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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Foco nos astros primordiais

02 de agosto de 2016

Marcos Pivetta  |  Pesquisa FAPESP – Os astrônomos brasileiros deverão contar em breve com um novo instrumento para observação da radiação emitida por corpos celestes nos comprimentos de onda da luz visível, desde o ultravioleta até o início do infravermelho próximo: o espectrógrafo de alta resolução Steles, projetado e fabricado no Brasil. O equipamento é capaz de obter dados detalhados sobre a composição química, a temperatura, a velocidade de rotação e a força gravitacional de estrelas, inclusive daquelas formadas nos primórdios do Universo, logo após o Big Bang.

A FAPESP financiou cerca de metade do custo de construção do Steles. O restante veio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, (MCTIC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig).


Observatório Austral de Pesquisa Astrofísica (Soar), em Cerro Pachón, no norte do Chile, receberá o Steles, espectrógrafo fabricado no Brasil (Foto: LNA).
 
O projeto chegou a bom termo, mas a conclusão ocorreu cinco anos após o previsto. Problemas burocráticos, de importação de componentes, atrasos e erros de fornecedores de peças e pouca experiência na gestão de uma empreitada desse tipo contribuíram para o atraso. “Tivemos de aprender com os erros como é gerir a construção de um instrumento tão complexo”, reconhece o astrofísico Bruno Vaz Castilho, diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e coordenador dos trabalhos de construção do espectrógrafo.

Nos próximos dias, o Steles deverá deixar a sede do LNA, em Itajubá (MG), rumo ao município andino de Vicuña, no norte do Chile. O destino final do instrumento, que custou R$ 2,5 milhões, é o topo de uma montanha situada a 2.700 metros acima do nível do mar, o Cerro Pachón. Nesse ponto privilegiado de observação do céu, o Steles será instalado dentro da cúpula do Observatório Austral de Pesquisa Astrofísica (Soar), um telescópio com espelho de 4,1 metros (m), construído e mantido por investimentos do Brasil, dos Estados Unidos e do Chile. “Em setembro, o Steles deverá receber sua primeira luz”, prevê Castilho. Se tudo correr como previsto, o acesso ao instrumento deverá ser aberto a projetos de pesquisadores dos países associados ao telescópio até o fim deste ano. Por ser sócio do Soar, o Brasil dispõe de 30% do tempo de uso do telescópio.

O Steles é o terceiro instrumento produzido no Brasil para o observatório internacional. Os dois primeiros foram o espectrógrafo Sifs, de menor resolução que o Steles, e o filtro imageador sintonizável brasileiro (BTFI, em inglês), ambos instalados em 2010 no telescópio andino. Inspirado no Feros e no Uves, dois dos mais potentes espectrográfos mantidos em sítios chilenos pelo Observatório Europeu do Sul (Eso), o Steles é uma versão mais moderna de seus congêneres. Pesa 830 quilos, nove vezes menos do que o Uves. Seu tamanho é metade de seus similares. É quase um quadrado, com 1,80 m de altura, 1,9 m de largura e profundidade de 60 centímetros. Mais de 5 mil peças fazem parte do espectrógrafo. A maioria foi projetada no LNA. Do exterior, vieram toda a parte óptica e uma boa porcentagem da eletrônica. As estruturas mecânicas, de usinagem e uma parcela da eletrônica foram fabricadas no Brasil, onde o projeto foi concebido, montado e testado antes de estar pronto para ser despachado para o Chile.

