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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Caranguejos ferradura, fósseis vivos e sangue azul: você já tomou uma injeção? Agradeça a ele

“Caranguejos ferradura parecem com algo do espaço: têm 10 olhos e, sob suas conchas em forma de ferradura, 10 pernas, 14 garras e uma longa cauda semelhante a espada. E em um sentido real, têm superpoderes. Pelo menos externamente esses fósseis vivos não mudaram  em quase 450 milhões de anos. Sobreviveram às cinco grandes extinções em massa– a pior das quais matou cerca de 95% de todas as espécies marinhas – incluindo as mais recentes, que eliminaram os dinossauros.”
imagem de caranguejos ferradura
Caranguejo ferradura. ( Foto: http://tbrnewsmedia.com/)

Ascensão dos seres humanos, início da ameaça ao caranguejo ferradura

“A ascensão dos humanos tornou as coisas mais difíceis. Em todo o mundo, a população de caranguejos diminuiu constantemente nas últimas  décadas. Em algumas áreas, a mudança climática induzida é a culpada. Em outros, a culpa pode estar na colheita generalizada do sangue azul único dos caranguejos para uso médico. Temos muito a agradecer ao ferradura. Praticamente todos que receberam uma injeção se beneficiaram do caranguejo ferradura. Mas, podemos cessar o vício em seu sangue, para que essa criatura  possa sobreviver ?”
Alguém já disse que nossos ancestrais foram o início de problemas relacionados ao meio ambiente…

Caranguejos ferradura em números

“Número aproximado de caranguejos ferradura coletados a cada ano para coleta de sangue: 400.000. Número estimado de caranguejos ferradura que morrem no processo 50.000. Ovos que um caranguejo ferradura pode colocar de uma só vez, 90.000. Número desses embriões que sobrevivem até a idade adulta, dez. Espécies encontradas em todo o mundo (nos oceanos da Ásia e das Américas), quatro”.

Por que os caranguejos ferradura têm sangue azul?

“Porque em vez de hemoglobina (que quando oxidada, fica com uma cor rubi), o sangue dos ferradura contém hemocinina, que tem cobre, e fica azul na presença de oxigênio.”
ilustração de caranguejos ferradura que têm sangue azul
Ilustração: www.theatlantic.com
“O sangue contém uma substância química, lisado de amebócito limulus (LAL), que engrossa quando entra em contato com toxinas produzidas por bactérias que causam risco à vida em humanos. As empresas farmacêuticas usam-no para determinar a esterilidade de vacinas, medicamentos, dispositivos e instrumentos médicos, próteses e produtos básicos, como agulhas e soro fisiológico.”

Bactérias do sangue

“As únicas propriedades de detecção de bactérias do sangue foram descobertas em 1959 por Fred Bangpatologista da Johns Hopkins interessado no sistema imunológico dos caranguejos. Descobriu que o sangue deles coagulava quando injetado com bactérias, como Sarah Zhang escreveu, efetivamente isolando o corpo de um patógeno invasor.”

‘Processo envolvido’

“Isso era verdade mesmo se a bactéria fosse fervida- o sangue ainda era sensível a toxinas residuais. Na época, a verificação de substâncias estéreis para toxinas era um processo envolvido – os coelhos eram injetados e monitorados durante horas para detectar sinais de infecção. Uma vez que a maneira de extrair LAL do sangue foi concebida (e o processo aprovado pela FDA, que levou muitos anos), o procedimento se tornou  mais eficiente: “Agora você simplesmente adiciona LAL ao material testado e vira o frasco para ver se é sólido – muito mais rápido e mais conveniente ”, escreve Zhang.

Alerta: caranguejos ferradura morrem prematuramente

“Embora a indústria alegue colher com consciência. Estima-se que quase um terço dos caranguejos  morram no mar prematuramente. A tendência aparece no número decrescente de desembarques nos EUA. Em teoria, se o sangramento é feito corretamente, o caranguejo deve se recuperar quando liberado no mar. O problema é que, de acordo com uma investigação da Scientific American, cientistas têm uma compreensão muito pequena sobre quantos caranguejos sobrevivem.”

