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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Caranguejos ferradura, fósseis vivos e sangue azul: você já tomou uma injeção? Agradeça a ele

“Caranguejos ferradura parecem com algo do espaço: têm 10 olhos e, sob suas conchas em forma de ferradura, 10 pernas, 14 garras e uma longa cauda semelhante a espada. E em um sentido real, têm superpoderes. Pelo menos externamente esses fósseis vivos não mudaram  em quase 450 milhões de anos. Sobreviveram às cinco grandes extinções em massa– a pior das quais matou cerca de 95% de todas as espécies marinhas – incluindo as mais recentes, que eliminaram os dinossauros.”
imagem de caranguejos ferradura
Caranguejo ferradura. ( Foto: http://tbrnewsmedia.com/)

Ascensão dos seres humanos, início da ameaça ao caranguejo ferradura

“A ascensão dos humanos tornou as coisas mais difíceis. Em todo o mundo, a população de caranguejos diminuiu constantemente nas últimas  décadas. Em algumas áreas, a mudança climática induzida é a culpada. Em outros, a culpa pode estar na colheita generalizada do sangue azul único dos caranguejos para uso médico. Temos muito a agradecer ao ferradura. Praticamente todos que receberam uma injeção se beneficiaram do caranguejo ferradura. Mas, podemos cessar o vício em seu sangue, para que essa criatura  possa sobreviver ?”
Alguém já disse que nossos ancestrais foram o início de problemas relacionados ao meio ambiente…

Caranguejos ferradura em números

“Número aproximado de caranguejos ferradura coletados a cada ano para coleta de sangue: 400.000. Número estimado de caranguejos ferradura que morrem no processo 50.000. Ovos que um caranguejo ferradura pode colocar de uma só vez, 90.000. Número desses embriões que sobrevivem até a idade adulta, dez. Espécies encontradas em todo o mundo (nos oceanos da Ásia e das Américas), quatro”.

Por que os caranguejos ferradura têm sangue azul?

“Porque em vez de hemoglobina (que quando oxidada, fica com uma cor rubi), o sangue dos ferradura contém hemocinina, que tem cobre, e fica azul na presença de oxigênio.”
ilustração de caranguejos ferradura que têm sangue azul
Ilustração: www.theatlantic.com
“O sangue contém uma substância química, lisado de amebócito limulus (LAL), que engrossa quando entra em contato com toxinas produzidas por bactérias que causam risco à vida em humanos. As empresas farmacêuticas usam-no para determinar a esterilidade de vacinas, medicamentos, dispositivos e instrumentos médicos, próteses e produtos básicos, como agulhas e soro fisiológico.”

Bactérias do sangue

“As únicas propriedades de detecção de bactérias do sangue foram descobertas em 1959 por Fred Bang, patologista da Johns Hopkins interessado no sistema imunológico dos caranguejos. Descobriu que o sangue deles coagulava quando injetado com bactérias, como Sarah Zhang escreveu, efetivamente isolando o corpo de um patógeno invasor.”

‘Processo envolvido’

“Isso era verdade mesmo se a bactéria fosse fervida- o sangue ainda era sensível a toxinas residuais. Na época, a verificação de substâncias estéreis para toxinas era um processo envolvido – os coelhos eram injetados e monitorados durante horas para detectar sinais de infecção. Uma vez que a maneira de extrair LAL do sangue foi concebida (e o processo aprovado pela FDA, que levou muitos anos), o procedimento se tornou  mais eficiente: “Agora você simplesmente adiciona LAL ao material testado e vira o frasco para ver se é sólido – muito mais rápido e mais conveniente ”, escreve Zhang.

Alerta: caranguejos ferradura morrem prematuramente

“Embora a indústria alegue colher com consciência. Estima-se que quase um terço dos caranguejos  morram no mar prematuramente. A tendência aparece no número decrescente de desembarques nos EUA. Em teoria, se o sangramento é feito corretamente, o caranguejo deve se recuperar quando liberado no mar. O problema é que, de acordo com uma investigação da Scientific American, cientistas têm uma compreensão muito pequena sobre quantos caranguejos sobrevivem.”

