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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

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Antes vista como "milagrosa", planta invasora e perigosa se espalha por Fernando de Noronha

Duna coberta de leucenas em praia de Fernando de Noronha

Crédito, Thayná Mello

Legenda da foto, A leucena, considerada uma das 100 piores espécies invasoras do mundo, está presente em 60% das áreas com vegetação de Fernando de Noronha
  • Author, Evanildo da Silveira
  • Role, De São Paulo para a BBC News Brasil

A leucena (Leucena leucocephala) já foi considerada uma "árvore milagrosa" por crescer rapidamente mesmo em áreas degradadas, de clima seco e solo pobre.

À medida que foi introduzida em diferentes regiões, porém, o que era seu grande trunfo acabou se tornando um grande problema, e sua propagação passou a colocar em risco espécies nativas.

Esse arbusto originário do México e do norte da América Central hoje está entre as 100 piores espécies invasoras do mundo, causando estragos especialmente em ilhas e arquipélagos.

O rastro de perda de biodiversidade aparece no Havaí, nas ilhas Galápagos, nas ilhas Fiji, na Indonésia e nas Filipinas e, mais recentemente, em Fernando de Noronha.

Com o objetivo de verificar o efeito da leucena na vegetação nativa no arquipélago brasileiro, a bióloga Thayná Jeremias Mello realizou uma pesquisa para seu mestrado no Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP) em 178 pontos da região.

Os resultados são preocupantes.

"(A leucena) encontrou na ilha um ambiente propício para se desenvolver e hoje é a planta mais comum do local", diz o também biólogo Alexandre Adalardo de Oliveira, do Departamento de Ecologia do IB-USP e orientador de Mello. "Nós a detectamos em 60% das áreas com vegetação da ilha."

Ela é dominante em um quinto dos locais nos quais se estabeleceu. Mas não é só isso. "Onde ela ocorre, a riqueza de espécies nativas diminui muito, cerca de 70%", diz Oliveira.

Segundo os pesquisadores, a leucena, conhecida também como linhaça em Fernando de Noronha, foi introduzida no arquipélago na década de 1940, para alimentar animais e produzir lenha.

Em artigo sobre o tema, Mello, que é analista ambiental no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), explica que, na época da introdução da leucena no arquipélago, o cultivo da planta "era estimulado em todo o mundo, por crescer rápido até em áreas degradadas, ajudar a fertilizar o solo e ser tolerante à seca".

O problema é que ela logo começou a se espalhar, mesmo para locais onde não havia sido cultivada. "Tentativas de controlá-la fracassavam: cortada, ela rebrotava vigorosamente. Antes 'milagrosa', a espécie entrou na lista das 100 piores invasoras do mundo. Hoje é reconhecida por sua agressividade e por causar perda de biodiversidade, com ameaça destacada às ilhas oceânicas."

Segundo Oliveira, por serem remotos, esses ambientes costumam ter baixa biodiversidade. "Por isso, são considerados ambientes frágeis", diz.

"As espécies que vivem (nessas ilhas remotas), por terem evoluído isoladas, interagiram com poucos organismos ao longo de sua história evolutiva. Por isso, não estão adaptadas a competir com outras por recursos e sofrem com a invasão."

Mello afirma que invasões biológicas são atualmente a segunda maior causa de perda de biodiversidade no mundo, ficando atrás apenas da destruição dos habitats.

"Certos ambientes são mais suscetíveis que outros à invasão, especialmente quando degradados", diz. "É o caso das ilhas oceânicas, onde as invasões biológicas são a principal causa de perda de biodiversidade."

Leucena na praia do Americano

Crédito, Thayná Mello.

Legenda da foto, Na praia do Americano, a maior parte da vegetação é dominada pela leucena

O avanço da leucena em Fernando de Noronha não foi a única descoberta dos pesquisadores. Eles também realizaram experimentos a fim de entender como se dá a interação entre a invasora e as plantas nativas da região.

Para isso, observaram, em campo e em casa de vegetação, o efeito do contato da leucena e de uma espécie nativa, o feijão-bravo (Capparis flexuosa), em outra planta natural do local, o mulungu (Erythrina velutina) — uma das mais comuns nas florestas originais do arquipélago.

Os resultados mostram que o mulungu cresce junto com o feijão-bravo, mas a presença da leucena altera completamente os resultados.

"A leucena até melhora a germinação das sementes do mulungu, mas essa planta morre mais e cresce menos" em áreas invadidas, afirma Oliveira. "Em contrapartida, o feijão-bravo parece não ser afetado pela espécie exótica."