A indústria

“Estima que 4% morrem, mas os cientistas dizem que pode chegar a 40%. A indústria de sangria de caranguejo não é regulada, em parte porque se pensava que o sangramento não causava a morte de muitos caranguejos. Como a indústria não é  obrigada a divulgar estimativas, não está claro o grau de gravidade do problema.”
imagem da indústria do caranguejo azul
A indústria…(Foto:

Remoção de 30% do sangue dos caranguejos

“A indústria diz que só colhe 30% do sangue em qualquer caranguejo, mas há dúvidas, não há supervisão. Mesmo que as estimativas estejam corretas, estudos mostram que a remoção de 30% do sangue pode deixá-los desorientados e debilitados, reduzindo a capacidade de desova das fêmeas e levando à morte prematura.”

Caranguejos ferradura na lista vermelha?

“Juntamente com outros fatores que afetam a população, cientistas pedem à União Internacional para Conservação da Natureza que mude os caranguejos ferradura na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas.  De “quase ameaçada” para “vulnerável”. Isso poderia  justificar a imposição de regulamentações para a indústria médica.”

O fator C

“Existe um substituto sintético para o sangue dos ferradura. Disponível desde 2003. Criado por Jeak Ling Ding e Bow Ho, pesquisadores em Cingapura, o teste se baseia na manipulação da molécula específica de detecção de toxinas no LAL, chamada fator C.”

“A alternativa teve aceitação acelerada na indústria farmacêutica: durante anos, ela foi produzida apenas por um único fornecedor e enfrentou obstáculos regulatórios nos EUA. Mas, diante da possibilidade de restrição à colheita, a farmacêutica Eli Lilly incorporou seu uso no laboratório e faz lobby por isso.”

Serviços dos Oceanos para a saúde da humanidade

Nesta matéria não vamos citar o oxigênio que respiramos produzido pela fotossíntese das algas marinhas, muito menos a proteína que os oceanos ainda nos dão. O tema de hoje são os serviços dos oceanos à medicina humana. Os caranguejos ferradura são apenas a ponta de um imenso iceberg. Há muitos outros…

O AZT, remédio para AIDS; outro para Leucemia; um terceiro combate o Herpes; todos vieram do mar

A maioria dos fármacos em uso clínico ou são de origem natural ou foram desenvolvidos por síntese química planejada a partir de produtos naturais. Alguns  remédios vitoriosos contra a psoríasis; um inibidor irreversível de fosfolipase; o combate ao Herpes e a AIDS; todos foram sintetizados a partir de organismos marinhos.

Escamas de peixes

Mais uma descoberta recente, o colágeno presente na escama de peixes cura ferimentos leves na pele humana. Nada de band-aid ou remédios tradicionais. A escama de peixe pode ser o futuro da cura de feridas na pele humana. Mas tem muito mais que isso…

Declaração da Organização Mundial da Saúde revela que os já conhecidos antibióticos não têm mais efeitos

A polêmica declaração  da Organização Mundial da Saúde revela que os já conhecidos antibióticos não têm mais efeitos sobre infecções e micróbios. E aí, como ficamos? Bem, diante de tal cenário, cientistas russos propõem que a salvação esteja nos oceanos. Andrei Adrianov, diretor do Instituto de Biologia do Mar em Vladivostok, considera que 80% dos antibióticos que já não funcionam possam ser substituídos por medicamentos elaborados a partir de substâncias marinhas.

Veneno de caracol marinho pode se tornar analgésico potente

Pesquisadores criaram cinco substâncias experimentais a partir de proteína produzida pelo caracol marinho. Composto pode aliviar a dor melhor que morfina e sem causar dependência.

Tubarão- elefante: seu genoma e doenças ósseas como a osteoporose

Pesquisadores da Espanha sequenciaram o genoma do tubarão-elefante (Cetorhinus maximus) e encontraram genes que impedem a calcificação das cartilagens. Isso pode abrir novas vias de estudo voltados a doenças ósseas como a osteoporose, de acordo com a revista Nature.