A indústria

“Estima que 4% morrem, mas os cientistas dizem que pode chegar a 40%. A indústria de sangria de caranguejo não é regulada, em parte porque se pensava que o sangramento não causava a morte de muitos caranguejos. Como a indústria não é  obrigada a divulgar estimativas, não está claro o grau de gravidade do problema.”
imagem da indústria do caranguejo azul
A indústria…(Foto:

Remoção de 30% do sangue dos caranguejos

“A indústria diz que só colhe 30% do sangue em qualquer caranguejo, mas há dúvidas, não há supervisão. Mesmo que as estimativas estejam corretas, estudos mostram que a remoção de 30% do sangue pode deixá-los desorientados e debilitados, reduzindo a capacidade de desova das fêmeas e levando à morte prematura.”

Caranguejos ferradura na lista vermelha?

“Juntamente com outros fatores que afetam a população, cientistas pedem à União Internacional para Conservação da Natureza que mude os caranguejos ferradura na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.  De “quase ameaçada” para “vulnerável”. Isso poderia  justificar a imposição de regulamentações para a indústria médica.”

O fator C

“Existe um substituto sintético para o sangue dos ferradura. Disponível desde 2003. Criado por Jeak Ling Ding e Bow Ho, pesquisadores em Cingapura, o teste se baseia na manipulação da molécula específica de detecção de toxinas no LAL, chamada fator C.”

“A alternativa teve aceitação acelerada na indústria farmacêutica: durante anos, ela foi produzida apenas por um único fornecedor e enfrentou obstáculos regulatórios nos EUA. Mas, diante da possibilidade de restrição à colheita, a farmacêutica Eli Lilly incorporou seu uso no laboratório e faz lobby por isso.”

Serviços dos Oceanos para a saúde da humanidade

Nesta matéria não vamos citar o oxigênio que respiramos produzido pela fotossíntese das algas marinhas, muito menos a proteína que os oceanos ainda nos dão. O tema de hoje são os serviços dos oceanos à medicina humana. Os caranguejos ferradura são apenas a ponta de um imenso iceberg. Há muitos outros…

O AZT, remédio para AIDS; outro para Leucemia; um terceiro combate o Herpes; todos vieram do mar

A maioria dos fármacos em uso clínico ou são de origem natural ou foram desenvolvidos por síntese química planejada a partir de produtos naturais. Alguns  remédios vitoriosos contra a psoríasis; um inibidor irreversível de fosfolipase; o combate ao Herpes e a AIDS; todos foram sintetizados a partir de organismos marinhos.

Escamas de peixes

Mais uma descoberta recente, o colágeno presente na escama de peixes cura ferimentos leves na pele humana. Nada de band-aid ou remédios tradicionais. A escama de peixe pode ser o futuro da cura de feridas na pele humana. Mas tem muito mais que isso…

Declaração da Organização Mundial da Saúde revela que os já conhecidos antibióticos não têm mais efeitos

A polêmica declaração  da Organização Mundial da Saúde revela que os já conhecidos antibióticos não têm mais efeitos sobre infecções e micróbios. E aí, como ficamos? Bem, diante de tal cenário, cientistas russos propõem que a salvação esteja nos oceanos. Andrei Adrianov, diretor do Instituto de Biologia do Mar em Vladivostok, considera que 80% dos antibióticos que já não funcionam possam ser substituídos por medicamentos elaborados a partir de substâncias marinhas.

Veneno de caracol marinho pode se tornar analgésico potente

Pesquisadores criaram cinco substâncias experimentais a partir de proteína produzida pelo caracol marinho. Composto pode aliviar a dor melhor que morfina e sem causar dependência.

Tubarão- elefante: seu genoma e doenças ósseas como a osteoporose

Pesquisadores da Espanha sequenciaram o genoma do tubarão-elefante (Cetorhinus maximus) e encontraram genes que impedem a calcificação das cartilagens. Isso pode abrir novas vias de estudo voltados a doenças ósseas como a osteoporose, de acordo com a revista Nature.

