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quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Mitocôndria: função e estrutura

A mitocôndria é uma organela responsável pela respiração celular


As mitocôndrias são organelas encontradas no citoplasma das células vegetais e das células animais. Elas são responsáveis pela respiração celular aeróbia, sendo assim, são consideradas organelas geradoras de energia, ou seja, de adenosina trifosfato (ATP).

O conjunto das mitocôndrias de uma célula recebe o nome de condrioma. O número de mitocôndrias que constituem o condrioma é bastante variável entre as células de um mesmo indivíduo, sendo maior nas que têm maior atividade metabólica.

De modo geral, as mitocôndrias possuem forma ovalada ou de bastonete e apresentam uma dupla membrana lipoproteica. A membrana externa é lisa e contínua, já a membrana interna apresenta pregas e invaginações formando as cristas mitocondriais.

A membrana interna delimita a matriz mitocondrial, rica em enzimas que participam de etapas da respiração celular. Imersos nessa matriz também podem ser encontrados: grânulos densos, que representam principalmente acúmulos de íons cálcio e magnésio; ribossomos chamados mitorribossomos, menores que os ribossomos citoplasmáticos e moléculas de DNA e RNA.
Preenchendo os espaços e entre as invaginações, encontra-se uma substância amorfa, denominada matriz. A presença de ribossomos, DNA e RNA na matriz permite as mitocôndrias produzirem suas próprias proteínas e apresentarem capacidade de autoduplicação.

Função da mitocôndria: Como ela produz energia?

No interior das mitocôndrias ocorre a oxidação final das moléculas orgânicas obtidas dos alimentos ingeridos, com liberação de energia, na presença de oxigênio (respiração aeróbia). As moléculas orgânicas que participam deste processo são os carboidratos e lipídios. A respiração aeróbia que utiliza oxigênio para liberar energia, pode ser apresentada pela seguinte equação geral:
C6H12O6 + 6 O2 → 6 CO2 + 6 H2O + energia
Podemos observar que além da produção de gás carbônico e água, ocorre a liberação de energia, que será utilizada para a manutenção das mais diversas atividades da célula.
A respiração aeróbia se dá em três fases distintas: a glicólise (no citosol), o ciclo de Krebs (na matriz mitocondrial) e a cadeia respiratória (nas cristas mitocondriais). Nos eucariontes, somente a glicólise ocorre no citosol e as demais etapas acontecem no interior das mitocôndrias, organelas ausentes nos procariontes.

1ª etapa: glicólise

Na glicólise cada molécula de glicose é desdobrada em dois piruvatos, com liberação de hidrogênio e energia, por meio de várias reações químicas. O hidrogênio combina-se com moléculas transportadoras de hidrogênio (NAD+), formando NADH+ e H+. A energia liberada é usada para a síntese de ATP, resultando, no final do processo, um saldo de 2 ATP.
O piruvato formado na glicólise é um composto chave no metabolismo celular, pois pode ser utilizado tanto nos processos aeróbios como nos anaeróbios. O principal fator determinante de qual via o piruvato vai seguir é o oxigênio. Na presença desse gás, o piruvato é degradado em CO2 e H2O na respiração. Na ausência, é parcialmente degradado nos processos de fermentação.

2ª etapa: ciclo de Krebs

Na respiração, o piruvato formado na glicólise penetra na matriz mitocondrial e é transformada em acetil, havendo liberação de gás carbônico e de hidrogênio. O acetil combina-se com uma substância denominada coenzima A (CoA), formando o acetil-CoA, que entra no ciclo de Krebs.
O ciclo de Krebs foi elaborado por Hans Adolf Krebs, que, em função disso, recebeu o prêmio Nobel de fisiologia em 1953. O ciclo de Krebs é também chamado ciclo do ácido cítrico ou ciclo dos ácidos tricarboxílicos. Nesse ciclo são liberados CO2, ATP, NADH+, H+ e FADH2. Todo gás carbônico liberado na respiração provém da formação de acetil e do ciclo de Krebs.