E, aí, homo Sapiens, vamos cuidar melhor dos Oceanos? Eles ainda podem salvar suas vidas e a de seus familiares.

Ilustração de abertura: www.theatlantic.com.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Encontrada no Brasil bactéria resistente a um dos mais poderosos antibióticos

12 de agosto de 2016

Diego Freire | Agência FAPESP – Recentemente descoberto na China e também encontrado em países da Europa, da Ásia e da África, o gene mcr-1, que causa resistência a uma classe de antibióticos utilizados justamente para tratar infecções por bactérias multirresistentes, foi identificado pela primeira vez no Brasil em cepas da bactéria Escherichia coli isoladas de animais de produção.
Os pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) responsáveis pela identificação da bactéria também reportaram o primeiro caso de infecção humana no Brasil, em um hospital de alta complexidade em Natal (RN), por uma cepa da bactéria portadora do gene e resistente a Colistina (polimixina E), um dos mais poderosos antibióticos, considerados como último recurso no tratamento de infecções produzidas por bactérias que não respondem a outras drogas.
Encontrada no Brasil bactéria resistente a um dos mais poderosos antibióticos Colônias de E. coli (à esquerda) e antibiograma da bactéria (à direita), em que cada disco branco é um dos 16 antibióticos testados; a ausência de halo de inibição (o espaço livre de bactérias entre a cultura e os discos de antibiótico) corresponde à resistência do microrganismo à droga: no caso, a 11 dos 16 antibióticos 
 
