Mostrando postagens com marcador TAIOBA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TAIOBA. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Araticum, jaracatiá, grumixama: conheça alguns dos ingredientes ameaçados de extinção no Brasil

Néli Pereira
Da BBC Brasil em São Paulo

  • Alexandre Schneider, Livro 'Misture a Gosto'
    Grumixama é um dos alimentos em extinção no Sudeste
    Grumixama é um dos alimentos em extinção no Sudeste
Os nomes soam tão diferentes quanto o gosto da maioria desses alimentos seria para o nosso paladar: araticum, jaracatiá, grumixama, cambuci, licuri.
Mas apesar da estranheza inicial, esses ingredientes são tipicamente brasileiros. E correm risco: são parte de um catálogo mundial de alimentos que correm o risco de extinção.

Somente no Brasil, a lista - chamada de "Arca do Gosto" - tem mais de cem espécies. A relação é elaborada de forma colaborativa pela organização Slow Food, criada em 1989 para prevenir o desaparecimento de culturas e tradições gastronômicas em várias partes do mundo.
Para que um produto entre na lista dos "ameaçados" há alguns critérios básicos, como as qualidades gastronômicas especiais, a ligação com a geográfica local, produção artesanal, ênfase na sustentabilidade e risco de extinção.
Alexandre Schneider, Livro 'Misture a Gosto'
Araticum é um fruto nativo do cerrado 
 
Além dos menos conhecidos, há produtos bem populares da mesa dos brasileiros, como a jabuticaba, o queijo da Canastra e o pinhão.

Para o biólogo Gleen Makuta, do do Slow Food Brasil, o desaparecimento gradual desses ingredientes se deve à padronização da alimentação.
"Cerca de 90% da dieta do mundo todo está pautada em vinte ingredientes, sendo os três maiores milho, arroz e batata. Então são alimentos que estão muito difundidos, são produzidos em escala massiva e isso faz com que outros ingredientes percam o valor econômico e não consigam acessar o mercado", afirma.
"Isso faz com que todo o conhecimento atrelado a esses ingredientes vá se perdendo. É uma extinção tanto biológica como cultural."

Apesar do risco de desaparecimento, todos os ingredientes da lista ainda se encontram vivos, com potencial produtivo e comercial. Mas poucos chegam à mesa dos brasileiros.

Para a mesa

Justamente pensando em aproximar esses alimentos da refeição do dia a dia e da mesa dos brasileiros, a chef de cozinha Claudia Mattos fundou, ao lado de outros chefs, a Aliança dos Cozinheiros para o Brasil, uma rede que promove e a biodiversidade agroalimentar e procura trabalhar com ingredientes locais.

Mario Rodrigues
Uma das criações dos chefs são as ostras empanadas com brioche e castanha de baru com creme de juçara defumada
 
"O Brasil consome e conhece muita coisa de fora - funghi seco e caviar, por exemplo -, mas não conhece produtos nossos, como cambuci, baru, entre tantos outros."

O grupo promove eventos como o Festival Arca do Gosto, que reúne nomes da gastronomia para elaborar pratos e receitas com esses alimentos.
Em São Paulo, há uma edição especial somente com produtos do Sudeste, que reúne cerca de 30 chefs e que vai até novembro.
Claudia Mattos afirma que, nesses casos, o trabalho é quase didático.
"É um projeto desafiador, tem que ser didático, explicar o alimento, de onde ele vem quais os benefícios, aromas, como e se prepara cada um deles porque as pessoas não tem ideia nem de onde encontrar alguns ingredientes. Os chefs podem ajudar muito", conta.

Mesmo para quem já trabalha em cozinha, alguns dos ingredientes são uma novidade.
"É muito fácil fazer mousse com laranja ou morango porque é conhecido, e o resultado muito tranquilo, Mas criar um prato com ingredientes que você não sabe nem como se comportam, se tem que deixar de molho, se tem que assar, cozinhar, se faz ele doce ou salgado é desafiador e trabalhamos na base da experimentação", conta.

Alexandre Schneider, Livro 'Misture a Gosto'
O cambuci passou a ser mais usado no Sudeste há cerca de sete anos
 
A intenção dos chefs é estimular o consumo desses produtos ao apresenta-los para o público geral e incentivar os agricultores.

"Quem trabalha com esse tipo de alimento preserva também a biodiversidade, os ingredientes autóctones. Todo trabalho é por isso, nós somos coprodutores, não adianta todo mundo produzir cebola orgânica porque todo mundo tem. Então é preciso diversificar", conta.
"Há pouco tempo, ninguém conhecia cambuci, taioba, ora-pro-nobis, e hoje vários restaurantes já usam esses ingredientes."

Conhece algum ingrediente com risco de extinção na sua região? Você pode contribuir para a Arca do Gosto - uma comissão vai avaliar sua indicação.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

PLANTAS TÓXICAS - CUIDADO NO CONSUMO!

Altamente tóxica, a Couve do Mato ou Charuto do Rei é facilmente confundida com a variedade comestível

Paisagismo

Essa semelhança entre espécies de plantas é muito comum, , pois na hora de escolher as plantas para ter em casa é preciso pesquisar e conhecer. Muitas espécies se parecem. A Alocasia, por exemplo, é muito semelhante à Taioba, que é consumida na alimentação". Nessa caso em específico, ainda é necessário ficar atento à uma variação: a Taioba Brava, que também é tóxica. Veja como diferenciá-las:

Reprodução
Reprodução

Na Taioba Brava (à direita) os talos são escuros e a parte de cima do 'coração' termina antes de começar o talo. Já a taioba comestível (à esquerda) possui um tom de verde mais claro, tanto o talo quanto a folha, nervuras claras em Y e lobos que se juntam exatamente onde começa o talo (embora isto também aconteça com outras variedades bravas, mas com talos bem roxos, que é um bom parâmetro para diferenciá-las).


Reprodução
Reprodução

Alocasia

Reprodução
Reprodução

Taioba comestível


Embora para um leigo seja difícil diferenciar uma planta da outra, Erly dá uma orientação. "É importante ter atenção especial às plantas de seiva leitosa, pois geralmente, elas são tóxicas". É o caso da famosa Comigo-Ninguém-Pode, cuja má fama já foi amplamente difundida, mas que não deixa de estar presente nos lares. E ela não está sozinha. "A Ripsalis, por exemplo, está sendo muito utilizada em ambientes internos devido à sua alta resistência e ao seu poder escultórico, e é extremamente tóxica", conta Erly. E a lista de ameaças não para por aí, Tirucalis, Tinhorão, Coroa de Cristo, Espirradeira, Copo de Leite e várias outras espécies apresentam riscos à saúde de pessoas e animais e, em alguns casos, podem levar à morte.

Por isso, para quem quer ter planta em casa, é necessário seguir alguns cuidados especiais, como fazer uma pesquisa para conhecer as espécies desejadas, orientar as crianças a não brincarem com folhas, não tomar chás ou remédios caseiros sem orientação, usar luvas e proteger os olhos ao podar e manusear plantas. "Em caso de se optar por uma planta tóxica devido à sua beleza, mantenha-a em local inacessível a crianças e animais", finaliza Erly.

Reprodução
Reprodução

Por suas folhas abundantes e coloridas, o Tinhorão é muito apreciado nos jardins