3ª etapa: cadeia respiratória

A cadeia respiratória ocorre associada às cristas mitocondriais. Por meio desse processo, há transferência de hidrogênios transportados pelo NAD+ e pelo FAD para o gás oxigênio formando água e produzindo ATP.
O oxigênio é o aceptor final de hidrogênios e participa diretamente apenas da última etapa da cadeia respiratória. Apesar disso, é um reagente fundamental para que a respiração ocorra, pois todas as demais reações da respiração que ocorrem dentro da mitocôndria cessam na sua ausência.
Sem oxigênio, alguns organismos e mesmo células do tecido muscular esquelético humano continuam a realizar glicólise, desviando o metabolismo para a fermentação.
Nas transferências de hidrogênios ao longo da cadeia respiratória, há liberação de elétrons excitados, que vão sendo captados por transportadores intermediários, dentre eles os citocromos. Os complexos citocromos participam de um complexo mecanismo que resulta na síntese de ATP.
Cada NADH libera energia para formar 3 moléculas de ATP e cada FADH2 libera energia para formar 2 moléculas de ATP. Como são formados 10 NADH e 2 FADH2 nas etapas anteriores da respiração, teremos o total de 34 ATP formados na cadeia respiratória. Como o saldo energético da glicólise é de duas moléculas de ATP e o ciclo de Krebs também, teremos o total de 34 ATP formados na cadeia respiratória.
Entretanto, em certas células eucarióticas, como as da musculatura esquelética humana e provavelmente as do cérebro, o saldo energético da respiração por molécula de glicose degradada é de 36 ATP. Isso ocorre em função de um mecanismo relacionado à entrada do NADH na mitocôndria, em que há gasto de 1 ATP por NADH.
Como são 2 NADH produzidos na glicólise por molécula de glicose, o gasto total é de 2 ATP. Desse modo, dependendo do tipo de célula eucariótica, o saldo total de ATP na respiração aeróbia pode ser de 36 ou 38 ATP.

Herança mitocondrial

Geralmente, as células do corpo dos animais contêm mitocôndrias herdadas apenas da mãe, como ocorre na espécie humana. O gameta feminino e o masculino possuem mitocôndrias, mas, assim que ocorre a fecundação e se forma a célula-ovo, as mitocôndrias provenientes do gameta masculino degeneram.
Mitocôndria no ambiente intracelular
No momento da fecundação, a mitocôndria da mãe permanece (Foto: depositphotos)
Apenas as mitocôndrias do gameta feminino permanecem na célula. Assim, as mitocôndrias são herdadas da mãe e não do pai e essa informação tem sido usada em testes para identificar a maternidade das pessoas.

Veja também: Respiração celular

Os procariontes e a ausência de mitocôndrias

Nos procariontes, como não há mitocôndrias, o processo inteiro da respiração ocorre no citoplasma e na face citoplasmática da membrana celular. Nesse caso, o rendimento energético total da respiração é de 38 moléculas de ATP para cada molécula de glicose degradada. Os procariontes mais conhecidos são as bactérias e as cianobactérias.

Referências 
 
JUNQUEIRA, L. C. U.; CARNEIRO, J. Papel das mitocôndrias na transformação e armazenamento de energia. JUNQUEIRA, L. C, U.; CARNEIRO, J. Biologia celular e molecular, v. 8, p. 63-75.
 
MOREIRA, Catarina. Respiração. Revista de Ciência Elementar, v. 1, n. 1, p. rce2013. 009, 2013.

sexta-feira, 6 de março de 2015

TUDO SOBRE CÉLULA E SUAS ORGANELAS

Células

Com tantas biomoléculas presentes no nosso organismo, esse necessita de algo que controle o que será absorvido. As células fazem bem esse papel de decidir qual substância que entra e que sai delas.
Cada célula possui uma característica especial diferenciando desde o seu tamanho aos componentes presentes nela, veja:
Classificação de células
As Células Procarióticas são aquelas que seu material genético está disperso não tendo, assim, nenhuma membrana envolvendo o material genético e o separando do restante dos materiais presentes na célula.
Já as Células Eucarióticas são muito mais organizadas e possuem material chamado de carioteca envolvendo o material genético.
Veja na figura abaixo a ilustração desses dois tipos de células, o traço indica o material genético disperso no citoplasma e envolto com a carioteca.
Celulas
Agora, que você já sabe o que é a célula, vamos recordar a função de cada organela celular?

Organelas Celulares

As principais organelas presentes em diversas células são o Núcleo, a membrana e o citoplasma, vamos começar por essas três?
Celulas organelas

Núcleo

  • Contém o material genético;
  • É envolvido por uma membrana;

Membrana plasmática

  • Separa o material contido no citoplasma da vizinhança.

Citoplasma

Como dito acima, nos eucariontes fica entre a membrana nuclear e a membrana plasmática, digo eucariontes, porque como vimos nos procariontes não há a presença de membrana nuclear.
  • Responsável por dar forma a célula;
  • Armazena uma grande quantidade de substâncias.
O Citoplasma possui as seguintes organelas:
Celulas eucarioticas
  • Mitocôndria;
  • Retículo Endoplasmático;
  • Complexo de Golgi;
  • Lisossomos;
  • Peroxissomos;
  • Ribossomos;
  • Centríolos.
A seguir, vamos citar as principais funções dessas organelas celulares.

