de animais podemos ter uma visão mais detalhada dessas subunidades, pois a conservação em cada uma delas exige estratégias diferentes e localizadas”, disse.

Impacto na Lista Vermelha

Nogueira explica que as listas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) costumam ser feitas em reuniões de pesquisadores, antes da confecção dos mapas detalhados. “Normalmente, os mapas de distribuição usados em conservação são incompletos, algumas vezes feitos durante as oficinas de avaliação, em reuniões de alguns dias, sem haver um esforço prévio de confecção dos mapas e revisão de registros de ocorrência. Desta vez, foi feito ao contrário: primeiro o mapa dos répteis e depois a lista. Com isso, as reuniões e discussões de ameaça foram muito mais embasadas, pois utilizaram dados com milhares de pontos anteriormente revisados pelos pesquisadores e mapas que vinham sendo aperfeiçoados continuamente há alguns anos”, disse.
Um exemplo dessa melhora foi a redução de espécies na categoria “dados deficientes” das Listas Vermelhas da Fauna Brasileira, que seguiram as diretrizes da IUCN. “Em anfíbios, que teve a lista feita antes do mapeamento mais detalhado, cerca de 20% das espécies estão como dados deficientes. Em serpentes, essa taxa é de 6%. Isso tem relação com a qualidade dos mapas. O nível de segurança na tomada de decisões quando se tem bons mapas aumenta muito”, disse Nogueira.

Para os pesquisadores, além da importância nas listas brasileiras de espécies ameaçadas, o mapeamento dos répteis tem relevância global na conservação das espécies.

“As avaliações de risco de extinção de mamíferos, aves e anfíbios já contavam com mapas gerados durante iniciativas globais. Por esse motivo, praticamente todas as espécies desses grupos já haviam sido avaliadas na lista mundial. Já os répteis vêm recebendo atenção nesse sentido apenas recentemente e somente pouco mais da metade das espécies desse grupo já foi avaliada”, disse à Agência FAPESP Marcio Martins, professor do Instituto de Biociências da USP e também autor do estudo. Martins teve apoio da FAPESP por meio de Projeto Temático já concluído.

O artigo The global distribution of tetrapods reveals a need for targeted reptile conservation (doi: http://dx.doi.org/10.1038/s41559-017-0332-2), de Uri Roll, Anat Feldman, Maria Novosolov, Allen Allison, Aaron M. Bauer, Rodolphe Bernard, Monika Böhm, Fernando Castro-Herrera, Laurent Chirio, Ben Collen, Guarino R. Colli, Lital Dabool, Indraneil Das, Tiffany M. Doan, Lee L. Grismer, Marinus Hoogmoed, Yuval Itescu, Fred Kraus, Matthew LeBreton, Amir Lewin, Marcio Martins, Erez Maza, Danny Meirte, Zoltán T. Nagy, Cristiano de C. Nogueira, Olivier S. G. Pauwels, Daniel Pincheira-Donoso, Gary D. Powney, Roberto Sindaco, Oliver J. S. Tallowin, Omar Torres-Carvajal, Jean-François Trape, Enav Vidan, Peter Uetz, Philipp Wagner, Yuezhao Wang, C. David L. Orme, Richard Grenyer e Shai Meiri, pode ser lido no Nature Ecology & Evolution B em https://www.nature.com/articles/s41559-017-0332-2.

sábado, 23 de julho de 2016

Estrelando: araras-azuis-de-lear

Biólogos planejam documentário sobre a espécie, típica da caatinga brasileira e ameaçada pela perda de hábitat e pelo tráfico ilegal.

As araras-azuis-de-lear estão entre as aves mais ameaçadas do mundo. (foto: João Marcos Rosa)
Erica Pacífico é uma bióloga brasileira que, há quase dez anos, dedica-se ao estudo e conservação da arara-azul-de-lear, espécie criticamente ameaçada de extinção. Foi a primeira a conseguir chegar aos ninhos dessas aves – uma tarefa difícil, considerando que eles ficam a até 80 metros de altura, em paredões de arenito de difícil acesso. Sua história será contada no documentário To Catch a Macaw (“Pegar uma arara”, em tradução livre), no momento em busca de fundos para ser executado.

A ideia é acompanhar o trabalho de campo de Erica, que está realizando um trabalho de captura de filhotes em rochedos de arenito da Estação Biológica de Canudos, na Bahia, mantida pela Fundação Biodiversitas. O objetivo é prender nos animais pequenos microchips capazes de monitorar seu deslocamento. Trabalhar nas alturas, com animais delicados e tempo apertado – a missão deve ser concluída antes de os filhotes deixarem os ninhos: não é sempre que o público tem a oportunidade de acompanhar uma aventura científica desse porte.

Uma vez posicionados os microchips, começa a coleta de dados, que vai ajudar a esclarecer detalhes da biologia, do comportamento e do ambiente natural da espécie
.
Mas esta será apenas a primeira parte do trabalho. Uma vez posicionados os microchips, começa a coleta de dados, que vai ajudar a esclarecer detalhes da biologia, do comportamento e do ambiente natural da espécie. O conhecimento adquirido, apostam os produtores do documentário, será valioso para subsidiar estratégias de conservação não só da arara-azul-de-lear, mas também de toda a região.
Descrita pela primeira vez em 1858 a partir de uma ilustração do poeta britânico Edward Lear, a arara-azul-de-lear foi, por muitas décadas, um daqueles animais curiosos que se compra em feiras de espécimes contrabandeados. Sua verdadeira origem só foi esclarecida em 1978, quando o naturalista e ornitólogo Helmut Sick percorreu o Nordeste brasileiro e encontrou a primeira população selvagem do animal – o que rendeu, enfim, o reconhecimento como nova espécie, Anodorhynchus leari.

