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quarta-feira, 8 de março de 2017

Populações pré-colombianas podem ter domesticado a Amazônia

07 de março de 2017





 Árvores e palmeiras usadas pelos índios são mais abundantes em sítios arqueológicos do que em áreas remotas (foto: Cerâmica pré-colombiana encontrada próximo ao rio Solimões/Carolina Levis)


Maria Guimarães | Revista Pesquisa FAPESP – Um grupo de biólogos e arqueólogos defende que a Amazônia, longe de ser uma floresta virgem, foi profundamente alterada pelas populações humanas que viveram por lá ao longo dos últimos milhares de anos. “Detectamos que perto de sítios arqueológicos há uma maior concentração e diversidade de árvores usadas pelos índios”, conta a bióloga Carolina Levis, doutoranda no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e na Universidade de Wageningen, Holanda, e primeira autora de um artigo publicado http://science.sciencemag.org/content/355/6328/925 na revista Science. Os resultados descrevem uma floresta modificada de forma constante por milhões de índios.
Levi e seus coautores examinaram, pela primeira vez, correspondências entre dados arqueológicos e botânicos, graças a dois extensos bancos de dados. Um compilado pelos arqueólogos Eduardo Tamanaha, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, e André Junqueira, agora em estágio de pós-doutorado na Universidade de Wageningen, que inclui dados de mais de 3 mil sítios arqueológicos. O outro foi criado pelo botânico Hans ter Steege, do Centro de Biodiversidade Naturalis, também da Holanda, formando uma rede de pesquisadores que fizeram inventários botânicos em 1.170 parcelas de amostragem na Amazônia, listando mais de 4 mil espécies de árvores.

Até 2013, o projeto de pesquisa contou com o apoio da FAPESP no âmbito de um acordo com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), tendo como pesquisador responsável Javier Tomasella http://www.bv.fapesp.br/pt/pesquisador/2414/javier-tomasella/.

As diferenças na composição florística entre onde já houve povoamentos e áreas mais distantes são tão marcantes que Carolina acredita poder usar a composição da flora como assinatura para localizar sítios arqueológicos. Levando em conta as árvores atuais, a pesquisadora do Inpa chegou a detectar 85 espécies usadas e domesticadas pelos índios, como o açaí-do-mato, a castanha-do-pará e a seringueira.

A abundância das plantas usadas pelos índios ainda sugere que muitas domesticações aconteceram no sudoeste da Amazônia, onde também teriam surgido famílias linguísticas importantes, como o Tupi e o Arawak. “Esses grupos podem ter levado as plantas por grandes distâncias”, sugere Carolina. A correlação entre árvores hiperdominantes – aquelas que aparecem em abundância desproporcional – e indícios de populações humanas antigas é mais forte no sudoeste da Amazônia, como Rondônia, e também na região da foz do Amazonas, mas conclusões definitivas esbarram em amplas extensões desconhecidas – tanto do ponto de vista florístico quanto arqueológico.

Uma das dificuldades é saber se a distribuição das árvores foi realmente alterada por gerações e gerações de índios, ou se os povos se estabeleceram exatamente onde havia recursos valiosos para eles. Carolina aposta na primeira alternativa. “Encontramos árvores com preferências ecológicas distintas vivendo nas mesmas parcelas de amostragem, algo improvável de acontecer naturalmente.”

Ela se preocupa com a pressão de desmatamento exatamente onde essas plantas são mais abundantes. “As linhagens silvestres das plantas usadas pelos índios estão nessa região, e preservar essa diversidade genética também é importante para a segurança alimentar”, afirma. O arqueólogo Eduardo Góes Neves, professor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) e um dos coautores do estudo, ressalta que os padrões da floresta também guardam registro de práticas humanas. “Um castanhal desmatado significa uma forma de conhecimento da floresta que desapareceu”, afirma.

O artigo Persistent effects of pre-Columbian plant domestication on Amazonian forest composition, publicado na Science, está disponível em http://science.sciencemag.org/content/355/6328/925.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013




Arqueólogos acham restos de casa construída há 3.000 anos na Amazônia



Equipe internacional de arqueólogos descobriu na Amazônia equatoriana os
restos de uma casa construída há cerca de 3.000 anos. A construção mais
antiga da região amazônica foi erguida no formato oval, com 17 metros de
comprimento e 11 de largura, mostram as marcas das pilastras achadas no
sítio perto de Puyo, na província de Pastaza – até um tronco de árvore,
enterrado de cabeça para baixo na camada freática, foi usado como coluna
da residência (à direita).

http://taberna.inpauta.com/wp-content/uploads/2013/09/arqe.jpg

Arqueólogos franceses e equatorianos descobriram na Amazônia do Equador
os restos de uma casa construída há cerca de 3.000 anos, a mais antiga
da região amazônica, segundo disse o arqueólogo Stéphen Rostain, diretor
da pesquisa.

