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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

[Paleontology • 2015] Desmatochelys padillai • Oldest Known Marine Turtle? A New protostegid from the Lower Cretaceous of Colombia

Desmatochelys padillai  Cadena & Parham. 2015
This is what the habitat of Desmatochelys padillai might have looked like 120 million years ago.
Illustration: Jorge Blanco || Cadena & Parham. 2015. PaleoBios. 32(1).
Recent studies suggested that many fossil marine turtles might not be closely related to extant marine turtles (Chelonioidea). The uncertainty surrounding the origin and phylogenetic position of fossil marine turtles impacts our understanding of turtle evolution and complicates our attempts to develop and justify fossil calibrations for molecular divergence dating. Here we present the description and phylogenetic analysis of a new fossil marine turtle from the Lower Cretaceous (upper Barremian-lower Aptian, >120 Ma) of Colombia that has a minimum age that is >25 million years older than the minimum age of the previously recognized oldest chelonioid. 
 
This new fossil taxon, Desmatochelys padillai sp. nov., is represented by a nearly complete skeleton, four additional skulls with articulated lower jaws, and two partial shells. The description of this new taxon provides an excellent opportunity to explore unresolved questions about the antiquity and content of Chelonioidea. We present an updated global character-taxon matrix that includes D. padillai and marine turtles known from relatively complete specimens. 
 
Our analysis supports D. padillai as sister taxon of D. lowi within Protostegidae, and places protostegids as the sister to Pan-Dermochelys within Chelonioidea. However, this hypothesis is complicated by discrepancies in the stratigraphic appearance of lineages as well as necessarily complicated biogeographic scenarios, so we consider the phylogeny of fossil marine turtles to be unresolved and do not recommend using D. padillai as a fossil calibration for Chelonioidea. We also explore the definition of “marine turtle,” as applied to fossil taxa, in light of many littoral or partially marine-adapted fossil and extant lineages. We conclude that whereas the term “oldest marine turtle” depends very much on the concept of the term being applied, we can confidently say that D. padillai is the oldest, definitive, fully marine turtle known to date.
The skeleton of the fossilized sea turtle measures almost 2 meters.
Cadena & Parham. 2015. PaleoBios. 32(1).
The skeleton of Desmatochelys padillai sp. is almost completely preserved.
Cadena & Parham. 2015. PaleoBios. 32(1).
Oldest Fossil Sea Turtle Discovered - The fossilized turtle is at least 120 million years old

Scientists at the Senckenberg Research Institute in Frankfurt have described the world’s oldest fossil sea turtle known to date. The fossilized reptile is at least 120 million years old – which makes it about 25 million years older than the previously known oldest specimen. The almost completely preserved skeleton from the Cretaceous, with a length of nearly 2 meters, shows all of the characteristic traits of modern marine turtles. The study was published today in the scientific journal “PaleoBios.”
Santanachelys gaffneyi is the oldest known sea turtle” – this sentence from the online encyclopedia Wikipedia is no longer up to date.  “We described a fossil sea turtle from Colombia that is about 25 million years older,” rejoices Dr. Edwin Cadena, a scholar of the Alexander von Humboldt foundation at the Senckenberg Research Institute. Cadena made the unusual discovery together with his colleague from the US, J. Parham of California State University, Fullerton.
Desmatochelys padillai Cadena & Parham. 2015
This is what the habitat of Desmatochelys padillai might have looked like 120 million years ago.
 Illustration: Jorge Blanco || Cadena & Parham. 2015. PaleoBios. 32(1).
“The turtle described by us as Desmatochelys padillai sp. originates from Cretaceous sediments and is at least 120 million years old,” says Cadena. Sea turtles descended from terrestrial and freshwater turtles that arose approximately 230 million years ago. During the Cretaceous period, they split into land and sea dwellers. Fossil evidence from this time period is very sparse, however, and the exact time of the split is difficult to verify. “This lends a special importance to every fossil discovery that can contribute to clarifying the phylogeny of the sea turtles,” explains the turtle expert from Columbia.
The fossilized turtle shells and bones come from two sites near the community of Villa de Leyva in Colombia. The fossilized remains of the ancient reptiles were discovered and collected by hobby paleontologist Mary Luz Parra and her brothers Juan and Freddy Parra in the year 2007. Since then, they have been stored in the collections of the “Centro de Investigaciones Paleontológicas” in Villa Leyva and the “University of California Museum of Paleontology.”
Cadena and his colleague examined the almost complete skeleton, four additional skulls and two partially preserved shells, and they placed the fossils in the turtle group Chelonioidea, based on various morphological characteristics. Turtles in this group dwell in tropical and subtropical oceans; among their representatives are the modern Hawksbill Turtle and the Green Sea Turtle of turtle soup fame.
“Based on the animals‘ morphology and the sediments they were found in, we are certain that we are indeed dealing with the oldest known fossil sea turtle,” adds Cadena in summary.
Cadena, E.A. and J.F. Parham. 2015. Oldest Known Marine Turtle? A New protostegid from the Lower Cretaceous of Colombia. PaleoBios. 32(1)

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sobrevivente sortuda

Publicado em 23/05/2014
No Dia Mundial das Tartarugas, conheça a história de Hofesh, tartaruga marinha que recuperou sua capacidade de nadar graças a equipamento inspirado em avião de guerra.
Sobrevivente sortuda
Encontrada numa praia de Israel com duas patas condenadas, a tartaruga Hofesh agora recuperou sua capacidade de nado graças a nadadeiras artificiais especificamente desenhadas para ela. (foto: Israel's Sea Turtle Rescue and Rehabilitation Center
 
Você sabia que 23 de maio é o Dia Mundial das Tartarugas? A data é celebrada pela American Tortoise Rescue para chamar a atenção do mundo para a necessidade de proteger esses répteis tão simpáticos – e, em muitos casos, tão ameaçados.