Dez empresas nacionais participaram da construção do espectrógrafo. A Equitecs, de São Carlos, por exemplo, fez a estrutura da bancada e suportes para pendurar no telescópio. A Erominas, de Piranguçu (MG), confeccionou peças mecânicas e a MedTron, de Santa Rita do Sapucaí (MG), fabricou placas eletrônicas para o Steles. “Além de capacitar empresas nacionais a se tornar fornecedoras de peças e serviços para outros projetos de tecnologia sofisticada, a fabricação do Steles permitiu que vários estudantes aprendessem técnicas optomecânicas e alguns até fizeram mestrado sobre temas correlatos à questão da instrumentação”, comenta Castilho.
Leia a íntegra dessa reportagem em http://revistapesquisa.fapesp.br/2016/07/14/foco-nos-astros-primordiais/?cat=ciencia.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

26 imagens que lhe farão reavaliar sua existência inteira

1. Aqui é a Terra! É onde você vive.

Aqui é a Terra! É onde você vive.
NASA Goddard Space Flight Center Image / Via visibleearth.nasa.gov

2. E aqui é onde você vive em seu bairro, o sistema solar.

E aqui é onde você vive em seu bairro, o sistema solar.

3. Esta é a distância, em escala, entre a Terra e a Lua. Não parece muito distante, não é?

Esta é a distância, em escala, entre a Terra e a Lua. Não parece muito distante, não é?

4. POIS PENSE DE NOVO. Dentro desta distância você pode acomodar todos os planetas de nosso sistema solar, tranquilamente.

POIS PENSE DE NOVO. Dentro desta distância você pode acomodar todos os planetas de nosso sistema solar, tranquilamente.
PerplexingPotato / Via reddit.com

5. Mas vamos falar sobre os planetas. Esta pequena mancha verde é o tamanho da América do Norte em Júpiter.

Mas vamos falar sobre os planetas. Esta pequena mancha verde é o tamanho da América do Norte em Júpiter.
NASA / John Brady / Via astronomycentral.co.uk

6. E aqui é o tamanho da Terra (na verdade, seis Terras) comparado com Saturno:

E aqui é o tamanho da Terra (na verdade, seis Terras) comparado com Saturno:
NASA / John Brady / Via astronomycentral.co.uk

7. E apenas para fins de comparação, aqui temos como os anéis de Saturno ficariam se estivessem ao redor da Terra:

E apenas para fins de comparação, aqui temos como os anéis de Saturno ficariam se estivessem ao redor da Terra:
Ron Miller / Via io9.com

8. Aqui temos um cometa. Acabamos de aterrissar uma sonda em um desses garotões. Aqui vemos como um deles ficaria comparado com Los Angeles:

Aqui temos um cometa. Acabamos de aterrissar uma sonda em um desses garotões. Aqui vemos como um deles ficaria comparado com Los Angeles:
Matt Wang / Via mentalfloss.com
E para comparar com uma cidade brasileira: Los Angeles seria tipo a metade de um Rio de Janeiro.

9. Mas isso não é nada comparado ao nosso Sol. Apenas se lembre:

Mas isso não é nada comparado ao nosso Sol. Apenas se lembre:

10. Aqui é você visto da Lua:

Aqui é você visto da Lua:
NASA

11. Aqui é você visto de Marte:

Aqui é você visto de Marte:
NASA

12. Aqui é você visto por trás dos anéis de Saturno:

Aqui é você visto por trás dos anéis de Saturno:
NASA

13. E aqui é você visto por trás de Netuno, a 4 bilhões de quilômetros de distância.

E aqui é você visto por trás de Netuno, a 4 bilhões de quilômetros de distância.
NASA
Parafraseando Carl Sagan, todos e tudo que você já conheceu existem neste pequeno pontinho.

14. Vamos dar um passo atrás por um momento. Este é o tamanho da Terra comparado com o tamanho do Sol. Assustador, não?

Vamos dar um passo atrás por um momento. Este é o tamanho da Terra comparado com o tamanho do Sol. Assustador, não?
John Brady / Via astronomycentral.co.uk
O Sol sequer cabe nesta imagem.