A aparição desse gene no Brasil pode contribuir para o surgimento de bactérias totalmente resistentes aos antibióticos, com risco de enfrentarmos uma situação similar ao que foi a era pré-antibiótica, quando doenças comuns, como uma infecção urinária ou um ferimento profundo na pele, levavam facilmente a óbito”, alerta Nilton Lincopan, responsável pela pesquisa Monitoramento de bactérias Gram-negativas multirresistentes de importância médica (humana e veterinária): impacto clínico/ambiental e desenvolvimento de alternativas terapêuticas e produtos de inovação tecnológica, realizada com apoio da FAPESP. Os resultados da pesquisa foram publicados nas revistas científicas Eurosurveillance, do European Centre for Disease Prevention and Control, e Antimicrobial Agents and Chemotherapy, da American Society for Microbiology.
Superbactéria
Descoberta em 1949, a produção de Colistina foi descontinuada entre a década de 1970 e o ano 2000 por sua elevada toxicidade, ficando o antibiótico restrito ao uso veterinário. No início do século, entretanto, com a emergência de bactérias produtoras de enzimas responsáveis por provocar resistência a praticamente todos os antibióticos beta-lactâmicos, como as penicilinas, a Colistina voltou a ser utilizada como última alternativa terapêutica no tratamento de infecções produzidas por microrganismos multirresistentes, principalmente associadas a surtos de infecção hospitalar.
Por muito tempo, conta Lincopan, a comunidade científica internacional acreditou que o desenvolvimento da resistência bacteriana a Colistina seria um processo difícil. “Porém, ao final do ano passado, um artigo alarmante foi publicado na revista Lancet Infectious Diseases, em que pesquisadores chineses descreveram a identificação de um novo gene (o mcr-1) que confere resistência contra polimixina E e polimixina B.”
Ainda mais preocupante, de acordo com o pesquisador, foi a descoberta de que o gene é facilmente transferível de uma espécie bacteriana a outra por meio de plasmídeos, fragmentos de DNA extracromossômicos que podem se replicar autonomamente e que podem ser transferidos entre diferentes espécies bacterianas por conjugação – processo de reprodução das bactérias por meio do qual pedaços de DNA passam diretamente de uma para a outra. O fragmento de DNA transferido se recombina com o material genético da bactéria receptora, produzindo novas combinações genéticas que serão transmitidas às células-filhas na próxima divisão celular.
Cepas bacterianas carregando o gene mcr-1 foram  encontradas tanto em animais de produção como em seres humanos, levantando suspeitas sobre a existência de uma cadeia na disseminação da resistência a Colistina que começa a partir do uso do antibiótico na alimentação animal, propagando-se para os animais abatidos, os alimentos derivados e o ambiente.
Diante da ameaça de que muitas infecções poderiam se tornar intratáveis, um alerta mundial foi emitido no início do ano pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos. Segundo Lincopan, papers de pesquisadores de diferentes países reportaram em seguida a identificação do gene mcr-1 em cepas de bactérias clinicamente importantes, como Escherichia coli, Salmonella spp. e Klebsiella pneumoniae.
“O aspecto mais assustador sobre o gene é a facilidade com que ele é transferido entre diferentes espécies bacterianas. Consequentemente, algumas bactérias hospitalares têm alinhado este gene junto a outros de resistência a antibióticos, favorecendo que a espécie bacteriana receptora fique resistente a praticamente a totalidade dos medicamentos. Assim, se um paciente estiver gravemente infectado, por exemplo, por uma E. coli, não haverá nada que se possa fazer”, diz o pesquisador.
Urgência epidemiológica
De acordo com Lincopan, suspeita-se que a principal razão para o surgimento e a propagação do mcr-1 seja o uso exacerbado de Colistina na produção agropecuária, como promotora de crescimento. Entretanto, a presença do gene também foi descrita em amostras de animais domésticos, alimentos e ambientes aquáticos, evidenciando a disseminação para diversos ecossistemas.
“No Brasil, no início deste ano, nosso grupo de pesquisa identificou pela primeira vez a presença do gene mcr-1 em animais de produção das regiões Sudeste (São Paulo e Minas Gerais) e Sul (Paraná e Santa Catarina), o que deve ser considerado uma urgência epidemiológica e um alerta para as implicações no agronegócio, visto que o país é um grande produtor e exportador de produtos de origem animal.”
Para os pesquisadores, os órgãos reguladores do setor deveriam reavaliar o uso de antibióticos como a Colistina.
“O impacto real da resistência bacteriana no Brasil também precisa ser avaliado pelo poder público e pela comunidade científica. Além disso, devemos privilegiar a educação sobre o uso racional de antibacterianos. Clinicamente, muitos estudos e reuniões científicas têm alertado que bactérias multirresistentes estão adquirindo um caráter de endemicidade em centros hospitalares, sendo frequentemente associadas a altas taxas de falha terapêutica e subsequente morbimortalidade”, conta Miriam Fernandes, aluna de doutorado da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP e primeira autora dos artigos publicados. “Estes esforços poderiam evitar uma situação irreversível”.
Um plano de ação global contra o risco do colapso dos antibióticos, avalia Lincopan, deve incluir “o uso racional desses fármacos na saúde humana e animal, o reforço da vigilância epidemiológica e o estímulo de pesquisas na área, a educação da população e dos profissionais da saúde humana e veterinária, assim como fazendeiros e produtores, sobre o uso adequado de antibióticos e o desenvolvimento de novos compostos e ferramentas de diagnóstico”.
Os resultados da pesquisa podem ser acessados no artigo First Report of the Globally Disseminated IncX4 Plasmid Carrying the mcr-1 Gene in a Colistin-Resistant Escherichia coli ST101 isolated from a Human Infection in Brazil, disponível em aac.asm.org/content/early/2016/07/19/AAC.01325-16.abstract, e no artigo Silent dissemination of colistin-resistant Escherichia coli in South America could contribute to the global spread of the mcr-1 gene, em www.eurosurveillance.org/ViewArticle.aspx?ArticleId=22458.
 

domingo, 27 de setembro de 2015

A Biologia da Diarreia

Por Marcus V. Cabral

As principais características da diarreia são o aumento do número de evacuações e a perda de consistência das fezes, que se tornam aguadas.Uma das piores complicações da diarreia é a desidratação. Adultos são mais resistentes, mas bebês, crianças e idosos desidratam-se com facilidade. Boca seca, lábios rachados, letargia, confusão mental e diminuição da urina são sintomas de desidratação que, além de diminuir as reservas de água do corpo humano constituído por cerca de 75% de água, reduzem os níveis de dois importantes minerais: sódio e potássio.