Para marcar a efeméride, vamos contar a história de Hofesh, a tartaruga verde que escapou da morte certa pela ação do Centro de Resgate e Reabilitação de Tartarugas Marinhas de Israel e recebeu implantes tecnológicos especialmente desenhados que devolveram sua mobilidade.

Hofesh foi encontrada jogada numa praia mediterrânea em Israel, em péssimas condições: estava presa numa rede de pesca e suas duas patas esquerdas apresentaram necrose, pela falta de circulação e pela infecção dos ferimentos. “Depois de perder o controle de suas nadadeiras, ela provavelmente sobreviveu apenas flutuando no oceano, pois estava incapacitada de nadar e, ao mesmo tempo, precisava pegar ar na superfície”, conta Orit Friehmann Elad, do centro israelense. “Isso a deixou muito vulnerável aos predadores e provavelmente a teria matado de qualquer forma em pouco tempo.”
Equipamento improvisado
Os pesquisadores chegaram a experimentar alternativas para recuperar a habilidade de nado de Hofesh, mas as soluções improvisadas não funcionaram. (foto: Yaniv Levy/ Israel's Sea Turtle Rescue and Rehabilitation Center)
A única solução encontrada pelos cientistas foi recolher o animal ao seu centro de reabilitação e tratamento, onde ele teve os dois membros amputados, para salvar sua vida. Os pesquisadores chegaram a improvisar um sistema para tentar devolver sua capacidade de nado usando equipamentos de mergulho, mas a solução pecava pela falta de estabilidade e não resolveu o problema.

Esperança, liberdade e amor

Por quatro anos, Hofesh permaneceu nessa situação, limitando-se basicamente a boiar e, quando ficava nervoso ou assustado por qualquer motivo, acabava afundando numa perigosa espiral e correndo sério risco de se afogar. A história, no entanto, começou a mudar quando Shlomi Gez, um estudante de desenho industrial da Hadassah Academic College, de Jerusalém, ficou sabendo do problema da tartaruga verde e decidiu ajudar: a partir de um projeto que havia elaborado para peixes, ele criou uma barbatana de polipropileno (um plástico durável, flexível e resistente à água) especificamente para Hofesh, desenhada com base no design do caça supersônico F-22 Raptor.

Amarrada no casco da tartaruga, ela devolveu o equilíbrio ao animal, que pôde enfim nadar mais livremente. “Hofesh ficou muito mais confortável e calmo com o equipamento, já é possível perceber um grande avanço na sua capacidade de locomoção, mesmo tendo recebido a barbatana faz pouco tempo”, conta Elad.
Tartaruga reabilitada
Já equipado com suas nadadeiras artificiais, Hofesh divide seu tanque agora com Tzurit, fêmea cega de sua espécie. Embora nenhum dos dois possa retornar ao mar, seus possíveis filhotes ganharão a liberdade. (foto: Israel's Sea Turtle Rescue and Rehabilitation Center)
O mais irônico é que, apesar de seu nome em hebraico significar ‘liberdade’, Hofesh jamais poderá retornar à vida selvagem, pois ainda seria presa fácil no oceano. No entanto, ele não viverá sozinho: a tartaruga macho divide seu tanque com uma fêmea da mesma espécie, Tzurit, que ficou cega após um acidente com um barco e também não pode ser devolvida à natureza. Os pesquisadores acreditam que eles podem formar um belo casal – ambos têm cerca de 25 anos, idade aproximada em que a espécie atinge a maturidade sexual.

“Hofesh e Tzurit já vivem juntos no mesmo tanque e interagem bastante”, conta Elad. “Poderíamos até chamar esse comportamento de um flerte brincalhão, conforme eles se aproximam da sua maturidade sexual”, comemora. Quem sabe um dia seus filhos possam, enfim, retornar ao mar, não é mesmo? Elad conta, ainda, que as duas tartarugas poderão ter a companhia de outros espécimes também preservados pelo grupo, quando as novas instalações do centro forem construídas.

No Brasil
Em nosso país, o projeto Tamar se destaca como um importante programa de conservação das tartarugas marinhas em território nacional. Com bases espalhadas por toda a costa brasileira, o projeto tem sido fundamental na proteção das cinco espécies do animal que vivem em nosso litoral. Suas atividades incluem pesquisa, mapeamento e proteção de ninhos, marcação dos répteis, trabalho junto a populações locais e pescadores para auxiliar na preservação, atividades de educação ambiental e divulgação científica em mais de 10 centros de visitação pública em diversas praias do Brasil, entre outras.

Saindo um pouco dos oceanos, vamos falar sobre as tartarugas terrestres – afinal, hoje também é um dia dedicado à proteção delas! No seco, talvez o maior destaque sejam as tartarugas gigantes de Galápagos. Sobre elas, vale relembrar a morte de George, o solitário, que marcou a provável extinção de uma de suas subespécies, a tartaruga-das-galápagos-de-pinta, e também um estudo que encontrou indicações de que outra espécie do animal, dada como extinta desde o século 19, pode ainda existir escondida nas ilhas do arquipélago equatoriano.