15. E aqui temos o mesmo Sol visto da superfície de Marte:

E aqui temos o mesmo Sol visto da superfície de Marte:
NASA

16. Mas isso não é nada. Novamente, como Carl ponderou um dia, há mais estrelas no espaço do que grãos de areia em todas as praias da Terra:

Mas isso não é nada. Novamente, como Carl ponderou um dia, há mais estrelas no espaço do que grãos de areia em todas as praias da Terra:

17. O que significa que há algumas muito, muito maiores que nosso pequeno e fracote Sol. Dê uma olhada no quão pequeno e insignificante nosso Sol é:

O que significa que há algumas muito, muito maiores que nosso pequeno e fracote Sol. Dê uma olhada no quão pequeno e insignificante nosso Sol é:
Provavelmente roubam o dinheiro do lanche de nosso Sol.

18. Aqui temos outra imagem. A maior estrela, VY Canis Majoris, é 1.000.000.000 de vezes maior do que nosso Sol:

26 imagens que lhe farão reavaliar sua existência inteira
………

19. Mas nada disso se compara ao tamanho da galáxia. Na verdade, se você encolher o Sol até ele ficar do tamanho de uma célula branca do sangue e encolher a Via Láctea utilizando a mesma escala, a Via Láctea teria o tamanho dos Estados Unidos:

Mas nada disso se compara ao tamanho da galáxia. Na verdade, se você encolher o Sol até ele ficar do tamanho de uma célula branca do sangue e encolher a Via Láctea utilizando a mesma escala, a Via Láctea teria o tamanho dos Estados Unidos:

20. Isso porque a Via Láctea é imensa. Aqui é onde você vive nela.

Isso porque a Via Láctea é imensa. Aqui é onde você vive nela.

21. Mas isso é tudo o que você vai ver:

Mas isso é tudo o que você vai ver:
(Esta não é uma imagem da Via Láctea, mas você captou a ideia)

22. Mas até nossa galáxia chega a ser minúscula se comparada com algumas outras. Aqui temos a Via Láctea comparada com a IC 1011, a 350 milhões de anos-luz da Terra:

Mas até nossa galáxia chega a ser minúscula se comparada com algumas outras. Aqui temos a Via Láctea comparada com a IC 1011, a 350 milhões de anos-luz da Terra:
Apenas IMAGINE tudo o que poderia estar lá dentro.

23. Mas vamos pensar grande. SOMENTE nesta fotografia tirada pelo telescópio Hubble, há milhares e milhares de galáxias, cada uma contendo milhões de estrelas e cada uma com seus próprios planetas.

Mas vamos pensar grande. SOMENTE nesta fotografia tirada pelo telescópio Hubble, há milhares e milhares de galáxias, cada uma contendo milhões de estrelas e cada uma com seus próprios planetas.

24. Aqui temos uma das galáxias retratadas, UDF 423. Essa galáxia está a 10 BILHÕES de ano-luz. Quando você olha para essa imagem, está olhando para bilhões de anos no passado.

Aqui temos uma das galáxias retratadas, UDF 423. Essa galáxia está a 10 BILHÕES de ano-luz. Quando você olha para essa imagem, está olhando para bilhões de anos no passado.
Acredita-se que algumas das outras galáxias se formaram apenas algumas centenas de milhões de anos APÓS o Big Bang.

25. E lembre-se — esta é uma imagem de uma parte muito, muito pequena do universo. É apenas uma fração insignificante do céu noturno.

E lembre-se — esta é uma imagem de uma parte muito, muito pequena do universo. É apenas uma fração insignificante do céu noturno.

26. E, sabe, podemos presumir com segurança que há alguns buracos negros lá fora. Aqui temos o tamanho de um buraco negro comparado com a órbita da Terra, apenas para lhe assustar:

E, sabe, podemos presumir com segurança que há alguns buracos negros lá fora. Aqui temos o tamanho de um buraco negro comparado com a órbita da Terra, apenas para lhe assustar:
D. Benningfield/K. Gebhardt/StarDate / Via mcdonaldobservatory.org

Então, quando você estiver chateado porque cancelaram a sua série favorita ou porque começaram a tocar músicas de Natal muito cedo — apenas lembre…

Essa é sua casa.