Quando a interação se dá entre as três plantas, o resultado é ainda pior para o mulungu, que morre mais e cresce menos do que em ambientes em que havia só a invasora.

"Notamos que a espécie exótica aumenta a taxa de mortalidade do mulungu em quatro vezes, enquanto a presença dela associada ao feijão-bravo aumenta mais de sete vezes esse índice", afirma Oliveira.

Ou seja, "uma espécie nativa (feijão-bravo) que não tem efeito sobre outra (mulungu) passa a ter um efeito fortemente negativo quando da presença da invasora (leucena)", diz.

Os estudos de Thayná Mello para seu mestrado foram realizados entre 2012 e 2014, mas ela ainda pesquisa o tema. "A ocupação por leucena continua aumentando em Fernando de Noronha", diz à BBC News Brasil.

Seus levantamentos nos últimos anos, que incluem a observação de outras 12 espécies de plantas exóticas, foram reunidos no Plano de Ação para Manejo de Flora Exótica Invasora do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, que está em fase inicial de implementação.

terça-feira, 22 de maio de 2018

Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit Árvore-do-conflito, deserto verde.

Foto 1 – Detalhe das flores botões florais e sementes verdes.Foto 2 – Detalhe da flor.Foto 3 – Detalhe dos frutos verdes.Foto 4 – Imensa quantidade de vagens que produzem sementes o ano todo é altamente invasora, por isso seu nome de árvore do conflito.
Família: Fabaceae (Leguminosae) Subfamília-Mimosoideae.
Nome científico: Leucaena leucocephala (Lam.) de Wit
Nomes populares: árvore-do-conflito, deserto-verde, leucena. devido se alastrar como uma espécie daninha.
DESCRIÇÃO DA ESPÉCIE
 Árvore perene originária do México e America Central. Sua altura atinge até 20 m.
Nas áreas desapropriadas para preservação ambiental do projeto ITAIPU (margem brasileira), constituídas pela Faixa de Proteção (FP– 28.000 ha) e Refúgios biológicos (RB 3.200ha), está sendo desenvolvido um programa de  reflorestamento desde 1979. Nessas áreas, entre outras espécies arbóreas, foi plantada a leucena. Pela facilidade na obtenção de mudas e sementes. Foram plantadas com mudas partes da cortina florestal e 20 talhões de 2,00 ha no  Refúgio Biológico de Santa Helena, e com sementes na Faixa de Proteção pelos agricultores vizinhos que utilizaram o “método taungya”. Devido a o alto grau de adaptação a região, essa espécie passou a constituir um problema, pela sua abundante regeneração natural em áreas sem reflorestamento e de agricultura, e pelo comprometimento na estrutura e qualidade desta floresta no futuro.
Para reduzir este avanço e minimizar os efeitos negativos que uma espécie exótica pode causar estão sendo testadas 39 espécies arbóreas através do “sistema de enriquecimento em linhas em faixas”, nos sentidos norte/sul e leste/oeste, para selecionar aquelas que melhor se desenvolvem nestas condições. Os resultados obtidos após 4 e 5 anos, apontam que 10 espécies testadas ( Grevilea- Grevillea robusta, jambolão -Syzyjium cumini; Passegueiro bravo- Prunus selowii. Uva do Japão- Hovenia dulcis; Figueira- Ficus enormis; Timburi- Enterolobium contortisiliquum; Canafistula- Peltophorum dubium; Paineira- Chorisia speciosa; Barbatimão- Anadenanthera falcata; Gurucaia-Parapiptadenia rigida), apresentam potencial para competir com a leucena. Para sua confirmação serão aplicados testes comprobatórios com essas espécies em maior escala.
INVENTÁRIO FLORESTAL
Em 1999 a 2000 foi realizado o Inventário Florestal, do qual participei como identificador das espécies arbóreas, da Faixa de Proteção (FP– 28.000 há) e Refúgios Biológicos (RB-3.200 ha), Parque Nacional do Iguaçu 185.000 ha, em convenio com a UEM Universidade Estadual de Maringá (MARTINS.S.S. 1999-2000).