Simpatia em campanha

Hoja, as araras-azuis-de-lear vivem em uma região muito restrita da caatinga. Carismáticas por natureza, são bons personagens para atrair a atenção do público para a importância da preservação do ambiente onde vivem.
A situação da espécie, é bem verdade, já foi pior: na década de 1980, estimava-se a existência de apenas 70 animais na natureza. De lá para cá, graças aos esforços de pesquisadores como Erica e diversas instituições de pesquisa e conservação ambiental, o número cresceu – são, atualmente, cerca de 1300 indivíduos conhecidos –, mas ainda podem ficar melhores: é esse o objetivo do documentário.
À frente da produção estará a bióloga e fotógrafa Angela Prochilo, que procurava um tema para o trabalho de final de seu curso de mestrado em Produção de Filmes de Natureza na Universidade do Oeste da Inglaterra em Bristol, em parceria com a BBC. Depois de avaliar várias espécies, escolheu a arara-azul-de-lear por sua beleza, raridade e, por que não, brasilidade. “A caatinga é um bioma pouco conhecido fora do Brasil”, disse à CH Online. “E a arara-azul-de-lear é uma espécie raríssima, que sofre ameaças como perda de habitat e tráfico ilegal, entre outras”.

Chegar aos ninhos da espécie, em paredões de até 80 metros de altura é uma tarefa desafiadora. Você não adoraria dar uma espiada? (foto: João Marcos Rosa)
Para ajudar, entrou em cena o também biólogo Cesar Leite, ex-aluno do mesmo programa de pós-graduação e autor de um documentário sobre o tatu-bola, outra espécie brasileira ameaçada. O contato com Erica Pacífico arrematou os planos de Angela. “Erica foi muito receptiva, e logo seu carisma e sua paixão pelo trabalho ficaram muito claros para mim também”, conta a bióloga.

A empolgação inicial sofreu alguns baques com as dificuldades logísticas para a realização do documentário – coloquem na conta indisponibilidade de energia elétrica no acampamento e a falta de um veículo preparado para encarar trilhas esburacadas, por exemplo. Para vencer esses desafios, surgiu a ideia de uma campanha de crowdfunding para complementar o orçamento – até agora, o projeto contava apenas com investimentos particulares de seus autores e apoio da universidade para empréstimo de equipamentos.
Pesquisa, planejamento, roteiro e cronograma já estão prontos. Com o dinheiro arrecadado na campanha – ainda aberta, confira – as filmagens finalmente começarão, e prometem novos desafios. “Faremos trilhas pesadas, íngremes, sob o calor forte, carregando por volta de dez quilos de equipamento cada um. Teremos também que carregar pelo menos três litros de água conosco, para nos hidratarmos durante as filmagens”, planeja Angela.

Quando o documentário estiver completo, em outubro deste ano, a ideia é fazê-lo rodar o mundo em festivais de filmes do gênero. Para o futuro, os produtores já têm planos: filmar um novo documentário, desta vez em Canudos, para mostrar como as comunidades locais convivem com o belo e ameaçado animal.