Causas

* Toxinas bacterianas como a do estafilococus;
* Infecções por bactérias como a Salmonella e a Shighella;
* Infecções virais;
* Disfunção da motilidade do tubo digestivo;
* Parasitas intestinais causadores de amebíase e giardíase;
* Efeitos colaterais de algumas drogas, por exemplo, antibióticos, altas doses de vitamina C e alguns medicamentos para o coração e câncer;
* Abuso de laxantes;
* Intolerância a derivados do leite pela incapacidade de digerir lactose (açúcar do leite);
* Intolerância ao sorbitol, adoçante obtido a partir da glicose.

Tipos de diarreia 

a) Diarreia comum: caracteriza-se normalmente por provocar apenas fezes soltas e aguadas. Ocorre mais em crianças. Pode estar associada a uma combinação de estresse, remédios e alimentos. Por exemplo, excesso de gorduras, de cafeína, mudança do tipo de água ingerida ou mesmo ansiedade diante de acontecimentos importantes podem provocar esse tipo de diarréia;

b) Diarreia infecciosa – comum em crianças, provoca além dos sintomas da diarréia comum, febre, perda de energia e de apetite. É causada por viroses e bactérias. Se não for convenientemente tratada, pode demorar até uma semana os sintomas desaparecerem;

c) Amebíase – pode ocasionar desde leve dor de estômago e flatulência até febre, prisão de ventre, debilidade física e fezes aguadas com manchas de sangue. É causada por um protozoário que invade o sistema gastrintestinal transportado por água ou comida contaminada. Infecção típica dos trópicos, manifesta-se também nos habitantes de regiões de clima temperado;

d) Giardíase – causada pela giárdia, um protozoário, seus sintomas variam da simples dor estomacal à diarréia persistente ou à presença de fezes pastosas. Outros sintomas também podem aparecer: desconforto abdominal, eructação (arroto), dor de cabeça e fadiga. A giárdia espalha-se no aparelho digestivo através da ingestão de água e alimentos contaminados. Também pode ser transmitida por relações sexuais ou por excrementos;

e) Intolerância à lactose – algumas pessoas não conseguem digerir a lactose, açúcar encontrado no leite e seus derivados, porque não produzem uma enzima chamada lactase. Entre seus sintomas, destacam-se tanto diarreia quanto prisão de ventre, desarranjos estomacais e gases.

Recomendações

* Beba muito líquido, de 2 a 3 litros por dia. Como a água não repõe a perda de sódio e potássio, procure suprir essa necessidade com soro caseiro ou outros líquidos que contenham tais substâncias. Pessoas com pressão alta, diabetes, glaucoma, doenças cardíacas ou com histórico de derrames devem consultar o médico antes de ingerir bebidas que contenha sódio porque correm o risco de elevar a pressão;
* Não deixe de comer. Em geral, pessoas com diarréia associam comida à disfunção gastrintestinal e suspendem toda a alimentação. Tal medida, além de agravar o quadro de desidratação, suspende o fornecimento dos nutrientes necessários para o organismo reagir. Prefira ingerir arroz, caldos de carne magra, bananas, maçãs e torradas. Esses alimentos dão mais consistência às fezes e a banana, especialmente, é rica em potássio;
* Suspenda a ingestão de alimentos com resíduos: saladas, bagaço de frutas e fibras;
* Chás de camomila, erva-doce e hortelã, por exemplo, podem ajudar;
* Evite café, leite, sucos de frutas e álcool que é um desidratante poderoso;
* Evite alimentos muito temperados ou com alto teor de gordura (frituras, alguns cortes de carne, embutidos, etc.) até que as fezes voltem ao normal;
* Não faça uso de adoçantes à base de sorbitol;
* Não se esqueça de lavar bem as mãos várias vezes por dia e, especialmente, antes das refeições ;
* Não deixe de ferver a água de rios, lagos, riachos ou mesmo a de torneiras nos locais em que não seja tratada, se tiver necessidade de bebê-la;
* Não beba refrigerantes ou outra bebida qualquer no próprio vasilhame. Use um copo limpo;
* Faça gelo com água tratada ou fervida;
* Evite consumir leite e derivados, se tiver intolerância à lactose. Lembre-se, porém, de suprir a necessidade de cálcio ingerindo alimentos como salmão, tofu, etc.

