Do Macaco ao Homem: exposição do Catavento registra evolução humana

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7 milhões de anos que marcaram a trajetória evolutiva da humanidade serão reeditados na exposição permanente
Do Macaco ao Homem,
no espaço Catavento Cultural. A mostra, prevista para o final de março,
exibirá a evolução da espécie humana através de réplicas fiéis de
ossadas, ferramentas, artefatos de pedra lascada e objetos do cotidiano
dos nossos ancestrais.
O grande objetivo do projeto é tornar disponível um extenso acervo de
réplicas arqueológicas e transformá-lo em um museu de história natural
na cidade de São Paulo, inexistente até então na capital. A exibição foi
concebida em parceria com o arqueólogo e antropólogo físico Walter
Neves, coordenador do
Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos do Instituto de Biociências (IB) da USP.
O laboratório, que se dedica ao estudo da evolução humana, já
colecionava as peças há 20 anos, através de trocas com outras
instituições e compra. É a maior coleção evolutiva da América Latina.
“Sempre foi um sonho compartilhar o acervo com a sociedade”, ressalta
Neves.
Para a exposição, réplicas em resina foram feitas a partir das já
existentes, a fim conservar as peças da Universidade que são usadas para
pesquisas do Laboratório. A mostra estava praticamente organizada, já
que era prevista para ser exposta na Estação Ciência, espaço de
divulgação de ciências da USP atualmente fechado para reformas.
Uma expedição na capital

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A exibição foi montada no subsolo do Palácio das Indústrias, prédio
histórico da instituição. O espaço teve que passar por grandes reformas
para se adequar às normas de segurança, já que anteriormente não era
acessível ao público. As arcadas e abóbadas trazem a sensação de aperto
devido ao teto baixo e os tijolos aparentes transmitem um clima de
exploração, como se os visitantes participassem de uma verdadeira
expedição arqueológica.
O espaço foi dividido em módulos que podem ser visitados e
compreendidos individualmente e não estão ligados por uma cronologia. Em
cada seção, é possível vivenciar o desenvolvimento de uma
especificidade: arcada dentária, locomoção, o conhecimento simbólico e a
produção artística.
Os primeiros painéis trazem informações catalogativas que comparam o
Homo sapiens
a outros primatas próximos, como chimpanzés e gorilas. Há um expositor
com a árvore evolutiva humana, apresentando e comparando crânios de
ascendentes,
Homo habilis e
Homo erectus, e parentes próximos, como o
Homo neanderthalensis.
De acordo com o professor, um dos módulos mais impressionantes traz a
recomposição da face humana. É possível ter uma ideia aproximada do
aspecto externo dos nossos ascendentes. A reconstituição é feita também
com resina, a partir de imagens fornecidas por pesquisadores
estrangeiros. No Brasil, não há estudos sobre a reconstrução da
aparência de ancestrais humanos.
Ricardo Pisanelli, arquiteto responsável pela montagem da exposição,
ressalta que “o público deve se chocar com a reprodução do funeral, é
algo que eles nunca imaginaram”. O solo do ambiente foi escavado para
simular uma cerimônia de sepultamento que ocorreu 28 mil anos atrás com
um homem moderno, no solo que hoje conhecemos por Rússia. Dentro do
buraco encontra-se sua ossada, que foi isolada por um vidro transparente
sobre o qual os visitantes poderão caminhar. Nesse mesmo módulo, outras
réplicas de representações artísticas estão dispostas, entre elas os
famosos murais de pinturas rupestres das grutas de Lascaux e Chauvet na
França

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A exposição está pronta e a inauguração está prevista para a segunda
quinzena de março. A mostra promete interessar crianças, jovens e
adultos e apresentar as novas descobertas da ciência evolutiva que se
desenvolveu muito nos últimos 40 anos, quando foram encontrados muitos
fósseis de hominídeos, principalmente na África.
O Catavento está situado no Palácio das Indústrias, antiga sede da
Prefeitura, no Parque D. Pedro II, no centro da cidade de São Paulo,
entre a Av. do Estado e a Av. Mercúrio.
Mais informações: site http://www.cataventocultural.org.br