E, aí, homo Sapiens, vamos cuidar melhor dos Oceanos? Eles ainda podem salvar suas vidas e a de seus familiares.

Ilustração de abertura: www.theatlantic.com.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Atlas de répteis destaca Cerrado e Caatinga como regiões importantes para conservação

05 de dezembro de 2017


Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Um grupo internacional de pesquisadores mapeou mais de 10 mil espécies de répteis terrestres, preenchendo uma lacuna no Atlas da Vida, a primeira síntese global da distribuição de vertebrados terrestres. Como os répteis representam um terço da diversidade de vertebrados terrestres, a confecção do mapa da distribuição de répteis tem impacto importante em iniciativas de conservação.

Atlas de répteis destaca Cerrado e Caatinga como regiões importantes para conservação Primeiro mapeamento global de répteis é incluído no Atlas da Vida de vertebrados. Iniciativa propõe novas estratégias para a conservação da biodiversidade (foto: Márcio Martins)


O mapeamento da distribuição de aves, mamíferos e anfíbios já havia sido concluído em 2008, mas os répteis não foram incluídos porque as prioridades da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que centralizava esses esforços juntamente com ONGs de conservação, foram dirigidas para outros grupos de organismos.

Desde então, o conhecimento sobre répteis aumentou muito, o que permitiu o mapeamento de 6.110 espécies de lagartos, 3.414 de serpentes e 322 de quelônios. Os dados completam o mapa global das mais de 31 mil espécies dos vertebrados tetrápodes (grupo que exclui os peixes), com cerca de 5 mil mamíferos, 11 mil aves e 6 mil anfíbios.

O mapeamento dos répteis foi descrito em Nature Ecology & Evolution, em um trabalho liderado por pesquisadores das universidades Oxford e de Tel Aviv, que contou com a colaboração de outras 30 instituições de 13 países. Quatro cientistas brasileiros, sendo dois da Universidade de São Paulo, um da Universidade de Brasília e um do Museu Paraense Emílio Goeldi, participaram do estudo e coordenaram parte do mapeamento na América do Sul, junto com pesquisadores do Equador e da Colômbia.
O mapeamento revelou padrões inesperados e regiões de alta biodiversidade em zonas não consideradas prioritárias para conservação. Entre elas estão a Caatinga e o Cerrado brasileiros e a região sul dos Andes no Chile. Outras regiões que mostraram ser pontos de alta biodiversidade são o deserto central da Austrália, o sul da África, as Estepes Euroasiáticas e a Península Arábica.
“Ao inserir répteis no Atlas da Vida – que têm padrões de distribuição diferentes de mamíferos, aves e anfíbios – surgem algumas áreas inesperadas. Isso ocorre porque a fisiologia dos répteis permite que eles se adaptem bem melhor em áreas abertas, não florestais, em geral negligenciadas quanto à diversidade biológica”, disse Cristiano Nogueira, pesquisador do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do estudo, à Agência FAPESP.

“No Brasil, sabemos que boa parte dos lagartos tem a distribuição centrada em áreas abertas ou semiáridas, como o Cerrado e a Caatinga, e existem várias espécies endêmicas nessas regiões. Em geral, áreas que concentram muitas espécies endêmicas são insubstituíveis, e sempre surgem como prioridades, ainda mais quando negligenciadas em estratégias anteriores”, disse Nogueira, cujo estudo tem apoio da FAPESP por meio do programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes.

Importância local

Embora a diversidade de lagartos seja muito maior que a de serpentes, localmente é comum haver maior diversidade dessas últimas. “Podemos encontrar, em áreas extensas, uma mesma espécie de serpente, pois elas em geral apresentam distribuições mais amplas; já as espécies de lagartos variam muito de uma área para outra”, disse Nogueira.
Segundo ele, essa questão ressalta a importância do estudo de répteis, principalmente de lagartos, para a conservação. “Com um mapeamento detalhado, percebemos cada vez mais que uma grande unidade de paisagem, como a Amazônia, não é algo único. O Escudo das Guianas, por exemplo, tem uma diversidade de fauna completamente diferente da encontrada ao sul do rio Amazonas. Por isso, sem conhecer em detalhe a distribuição e diversidade dos organismos, é muito difícil elaborar boas estratégias de conservação”, disse.
O mesmo ocorre com o Cerrado, a Mata Atlântica e outras regiões naturais do continente. No Cerrado, com os dados detalhados pelo mapeamento de répteis, estudos anteriores puderam delimitar, pelo menos, 13 grandes subunidades biogeográficas.