Catarina Chagas
Instituto Ciência Hoje/ RJ

domingo, 28 de junho de 2015

O que você precisa saber sobre a 6ª Extinção em Massa

6 things to know about Earth's 6th mass extinction

By: Russell McLendon
June 23, 2015, 3:45 p.m.
black rhino
More than a quarter of all mammals are now at risk of extinction, including the critically endangered black rhino. (Photo: Shutterstock)
Earth has supported life for 3.5 billion years, but its hospitality is hardly consistent. Natural disasters have triggered at least five mass extinctions in the past 500 million years, each of which wiped out between 50 and 90 percent of all species on the planet. The most recent occurred about 65 million years ago, when an asteroid ended the reign of dinosaurs and opened new doors for mammals.
And now it's happening again. A new study reports the long-suspected sixth mass extinction of Earth's wildlife is "already under way."
"[The study] shows without any significant doubt that we are now entering the sixth great mass extinction event," co-author and Stanford University biologist Paul Ehrlich says in a press release.
But while previous extinctions are often linked to asteroids or volcanoes, this one is an inside job. It's caused mainly by one species — and it's a mammal. This extinction is the handiwork of humans.
Many scientists have said so for years, citing a pace of extinctions far beyond the historical "background" rate. Yet critics have argued that's based on inadequate data, preserving doubt about the scope of modern wildlife declines. To see if such doubt is justified, the authors of the new study compared a conservatively low estimate of current extinctions with an estimated background rate twice as high as those used in previous studies. Despite the extra caution, they still found species are disappearing up to 114 times more quickly than they normally do in the time between mass extinctions.
Here are six important things to know about life in the sixth mass extinction:
passenger pigeon
Once abundant in the U.S., passenger pigeons were driven extinct by a surge of hunting and habitat loss. (Photo: Seabamirum/Flickr)
1. This isn't normal.
Extinction is a natural part of evolution, having already claimed an estimated 99 percent of all species in Earth's history. But things can get ugly when too many species die out too quickly, creating a domino effect capable of bringing down ecosystems. In the new study, researchers used a background rate of two mammal extinctions per 10,000 species per 100 years (2 E/MSY), which is double the background rate used in many previous studies. When they compared that to a conservative estimate of modern-day extinctions, they found no way to avoid calling this a mass extinction.
"Even under our assumptions, which would tend to minimize evidence of an incipient mass extinction, the average rate of vertebrate species loss over the last century is up to 114 times higher than the background rate," the study's authors write. "Under the 2 E/MSY background rate, the number of species that have gone extinct in the last century would have taken, depending on the vertebrate taxon, between 800 and 10,000 years to disappear. These estimates reveal an exceptionally rapid loss of biodiversity over the last few centuries, indicating that a sixth mass extinction is already under way."
Bolivia deforestation
A satellite view of deforestation in Bolivia. (Photo: NASA Goddard Space Flight Center)
2. Space is at a premium.
The No. 1 cause of modern wildlife declines is habitat loss and fragmentation, representing the primary threat for 85 percent of all species on the IUCN Red List. That includes deforestation for farming, logging and settlement, but also the less obvious threat of fragmentation by roads and other infrastructure.
And even where habitats aren't being razed or divided, they're increasingly altered by other human activities. Invasive species now threaten a variety of native plants and animals around the world, either by killing them directly or by outcompeting them for food and nest sites. Pollution is pervasive in many places, from chemicals like mercury that accumulate in fish to the plastic debris that slowly kills sea turtles, sea birds and cetaceans. Entire ecosystems are now migrating due to climate change, leaving behind less mobile or adaptable species. And in some parts of the world, poachers are obliterating rare species to meet demand for wildlife parts like rhino horn and elephant ivory.
baby poison dart frog
Habitat loss, chytrid fungus and other pressures threaten to erase an array of frog species. (Photo: Andrew Cowie/AFP/Getty Images)
3. Vertebrates are vanishing.
The number of vertebrate species that have definitely gone extinct since 1500 is at least 338, according to the new study. (That doesn't include the less stringent categories of "extinct in the wild" (EW) and "possibly extinct" (PE), which push the total up to 617.) More than half of those extinctions have occurred since 1900 — 198 in the "extinct" (EX) category, plus another 279 in EW and PE.
Even under the most conservative estimates, the extinction rates for mammals, birds, amphibians and fish have all been at least 20 times their expected rates since 1900, the researchers note (the rate for reptiles ranges from 8 to 24 times above expected). Earth's entire vertebrate population has reportedly fallen 52 percent in the last 45 years alone, and the threat of extinction still looms for many — including an estimated 41 percent of all amphibian species and 26 percent of mammals.
"There are examples of species all over the world that are essentially the walking dead," Ehrlich says.
bumblebee silhouette
Insecticides can weaken native pollinators like bees, raising concerns about food supplies. (Photo: Bjorn Watland/Flickr)
4. It's probably still worse than we think.
The new study is intentionally conservative, so the actual rate of extinctions is almost certainly more extreme than it suggests. "We emphasize that our calculations very likely underestimate the severity of the extinction crisis," the researchers write, "because our aim was to place a realistic lower bound on humanity's impact on biodiversity."
The study also focuses on vertebrates, which are typically easier to count than smaller or subtler wildlife like mollusks, insects and plants. As another recent study pointed out, this leaves much of the crisis unexamined. "Mammals and birds provide the most robust data, because the status of almost all has been assessed," write the authors of that study, published June 8 in the Proceedings of the National Academy of Sciences. "Invertebrates constitute over 99% of species diversity, but the status of only a tiny fraction has been assessed, thereby dramatically underestimating overall levels of extinction."
By incorporating data on terrestrial invertebrates, they add, "this study estimates that we may already have lost 7% of [contemporary] species on Earth and that the biodiversity crisis is real."
fishing boats on the North Sea
About 1 billion people rely on fish as their main source of animal protein, according to the World Health Organization. (Photo: Shutterstock)
5. No species is safe.
Humans are hardly an endangered species, with a global population of about 7.2 billion and growing. But fortunes can change quickly, as we've demonstrated in recent decades with lots of other wildlife. And despite our best efforts to buffer ourselves against the whims of nature, civilization remains reliant on healthy ecosystems for food, water and other resources. Adjusting to mass extinctions would be a challenge under any circumstances, but it's especially daunting in the context of climate change.
"If it is allowed to continue, life would take many millions of years to recover, and our species itself would likely disappear early on," says Gerardo Ceballos of the Universidad Autónoma de México, lead author of the new study. "We are sawing off the limb that we are sitting on," Ehrlich adds.
asteroid
An artist's rendering of the asteroid widely credited with wiping out the dinosaurs. (Image: NASA)
6. Unlike an asteroid, we can be reasoned with.
Previous mass extinctions may have been inevitable, but it's not too late to stop this one. While the authors of the new study acknowledge the difficulty of curbing lucrative destruction like deforestation, not to mention climate change, they note it is still possible. It's even gaining momentum, thanks to growing public awareness as well as high-profile attention from governments, corporations and even the pope.
"Avoiding a true sixth mass extinction will require rapid, greatly intensified efforts to conserve already threatened species," the study's authors write, "and to alleviate pressures on their populations — notably habitat loss, over-exploitation for economic gain and climate change."
That won't be easy, but at least it's more of a chance than the dinosaurs got.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Último rinoceronte branco da Terra é vigiado 24 horas por dia

14/4/2015 11:39
Por Sarah V Schweig- The Dodo - de Náirobi

Para aumentar sua segurança, além de monitoramento via transmissores de rádio, Sudan conta com a proteção de guardas armados
Para aumentar sua segurança, além de monitoramento via transmissores de rádio, Sudan conta com a proteção de guardas armados

Um rinoceronte chamado Sudan está sendo vigiado por guardas armados o dia inteiro devido o fato de ser o último de sua espécie na Terra. O Sudan é o único macho restante da subespécie de rinocerontes brancos do norte, graças à caça desenfreada que atingiu níveis catastróficos nos últimos anos. Seus parentes e antepassados foram mortos para a retirada de seus chifres, que são vendidos por um alto valor na Ásia, onde se acredita serem eficazes na cura de diversas doenças.