Essa é sua casa.
By Andrew Z. Colvin (Own work) [http://CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

Isso é o que acontece quado você afasta a imagem de sua casa para o seu sistema solar.

Isso é o que acontece quado você afasta a imagem de sua casa para o seu sistema solar.

E isso é o que acontece quando você afasta a imagem mais um pouco…

E isso é o que acontece quando você afasta a imagem mais um pouco...
By Andrew Z. Colvin (Own work) [http://CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

E mais um pouco…

E mais um pouco...
By Andrew Z. Colvin (Own work) [http://CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

Continue…

Continue...
By Andrew Z. Colvin (Own work) [http://CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

Afaste-se só mais um pouco…

Afaste-se só mais um pouco...
By Andrew Z. Colvin (Own work) [http://CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

Quase lá…

Quase lá...
By Andrew Z. Colvin (Own work) [http://CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

E aqui estamos. Aqui está tudo que é observável no universo e aqui está o seu lugar nele. Apenas uma minúscula formiga em um jarro gigantesco.

E aqui estamos. Aqui está tudo que é observável no universo e aqui está o seu lugar nele. Apenas uma minúscula formiga em um jarro gigantesco.
By Andrew Z. Colvin (Own work) [http://CC-BY-SA-3.0 (creativecommons.org) or GFDL (gnu.org)], via Wikimedia Commons

quarta-feira, 1 de julho de 2015

O céu a um clique

Aplicativos de astronomia estimulam o conhecimento dos céus e ajudam a localizar corpos celestes no espaço.
O céu a um clique
Em dispositivos móveis, a Carta Celeste ajuda a identificar estrelas e constelações observadas pelo usuário. (imagem: Reprodução.
 
Pontilhado de centenas de milhares de astros e planetas dos mais diversos tamanhos e a diferentes distâncias de nós, o céu ainda é uma imensidão de mistérios para os especialistas – para os leigos, então, nem se fala! Alguns aplicativos, no entanto, estão trazendo essa imensidão para a palma da mão, e deixando as belezas e curiosidades celestes mais acessíveis aos portadores de smartphones e tablets.

Os apaixonados pela astronomia, claro, saem ganhando. Embora a maioria dos programas esteja disponível apenas em língua inglesa, em português há boas opções. Um exemplo é a Carta Celeste, disponível para aparelhos com sistema Android, que guarda a localização das estrelas e constelações conhecidas. Apontando a câmera do aparelho para o céu, o usuário descobre logo que astros está observando. É possível também explorar o céu noturno como visto de outros pontos da Terra.

Já o Google Sky Map (para Android e iOS) usa o GPS do aparelho para dar nome e fornecer informações sobre corpos celestes. Com uma ferramenta inovadora, ele também permite descobrir em que locais os objetos do espaço vão estar em momentos diferentes da noite – uma interessante experiência de realidade aumentada.
O ganho real de aplicativos como estes – e tantos outros já disponíveis – ainda é ponto de discussão entre especialistas.

Clima extraterrestre

Para quem tem curiosidade sobre nosso astro-rei, uma boa novidade é o Magnetic Storms (para iOS), que ajuda a monitorar as atividades solares. Desenvolvido pelo geofísico Eder Cassola Molina, da Universidade de São Paulo, o aplicativo atua na área conhecida como space weather (em tradução livre, meteorologia espacial), que estuda o clima fora do planeta.
“Ele serve para estudar a interação do Sol com a Terra, não no sentido clássico de transferência de calor, mas sim dos efeitos desta interação com o campo magnético terrestre”, explica o cientista. Alguns eventos ocorridos na superfície solar podem danificar satélites e usinas de retificação de energia elétrica em nosso planeta.

Quando o Sol nascer...