AGRESSIVIDADE DA LEUCENA
A espécie apresentou um alto grau de adaptação à região, passando a constituir um sério problema, pela sua abundante regeneração natural em áreas sem reflorestamento e de agricultura, e pelo comprometimento na estrutura e qualidade desta floresta no futuro.Tanto na Faixa de Proteção (FP-28.000 ha), Refúgios Biológicos (RB-3200 ha), a leucena desenvolveu-se com muita rapidez, avançando sobre áreas desocupadas, o que tem causado à preocupação da estrutura dessas florestas no futuro, já que  até o momento não foi constatado seu uso como habitat, ou alimento de animais silvestres.Também à agricultura a leucena tem causado alguns inconvenientes, uma vez que nos plantios da Cortina Florestal, que fazem divisa com áreas agrícolas, a espécie tem avançado sobre estas áreas através da disseminação feita, em parte, pelos próprios produtores, que passam com maquinários próximos a Cortina Florestal e transitam pela lavoura, levando consigo as sementes nas rodas.Com estes indícios de adaptação associados a sua ampla distribuição nas áreas da Itaipu Binacional, é considerada definitiva sua permanecia, como povoamentos puros ou mistos (Avaliação Preliminar da Competição de crescimento entre 39 espécies Arbóreas em Área Sombreada com Leucena ( Zelazowski V. H. e Lopes G.L. 1993).

ANÁLISE DO BANCO DE SEMENTES Universidade estadual de maringá.
Nãoforam constatadas diferenças significativas referentes ao número de espécies florestais germinadas nas parcelas do plantio misto e puro, ambas apresentaram a Leucena como espécie principal.  A alta incidência de Leucena foi verificado devido a chuva de sementes deposição ocorrer durante o ano todo, o que caracteriza como  uma espécie agressiva e de alta disseminação.Outro fator que contribui para os altos índices de germinação da Leucena diz respeito a alta longevidade das sementes das sementes no solo, assegurados pela rigidez do seu tegumento o que ocasiona dormência parcial podendo ser quebrada tão logo condições favoráveis de temperatura e luminosidade sejam observados. Durante o tempo que essas sementes permanecem dormentes no solo, formando um banco, mais sementes são incorporadas mantendo esse banco sempre ativo à espera de abertura de clareira, processo facilmente comprovado na matas ciliares da ITAIPU BINACIONAL, marcado pela constante deposição de sementes de Leucena ao longo de toda faixa vegetada.Sabe-se também que a localização de sementes em profundidade maiores e portanto sujeitas a menores oscilações térmicas condiciona a dormência e a formação de bancos de sementes persistentes, após a dispersão, as sementes podem permanecer viáveis na natureza por alguns dias ou até muitos anos, esperando condições favoráveis para germinarem abertura de clareiras.


ANÁLISE DO BANCO DE SEMENTES SANTA HELENA.
Durante o Inventário Florestal realizado pela ITAIPU BINACIONAL E UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ, foram coletadas amostras de solos e levados a UEM e as amostras foram semeadas em canteiros e foram identificadas e  as plântulas que nasciam eram identificadas e contadas para determinação do Banco de Sementes, a Leucena teve domínio em todas as camadas de solos amostrados.
Serrapilheira: Camada superficial da floresta. A leucena domina com 58% das emergências das sementes.
Densidade de sementes por m².
(Plantio Misto– 2903 sementes por m²).
(Plantio Puro– 4237 sementes por m²)
Profundidade de 0-5 cm a leucena domina com 37,40%
Densidade de sementes por m².
Plantio Misto– 2628 sementes por m²
Plantio Puro– 1147 sementes por m²
Profundidade de 5 cm -10 cm. A leucena domina com 4,4%
Densidade de sementes por m².
Plantio Misto– 309 sementes por m²
Plantio Puro– 134 sementes por m²
Com estes indícios de adaptação associados a sua ampla distribuição nas áreas da Itaipu Binacional, é considerada definitiva sua permanecia, como povoamentos puros ou mistos (Avaliação Preliminar da Competição de crescimento entre 39 espécies Arbóreas em Área Sombreada com Leucena ( Zelazowski V. H. e Lopes G.L. 1993).

Bibliografia Consultada
ZELAZOWSKI, V.H. LOPES, G.L.. AVALIÇÃO PRELIMINAR DA DA COMPETIÇÃO DECRESCIMENTO ENTRE 39 ESPÉCIES ARBÓREAS, EM ÁREA SOMBREADA COM LEUCENA (Leucaena leucocephala).  Itaipu Binacional Santa Helena- PR. Trabalho publicado no (I CONGRESSO FLORESTAL PARANAMERICANO E VII CONGRESSO FLORESTAL BRASILEIRO CURITIBA PARANÁ-1993. ANAIS DO EVENTO).
 UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ
Centro de Ciências Agrárias– CCA
Departamento de Agronomia– DAG