Para aumentar sua segurança, além de monitoramento via transmissores de rádio, Sudan conta com a proteção de guardas armados na Ol Pejeta Conservancy no Quênia, que o cercam dia e noite para manter o rinoceronte de 40 anos de idade e outros dois do sexo feminino de sua subespécie vivos. (Há apenas dois outros rinocerontes brancos do norte do mundo, duas fêmeas, também em cativeiro.)
Além da vigilância outra medida foi tomada, a remoção de seus chifres. “O único motivo para a remoção dos chifres é para proteger contra caçadores ’’ Elodie Sampere, da tutela, disse ao The Dodo. “Se o rinoceronte não tem chifre, ele não é de interesse para os caçadores, isto é unicamente para mantê-los a salvo.”

“Com a crescente demanda por chifre de rinoceronte e marfim, enfrentamos muitas tentativas de caça ilegal e combatemos um grande número delas, porém tendo por diversas vezes de arriscar nossas vidas para o cumprimento do dever”, Simon Irungu, um soldado que guarda Sudan e outros rinocerontes no Conservancy, disse em entrevista ao mundo dos Animais do Reino Unido.

Sudan e outros três rinocerontes chegaram de um zoológico na República Checa em 2009, com a esperança de reprodução dos rinocerontes em um clima e ambiente mais natural para eles. Porém em 2014, nenhum rinoceronte bebê havia nascido. O outro rinoceronte macho, Suni, morreu aos 34 anos, em outubro do ano passado, deixando Sudan e as duas fêmeas na unidade de preservação. As tentativas de reprodução com o Sudan, o último macho de reprodução rinoceronte da subespécie do mundo, têm sido infrutíferas.
Cercado por guardas dia e noite, a reserva participou de uma campanha de angariação de fundos, #RunningForRangers (#CorrendoPelosSoldados) , para ajudar a sustentar equipe de segurança do Sudan.
O esforço despendido por seres humanos para manter este rinoceronte vivo contrasta com o quão impiedosos outros seres humanos têm sido para com a espécie.

Saiba como você pode ajudar a manter o Sudan do rinoceronte seguro. (http://www.gofundme.com/olpejeta)
Tradução: Marcus V. Cabral

sábado, 16 de agosto de 2014

Mais água, menos lontras

Estudos mostram que usinas hidrelétricas são responsáveis pela queda na densidade da população do mamífero, que está ameaçado de extinção no Brasil. 
 
Por: Sofia Moutinho
Publicado em 15/08/2014 | Atualizado em 15/08/2014
Mais água, menos lontras
A lontra-gigante ou ariranha, ameaçada de extinção, teve sua densidade populacional reduzida em mais de quatro vezes na porção do rio Uatumã onde foi construída a usina hidrelétrica de Balbina, no Amazonas. (foto: GraphicReality/ Flickr - CC BY-NC-SA 2.0) 
 
Elas são fofas, carismáticas e funcionam como indicadores da qualidade dos ambientes aquáticos – salgados e doces. As lontras não têm predador natural, estão no topo da cadeia alimentar. A falta ou excesso do animal aponta para um desequilíbrio no ecossistema. No mundo todo, há 13 espécies, a maioria categorizada como ameaçada de extinção. Aqui no Brasil, a situação também não é das melhores. Temos duas espécies fluviais que sofrem com a caça ilegal, a poluição, os atropelamentos e a construção de represas.
Quando uma hidrelétrica é construída, grandes áreas são alagadas, o que em teoria seria o paraíso para as lontras, que passam a maior parte de seu tempo nadando e pescando. No entanto, não é isso que os estudos têm mostrado. A qualidade vale muito mais do que a quantidade, foi o que mostrou uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) liderada pela bióloga Ana Filipa Palmeirim na usina hidrelétrica de Balbina, localizada no rio Uatumã, no Amazonas.
Em busca de avaliar o impacto da construção da barragem sobre as já ameaçadas de extinção lontras-gigantes (Pteronura brasiliensis), mais conhecidas como ariranhas, a bióloga e colegas saíram à caça de vestígios do animal que pudessem dar uma ideia do tamanho da população 25 anos depois da construção da usina, que se deu em 1989.
Palmeirim: "Onde hoje há água, havia uma floresta com outros predadores, como a onça. Já não temos os animais terrestres, então era para pelo menos termos os aquáticos no lugar."
Para isso, os biólogos percorreram de barco cerca de 850 quilômetros de margem dos 4.437 quilômetros quadrados do lago da hidrelétrica, contabilizando vestígios da passagem de ariranhas, como fezes, pegadas e tocas. Com base nesses indícios, estimaram a população de ariranhas após o alagamento da região. Os biólogos não tinham dados precisos dessa população antes da existência da barragem e, para fins de comparação, tomaram como base os números encontrados em um grupo de ariranhas do rio Pitinga, que se assemelha à configuração anterior do rio Uatumã.

O resultado dos cálculos se mostrou alarmante. Embora a população de ariranhas tenha dobrado depois da construção da hidrelétrica, passando de 140 para 280 animais, a sua densidade caiu quatro vezes e meia. Isso significa que hoje há menos ariranhas por quilômetro quadrado.