Nogueira explica que a parte Sul do Cerrado– que abrange São Paulo, Minas Gerais e parte do Mato Grosso do Sul – é a mais ameaçada e abriga uma fauna de répteis diferente do Cerrado Central – Brasília, Chapada dos Veadeiros –, que, por sua vez, também difere do Cerrado do Oeste da Bahia.
“Com o mapeamento da distribuição de animais podemos ter uma visão mais detalhada dessas subunidades, pois a conservação em cada uma delas exige estratégias diferentes e localizadas”, disse.

Impacto na Lista Vermelha

Nogueira explica que as listas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) costumam ser feitas em reuniões de pesquisadores, antes da confecção dos mapas detalhados. “Normalmente, os mapas de distribuição usados em conservação são incompletos, algumas vezes feitos durante as oficinas de avaliação, em reuniões de alguns dias, sem haver um esforço prévio de confecção dos mapas e revisão de registros de ocorrência. Desta vez, foi feito ao contrário: primeiro o mapa dos répteis e depois a lista. Com isso, as reuniões e discussões de ameaça foram muito mais embasadas, pois utilizaram dados com milhares de pontos anteriormente revisados pelos pesquisadores e mapas que vinham sendo aperfeiçoados continuamente há alguns anos”, disse.
Um exemplo dessa melhora foi a redução de espécies na categoria “dados deficientes” das Listas Vermelhas da Fauna Brasileira, que seguiram as diretrizes da IUCN. “Em anfíbios, que teve a lista feita antes do mapeamento mais detalhado, cerca de 20% das espécies estão como dados deficientes. Em serpentes, essa taxa é de 6%. Isso tem relação com a qualidade dos mapas. O nível de segurança na tomada de decisões quando se tem bons mapas aumenta muito”, disse Nogueira.

Para os pesquisadores, além da importância nas listas brasileiras de espécies ameaçadas, o mapeamento dos répteis tem relevância global na conservação das espécies.

“As avaliações de risco de extinção de mamíferos, aves e anfíbios já contavam com mapas gerados durante iniciativas globais. Por esse motivo, praticamente todas as espécies desses grupos já haviam sido avaliadas na lista mundial. Já os répteis vêm recebendo atenção nesse sentido apenas recentemente e somente pouco mais da metade das espécies desse grupo já foi avaliada”, disse à Agência FAPESP Marcio Martins, professor do Instituto de Biociências da USP e também autor do estudo. Martins teve apoio da FAPESP por meio de Projeto Temático já concluído.

O artigo The global distribution of tetrapods reveals a need for targeted reptile conservation (doi: http://dx.doi.org/10.1038/s41559-017-0332-2), de Uri Roll, Anat Feldman, Maria Novosolov, Allen Allison, Aaron M. Bauer, Rodolphe Bernard, Monika Böhm, Fernando Castro-Herrera, Laurent Chirio, Ben Collen, Guarino R. Colli, Lital Dabool, Indraneil Das, Tiffany M. Doan, Lee L. Grismer, Marinus Hoogmoed, Yuval Itescu, Fred Kraus, Matthew LeBreton, Amir Lewin, Marcio Martins, Erez Maza, Danny Meirte, Zoltán T. Nagy, Cristiano de C. Nogueira, Olivier S. G. Pauwels, Daniel Pincheira-Donoso, Gary D. Powney, Roberto Sindaco, Oliver J. S. Tallowin, Omar Torres-Carvajal, Jean-François Trape, Enav Vidan, Peter Uetz, Philipp Wagner, Yuezhao Wang, C. David L. Orme, Richard Grenyer e Shai Meiri, pode ser lido no Nature Ecology & Evolution B em https://www.nature.com/articles/s41559-017-0332-2.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Categorias e critérios para a lista vermelha da IUCN

A IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) tem critérios muito rígidos para colocar uma espécie na lista vermelha

por Fábio Mitsuka Paschoal
Paul Gilham/ Getty Images
Urso-panda: ameaçado
Confinado a pequenas florestas de bambu no centro-sul da China, o urso-panda (Ailuropoda melanoleuca) corre sérios riscos de extinçã.