Advertência

Diarreia pode ser sintoma inicial de várias doenças sérias: úlcera gastrintestinal, alguns tipos de câncer, AIDS e de patologias que acarretam a má absorção dos nutrientes. Não se descuide e procure assistência médica imediatamente:
* Se os sintomas não passarem em um ou dois dias. Crianças e idosos desidratam muito depressa. É preciso estar alerta;
* Se houver presença de sangue nas fezes que adquirem coloração preta ou avermelhada;
* Se as fezes adquiriram aspecto volumoso e com traços evidentes de gordura indicativos de má absorção;
* Se os episódios de diarréia forem repetidos e, principalmente, se eles se alternarem com crises de prisão de ventre (sintomas sugestivos de tumores intestinais).

sábado, 10 de janeiro de 2015

Ação implacável

Pesquisadores descobrem no solo antibiótico natural capaz de matar bactérias resistentes causadoras de doenças graves, como infecções hospitalares e tuberculose. 
 
Por: Sofia Moutinho
Publicado em 09/01/2015 | Atualizado em 09/01/2015
Ação implacável
O novo antibiótico se mostrou eficaz contra várias bactérias nocivas à saúde humana e resistentes a outras substâncias, como a 'C. dificile', que provoca diarreias. (foto: Centers for Disease Control and Prevention's Public Health Image Library) 
 
Quase 90 anos depois da descoberta ao acaso da penicilina – primeiro antibiótico a ser usado com sucesso – cientistas anunciam a identificação de um novo antibiótico natural capaz de combater uma série de bactérias causadoras de doenças e resistentes às substâncias disponíveis até então.

O novo antibiótico, batizado de teixobactina, vem do solo, mais especificamente de compostos presentes em bactérias que produzem substâncias protetoras, que matam as bactérias competidoras de seu entorno. A maioria dos antibióticos em uso atualmente foi descoberta desse modo – ao se analisar os microrganismos do solo – mas os bons resultados da técnica pareciam ter ser esgotado desde a década de 1960.

Um dos grandes obstáculos de conseguir isolar antibióticos naturais produzidos por microrganismos do solo é a dificuldade de reproduzir o seu ambiente em laboratório. Estima-se que 99% das bactérias existentes no planeta não sobrevivam em culturas de laboratório.

Na própria terra de origem

Contrariando as expectativas, o grupo de pesquisadores responsável pela identificação da teixobactina, da Universidade Northeastern, em Boston (EUA), desenvolveu um método capaz de recriar as condições ambientais das bactérias de modo que elas se sentissem à vontade em laboratório para produzir suas toxinas.

Em testes com camundongos, o composto se mostrou eficiente tanto contra infecções comuns e de baixa gravidade quanto contra bacilos de alta gravidade e resistentes a medicamentos.
 
Eles cultivaram as bactérias sobre um microchip coberto com duas camadas semipermeáveis e enterrado em amostras do próprio solo em que esses microrganismos originalmente vivem.

Em testes com camundongos, o composto se mostrou eficiente tanto contra infecções comuns e de baixa gravidade, causadas por bactérias como a Clostridium difficile, que provoca diarreia, quanto contra bacilos de alta gravidade e resistentes a medicamentos, como o Mycobacterium tuberculosis, da tuberculose e contra formas mutantes de bactérias associadas a infecções hospitalares, como o Staphylococcus aureus.

Nova eras

Desde 1987 não eram descobertas novas classes de antibióticos. Para Kim Lewis, líder da pesquisa publicada esta semana na Nature, o trabalho mostra que existem estratégias alternativas para obter compostos eficazes contra bactérias resistentes.

“Fora os benefícios da aplicação imediata da teixobactina, creio que essa pesquisa traz uma mudança de paradigma”, disse em comunicado à imprensa. “Temos dado muito foco a compostos sintéticos e trabalhado na crença de que a resistência a antibióticos é inevitável, mas ainda podemos encontrar compostos aos quais as bactérias não são resistentes.”