“Depois do enchimento da represa, as ariranhas passaram a contar com nove vezes mais áreas de margem e 60 vezes mais áreas aquáticas”, pontua Palmeirim, que apresentou seu trabalho durante o 12° Congresso Internacional sobre Lontras, que ocorreu esta semana no Rio de Janeiro. “Se a área é maior e o local bem conservado, a densidade populacional teria que ser pelo menos igual ao que era antes do represamento, mas o que vimos foi uma grande redução. Isso nos mostra que o habitat não está com qualidade satisfatória.”
Palmeirim explica que a falta de ariranhas indica um desequilíbrio ecológico que afeta todos os níveis da cadeia alimentar. “Se há pouca ariranha, há falta de funções no ecossistema”, afirma. “Onde hoje há água, antes havia uma floresta com outros predadores, como a onça. Agora já não temos os animais terrestres, então era para pelo menos termos os aquáticos no lugar.”
Lontra-neotropical
No Paraná, a lontra-neotropical sofre as consequências das hidrelétricas construídas no rio Iguaçu, cinco no total. (foto: Wikimedia Commons/ Carla Antonini - CC BY-SA 2.5 AR)
Os pesquisadores acreditam que a baixa densidade de ariranhas é reflexo da escassez de peixes provocada pela barragem da usina. Hoje, já não há mais no lago de Balbina peixes migratórios, que normalmente passariam pelo rio na época de acasalamento. Por causa da barragem, eles não conseguem chegar à represa.
As ariranhas precisam comer por dia cerca de 10% da sua massa corporal em peixes. “Para conservar a ariranha, temos que conservar o habitat, manter os níveis de peixe”, diz Palmeirim.

Sem comida e sem tocas

Mudanças na população e na dieta das lontras também foram observadas na hidrelétrica Salto Caxias, no trecho final do rio Iguaçu, no Paraná. Antes da construção da usina, finalizada em 1999, a bióloga Juliana Quadros, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), fez uma estimativa da população da lontra-neotropical (Lontra logicautis) na região. Também com base na contagem de tocas e fezes, ela calculou que havia quatro fêmeas antes do alagamento. Depois, foram encontradas apenas duas.
Além da redução da população pela metade, a pesquisa constatou que as lontras mudaram seus hábitos alimentares e até a construção de suas tocas. Com o enchimento da represa, o rio passou a ter uma profundidade muito maior, o que alterou a disponibilidade de oxigênio na água e impossibilitou a presença de alguns animais que antes viviam ali, como o caranguejo-de-água-doce (Trichodactylus petropolitanus).
Antes da hidrelétrica as lontras faziam suas tocas ao pé de árvores na margem alagadiça do rio, depois elas passaram a viver em cavidades entre rochas.
 
Pela análise das fezes das lontras, Quadros observou que esse caranguejo constituía cerca de 35% da alimentação das lontras antes da hidrelétrica e passou para apenas 5% logo após o alagamento.
Se antes da hidrelétrica as lontras faziam suas tocas ao pé de árvores na margem alagadiça do rio, depois elas passaram a viver em cavidades entre rochas. “Com o rio corrente preservado, o solo estava constantemente enlameado e era fácil de cavar para construir as tocas”, diz Quadros. “Hoje isso já não acontece e elas precisam procurar abrigo em áreas mais distantes do rio e menos adequadas.”
As pesquisadoras apontam que algumas medidas poderiam reduzir o impacto das barragens, como a criação de uma escada para peixes migratórios durante a construção das usinas, mais restrições para a pesca e um controle do nível de água do reservatório mais parecido com o natural. “Infelizmente, a maioria das hidrelétricas não implementa essas estratégias”, diz Palmeirim.
Tocas
Na hidrelétrica de Salto Caxias, no Paraná, as lontras deixaram de construir suas tocas na raiz de árvores das margens do rio (esq.) e passaram a viver em pedreiras (dir.) (foto: Juliana Quadros)
Atualmente, o Brasil tem cerca de 500 hidrelétricas em funcionamento, mais 21 em construção e 227 em planejamento. Quadros lembra que, apesar de gerar energia elétrica, essas represas são fonte de emissão de gases-estufa e geram grande impacto sobre a biodiversidade local, além de muitas vezes desabrigarem centenas de pessoas para sua construção e aumentarem o risco de disseminação de doenças como a malária, transmitida por mosquitos que usam a água para procriar.

“O Brasil continua vendendo a ideia de que hidrelétrica é energia verde, mas a verdade é muito longe disso e as lontras são apenas um dos indícios”, conclui a bióloga.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Campeões da conservação

Publicado em 12/06/2014
Pesquisadores propõem que, para cada gol marcado na Copa do Mundo do Brasil, sejam preservados mil hectares de caatinga, hábitat da mascote da competição.
Campeões da conservação
Durante a Copa do Mundo de 2014, Fuleco ficará internacionalmente conhecido. Cientistas esperam que tamanha exposição ajude a preservar seu hábitat, a caatinga, bioma exclusivamente brasileiro. (foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil – CC BY-SA 3.0) 
 
