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terça-feira, 20 de março de 2018




























Sudan, o último rinoceronte-branco-do-norte macho, morreu nesta segunda-feira aos 45 anos.

A informação foi avançada pela reserva natural queniana de Ol Pejeta, onde o animal vivia desde 2009. Com a saúde de Sudan a deteriorar-se de dia para dia, a reserva natural tomou a decisão de abatê-lo, conforme explica em comunicado. Agora há apenas duas fêmeas de rinoceronte-branco-do-norte no mundo inteiro.


“O seu estado de saúde piorou significativamente nas últimas 24 horas; estava impedido de se levantar e estava a sofrer bastante”, informou a reserva natural Ol Pejeta, citada pela Reuters. “A equipa veterinária do zoológico de Dver Kralove, o Ol Pejeta e os Serviços de Fauna Selvagem do Quénia decidiram eutanasiá-lo”.

Sudan sofria de problemas nos músculos e nos ossos, provocados pela idade avançada. Nos seus últimos dois meses de vida, Sudan lutou contra uma infecção recorrente na pata esquerda. No início de Março, a equipa da reserva natural informou que o rinoceronte tinha sofrido uma recaída e que estava em estado grave: a infecção voltou, e desta vez era "muito mais profunda", conforme descreveu a reserva natural.

Sudan chegou ao Quênia vindo do zoológico de Dver Kralove, na República Checa. Foi levado para a reserva natural de Ol Pejeta, 250 quilómetros a norte de Nairobi, para viver com as duas últimas fêmeas da mesma subespécie, Najin, 27 anos, e Fatu, 17 anos – respectivamente filha e neta de Sudan.

Sudan era muito velho para procriar por vias naturais, pelo que a única esperança de evitar a extinção da subespécie estava no recurso a técnicas de fertilização artificial. Para angariar os cerca de nove milhões de dólares (mais de oito milhões de euros) necessários para o processo, Sudan foi protagonista de uma campanha na rede social Tinder, aplicação de encontros, onde era apresentado como o último macho da subespécie. A fertilização artificial de Najin (a única das duas fêmeas que é fértil) é a última esperança para a conservação desta subespécie.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Último rinoceronte branco da Terra é vigiado 24 horas por dia

14/4/2015 11:39
Por Sarah V Schweig- The Dodo - de Náirobi

Para aumentar sua segurança, além de monitoramento via transmissores de rádio, Sudan conta com a proteção de guardas armados
Para aumentar sua segurança, além de monitoramento via transmissores de rádio, Sudan conta com a proteção de guardas armados

Um rinoceronte chamado Sudan está sendo vigiado por guardas armados o dia inteiro devido o fato de ser o último de sua espécie na Terra. O Sudan é o único macho restante da subespécie de rinocerontes brancos do norte, graças à caça desenfreada que atingiu níveis catastróficos nos últimos anos. Seus parentes e antepassados foram mortos para a retirada de seus chifres, que são vendidos por um alto valor na Ásia, onde se acredita serem eficazes na cura de diversas doenças.

Para aumentar sua segurança, além de monitoramento via transmissores de rádio, Sudan conta com a proteção de guardas armados na Ol Pejeta Conservancy no Quênia, que o cercam dia e noite para manter o rinoceronte de 40 anos de idade e outros dois do sexo feminino de sua subespécie vivos. (Há apenas dois outros rinocerontes brancos do norte do mundo, duas fêmeas, também em cativeiro.)
Além da vigilância outra medida foi tomada, a remoção de seus chifres. “O único motivo para a remoção dos chifres é para proteger contra caçadores ’’ Elodie Sampere, da tutela, disse ao The Dodo. “Se o rinoceronte não tem chifre, ele não é de interesse para os caçadores, isto é unicamente para mantê-los a salvo.”

“Com a crescente demanda por chifre de rinoceronte e marfim, enfrentamos muitas tentativas de caça ilegal e combatemos um grande número delas, porém tendo por diversas vezes de arriscar nossas vidas para o cumprimento do dever”, Simon Irungu, um soldado que guarda Sudan e outros rinocerontes no Conservancy, disse em entrevista ao mundo dos Animais do Reino Unido.

Sudan e outros três rinocerontes chegaram de um zoológico na República Checa em 2009, com a esperança de reprodução dos rinocerontes em um clima e ambiente mais natural para eles. Porém em 2014, nenhum rinoceronte bebê havia nascido. O outro rinoceronte macho, Suni, morreu aos 34 anos, em outubro do ano passado, deixando Sudan e as duas fêmeas na unidade de preservação. As tentativas de reprodução com o Sudan, o último macho de reprodução rinoceronte da subespécie do mundo, têm sido infrutíferas.
Cercado por guardas dia e noite, a reserva participou de uma campanha de angariação de fundos, #RunningForRangers (#CorrendoPelosSoldados) , para ajudar a sustentar equipe de segurança do Sudan.
O esforço despendido por seres humanos para manter este rinoceronte vivo contrasta com o quão impiedosos outros seres humanos têm sido para com a espécie.