Mitocôndria

  • Responsável pela respiração celular e consequente produção de energia e armazenamento na forma de ATP- Adenosina Trifosfato- pela quebra da glicose.
formula

Retículo Endoplasmático

  • Rugoso: Síntese de Proteínas com o auxílio dos ribossomos, assim as células do pâncreas vão ter quantidade significativa dessa organela, já que o pâncreas tem como uma das funções produzir enzimas e insulina.
  • Liso:  Produção de lipídeos, responsável por metabolizar, por exemplo, o colesterol.
Produção de hormônios derivados do colesterol; como o estrogênio e a testosterona, hormônios femininos e masculinos respectivamente.
Desintoxicação do organismo, responsável, por exemplo, por metabolizar grande parte do álcool ingerido.

Complexo de Golgi

  • Tem a principal função de excreção Celular. Ele Armazena, empacoto e transforma diversas substâncias que são sintetizadas.
  • Produção de polissacarídeos;
  • Produção dos Lisossomos ( “muito cobrado em provas de vestibular!”)

Lisossomos

  • Atuam na digestão intracelular, pois possui enzimas digestivas no seu interior.
  • Função autofágica: Digestão de organelas de dentro da célula que perderam a função;
  • Função heterofágica: Digestão de algo que veio de fora da célula.

Peroxissomos

  • Quebra de ácidos graxos, esse mecanismo envolve a produção de um subproduto muito tóxico para célula chamado Peróxido de Hidrogênio (água oxigenada). Para que a célula não seja prejudicada por esse subproduto ela possui a enzima catalase que quebra a molécula de peróxido de hidrogênio produzindo água e oxigênio.
  • Desintoxicação do organismo, também é responsável por metabolizar parte do álcool;
  • Nos vegetais são, também, responsáveis por regular o processo germinativo.

Ribossomos

  • Organela Não-Membranosa, atua na síntese de proteínas, está presente no retículo endoplasmático rugoso e disperso no citoplasma.

Centríolos

  • Formação de cílios e flagelos quando a célula precisar desses componentes e responsáveis, principalmente, pela movimentação da célula.
  • Células procarióticas, alguns vegetais e fungos não têm centríolos.

Organelas de vegetais

Caso estivéssemos falando de vegetais teríamos ainda:

Parede Celular

  • Envoltório externo responsável pela proteção da célula com composição química chamada Celulose.

Cloroplasto

  • Possui um pigmento denominado Clorofila, responsável pela fotossíntese que produz a glicose necessária para a célula.

Vacúolos

  • Responsável pelo armazenamento de substância, como pigmentos, vitaminas, água entre outras.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Célula brasileira tem 98% de origem européia, diz pesquisadora

Geneticista Lygia Pereira fala sobre o seu trabalho de criação das primeiras células-tronco e foi recentemente publicado pela revista “Cell Transplantation”

Thábata Mondoni


A geneticista da Universidade de São Paulo, Lygia Pereira, fala para o Começando o Dia sobre o seu trabalho de criação das primeiras células-tronco, que começou em 2008, e foi recentemente publicado pela revista “Cell Transplantation”. Na publicação, há uma conclusão de que as células estudadas por Lygia possuem uma característica surpreendente. Elas revelam que a linhagem não é compatível com a população do país para a realização de terapias.

“Em 2008 nos conseguimos a partir dos embriões da fertilização em vidro, gerar uma primeira célula-tronco embrionária brasileira. 

E a nossa hipótese é que se eu quero usar essa célula para fazer tecidos para transplantar em pacientes, fazer células, por exemplo, para o fígado, para botar numa pessoa com hepatite e regenerar o fígado dessa pessoa, é preciso que esse tecido seja compatível com os nossos pacientes. Então a nossa hipótese é que uma célula embrionária brasileira tem uma maior compatibilidade com a nossa população. E a nossa surpresa e é isso que a gente está relatando no artigo que saiu agora, é que essa célula brasileira na verdade não tem uma boa compatibilidade com a nossa população. E quando a gente foi ver porquê; é porque ela tem uma genética européia. Nossa população tem uma mistura de europeu, de índio brasileiro, de negros, nós somos bem misturados. E quando a gente foi analisar a mistura genética dessa célula a gente viu que ela é 98% de origem européia”.

Link: http://cmais.com.br/celula-brasileira-tem-98-de-origem-europeia-diz-pesquisadora