Os pesquisadores ainda não sabem dizer se as bactérias podem se tornar resistentes também ao novo antibiótico, mas acreditam que, caso isso ocorra, provavelmente demorará algumas décadas
A resistência a antibióticos é um traço evolutivo das bactérias, adquirido com o tempo de exposição. Os pesquisadores ainda não sabem dizer se as bactérias podem se tornar resistentes também ao novo antibiótico, mas acreditam que, caso isso ocorra, provavelmente demorará algumas décadas.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a resistência de bactérias a antibióticos uma séria ameaça. Recentemente, o problema tem chamado a atenção depois de casos recorrentes de infecção por microrganismos resistentes em hospitais. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Brasil, a taxa de infecção hospitalar é de 15%, mais alta do que em países da Europa e nos Estados Unidos, onde o mesmo índice é de 10%.

Sofia Moutinho
Ciência Hoje On-line

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Penicilina


Por Marcus V. Cabral

 
Em 1928, Alexander Fleming, médico e bacteriologista escocês, descobriu a penicilina, um antibiótico natural derivado de um fungo (gênero Penicillium), que revolucionou a medicina desde então. Em seu laboratório, Alexander tinha diversas placas de petri contendo cultura de alguns microorganismos para estudos. Em uma cultura de Staphylococcus Aureus, o grande causador de infecção generalizada, Fleming, percebeu algo estranho. A placa havia sido infectada por bolores, e em sua volta, não havia nenhuma bactéria.

Penicillium chrysogenum
Penicillium chrysogenum
Classificação científica
Reino: Fungi
Divisão: Ascomycota
Subdivisão: Pezizomycotina
Classe: Eurotiomycetes
Ordem: Eurotiales
Família: Trichocomaceae
Gênero: Penicillium
Espécie: Penicillium chrysogenum
Isolando este tipo de fungo, descobriu-se que era do gênero Penicillium, e a substância produzida por ele, tinha efeito bactericida. A esta substância deu-se o nome de penicilina, substância que impede a produção das moléculas de carbono que são responsáveis pela formação da membrana da bactéria.
fleming
O primeiro tratamento com penicilina em seres humanos aconteceu em 1941, em um agente da polícia que sofria de uma infecção chamada septicemia. A penicilina se tornou um importante medicamento da época e é de grande eficácia no tratamento de doenças infecciosas de origem bacteriana.
A penicilina tem a seguinte fórmula estrutural plana:

A penicilina possui ação bactericida e age inibindo a síntese da parede celular e a ativação do sistema autolítico endógeno das bactérias. Ao acoplar num receptor na parede celular bacteriana, a penicilina, interfere com a transpeptidação que ancora o peptidoglicano estrutural de forma rígida em torno da bactéria. Com uma parede fina e interior hiperosmótico, há um afluxo de água do exterior fazendo com que a bactéria entre em processo de lise, o que leva a bactéria a explodir.

Classificação das Penicilinas

  • Penicilinas naturais: Neste grupo estão à penicilina G e a penicilina V. São eficazes no combate a estreptococos dos grupos A e B, contra sífilis e outras doenças.
  • Aminopenicilinas: As aminopenicilinas foram às primeiras penicilinas com atividade contra bactérias Gram-negativas. Pertencem a esta classificação a amoxicilina e ampicilina.
  • Penicilinas resistentes à penicilinase: Nesta categoria as penicilinas são modificadas quimicamente e possuem uma cadeia lateral para inibir a ação da penicilinase. Como exemplo, pode-se citar a isoxazolilpenicilinas. Estafilococos resistentes à oxacilina são resistentes a este tipo de penicilina.
  • Carboxipenicilinas: A carbenicilina e a ticarcilina estão presentes neste grupo. Principalmente na ticarcilina, nota-se alguma atividade antipseudomonas.
  • Ureidopenicilinas: A azlocilina, mezlocilina e piperacilina, são consideradas penicilinas de maior espectro. Também são eficazes no combate a bactérias Gram-Negativas e enterococos.
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