A lista vermelha das espécies ameaçadas é elaborada pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês) . Através de pesquisas científicas para determinar o risco de extinção de táxons em geral, a lista se tornou referência mundial para a consulta do status de uma espécie.

Confira as categorias e os critérios da lista vermelha das espécies ameaçadas da IUCN.

Categorias da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês)

Extinta: Uma espécie é considera extinta quando pesquisas indicam que o último indivíduo da espécie morreu.

Extinto na Natureza: Uma espécie é considerada extinta na natureza quando pesquisas indicam que ela só sobrevive em cativeiro, meios de cultivo ou em populações não nativas, fora do antigo local de ocorrência.

Criticamente Ameaçada: Uma espécie é considerada criticamente ameaçada quando se enquadra em um dos critérios abaixo:

• Diminuição de 80 a 90% na população em 10 anos ou 3 gerações, seguido de outros critérios (a partir de estimativas ou de observação direta)
• Diminuição da área de ocorrência para menos de 100 Km² (seguido em mais dois outros critérios)
• Diminuição área de ocupação para menos de 10 Km² (seguido de mais dois outros critérios)
• População estimada em menos de 250 indivíduos adultos (seguido de mais um critério)
• População estimada em menos de 50 indivíduos adultos
• A probabilidade de extinção na natureza é de pelo menos 50% em 10 anos ou 3 gerações

Ameaçada: Uma espécie é considerada ameaçada quando se enquadra em um dos critérios abaixo:
• Diminuição de 50 a 70% na população em 10 anos ou 3 gerações, seguido de outros critérios (a partir de estimativas ou de observação direta)
• Diminuição da área de ocorrência para menos de 5 000 Km² (seguido em mais dois outros critérios)
• Diminuição área de ocupação para menos de 500 Km² (seguido de mais dois outros critérios)
• População estimada em menos de 2 500 indivíduos adultos (seguido de mais um critério)
• População estimada em menos de 250 indivíduos adultos
• A probabilidade de extinção na natureza é de pelo menos 20% em 20 anos ou 5 gerações

Vulnerável: Uma espécie é considerada vulnerável quando se enquadra em um dos critérios abaixo:
• Diminuição de 30 a 50% na população em 10 anos ou 3 gerações, seguido de outros critérios (a partir de estimativas ou de observação direta)
• Diminuição da área de ocorrência para menos de 20 000 Km² (seguido de mais dois outros critérios)
• Diminuição área de ocupação para menos de 2 000 Km² (seguido de mais dois outros critérios)
• População estimada em menos de 10 000 indivíduos adultos (seguido de mais um critério)
• População estimada em menos de 1 000 indivíduos adultos ou população com área de ocupação muito restrita
• A probabilidade de extinção na natureza é de pelo menos 10% em 100 anos

Quase Ameaçada: Uma espécie é considera quase ameaçada quando está perto de entrar na categoria vulnerável em um futuro próximo

Pouco Preocupante: Uma espécie entra na categoria pouco preocupante quando apresenta uma grande distribuição.

domingo, 12 de janeiro de 2014

LISTA ATUALIZADA DOS ANIMAIS AMEAÇADOS DE EXTINÇÃO

Podem baixar os arquivos

Mammals

The ranges are available as a single data set (shapefile) for all mammals or broken out into smaller data sets as shapefiles. The ranges are broken out by grouping families containing predominantly marine and terrestrial species.
The terrestrial file includes all mammals, excluding species in the families Otariidae, Phocidae and Odobenidae (i.e. all seals, sea lions and walrus), Balaenidae, Balaenopteridae, Delphinidae, Eschrichtidae, Iniidae, Monodontidae, Neobalaenidae, Phocoenidae, Physteridae, Platanistidae, and Ziphiidae (all whales, dolphins and porpoises), and everything in the Order Sirenia (manatees and dugongs). The latter families are included in the Marine shapefile.
All Mammals - 2013 (zip file, 706.8 MB)
Mammals - Terrestrial (zip file, 337 MB)
Mammals - Marine (zip file, 55.4 MB)
See metadata document (Oct. 2012) for further information.
Mammals - full taxonomy and Red List status (note that there are more species in this list than are mapped and the list does not include subspecies or subpopulations). The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/4cc84a88-1fd94435.
Threatened mammal richness (number of species)