Você já deve ter ouvido falar do Fuleco. É a mascote da Copa do Mundo de 2014, que está prestes a começar. Ele é um simpático tatu-bola – e seu nome vem da mistura entre as palavras ‘futebol’ e ‘ecologia’.
O personagem foi inspirado em um curioso representante de nossa fauna: o tatu-bola-da-caatinga (Tolypeutes tricinctus). Trata-se de uma espécie endêmica brasileira que está ameaçada de extinção. E seu ambiente natural, a caatinga, também passa por uma situação que, definitivamente, não é das melhores. Esse bioma, segundo a comunidade científica, está em péssimo estado de conservação.
“Escolheram um animal que está ameaçado para ser símbolo da Copa. Mas por que não usar essa divulgação toda para promover ações de conservação dessa espécie?”, provoca o biólogo Enrico Bernard, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Até agora, o retorno que o tatu-bola-da-caatinga recebeu foi praticamente zero.”
Tatu-bola-da-caatinga
O tatu-bola-da-caatinga (‘Tolypeutes tricinctus’) é uma espécie ameaçada de extinção. (imagem: Wikimedia Commons/ ChrisStubbs – CC BY-SA 3.0)
O pesquisador, em parceria com colegas das universidades federais do Vale do São Francisco (Univasf) e da Paraíba (UFPB), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Universidade Autônoma do México, publicou um recente artigo criticando a falta de ações concretas de conservação da mascote da Copa.
“É uma provocação à Federação Internacional de Futebol (Fifa) e ao governo brasileiro”, diz Bernard. A equipe sugere que a Fifa e o Ministério do Meio Ambiente aproveitem melhor a alta exposição do bicho para ajudar em sua conservação.

Além da crítica

No artigo, os pesquisadores propõem algumas ideias bem práticas. A primeira delas é expandir o sistema de parques e reservas na caatinga. Eles também esperam que o governo acelere a publicação de um plano de conservação para o tatu-bola.
No dia 22 de maio, foi aprovado o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola, que prevê a criação de dois parques para proteção da espécie
Outra sugestão, que, segundo os cientistas, não está sendo levada muito a sério, é que fossem honrados os investimentos prometidos para os chamados Parques da Copa. Eram projetos que pretendiam criar unidades de conservação voltadas a atividades turísticas. Seriam parques e reservas naturais – onde se poderiam promover ações turísticas de visitação de modo a atrair tanto brasileiros quanto estrangeiros para conhecer as belezas naturais da caatinga. E não só durante o período da Copa. Futuramente, o turismo nacional poderia se beneficiar dessas novas áreas.

Mas, de fato, a mais audaciosa das propostas dos pesquisadores é a seguinte: para cada gol marcado nos jogos da Copa, seriam protegidos mil hectares de áreas naturais de caatinga. Ou seja: gols resultariam diretamente em novos territórios a auxiliar na proteção do tatu-bola e seu hábitat.

As ideias têm sido amplamente divulgadas e foram enviadas ao Ministério do Meio Ambiente e à Fifa. No dia 22 de maio, como parte de um pacote de ações pelo Dia Mundial da Biodiversidade, foi aprovado o Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola, que, entre outras medidas, prevê a criação de dois parques para proteção da espécie. “Agora é aguardar para ver se vão honrar mais esse compromisso”, finaliza Bernard.

Gabriel Toscano
Ciência Hoje On-line

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sobrevivente sortuda

Publicado em 23/05/2014
No Dia Mundial das Tartarugas, conheça a história de Hofesh, tartaruga marinha que recuperou sua capacidade de nadar graças a equipamento inspirado em avião de guerra.
Sobrevivente sortuda
Encontrada numa praia de Israel com duas patas condenadas, a tartaruga Hofesh agora recuperou sua capacidade de nado graças a nadadeiras artificiais especificamente desenhadas para ela. (foto: Israel's Sea Turtle Rescue and Rehabilitation Center
 
Você sabia que 23 de maio é o Dia Mundial das Tartarugas? A data é celebrada pela American Tortoise Rescue para chamar a atenção do mundo para a necessidade de proteger esses répteis tão simpáticos – e, em muitos casos, tão ameaçados.

Para marcar a efeméride, vamos contar a história de Hofesh, a tartaruga verde que escapou da morte certa pela ação do Centro de Resgate e Reabilitação de Tartarugas Marinhas de Israel e recebeu implantes tecnológicos especialmente desenhados que devolveram sua mobilidade.

Hofesh foi encontrada jogada numa praia mediterrânea em Israel, em péssimas condições: estava presa numa rede de pesca e suas duas patas esquerdas apresentaram necrose, pela falta de circulação e pela infecção dos ferimentos. “Depois de perder o controle de suas nadadeiras, ela provavelmente sobreviveu apenas flutuando no oceano, pois estava incapacitada de nadar e, ao mesmo tempo, precisava pegar ar na superfície”, conta Orit Friehmann Elad, do centro israelense. “Isso a deixou muito vulnerável aos predadores e provavelmente a teria matado de qualquer forma em pouco tempo.”
Equipamento improvisado
Os pesquisadores chegaram a experimentar alternativas para recuperar a habilidade de nado de Hofesh, mas as soluções improvisadas não funcionaram. (foto: Yaniv Levy/ Israel's Sea Turtle Rescue and Rehabilitation Center)
A única solução encontrada pelos cientistas foi recolher o animal ao seu centro de reabilitação e tratamento, onde ele teve os dois membros amputados, para salvar sua vida. Os pesquisadores chegaram a improvisar um sistema para tentar devolver sua capacidade de nado usando equipamentos de mergulho, mas a solução pecava pela falta de estabilidade e não resolveu o problema.

