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quarta-feira, 25 de abril de 2018

NASA/JPL-Caltech

Diamond-studded meteorites came from the collision of a lost planet

When our solar system was in its infancy 4.5 billion years ago, a swarm of protoplanets swirled around the sun—some of which coalesced into larger and larger masses, while others were blasted to smithereens in a demolition derby of planetary proportions. Those collisions would have produced innumerable fragments of cosmic shrapnel, some of which orbited the sun as carbon-rich asteroids. Now, a new analysis of the remains of one such asteroid, which broke apart in our atmosphere and fell to Earth, bolsters the idea that they are, in fact, the remnants of one of our solar system’s lost planets—some of which may have been the size of Mercury, or larger.

The Almahata Sitta meteorites, a few hundred rock fragments that rained down on Sudan’s Nubian Desert in 2008, included a number of coarse-grained, carbon-rich fragments known as ureilites. Inside were tiny diamonds that likely measured up to 100 micrometers across when they originally formed. That’s at least 100 times larger than the nanodiamonds that form when planetary objects collide, and it’s far larger than diamonds that form by condensing from carbon vapor inside clouds of interplanetary gas and dust. Excluding those possibilities, a new study proposes that the diamonds in the Almahata Sitta meteorites grew deep inside a large protoplanet before it suffered the collision that turned it into cosmic shrapnel (artist’s concept, above).

Just how large would the planet have been? Small blebs of iron-rich sulfides inside these meteorites’ diamonds provide key clues. Because the minerals could only have formed at pressures about 200,000 times those of Earth’s atmosphere at sea level, the diamonds would have formed near the center of a Mercury-or-larger-size protoplanet, the researchers report today in Nature Communications. Another alternative: They could have formed just outside the metal-rich core of a Mars-or-larger-size body.

Meteoritos cravejados de diamantes vieram da colisão de um planeta perdido

Por Sid PerkinsApr. 17, 2018, 11h15

Quando nosso sistema solar estava em sua infância há 4,5 bilhões de anos, um enxame de protoplanetas rodopiava ao redor do Sol - alguns dos quais se aglutinavam em massas cada vez maiores, enquanto outros eram explodidos em pedacinhos em um derby de demolição de proporções planetárias. Essas colisões teriam produzido inúmeros fragmentos de estilhaços cósmicos, alguns dos quais orbitavam o sol como asteroides ricos em carbono. Agora, uma nova análise dos restos de um desses asteroides, que se separaram em nossa atmosfera e caíram na Terra, reforça a ideia de que eles são, de fato, os remanescentes de um dos planetas perdidos do nosso sistema solar - alguns dos quais podem ter foi o tamanho de Mercúrio, ou maior.

 Os meteoritos Almahata Sitta, algumas centenas de fragmentos de rocha que choveram no deserto núbio do Sudão em 2008, incluíam vários fragmentos ricos em carbono, de granulação grossa conhecidos como ureilitos. Dentro havia pequenos diamantes que provavelmente mediam até 100 micrômetros quando se formaram originalmente. Isso é pelo menos 100 vezes maior do que os nanodiamantes que se formam quando objetos planetários colidem, e é muito maior do que os diamantes que se formam pela condensação do vapor de carbono dentro das nuvens de gás e poeira interplanetários. Excluindo essas possibilidades, um novo estudo propõe que os diamantes dos meteoritos Almahata Sitta cresceram profundamente dentro de um grande protoplaneta antes de sofrer a colisão que o transformou em estilhaços cósmicos (conceito do artista, acima).

 Quão grande seria o planeta? Pequenas bolhas de sulfetos ricos em ferro dentro dos diamantes desses meteoritos fornecem pistas importantes. Como os minerais só poderiam ter se formado a pressões de cerca de 200.000 vezes as da atmosfera da Terra no nível do mar, os diamantes teriam se formado perto do centro de um protoplaneta de tamanho maior ou menor, informaram os pesquisadores na Nature Communications. Outra alternativa: eles poderiam ter se formado do lado de fora do núcleo rico em metal de um corpo de Marte ou de tamanho maior.