Source: IUCN Red List of Threatened Species, 2012

Amphibians

The ranges are available as a single data set (shapefile) for all amphibians or broken out into smaller shapefiles by amphibian Order: Anura, Caudata and Gymnophiona.
All Amphibians - 2013 (zip file, 107 MB)
Amphibians - Anura (zip file, 198 MB)
Amphibians - Caudata (zip file, 20 MB)
Amphibians - Gymnophiona (zip file, 1 MB)
See metadata document (Oct. 2012) for further information.
Amphibians - higher taxonomy and Red List status (note that there are more species in this list than are mapped). The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/51da7b4d-ed0d5739.
Threatened amphibian richness (number of species)
Source: IUCN Red List of Threatened Species, 2012

Corals

The ranges are available as a single data set (shapefile) for all warm water reef-building corals or broken out into smaller shapefiles by grouping families as follows:
All Corals - 2012 (zip file, 2 GB)
Reef-building Corals 1 (zip file, 814 MB) contains species in the Order Scleractinia covering the families Acroporidae, Agariciidae, Astrocoeniidae, Caryophylliidae, Dendrophylliidae, Euphyllidae, and Faviidae.
Reef-building Corals 2 (zip file, 319 MB) contains species in the Order Scleractinia covering the families Fungiidae, Meandrinidae, Merulinidae, Oculinidae, Mussidae, Oculinidae, Pectiniidae, Pocilloporidae, Poritidae, Rhizangiidae, and Siderastreidae.
Reef-building Corals 3 (zip file, 41.5 MB) contains the species in the orders Stolonifera, Helioporacea and Milleporina covering the Families Helioporidae, Milleporidae, and Tubiporidae.
See metadata document (Oct. 2012) for further information.
Reef-building Corals - higher taxonomy and Red List status. The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/508103f3-240449be.
Threatened coral richness (number of species)
Source: IUCN Red List of Threatened Species, 2012

Reptiles

The ranges are available as a single data set for all (shapefile) reptiles that have currently been assessed globally and comprehensively and as a separate set for the sea-snakes (includes the true sea-snakes, mud-snakes and file snake)
This currently includes, but is not limited to, all species endemic to the following regions: Canada, the United States and Mexico; the Seychelles; Europe; all of the Mediterranean (including North Africa), Caucasus, and Iran; and the Philippines. Further taxa will be added as assessment work is completed.
All reptiles - 2013 (zip file, 211 MB)
Sea-snakes (zip file, 52.4 MB)
See metadata document (Oct. 2012) for further information.
Reptiles - higher taxonomy and Red List status (note that there are more species in this list than are mapped). The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/4cc869f6-c01d43b6.

Birds

BirdLife International is the IUCN Red Listing Authority for birds and maintains the most up to date information on global bird distributions. To request a copy of the shapefiles of species range maps for threatened birds, please visit the BirdLife Data Zone here.
Threatened bird richness (number of species)
Source: IUCN Red List of Threatened Species, 2012