Esperança, liberdade e amor

Por quatro anos, Hofesh permaneceu nessa situação, limitando-se basicamente a boiar e, quando ficava nervoso ou assustado por qualquer motivo, acabava afundando numa perigosa espiral e correndo sério risco de se afogar. A história, no entanto, começou a mudar quando Shlomi Gez, um estudante de desenho industrial da Hadassah Academic College, de Jerusalém, ficou sabendo do problema da tartaruga verde e decidiu ajudar: a partir de um projeto que havia elaborado para peixes, ele criou uma barbatana de polipropileno (um plástico durável, flexível e resistente à água) especificamente para Hofesh, desenhada com base no design do caça supersônico F-22 Raptor.

Amarrada no casco da tartaruga, ela devolveu o equilíbrio ao animal, que pôde enfim nadar mais livremente. “Hofesh ficou muito mais confortável e calmo com o equipamento, já é possível perceber um grande avanço na sua capacidade de locomoção, mesmo tendo recebido a barbatana faz pouco tempo”, conta Elad.
Tartaruga reabilitada
Já equipado com suas nadadeiras artificiais, Hofesh divide seu tanque agora com Tzurit, fêmea cega de sua espécie. Embora nenhum dos dois possa retornar ao mar, seus possíveis filhotes ganharão a liberdade. (foto: Israel's Sea Turtle Rescue and Rehabilitation Center)
O mais irônico é que, apesar de seu nome em hebraico significar ‘liberdade’, Hofesh jamais poderá retornar à vida selvagem, pois ainda seria presa fácil no oceano. No entanto, ele não viverá sozinho: a tartaruga macho divide seu tanque com uma fêmea da mesma espécie, Tzurit, que ficou cega após um acidente com um barco e também não pode ser devolvida à natureza. Os pesquisadores acreditam que eles podem formar um belo casal – ambos têm cerca de 25 anos, idade aproximada em que a espécie atinge a maturidade sexual.

“Hofesh e Tzurit já vivem juntos no mesmo tanque e interagem bastante”, conta Elad. “Poderíamos até chamar esse comportamento de um flerte brincalhão, conforme eles se aproximam da sua maturidade sexual”, comemora. Quem sabe um dia seus filhos possam, enfim, retornar ao mar, não é mesmo? Elad conta, ainda, que as duas tartarugas poderão ter a companhia de outros espécimes também preservados pelo grupo, quando as novas instalações do centro forem construídas.

No Brasil
Em nosso país, o projeto Tamar se destaca como um importante programa de conservação das tartarugas marinhas em território nacional. Com bases espalhadas por toda a costa brasileira, o projeto tem sido fundamental na proteção das cinco espécies do animal que vivem em nosso litoral. Suas atividades incluem pesquisa, mapeamento e proteção de ninhos, marcação dos répteis, trabalho junto a populações locais e pescadores para auxiliar na preservação, atividades de educação ambiental e divulgação científica em mais de 10 centros de visitação pública em diversas praias do Brasil, entre outras.

Saindo um pouco dos oceanos, vamos falar sobre as tartarugas terrestres – afinal, hoje também é um dia dedicado à proteção delas! No seco, talvez o maior destaque sejam as tartarugas gigantes de Galápagos. Sobre elas, vale relembrar a morte de George, o solitário, que marcou a provável extinção de uma de suas subespécies, a tartaruga-das-galápagos-de-pinta, e também um estudo que encontrou indicações de que outra espécie do animal, dada como extinta desde o século 19, pode ainda existir escondida nas ilhas do arquipélago equatoriano.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Ameaça atualizada

Publicado em 07/01/2014
Tags: Meio ambiente, Espécies ameaçadas, Botânica, Conservação, Desmatamento
 
Lançado o Livro Vermelho da Flora do Brasil, publicação que atualiza a lista de espécies vegetais ameaçadas de extinção em nosso país.
Ameaça atualizada
Orquídeas e bromélias figuram entre as espécies vegetais mais ameaçadas no Brasil. (foto: José Manuel López Pinto/ Wikimedia Commons)
Demorou mas saiu. Após alguma expectativa, foi finalmente lançado o Livro Vermelho da Flora do Brasil – publicação capitaneada pelo Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
O livro traz as informações científicas mais atualizadas sobre as espécies ameaçadas que compõem a flora brasileira. É uma referência indispensável para que gestores façam a lição de casa e proponham estratégias de conservação cientificamente embasadas. Quem assina a obra são os botânicos Gustavo Martinelli e Miguel d'Ávila de Moraes.
Livro Vermelho da Flora do BrasilNovidade: o material foi elaborado a partir de uma metodologia internacional baseada nos critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês).
“A partir desse levantamento, será possível avançar para uma avaliação integral do risco de extinção de todas as espécies da flora brasileira”, afirma Moraes. “Sabendo quais são as espécies com maior risco de extinção e conhecendo as principais ameaças incidentes, fica mais fácil agir para reverter o quadro.”
De um total de 4.617 espécies avaliadas, 2.118 (45,9% delas) foram classificadas como ameaçadas. “Cerca de 500 foram incluídas na categoria ‘criticamente em perigo’; portanto, correm risco extremamente alto de extinção na natureza”, alerta Moraes.
O grupo das pteridófitas (samambaias, avencas e xaxins, por exemplo) é o mais ameaçado. Mas também estão na lista das espécies consideradas ‘criticamente em perigo’ plantas das famílias Bromeliaceae (bromélias), Orchidaceae (orquídeas) e Asteraceae (como margaridas e girassóis).
Os biomas mais ameaçados são mata atlântica e cerrado, seguidos por caatinga e pampa. A floresta amazônica vem em quinto lugar – provavelmente pela vasta rede de áreas protegidas (38% de seu território).
Os biomas mais ameaçados são mata atlântica e cerrado, seguidos por caatinga e pampa. A floresta amazônica vem em quinto lugar
“O elevado número de espécies ameaçadas na mata atlântica está relacionado à perda de mais de 80% da cobertura original do bioma”, comenta o especialista.
Já no cerrado, a vegetação original vem sendo destruída para dar lugar à agropecuária. Na Amazônia também. Lá, grandes projetos de construção de hidrelétricas agravam o quadro e colocam em risco espécies animais, vegetais e até comunidades tradicionais.
A publicação do livro foi apenas a primeira etapa de um trabalho audacioso que deve se estender até 2020. Até lá, a equipe espera ter um levantamento completo sobre a avaliação de risco de cada uma das espécies vegetais que ocorrem em nosso território. Atualmente, são mais de 44 mil já conhecidas, número que corresponde a 14% das espécies da flora do planeta.
A lista atualizada encontra-se disponível no portal do CNCFlora. Pela internet, o público pode oferecer contribuições, esclarecer dúvidas e também enviar denúncias.