Posted in:
doi:10.1126/science.aat9001

Sid Perkins

Sid is a freelance science journalist.

domingo, 6 de outubro de 2013

O terremoto que veio do céu

Alberto Veloso

Na manhã de 27 de agosto de 1887 moradores das cidades de Cananéia (SP) e Paranaguá (PR) separadas por cerca de 80 km, sentiram a terra tremer. Considerando a raridade do evento e a proximidade geográfica das cidades era de se esperar que, cedo ou tarde, os dois fatos fossem conectados. Mas isso não aconteceu, pois os jornais da época e a documentação encontrada trataram os episódios isoladamente.
Mesmo o catálogo sísmico brasileiro, que reúne toda a informação conhecida de terremotos ocorridos no país, apenas menciona o evento sísmico de Paranaguá. Somente agora, fundamentado em documentos históricos é que os dois episódios foram explicados pela provável queda/explosão de um meteoro, possivelmente no mar, mas em um ponto não distante daqueles dois municípios.
Pessoas que transitavam pelas ruas de Paranaguá perceberam um nítido estremecimento do chão e a mesma sensação foi notada por soldados e detentos da guarnição da Fortaleza da Barra, na ilha do Mel, 17 km a leste da cidade. Um canoeiro ouviu um grande estrondo e notou a elevação do mar no interior da baía de Paranaguá. Nessa cidade e em Antonina, o sistema telegráfico sofreu perturbações na "recepção e transmissão de correntes".

A Gazeta Paranaense (1/9/1887) informou que tripulantes de duas embarcações que adentraram ao porto, dois e três dias após o tremor, haviam ouvido "um surdo e prolongado rumor, semelhante ao tiro colossal de peça de artilharia" e sentido um "pronunciado chero de enxofre". Ao observar tal fato, um daqueles navios se encontrava entre as costas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A Figura 1 indica os locais dessas ocorrências.

Surpreendentemente, em Cananéia, ademais das vibrações do chão e da percepção de um grande estrondo, vários de seus moradores testemunharam "a queda de um bólido" em terreno próximo à cidade e, posteriormente, encontraram "o ponto exato em que se dera a queda, pela abertura de um grande fosso no chão".

Diante da coincidência das datas, inclusive da precisão da hora e dos minutos e da relativa proximidade das cidades afetadas fica difícil não considerar uma só origem para o fenômeno. Pelos diversos depoimentos percebe-se que o forte som, semelhante a uma grande explosão no ar, foi o elemento preponderante observado por todos e, nesse contexto, o tremor de terra aparece como um elemento secundário. Assim, pareceria razoável supor que o fenômeno foi provocado pela explosão de um meteoro ao penetrar na atmosfera em um ponto do espaço sobre o oceano, na altura da divisa da região sul/sudeste do Brasil. Mesmo ocorrendo a quilômetros de altura o impacto de uma explosão dessa natureza, entre outras coisas, produz ondas acústicas com energia suficiente para fazer vibrar o solo à semelhança de um tremor de terra.
Ao lado do registro de milhares de tremores brasileiros de origem tectônica estão uns poucos que aconteceram por causas diferentes, como os induzidos por grandes reservatórios hidrelétricos, ou pela exploração de minas subterrâneas. Agora, a esta seleta listagem de tremores incomuns poderia ser agregado o singular abalo de 27 de agosto de 1887.
O artigo também menciona a queda de outros corpos celestes no Brasil e explica como as estações de infrassom, utilizando sensores denominados microbarômetros podem registrar ondas de baixa frequência, imperceptíveis ao ouvido humano. A origem dessas ondas pode estar ligada a fenômenos naturais, como eventos meteorológicos, atividades vulcânicas e terremotos, ou serem produzidas artificialmente quando do lançamento de naves espaciais, de voos supersônicos, ou de explosões nucleares.
O exemplo dado foi o registro infrassônico da recente explosão de um meteoro sobre a cidade russa de Chelyabinsk, situada na região dos montes Urais, em 15 de fevereiro de 2013. Curiosamente, poucas horas após essa explosão, um asteroide com cerca de 45m de diâmetro, batizado de 2012 DA 14, cruzou o espaço a 27 mil km da superfície terrestre, um recorde de aproximação de nosso planeta. A trajetória de ambos os corpos celestes era diferente, mas os astrônomos consideraram os dois acontecimentos como uma formidável coincidência cósmica.
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Figura 1. Locais de percepção do tremor de terra e de outros efeitos provocados pelo evento de 27 de agosto de 1887.
Alberto Veloso - Geólogo e professor aposentado da UnB é autor do livro 'O terremoto que mexeu com o Brasil'.