Desenvolvido no Observatório Nacional, a ferramenta Astro (disponível na página do observatório) promete conhecer, em qualquer ponto do planeta, o exato instante do nascer e do pôr do sol. Ela também determina as fases da lua para as coordenadas geográficas do observador, indicando possíveis eclipses.
Astro, ferramenta criada pelo Observatório Nacional
Astro é a ferramenta criada pelo Observatório Nacional que permite ao usuário conhecer o momento exato do nascer e do pôr do sol, a posição dos astros e a possibilidade de eclipses. (imagem: Reprodução)
“Com visualização em 3D e linguagem simples e bem objetiva, Astro ajuda a compreender melhor diversos fenômenos astronômicos importantes”, garante Carlos Veriga, um de seus desenvolvedores.

A melhor forma de conhecer

O ganho real de aplicativos como estes – e tantos outros já disponíveis – ainda é ponto de discussão entre especialistas. Enquanto alguns apostam que as novas tecnologias favorecem o acesso ao conhecimento, outros ponderam que elas podem esvaziar o valor de livros e outros métodos tradicionais de estudo.
Para o físico Awdry Miquelin, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, os aplicativos aproximam os usuários de uma leitura inicial do céu. “Por exemplo, algumas ferramentas permitem que a pessoa identifique estrelas e planetas que estão visíveis de forma muito rápida e isso é enriquecedor”, destaca. Por outro lado, o cientista acredita que os aplicativos devem ser vistos apenas como porta de entrada para o conhecimento dos céus. “Para um melhor aproveitamento, é necessário consultar textos específicos da área e estudar mais a fundo o assunto”, ressalta.

Miquelin acredita que o uso dos aplicativos deve ser estimulado dentro de salas de aula de educação básica, onde os alunos podem explorar o conteúdo em conjunto com o professor. “Quando tratamos de astronomia, muitos conceitos são abstratos, tornando difícil a visualização”, afirma. “Esses programas apresentam uma abordagem convidativa aos alunos, oferecendo um modo de enxergar os céus que apenas o quadro-negro pode não dar conta”.

Valentina Leite
Instituto Ciência Hoje/ RJ

terça-feira, 30 de junho de 2015

Entenda o Solstício

O Sol vai parar

No próximo dia 21 de junho, chega oficialmente o inverno. A data, chamada pelos cientistas de solstício, tem a ver com o movimento aparente do Sol em relação à Terra, explica Adilson de Oliveira em sua coluna deste mês. 
 
Por: Adilson de Oliveira
Publicado em 19/06/2015 | Atualizado em 19/06/2015
O Sol vai parar
Muitos séculos já se passaram desde que começamos a entender verdadeiramente os movimentos dos corpos celestes e como de fato estes influenciam o nosso dia-a-dia. (imagem: Harman Smith e Laura Generosa / Nasa) 
 
Todas as manhãs, quando acordamos para nossas atividades diárias, uma das primeiras atitudes é verificarmos como está o clima. Olhamos pela janela ou consultamos a previsão do tempo para saber se o dia estará nublado, chuvoso ou ensolarado – o resultado pode nos deixar mais dispostos ou desanimados enfrentar o que vem pela frente. Quem acorda cedo percebe que, a depender da época do ano e da região do Brasil onde vivemos, ao levantarmos da cama o dia pode já estar claro ou ainda escuro. Observadores mais atentos sabem também que, conforme os dias passam, o Sol nasce e se põe em lugares diferentes.
A explicação tem a ver com o fato de o eixo de rotação do planeta estar inclinado em cerca de 23,4 graus em relação a uma reta perpendicular ao plano orbital. Desta forma, os hemisférios são iluminados de maneira diferente, e as partes do globo que recebem mais e menos luz mudam ao longo da trajetória anual da Terra ao redor do Sol, provocando o fenômeno das estações do ano.