Henrique Kugler
Ciência Hoje On-line
Lucas Conrado
Especial para CH On-line

quinta-feira, 28 de junho de 2012

California condors face lead menace

Signature species may need perpetual conservation.
Despite a ban on toxic bullets, the carcasses left by US hunters are poisoning this majestic carrion feeder.
Y. MOMATIUK & J. EASTCOTT/MINDEN PICTURES/FLPA
After more than three decades on the brink of extinction, the California condor (Gymnogyps californianus) — the largest and most threatened wild bird species in the United States — is making a modest recovery, thanks to intensive captive breeding and medical intervention. But troubling data reported this week suggest that unless hunters change their practices, the condor will require extensive support in perpetuity if it is to survive in the wild.

The cause of the problem is that the condors ingest lead when they feed on the carcasses of animals that hunters have shot. A multidisciplinary study published on 26 June (M. Finkelstein et al. Proc. Natl Acad. Sci. USA http://dx.doi.org/10.1073/pnas.1203141109; 2012) shows that chronic lead poisoning persists among condors, despite a 2008 California ban on the use of lead shot in regions where the birds are being reintroduced.

Building on earlier studies, the researchers collected feathers and blood samples from trapped birds and found no discernible difference in lead levels before and after the ban. Condors feed by scavenging; the results show that many of those sampled have dangerous levels of lead in their bodies. Lead poisoning can severely damage the birds’ nervous systems and impair liver and kidney function, among other problems, and it can be fatal. The study also found that approximately 20% of condors in the wild have lead levels that are high enough to require costly treatment with chemical agents to remove the toxic metal from their bodies.
“By any measure, the lead poisoning rates in condors are of epidemic proportions,” says Myra Finkelstein, a toxicologist at the University of California at Santa Cruz, who led the research.
The California condor population fell to an all-time low of 22 individuals in 1982, but  captive-breeding and monitoring programmes have brought it back up to nearly 400 birds. Of those, half reside in captive-breeding centres, which provide a steady supply of new releases. In California, only 24 chicks have fledged in the wild. At that rate, the study shows, it would take 1,800 years for the population in California to reach 150 — the number called for in the recovery plan — without the ongoing release of birds bred in captivity.
Finkelstein’s team did an isotopic analysis of the lead in the birds and identified lead shot or bullets as the main source of contamination. Even though hunters must use copper bullets or other alternatives in condor habitat, some are apparently ignoring the ban. Condors must consume 75–150 carcasses every year to maintain a healthy weight. The study found that even if fewer than 2% of the carcasses contain lead, there is a 50% chance that a condor will eat contaminated meat (see ‘Loaded odds’).

“Kudos to the hunters who are using copper [bullets], but it isn’t going to be effective until you get all the lead out,” says Jeff Miller, conservation advocate for the Center for Biological Diversity (CBD), based in Tucson, Arizona. Lead ammunition is cheaper and popular with hunters. The American Bird Conservancy in The Plains, Virginia, which advocates for lead-free hunting, argues that publicizing the risk of lead shot to human health might persuade hunters to use alternatives.

Pedro Nava, a former member of the California State Assembly who spearheaded the lead ban, says that a lack of resources for enforcing the ban means that the condor’s future depends on the good will of hunters. He says that the California Department of Fish and Game needs more enforcement personnel. “They have 300 game wardens in the state. If they were to be consistent with other states in terms of population, they should have a thousand,” he says.

Nava says that he would like to see the ban expand beyond condor habitat, starting with state-owned uplands favoured by hunters. On 7 June, the CBD filed a lawsuit to require the US Environmental Protection Agency (EPA) to ban lead ammunition, but the agency maintains that it lacks the legal authority to do so.
Despite general acceptance in the United States for the need to restrict lead in nearly all commercial products, the National Rifle Association (NRA), based in Washington DC, says that applying such rules to ammunition would infringe US gunowners’ rights. “We’d look at it as an anti-gun move,” said Susan Recce, the NRA’s director of conservation, wildlife and natural resources. The NRA is lobbying for legislation that would prevent any EPA intervention.
Finkelstein says that the problem has to be addressed somehow, or the California condors will never recover. “We’re spending an exorbitant amount of time tracking, trapping and hospitalizing these condors to manage their lead poisoning episodes,” she says. “It’s just not an effective way to go about this problem.”
Nature
486,
451
()
doi:10.1038/486451a