Marine Fish

The ranges are available as a single data set (Shapefile) for all Marine Fish species (families including Pomacanthidae, Chaetodontidae, Serranidae, Labridae, Acanthuridae, Albulidae, Elopidae).
All Marine Fish (zip file, 60.7 MB)
Angelfish (zip file, 60.7 MB)
Bonefishes and Tarpons (zip file, 33.8 MB)
Butterflyfish (zip file, 123 MB)
Groupers (zip file, 128 MB)
Labridae (zip file, 394 MB)
Surgeonfish, Tangs and Unicornfish (zip file, 169 MB)
Tunas and Billfishes (zip file, 188 MB)
See metadata document (Oct. 2012) for further information.
All Marine Fish - higher taxonomy and Red List status. The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink:http://www.iucnredlist.org/search/link/5093bfd8-a4cbafd8.
Angelfish - The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/4cee847c-c8532717.
Bonefishes and Tarpons - The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/50912d52-d4e9a0be .
Butterflyfish - The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/4cee84df-a136dfd8.
Groupers - The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/4cee86ab-927e7d62.
Labridae - The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/509a330f-2b5c5cfc.
Surgeonfish, Tangs and Unicornfish - The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/529cabef-d53406d8..
Tunas and Billfishes - The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/527a57ad-cae842b4..

 Mangroves

The ranges are available as a single data set (shapefile) for most plant species that considered to form part of the mangrove ecosystem.
Mangroves (zip file, 97.8 MB)
See metadata document (Oct. 2012) for further information.
Mangroves - higher taxonomy and Red List status. The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/5093f17a-094b1233

 Seagrasses

The ranges are available as a single data set (shapefile) for all seagrass species.
Seagrasses (zip file, 52.4 MB)
See metadata document (Oct. 2012) for further information.
Seagrasses - higher taxonomy and Red List status. The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink:http://www.iucnredlist.org/search/link/5093f354-14d2d6e5.

  Sea Cucumbers

The ranges are available as a single data set (shapefile) for all commerical sea cucumber species.
Sea Cucumbers (zip file, 250 MB)
See metadata document (Oct. 2012) for further information.
Sea Cucumbers - higher taxonomy and Red List status. The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/51dd599a-005adbac.

 Cone Snails

The ranges are available as a single data set (shapefile) for all cone snail species.
Cone Snails (zip file, 415 MB)
See metadata document (Oct. 2012) for further information.
Cone Snails - higher taxonomy and Red List status. The list presented as a Red List search result with links to each species fact sheet can also be found by clicking on this permalink: http://www.iucnredlist.org/search/link/5257bb96-13e0df81. 

 Freshwater 

The hydroshed ranges are available as a single data set (geodatabase) which contain all the groups assessed within each region.
All Freshwater groups are produced by the Freshwater Biodiversity Unit.
 Eastern Himalayas (zip, 1 GB) - Eastern Himalaya Freshwater Biodiversity Assessment.
 Indo-Burma (zip, 3.2 GB) - Indo-Burma Freshwater Assessment.
 Pan-Africa (zip, 890 MB) - Pan-Africa Freshwater Biodiversity Assessment.
 Western Ghats (zip, 32.5 MB) - Western Ghasts Freshwater Biodiversity Assessment.
 Europe (zip, 361MB) - European Red List of Freshwater Fishes.
See metadata document (Oct. 2012) for further information.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Critérios ignorados

Pesquisadores brasileiros sugerem forma ampliada de avaliar riscos de extinção de espécies
JÚLIO CÉSAR BARROS | Edição Online 15:22 20 de dezembro de 2013

© DARIO SANCHES / WIKI COMMONS 

O fim-fim (Euphonia chlorotica) é uma das aves brasileiras em risco
O fim-fim (Euphonia chlorotica) é uma pequena ave brasileira que habita ambiente de floresta

Mudanças ambientais, provocadas ou não pela ação do homem, têm impacto na vida selvagem e estão refletidas na extensão da Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas publicada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). A listagem com 71.576 nomes de animais, plantas, fungos e microrganismos é a base para a elaboração de políticas de conservação mundo afora. No entanto, pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) sustentam que a lista não deve ser o parâmetro único para planejar ações de conservação, pois aspectos ignorados pela IUCN podem colocar em xeque o êxito das medidas. Os pesquisadores brasileiros sustentam que é necessário avaliar a saúde dos ecossistemas em sua totalidade e não tomar isoladamente o risco de extinção de cada espécie.