Saiba como você pode ajudar a manter o Sudan do rinoceronte seguro. (http://www.gofundme.com/olpejeta)
Tradução: Marcus V. Cabral

domingo, 11 de setembro de 2011

Cientistas criam células-tronco para evitar extinção de espécies

Pesquisas podem ajudar a salvar rinoceronte branco e um macaco africano ameaçados de extinção.

Da BBC
Cientistas nos EUA anunciaram ter produzido células-tronco de rinoceronte-branco do norte e de um macaco africano, o que pode ajudar a garantir a sobrevivência das duas espécies ameaçadas de extinção.
Os cientistas relatam, na publicação "Nature Methods", que as células-tronco poderão ser transformadas em diferentes tipos de células do corpo dos animais. Se forem convertidas em óvulos e esperma dos animais, "filhotes de proveta" poderão ser desenvolvidos.
Tais aplicações ainda estão num futuro distante, mas a chefe da equipe de pesquisa, Jeanne Loring, disse que os estudiosos ficaram especialmente entusiasmados com os resultados obtidos com as células de rinoceronte, que superaram suas expectativas.
Rinoceronte-branco 1 (Foto: AP Photo / via BBC)Rinoceronte-branco é uma das espécies que podem ser salvas pela pesquisa. (Foto: AP Photo / via BBC)
As células-tronco foram feitas a partir da pele dos animais, em um processo de "reprogramação" - nele, retrovírus e outras ferramentas da biologia celular moderna são usados para devolver as células a um estágio prévio de desenvolvimento.
Nesse estágio, as células são "pluripotentes", ou seja, podem ser induzidas a formar diferentes tipos de células específicas, como neurônios e cartilagens.
Os procedimentos em questão dependem muito de tentativas e erros, e os pesquisadores esperavam êxitos nos feitos com o macaco africano (chamado de drill), pelo histórico de experimentos prévios feitos com primatas. Mas os resultados das pesquisas com o rinoceronte surpreenderam.
"Não foi fácil fazer com que funcionasse, mas funcionou", disse Loring à BBC News.

Aplicações
As aplicações iniciais da pesquisa devem ser medicinais. No caso de animais sofrendo de doenças degenerativas, como diabetes, as células-tronco podem, em tese, virar substitutas de células que estiverem perdendo suas funções.
Estudos que partem dessa premissa já estão em curso em humanos, para combater problemas como falência cardíaca, cegueira, derrames e lesões na espinha dorsal - ainda que o uso prático de tais pesquisas seja tema de debates.
Uma ideia que empolga os cientistas é criar embriões ao induzir células-tronco a fazer óvulos e esperma.
"Fazer gametas (células reprodutivas) a partir de células-tronco ainda não é algo rotineiro, mas há relatos de que isso esteja sendo feito com animais em laboratórios", prosseguiu Loring.
Ela crê que a técnica é mais promissora do que a de clonagem de animais ameaçados, por ter uma taxa de sucesso maior. 'Você tem a possibilidade de fazer novas combinações genéticas, em vez clonar, que apenas reproduz animais já existentes."
"Último esforço"
O cientista conservacionista Robert Lacy, da Sociedade Zoológica de Chicago, disse que a técnica pode, algum dia, tirar algumas espécies do risco de extinção, mas que ainda há muito trabalho a ser feito.
"As perspectivas para o uso desses métodos, de dar continuidade à linhagem dos últimos indivíduos de algumas espécies, será um último esforço, após termos falhado em proteger esses animais de maneiras prévias, mais simples e eficientes", afirmou Lacy.
Esse é o caso, ele diz, do rinoceronte-branco do norte, existente na África e ameaçado pela caça ilegal.
Três anos atrás, a população selvagem da espécie estava reduzida a apenas quatro indivíduos que habitavam um parque nacional na República Democrática do Congo. Expedições recentes sequer conseguiram localizar esse pequeno grupo.
Dessa forma, é possível que sete rinocerontes-brancos do norte enjaulados sejam os últimos representantes da espécie no planeta.
Já o primata drill (Mandrillus leucophaeus) também está com uma população declinante na Nigéria e em Camarões, principalmente por causa da caça e por perda de habitat.
As pesquisas de células-tronco têm unido cientistas conservacionistas e de laboratório - caso de Jeanne Loring, que chefia o Centro de Medicina Regenerativa no Instituto de Pesquisas Scripps, na Califórnia.
Seu objetivo imediato é replicar o trabalho desenvolvido com o rinoceronte em outras dez espécies de animais ameaçadas, incluindo uma de elefante.