“Encontramos buracos de fornos e vestígios de cerâmica e pedras”, disse
Rostain ao explicar que o que acharam foram “as marcas da casa mais
antiga da Amazônia no Equador”, perto de Puyo, na província de Pastaza.

Rostain detalhou que encontraram o lugar há dois anos e abriram o campo
em julho quando cavaram um metro de profundidade e aproximadamente 90
metros quadrados de diâmetro.

A descoberta “é totalmente nova, ninguém tem conhecimento dela”,
assegurou o especialista ao comentar que, quando fizeram as prospecções
há dois anos, encontraram uma forma do que seria uma fornalha.

“As fornalhas construídas com pedras são geralmente muito antigas, de
entre 1.800 a.C. e 500 a.C.. Tiramos algumas amostras que nos remeteram
a uma data de 3.000 anos, e este ano encontramos todas as marcas de
pilastras com as quais conseguimos reconstruir (em papel) a casa”, disse.

Em uma gráfica, o especialista mostrou os pontos que disse
corresponderem às marcas das pilastras. “Reconstituindo isso, temos uma
casa em formato oval, parecida às casas atuais, mas a diferença é que
essa tem 3.000 anos. É a casa mais antiga de toda a Amazônia (…), mais
antiga inclusive que as conhecidas no Brasil”, afirmou.

A “maior descoberta”, disse, foi o fato de, quando a casa foi
construída, terem usado o tronco de uma árvore como pilastra,
colocando-o de cabeça para baixo, enterrado na camada freática: “Isso
economiza o trabalho humano, não é necessário talhar o tronco e assim a
árvore não cresce novamente”, comentou.

As marcas achadas mostram que a casa foi construída no formato oval, com
17 metros de comprimento e 11 de largura. “A sua construção é um pouco
parecida com a atual dos achuar e dos quichua”, e a maior diferença é a
fornalha feita de pedra, disse o diretor do projeto, que comentou que
deram o nome de Pambay à cultura da zona pelo rio próximo.

Entre outras coisas, a organização do 3º Encontro Internacional de
Arqueologia Amazônica, que é realizado nesta semana em Quito, não lhe
permitiu avançar mais no estudo de dados vinculados com o achado: “Agora
sabemos como mais ou menos era a casa dos moradores de há 3.000 anos”.

“Ao sabermos as plantas que comiam vamos saber qual era a sua dieta; com
a cerâmica, vamos conhecer sua arte, pelo tipo de lugar onde construíram
a casa, conheceremos a relação que tinham com o meio ambiente”, declarou.

O especialista francês, que começou com as escavações há mais de 15 anos
no Equador, diz sentir-se “feliz” pela descoberta e garante que “tocar
algo que não foi tocado durante três mil anos sempre é um prazer”.

“Somos procuradores de tesouros, como se fôssemos umas crianças”,
comentou entre risos quem sugeriu a criação de um museu na região onde
foi feita a descoberta.

O especialista francês garantiu que ainda há muito por descobrir da
Amazônia, onde há savanas, pântanos, montanhas e uma grande
biodiversidade. “São 7 milhões de quilômetros quadrados, ou seja, o
tamanho dos Estados Unidos ou da Europa”, exemplificou.

“Na Europa digamos que há 30 idiomas e dez famílias linguísticas. Na
Amazônia, no mesmo território, atualmente temos 200 idiomas e 80
famílias linguísticas”, comentou, acrescentando que, por outro lado,
existe essa diversidade pois os indígenas eram nômades.

Segundo ele, não se sabe muito da rede de caminhos que havia pela
Amazônia e lamentou que esta ainda seja vista como um “mundo selvagem”
onde agora a densidade da população é de 0,5 habitante por quilômetro
quadrado, mas onde havia lugares “com 10, 15, 20 habitantes por
quilômetro quadrado; até 100 no litoral das Guianas”, disse.

“Estou falando de uma Amazônia muito povoada, todos interligados, mas
com idiomas diferentes. Era como a rede da web, mas com seres humanos”,
disse Rostain, que lembra que, quando começou, há 35 anos, a trabalhar
na Amazônia, havia “menos de 10″ arqueólogos trabalhando nos sete
milhões de quilômetros quadrados. Agora são centenas neste “continente
verde”, concluiu.

Arqueólogos

franceses e equatorianos descobriram na Amazônia do Equador os restos de
uma casa construída há cerca de 3.000 anos, a mais antiga da região
amazônica, segundo disse o arqueólogo Stéphen Rostain, diretor da
pesquisa. “Encontramos buracos de fornos e vestígios de cerâmica e
pedras”, disse Rostain ao explicar que o que acharam foram “as marcas