Para fornecer dados mais fidedignos, os pesquisadores da UFG criaram um modelo para quantificar o risco de desaparecimento das espécies. Quase todas as aves do Brasil constam da tabulação feita para o trabalho científico, somando 1.557 espécies. Os brasileiros foram abrangentes, levaram em conta dados como a influência humana (caça, comércio ilegal, desmatamento), a dieta dos animais (se se alimentam de frutas, folhas, insetos), além do ambiente em que vivem (floresta, ambiente aberto, savana), os hábitos (noturno ou diurno), a quantidade de ovos por ninhada e o tamanho dos bichos, além de 15 outras variáveis.

“Aplicando nosso modelo, somos capazes de prever se o animal ou planta têm, por exemplo, 30%, 40% ou 80% de chance de se extinguir em determinado momento. Descobrimos que a maioria dos exemplares de aves mais ameaçados de nosso país não estão sequer em áreas protegidas”, explica o professor Rafael Loyola, co-autor, com a doutoranda Nathália Machado, do artigo A Comprehensive Quantitative Assessment of Bird Extinction Risk in Brazil, publicado na edição de agosto da revista PLoS ONE.

A IUCN, por outro lado, aplica somente 12 critérios para definir se uma espécies está em perigo ou não. Tamanho da população, número de indivíduos maduros, taxa de declínio, fragmentação das populações e área de ocorrência são alguns das variáveis usadas. Dessa forma, cada espécie recebe da IUCN uma etiqueta específica – dados insuficientes (DD), pouco preocupante (LC), quase ameaçada (NT), vulnerável (VU), em perigo (EN), criticamente em perigo (CR), extinta na natureza (EW) e extinta (EX).

Os pesquisadores esperam que o modelo auxilie em mais um parâmetro, a probabilidade de extinção, capaz de melhorar o planejamento das políticas ambientais. “O estudo amplia o conhecimento sobre o grau de ameaça das espécies e isso tem um peso político enorme, porque o governo só tem condições de tomar decisões mais eficientes quando conhece o nível de ameaça a uma espécie. Por exemplo, pode-se intensificar a fiscalização a uma região específica ou criar áreas de preservação para impedir a degradação daquele ecossistema”, afirma Loyola.

Características ecológicas e histórias evolutivas

O outro artigo produzido pelo Departamento de Ecologia da UFG, intitulado Conservation Actions Based on Red Lists Do Not Capture the Functional and Phylogenetic Diversity of Birds in Brazil e também publicado na edição de setembro da revista PLoS ONE, aprofunda o entendimento sobre as características ecológicas e histórias evolutivas de cada ave brasileira no ecossistema em que vive.

São aspectos pouco avaliados pelas políticas de conservação, e isso inclui a Lista Vermelha da IUCN.
O objetivo dos cientistas foi avaliar o nível de diversidade funcional e de diversidade filogenética de ambientes para saber se os mesmos são saudáveis. Com essa informação em mãos, contam os autores do estudo, a aplicação de políticas de conservação teria maior impacto. A classificação poderia, por exemplo, ajudar a determinar quais regiões terão melhor resultado dentre aquelas que já estão muito degradadas, e que precisam de outras intervenções.

O nível de diversidade funcional diz respeito à diferença ecológica entre as espécies presentes nos ecossistemas. Quanto mais alto é o índice, mais “saudável” é o local, porque ali existem espécies com múltiplas funções e isso garante o equilíbrio natural. “Quando há espécies ecologicamente muito diferentes habitando o mesmo ambiente, espera-se achar ali aves que desempenhem papéis diversos, tais como dispersão de sementes, polinização e predação, diz o professor Loyola, que também participou do estudo, e que tem co-autoria do mestrando José Hidasi Neto e de Marcus Cianciaruso, também professor da UFG.

Já o nível de diversidade filogenética indica o quão diferente são as espécies daquele ambiente do ponto de vista evolutivo. “Usamos como exemplo a ema, que é uma grande ave que não voa e ocorre em áreas abertas, ao contrário do fim-fim (Euphonia chlorotica), que é pequeno e habita ambiente de floresta. Essas várias linhagens (ou grupos evolutivos) convivendo na mesma área atestam a saúde de todo do ecossistema”, explica Loyola.