No verão do hemisfério sul, recebemos mais luz, os dias são mais longos e as noites, mais curtas. Nessa mesma época, o hemisfério norte está no inverno, recebe menos luz e tem noites mais longas. Curiosamente, na época do outono do hemisfério sul – primavera no hemisfério norte –, o Sol ilumina de maneira praticamente igual ambas as partes do globo. Por isso, no Brasil, no meio da primavera – normalmente em outubro –, instituímos o horário de verão, atrasando os relógios em uma hora. Assim, acordamos mais cedo, aproveitamos melhor a claridade do dia e, como consequência, economizamos energia.
Por do Sol
Dependendo da localização de onde se observa o solstício, a distância do Sol ao Leste pode ficar bem grande. No Rio de Janeiro, são cerca de 22,5 graus. Em Porto Alegre, 30 graus. No extremo sul da Argentina, quase 50 graus! (foto: Eduardo Melon / Flickr / CC BY-NC 2.0)
A variabilidade da duração do dia no inverno ou no verão ocorre porque o Sol vai nascendo (ou se pondo) em diferentes lugares ao longo do ano. De fato, somente nos dias de início da primavera ou do outono o Sol nasce exatamente no Leste e se põe no Oeste. Após o outono no hemisfério Sul, por exemplo, o Sol vai nascendo e se pondo cada vez mais ao norte do ponto cardeal Leste, de forma a, no começo do inverno, atingir sua distância máxima em relação ao Leste – este ano, isso acontece no dia 21 de junho, que marca o início da nova estação. À data de início do inverno ou do verão damos o nome de solstício, uma palavra que significa “o Sol que não se mexe”. É o dia em que o Sol “para" o seu movimento e começa a voltar em direção ao Leste ou Oeste.

Esse movimento anual do Sol, claro, é apenas aparente, pois, como sabemos, é a Terra que gira ao redor da estrela, e não o contrário. Como todo movimento é relativo para quem observa, estando na Terra vemos não somente o Sol, mas também a Lua, os planetas e as estrelas realizando movimentos no céu. De fato, devido aos estranhos movimentos observados nos planetas, em particular Marte, foi possível determinar que de fato o Sol estava no centro do sistema planetário e não a Terra, como se acreditava até o século 16.
Sol
No próximo dia 21 de junho, precisamente por volta das 13h38, quando o inverno estiver chegando de vez, o Sol 'parará' e começará retornar em direção ao Leste. (foto: Barbara Eckstein / Flickr / CC BY-NC-ND 2.0)
Por que nos enganamos durante tanto tempo? Ora, a grande dificuldade de aceitar os movimentos da Terra deve-se ao fato de que não sentimos isso acontecer de uma maneira direta. A velocidade de rotação da Terra é de aproximadamente 1675 km/h e a de translação, 109 mil km/h – extremamente altas, considerando que, em nosso cotidiano, nos deslocamos a velocidades na ordem de 100 km/h. Porém, é difícil sentir essa velocidade vertiginosa porque também estamos nos movendo junto com o planeta.
Uma imagem para ajudar a compreender: quando estamos dentro de um automóvel percorrendo uma estrada reta com velocidade constante, não percebemos que estamos em movimento se olharmos apenas para dentro do carro. Se olhamos para a estrada, o que vemos são os objetos se deslocando para trás. Parece estranho, mas, do nosso ponto de vista, estamos parados. O resto do mundo é que se move. Esse é o conceito de relatividade do movimento, percebido pelo físico e astrônomo italiano Galileu Galilei no começo do século 17.

O Sol se move?

Galileu, um dos grandes defensores do sistema heliocêntrico proposto pelo polonês Nicolau Copérnico em 1542, acreditava que o Sol ficava no centro do sistema solar. Para defender essa ideia e justificar por que não percebemos os movimentos da Terra, ele desenvolveu o conceito da inércia, segundo o qual, quando qualquer objeto não está sujeito a ação de forças, mantém seu estado de movimento. Embora tanto a rotação como a translação da Terra sejam movimentos acelerados, não sentimos diretamente essa aceleração devido às dimensões do nosso planeta e da nossa órbita ao redor do Sol.

Como o movimento é relativo ao observador, quem está na Terra vê o Sol se mover, e não a Terra
É assim que fundamentamos nossa convicção de que a Terra se move, e não o Sol. Mas, como o movimento é relativo ao observador, quem está na Terra vê o Sol se mover, e não a Terra.

