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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Novo macaco nas árvores da Amazônia

Pesquisadores descrevem nova espécie de primata da floresta amazônica. Embora recém-descoberto, o animal já pode estar correndo risco de extinção pela perda de seu hábitat devido ao desmatamento. 
 
Por: Everton Lopes
Publicado em 05/05/2015 | Atualizado em 05/05/2015
Novo macaco nas árvores da Amazônia
Zogue-zogue-rabo-de-fogo (‘Callicebus miltoni’), o mais novo primata do Brasil, foi encontrado na Amazônia. (foto: Júlio César Dalponte.
 
A recente descoberta de um primata na Amazônia, o zogue-zogue-rabo-de-fogo (Callicebus miltoni), demonstra que ainda há muito para se conhecer sobre a região.

O animal foi primeiro avistado no estado de Mato Grosso em 2011. Agora, pesquisadores do Instituto para a Conservação dos Carnívoros Neotropicais (Pró-Carnívoros), do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e do Museu Paraense Emílio Goeldi publicaram a descrição completa da espécie na revista científica Papéis Avulsos de Zoologia.

Silva: “A característica mais marcante da espécie é sua cauda avermelhada, cor de tijolo, por isso o nome ‘rabo de fogo’”.
 
Durante uma expedição científica pelo interior da Amazônia em 2011, pesquisadores avistaram um primata do gênero Callicebus, típico da floresta amazônica e da mata atlântica. Mas o exemplar apresentava algumas peculiaridades visíveis, o que sugeria se tratar de uma nova espécie. “A característica mais marcante da espécie é sua cauda avermelhada, cor de tijolo, por isso o nome ‘rabo de fogo’. Essa mesma coloração é encontrada ainda na região ventral do animal até a altura do pescoço”, descreve Felipe Ennes Silva, biólogo do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá que participou da descoberta.
Para confirmar que era uma nova espécie, foram realizadas comparações de coloração da pelagem e de medidas do corpo e do crânio do animal com as de outras espécies do gênero. “O padrão de coloração peculiar já foi suficiente para constatarmos que se tratava de uma espécie nova”, conta Silva. “Posteriormente, uma análise molecular comparando o material genético de C. miltoni com o de espécies vizinhas também confirmou sua singularidade.”
Espécies do gênero ‘Callicebus’
Ilustração de três espécies diferentes do gênero ‘Callicebus’. O padrão peculiar de coloração da pelagem foi suficiente para distinguir o zogue-zogue-rabo-de-fogo (no centro) como uma nova espécie. (ilustração: Stephen Nash)
O zogue-zogue-rabo-de-fogo ocorre em uma área de cerca de 4.921.540 hectares que vai do norte do Mato Grosso ao sul do Amazonas, entre os rios Aripuanã e Roosevelt.

Embora os pesquisadores ainda não tenham dados de campo a respeito do comportamento da espécie, os animais desse gênero costumam viver em pequenos grupos, de dois a seis indivíduos, que geralmente têm um filhote por ano (esses grupos, em geral, apresentam apenas uma fêmea reprodutiva). Os Callicebus têm cerca de 30 centímetros de comprimento, possuem hábitos arborícolas e diurnos e a sua alimentação consiste principalmente de frutos.

Já ameaçado

Apesar de recém-descoberto, o zogue-zogue-rabo-de-fogo já pode estar correndo risco de extinção. De acordo com Silva, a perda de hábitat é fator crítico para a manutenção da espécie.
Silva: “A região onde essa espécie se encontra sofre uma grande pressão do desmatamento causado por motivos diversos, como o corte seletivo de árvores para fins comerciais”
 
“A região onde essa espécie se encontra sofre uma grande pressão do desmatamento causado por motivos diversos, como o corte seletivo de árvores para fins comerciais”, destaca o biólogo. “Obras para a construção de estradas e hidrelétricas na área também devem influenciar o status de conservação dessa espécie em longo prazo. Somente nos rios Aripuanã e Roosevelt, sete hidrelétricas estão previstas para serem implementadas nos próximos anos”, alerta.

O pesquisador ressalta a importância da realização de expedições científicas para se obter cada vez mais conhecimento sobre a nossa biodiversidade e, assim, permitir a elaboração de medidas de conservação. “Os primatas neotropicais estão entre os grupos de nossa fauna de que mais temos informações e ainda estamos nos surpreendendo com novos dados provenientes de trabalhos de campo”, comenta. “Se considerarmos grupos menos estudados, chegaremos à conclusão de que temos uma tarefa gigante pela frente, de proporções realmente amazônicas”, encerra o biólogo.

Everton Lopes
Ciência Hoje On-line

terça-feira, 9 de setembro de 2014

 DO MACACO AO HOMEM


 
 A cidade de São Paulo conta agora com uma exposição permanente sobre a evolução da espécie humana. A instalação Do Macaco ao Homem está no Catavento Cultural e reúne réplicas dos principais fósseis de hominídeos encontrados desde o início do século 20 até hoje.

É a grande chance de o público ver uma coleção não só de esqueletos de hominídeos, mas também de ferramentas e objetos de arte feitos na pré-história. A exposição só foi possível graças a uma parceria entre o Catavento Cultural e o Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos, no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), coordenado pelo bioantropólogo Walter Neves.

"Os visitantes irão sair extremamente bem informadas de como foi o processo de hominização, desde mais ou menos 7 bilhões de anos atrás até o surgimento do homem moderno, por volta de 40 mil anos atrás", explica Neves, um dos responsáveis pela mostra.

A coleção foi formada ao longo de 20 anos, quando a USP passou a importar réplicas feitas em gesso ou resina a partir das peças originais, que estão depositados em instituições no estrangeiro.

A mostra Do Macaco ao Homem começou a ser pensada em 2006. Foram feitas cópias a partir de réplicas de propriedade da USP e ainda cópias importadas especificamente para a exposição. As reconstituições faciais de alguns hominídeos levaram mais de dois anos para serem concluídas.

O Catavento Cultural fica no Palácio das Indústrias, no Parque Dom Pedro II, no centro da cidade de São Paulo. O local fica aberto de terça-feira a domingo, sempre das 9h às 16h e permanência até as 17h. A entrada custa R$ 6 a inteira e R$ 3, a meia. Entrada gratuita aos sábados.

Para mais informações, acesse a página eletrônica do Catavento Cultural na internet (http://www.cataventocultural.org.br/).