Tanto o Sol como a Terra têm um movimento em torno do chamado centro de massa do sistema solar, que leva em conta os efeitos gravitacionais dos planetas e outros corpos do sistema. Como a massa do Sol representa mais de 99% do total, essa posição fica muito próxima ao próprio centro do Sol, mas não é verdadeiramente fixa, pois se modifica em função dos movimentos de todos os corpos planetários e outros. Ainda assim, em termos práticos, o Sol não se movimenta em relação aos planetas.

Mas não é verdade que o Sol não se movimenta. Carregando consigo todo o sistema solar, nosso astro-rei faz uma viagem de aproximadamente 250 milhões de anos ao redor da Via-Láctea, a nossa galáxia. Ela também não está imóvel e se move junto com o grupo local de galáxias – é o processo de expansão do próprio universo.

Adilson de Oliveira
Departamento de Física
Universidade Federal de São Carlos

sexta-feira, 26 de junho de 2015

O Sol vai parar

No próximo dia 21 de junho, chega oficialmente o inverno. A data, chamada pelos cientistas de solstício, tem a ver com o movimento aparente do Sol em relação à Terra, explica Adilson de Oliveira em sua coluna deste mês. 
 
Por: Adilson de Oliveira
Publicado em 19/06/2015 | Atualizado em 19/06/2015
O Sol vai parar
Muitos séculos já se passaram desde que começamos a entender verdadeiramente os movimentos dos corpos celestes e como de fato estes influenciam o nosso dia-a-dia. (imagem: Harman Smith e Laura Generosa / Nasa) 
 
Todas as manhãs, quando acordamos para nossas atividades diárias, uma das primeiras atitudes é verificarmos como está o clima. Olhamos pela janela ou consultamos a previsão do tempo para saber se o dia estará nublado, chuvoso ou ensolarado – o resultado pode nos deixar mais dispostos ou desanimados enfrentar o que vem pela frente. Quem acorda cedo percebe que, a depender da época do ano e da região do Brasil onde vivemos, ao levantarmos da cama o dia pode já estar claro ou ainda escuro. Observadores mais atentos sabem também que, conforme os dias passam, o Sol nasce e se põe em lugares diferentes.
A explicação tem a ver com o fato de o eixo de rotação do planeta estar inclinado em cerca de 23,4 graus em relação a uma reta perpendicular ao plano orbital. Desta forma, os hemisférios são iluminados de maneira diferente, e as partes do globo que recebem mais e menos luz mudam ao longo da trajetória anual da Terra ao redor do Sol, provocando o fenômeno das estações do ano.

No verão do hemisfério sul, recebemos mais luz, os dias são mais longos e as noites, mais curtas. Nessa mesma época, o hemisfério norte está no inverno, recebe menos luz e tem noites mais longas. Curiosamente, na época do outono do hemisfério sul – primavera no hemisfério norte –, o Sol ilumina de maneira praticamente igual ambas as partes do globo. Por isso, no Brasil, no meio da primavera – normalmente em outubro –, instituímos o horário de verão, atrasando os relógios em uma hora. Assim, acordamos mais cedo, aproveitamos melhor a claridade do dia e, como consequência, economizamos energia.
Por do Sol
Dependendo da localização de onde se observa o solstício, a distância do Sol ao Leste pode ficar bem grande. No Rio de Janeiro, são cerca de 22,5 graus. Em Porto Alegre, 30 graus. No extremo sul da Argentina, quase 50 graus! (foto: Eduardo Melon / Flickr / CC BY-NC 2.0)
A variabilidade da duração do dia no inverno ou no verão ocorre porque o Sol vai nascendo (ou se pondo) em diferentes lugares ao longo do ano. De fato, somente nos dias de início da primavera ou do outono o Sol nasce exatamente no Leste e se põe no Oeste. Após o outono no hemisfério Sul, por exemplo, o Sol vai nascendo e se pondo cada vez mais ao norte do ponto cardeal Leste, de forma a, no começo do inverno, atingir sua distância máxima em relação ao Leste – este ano, isso acontece no dia 21 de junho, que marca o início da nova estação. À data de início do inverno ou do verão damos o nome de solstício, uma palavra que significa “o Sol que não se mexe”. É o dia em que o Sol “para" o seu movimento e começa a voltar em direção ao Leste ou Oeste.

Esse movimento anual do Sol, claro, é apenas aparente, pois, como sabemos, é a Terra que gira ao redor da estrela, e não o contrário. Como todo movimento é relativo para quem observa, estando na Terra vemos não somente o Sol, mas também a Lua, os planetas e as estrelas realizando movimentos no céu. De fato, devido aos estranhos movimentos observados nos planetas, em particular Marte, foi possível determinar que de fato o Sol estava no centro do sistema planetário e não a Terra, como se acreditava até o século 16.
Sol
No próximo dia 21 de junho, precisamente por volta das 13h38, quando o inverno estiver chegando de vez, o Sol 'parará' e começará retornar em direção ao Leste. (foto: Barbara Eckstein / Flickr / CC BY-NC-ND 2.0)
Por que nos enganamos durante tanto tempo? Ora, a grande dificuldade de aceitar os movimentos da Terra deve-se ao fato de que não sentimos isso acontecer de uma maneira direta. A velocidade de rotação da Terra é de aproximadamente 1675 km/h e a de translação, 109 mil km/h – extremamente altas, considerando que, em nosso cotidiano, nos deslocamos a velocidades na ordem de 100 km/h. Porém, é difícil sentir essa velocidade vertiginosa porque também estamos nos movendo junto com o planeta.
Uma imagem para ajudar a compreender: quando estamos dentro de um automóvel percorrendo uma estrada reta com velocidade constante, não percebemos que estamos em movimento se olharmos apenas para dentro do carro. Se olhamos para a estrada, o que vemos são os objetos se deslocando para trás. Parece estranho, mas, do nosso ponto de vista, estamos parados. O resto do mundo é que se move. Esse é o conceito de relatividade do movimento, percebido pelo físico e astrônomo italiano Galileu Galilei no começo do século 17.

O Sol se move?

Galileu, um dos grandes defensores do sistema heliocêntrico proposto pelo polonês Nicolau Copérnico em 1542, acreditava que o Sol ficava no centro do sistema solar. Para defender essa ideia e justificar por que não percebemos os movimentos da Terra, ele desenvolveu o conceito da inércia, segundo o qual, quando qualquer objeto não está sujeito a ação de forças, mantém seu estado de movimento. Embora tanto a rotação como a translação da Terra sejam movimentos acelerados, não sentimos diretamente essa aceleração devido às dimensões do nosso planeta e da nossa órbita ao redor do Sol.

Como o movimento é relativo ao observador, quem está na Terra vê o Sol se mover, e não a Terra
É assim que fundamentamos nossa convicção de que a Terra se move, e não o Sol. Mas, como o movimento é relativo ao observador, quem está na Terra vê o Sol se mover, e não a Terra.
Tanto o Sol como a Terra têm um movimento em torno do chamado centro de massa do sistema solar, que leva em conta os efeitos gravitacionais dos planetas e outros corpos do sistema. Como a massa do Sol representa mais de 99% do total, essa posição fica muito próxima ao próprio centro do Sol, mas não é verdadeiramente fixa, pois se modifica em função dos movimentos de todos os corpos planetários e outros. Ainda assim, em termos práticos, o Sol não se movimenta em relação aos planetas.

Mas não é verdade que o Sol não se movimenta. Carregando consigo todo o sistema solar, nosso astro-rei faz uma viagem de aproximadamente 250 milhões de anos ao redor da Via-Láctea, a nossa galáxia. Ela também não está imóvel e se move junto com o grupo local de galáxias – é o processo de expansão do próprio universo.